Arquivo diário: 15 de outubro de 2010

O Magistério e o Papa: quem são eles e o que fazem

I. O que é a Verdade? Pergunta feita por Pilatos em João 18,38.

A. A Verdade é uma. Só pode haver uma verdade.

B. ‘Verdade’ é o oposto de ‘erro’.

C. A definição de ‘Verdade’ é: “o que está de acordo com o fato”. É quando a consciência concorda com o intelecto.

D. Jesus Cristo é DEUS e DEUS é a Verdade (João 14,6). DEUS não pode mentir pois é incompatível com Ele, já que Ele É a verdade. Quando Jesus Cristo disse algo, sabemos que é verdade porque ELE disse.

1. DEUS tem nos falado de duas maneiras:

a. Quando Jesus falou com Seus Apóstolos, falou oralmente. Ele não escreveu para eles ou lhes deu um livro para ler. Os Apóstolos falaram as palavras de Jesus Cristo para outros e seus sucessores: os Bispos. Isto é chamado ‘Tradição’, com ‘T’ maiúsculo. (…)

b. Ele falou para nós através de Sua palavra escrita: a Sagrada Escritura. Os livros do Novo Testamento não tinham nem sido escritos até começarem a sê-lo por cerca de 48 d.C e terminando em cerca de 100 d.C, muitos anos depois de Jesus Cristo ter sido crucificado (o que se deu em cerca de 33 d.C.). Ficou a cargo dos escritores do Novo Testamento registrar acuradamente, muitos anos depois, sob a inspiração do Espírito Santo, o ensinamento de Jesus Cristo, e basear a maior parte de seus escritos na “Tradição”.

Em João 20,30 e 21,25, o Apóstolo diz: “E JESUS FEZ AINDA MUITAS OUTRAS COISAS. Se fossem escritas uma por uma, PENSO QUE NEM O MUNDO INTEIRO PODERIA CONTER OS LIVROS QUE SE DEVERIAM ESCREVER”. Isto diz, em termos bem simples, que há dois campos da Palavra Sagrada de DEUS: a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição.

2. A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura, juntas, são conhecidas como “o Depósito da Fé”.

II. A Verdade tem que ser preservada…

A. É tarefa de alguém perservar o “Depósito da Fé”.

B. Há a necessidade de se preservar a verdade. Em cada nível da sociedade temos líderes e seguidores, alguma forma de governo.

C. A História mostra que nenhuma civilização, país, cidade ou organização durou muito tempo sem haver um governo efetivo para as pessoas seguirem, confiarem e no qual acreditarem. É necessário alguma organização para interpretar, executar e seguir as leis:

1. Os Romanos tinham César e o Senado.
2. Os Estados Unidos têm o Presidente, o Congresso e a Suprema Corte.
3. Os Estado têm o Governador e a Câmara Legislativa.
4. Uma corporação tem um Executivo-Chefe e uma Diretoria.
5. A Igreja Católica tem o Papa, os Bispos e o Magistério.

D. Estes governos fazem regras para todos seguirem. Eles também têm a responsabilidade de protegê-las e executá-las, de maneira ordenada e a seu tempo. Sem ordem há caos.

1. O que aconteceria no país se cada pessoa fizesse o que ELA achasse que era certo e ignorasse os direitos dos outros, e cada uma tivesse a SUA própria lista de regras a seguir, ou nenhuma regra? A civilização, do jeito que a conhecemos, iria se desmoronar:

a. Você percebe que há seitas Cristãs que operam desta maneira? É dito a cada pessoa que deve interpretar a Bíblia, a Palavra de DEUS, por si mesma. O que quer que pareça certo para ela é tudo o que importa. É essencialmente cada um por si. Está política leva ao caos, brigas internas e desunião. Lembre-se do que Jesus Cristo disse: “Toda casa dividida contra si mesmo não pode subsistir.” (Mt 12,25).

b. A Bíblia não é um romance. É a Palavra de DEUS. Se você a ler como leria um romance, não tirará muito proveito dela exceto por uma massa confusa. Se você der a um milhão de pessoas uma Bíblia para cada uma e pedir a cada uma para interpretá-la, você obterá um milhão de interpretações diferentes. Em quem você acreditaria? Quem tem a verdade? Conforme já vimos, a “Verdade é Uma”. A interpretação de qual pessoa seria a ÚNICA verdadeira?

c. Você iria querer acreditar na interpretação de um homem, cujas credenciais podem ser questionáveis, ou na interpretação coletiva de um grupo de homens com credenciais impecáveis MAIS o Espírito Santo?

2. A Igreja Católica tem o Papa e o Magistério para interpretar, preservar e proteger o “Depósito da Fé” para todos nós:

a. O Magistério consiste do Papa e dos Cardeais e Bispos agindo sob a orientação do Espírito Santo.

b. Eles se reúnem em Concílios e, com a orientação do Espírito Santo, tomam decisões a respeito de matérias importantes a respeito da fé.

3. Por falta de direção, cai um povo; onde há muitos conselheiros, ali haverá salvação (Pr 11,14; 24,6).

4. Os projetos triunfam pelos conselhos (Pr 20,18).

5. A única maneira de conhecermos UMA verdade é aceitar UMA autoridade.

III. Como posso ter certeza de que a verdade está sendo preservada?

A. De todos os escritos desde o início dos tempos, em qual livro podemos confiar como sendo o “Depósito da Fé”?

1. Eu confio na Sagrada Escritura de DEUS. Se você diz isso, deve ser verdade porque o Próprio DEUS disse isso.

2. Se os fatos mencionados acima em II-D-2-a e b, podem ser encontrados na Bíblia, eles têm que ser verdadeiros. Vamos dar uma olhada em alguns versículos…

3. O Magistério…

a. Tem Bispos colocados pelo Espírito Santo para governar a Igreja: “Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de DEUS” (At 20,28).

b. Tem um líder que possui autoridade e supremacia sobre todo o resto: Quando DEUS dava autoridade, Ele mudava o nome da pessoa que a recebia. Abrão foi chamado Abraão em Gn 17,15, quando DEUS o fêz “Pai de uma Multidão de Nações”. Sarai foi chamada Sara em Gn 17,15-16 quando DEUS a fez “A Mãe de Nações”. Jacó foi chamado de Israel em Gn 32,29, quando DEUS o fez “Pai da nação de Israel”. Em Mt 16,18, DEUS trocou o nome de Simão para PEDRO, e lhe disse TU és “PEDRA” e sobre esta “PEDRA” construirei MINHA IGREJA. Mt 16,19, Eu TE darei as CHAVES do REINO dos CÉUS, e tudo o que TU LIGARES na terra será ligado no Céu, e tudo o que TU DESLIGARES na terra será desligado nos céus. Pedro foi o primeiro líder da Igreja e lhe foi dada supremacia e autoridade sobre todos os outros Apóstolos. Lc 22,31-32: “Satanás vos reclamou para VOS PENEIRAR como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, CONFIRMA os teus irmãos. Jo 21,17: Simão, tu Me amas? APASCENTA OS MEUS CORDEIROS”. At 1,15: “PEDRO levantou-se no meio dos seus irmãos. At 2,14: PEDRO, pondo-se em pé em companhia dos onze, com voz forte lhes DISSE: “Homens da Judéia, e vós TODOS que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às MINHAS PALAVRAS”. At 15,7: “DEUS ME ESCOLHEU DENTRE VÓS, PARA QUE DA MINHA BOCA OS PAGÃOS OUVISSEM A PALAVRA DO EVANGELHO E CRESSEM”. 1Cor 15,5: “E Ele apareceu a CEFAS (primeiro) e EM SEGUIDA aos onze”.

c. Reúne-se e discute assuntos: “Reuniram-se os Apóstolos e os anciãos (Bispos conselheiros) para tratar desta questão” (At 15,6).

d. Consultam uns aos outros a respeito da revelação divina: “E subi em consequência de uma revelação. Expus-lhe o Evangelho que prego entre os pagãos” (Gl 2,2).

e. Vota entre eles: “deitaram a sorte entre si” (At 1,26).

f. Define um ensinamento: “Os pagãos têm que ser circuncidados? Temos ouvido que alguns dentre nós vos têm perturbado com palavras, transtornando os vossos espíritos, sem lhes termos dado semelhante incumbência” (At 15,1.24). Não, eles não têm que ser circuncidados.

g. É guiado e ensinado pelo Espírito Santo: “Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que DEUS deu a todos aqueles que Lhe obedecem” (At 5,32). “Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do seguinte indispensável…” (At 15,28). “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciar-vos-á AS COISAS QUE VIRÃO. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e VO-LO ANUNCIARÁ. Tudo o que o Pai possui é meu. Por isso, disse: Há de receber do que é meu, e VO-LO ANUNCIARÁ” (Jo 16,12-15).

h. É a coluna da verdade: “a casa de DEUS, que é a Igreja de DEUS vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15).

i. É a autoridade docente da Igreja: “ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi” (Mt 28,20).

j. É auto propagador e tem a autoridade: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu VOS escolhi e VOS constituí para que vades e produzais fruto, e o VOSSO fruto PERMANEÇA; Eu assim VOS constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vos conceda” (Jo 15,16). “Eu lancei o fundamento, mas outro edifica sobre ele…” (1Cor 3,10-11). “se recusa a ouví-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano… Tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no Céu…” (Mt 18,17-18).

k. Afirma que NÃO deve ser feita ‘interpretação privada’ da Escritura: “Antes de tudo, sabeis que NENHUMA profecia da Escritura é de interpretação PESSOAL” (*2Pd 1,20).

l. Tem que ser obedecido: “OBEDECEI aos seus SUPERIORES, pois ELES velam por vossas almas e delas devem dar conta” (Hb 13,17).

m. Não pode falhar: “e as portas do inferno NÃO prevalecerão contra ela. Mt 28,20: Eis que estou convosto TODOS os dias, até o fim do mundo” (Mt 16,18).

IV. Revelação, há dois tipos:

A. Pública: o ensinamento de Jesus Cristo, também chamado “Revelação Divina”:

1. Não há novas revelações públicas, já que foram encerradas quando o último Apóstolo morreu

2. A única maneira possível de haver nova revelação pública (divina) é o Próprio DEUS vir e proclamá-la.

3. A revelação pública consiste na “Sagrada Escritura” e na “Sagrada Tradição”: o “Depósito da Fé”.

4. É missão do Papa e do Magistério interpretar, preservar e proteger o “Depósito da Fé” para todos nós.

B. Privada: mensagens recebidas por meio de visão ou locução interior por indivíduos:

1. Nós não devemos nem acreditar nelas nem condená-las, até que a Igreja decida se elas contém verdade ou erro.

2. Nós devemos testar e exercer discernimento sobre elas para ver se vêm de DEUS (1Ts 5,20-21, 1Jo 4,1-6).

V. Referências Bíblicas para este artigo:

*Gn 17,5.15-16; 32,29, Pr 1,5, Am 3,3, *Mt 16,18; 18,17-18; 28,18-20, Lc 22,24-33, Jo 14,6; 15,16; 16,13; 20,21, Jo 21,15-19, At 1,15.26; 2,14-41, At 5,29.32; 8,27-35, At 10,1-48, At 11,1-18.28;*15,1-28, 1Cr12,28-29; 14,28; 15,5, *Gl 2,2, 1Ts 1,5, 1Tm 3,15, Tt3,1, Hb 13,17, *2Pd 1,20

Quando é que tal uso foi introduzido na Igreja?

Em síntese: muitos protestantes imaginam que as diversas expressões do culto e da vida da Igreja foram introduzidas por decretos papais que arbitrariamente resolveram implantar um novo costume alheio à Bíblia. – Só pensa assim quem não conhece a história e a verdadeira índole da Igreja; Esta é comparável a um grão de mostarda, que aos poucos, sob a assistência do Espírito Santo, vai desabrochando ou manifestando as riquezas de sua vitalidade (cf. Mt 13, 31s). O uso de água benta, altares e velas, além de ter seu fundamento bíblico, possui seu significado simbólico e catequético. O celibato do clero está baseado em 1Cor 7, 25-35, texto que os protestantes não costumam citar. A prece da Ave-Maria retoma, em sua primeira parte, textos bíblicos. Deve-se outrossim notar que a Bíblia não é a única fonte de fé para os católicos; a fonte de fé é a Palavra de Deus, que , principalmente, foi apregoada por via oral apenas e só depois foi escrita, originando o Novo Testamento. Donde se vê que é a Palavra oral, vivida na Igreja, que interpreta a escrita. A Igreja é anterior ao Novo Testamento, do qual é a matriz; portanto é a Igreja que abona a Bíblia, e não é a Bíblia que abona a Igreja. * * *

Não poucas vezes os católicos são interpelados por panfletos protestantes que lhes propõem interrogações e objeções. A linguagem e o conteúdo desses impressos são de baixo nível: trazem erros de portugu6es, de história, de interpretação bíblica, etc.; recorrem à ironia (Diz-se que a ironia é a arma dos fracos. Faz caricaturas para poder atacar os fantasmas que ela cria); copiam e recopiam as suas alegações levianamente, sem controlar o que afirmam ou sem conhecimento de causa. Mas em alguns casos encontram o fiel católico despreparado para responder. Eis porque vamos agora considerar alguns pontos lançados por tais folhetos à consideração do leitor.

1. OBSERVAÇÃO GERAL

Quem lê tais panfletos, tem a impressão de que a S. Igreja move os seus fiéis como que a toques de decretos, determinando que, de certa data em diante, será preciso crer ou praticar isso ou aquilo… Ora, tal impressão não corresponde à realidade: o que a Igreja declara, através do seu magistério oficial, não é senão a expressão da consciência que os fiéis, em seu senso comum, possuem a respeito deste ou daquele ponto de doutrina ou de disciplina. Antes de serem proferidas de maneira solene pela autoridade da Igreja, tais verdades ou práticas já fazem parte da vida dos cristãos. O magistério apenas as explicita; assim dissipa os perigos de mistura com o erro. É isto, aliás, que se dá em todo organismo vivo: a vida real, vivida, é anterior às fórmulas ou definições (com efeito; primeiramente vivemos, respiramos…, depois definimos o que é viver, respirar, caminhar. Assim o povo de Deus, movido pelo Espírito Santo, no decorrer dos séculos, professou tais e tais proposições, seguiu tais e tais costumes. Em conseqüência, o magistério da Igreja, assistido pelo mesmo Espírito Santo, quis oportunamente apoiar com a sua autoridade dirimente essas expressões autênticas da vida).

2. ORIGEM DA DESIGNAÇÃO “PROTESTANTE”

Conforme um dos panfletos mencionados, a palavra “protestante” vem do protesto que o Apóstolo Pedro fez, quando lhe queriam negar o direito de pregar o Cristianismo em Jerusalém, conforme At 4, 17-20; 5, 27. Em conseqüência os protestantes seriam “mais antigos” do que os católicos.

– Na verdade, o protestantismo com suas doutrinas características (“somente a Bíblia”, “somente a fé”, “somente a graça”) começa com Lutero, que em 1517 lançou seu primeiro brado contra a Igreja Católica. Antes do século XVI não se falava de “protestantismo”.

Mais precisamente: o termo “protestantismo” teve origem nos seguintes fatos: depois que Lutero iniciou suas críticas à Igreja Católica, o movimento reformista foi-se alastrando na Alemanha. Diante do fato, o Parlamento alemão reuniu-se me Espira no ano de 1529 e determinou que se estancasse o movimento inovador até a realização de um Concílio Ecumênico, que julgaria a problemática religiosa. Isto significa que nos Estados Católicos a propagação do luteranismo seria detida; quanto aos Estados que já aderiram à Reforma, esta seria tolerada contanto que os luteranos não pregassem contra a S. Eucaristia e permitissem aos católicos a celebração da S. Missa. Frente a esta resolução (que correspondia a um decreto anterior chamado “Edito de Worms”), seis príncipes protestantes, entre os quais João da Saxônia e Felipe de Hesse, e quatorze cidades da Alemanha levantaram seus protestos veementes; não queriam aceitar que a S. Missa continuasse a ser celebrada em territórios protestantes nem entendiam que os pregadores protestantes deixassem de pregar contra a S. Eucaristia. Ora, foi precisamente a partir desta ocasião (19/04/1529) que os seguidores da Reforma foram chamados “protestantes”.

3. O SINAL DA CRUZ

Lê-se em panfletos protestantes que o sinal da Cruz foi instituído em 300 d.C.

Ora, quem pesquisa a literatura cristã anterior a 300, verifica, por exemplo, que o escritor Tertuliano (falecido pouco antes de 220) atesta o amplo uso do sinal da Cruz por parte dos cristãos nas mais variadas situações da vida:

“Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessas ocasiões e em todas as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa com o sinal da cruz” (De corona militis 3).

Diz ainda Hipólito de Roma (+ 235/6), descrevendo as práticas dos cristãos do século III:

“Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro Verdadeiro; ao fazer o sinal da Cruz na fronte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42).

Estes testemunhos dão a ver que o sinal da Cruz já no início do século III estava muito difundido entre os cristãos, de tal modo que suas origens se identificam com as dos primórdios do Cristianismo.

4. ÁGUA BENTA

Segundo alguns impressos protestantes, a “fabricação” da água benta terá sido instituída no ano 1000:

– Deve-se dizer que o uso da água benta na Igreja se prende ao uso da água batismal. Sim; o elemento natural “água” tendo sido escolhido por Jesus para comunicar a regeneração e a vida eterna, os cristãos julgaram oportuno renovar o seu compromisso batismal usando água sob forma de sacramental ( o Batismo é um sacramento; a água benta é um sacramental) – sacramental é um objeto sobre o qual a Igreja reza, pedindo a Deus sejam recobertos de graças e bênçãos todos aqueles que os utilizarem. Por conseguinte, o sinal d cruz com água benta e a aspersão da água benta foram tidos como canais que continuam a derramar as graças da Redenção sobre pessoas e objetos atingidos por essa água.

Entende-se, pois, que o uso da água benta não teve origem no ano 1000, mas, sim, nos primórdios da Igreja, em íntima conexão com o Batismo. É difícil dizer donde os protestantes tiraram tão singular notícia.

5. ALTARES E VELAS

Há também quem afirme: “Em 370. Principia o uso dos altares e velas pelo fim do século III”.

A notícia é incoerente, pois o ano de 370 não pertence ao século III, mas ao século IV. Além disso, é de notar que o uso de altares e velas começou nos tempos do Antigo Testamento. Assim quanto aos altares:

Gn 12,7: “Abraão construiu em Siquém um altar a Javé, que lhe aparecera”. Ver Gn 13, 18; 22, 9.

Ex 17,15: “Moisés construiu um altar e pôs-Ihe este nome: Javé – Nissi (Javé é minha bandeira)”. Ver Ex 27,1; 29,13.

Nm 7,1: “No dia em que Moisés acabou de erigir a Habitação, ele ungiu e a consagrou com todos os seus pertences, bem como o altar com todos os seus utensílios”.

Mt 5,23s: Diz Jesus: “Se estiveres para levar tua oferta ao altar e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta ali diante do altar e vai primeiro reconciliar-te”.

Hb 13,10: “Temos um altar do qual não se podem alimentar os que servem a tenda”. Ver também Ap 6,9; 9,13 (menção de altares no céu).

A respeito de velas:

Ex 25, 31.37: “Farás um candelabro de ouro puro… Far-lhe-ás também sete lâmpadas. As lâmpadas serão elevadas de tal modo que alumiem defronte dele”.

Mt 5, 15: O Senhor se referere à luz que brilha sobre um candeleiro.

Ap 1, 13; 2, 1: Cristo aparece entre candelabros.

6. TRANSUBSTANCIAÇÃO E MISSA

O estudo do Novo Testamento demonstra que Jesus instituiu a Eucaristia como perpetuação do seu sacrifício (Ver a propósito Curso de Diálogo Ecumênico, Módulos 13, 13 e 14. Escola “Mater Ecclesiae”). Nesse sacramento temos a real presença do Senhor Jesus sob as aparências do pão e do vinho. Eis, porém, o que se lê num panfleto:

“Em 818. Aparece pela primeira vez nos escritos de Pascásio Radberto a doutrina da transubstanciação e a Missa”.

A propósito observamos: o que houve no século IX, foi a controvérsia entre Ratramno e Pascásio Radberto. Contradizendo à Escritura e à Tradição. Ratramno negava a real conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Pascásio escreveu então o “Liber de Corpore et Sanguine Domini” (Livro do Corpo e do Sangue do Senhor), cuja segunda edição saiu em 844; opunha-se a Ratramno, defendendo a identidade do Corpo Eucaristico com o Corpo histórico de Jesus, ou seja, defendendo a real presença. Assim procedendo, Pascásio nada inovava.

O vocábulo “transubstanciação”, que designa essa conversão. aparece pela primeira vez no século XI (quase três séculos após Pascásio Radberto) e foi assumido nos documentos oficiais da Igreja a partir do Concílio de LatrãoIV (1215). O primeiro a usá-lo parece ter sido o jurista Ronaldo Bandinelli (depois, Papa Alexandre III + 1181) na frase: “Verumtamen si, necessitate iminente, sub alterius panis specie consecratur, profecto fieret transubstantiatio” – o que quer dizer: “Mas, se em caso de necessidade iminente, se fizesse a consagração de outro pão, haveria transubstanciação”. Por conseguinte, não foi Pascásio Radberto quem introduziu o vocábulo na linguagem teológica.

Em 818 (data indicada pelo panfleto) Pascásio Radberto, nascido em 790, tinha 28 anos – idade que não corresponde à de sua controvérsia teológica (que se deu a partir de 840).

O nome “Missa” não se deve a Pascásio Radberto. É uma palavra latina equivalente a missio (missão ou envio); significava a despedida ou o envio dos catecúmenos para fora da igreja, quando terminava a homilia ou a liturgia da Palavra. Aos catecúmenos não era permitido participar da Eucaristia propriamente dita, pois ainda não haviam sido batizados. O nome Missa, que designava tal momento da liturgia, foi no século IV aplicado a todo o rito eucarístico, de modo que este hoje se chama Missa. O primeiro a usar a palavra Missa no sentido atual foi provavelmente S. Ambrósio (+ 397) na epístola 20,4. S. Agostinho (+ 430) escrevia: “Eis que após o sermão se faz a missa (= despedida) dos catecúmenos; ficarão apenas os fiéis batizados” (serm. 49,8).

7. O CELIBATO DO CLERO

Há quem chegue a dizer que o celibato do clero foi instituído em 1879!

– A praxe do celibato sacerdotal tem suas raízes em 1Cor 7, 32-34, texto em que São Paulo afirmava ser a vida celibatária um estado em que mais facilmente se pode servir ao Senhor, sem divisões e sem solicitudes supérfluas. Em 1Tm 3,2 o Apóstolo recomenda que o ministro de Deus “seja marido de uma só esposa”; com isto São Paulo queria inculcar que no século I da nossa era, quando as comunidades cristãs constavam de muitos casados e adultos recém-convertidos, não se escolhesse para o ministério algum homem casado em segundas núpcias; estas, com efeito, eram geralmente desaconselhadas pela Igreja antiga por parecerem uma expressão de incontin6encia.

Vê-se, pois, que desde os tempos apostólicos a vida una era recomendada e praticada pelos ministros do Senhor (tenhamos em vista, por exemplo, o caso de São Paulo e o do próprio Cristo).

No Ocidente a primeira legislação restritiva ao casamento de clérigos se deve ao Concílio de Elvira (Espanha) por volta do ano 300; proibia aos Bispos, sacerdotes e diáconos, sob pena de degradação, o uso do matrimônio e o desejo de ter prole (cânon 33). Esta determinação, que era regional, em menos de um século estava em vigor (às vezes sob forma de conselho apenas) em todo o Ocidente. A fórmula definitiva de tal disciplina foi promulgada pelo Concílio Ecumênico de Latrão I em 1123: a todos os clérigos, a partir do subdiaconato, foi prescrito o celibato; em conseqüência, o matrimônio contraído por algum eclesiástico depois da respectiva ordenação era tido como inválido. O Concílio de Trento (1545-1563) reafirmou tal determinação.

Isto bem mostra quão inexata é a notícia atrás citada.

8. A RECITAÇÃO DA “AVE-MARIA”

Lê-se num panfleto protestante: “Em 1317, João XXII ordena a reza da ‘Ave-Maria'”

Algumas confusões estão subjacentes a esta afirmação, como se verá a seguir. A primeira parte da ‘Ave-Maria’ tem sua origem no próprio texto bíblico, onde se lêem as palavras do arcanjo Gabriel: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo; és bendita entre as mulheres””(Lc 1,28) e as de Elisabete: “E bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Vê-se, pois, que é a oração mais nobre do Novo Testamento após o Pai Nosso, que nos é ensinado pelo próprio Cristo.

Os primeiros testemunhos que demonstram o uso de tal fórmula na piedade cristã, datam dos séculos IV/V: trata-se de duas conchas ou placas de argila (ostraka) encontradas no Egito e portadoras do texto grego da ‘Ave-Maria’ (primeira parte). Também as fórmulas litúrgicas (ou as Liturgias) atribuídas a S. Tiago, S. Marcos e S. Basílio dão testemunhos do uso de tal prece nos séculos IV/V.

Em latim a saudação angélica ocorre na Liturgia do IV domingo do Advento, que data dos tempos de S. Gregório Magno (+ 604). No fim do século XII aparecem as primeiras prescrições relativas à recitação da “Ave-Maria” na Liturgia das Horas e na devoção popular.

A segunda parte de tal oração (“Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…”) aparece em uso num Breviário (Liturgia das Horas) dos séculos XIV/XV; foi a partir de então que se tornou habitual na devoção dos fiéis.

O que se atribui ao Papa João XXII não é a ordem de rezar a “Ave-Maria”, mas a recomendação de se reverenciar a Encarnação do Verbo de Deus mediante a recitação do “Pai Nosso” e da “Ave-Maria” ao toque do sino, no fim do dia. Tal recomendação data de 1327 e não de 1317, como afirma o folheto em pauta.

9. CONCLUSÃO

Infelizmente, o protestantismo tem atacado a Igreja em termos que não raro são mentirosos e passionais. Não é assim que se promove a causa de Cristo, que disse: “Eu sou.. a Verdade e a Vida” (Jo 14,16). Infelizmente, porém, a mentira cala sempre no ânimo do grande público, como dizia Voltaire: “Menti, menti, porque sempre fica alguma coisa!”

Houve realmente inovações na vida da Igreja através dos séculos, mas todos de caráter acidental, sem afetar a integridade da fé. Era natural e necessário que ocorressem, pois a Igreja é um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo, que do seu tesouro de vitalidade sabe tirar “coisas novas e velhas” (Mt 13,52); uma Igreja que hoje se apresentasse com a face exterior que tinha no século I, seria uma “múmia” e não uma sociedade viva; novos tempos exigem novas respostas da parte de Cristos, que vive na Igreja. O próprio Jesus no Evangelho assemelhou a sua Igreja à semente de mostarda que, de pequenina, se torna enorme árvore, desdobrando e expandindo as suas virtualidades no decorrer dos tempos.

Fonte: Revista “Pergunte e Responderemos” Janeiro de 1996.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/artigospapaprimado/852-quando-e-que-tal-uso-foi-introduzido-na-igreja

Técnica: A existência de ateus prova que Deus não existe

Nessa técnica, o neo-ateu ou ateu tenta provar a inexistência de Deus pelo confrontamento com a existência de humanos descrentes Nele. Esse argumento pode ser considerado como parte do discurso neo-ateu, pois foi utilizado por Victor Stenger no debate contra William Lane Craig (transcrição aqui, subtítulo Existence of non-belief).

À primeira vista, isso parece ser absurdo. Quer dizer que se eu acreditar que Justin Bieber não existe, ele deixa de existir?  Essa versão (possivelmente usada apenas por ateus mais ignorantes ou que estejam trollando) é uma aplicação da falácia da incredulidade pessoal: “Se eu não acredito em X, logo X não é válido”. Não pode ser levada a sério.

A outra versão do argumento, um pouco mais sofisticada (mas nem tanto), baseia-se em uma suposta contradição entre a existência de ateus e os atributos divinos. Assim podemos descrevê-lo:

  1. Se Deus existe, Deus:
    1. quer que todos humanos acreditem Nele antes da morte;
    2. pode criar uma situação onde todos os humanos acreditem Nele antes da morte;
    3. não quer nada, ou ao menos com a mesma importância, que entraria em conflito com seu desejo de que todos acreditem Nele antes da morte;
    4. sempre age de acordo com aquilo que ele mais quer;
  2. Se Deus existe, todos os humanos acreditariam nele antes da morte (por 1).
  3. Mas nem todos humanos acreditam em Deus antes da mortes.
  4. Logo, Deus não existe (por 2 e 3).

(Observação: na internet, praticamente ninguém apresenta os argumentos em forma de silogismo – usados aqui para facilitar a visualização. Lembre disso quando for debater.)

Respondo: o primeiro possível erro está em (1.1) – Deus quer que todos acreditem nele. Podemos fazer a defesa respondendo que não é do interesse de Deus que as pessoas acreditem ou não; o interesse é o das pessoas em se aproximar daquilo que é o Bem e por isso Deus permite essa aproximação.

O segundo possível erro está em (1.2 e 1.3) – Deus pode criar uma situação onde todos acreditem nele antes da morte e não “quer” nada mais importante do que isso. Deus pode criar, mas, para isso, teria que acabar com o livre-arbitrio desses seres; o outro erro é achar que Deus não “quer” – o correto seria “e não vemos bom motivos para ele agir de forma contrária”, pois um ser perfeito não tem necessidades a serem satisfeitas (lembrei da técnica “Deus estava carente“, agora).

Ainda que não tivessemos a defesa do livre-arbitrio, bem comentou Alvin Plantinga sobre essa premissa: a sentença “Nós não vemos uma bom motivo para Deus fazer X” só implicaria “Deus não possui um bom motivo para fazer X” se assumirmos que “Se Deus tivesse um bom motivo para fazer X, nós sempre seriamos capazes de saber esse motivo” é necessariamente verdadeiro, o que não podemos fazer.

Mesmo assumindo (1) e (2) como premissas verdadeiras, ainda teríamos que discutir sobre (3). Não podemos saber, no mais íntimo de cada pessoa, se no segundo ou no milésimo anterior à morte ela não passou a acreditar em Deus ou não. Ainda poderia ser o caso que isso ocorra.

Se (1), (2) e (3) não são verdade, segue (4) também não pode ser dentro desse raciocínio.

A refutação, então, pode ser a seguinte:

  1. Se Deus existe, Deus:
    1. pode permitir o livre-arbitrio aos humanos;
    2. os humanos, pelo livre-arbitrio, fazem a escolha de se aproximar do que é bom ou não;
    3. o interesse da religação Deus-Homem é do Homem, pois um ser perfeito não tem necessidades;
  2. Se Deus existe, nem todos os humanos precisariam acreditar Nele antes da morte, pois podem possuir o livre-arbítrio;
  3. Logo, de (1) e (2), a existência de ateus não entra em conflito com a existência de Deus.

Conclusão

Essa técnica tem baixo poder argumentativo. Possivelmente, poucas pessoas se convenceriam a analisando por cima, pois a idéia do livre-arbítrio torna plausível a existência do ateísmo.

(*) Esse blog não discute a existência ou inexistência de Deus. Estamos argumentando dentro do plano teológico sobre a coerência interna dos atributos divinos, já aceitos em uma discussão filosófica anterior.

(**) texto sujeito à correções.

http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/09/12/tecnica-a-existencia-de-ateus-prova-que-deus-nao-existe/

Técnica: Não se prova inexistência, somente existência

Nessa técnica, o neo-ateu tenta “fugir” da responsabilidade de justificar suas opiniões sobre a existência de Deus, pois quer empurrar goela a baixo que “não se prova inexistência, apenas existência”. Claro que é mais uma ilogicidade barbara. Esse é mais um post baseado na entrevista em que a escritora Ayn Rand passa vergonha.

Essa é mais uma falácia baseada no entendimento errado de metodologia. Para realizarmos uma pesquisa, devemos definir antes:

  • (a) Objeto a ser pesquisado;
  • (b) Características do objeto;
  • (c) Plano de Investigação (científico, filosófico, etc);
  • (d) Tipo de evidência seria aceita como evidência de existência;
  • (e) O escopo (“recorte da realidade”) que será analisado;
  • (f)  Ferramentas e a possibilidade ou não de cobrirmos toda produção de evidências que encontraríamos nesse recorte;

Tendo definido todas essas características, realizamos a busca.

Por exemplo: resolvo que quero pesquisar se há ossos de Tiranossaurus Rex (a), que tem as peculiaridades X (b), uma discussão que deverá ser realizada no plano científico (c). O recorte (e)  será o parquinho da esquina, numa área de 100 m² com uma profundidade de 5o m. Compro escavadeiras e outros materiais que vão permitir realizar a escavação por completo (f). Se, terminada, eu não encontrar absolutamente nada que se encaixe no padrão definido em (a), (b) e (d) no terreno do parquinho da esquina, posso, então, concluir que inexistem ossos de Tiranossaurus Rex dentro desse meu limite de busca.

Notem que eu não estou dizendo que o tipo de pesquisa é o mesmo dos ossos de dinossauros para Deus, mas sim que existe um PADRÃO possível para a pesquisa.

Resumo: a inexistência pode ser provada. Desde que saibamos exatamente o tipo de evidência que seria encontrada e não a encontremos dentro do escopo definido.

Enfim, a refutação pode ser feita nesses moldes:

  • NEO-ATEU: Deus não existe, assim como saci-pererê e mula-sem-cabeça nem existem rá rá rá.
  • REFUTADOR: Prove sua alegação.
  • NEO-ATEU: Não se prova inexistência, apenas existência. Por isso não podemos provar que Deus não existe, rá rá rá.
  • REFUTADOR: É claro que se prova inexistência, quando sabemos que tipo de evidência seria produzida no caso de existência.
  • NEO-ATEU: Então, eu te desafio: se seu Deus existe, prove que existe saci-pererê, mula-sem-cabeça, um chaleira orbitando ao redor da Terra, etc. Rá rá rá.
  • REFUTADOR: Estranho, porque não lembro de ter alegado que essas coisas existiam. Além disso, esses seres não tem nada a ver com Deus, pois são seres físicos. Essa é uma falácia de Falsa Analogia e Inversão de Planos. Deus é verificado por outro método. Você ainda precisa provar a alegação de inexistência feita sobre Deus.

[e assim por diante, até desmascará-lo por completo]

Conclusão

Essa é uma das técnicas mais básicas usados pelos neo-ateus. Resolvi analisar pois vi que algumas pessoas ainda não estavam atentas a esse erro. É uma das técnicas de “slogan”, por isso, facilmente refutável.

Fonte
http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/09/14/tecnica-nao-se-prova-inexistencia-somente-existencia/

Técnica: Mudança de Objeto de Discussão


Nessa técnica, o adversário do debate tenta mudar o “objeto” discutido, normalmente fazendo simplificações grosseiras ou caricaturas, para, a partir daí, refutar essa nova versão e fingir que também refutou a verdadeira. Também pode ser identificado como “Falácia do Espantalho”.

Esse é mais um dos erros metodológicos cometido pelos neo-ateus. No post de ontem, apresentei um framework modelo como procedimento de investigação:

  • (a) Objeto a ser pesquisado;
  • (b) Características do objeto;
  • (c) Plano de Investigação (científico, filosófico, etc);
  • (d) Tipo de evidência seria aceita como evidência de existência;
  • (e) O escopo (“recorte da realidade”) que será analisado;
  • (f)  A possibilidade ou não de cobrirmos toda produção de evidências que encontraríamos nesse recorte;

Então, seguindo esse modelo, devemos definir, ANTES DA DISCUSSÃO, qual o objeto e a suas características, além de MANTER essa descrição durante a pesquisa a ser realizada.

Imagine, por exemplo, que dois foristas na internet irão debater a existência de Deus. Um deles diz que possui algumas provas e o outro pergunta quais. O primeiro, que defende a existência de Deus, apresenta alguns argumentos, ao passo que o segundo respondo que a existência deve ser definida cientificamente e que “se não for feito pela Ciência, não vale”.

Peraí: quem foi que disse que discussões METAFÍSICAS (como a existência de Deus) devem ser feitas no plano científico? Só se mudássemos as características  (b), acarretando uma mudança no plano de discussão (c).

Ou ainda: “Se você nunca viu ou tocou Deus, não deve acreditar nele. Rá rá rá, idiota, idiota”.

Estranho, pois na definição definida dada pelos argumentos clássicos a favor da existência de Deus não se diz que Deus é um ser “tocável”, como um martelo ou uma chave-de-fenda seriam.

Ou seja, começamos uma discussão metafísica, o sujeito INVENTA uma outra definição durante o decorrer do debate e ainda tem a cara-de-pau de ENCHER O SACO por causa disso.

Olavo de Carvalho, em ótima análise, já tinha descoberto esse truque em autores como Dawkins e Daniel Dennet:

Se você não “acredita” no Deus da Bíblia, isso não faz a mínima diferença lógica ou metodológica na sua tentativa de investigar a existência ou inexistência d’Ele, quando essa tentativa é honesta. Qualquer que seja o caso, você só pode discutir a existência de um objeto previamente definido se o discute conforme a definição dada de início e não mudando a definição no decorrer da conversa, o que equivale a trocar de objeto e discutir outra coisa. Se Deus é definido como onipotente, onisciente e onipresente, é desse Deus que você tem de demonstrar a inexistência, e não de um outro deus qualquer que você mesmo inventou conforme as conveniências do que pretende provar.

O método dos Dawkins e Dennetts baseia-se num erro lógico tão primário, tão grotesco, que basta não só para desqualificá-los intelectualmente nesse domínio em particular, mas para lançar uma sombra de suspeita sobre o conjunto do que escreveram sobre outros assuntos quaisquer, embora seja possível que pessoas incompetentes numa questão que julgam fundamental para toda a humanidade revelem alguma capacidade no trato de problemas secundários, onde sua sobrecarga emocional é menor.

Quando o inimigo da fé faz um esforço para ater-se à definição bíblica, ele o faz sempre de maneira parcial e caricata, com resultados ainda piores do que no argumento da “criação”. (…) O que mata a filosofia no mundo de hoje é o amadorismo, a intromissão de palpiteiros que, ignorando a formulação mesma das questões que discutem, se deleitam num achismo inconseqüente e pueril, ainda mais ridículo quando se adorna de um verniz de “ciência”.

Para ler o artigo inteiro de Olavo, clique aqui. Para visitar a comunidade de Olavo no Orkut, clique aqui. Para ouvir seus comentários em áudio no Youtube, clique aqui.

Vamos lembrar também da discussão de Lewis Wolpert com William Lane Craig: Craig apresentou alguns argumentos para a existência de Deus, que o definiam como um ser imaterial. Na resposta, Wolpert disse que era muito estranho Deus que criou o universo existir, pois o descreviam como tendo uma forma humana. Uma falácia do espantalho “perfeita”.

Para uma pesquisa metodológica ou discussão HONESTA, deve haver uma prévia identificação do objeto que está sendo discutido. Se um neo-ateu mudar ou inventar novas definições (do tipo imaterial –> formato humano, metafísica –> física, etc), trate da forma que devemos tratar quem comete fraudes: com desmascaramento completo.

Conclusão

A refutação para esse estratagema é apontar o erro metodológico cometido pelo neo-ateu. Caso ele não aceitei, só resta desmascará-lo perante o público. Essa técnica é tão forte que a percepção dela já ajuda a derrubar grande parte do castelo de cartas neo-ateísta.

Fonte
http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/09/15/tecnica-mudanca-de-objeto-de-discussao/

Técnica: Desafio Divino

Essa é uma técnica de intimidação praticada em debates. O estratagema consiste em uma variação do Deus Call-Center que vimos em outro post: se Deus não responder imediatamente a um desafio qualquer proposto pelo neo-ateu, significa que Ele não existe. Claro que esse argumento beira o pífio, mas vamos dissecá-lo de qualquer forma.

A fraude pode ocorrer da seguinte maneira:

  • NEO-ATEU: Eu faço um desafio a Deus então. Se ele existir, que ele venha aqui e quebre meu dedo agora. Se ele é onipotente, deve ser fácil para ele. Se ele não o fizer, vou concluir que ele não existe. E aí, será que ele consegue?

No fundo, essa idéia não é nada diferente de outra, já demonstrada no blog do Luciano Ayan, que é a seguinte: o neo-ateu vai ao banheiro, faz um barrão e vê que não tem papel higiênico. Aí ele resolve desafiar: “Deus, se você existe, limpe a minha bunda! Se você não limpar, significa que você não existe!”. Ele espera alguns minutos, vê que a situação não mudou nada e sai por aí, com as calças arriadas, gritando, “Agora sim! Descobri! Deus, quase com certeza, não existe! Viva!”.

O erro COLOSSAL desse argumento é que ele INVERTE a descrição da realidade normalmente proposta pelo religioso tradicional (coisa típica da mentalidade revolucionária, diga-se de passagem). Para um religioso tradicional, existe uma ordem no Universo, na qual Deus é o ser superior e o homem está abaixo. Ou seja, é o HOMEM que tem que seguir essa ordem existente e não Deus que deve se sujeitar aos caprichos e desejos humanos. E isso não implica em incapacidade de Deus, pois basta que ele tenha motivos suficientes para não responder ao desafio para que não aja (o que é diferente de não ter o poder para isso). Esse fato só implicaria falta de poder se Ele fosse um ente utilizável como um “controle remoto” universal ou um gênio da lâmpada, o que é bem diferente do descrição clássica.

Assim, se alguém faz um desafio para Deus, o fato de ele não aceitar não influência em absolutamente NADA, filosoficamente, na discussão sobre sua existência ou não.

A questão é simples: se houver qualquer razão para Deus (que está acima na escala, segundo a definição religiosa) não agir imediatamente diante de qualquer provocação, como preservação do livre-arbítrio, produção de resultados ruins em longo prazo diferentes do que ele gostaria ou etc, o argumento (se é que podemos chamar de argumento) é falho. Enquanto existir a mínima possibilidade de haver alguma razão, então o neo-ateu já perdeu feio no seu desafio infantil que conclui a não existência de Deus.

Vamos ilustrar com um caso banal: imagine que existam dois coleguinhas de uns oito anos em um parquinho. Um deles não aceita de jeito nenhum que o outro acredite que têm um pai está vivo. Aí, para resolver a questão, ele diz: “Se seu pai existe, que ele venha aqui me dar uma surra então! Se ele é adulto, ele deve ser forte o bastante para isso! E aí, será que ele vai conseguir?”

Mas é claro que o pai teria razões morais suficientes para não aceitar esse desafio estúpido. Possivelmente ainda iria desprezá-lo por completo, por ser algo completamente imaturo.

A refutação pode seguir mais ou menos assim:

  • NEO-ATEU: Se Deus exista, eu DESAFIO que ele venha aqui impedir que esse meu post seja publicado. Se o post for publicado, vou concluir que ele não existe.
  • REFUTADOR: Estranho, pois na definição de Deus não há nada disso de “moleque esquentadinho de 14 anos que precisa responder a qualquer provocação”. Você pode indicar em qual livro de Teologia você leu isso?
  • NEO-ATEU: Se ele é onipotente, ele TEM que agir. Por que Deus não age para impedir que alguém como eu faça campanha contra ele?
  • REFUTADOR: Não sei. Por permitir o livre-arbítrio, por exemplo? Se houver alguma razão possível, seu argumento já é falho.
  • NEO-ATEU: Mas se Deus pode então ele faria. Não fazendo, não existe. Afinal, ele quer que todos o conheçam.
  • REFUTADOR: Não, essa sua definição não possui absolutamente NADA a ver com a normal. Existem outras maneiras de conhecer Deus que não são por meios de desafios, segundo a tradição. Se você não quer aceitar isso, ótimo. Mas não INVENTE uma definição própria em que o conhecimento tenha que vir por meio de um duelo e besta e fique enchendo o saco de quem tem uma diferente da sua.

[e assim por diante, até que o público fique alerto da fraude intelectual]

Conclusão

Que a inexistência de Deus, definido teologicamente tal qual um Supremo Senhor do Universo, seja provada por ele não andar por aí limpando bundas e quebrando dedos, certamente ultrapassa a compreensão de qualquer homem médio pensante. E que neo-ateus concluam tal coisa, por uma situação análoga à presença inalterada de coliformes e fezes em suas cavidades retais, é algo que, por si, já demonstra uma ingenuidade além do normal ou uma desonestidade deliberada do proponente dessa idéia.

http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/10/14/tecnica-desafio-divino/

Técnica: Não há evidências, por isso sou ateu

Essa técnica é normalmente executada em conjunto com o estratagema “Não se prova a inexistência”.

Com aquele, o neo ateu alegaria que não se prova inexistência, e portanto o ônus da prova seria dos teístas. Obviamente, um raciocínio completamente fraudulento, pois na verdade o ônus da prova é de quem alega, seja existência ou inexistência.

Já aqui o neo ateu tentará dizer que “na ausência de evidências, o certo é ser ateu, portanto ele é ateu”.

Na verdade, o truque é tradicional do cientificismo, em que ele alegaria a ausência de evidências empíricas, e como evidências empíricas não seriam disponibilizadas, assumiria que não há evidências.

Mas nesse caso o neo ateu jamais passa do zero quando ele é colocado sob questionamento.

Eu sugiro o questionamento padrão de lhe exigir que “descreva as evidências”.

Essa parte é essencialmente importante, pois ele não terá o direito de dizer o “tipo” de evidências (por exemplo, “evidências empíricas”), mas sim dar a descrição exata das evidências esperadas.

Como no exemplo da adoção do padrão de qualidade ISO 9.000.

Um auditor irá procurar evidências do “compliance” com a ISO 9.000, e se alguém questioná-lo a respeito das evidência esperadas, ele irá citar a norma que contém a descrição exata de tudo que é esperado.

E se um auditor não consegue descrever a(s) evidência(s) esperada(s), podemos chamá-lo de desonesto, pois ele está mentindo ao dizer “não há evidências”.

Isso é extremamente essencial para qualquer questionamento sobre investigações. A frase “não há evidências” só pode ser proferida com a descrição EXATA das evidências esperadas.

Isso ajuda a quebrar vários outros truques que eles tentam, como por exemplo dizer que “Não há evidências para Papai Noel e para Deus, então são iguais”.

Só que deve ser exigido a ele que descreva todas as evidências esperadas para ambos os casos, e então ser feita a comparação das evidências esperadas.

Normalmente ele vai tentar fugir de fornecer a descrição, pois só com isso já teremos informação suficiente para mostrar que o truque foi somente retórica desonesta.

Da mesma forma, se ele disser que “Deus é igual a Thor, portanto para os dois as evidências são as mesmas”, exija que ele descreva as evidências esperadas para ambos e compare logicamente. Além de tudo, exija que ele cite o motivo pelo qual citou as evidências esperadas nos dois casos. Isso se ele tiver a pachorra de descrever as evidências, o que raramente acontece.

Nesse caso, o neo ateu poderá dizer: “Ah, eu quero uma foto de Deus, ou uma aparição aqui ao meu lado”, o que automaticamente irá também desmascará-lo, pois os argumentos para a existência de Deus não dependem deste tipo de evidências.

O framework é simples:

1. Alegador profere expressão “não há evidências”
2. Exija que ele descreva com exatidão as evidências esperadas
3. Se ele não descrever as evidências esperadas com exatidão, então ele está desmascarado, ficando claro que ele sequer investigou evidências
4. Caso ele descrever as evidências esperadas, e for mostrada a geração de um espantalho, devemos desmascará-lo também
Todo investigador em qualquer área pode ser submetido ao mesmo questionamento, e não apenas no debate argumentativo, mas em qualquer tipo de investigação.

Alguém que não sabe descrever exatamente as evidências esperadas não poderá dar o parecer da “inexistência de evidências”, pois é em cima da descrição exata das evidências é que será feita a avaliação do achado ou não dessas evidências.

http://lucianoayan.wordpress.com/2010/08/02/tecnica-nao-ha-evidencias-por-isso-sou-ateu/

Marxismo Cultural(Pe. Paulo Ricardo)

Entendendo o pensamento marxista!

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