Arquivo mensal: janeiro 2011

Dons de Línguas não se fabricam

“Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (At 2,3-4).
Introdução
A Fé católica sempre foi calcada na Tradição, na Escritura e no Magistério da Igreja. Estes pilares transformaram a vida de centenas de gerações de cristãos. De modo especial estes cristãos buscaram nos Sacramentos da Santa Igreja a fonte inesgotável da Graça de Deus. Em nosso tempo esta espiritualidade foi desvirtuada a ponto de se ensinar a fabricar dons do Espírito Santo.
Dom e Graça
Graça é um favor gratuito de Deus. Deus concede Sua Graça aos seus filhos não por merecimento destes, pois não merecemos nem o Amor Dele, mas porque Ele que é nosso Pai nos ama até o ciúme (cf. Ez 38,19).
Por Graça Deus nos presenteia, e nos santifica. Isto é o Dom. Dom é um presente que Deus nos dá por meio de Sua Graça infinitamente amorosa. Dons não se fabricam.
Grupos Carismáticos ensinam fiéis a fabricar Dons de Línguas
Em At 2,3-4, a Escritura Sagrada dá testemunho de que é por meio do Espírito Santo que Deus concede o Dom de Línguas.
São Paulo ensina isso aos coríntios: “Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito” (1Cor 14,2).
Mas, muitos grupos carismáticos têm ensinado os fiéis a falar em línguas! Isto é um claro absurdo, pois se o Dom vem do Espírito Santo não pode ser ensinado e nem fabricado.
Um amigo que freqüentou por muito tempo reuniões carismáticas, disse-me que certa vez quando participava de uma destas reuniões, estava meio desconcertado, pois não fala em línguas. Então um líder do grupo que estava ao seu lado disse-lhe “me remeda aí”. É mole ou querem mais?
Mais triste que isso é ver sacerdotes, homens consagrados ao Serviço de Deus, utilizarem veículos de comunicação em massa para ensinar fiéis católicos a fabricar dons de línguas. Por mais louváveis que sejam suas intenções, acabam conduzindo os fiéis ao erro.
Que espírito realmente inspira estas distorções?
Digo com toda segurança que o espírito que inspira tais monstruosidades não é o Espírito Santo. É o espírito humano, orientado, ou melhor, desorientado por uma falsa espiritualidade.
A verdadeira espiritualidade é católica e esta é como o ponteiro da bússola que sempre aponta para o norte da Tradição, da Escritura e do Magistério da Igreja. Ela se confirma nesta direção através da Graça dispensada pelos Sacramentos da Igreja e de uma vida cristã autêntica.
Foi através desta verdadeira espiritualidade que a Santa Igreja Católica deu ao mundo o testemunho de centenas de gerações de Santos. O ponteiro da bússola deles nunca esteve apontado para o misticismo das seitas ou das falsas religiões. Ao contrário, esteve firme na Doutrina Tradicional da Santa Igreja, verdadeiro tesouro que enriquece e ilumina a inteligência do homem.
Quando este ponteiro aponta para outro lugar, desorienta quem está de posse da bússola. Pois confiando no seu apontamento, acaba por conduzir-se por uma direção que não o levará ao destino querido por Deus, o Céu.
Conclusão
Bússola que desorienta os fiéis, isto é, cujo ponteiro da espiritualidade não aponta para o Norte da Doutrina Tradicional da Santa Igreja, não é católica. É uma falsa bússola, pois não atende ao fim para o qual foi designada: orientar. Orientar vem de oriente, apontar para o oriente, para onde nasce o Sol. Somente a Doutrina Tradicional da Igreja apresenta a Verdadeira Luz que é Cristo Jesus.
Rogo à Santa Maria Auxiliadora para que ajude seus filhos a descobrir que o Verdadeiro tesouro espiritual está na Tradição e que os verdadeiros dons vêm do Espírito Santo através dos Sacramentos. As vidas das dezenas de milhares de Santos da Igreja dão testemunho disto com toda certeza.

Oração em linguas


Pe. Zezinho, SCJ Um católico, cujo grupo ora em línguas,
perguntou-me se eu era contra a Renovação Carismática porque
“combato” a oração em línguas. Quis saber porque razão eu não orava
como eles. Respondi que ele estava ultra-super-maxi enganado. Eu
trabalho em televisão e rádio e escrevo em revistas e falo em
emissoras da Renovação Carismática Católica. Antes que ela tomasse
vulto eu já era carismático Dehoniano. Somos colegas e ao inimigos.
Vejo valores claríssimos neste recente segmento da nossa Igreja. Eu
jamais negaria que a luz de Deus está nesses irmãos. Muitos fazem
uso corretíssimo dessa graça que é a RCC. Ela tem nos dado almas
santas. Como em todos os grupo também algumas almas confusas, mas
isso não tira o brilho da RCC, como os confusos que misturam alhos
com bugalhos não tiram o brilho das congregações e ordens
religiosas. Mas, diante da sua insistência em saber porque nunca
fui visto orando em línguas, perguntei se ele viu a maioria dos
cardeais, dos bispos, ou o papa orando em línguas. Disse que não.
Então deixei claro o que penso desses queridos irmãos que oram em
línguas. -”Vocês são 8 a 10 milhões em toda a igreja que no nosso
país se diz que soma 130 milhões. Há outros grupos carismáticos na
Igreja que também não oram em línguas. Nem por isso deixam de ser
carismáticos. E, mesmo entre vocês da RCC, há muitos que não
receberam nem cultivam este dom. Não somos nós que não oramos como
vocês. São vocês que não oram como nós que somos a maioria… Ele riu
e admitiu que meu argumento era forte. Fizera a pergunta de maneira
errada. Tornei a dizer que a linguagem da maioria, inclusive a
maioria dos bispos, fiéis e padres não inclui orar em línguas. E
disse com carinho: -Vocês têm seus méritos, mas estão em minoria.
Escolheram orar assim e entendem que é graça. E você me pergunta
porque eu, pregador e pecador como você, não oro como vocês. Vocês
também não falam as línguas que eu falo nem compõem e cantam como
eu. São dons que Deus me deu a graça de desenvolver. Nem por isso
os acho menos iluminados. Cada qual com os seus dons e se dê por
feliz se souber usá-los em favor dos outros. Tentem entender porque
vocês não oram como nós que somos maioria e vejam que proveito
podem tirar deste dom que Paulo diz que tem limites. E citei Paulo
aos Corintios, texto que não há carismático que não tenha lido.
Orar em línguas é um dos dons, mas não é nem nunca foi o dom por
excelência. Dá para ser eleito papa sem jamais ter emitido sequer
um som no que vocês chamam de “língua dos anjos”. Se fui entendido?
Não sei. Acho que a língua da Igreja é bem mais exigente e
abrangente, requer estudo e leitura que passa por dois mil anos de
comunicação de fé. Toda a igreja nunca vai orar em línguas, mas
sempre haverá grupos a usar dessa linguagem. Seremos capazes de
respeitar os dons e os sons um do outro? Esta pergunta anda nos
desafiando por vários séculos!!! Sem diálogo produzirá apenas egos
feridos e preconceitos nada fraternos. Repetindo: -Ninguém é mais
católico do que o outro só porque ora ou não ora em línguas. Há
dons bem mais importantes. E se alguém ficar ferido com esta
afirmação brigue com São Paulo. Foi ele quem alertou contra a
supervalorização de um dom que nem todos possuem ou possuirão na
Igreja. Peçamos, com Paulo, o dom essencial: o da caridade. Este,
sim, deve ser a marca de todos os que anunciam Jesus. Sem este não
dá!

Cantos Gregorianos,Alma de Cristo

Voltemos a “Arte e música sacra” a serviço da liturgia.

“Chega de missa criativa, na igreja silêncio e oração”.

Cardeal Antonio Cañizares Llovera, com a Capa Magna. 

A liturgia católica vive “uma certa crise” e Bento XVI quer dar vida a um novo movimento litúrgico, que volte a trazer mais sacralidade e silêncio à Missa, e mais atenção à beleza no canto, na música e na arte sacra.

O Cardeal Antonio Cañizares Llovera, 65 anos, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, que enquanto bispo na Espanha era chamado de “o pequeno Ratzinger”, é o homem ao qual o Papa confiou esta tarefa. Nesta entevista a Il Giornale, o “ministro” da liturgia de Bento XVI revela e explica programas e projetos.

Como cardeal, Joseph Ratzinger havia lamentado uma certa pressa na reforma litúrgica pós-conciliar. Qual é a sua opinião?

A reforma litúrgica foi realizada com muita presa. Havia ótimas intenções e o desejo de aplicar o Vaticano II. Mas houve precipitação. Não se deu tempo e espaço suficiente para acolher e interiorizar os ensinamentos do Concílio; de repente, mudou-se o modo de celebrar.

Recordo bem a mentalidade então difundida: era necessário mudar, criar algo novo. Aquilo que havíamos recebido, a tradição, era visto como um obstáculo. A reforma foi entendida como obra humana, muitos pensavam que a Igeja era obra de nossas mãos e não de Deus. A renovação litúrgica foi vista como uma investigação de laboratório, fruto da imaginação e da criatividade, a palavra mágica de então.

Como cardeal, Ratzinger havia prognosticado uma “reforma da reforma” litúrgica, palavras atualmente impronunciáveis, mesmo no Vaticano. Todavia, parece evidente que Bento XVI a deseje. É possível falar dela?

Não sei se é possível, ou se é conveniente, falar de “reforma da reforma”. O que vejo absolutamente necessário e urgente, segundo o que deseja o Papa, é dar vida a um novo, claro e vigoroso movimento litúrgico em toda a Igreja. Porque, como explica Bento XVI no primeiro volume de sua Opera Omnia, em relação à liturgia se decide o destino da fé e da Igreja. Cristo está presente na Igreja através dos sacramentos. Deus é o sujeito da história, e não nós. A liturgia não é uma ação do homem, mas de Deus.

O Papa, mais que decisões impostas de cima, fala com o exemplo. Como ler as mudanças introduzidas por ele nas celebrações papais?

Acima de tudo, não deve haver nenhuma dúvida sobre a bondade da renovação litúrgica conciliar, que trouxe grandes benefícios para a vida da Igreja, como a participação mais consciente e ativa dos fiéis e a presença enriquecida da Sagrada Escritura. Mas além destes e outros benefícios, não faltaram sombras, surgidas nos anos seguintes ao Vaticano II: a liturgia, isso é fato, foi “ferida” por deformações arbitrárias, provocadas também pela secularização que desgraçadamente atinge também dentro da Igreja. Consequentemente, em muitas celebrações já não se coloca Deus no centro, mas o homem e seu protagonismo, sua ação criativa, o papel principal é dado à assembléia. A renovação conciliar foi entendida como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da tradição. Devemos reaviver o espírito da liturgia e para isso são significativos os gestos introduzidos nas liturgias do Papa: a orientação da ação litúrgica, a cruz no centro do altar, a comunhão de joellhos, o canto gregoriano, o espaço para o silêncio, a beleza na arte sacra. É também necessário e urgente promover a adoração eucarística: diante da presenção real do Senhor, não se pode senão estar em adoração.

Quando se fala de uma recuperação da dimensão do sagrado, há sempre quem apresente tudo isso como um simples retorno ao passado, fruto de nostalgia. Como o senhor responde?

A perda do sentido do sagrado, do Mistério, de Deus, é uma das perdas de consequências mais graves para um verdadeiro humanismo. Quem pensa que reavivar, recuperar e reforçar o espírito da liturgia e a verdade da celebração é um simples retorno a um passado superado, ignora a verdade das coisas. Colocar a liturgia no centro da vida da Igreja não é em nada nostálgico, mas, pelo contrário, é garantia de estar a caminho em direção ao futuro.

Como julga o estado da liturgia católica no mundo?

Diante do risco da rotina, diante de algumas confusões, da pobreza e da banalidade do canto e da música sacra, pode-se dizer que há uma certa crise. Por isso é urgente um novo movimento litúrgico. Bento XVI, indicando o exemplo de São Francisco de Assis, muito devoto do Santíssimo Sacramento, explicou que o verdadeiro reformador é alguém que obedece a fé: não se move de maneira arbitrária e não se arroga nenhuma discricionariedade sobre o rito. Não é o dono, mas o custódio do tesouro instituido pelo Senhor e confiado a nós. O Papa, portanto, pede à nossa Congregação promover uma renovação segundo o Vaticano II, em sintonia com a tradição litúrgica da Igreja, sem esquecer a norma conciliar que prescreve não introduzir inovações exceto quando as requererem uma verdadeira e comprovada utilidade para a Igreja, com a advertência de que as novas formas, em todo caso, devem surgir organicamente das já existentes.

O que pretende fazer como Congregação?

Devemos considerar a renovação litúrgica segundo a hermêutica da continudade na reforma indicada por Bento XVI para ler o Concílio. E para fazê-lo, é necessário superar a tendência de “congelar” o estado atual da reforma pós-conciliar, de um modo que não faz justiça ao desenvolvimento orgânico da liturgia da Igreja.

Estamos tentanto levar adiante um grande empenho na formação dos sacerdotes, seminaristas, consagrados e fiéis leigos, para favorecer a compreensão do verdadeiro significado das celebrações da Igreja. Isso requer uma adequada e ampla instrução, vigilância e fidelidade nos ritos, e uma autêntica educação para vivê-los plenamente. Este empenho será acompanhado pela revisão e pela atualização dos textos introdutórios de diversas celebrações (prenotanda). Somos conscientes também de que dar impulso a este novo movimento não será possível sem uma renovação pastoral da iniciação cristã.

Uma perspectiva que deveria ser aplicada também à arte e à música…

O novo movimento litúrgico deverá fazer descobrir a beleza da liturgia. Por isso, abriremos uma nova seção em nossa Congregação dedicada à “Arte e música sacra” a serviço da liturgia. Isso nos levará a oferecer, o quanto antes, critérios e orientações para a arte, canto e música sacras. Como também pensamos em oferecer o mais rápido possível critérios e orientações para a pregação.

Nas Igrejas desaparecem os genuflexórios, a Missa às vezes é ainda um espaço aberto à criatividade, são cortadas inclusive as partes mais sagradas do cânon. Como inverter esta tendência?

A vigilância da Igreja é fundamental e não deve ser considerada como algo inquisitório ou repressivo, mas como um serviço. Em todo caso, devemos tornar todos conscientes da exigência, não só dos direitos do fiéis, mas também dos “direitos de Deus”.

Existe também o risco oposto, isto é, o de se crer que a sacralidade da liturgia depende da riqueza dos paramentos: uma posição fruto de esteticismo que parece ignorar o coração da liturgia…

A beleza é fundamental, mas é algo muito distintito de um esteticismo vazio, formalista e estéril, no qual se cai às vezes. Existe o risco de se acreditar que a beleza e a sacralidade da liturgia dependem da riqueza ou da antiguidade dos paramentos. É necessário uma boa formação e uma boa catequese baseada no Catecismo da Igreja Católica, evitando também o risco oposto, o da banalização, e atuando com decisão e energia quando se recorre a costumes que tiveram seu sentido no passado, mas que atualmente não têm ou não contribuem de nenhum modo para a verdade da celebração.

Poderia nos dar alguma indicação concreta sobre o que poderia mudar na liturgia?

Mais que pensar em mudanças, devemos nos comprometer em reaviver e promover um novo movimento litúrgico, seguindo o ensinamento de Bento XVI, a reaviver o sentido do sagrado e do Mistério, pondo Deus no centro de tudo. Devemos impulsionar a adoração eucarística, renovar e melhorar o canto litúrgico, cultivar o silêncio, dar mais espaço à meditação. Disso surgirá as mudanças…

Fonte:http://fratresinunum.com/2010/12/27/chega-de-missa-criativa-na-igreja-silencio-e-oracao/