Arquivo mensal: fevereiro 2011

A origem do Novo Testamento

Em síntese: 0 rabino Evilásio Araújo ataca fortemente o Cristianismo, que, segundo ele, deve sua estrutura e doutrina às influências pagãs; os principais veículos do paganismo terão sido o Concílio de Nicéia I (325) e a tradução da Bíblia por obra de S. Jerônimo (t 420 aproximadamente). As alegações do autor são vagas e não devidamente fundamentadas.
O rabino Evilásio Araújo, de Brasília, elaborou veemente panfleto contra o Cristianismo, atribuindo mentiras e contradições aos escritos do Novo Testamento. – A pedido de leitores, exporemos, a seguir, alguns tópicos desse escrito e lhes proporemos breves comentários.

1. Historicidade
O autor impugna principalmente a fidelidade histórica dos escritos do Novo Testamento:
“Os Evangelhos e as Cartas entram em colapso quando os mesmos relatos ou ensinos são comparados entre si… Não é raro perceber-se, desde logo, que uma fraude, nem sequer bem arquitetada, foi levada a efeito nos escritos neotestamentários, pelo menos como atualmente conhecidos. Em razão da fé cega dos cristãos, esse assunto não é enfrentado como merece”.

Comentando:
1) 0 autor fala de numerosas contradições entre os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento, mas em todo o seu escrito não aponta uma só à guisa de exemplo. É preciso que concretize suas afirmações para que mereçam crédito.
2) Houve fraude ou retoques no texto originário do Novo Testamento para que chegasse à forma atual? – Quem afirma isto, deve saber como era o texto originário. Cabe-lhe mostrar ao público essa face primitiva do texto sagrado (estaria oculta em poder de alguma sociedade esotérica?). Manuscritos neotestamentários que a ciência conhece, não permitem dizer que o Novo Testamento foi mutilado, acrescido ou alterado de modo a perder sua identidade inicial.
3) A fé cega dos cristãos terá ignorado a dita fraude ou manipulação do texto sagrado… Respondemos que em vinte séculos houve cristãos críticos dispostos a reconhecer as vicissitudes do texto sagrado. Ademais o estudo bíblico não é privilégio dos cristãos; é cultivado também por não cristãos e racionalistas que não têm fé cega, mas que nem por isto puderam provar ter havido fraudes ou manipulação do texto bíblico. 0 prof. Evilásio julga que foram dois os grandes momentos de deturpação da mensagem primitiva: o Concílio geral de Nicéia I (325) e a tradução da Bíblia para o latim por obra de São Jerônimo (séc. IV/V).
Examinemos cada qual de per si.

2. 0 Concílio de Nicéia 1(325) Eis o que escreve Evilásio:
1.5 Dois marcos históricos principais estão associados com a formarão do “Novo Testamento”, atualmente conhecido. 0 primeiro marco foi o Concílio de Nicéia (iniciado em 325 EC), convocado pelo Imperador Constantino, que o presidiu na sua abertura, mesmo sendo um pagão, pois jamais Constantino se convertera ao cristianismo, conforme relato falso da igreja de Roma. Ele exerceu o cargo de sacerdote do deus-Sol até que, no seu leito de morte, em 337 EC, o Bispo de Roma procedeu a um ritual de conversão, quando ele nem mais podia manifestar-se sobre se essa era sua vontade. No Concílio de Nicéia, foi aprovado, além da autoridade política dos bispos, o cânon do “Novo Testamento”, quando foram rejeitadas centenas de escritos tidos como sagrados por muitos cristãos fora de Roma, compostos de relatos evangélicos e cartas dos apóstolos e primitivos discípulos, hoje rejeitados. Também, naquela ocasião, por meio de voto, foi aprovada a Divindade de Jesus, que, a partir de então, passou a ser, oficialmente, a Segunda Pessoa da Trindade, abrindo-se daí a oportunidade ao estabelecimento de Mariolatria, pois Maria, genitora de Jesus Nazareno, logo seria alçada ao papel de Mãe de Deus (em grego: Theotokos), já que, obviamente, Jesus sendo deus, segundo essa doutrina, sua mãe seria a Mãe de Deus, como hoje é adorada pelos cristãos católicos e ortodoxos gregos e russos.

Comentando… 0 texto acima é confuso:
1) Constantino era adorador do Sol Invictús quando em 312 obteve uma vitória decisiva sobre seu rival Maxêncio após a visão da Cruz no céu (visão que, conforme bons historiadores, foi um fato histórico). Daí por diante, tornou-se adepto do Cristianismo, embora só tenha sido batizado em seu leito de morte. Por isto quis harmonizar os cristãos divididos pela heresia ariana (o Filho seria a primeira criatura de Deus Pai) e, para tanto, convocou o Concílio geral de Nicéia I em 325. Reuniram-se assim padres conciliares e teólogos, que, juntamente com legados do Papa, puderam deliberar livremente sobre a questão em foco e acabaram formulando o símbolo de fé niceno, que professava a Divindade do Filho: “gerado, não criado, da essência mesma do Pai”. Esta profissão de fé, que a um não cristão pode parecer um avanço do paganismo, nada tinha de inovador: desde o século I os cristãos morriam mártires porque professavam a Divindade de Cristo, como atestam os trechos de Atas de martírio transcritos às pp. 157-159 deste fascículo; em Nicéia apenas se removeu uma falsa concepção da Divindade do Filho – a concepção de Deus inferior ou Deus criado.
2) Se Jesus é Deus feito homem, entende-se que Maria desde remota época tenha sido invocada como Mãe de Deus (Theotókos) feito homem – o que não implica adoração de Maria, mas veneração, … veneração como aquela que todo bom filho tributa à sua mãe.
3) Quanto à rejeição de livros tidos como apócrifos, não foi feita segundo critérios políticos, mas em conseqüência do amadurecimento da consciência do povo de Deus, que se manifestou finalmente pela voz da Igreja. A primeira definição do catálogo bíblico tal como ele hoje existe deve-se ao Concílio de Hipona (393).
Vê-se, pois, que o Concílio de Nicéia I não pode ser considerado canal de deturpação da primitiva mensagem cristã.
Passemos a São Jerônimo.

3. A Vúlgata Latina de São Jerônimo Eis o que a propósito escreve o autor do panfleto:
“1.7 O segundo marco desta história mal contada e deturpada pelos cristãos, como bem sabido dos estudiosos, tem a ver com o tempo do Bispo Dâmaso (Papa Dâmaso), que determinou a São Jerônimo que procedesse a uma reforma no texto do “Novo Testamento” para eliminar seus conteúdos considerados exacerbadamente judaicos, retirando as possíveis dúvidas sobre a origem de Jesus Nazareno [a que nenhum livro de História da época se refere] e afastando certas passagens que retratavam a humanidade do messias cristão de forma exagerada. Em seu livro derradeiro, Retractationis, Jerônimo confessa sua resistência em obedecer à ordem papal e principalmente suas crises de consciência em ter cumprido uma missão que resultou em maior fraude do que aquela perpetrada pelo Concílio de Nicéia.
Quando um cristão ler o “Novo Testamento”, o grau de sua ignorância pode ser mensurado pelo valor atribuído à obra como um todo. Ou ela é de Deus, ou não é, e a única maneira de saber isso é comparando-a com a “Revelação do Sinai”

Comentando…
1) Antes do mais, é de notar que entre as obras autênticas de São Jerônimo não constam as Retractationes (nes no fim) atrás citadas. Sabe-se que há elevado número de obras falsamente atribuídas a São Jerônimo entre as quais devem estar as Retractationes.
2) São Jerônimo não foi intimado pelo Papa São Dâmaso a fazer uma reforma do texto bíblico, retirando ou acrescentado alguns tópicos para dissipar dúvidas sobre a origem de Jesus Nazareno, mas recebeu a incumbência de traduzir a Bíblia dos originais para o latim. 0 propósito desta tarefa era a confusão que se instaurara nos ambientes cristãos por causa das diversas traduções latinas em curso; não havia uma tradução única, oficial, mas diversas modalidades devidas a improvisadores, que não traduziam do hebraico (original) para o latim, mas da tradução grega dos LXX para o latim. 0 próprio Jerônimo transmite uma idéia dessa confusão quando escreve:
“Mas hoje em dia a arte de entender as Escrituras a cada passo qualquer um pensa sabê-la. E como disse o poeta: Os doutos e os tontos escrevemos a cada instante coisa de poesia”.
A velha tagarela e o velho caduco, o sofista charlatão e quaisquer pessoas presumem entender a Escritura, esmiuçam-na e até a ensinam antes de aprendê-la.
Há os que organizam círculos de mulherzinhas, alteiam a sobrancelha, soltam grandes palavras e tratam das Escrituras Sagradas como filósofos. Outros – que vergonha! – aprendem de mulheres o que hão de ensinar a homens e, como se não bastasse, explicam adiante o que eles não entendem.
Não quero falar de meus colegas que, se acaso vêm das letras profanas ao estudo das santas Escrituras, compõem grandes discursos para gosto do povo, e qualquer coisinha que falam têm por Lei de Deus. Não se dignam saber o que em verdade pensaram os profetas ou os apóstolos, mas ainda a seu próprio sentido adaptam à força testemunhos incongruentes. Como se fosse grande coisa, e não maneira viciosíssima de ensinar, depravaras sentenças e caprichosamente torcera Escritura. Não temos, talvez, o espetáculo das centenas de imitadores de Homero e Virgílio? Não poderíamos dessa maneira chamar cristão a Virgílio (sem Cristo), porque escreveu aqueles versos que dizem: Já volve a Virgem, já volvem os reinos de Saturno: E uma nova Prole é enviada do alto céu?’ E o outro, onde diz o pai ao filho: Tu, filho, és minha força, somente tu és grande potência, ainda com palavras que recordam a nosso Salvador na Cruz: `Tais coisas dizia, relembrando, e estava fixo e pregado?’.
Mas estas são coisas de criança e semelhantes ao jogo dos charlatães de feira: ensinar o que não sabem ou, para dizer mais claramente, nem sequer sabem que não sabem” (Carta 53, a Paulino).
Atendendo ao encargo recebido, Jerônimo trabalhou de 382 a 406; fez uma revisão dos textos do Novo Testamento, cotejando as versões latinas existentes com o original grego e traduziu o Antigo Testamento do hebraico para o latim. A obra assim efetuada encontrou resistência por parte do povo, não porque inovasse a doutrina da fé, mas porque o povo cristão estava acostumado às expressões do texto latino em curso; tenha-se em vista, por exemplo, Jonas 4, 6 onde o texto hebraico fala de “mamoneira”, ao passo que o povo estava habituado a ler “Deus fez crescer um pé de hera sobre Jonas”; a troca de hera por mamoneira causou alvoroço entre os fiéis, como refere S. Agostinho. Aos poucos, porém, foi prevalecendo a versão de Jerônimo, que se tornou a Vulgata Latina.
Está claro que o texto bíblico sofreu as costumeiras modificações dos copistas, que lhe acrescentaram ou tiraram palavras, trocaram letras, fizeram interpolações… que a crítica moderna sabe detectar e corrigir, sem que haja essencial alteração do texto. Tais fatos ocorrem não somente com os livros do Novo Testamento, mas também com os do Antigo Testamento.
4. 0 Novo Testamento, composição tardia? 0 rabino Evilásio escreve:
“1.4 Nesse sentido, registra-se a própria origem do `Novo Testa¬mento’, tal como hoje conhecido, não como uma obra acabada dos primitivos apóstolos e discípulos de Jesus, mas como uma produção literária muito posterior, forjada em época de fortes contendas teológicas sobre a pessoa e a obra do Nazareno, com interesses políticos evidentes, tanto da parte do Império Romano, já então em decadência, quanto pelas auto¬ridades religiosas, já empenhados em disputas pelo Poder mundano”.

Comentando…
1) Existe hoje uma respeitável escola de exegetas que tendem a aproximar de Jesus a redação dos Evangelhos. Baseiam-se, em parte, na papirologia. Com efeito, foram descobertos em Qumram e Oxford fragmentos papiráceos atribuídos respectivamente a Marcos e Mateus que bons pesquisadores datam de meados do século I; ver a propósito PR 415/1996, pp. 564-569. Para o prof. Carsten Peter Thiede a proximidade é tal que ele tem o Evangelho de Mateus (ao menos, em parte) como testemunha ocular de Jesus (tal é o título do livro publicado pela Editora Imago; cf. PR 399, 1995, pp. 350ss.
2) Alguns estudiosos traduziram os Evangelhos do grego para o aramaico e verificaram que o texto é mais compreensível neste idioma do que naquele. Isto evidencia a origem antiga do atual texto do Evangelho; é o eco fiel da pregação dos primeiros discípulos e não data da época tardia influenciada por interesses políticos como pensa o prof. Evilásio.
Diz a propósito o Prof. Gianfranco Ravasi, emitente biblista italiano:
“Foi possível captar no aramaico os jogos fonéticos subjacentes, com os quais se favorecia a lembrança e se comprovava a fidelidade da transmissão dos conteúdos. A poesia e a prosa literária hebraicas, de fato, estão ligadas à sonoridade, isto é, ao amálgama harmônico dos sons dos vocábulos…, aos matizes das tonalidades, que se manifestavam sobretudo na recitação oral” (citado por V. Messori, Padeceu sob Pôncio Pilatos?, p. 295).
Vê-se assim que a rima dos vocábulos reaparece nas traduções feitas para o aramaico, que era a língua falada por Jesus e pelos Apóstolos.
Em conclusão, escreve Gerhardson: “A própria raiz hebraica da árvore cristã fez com que a tradição evangélica, ligada ao rabino Jesus de Nazaré, ofereça uma sólida garantia de qualidade e fidelidade histórica nas palavras de Jesus e nas lembranças sobre Jesus” (ib. p. 297).

5. Conclusão
0 panfleto que acaba de ser comentado, é autêntico espécime da crítica preconceituosa e cega desferida contra a Igreja Católica. Deus leve em conta a possível candura ou boa fé de quem se deixou assim iludir!
Juntamente com o antagonismo expresso pelo panfleto existem no mundo de hoje correntes de “Judeus por Jesus”, que aceitam Jesus como Messias e os escritos do Novo Testamento. Como dizem esses irmãos, tornar-se cristão não significa deixar de ser judeu, pois o judaísmo é essencialmente expectativa do Messias. Possa tal concepção sobrepujar a atitude fechada do fundamentalismo! Ver PR 498/2003, pp. 543-553.

Apêndice
Para mostrar que a crença na Divindade de Cristo não foi forjada paulatinamente sob a inspiração do paganismo e definida no século IV, vão, a seguir, transcritos trechos das Atas de Mártires que desde o século II (geração pós-apostólica) morreram por proclamarem Cristo Deus.

1. SÃO POLICARPO DE ESMIRNA (? 156) Das Atas do Martírio de São Policarpo:
«Insistiu ainda o procônsul: “Faze o juramento e eu te libertarei. Insulta ao Cristo”. Respondeu Policarpo: “Há oitenta e seis anos que o sirvo e nunca me fez mal algum. Como poderia blasfemar meu Rei e Salvador?”.
Como de novo insistisse, dizendo: “Jura pela fortuna de César”, replicou Policarpo: “Se esperas, em vão, que vá jurar pela fortuna de César, simulando ignorar quem sou, ouve o que te digo com franqueza: eu sou cristão! Se, por acaso, quiseres aprender a doutrina do cristianis¬mo, concede-me o prazo de um dia e presta atenção!”
Nem com isso desistiu o procônsul: “Tenho feras”, disse, “às quais te lançarei, se não te converteres”. “Faze-as vir”, respondeu Policarpo; “impossível para nós uma conversão do melhor ao pior; o bom é poder passar dos males à justiça”. De novo, o procônsul: “Se não te converteres, se desprezas as feras, eu te farei consumir pelo fogo”. Policarpo: “Ameaças com o fogo que arde um momento e logo se apaga. Não conheces o fogo do juízo que há de vir e da pena eterna onde serão queimados os inimigos de Deus. Mas, que esperas ainda? Dá a sentença que te apraz!”
Proferindo estas e outras palavras, transbordaram nele a generosidade e a alegria e no seu rosto resplandeceu a graça. Não somente o interrogatório não o perturbou, mas foi o procônsul quem perdeu a calma. Este mandou então o arauto proclamar por três vezes no estádio: “Policarpo acaba de confessar-se cristão”>>.

2. SÃO JUSTINO (? 165 aproximadamente)
Justino foi denunciado por um invejoso, que de filósofo só tinha o nome e as vestes aparatosas; as atas do processo foram conservadas. São de uma autenticidade incontestável. 0 filósofo comparece diante de Rústico, que havia iniciado o jovem Marco Aurélio na moral de Epicteto. Fazem-se as jogadas. Justino sabe-o. Não se trata mais de convencer, senão de confessar.
«A que ciência te dedicas?
– Estudei sucessivamente todas as ciências. Acabei por apegar-me à doutrina verdadeira dos cristãos,,.
As respostas são simples e nobres, nítidas como o metal. Conde¬naram Justino a ser flagelado e depois a sofrer a pena capital. Assim, glorificou ele a Deus. Sua vida terminava, como as atas que no-la contam, numa doxologia. Era a sua última celebração.
Justino não estava só: achava-se cercado de seus discípulos. As atas citam seis deles. E esta presença constituía a homenagem mais comovente que se possa prestar a um mestre da sabedoria.

3. OS MÁRTIRES DE LIÃO (177-178)
, respondeu o mártir.
Imediatamente o condenado foi conduzido ao lugar do suplício. Despojou-se de seu manto, depois de sua dalmática, que entregou aos diáconos, conservando apenas a túnica de linho. Ajoelhou-se para mergulhar-se numa longa oração. Fez dar ao carrasco, com uma magnanimidade régia, vinte e cinco moedas de ouro. Ele mesmo colocou a venda em torno dos olhos, entregou as mãos para um padre e um diácono amarrarem, a fim de oferecer o seu último sacrifício, e recebeu o golpe mortal.
Era o dia 14 de setembro de 258.
{Transcrito da revista Pergunte & Responderemos, abril de 2004 por D. Estevão Bettencourt}

Fonte:http://www.exsurge.com.br/apologeticas/canom%20da%20biblia/textos%20canom%20da%20biblia/aorigemdonovotestamento.htm

O que a teoria das janelas quebradas tem a ver com o revide à desonestidade neo ateísta?

Já faz algum tempo que não falo do cristão manso. Talvez por que eu tenha me preocupado o suficiente com estratagemas neo ateístas, humanistas e esquerdistas, que no fundo seguem basicamente o mesmo princípio, pois os dois primeiros grupos são essencialmente esquerdistas. (Para relembrar um pouco desses posts, recomendo os textos: “Tirando as justificativas do cristão manso” e “Tolerância Zero com o Cristianismo Self-Service”.

Eis que recentemente tive contato com uma teoria que eu não conhecia, e usei-a para implementar novas políticas organizacionais de tolerância zero. E não por coincidência, tem tudo a ver com as críticas que faço ao cristão manso e até a tolerância com a desonestidade neo ateísta praticada por alguns.

A teoria em questão é a Teoria da Janela Quebrada, que foi publicada pela primeira vez em 1982 pelo cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling em um artigo no jornal Atlantics Monthly.

O próprio Kelling escreveu, em 1996, um livro expandido o tema, agora em parceria com Catherine Cole: Fixing Broken Windows: Restoring Order and Reducing Crime in Our Communities.

A base da teoria é extremamente simples, tanto que provoca um sentimento estranho: como demoraram tanto tempo para teorizar algo tão óbvio?

Vejamos a teoria. Ela diz que se uma janela está quebrada e o dono do local não a conserta depressa, uma “mensagem” é automaticamente passada aos vândalos. A mensagem implícita é “quebrem mais janelas”.

Isso por que as pessoas vão assumir a idéia de que quebrar janelas é algo com que ninguém se preocupa. Portanto, quem tem vontade de quebrar janelas, irá fazê-lo, mais e mais vezes.

Em um ritmo de cascata, a tendência é que isso se multiplique em novas mensagens, como “vandalismo é permitido”, que pode ser ampliado para “o crime é permitido”. Ou seja, a tolerância com as janelas quebradas tende a levar não só a um maior vandalismo daqueles que adoram jogar pedras em janelas, como aumento da ação criminal como um todo.

Definindo de uma maneira mais didática. A janela quebrada que não é substituída lança um sinal de vulnerabilidade, que é compreendido pelos meliantes.

A tendência é a prática do “ataque teste”. Outras janelas serão quebradas, e novamente será observado se alguém toma uma providência. Sem que providência alguma seja tomada, logo o prédio estará com quase todas as janelas quebradas. O sinal emitido a todos os que virem o local é claro: o prédio está vulnerável.

O valor dos imóveis irá baixar na região, sendo que alguns deles ficarão desocupados por um tempo (pois estão à venda). Vez por outra algum bandido poderá ocupar o local e estabelecer um ponto de venda de crack. As pessoas que moram próximas ao prédio vão sofrer mais ameaças. Não demora para o índice de furtos aumentar. Vias poderão ser bloqueadas, de forma que a polícia não tenha acesso ao local. Em alguns casos, o bairro pode até passar a ser conhecido como aquele lugar onde a polícia não tem coragem de entrar.

Mas para as pessoas que moram em um lugar desses há muito tempo, tudo isso passa a ser normal. O resultado inclui mais crianças criadas e TREINADAS para viver em um ambiente de crime. Quer dizer, uma linha de produção de criminosos. (Não que todos os habitantes de locais assim sejam criminosos. Mas que a tendência de alguém ser levado ao crime é maior se este viver em um ambiente de tolerância ao crime é um fato, quanto a isso não há dúvidas)

É por isso que a teoria pode causar incômodos em alguns. A tolerância aos pequenos delitos é aceita continuamente. Por quase todos. Mas as conseqüências dessa tolerância tendem a ser cruéis e produzirem resultados devastadores e duradouros.

Foi pensando exatamente nisso que o prefeito conservador de Nova York, Rudy Giuliani, resolveu estabelecer sua política de Tolerância Zero no combate à criminalidade, a partir de 1994, quando assumiu o cargo.

Naturalmente uma medida que incomodou muitos esquerdistas, que, como todos sabem, são tolerantes à criminalidade. Até a banda Agnostic Frost escreveu uma música, Police State, criticando fortemente as medidas de Giuliani.

E no que consistiam tais “medidas duras”? Simplesmente a punição aos criminosos mais violentos foi mantida, mas até as infrações de menor periculosidade foram punidas. Isso incluía a pichação nos metrôs e o lançamento de lixo nas ruas. Até o ato de lavar os vidros dos carros de alguém sem a autorização do proprietário eram coibidas. Giuliani nada mais fez que consertar as janelas quebradas.

Os resultados foram excelentes, levando a uma redução de crimes em Nova York em uma escala de 57% cento. E para que alguns não digam que a redução ocorreu por causa da punição aos crimes de menor periculosidade, o número de assassinatos foi reduzido em 65%.

E o que isso tem a ver com os cristãos mansos? Simplesmente tudo.

Hoje em dia temos uma altíssima incidência de ações preconceituosas e atos desonestos cometidos contra religiosos. E isso vai desde a doutrinação escolar (com professores mentindo sobre religião), a repórteres escrevendo mentiras na mídia, ataques de pânico moral, religiosos ofendidos em comunidades do Orkut e daí por diante. Enfim, chegamos a uma situação vergonhosa.

Neste blog, assim como em alguns outros (exemplos incluem Quebrando o Encanto do Neo Ateísmo, Teismo.Net, Neo Ateísmo Português e Pérolas dos Poucos), já se pratica a tolerância zero contra os neo ateus e humanistas.

Mas o problema ainda reside nos cristãos mansos. Um exemplo é a comunidade “Perguntas Cristãs Complicadas”, no Orkut, em que cristãos mansos toleram e são servis perante qualquer tipo de desonestidade cometida contra eles. Tanto que até alguns neo ateus dizem: “Gosto de ficar por aqui, é uma de minhas comunidades preferidas”. Não é muito diferente dos bairros que patrocinam a existência das janelas quebradas, preferidos pelos meliantes.

Algo totalmente diferente ocorre na comunidade “Contradições do Ateísmo”, em que o desrespeito e a desonestidade dos neo ateus não é tolerada. Lá, se um ateu quiser permanecer, terá que respeitar os teístas.

O mesmo ocorre aqui. Nessa semana, não publiquei uns 5 ou 6 posts de neo ateus. Todos com gracinhas, provocações e até ofensas. Alguns escreveram coisas pensando algo como “Ih, vou entrar lá e ofender o Luciano na frente de todos os leitores do blog”. Pois é, não conseguiram. Pois aqui consertamos as janelas quebradas.

Temos que, aos poucos, orientar os cristãos mansos e explicar para eles a teoria das janelas quebradas. Depois da primeira explicação, não há mais JUSTIFICATICA MORAL a postura de conivência. Temos uma base e exemplos para mostrar que a culpa do que ocorrer politicamente negativo aos cristãos é PARTE deles.

A política de tolerância zero contra os anti-religiosos pode se ampliar para o comportamento cotidiano, como por exemplo a rejeição social a alguém que mostre uma postura anti-religiosa. Podemos boicotar jornais que publicam mentiras.

Mas sempre tendo em mente a idéia da tolerância zero. A punição e o contra-ataque começam com A MÍNIMA DESONESTIDADE. Essas pequenas desonestidades é que são as janelas quebradas.

Fonte:http://lucianoayan.com.br/2011/02/05/o-que-a-teoria-das-janelas-quebradas-tem-a-ver-com-o-revide-a-desonestidade-neo-ateista/

Como se expandiu a “Reforma” nos séculos XVI e XVII?


A “reforma protestante” se expandiu rapidamente porque foi imposta de cima para baixo sem exceção em todos os países em que logrou vingar. O povo foi obrigado a “engolir” as novas doutrinas porque os reis e príncipes cobiçavam as terras e bens materiais da Igreja Católica. Infelizmente nesta época a Igreja era rica de bens materiais e pobre de bens espirituais. Foi com os olhos postos nesta riqueza mundana que os soberanos “escolheram” para si e para seu povo as doutrinas dos novos evangelistas, esquecidos de que todo ouro, terra ou prata se enferruja e fenece conforme ensina a escritura: “O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados e a sua ferrugem testemunhará contra vós e devorará as vossas carnes” ( Tg 5, 2-3 ). Prova isto o fato de que as primeiras providências eram recolher ao fisco real tudo o que da Igreja Católica poderia se converter em dinheiro.

INGLATERRA: foi “convertida” na marra porque o rei Henrique VIII queria se divorciar de Ana Bolena. Como a Igreja não consentiu, ele fundou a “sua” igreja obrigando o parlamento a aprovar o “ato de supremacia do rei sobre os assuntos religiosos”. Padres e bispos foram presos e decapitados, igrejas e mosteiros arrasados, católicos aos milhares foram mortos. Qualquer aproveitador era alçado ao posto de bispo ou pastor. Tribunais religiosos (inquisições) foram montados em todo o país. ( Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, tomo I, pgna 54 ). Os camponeses da Irlanda pegaram em armas para defender o catolicismo. Foram trucidados impiedosamente pelos exércitos de Cromwell. Ao fim da guerra, as melhores terras irlandesas foram entregues aos ingleses protestantes e os católicos forçados à migrar para o sul do continente. Cerca de 1.000.000 de pessoas morreram de fome no primeiro ano do forçado exílio. Esta guerra criou uma rivalidade entre ingleses protestantes e irlandeses católicos que dura até hoje, e volta e meia aparecem nos noticiários.

ESCÓCIA: O poder civil aboliu por lei o catolicismo e obrigou todos a aderir à igreja “calvinista presbiteriana”. Os padres permaneceram, mas tinham de escolher outra profissão. Quem era encontrado celebrando missa era condenado à morte. Católicos recalcitrantes foram perseguidos e mortos, igrejas e mosteiros arrasados, livros católicos queimados. Tribunais religiosos (inquisições) foram criados para condenar os católicos clandestinos. ( Westminster Review, Tomo LIV, p. 453 )

DINAMARCA: O protestantismo foi introduzido por obra e graça de Cristiano II, por suas crueldades apelidado de “o Nero do Norte”. Encarcerou bispos, confiscou bens, expulsou religiosos e proclamou-se chefe absoluto da Igreja Evangélica Dinamarquesa. Em 1569 publicou os 25 artigos que todos os cidadãos e estrangeiros eram obrigados a assinar aderindo à doutrina luterana. Ainda em 1789 se decretava pena de morte ao sacerdote católico que ousasse por os pés em solo dinamarquês. ( Origem e Progresso da Reforma, pgna 204, Editora Agir, 1923, em IRC )

SUÉCIA: Gustavo Wasa suprimiu por lei o Catolicismo. Jacopson e Knut, os dois mais heróicos bispos católicos foram decapitados. Os outros obrigados a fugir junto com padres, diáconos e religiosos. Os seminários foram fechados, igrejas e mosteiros reduzidos a pó. O povo indignado com tamanha prepotência pegou em armas para defender a religião de seus antepassados. Os Exércitos do “evangélico” rei afogaram em sangue estas reivindicações.(A Reforma Protestante, Pgna 203, 7ª edição, em IRC. 1958)

SUIÇA: O Senado coagido pelo rei aprovou a proibição do catolicismo e proclamou o protestantismo religião oficial. A mesma maldade e vileza ocorreram. Os mártires foram inumeráveis. ( J. B. Galiffe. Notices génealogiques, etc., tomo III. Pgna 403 )

HOLANDA: Aqui foram as câmaras dos Estados Gerais a proibir o catolicismo. Com afã miserável tomaram posse dos bens da Igreja. Martirizaram inúmeros sacerdotes, religiosos e leigos. Fecharam igrejas e mosteiros. A fama e a marca destes fanáticos chegou até ao Brasil. Em 1645 nos municípios de Canguaretama e São Gonçalo do Amarante ambos no atual Rio Grande do Norte cerca de 100 católicos foram mortos entre dois padres, mulheres, velhos e crianças simplesmente porque não queriam se “batizar” na religião dos invasores holandeses. Foram beatificados como mártires este ano.Em 1570 foram enviados para o Brasil para evangelizar os índios o Pe Ináciode Azevedo e mais 40 jesuítas. Vinham a bordo da nau “S. Tiago” quando em alto mar os interceptou o “piedoso” calvinista Jacques Sourie. Como prova de seu “evangélico” zêlo mandou degolar friamente todos os padres e irmãos e jogar os corpos aos tubarões (Luigi Giovannini e M. Sgarbossa in Il santo del giorno, 4ª ed. E.P, pg 224, 1978).

ALEMANHA: Na época era dividida em Principados. Como havia muito conflito entre eles, chegaram no acordo que cada Príncipe escolhesse para os seus súditos a religião que mais lhe conviesse. Princípio administrativo do “cujus regio illius religio”. Os príncipes não se fizeram rogar. Além da administração mundana, passaram também a formular e inventar doutrinas. A opressão sangrenta ao catolicismo pela força armada foi a consequência de semelhante princípio. Cada vez que se trocava um soberano o povo era avisado que também se trocavam as “doutrinas evangélicas” (Confessio Helvetica posterior ( 1562 ) artigo XXX ). Relata o famoso historiador Pfanneri: “uma cidade do Palatinado desde a Reforma, já tinha mudado 10 vezes de religião, conforme seus governantes eram calvinistas ou luteranos” ( Pfanneri. Hist. Pacis Westph. Tomo I e seguintes, 42 apud Doellinger Kirche und Kirchen, p. 55)

ESTADOS UNIDOS: Para a jovem terra recém descoberta fugiram os puritanos e outros protestantes que negavam a autoridade do rei da Inglaterra ou da Igreja Episcopal Anglicana. Fugiram para não serem mortos. Ao chegarem na América repetiram com os indígenas a carnificina que condenavam. O “escalpe” do índio era premiado pelo poder público com preços que variavam conforme fossem de homem maduro, velho, mulher, criança ou recém-nascido. Os “pastores” puritanos negavam que os peles vermelhas tivessem alma e consideravam um grande bem o extermínio da nobre raça. EM RESUMO em nenhum país cuja maioria hoje é protestante foi convertida com a bíblia na mão. Foram “convertidos” a fogo e ferro, graças à ambição dos reis e príncipes. Exceção é feita no presente século onde a tática mudou. Agora o que ocorre é uma invasão maciça de seitas de todos os matizes, cores e sabores financiados pelos EUA. Pregam um cristianismo fácil, recheado de promessas de sucessos financeiros instantâneos ou quando não, promovem como saltimbancos irresponsáveis shows de exorcismos e curas às talargadas. Antes matava-se o corpo. Hoje estraçalha-se a razão e o bom senso. Dificilmente se conhece um “evangélico” que não seja de todo um ignorante nas Sagradas Escrituras ou tenha para com a Igreja de Cristo um ódio mortal e uma ignorância lamentável. Cursinhos de “teologia” ou “Apologética” onde pouco ou nada se estuda sobre a Bíblia, os escritos dos primeiros cristãos ou história séria são ministrados aqui e ali para fisgar os incautos que abandonam a Igreja duas vezes milenar fundada por Cristo e herdeira de suas promessas para seguir opiniões de aventureiros fundadores de igrejolas e seitas. Falsos profetas que se enganam e enganam. Cegos condutores de cegos ( MT 15, 14 ). Que rodeiam o mar e a terra, para fazer um discípulo, e quando o fazem o tornam duas vezes mais digno do inferno do que eles ( MT 23, 15 ).

Fonte:http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/982-como-se-expandiu-a-qreformaq-nos-seculos-xvi-e-xvii

Apoio à Campanha “Ciência não é contra Religiao!”

Nos últimos tempos, tornou-se comum um chavão feito por neo-ateu de que há uma escolha a ser feito por qualquer pessoa: ou seguir a religião ou seguir o caminho da ciência. Essa é, com certeza, uma afirmação não pensada que carece de investigação. Apesar disso, tem ganhado muitos adeptos e enganado até mesmo a alguns teístas mais despreparados.

Pensando nisso, o Teismo.net e o Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo lançam a campanha “Ciência não é contra Religião!” destacando o papel dos religiosos dentro da evolução científica, deixando claro que não há nenhuma incompatibilidade entre ser religioso e trabalhar com o método científico.

Começamos com objetivos modestos, assim como é o nosso alcance. São lançados 5 banners mostrando 5 de vários cientistas religiosos que fizeram a diferença no mundo da cosmologia, da física, da matemática e muito mais – a saber, Lemaitre, Mendel, Pascal, Ronald Fisher e Francis Collins.

Antes de tudo, um esclarecimento necessário: não lançamos estas imagens aqui com a intenção de ser um argumento para a existência de Deus – não há um argumento sólido (como pretendem alguns neo-ateus) ao dizer algo do tipo “os cientistas devem ser ateus, portanto, não há Deus”, nem na sua versão oposta. Não há nexo lógico nenhum nessa afirmação assim como não há como qualquer de informação desse tipo servir de base para algum argumento para a existência ou inexistência de Deus.

Repetindo: não defendemos que isso seja um argumento para a existência de Deus.A única intenção dessas imagens é trazer à tona a verdade – que não há incompatibilidade entre ciência e teísmo. Além disso, não precisaremos ouvir mentiras de neo-ateus passando limpo ao lançarem mão de slogans do tipo “se é cientista, então é ateu”.

Essas imagens terãocomo intenção também a divulgação do material teísta e anti-neo-ateístas, com o foco em destruir o preconceito contra os religiosos que tem nascido no Brasil e crescido cada vez mais.

Ela terá como foco também despertar os Cristãos e teístas de forma geral contra essa mansidão silenciosa de quando ficamos calados diante dos ataques contra nós.
Explicado isso, aí vão as imagens da campanha:

Nosso objetivo inicial é conseguir espalhar isso entre pelos mais 20 pessoas que as publiquem – sejam em blogs, sejam em comunidades ou álbuns de redes sociais.

Pedimos a todos que divulguem estas imagens no orkut, no facebook, em sites e blogs, e quantos sites de relacionamentos for possível! Ajudem-nos a atingir o objetivo mínimo de 20 pessoas!
Ao contrário do que se pode pensar à primeira vista, a disputa entre neo-ateísmo e teísmo é uma guerra intelectual. E todas guerras intelectuais se operam em fazer circular suas idéias. É pouco cinco imagens de início? Pode até ser, mas é assim que se faz uma disputa cultural. De passo em passo, vamos marcando presença. Se não reagirmos a altura contra os preconceitos e imbecilidades criadas contra o teísmo, em breve eles serão dominantes até mesmo no senso comum dos teístas. E você e os seu filhos vão colher os frutos da ridicularização de “obscurantistas” e “anti-científicos”, na mais branda das hipóteses. É isso que você deseja? Ser ridicularizado por crer em Deus?

NÃO FIQUE CALADO! DEMONSTRE SUA POSIÇÃO!
Você ai ficar parado ou vai ajudar?

Faça sua parte você também!

OBS: Naturalmente, este blog dá 100% de apoio à campanha.

20 razões pelas quais não sou protestante (Refutação da refutação)

1- Não sou protestante porque o protestantismo não existe desde o princípio do Cristianismo. Surgiu 1500 anos depois da era Apostólica. Suas igrejas são locais, regionais ou nacionais, não existindo uma Igreja Universal.

R – Mas o Cristianismo existe e é dele que fazemos parte. O Cristianismo é Universal. O católico Martinho Lutero, um dos expoentes da Fé Reformada, teve a coragem de protestar contra a venda de indulgências, um comércio que estava denegrindo o Cristianismo. A partir daí, o Cristianismo, sob a graça de Deus, seguiu seu caminho livre das heresias.
A ruptura foi necessária num momento em que o catolicismo pretendia se estender por todo o mundo, sempre com a ameaça de colocar na fogueira seus opositores. Então o Cristianismo seguiu seu caminho com a verdade bíblica, tendo unicamente Jesus como Senhor, Mediador, Advogado e Intercessor, conforme as Escrituras.
Repare que, nesta refutação, os pastores não encaram o problema principal (aliás, esta é uma constante nestas refutações que eles resolveram fazer). Eles não enfrentam o fato de que, nos primeiros 1500 anos do cristianismo, simplesmente não haviam protestantes. Não havia “sola scriptura” (e nem poderia, visto que as cópias manuais da Bíblia eram extremamente raras). Chega a ser engraçada a afirmação implícita de que Deus fez surgir o protestantismo (com Lutero à frente) porque a Igreja ameaçava dominar o mundo. A Igreja sempre foi universal e já se havia espalhado por todo o mundo conhecido.

Gostaria de chamar a atenção para a frase “a partir daí, o Cristianismo seguiu seu caminho livre das heresias”. Ou seja, para esta tríade protestante, antes disto, o que existia era uma heresia. A promessa do Senhor de que as portas do Inferno não prevaleceriam contra a Igreja (cf. Mt 16,18-19) não passou, para eles, de uma fábula.

2 – Não sou protestante porque apesar da afirmação de que somente a Bíblia deve ser considerada como norma de fé e prática, eles não concordam entre si no tocante a pontos importantes, entrando assim, em contradições. São mais de 20.000 mil denominações diferentes. Cada uma pregando uma suposta verdade.

R – Ser a Bíblia a norma de fé e prática do cristão não é uma afirmação dos crentes; é uma declaração da própria Palavra de Deus (Rm 10.17; 2 Tm 2.15; 3.16-17 ;4.2). Há muitas denominações registradas em cartório, mas existe unidade na fé em Cristo Jesus. Desprezamos dogmas criados por homens. Não comemos pelas mãos dos outros. Cada crente examina as Escrituras, e debate, e troca opiniões, assim como faziam os primeiros cristãos.

Isto é absolutamente falso. A Bíblia jamais afirma ser a única norma de fé. E nem poderia ser, visto que a primeira geração de cristãos passou sem que qualquer livro do Novo Testamento tivesse sido escrito. Quase todos os apóstolos já haviam morrido antes que se escrevessem Hebreus, as Epístolas Joaninas, o Apocalipse e, segundo alguns exegetas, a Segunda Epístola de Pedro. Até o final quarto século, não havia definido o cânon bíblico. Os protestantes não se dão conta de que, se a “sola scriptura” fosse verdadeira, os primeiros cristãos (justamente aqueles que mais heroicamente deram a vida em testemunha de Cristo) não seriam cristãos legítimos, visto que não possuíam uma bíblia para examinar, debater e trocar opiniões (como os eles supõem que faziam…)

Veja-se que a “sola scriptura” não pode ser um ponto de fé genuinamente cristão pelo simples fato de que até o Concílio de Hipona (393 d. C.) ainda não havia uma “scriptura” para que os cristãos baseassem sua fé “sola” na mesma. Aliás, até a invenção da imprensa, os cristãos achariam ridícula a afirmação de que a Bíblia é a única norma de fé por dois motivos:

a) Havia pouquíssimas Bíblias, visto que a cópia era manual e muito demorada;

b) A quase totalidade dos cristãos era analfabeta, pelo que aos mesmos (que não podiam ler a Bíblia e dela retirar sua fé) só restava confiar naquilo que a única igreja de então ensinava.

Ou seja, o “sola scriptura” pode ser até tentador no dia de hoje, quando é fácil obter uma Bíblia e quando a maioria dos cristãos a podem ler (embora poucos tenham capacidade de a entender). Mas até algumas décadas antes de Lutero, isto teria sido considerado absurdo por todo o povo de Deus.

Para finalizar, se o que conta é a “uniformidade na fé em Cristo Jesus”, não há porque se separar da Igreja Católica, visto que “fé em Cristo Jesus” nós também temos…

Vejam: “Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17.11). A Bíblia chama de “nobre” aquele que examina a Palavra e dela tira suas próprias conclusões. Somos uma só fé, uma só religião, uma só doutrina.

Esta afirmação seria engraçada se eles não estivessem falando sério. Uma só fé? Uma só religião? Uma só doutrina? Até parece que estão falando dos católicos…

É óbvio que, ou isto é uma mentira descarada, ou uma cegueira sem limites. São mais de trinta mil igrejas protestantes. Umas aceitam o sábado, outras o domingo, outras não aceitam dia algum de descanso. Umas somente batizam adultos; outras, crianças; umas entendem ser o batismo essencial para a salvação; outras, ser o mesmo um mero rito sem muito sentido; umas dizem que, para o batismo, basta a aspersão de águas; outras, dizem ser essencial a imersão; outras, afirmam que só é válido o batismo em águas correntes; outras, enfim, que as águas correntes devem ser fluvias… Umas dizem que ou se descansa aos sábados ou se tem a marca da Besta. Umas dizem que Cristo é Deus; outras, que Ele é uma mera criatura. Umas aceitam a existência de almas; outras, não. Poderíamos continuar ad nauseam com estes belos exemplos de unidade de fé, religião e doutrina…

Com relação ao trecho citado, os nobres protestantes (como qualquer adepto da “sola scriptura”) derraparam em interpretação enviezada. Os cristãos mencionados receberam oralmente a fé, creram pela autoridade apostólica de São Paulo e, depois de receberem a verdadeira e sã doutrina, foram às Escrituras (hebraicas, obviamente, visto que todo o Novo Testamento não havia, ainda sido escrito) apenas para verificarem a exatidão do ensinamento apostólico. Estes “nobres cristãos” não saíram, por aí, tirando suas próprias conclusões bíblicas. Apenas confirmaram, nas Escrituras, a fé que haviam recebido e aceitado.

Só adoramos o Santo dos santos, Aquele que morreu em nosso lugar. Não louvamos, nem adoramos, nem suplicamos a outros deuses (Mateus 4.10). Se alguma denominação ensina outro Evangelho, não faz parte do Corpo de Cristo, não é considerada cristã, não é Igreja de Jesus.

Aqui é óbvio que a tríade quis dizer que a Igreja Católica não é Cristã, pois, ao “adorar os santos” prega um evangelho diferente do aceito pelos três.

O fato é que, se a tríade estivesse certa, e, se todo cristão que venera os santos não participa do corpo de Cristo, então os reformadores, que veneravam Maria, não eram cristãos, e as Igrejas fundadas pelos mesmos também não eram. Ocorre que estes protestantes disseram que, com Lutero, a Igreja Cristã seguiu seu caminho livre de heresias. Incoerências protestantes… Se eles estivessem certos, Lutero e seus comparsas eram hereges, não somavam com Cristo e, portanto, dividiam. A Reforma seria obra do Demônio, e obra do Demônio seriam todas as Igrejas nascidas, direta ou indiretamente da mesma, já que os primeiros reformadores também veneravam os santos.

Não é fantástico? Por linhas tortas, chegaram à conclusão correta!

3- Não sou protestante porque atribuem a si próprios o direito de interpretar a Bíblia. Acreditam ter uma iluminação pessoal vinda do Espírito Santo sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. O mais interessante é a diferença que o Espírito Santo manifesta em cada uma das centenas (talvez milhares) de ramificações do protestantismo.

R – Fazemos o que Deus quer que façamos, ou seja, que nos dediquemos à leitura de sua Palavra, e nela meditemos dia e noite (Salmos 1), pois sabemos que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Tm 3.16-17).

Sobre este famoso versículo da Segunda Carta a Timóteo, vou colar um texto que escrevi para uma protestante que, num debate, citou este trecho bíblico.

Vou terminar apenas comentando a famosa passagem “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra”. Com ela, os protestantes acham que provam a “Sola Scriptura” e a desnecessidade da Igreja. Não provam, pois Paulo não disse “apenas as escrituras divinamente inspiradas…”, como você interpreta. Eu concordo com Paulo e, no entanto, confortavelmente, aceito toda a Tradição da Igreja. Quando Paulo escreveu este trecho, boa parte do Novo Testamento não havia, ainda, sido escrito. Ainda que a tua interpretação deste trecho (na qual você coloca um “somente” onde não existe) fosse correta, ela só faria sentido se a Bíblia tivesse caído pronta do céu. Mas você sabe que não foi assim. Então, eu te pergunto: a que “escrituras” Paulo se refere? Vejamos as possibilidades.

1ª Possibilidade: Paulo está se referindo apenas aos escritos judaicos (ou seja, ao Antigo Testamento). Particularmente, é isto o que eu entendo. Se você concordar comigo, existem muitos problemas para a tua fé. Primeiramente, uma boa parte dos livros que você tem por inspirados não o seriam, e muitos versículos que você usa para atacar a Igreja seriam “tradições humanas”, como dizem os protestantes. Em segundo lugar (embora você negue isto atá a morte) Paulo era um judeu da diáspora, e, como todo judeu da diáspora, ao referir-se às escrituras judaicas pensava em todos os livros que, hoje, compõem o Antigo Testamento Católico. Em outras palavras, aceita esta primeira possibilidade, não apenas você lê livros não inspirados, mas, também há livros inspirados que você não lê. Creio que você não gostou muito, não é mesmo? Passemos à segunda possibilidade.

2ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e a todos os escritos da era apostólica. Possivelmente, esta possibilidade é melhor que a primeira. Cuidado em aceitá-la, pois também traz dificuldades. Primeiramente, há escritos apostólicos que se perderam, pelo que nem toda “palavra inspirada e útil” estaria na Bíblia. Em segundo lugar, por que existem escritos da era apostólica que não compõem o cânon do Novo Testamento (e que provam que os cristãos primitivos já acreditavam em tudo aquilo que os protestantes insistem em dizer terem sido inventados por “Roma” séculos mais tarde), o que novamente nos conduz à negação da “Sola Scriptura”. Novamente, acho que você já deve ter rejeitado esta hipótese. Não tem problema, existem mais duas.

3ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e mais alguns (inclusive várias de suas próprias cartas) que, por revelação divina (sonho, aparição, etc.), soube que, trezentos anos mais tarde, viriam a ser estabelecidos num concílio cristão. Novamente, acho que você terá problemas com esta possibilidade, pois este mesmo concílio estabeleceu, como sendo inspirados, todos os livros do Antigo Testamento que não fazem parte de sua Bíblia. Esta possibilidade te levaria a aceitar como bíblicos pontos de fé católicos que você rejeita (purgatório, intercessão, orações pelos mortos, etc.). Vejamos a última possibilidade.

4ª Possibilidade: É muito parecida com a terceira. Só que na revelação de Paulo, ele soube que, mil e duzentos anos após o citado concílio, um monge iria arrancar, do cânon deste concílio vários livros do Antigo Testamento. É a este conjunto de livros que Paulo se referia. Exatamente o mesmo conjunto de livros que você tem por inspirados. Ocorre que isto não apenas coloca 1500 anos do cristianismo no ostracismo histórico, como também torna inútil a recomendação que Paulo deu a Timóteo. Afinal, as escrituras inspiradas e úteis para ensinar somente estariam à disposição dos cristãos séculos mais tarde.

O acesso à Bíblia não é proibido na Igreja de Cristo. Qualquer um pode ler; tendo dúvida, pede ajuda aos mais entendidos. Para isso, há escolas dominicais e cursos teológicos. Todo crente deve saber manejar bem a palavra da verdade para apresentar-se a Deus aprovado (2 Tm 2.15). Deus não quer ignorantes de Sua Palavra.

Podemos recorrer também ao Espírito Santo que não está preso numa redoma de ouro e guardado num cofre; Ele está em nós (Sl 51.11; Lc 11.13; At 2.4; Ef 1.13; Rm 8.9; 1 Co 3.16,19) e nos ajuda em nossas fraquezas, pois Ele é uma Pessoa (Rm 8.16,26; Lc 12.12; 14.26; 1 Co 2.13). Temos iluminação pessoal? E Jesus não disse que somos a luz do mundo e sal da terra (Mt 5.13,14)?

A contradição é assombrosa! Ora, se temos o Espírito Santo; se Ele nos ajuda e nos inspira; se é tão simples ler a Bíblia, então, por que escolas dominicais, cursos bíblicos, livretos, pregações, etc.? O “sola scriptura” vivido coerentemente resumiria o cristianismo a leituras e meditações particulares da Bíblia, cada um em seu cantinho.

A lógica nos diz que, se não há um magistério infalível dado por Deus, então cada crente, ao ler e meditar a mesma Bíblia, iluminado pelo mesmo Espírito, deveria chegar às mesmas conclusões às quais chegaram os demais. Ou, então, este Espírito Santo, contradizendo-se, não é Deus. Como a uniformidade não ocorre( e, sabendo que o Espírito Santo é Deus), é lógico que o pressuposto adotado (a “sola scriptura”) está errado, o que nos conduz à necessidade da Igreja. E tal necessidade, por sua vez, é a ruína do protestantismo. Se a Igreja for necessária, não só os protestantes não cumprem a vontade de Deus como, também, lutam contra ela.

4- Não sou protestante porque a doutrina não tem unidade, as igrejas não são infalíveis em questões de moral e fé. Suas hierarquias não são rígidas, os preceitos são secundários. A salvação está em somente crer em Cristo, mas sabemos que não basta somente crer, pois, é preciso viver a fé, e vivê-la em santidade. Daí os Mandamentos. Daí a moral que a Igreja ensina. Dizer que a salvação vem somente do crer em Cristo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência.

R – E os papas são infalíveis? E as histórias repugnantes sobre diversos papas? E a diabólica Inquisição? E o perdão pedido aos chineses, aos aborígenes, a Galileu? Não é o reconhecimento de erros cometidos pelo catolicismo? A rigidez moral do catolicismo funciona?

Os protestantes confundem, sempre e sempre, infalibilidade com impecabilidade. Os papas pecaram, mas jamais erraram ao se pronunciarem, ex-cathedra, sobre doutrina e moral. Ou seja: dizer que os papas não são infalíveis porque pecaram é ou desconhecer o dogma da infalibilidade ou agir de má-fé. A tríade, em questão, parece conhecer o dogma da infalibilidade. Então…

Apenas para pôr os “pingos nos is”, o catolicismo jamais cometeu erro. Isto é teologicamente errado. Os filhos da Igreja erraram (e, às vezes, gravemente), mas a Igreja segue santa e imaculada, pois tais erros ocorreram apesar da Igreja.

Repare-se que, também aqui, eles não refutaram o fato apresentado por D. Estevão. Eles se limitaram à tentativa de provar que nós, católicos, somos tão ruins quanto eles… Aceitaram, ainda que sem perceber, o fato de que o protestantismo não possui qualquer autoridade infalível e que não há segurança doutrinária entre as mais diversas igrejas cristãs. Tal forma de agir (atacar para não ter que se defender de algo indefensável) confunde os leitores menos atentos. Mas o fato é que, implicitamente, reconheceram a veracidade daquilo que disse D. Estevao.

E o caso de assédio e violência sexual de sacerdotes católicos contra religiosas, em 23 países, para ficar só neste exemplo? Ensinamos o que ensina a Palavra. A fé no Senhor Jesus envolve arrependimento dos pecados; sem isso não há perdão nem salvação. A santidade faz parte da vida cristã. Quem nos convence do pecado é o Espírito Santo (João 16.8). As boas obras são decorrentes dessa fé salvífica.

Os protestantes adoram desviar o assunto. Como não têm resposta à evidência apresentada por D. Estevão (qual seja, no protestantismo não há autoridade infalível) tentam atacar o catolicismo. São muito tristes os escândalos sexuais envolvendo padres, mas, repita-se, são erros dos filhos da Igreja. Poderia, também, citar exemplos chocantes envolvendo protestantes, mas isto não vem ao caso.

QUEM NELE CRÊ NÃO SERÁ JULGADO; QUEM NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus (palavras de Jesus (Jo 3.18). Vejam também Romanos 10.9. Acontece que o catolicismo ensina a salvação pelas obras; mas não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras (Ef 2.8). Ademais, “o justo viverá pela fé” (Romanos 1.17)

Gostaria de saber de onde a tríade tirou esta informação de que, segundo o catolicismo, somos salvos pelas obras. Para a Igreja, é Cristo que nos salva pela Sua Cruz e Ressurreição, sendo que, pelas boas obras, cooperamos para que esta salvação ocorra. Aliás, o que esta afirmação gratuita e inverídica tem a ver como o tema proposto por D. Estevão? Absolutamente nada.

5- Não sou protestante porque apesar deles lerem a Bíblia (embora sem alguns livros e com interpretações diversas) não possuem nenhuma autoridade superior Infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.

R – Qual seria a autoridade infalível na Terra? Só surgiu um homem assim: Jesus Cristo, porque não tinha a mancha do pecado. A Palavra diz: “Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso”, e que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.4,10). Não temos um PAPA falível, mas temos um Papai do Céu infalível capaz de suprir todas as nossas necessidades (Fp 4.19). “O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará” (Salmo 23).

Novamente, a mesma confusão entre infalibilidade e impecabilidade. O Papa não é, digamos, “impecável”, mas infalível. Quem o diz é o próprio Cristo: “eu te darei as chaves do Reino dos Céus; o que ligares na Terra será ligado nos céus; o que desligares na Terra, será desligado nos céus” (Mt 16,19). E em outra passagem: “eis que eu estou convosco todos os dias, até o final do mundo” (Mt 28,20). Todos os papas pecaram; nenhum deles, contudo, jamais contradisse um seu antecessor ao usar do seu Magistério Infalível.

O questionamento de D. Estevão é muito contundente: os protestantes não possuem uma autoridade infalível, então, como saber qual das diversas interpretações que eles propõem é verdadeira? A tríade, novamente, não enfrentou o problema e desviou o assunto.

6 – Não sou protestante porque eles negam a Tradição oral. Sendo que na própria Bíblia, Paulo recomenda os ensinamentos de viva voz (Tradição) que nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração em geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia. Confira em (2 Tim 1,12-14).

R – Negamos a Tradição Oral porque ela foi a maior fonte de problemas já na teologia do Antigo Testamento, torcendo as palavras já escritas na Torah; e ela também tem sido comprovadamente a maior fonte de heresias no meio da Igreja Romana. No caso do Antigo Testamento, dizia Jesus aos fariseus: “MC 7.9 – “E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição”.

Aqui, partem de uma visão bastante apriorística das coisas. Ao afirmarem que não adotam a tradição porque a mesma tem sido fonte de heresias, tomam por provado o que querem provar: que a Igreja Católica está repleta de erros. Primeiramente, eles deveriam comprovar que existem heresias na Igreja Católica para, depois, provar que a Tradição as gerou.

A “tradição” a que Jesus se refere não é a Tradição Oral que os judeus tinham por Palavra de Deus, mas a tradição dos fariseus que, para evitarem infrações ainda que involuntárias da Lei, criaram uma série de prescrições, assim como fazem os pastores protestantes, que proíbem os fiéis de jogar futebol, ver televisão, coisa que não foi ordenada por Deus. Tais prescrições acabaram por se tornar um peso.

A Tradição Oral é a matriz das escrituras. Por exemplo: entre Abraão e a escrita dos Gênesis houve um intervalo de 1000 anos, em que a história do Pai dos Crentes foi passada apenas oralmente. É a Tradição oral em ação, e, dela, bebe o escritor sagrado ao colocar por escrito esta estória. Quando os evangelistas começaram a escrever as primeiras linhas dos evangelhos, algumas décadas já se haviam passado desde a Ascensão de Cristo. Até então, as primeiras comunidades se formaram, exclusivamente sobre a Tradição Oral dos Apóstolos. Dizer que a Tradição Oral não é palavra de Deus equivale a afirmar que as palavras de Cristo somente se tornaram divinas décadas depois de Sua morte.

No entanto os nobres apologistas protestantes esquecem-se que São Paulo também mandou guardar a Tradição Apostólica, isto é, o que os Apóstolos ensinaram e que não foi escrito: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, SEJA POR PALAVRAS, seja por epístola nossa.” (2Tss 2,15)

Note-se que Deus não deixou nada escrito, tanto no Antigo Testamento como no Novo. Mas a existência de ESCRITURA deixada por Moisés e outros homens de Deus limitou todos os sermões de Jesus a somente o que estava escrito. Ele combatia tudo o que se afastasse do que estava escrito.

Isto é mais falso do que nota de vinte e cinco! Diversos sermões de Jesus são baseados nos ditos e nas tradições rabínicas dos fariseus, que se desenvolveram a partir da Tradição oral. Jesus, por exemplo, afirma: “ouvistes o que vos foi dito: amarás teu próximo e odiarás o teu inimigo.” Os pastores poderiam mostrar em que parte da Bíblia está escrito que devemos “odiar nossos inimigos”? Não o podem, pois isto vem da tradição rabínica de se afastar do am ha aretz, aquele que desconhece a Torá. Portanto, grande parte dos discursos de Jesus não se limitou “ao que estava escrito”, mas a toda Palavra Escrita e Oral aceita pelos judeus.

Paulo e os demais apóstolos podiam aconselhar os irmãos a seguir o que dissessem, pois estavam VIVOS e seu testemunho era real. Após suas mortes, tudo o mais que alguém poderá dizer que ouviu deles é mera especulação.

Notem a contradição nesta afirmação. Se após a morte dos apóstolos tudo que se diz e escreve é especulação, então porque crêem nos Evangelhos de Lucas e Marcos, na Epístola aos Hebreus, livros estes que não foram escritos pelos apóstolos e foram escritos após suas mortes? Como dizia Drummond: “E agora José?”

Se não haviam apóstolos vivos para legitimá-los, como então hoje são aceitos como canônicos? Negam a verdade clara e evidente de que a autoridade das Sagradas Escrituras deriva da autoridade da Santa Igreja.

Pobres protestantes que não aceitam o poder de Deus. Deus é potente para preservar Suas Palavras e evitar que se corrompam. Sejam tais palavras escritas, sejam orais. A Tradição Oral se preservou sem deturpações porque o próprio Deus prometeu que seria assim. Prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja; prometeu que o Papa teria as chaves do Reino dos céus; prometeu que estaria com os Seus até o fim do mundo. E apenas os católicos acreditam, realmente, que tais promessas se cumpriram.

Tome-se por exemplo a Igreja da Galácia: tinha sido evangelizada e fundada PESSOALMENTE pelo apóstolo (At 18:23), mas isso não impediu que os crentes ali logo perdessem a fé genuína para os judaizantes, obrigando Paulo a, POR ESCRITO, trazê-los de volta à verdadeira fé: “(GL 4:11) – Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco”. “(GL 4:18) – É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco” “(GL 5:7,8) – Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chamou”. E Paulo termina sua pregação, por estar ausente, por meio de documento escrito: “(GL 6:11) – Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão”.

Se isso aconteceu num curto período de tempo, ainda em vida do Apóstolo que evangelizou os gálatas pessoalmente e em sua ausência se perderam, o que não dizer de séculos de ignorância quando a Igreja de Roma inclusive PROIBIA a leitura da Bíblia por seus seguidores?

Aqui novamente são infelizes. Vejam que eles mesmos reconhecem que São Paulo escreve à Igreja dos Gálatas para exortá-los na Sã Doutrina. Ora, se os Gálatas não tivessem se afastado na fé, provavelmente o apóstolo não teria escrito a eles. Se isto tivesse acontecido significaria que o Apóstolo não deixou de viva voz sua doutrina aos Gálatas? Claro que não. A própria carta paulina mostra que São Paulo já havia pregado a esta comunidade, deixando então para eles a Tradição. No entanto, São Paulo em pleno exercício de sua ação pastoral escreve aos Gálatas não porque tinha que lhes deixar algo por escrito, mas porque como estava impossibilitado de estar com eles, lhes escreveu. Isto mostra mais uma vez que a preocupação principal dos apóstolos era pregar o Evangelho e não deixar sua doutrina por escrito. Como vemos o que foi escrito o foi em ocasiões muito especiais, em ocasiões esporádicas.

Poder-se-ia perguntar, à tríade acima: se a Tradição Oral não é confiável, como podem eles confiar nos Evangelhos? Como eu já disse, o Evangelho existiu, primeiramente, como Tradição Oral, para depois ser escrito. Como, então, ter certeza de que as palavras de Jesus não foram distorcidas nas décadas seguintes até serem escritas? Como se pode ter certeza de que Jesus realmente falou aquilo que está escrito? Pela lógica da tríade, não se poderia ter certeza, pois, em pouco espaço de tempo, a Tradição Oral se corrompe… Aliás, é justamente isto que afirmam os perseguidores do cristianismo: que os evangelistas, já distantes dos acontecimentos, não são dignos de confiança. Pelo menos estes perseguidores são coerente, o que não se pode dizer da tríade de pastores autora desta refutação.

Nós, católicos, confiamos nas promessas do Senhor: as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. A assistência do Mestre é eterna, pelo que a Tradição Oral jamais se corrompeu. Assim, podemos ter certeza de que os Evangelhos dizem a verdade sobre Jesus; podemos ter certeza de que o restante da Tradição também o diz.

A maior prova da falha da tradição oral está na Cronologia dos Dogmas, com doutrinas humanas criadas em épocas muito tempo após a morte dos apóstolos, sendo que não se encontra nenhum documento anterior prescrevendo tal doutrina na Igreja Primitiva (tais como Purgatório, Assunção de Maria, Concepção Imaculada de Maria, Oração pelos mortos, etc).

Nossos queridos protestantes não sabem o que são dogmas… Pensam que a Igreja, ao dogmatizar um ponto de fé afirma algo do tipo: “a partir de agora, todos acreditaremos nisto”. Só que não é assim! A Igreja, ao dogmatizar algo, diz claramente: “os cristãos, sempre, desde os primórdios, e em todos os lugares, acreditaram nisto, pelo que não é lícito a nenhum católico duvidar que esta é a fé verdadeiramente cristã.” Portanto, importa muito pouco que um dogma tenha sido proclamado no século IV ou no século passado. O fato é que os cristãos sempre acreditaram neles. Aliás, os protestantes, ao citarem a “cronologia dos dogmas” sempre omitem que a divindade de Cristo e a Santíssima Trindade também foram proclamados pela Igreja Católica como dogmas de fé séculos após a era apostólica. Pela lógica da tríade, os cristãos, antes, não acreditavam que Jesus e o Espírito Santo são um com o Pai…

O Demônio é o pai da mentira. E é mentirosa a afirmação de que não existam escritos primitivos a apoiar os dogmas. Basta estudar patrística. Basta ler os escritos dos Pais da Igreja para se saber, com certeza, no que acreditavam os cristãos primitivos. E, com certeza, estes cristãos primitivos anatematizariam a tríade acima.

Acreditar na Tradição Oral que nunca foi registrada na Igreja do primeiro século é combater o próprio ensino de Paulo, que escrevia cartas e mandava que fossem lidas em todas as Igrejas, intercambiando com outras que já havia escrito: “CL 4:16 – E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também”. “1TS 5:27 – Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos”.

Não há, para os católicos, nenhum problema com esta passagem. Aceitamos que tudo na Bíblia é palavra de Deus, mas acreditamos (como os cristãos de todos os tempos) a Palavra é anterior às escrituras, perpassa as escrituras e vai além das escrituras.

E outra coisa importante: este argumento católico se baseia na carta a Timóteo, certo? Vejamos tal carta em sua totalidade:

1. Em todas as orientações que foram dadas sobre comunicação oral, os apóstolos ordenavam sobre pronomes pessoais: “palavras que de MIM tendes ouvido”;

2. Paulo nunca mandou alguém a obedecer quem não fosse apóstolo e queria que fosse ensinado o que saiu dele mediante TESTEMUNHAS: “(2Tm 2:2) – E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”.

3. Paulo recomenda a perfeição do obreiro de Deus pela Palavra escrita e não incluiu a tradição em pé de igualdade: “(2Tm 3:16,17) – Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”.

Costumo brincar dizendo (e passando por cima das regras de latim), que o “sola scriptura”, rapidamente, transforma-se num “sola” algumas partes da “scriptura”. Os protestantes, para defender os seus pontos de vista, apegam-se a alguns trechos bíblicos e ignoram todos os demais. Vejam-se as seguintes citações:

a) 2 Tm 1, 15: neste trecho, Paulo manda que Timóteo instrua terceiros que, por sua vez, passarão a fé às gerações futuras. É um exemplo de sucessão apostólica. Paulo, portanto, diz que estes terceiros deveriam obedecer Timóteo e que, por sua vez, as gerações futuras obedeceriam a estes terceiros. Como, então, a tríade diz que os apóstolos jamais afirmaram que se devesse obedecer a outros que não eles? E será que eles podem provar que durante estes 2000 anos de cristianismo não houve a Sucessão Apostólica? Nós podemos provar que sim. No entanto o ônus da prova é do acusador…

b) Tt 1, 5. Também aqui, Paulo confere autoridade apostólica a Tito: “Eu te deixei em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei”. Ora, organizar as igrejas, estabelecer seus líderes (anciãos) não eram trabalho dos apóstolos? Se Tito não recebera autoridade apostólica de São Paulo, sendo assim seu legítimo sucessor, como poderia realizar tais obras?

É óbvio que Paulo usa “pronomes pessoais” porque, na Igreja primitiva, existiam apóstolos e apenas eles é que podiam ensinar. Os cristãos deveriam seguir os ensinamentos apostólicos, e rejeitar aqueles provenientes dos pastorezinhos hereges de então. A autoridade apostólica não se comunicava a todos os batizados, pelo que nem todos poderiam ensinar. Isto não quer dizer que esta autoridade apostólica encerrou-se com a morte do último apóstolo, pois, como demonstrado acima, a mesma foi transmitida. Aliás, leia-se a “História Eclesiástica” de Euzébio de Cesaréia para se ter certeza deste fato.

Mas chamo atenção para a gravidade das conclusões que estão implícitas na assertiva dos pastores. Eles afirmam que a Igreja Primitiva se construiu sobre autoridade apostólica, mas que, morrendo o último apóstolo, esta autoridade encerrou-se e, a partir de então, todos os crentes só podem confiar na Bíblia. Então:

a) Existiram duas Igrejas diferentes, com duas matrizes doutrinárias diferentes: a do primeiro século (eminentemente apostólica) e a dos séculos posteriores (exclusivamente “bíblica”). Quero vê-los citando qualquer versículo bíblico que apóie, ainda que remotamente, esta heresia!

b) O protestantismo não possui a mesma matriz doutrinária do cristianismo primitivo (do que não é capaz um protestante para defender seus devaneios…).

c) O catolicismo possui a mesma matriz doutrinária do cristianismo primitivo, mas, visto que os bispos não foram testemunhas oculares da vida de Cristo, esta matriz não é mais válida.

Em resumo: o protestantismo distanciou-se do cristianismo primitivo, mas é verdadeiro; o catolicismo manteve-se fiel, mas é falso. Seria brilhante se não fosse trágico. E, note-se, na primeira refutação da tríade eles afirmaram que o catolicismo afastou-se do cristianismo primitivo e o protestantismo, com Lutero, resgatou-o. Haja Espírito Santo para inspirar tanta incoerência!!!

Mais um detalhe: para ser apóstolo, deveriam existir dois requisitos básicos: “(At 1:20-22) – Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite. Tome outro o seu bispado. É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição”.    

Nenhum outro homem, além dos doze, merecia tal título. Paulo foi chamado Apóstolo dos Gentios devido ao seu chamado, não se considerava como um dos doze e depois dele nenhum outro homem mereceu este título, por não preencher os requisitos básicos do apostolado. Portanto, a autoridade apostólica morre com o último apóstolo, João, restando seus ensinamentos escritos, o que aliás foi o mais importante critério para determinação do Cânon do Novo Testamento pela Igreja Primitiva.

Estas regras para ser apóstolo foram criadas pela tríade. A Bíblia mostra claramente que os versículos acima citados profetizavam sobre a sucessão Apostólica de Judas, dando o episcopado a Matias (cf. At 1,26), mas segundo eles somente São Paulo merecia tal honra. Ora, se somente São Paulo merecia tal honra por quê então Matias foi escolhido como apóstolo? O problema é que além de se enganarem, enganam também a outros!

Impressiona-me como alguém pode ser tão incoerente sem maiores constrangimentos. Para ser apóstolo era necessário que o mesmo tivesse convivido com “apóstolos” (não é incrível?!) desde o batismo de Jesus. Isto, por si só, torna tudo impossível, pois, ao tempo do batismo de Jesus, não havia nenhum grupo de discípulos escolhidos. Ou seja, pela lógica brilhante acima, ninguém é apóstolo. E aquele que os protestantes chamam de “Apóstolo Paulo”? Este daí é um caso a parte, houve um chamado especial, etc, etc. Tudo perfeitamente conveniente. Se fizesse algum sentido, é claro!

O curioso é que, se apenas os apóstolos é que tinham autoridade para ensinar (oralmente e por escrito), os protestantes têm lido livros não inspirados e indignos de confiança. A carta aos Hebreus não foi escrita por nenhum dos doze (e nem por Paulo), nem o foram o Evangelho de Marcos e de Lucas; o apêndice do Evangelho de João; e, segundo estudiosos autorizadíssimos, também não o foram a epístola de Tiago e a segunda Epístola de Pedro. E agora? Como ficamos? O argumento acima (visando solapar a Tradição oral) joga no lixo boa parte da Bíblia. Mas, não estando a tríade preocupada com coerência, a mesma pode, novamente, ser incoerente e continuar seu ministério cristão.

Por outro lado, existem uma série de livros dos apóstolos que não fazem parte da Bíblia e outros, ainda, que se perderam. Adotado o ponto de vista dos pastores, temos que:

a) Eles não lêem e nem meditam uma série de livros divinamente inspirados e úteis para a formação cristã;

b) Uma outra série destes livros se perdeu e a Palavra de Deus estaria aleijada de sua plenitude. Deus teria falhado em preservar a totalidade do cristianismo e as portas do inferno teriam prevalecido contra a fé cristã.

É claro que os eles preferem não falar desta incoerência.

7- Não sou protestante porque algumas denominações batizam crianças, outras não as batizam; algumas observam o domingo; outras, o sábado; algumas têm bispos; outras não os têm; algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação; algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo. Outras não se preocupam com isto, etc.

R – Se divergências operacionais ou de entendimento da Escritura fossem critérios para determinação de legitimidade, nunca a Igreja de Roma poderia ter tal título. O simples fato de ter um nome único de denominação não excluiu a verdade que os católicos possuíssem verdadeira bagunça doutrinária, ontem e hoje.

Exemplos: a Inquisição era considerada divina a seu tempo, hoje é considerada ignorância pelos próprios católicos; as ordens de padres têm, cada uma, estilos de vida próprios e ensinos de santidade diferentes, como os franciscanos, os dominicanos, os adeptos da Tradição, Família e Propriedade (que negam a submissão ao papa), a Renovação Carismática (que para muitos padres ainda é mal vista e tratada como facção).

Curiosamente, existe um livro chamado “Como Lidar com as Seitas”, do padre Paulo H. Gozzi, que diz textualmente, ao tratar das divergências internas da Igreja de Roma: “Há lugar para todo mundo na Igreja, para cada jeito de viver a fé e a comunhão. Há variedade de serviços, de dons, de atividades, mas o Espírito que dá essa diversidade é o mesmo.

Puxa que infeliz afirmação: “divergências operacionais ou de entendimento da Escritura” não são critério de legitimidade. Viram? Para eles a Igreja não precisa possuir unidade doutrinária. ISSO É UM ABSURDO! Como várias “verdades” dimetralmente divergentes podem ser o reflexo perfeito da Verdade Ùnica que é Nosso Senhor? Como fica então Ef. 4,5 que afirma ser um só Senhor, uma só Fé e um só Batismo” sinal da Verdadeira Igreja? Professar tamanha mentira é ofender a nossa inteligência e principalmente o Santo Espírito de Deus que é a fonte da Verdade Única e Imutável.

Outra coisa deve ficar muito clara: existe uma diferença entre disciplina e regras de vida (de um lado) e doutrinas (de outro). O que nós dizemos sobre o protestantismo é que as várias igrejas protestantes guardam, entre si, diferenças de doutrina. A fé das diversas igrejas é diferente. Um acredita que Jesus é Deus, o outro não; um acredita que o batismo é essencial à salvação, o outro não; um acredita que guardar o domingo é subjugar-se à Besta, o outro não; um acredita na presença de Jesus sob a espécie do pão, o outro não; um acredita na existência de uma alma imortal, o outro não. Quando se levanta este argumento, que fazem os protestantes? Apressam-se em dizer que, entre os católicos, existem diferenças de doutrina e (pasmem!), para provar este ponto de vista, citam diferenças de disciplina e de regras de vida que existem entre os diversos segmentos católicos. Todo católico crê nas mesmas coisas, mas cada um vive a sua fé de uma forma diferente. Este se volta para obras de caridade; aquele, para a contemplação; o outro, para a teologia. Este grupo vive uma espiritualidade litúrgica; aquele outro aprofunda-se na Bíblia; um terceiro enraíza-se nos sacramentos, e por aí vai. Mas todos crêem nas mesmas coisas (têm a mesma doutrina): transubstanciação, eficácia dos sacramentos, divindade de Cristo, mediação dos Santos; Assunção de Maria, etc.. E, se algum católico não crer em algum destes pontos, católico não é. Mas, por exemplo, se um protestante não crê na divindade de Cristo, segue sendo protestante.

As diferenças existem para o enriquecimento espiritual de uns e outros, jamais para dividir e separar uns dos outros. Quem não gosta do jeito de um grupo, não precisa participar dele, participe de outro. Quando é que vamos aprender a viver em paz e harmonia e pluralismo, aceitando o jeito diferente de cada um ser o que é, dentro da mesma Unidade?” (páginas 64 e 65 da referida obra, 4a. edição da editora Paulus).

Como foi dito acima, não existe unidade doutrinária dentro do protestantismo, e este é o problema. Não se trata de diversos ramos protestantes vivendo a mesma fé de formas diferentes. Trata-se, na verdade, de diversos protestantismos diferentes que existem em cada igreja. Ora, ou Deus permite uma segunda união entre casais ou não permite. Na lógica protestante, Ele a permite na igreja A e não a permite na igreja B. Ou Ele está presente na eucaristia ou não está. Para os protestantes, na igreja C Ele se faz presente e, na D, não. Ou Jesus é Deus ou não é. Mas, para os protestantes, Ele o é nesta igreja e não é naquel?outra. Ou existe uma alma imortal, ou não existe. Para os protestantes, o membro da igreja X possui uma alma imortal enquanto que o da igreja Y adormecerá até o dia do juízo final.

É bom mesmo que esse padre pense assim, pois ele diz na página 39, ao falar sobre o Saravá – o Baixo Espiritismo: “Não devemos fazer acusações injustas, achando que essas religiões são do demônio (…) E nessa cultura tribal foram criando mitos e lendas religiosas que explicam os mistérios da vida, passando tudo isso de pai para filho. Essas religiões africanas são belas, puras e merecem o nosso profundo respeito”.

Garanto que o Vaticano não pensa assim. Pelo menos três padres que conhecemos pensam BEM DIFERENTE disso… e onde está a unidade doutrinária, afinal não é um livro publicado por uma editora católica, que não imprime nada que seja protestante?

Até onde eu saiba, não existe nenhum dogma de fé que defina que o “baixo espiritismo” é uma religião demoníaca. Agora, o ensinamento da Igreja sempre foi o de que, nas religiões não-cristãs, existem as “sementes do Verbo”, ou seja, traços da Verdade e que aproxima seus praticantes de Deus.

Não vamos mais longe: e o Padre Quevedo, que diz que o diabo não existe e não existem possessões demoníacas, contrariando o próprio Evangelho? Onde está a orgulhosa unidade católica, já que um herege como este não é excomungado por chamar o próprio Jesus de mentiroso?

O Pe. Quevedo, ao dizer que o demônio não existe, está contrariando o ensinamento da Igreja e entrando em descomunhão com ela. Não é dado a nenhum católico duvidar da existência do demônio. Agora, se um protestante viesse com esta mesma heresia, desde que “aceitasse o senhorio de Jesus” (e, claro, desde que negasse a virgindade perpétua de Maria, a mediação dos santos, o primado de Pedro, etc., etc., etc.) , seria considerado um protestante como todos os outros. Para os outros protestantes, o demônio existe; para este aqui, não…

E, quanto ao hiato entre Cristo e os protestantes, temos a afirmar duas coisas:

1. Esse hiato existe doutrinariamente e historicamente somente com a Igreja Católica de Roma, pois Jesus nunca fundou denominação alguma com base em Roma (cuja fundação foi num concílio presidido por um imperador romano, 3 séculos depois de Cristo) e também o fundamento não foi Pedro, foi o próprio Cristo, segundo afirmação do próprio apóstolo em sua carta
(1PE 2:3,4,6) – “Se é que já provastes que o SENHOR é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa”, Por isso também na Escritura se contém: “Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido”.

Paulo disse a mesma coisa: 1Co 3:11 -” Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”. EF 2:20 – “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.

Bom, bastaria que a tríade estudasse os escritos patrísticos para se convencerem do contrário. Nunca houve hiato algum entre o catolicismo e Jesus Cristo. A Igreja Católica é a continuação natural daquela primeira comunidade de cristãos reunida no Cenáculo de Jerusalém. É um fato que pode ser verificado ou, simplesmente, ignorado (como fazem nossos queridos protestanes). A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica é uma das maiores sandices que existe nos meios protestantes. É uma afirmação gratuita e gostaria de ver quais as provas das quais a tríade possui para as sustentar.

Veja, meu caro leitor. Os protestantes têm um problema. Há algumas coisas na Bíblia que os mesmos não podem aceitar, pois, se o fizessem, estariam confessando o despropósito histórico do protestantismo. Coisas claríssimas como o primado de Pedro, a real presença de Jesus na Eucaristia e a necessidade da Igreja para a salvação. Que fazem então? De uma maneira bastante apriorística, vão ver como poder-se-ia sustentar seus pontos de vista ainda que passando por cima de toda evidência. A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica faz parte deste apriorismo todo. Às evidências, a Igreja Católica surgiu com a primeira comunidade cristã. Como os protestantes não podem aceitar este fato, recorrem à história para ver como a mesma sustentaria uma tese de que, à exemplo das igrejas protestantes, a Católica também teve um fundador humano séculos depois da Era Apostólica. Encontraram, na figura de Constantino, alguém que poderia ser este fundador, esquecendo-se que:

a) Constantino somente se fez batizar no leito de morte;

b) A Igreja teve sérios problemas com os pontos de vista de Constantino e os combateu;

c) Existe uma diferença enorme entre fazer cessar as perseguições aos católicos (que é o que Constantino fez) e fundar a Igreja católica (que é o que dizem que ele fez);

d) Que, ademais, os protestantes teriam que explicar alguns pontos. Como Constantino fundou a Igreja Católica? Por que o fez? Por que nenhum cristão da época se insurgiu contra este fato? O que aconteceu com a Igreja que existia antes de Constantino? E, principalmente, como explicar que todos os dogmas de fé da Igreja aparecem em escritos cristãos séculos antes de Constantino?

Comentarei, abaixo, a afirmação de que Jesus seria a única pedra da Igreja.

2. Mais importante que o hiato temporal, é o hiato Doutrinário, e nesse aspecto a Igreja Protestante ficou muito mais perto de Cristo ao voltar-se SOMENTE aos escritos apostólicos, recusando as dezenas de dogmas errados da igreja de Roma, mediante o lema “SOLA SCRIPTURA”.

O que os protestantes não dizem é que, enquanto que os escritos patrísticos provam que todos os pontos de fé dos católicos já eram cridos pelos primeiros cristãos, não há qualquer vestígio da “sola scriptura” antes do final da Idade Média. Ou seja, factualmente, existe um hiato entre a “sola scriptura” e o cristianismo.

8- Não sou protestante porque há passagens da Bíblia que eles não aceitaram como tais; a Eucaristia, por exemplo, Jesus disse claramente: Isto é o meu corpo (Mateus 26,26) e Isto é o meu sangue (Mateus 26,28).

R – Jesus também disse, claramente: “Eu sou a porta. Todo aquele que entrar por mim, salvar-se-á. Entrará e sairá, e achará pastagens” (Jo 10.9). Só um louco interpretaria literalmente essa palavra e admitiria que Jesus é uma porta e que os cristãos são ovelhas comedoras de capim. Ele disse: “Eu sou a videira verdadeira [fonte de vida espiritual], e meu Pai é o agricultor; vós sois os ramos” (Jo 15.1,2,5)

Nem por isso admitimos que Jesus é uma árvore, o Pai é um plantador de arroz, e os cristãos são ramos. Está claro que essas expressões são figurativas. Ao dizer “Isto é o meu corpo” estava dizendo, realmente “Isto representa o meu corpo”. Se levarmos em conta a interpretação literal, Jesus ao levantar o pão estaria levantando seu próprio corpo.

Nesta tentativa de refutação, torna-se muito claro o apriorismo protestante de que eu falei acima. Como os protestantes não podem aceitar a transubstanciação (que levaria à necessidade de sacerdotes, que, por sua vez, nos levaria à necessidade da hierarquia, que, por sua vez, levaria ao papado) buscam uma forma de sustentar o oposto com trechos bíblicos. A levar a sério o argumento acima, toda e qualquer afirmação de Jesus poderia ser uma simples metáfora, o que extermina com qualquer possibilidade séria de se entender o cristianismo.

Quando Jesus fala ser a porta ou a videira, ou quando afirma ser o pastor de ovelhas, as metáforas usadas são úteis. Ou seja, com tais metáfora, Jesus passa uma idéia com uma clareza tal que não conseguiria atingir de outra forma. Tanto é assim que não vemos ninguém, na Bíblia, entendendo estas afirmações literalmente. Não há ninguém acusando Jesus de estar louco e imaginando-se uma porta ou uma árvore.

Agora, quando Jesus diz “isto é o meu corpo, isto é o meu sangue” o mesmo não está usando de nenhuma metáfora. Por quê? Porque tal metáfora não seria útil, visto que a idéia seria mais clara se o Mestre dissesse: “isto representa o meu corpo.” Ou seja, Jesus teria feito questão de ser pouco claro e confuso, tanto que muitos judeus o entenderam literalmente (e os católicos o entendem até hoje). Jesus estaria possuído pelo espírito de Babel, usando de uma linguagem pouco clara e gerando confusão. Os protestantes preferem acreditar nisto do que reconhecer a evidência…

O fato, portanto, é que a comparação dos protestantes não procede. Jesus usa de metáforas quando as mesmas são úteis para instruir-nos em Sua doutrina; quando não são, não as usa. No caso da última ceia, a metáfora não seria útil (alías, seria até inconveniente) e, portanto, as palavras de Jesus devem ser entendidas na sua literalidade.

No entanto enganando-se e conseqüentemente enganando a muitos desprezam o que diz a Bíblia, que eles dizem crer e obedecer:

‘”47 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. 50 Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. 51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.” (Jo 6,47-51)

Jesus diz CLARAMENTE que seu corpo é o pão necessário à Salvação. E a Bíblia continua:

“52 A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?” (Jo 6,52)

Vejam que as palavras de Cristo foram tão CLARAS que causaram discussão entre os Fariseus. Cristo então, confirma LITERALMENTE suas palavras:

“53 Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,53-54).

No entanto para a tríade protestante, Jesus queria dizer que o pão “representa” o seu corpo. No entanto, é o Próprio Cristo (a quem eles dizem adorar e crer) que lhes diz no Evangelho de João (que eles dizem conhecer, crer e observar):

“55 Pois a minha carne é VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (Jo 6,55-56)

Ademais, naquela oportunidade, como todas as vezes por ocasião da ceia do Senhor, o pão continua com gosto e sabor de pão, bem como o vinho continua com o cheiro e sabor de vinho. Esses elementos não se transformam numa mágica no corpo de Jesus.

Como estamos vendo até aqui, as afirmações protestantes são na verdade um emaranhado de confusão e equívoco. Ora, uma coisa é ser acidentalmente e outra é ser essencialmente. Ora, a tríade protestante não crê que o Verbo se fez homem? Então por quê o Verbo não pode ser fazer pão? Antes da concepção por obra do Espírito Santo, Jesus era Espírito. Quando encarnou-se, Jesus mudou acidentalmente (não se parecia como era), mas não mudou essencialmente (continuava sendo Deus). Do mesmo modo na Eucaristia, o pão que é acidentalmente pão, mas é essencialmente o corpo do Senhor.

Se assim fosse, Jesus teria engolido a Si próprio. Jesus não entra em nós pela ingestão do Seu corpo, mas entra em nossa vida quando O aceitamos de todo o nosso coração como Senhor e Salvador (Rm 10.9).

A Bíblia não fala que Jesus comeu do pão (Ele o deu aos seus discípulos dizendo: tomai e comei; tomai e bebei), mas, se o comeu, ingeriu, sim, Seu próprio corpo. Assim como nós, ao participarmos da eucaristia, numa certa medida, ingerimos nosso próprio corpo, pois comungamos do corpo de Cristo do qual fazemos parte. A Deus, tudo é possível.

9- Não sou protestante porque os supostos intérpretes da Bíblia não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrado, sendo que em (João 6,51) Jesus afirma: O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida.

R – A leitura e interpretação da Bíblia não devem ser privilégio de um grupo governante como na seita testemunhas-de-jeová e no catolicismo. Todos podem ler e interpretar livremente a Palavra de Deus, que é dirigida a todos indistintamente. Sobre o assunto eucaristia já falamos anteriormente.

O pão não se transforma no corpo de Cristo. Ademais, Jesus instituiu a ceia em MEMÓRIA, para recordação do Seu sacrifício na cruz. Vejam: “Fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.24-25). O sacrifício de Jesus não pode e não deve ser RENOVADO TODOS OS DIAS. Vejam: “Pois Cristo padeceu uma única vez pelos pecados” (1 Pe 3.18). Ele não precisa morrer outras vezes.

Aqui, a tríade comete dois erros bastante grandes. Primeiramente, com o termo MEMÓRIA. Lembre-se, sempre, que Jesus estava celebrando o seder judaico e que, nas celebrações judaicas, fazer um memorial tem o sentido de tornar presente um fato já ocorrido. Quando, neste contexto, Jesus (após afirmar que o pão consagrado é o Seu corpo e que o vinho consagrado é o Seu sangue) diz “fazei isto em memória de mim”, os discípulos (todos judeus) não tinham dúvidas de que o Mestre estava invocando a longa tradição de memoriais judaicos. E que, a partir de então, cada vez que repetissem aquela ceia, os acontecimentos da morte e ressurreição de Cristo se fariam presentes.

O segundo erro cometido é acerca da doutrina católica sobre a missa. Jesus não morreu “outras vezes”. Ao contrário, ensina a Igreja que o sacrifício de Cristo é único, irrepetível e suficiente. Ocorre que, no Memorial, este sacrifício (ocorrido há quase dois mil anos) faz-se presente de forma incruenta. O fiel, com os próprios olhos, contempla a morte e ressurreição de Cristo, sacramental e verdadeiramente.

Então, o culto da ceia do Senhor não objetiva crucificá-LO outra vez, mas recordar a Sua morte expiatória.

Brilhante! De fato, a eucaristia não visa crucificá-lO novamente, mas fazer o MEMORIAL da Sua morte e ressurreição. Lembre-se que Memorial no sentido semita é REPETIR e não somente LEMBRAR. Como eu já disse, é sempre delicioso ver o quão desinformados sobre o catolicismo estão aqueles que o combatem.

“Comer a minha carne e beber o meu sangue” não pode ser interpretado literalmente, pois Deus não aprovaria um ato de antropofagia (comer carne humana com suas vísceras, cabelos e unhas). Nem sempre o significado de um texto é o significado literal, como mais acima foi explicado.

Como acima tentou-se enganar, mas que as próprias palavras do Cristo desmentiram-nos.

Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal, e, gostem disto os protestantes ou não, o cordeiro pascal deve ser comido por inteiro (com vísceras e tudo). Comungamos, sim, do corpo de Cristo, sem que sejamos antropófagos por isto. Aliás, interessante comparação protestante, visto que os primeiros cristãos também eram acusados de comer a carne de um homem chamado Cristo! Não alimentamos nosso corpo com carne humana (como fazem os canibais), mas, comungando, tornamo-nos (sacramental e verdadeiramente) um com Cristo, fortalecendo nosso espírito para os combates. Caro leitor, sabe por que o protestantismo nunca produziu um Francisco de Assis, uma Tereza de Lisieaux, um Vicente de Paula, uma Tereza de Calcutá, um Tomás de Aquino, etc.? Porque os protestantes, não comendo da carne de Cristo, e não bebendo de seu sangue, não se tornam um com Ele e não têm a vida dentro de si. Foram advertidos pela própria Bíblia disto, mas, lendo, não entendem e geram sua própria condenação. São eles os fariseus de hoje, que mesmo de posse das Sagradas Letras, não entendem e não reconhecem o Cristo.

Quando lemos que Ele é a pedra angular, o real fundamento da Igreja (1 Co 3.11; Ef 2.20) não podemos entender que Jesus seja realmente uma pedra. São figuras de linguagem. Vejamos os comentários de Norman Geisler em seu Manual Popular de Dúvidas: “Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada.

Primeiro, Jesus afirmou que a sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: “as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida” (Jo 6.63).

Uai! Que uma coisa tem a ver com a outra? De fato, Jesus falava de coisas espirituais (a eucaristia fortalece o espírito). Isto não quer dizer que, falando de coisas espirituais, Ele estivesse falando em sentido figurado. Podemos falar de coisas espirituais usando palavras em sentido literal e, ao mesmo tempo, falar de coisas materiais usando palavras em sentido figurado. A confusão de conceitos é patente.  Notem ainda caro leitor que os defensores da “sola scriptura” precisam recorrer a fontes extra-bíblicas para fundamentarem seus erros doutrinários. Que coerência há nisto?

Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico.

Já comentado acima.

Terceiro, Ele não estava falando da vida física, mas da “vida eterna” (Jo 6.54).

Já comentado acima.

Quarto, ele chamou a si de “o pão da vida” (Jo 6.48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6.58).

Novamente, a mesma confusão. O maná (pão físico) é figura da eucaristia (que usa o sinal do pão físico), mas esta é superior àquele (pois alimenta o espírito). Não há nada aí que mostre que o Senhor falava figuradamente, conforme já provamos.

Quinto, Ele usou a figura do “comer” a sua carne paralelamente à idéia de “permanecer” nele (cf.Jo 15.4-5), que representa outra figura de linguagem.

Afirmar é fácil, provar é difícil. Se não comermos da carne do Senhor, não permanecemos nEle pois não nos tornamos um com Ele. Aqui DESCARADAMENTE desprezam Jo 6,55.

Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso seria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At 15.20)”.

Talvez esta afirmação fosse menos infeliz se estivesse embasada em Gen 9,3-4;  Deut 16,15-16 ou ainda Lev 3,17. No entanto At 15,20 fala de carne sacrificada aos ídolos, o que não é o caso. A Eucaristia não é carne humana sacrificada aos ídolos, mas, verdadeiramente, o corpo do Salvador, sacrificado por nós. Portanto, o versículo bíblico usado não é útil para defender a tese da tríade.

Os versículos que sugeri proíbem a ingestão de sangue exatamente porque nele há vida. Ora, se bebemos o Sangue de Cristo, temos a Vida de Cristo em nós mesmos, que é exatamente o desejo do Senhor!

Ademais, a salvação não está em comer o corpo de Jesus, mas em crer e obedecer (Jo 3.18,36; 5.24; 6.35; 7.38; 11.25; Atos 10.43; 13.39;16.31; Rm 1.16;10.9).

Aqui, nossos queridos protestantes cometem um erro de petição. Estão tomando por provado o que querem provar: que a salvação vem de crer em Jesus. E, assim fazendo, passam por cima daquilo que disse o Senhor: que devemos comer sua carne e beber o seu sangue para termos a vida em nós.

Aliás, segundo os entendidos em grego Koiné (língua na qual grande parte do Novo Testamento foi escrita), Jesus usou o verbo troglo, que significa “mastigar, triturar com os dentes”. Mais literal do que isto é impossível.

10- Não sou protestante porque os mesmos não reconhecem o primado de Pedro, sendo que o próprio Jesus disse;Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja; (Mateus16,18).

R – “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt. 16.13-20). O catolicismo vale-se dessa passagem para afirmar que os papas são sucessores de Pedro. Nenhum dos modos de entender essa passagem dá suporte à posição católica.

Chamo atenção para o fato de que, também aqui, funcionará o velho apriorismo protestante. A afirmação de que “nenhum dos modos de entender esta passagem dá suporte à posição católica” chega a ser engraçada. Para não se enxergar, na passagem, o primado de Pedro é necessária uma verdadeira ginástica mental à qual os protestantes recorrem para não se darem por vencidos.

Outra coisa, a Igreja Católica não se vale deste versículo para demonstrar que os Papas são os legítimos sucessores de Pedro, porque isso é um fato histórico, e na história não dá para passar a borracha! A Santa Igreja Católica apenas mostra aí que a Bíblia dá testemunho do Primado de Pedro.

“Sobre esta pedra” poderá referir-se à firme declaração de Pedro, de que Jesus era “o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16).
Admitida a hipótese de a referência ser a pessoa de Pedro, este (Petros, pedra, em grego) seria apenas uma pedra no fundamento apostólico da Igreja (Mt 16.18), não a rocha. Pedro admitiu que Cristo é a principal pedra, a pedra principal, angular, preciosa, de esquina (1 Pe 2.7-8).

A tríade não tem problema algum com a incoerência. Recorrem a ela com muita tranqüilidade. A afirmação básica do protestantismo é que Pedro não poderia ser a pedra da Igreja porque tal função cabe apenas a Cristo. Pois bem. Como na passagem acima Jesus não pode estar falando de si mesmo, os protestantes afirmam que, nesta passagem, a pedra (que até agora há pouco seria o próprio Jesus) é a afirmação petrina!!! Fácil, não?! Isto é o que eu chamo de boa hermenêutica!

Cristo é a pedra da Igreja, mas, visivelmente dá esta função aos Papas. Cristo é a única Rocha; os Papas (que fazem parte do corpo de Cristo) fazem este papel de maneira visível.

E mais:

a. No primeiro concílio em Jerusalém, Pedro apenas introduziu o assunto (At 15.6-11). Tiago teve participação mais importante: assumiu a reunião, deu seu parecer e fez um pronunciamento final (At 15.13-21).

Santo Deus!!! Esta afirmação é absurda. Pedro presidiu aquele concílio, foi dele a palavra que pôs ordem à discussão que reinava. Ele falou e toda a Assembléia se calou. Quando Tiago tomou a palavra, o mesmo teve que pedir para ser ouvido (e, frise-se, o Concílio ocorreu na diocese de Tiago). No entanto, para a tríade, é de Tiago o papel preponderante. Coisas do livre exame…

De qualquer forma, é importante o fato de que eles reconheceram que houve um concílio em Jerusalém para resolver o problema da observância ou não da Lei Mosaica. E reconheceram que este concílio tinha autoridade. Pois bem: a Igreja Católica, desde o princípio, resolveu seus problemas através de concílios, apontando, com clareza, quais os pontos de fé a serem cridos. E as igrejas protestantes? Bem, elas preferem resolver seus problemas doutrinários de outra forma: quem concorda fica e quem discorda que funde outra igreja! Vê-se, pois, o quão distantes elas estão do cristianismo primitivo…

b. Paulo não diz que Pedro é a coluna da Igreja, mas que as “colunas” (no plural) são “Tiago, Cefas e João” (Gl 2.9);

Tiago e João também são chamados de coluna (juntamente com Pedro), mas nunca são chamados de Pedra. Eles também eram apóstolos, também tinham importância, mas não foram constituídos chefes de toda a Igreja e nem lhes foi dada a chave do Reino dos Céus. Durante séculos, ao lado do Bispo de Roma e imediatamente abaixo do mesmo, os bispos de Antioquia, Jerusalém e Alexandria (todas Igrejas petrinas) tinham enorme influência em toda a Igreja. Ainda hoje em dia, além do Papa, são muitos os que têm influência decisiva nos destinos da Igreja. Pode-se citar, por exemplo, o Cardeal Raztinger, verdadeira coluna da Igreja nos dias atuais, ao lado da rocha que é João Paulo II. Isto em nada arranha o Papado.

Notem aí caro leitor a incoerência protestante. Eles acabaram afirmando que Tiago e João eram colunas da Igreja como Pedro. Ora, como eles podem dizer isso se para eles é a Bíblia o ÚNICO FUNDAMENTO da fé? Vejam que sutilmente acabam professando as Verdades de fé Católicas, que dizem que “A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade” (cf. 1Tm 3,15). Notem aí que a autoridade sobre todos os cristãos é da Igreja, que era comandada pelos apóstolos nos princípio. Foi da Igreja que os primeiros cristãos receberam a fé, e foi através de Sua Autoridade é que sabiam o que era certo e errado e não da Bíblia, que ainda nem existia. Não pensem que estou diminuindo a Bíblia, longe disto, mas a Bíblia sem a Igreja é como o Código de Defesa do Consumidor se PROCON, como Código de Trânsito sem o DETRAN, como Código Penal sem os Magistrados e etc.

c. Paulo declarou que a Igreja é edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Jesus Cristo, a pedra angular” (Ef 2.20);

d. Pedro não instituiu o celibato, pois era casado (Mt 8.14);

A Bíblia dá a entender que Pedro já era viúvo quando foi instituído chefe da Igreja (afinal, foi a sua sogra que serviu Jesus após ser curada, e não a sua esposa como seria de se esperar). De qualquer forma, o celibato não é requisito essencial para qualquer ordenação. É um requisito apenas circunstancial que pode deixar de existir quando a Igreja o desejar.

e. Pedro não era e não se considerava infalível, pois foi advertido por Paulo porque ele não procedia “corretamente segundo a verdade do Evangelho” (Gl 2.14);

Os protestantes adoram citar Gl 2,14 para provar que Pedro não era infalível. Novamente, confundem infalibilidade com impecabilidade, pelo que este argumento é falso. Tanto Pedro era infalível que foi ele quem resolveu o maior problema doutrinário da primeira geração de cristãos. O partido dos judaizantes (tendo Tiago à frente) opunha-se frontalmente à soterologia de Paulo, pela qual a salvação repousava exclusivamente nos méritos de Cristo e não na observância da Lei Mosaica. O conflito entre os dois grupos foi bastante tenso e pode ser visto em At 15. No meio da discussão, levanta-se Pedro, afirma que a razão estava com Paulo “e toda a assembléia (Tiago também) ficou em silêncio”, passando a ouvir o que Paulo tinha a dizer. Pedro falou, Tiago retariu-se. Nunca mais os cristãos tiveram dúvidas sobre a questão.

Foi pouco tempo depois disto, que se passou a cena descrita em Gl 2. Paulo, de fato, tinha toda a autoridade para condenar a atitude de Pedro porque o mesmo não agia de acordo com a doutrina que ele, infalivelmente, já havia definido como dogma de fé. Em At 15, temos a infalibilidade de Pedro (como Papa que era); em Gl 2, assistimos a um seu pecado (como homem).

Aliás, bem entendido o contexto da carta aos Gálatas, vemos como a cena descrita por Paulo reforça a idéia de que Pedro foi, realmente, o primeiro Papa. A comunidade dos gálatas não aceitava, pacificamente, a autoridade de Paulo e, nesta esteira, também não aceitava a ortodoxia de sua doutrina. Paulo, então, para defender esta ortodoxia, cita um caso em que o próprio Pedro curvou-se à mesma. Como que dizendo: se Pedro (que é Pedro) reconheceu este evangelho que vos prego, como podeis vós duvidar do mesmo?

Sobre isto, leiam um outro artigo meu, deste site, intitulado “A Epístola aos Gálatas e o Primado de Pedro.”

f. A Bíblia diz que Cristo é o fundamento da igreja cristã, e que “ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo” (1Co 3.11);
A Igreja primitiva perseverou na “doutrina dos apóstolos”, e não na de Pedro (At 2.42). Finalmente, Pedro não aceitava adoração (o beija-mão, o ajoelhar-se aos pés) conforme Atos 10.25-26.

De fato, não existe uma doutrina de Pedro, nem uma doutrina dos apóstolos. A doutrina da Igreja é a doutrina de Cristo. É aquela recebida do Senhor e transmitida pelos apóstolos (com Pedro à frente). A frase, “doutrina dos apóstolos” (isto é, transmitida por eles) é uma referência claríssima à tradição oral que eles transmitiam às comunidades e que se preservou apenas dentro do catolicismo. Para que a “sola scriptura” fizesse sentido, o texto deveria dizer “perseveravam na doutrina bíblica”.

Autor:Alexandre Semedo 
Editor:Pardal

Fonte:http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/976-20-razoes-pelas-quais-nao-sou-protestante-refutacao-da-refutacao