Técnica: Mudança de Objeto de Discussão


Nessa técnica, o adversário do debate tenta mudar o “objeto” discutido, normalmente fazendo simplificações grosseiras ou caricaturas, para, a partir daí, refutar essa nova versão e fingir que também refutou a verdadeira. Também pode ser identificado como “Falácia do Espantalho”.

Esse é mais um dos erros metodológicos cometido pelos neo-ateus. No post de ontem, apresentei um framework modelo como procedimento de investigação:

  • (a) Objeto a ser pesquisado;
  • (b) Características do objeto;
  • (c) Plano de Investigação (científico, filosófico, etc);
  • (d) Tipo de evidência seria aceita como evidência de existência;
  • (e) O escopo (“recorte da realidade”) que será analisado;
  • (f)  A possibilidade ou não de cobrirmos toda produção de evidências que encontraríamos nesse recorte;

Então, seguindo esse modelo, devemos definir, ANTES DA DISCUSSÃO, qual o objeto e a suas características, além de MANTER essa descrição durante a pesquisa a ser realizada.

Imagine, por exemplo, que dois foristas na internet irão debater a existência de Deus. Um deles diz que possui algumas provas e o outro pergunta quais. O primeiro, que defende a existência de Deus, apresenta alguns argumentos, ao passo que o segundo respondo que a existência deve ser definida cientificamente e que “se não for feito pela Ciência, não vale”.

Peraí: quem foi que disse que discussões METAFÍSICAS (como a existência de Deus) devem ser feitas no plano científico? Só se mudássemos as características  (b), acarretando uma mudança no plano de discussão (c).

Ou ainda: “Se você nunca viu ou tocou Deus, não deve acreditar nele. Rá rá rá, idiota, idiota”.

Estranho, pois na definição definida dada pelos argumentos clássicos a favor da existência de Deus não se diz que Deus é um ser “tocável”, como um martelo ou uma chave-de-fenda seriam.

Ou seja, começamos uma discussão metafísica, o sujeito INVENTA uma outra definição durante o decorrer do debate e ainda tem a cara-de-pau de ENCHER O SACO por causa disso.

Olavo de Carvalho, em ótima análise, já tinha descoberto esse truque em autores como Dawkins e Daniel Dennet:

Se você não “acredita” no Deus da Bíblia, isso não faz a mínima diferença lógica ou metodológica na sua tentativa de investigar a existência ou inexistência d’Ele, quando essa tentativa é honesta. Qualquer que seja o caso, você só pode discutir a existência de um objeto previamente definido se o discute conforme a definição dada de início e não mudando a definição no decorrer da conversa, o que equivale a trocar de objeto e discutir outra coisa. Se Deus é definido como onipotente, onisciente e onipresente, é desse Deus que você tem de demonstrar a inexistência, e não de um outro deus qualquer que você mesmo inventou conforme as conveniências do que pretende provar.

O método dos Dawkins e Dennetts baseia-se num erro lógico tão primário, tão grotesco, que basta não só para desqualificá-los intelectualmente nesse domínio em particular, mas para lançar uma sombra de suspeita sobre o conjunto do que escreveram sobre outros assuntos quaisquer, embora seja possível que pessoas incompetentes numa questão que julgam fundamental para toda a humanidade revelem alguma capacidade no trato de problemas secundários, onde sua sobrecarga emocional é menor.

Quando o inimigo da fé faz um esforço para ater-se à definição bíblica, ele o faz sempre de maneira parcial e caricata, com resultados ainda piores do que no argumento da “criação”. (…) O que mata a filosofia no mundo de hoje é o amadorismo, a intromissão de palpiteiros que, ignorando a formulação mesma das questões que discutem, se deleitam num achismo inconseqüente e pueril, ainda mais ridículo quando se adorna de um verniz de “ciência”.

Para ler o artigo inteiro de Olavo, clique aqui. Para visitar a comunidade de Olavo no Orkut, clique aqui. Para ouvir seus comentários em áudio no Youtube, clique aqui.

Vamos lembrar também da discussão de Lewis Wolpert com William Lane Craig: Craig apresentou alguns argumentos para a existência de Deus, que o definiam como um ser imaterial. Na resposta, Wolpert disse que era muito estranho Deus que criou o universo existir, pois o descreviam como tendo uma forma humana. Uma falácia do espantalho “perfeita”.

Para uma pesquisa metodológica ou discussão HONESTA, deve haver uma prévia identificação do objeto que está sendo discutido. Se um neo-ateu mudar ou inventar novas definições (do tipo imaterial –> formato humano, metafísica –> física, etc), trate da forma que devemos tratar quem comete fraudes: com desmascaramento completo.

Conclusão

A refutação para esse estratagema é apontar o erro metodológico cometido pelo neo-ateu. Caso ele não aceitei, só resta desmascará-lo perante o público. Essa técnica é tão forte que a percepção dela já ajuda a derrubar grande parte do castelo de cartas neo-ateísta.

Fonte
http://quebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/2010/09/15/tecnica-mudanca-de-objeto-de-discussao/

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Publicado em 15 de outubro de 2010, em Neo ateísmo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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