Arquivo mensal: março 2011

POLÊMICA DO CARNAVAL – Rachel Sheherazade – Esperando a quarta-feira de Cinzas

Jornalista Rachel Sheherazade,Fala sobre carnaval e cria polêmica,o mundo está precisando mesmo de uma massa ¨CRITÍCA¨,que não tenha medo de dar a cara a tapa.
Segue abaixo o Video.

Rachel Sheherazade comenta repercussão do seu vídeo

 

 

“Finalmente é quarta-feira de cinzas”

Súplica Ao Santo Padre,o Papa Bento XVI Pelo Ano Mariano Em 2012-2013

Súplica ao Santo Padre,o Papa Bento XVI ,pela graça de um Ano Mariano em 2012-2013,recordando os 25 anos do último ano mariano proclamado pelo Servo de Deus o Papa João Paulo II e comemorando os 300 anos do¨Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem¨de São Luis Maria Montfort.

A Sua Santidade Papa Bento XVI

Beatissime Pater,
No desejo de contribuir com a santificação dos cristãos e com a Nova Evangelização, vimos suplicar a Vossa Santidade a graça da proclamação de um Ano Mariano em 2012-2013.

Sugerimos esta data por ela marcar os 25 anos do último Ano Mariano proclamado pelo Servo de Deus João Paulo II e por comemorar os 300 anos do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luis Maria Montfort, obra tão amada e recomendada pelo próprio Servo de Deus João Paulo II.

Somos testemunha dos frutos de graça e santidade que a proclamação do Ano Sacerdotal, feita por Vossa Santidade, fez brotar para a Igreja do mundo inteiro.Por esta razão, sugerimos humildemente que um Ano Mariano poderia ser uma grande oportunidade para reavivar a Devoção à Toda Santa Mãe de Deus no coração dos fieis e propagar a prática da “Consagração Total a Jesus por Maria”, como é ensinado pelo próprio São Luis, e como o Servo de Deus João Paulo II viveu e testemunhou.

Voltamo-nos a Vossa Santidade, com confiança, exercendo o que pensamos ser o nosso deve de manifestar aos nossos Sagrados Pastores os nossos anseios e necessidades espirituais (cf. cân. 212).

Aproveitamos a ocasião para manifestar a Vossa Santidade nossa mais completa fidelidade e devoção filial.

Convidamos a assistir o vídeo do reverendíssimo Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior (Arquidiocese de Cuiabá-MT), a respeito desta Petição:

Assine a Petição: AQUI

Carta ao Papa e Ano Mariano

Penso que seja extremamente oportuna a iniciativa do meu querido irmão, Padre Rodrigo Maria, de suplicar ao Papa Bento XV a graça de um novo Ano Mariano para 2012-2013.

Tenho ainda na lembrança as graças imensas que pude colher do Ano Sacerdotal que vivemos, por ocasião do aniversário de 150 anos da morte de São João Maria Vianney (Padroeiro dos Párocos), e que teve muitíssimos frutos de conversão na vida de tantos padres.

Um novo Ano Mariano comemorando, em 2012-13, recordando os 25 anos do último ano mariano proclamado pelo servo de Deus o Papa João Paulo II e comemorando os 300 anos do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de São Luis Maria Montfort, seria um verdadeiro tempo de graça para a Santa Igreja de Deus.

O Ano Mariano em 2012 seria uma grande oportunidade de reavivar a Devoção a nossa Mãe Santíssima no coração dos católicos e propagar a prática da Consagração Total a Ela, como é ensinado pelo próprio São Luis.

Seria uma forma muito prática de responder aos apelos que a Virgem Santíssima fez em Fátima (1917): “Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Coração Imaculado. (…) Se fizerdes o que vos digo, muitas almas se salvarão e terão paz.”

Pois como diz o próprio São Luis, “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio Dela que Ele deve reinar no mundo. (…) Por Ela Jesus Cristo vem a nós, e por Ela devemos ir a Ele.” (“Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, n. 1; 85)

Por estas razões, gostaria de me unir a esta iniciativa do Pe. Rodrigo Maria, e convidar você, caríssimo irmão e irmã, a enviar também a sua carta ao Santo Padre Bento XVI, através dos endereços que se encontram abaixo.

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

A Sua Santidade Bento XVI
Palazzo Apostolico
Città del Vaticano (Europe)

(Enviar cópia para:)

Ao Rev.mo Monsignore
Mons. Ettore Balestrero
Sotto-Segretario per i Rapporti con gli Stati
Segreteria di Stato
Città del Vaticano (Europe)

Mensagem do Pe. Rodrigo Maria

Que reine em nossos corações o puro amor de Deus!
Aos católicos, movimentos, associações e a todos que ainda conservam a fé e acreditam no amor.

Caríssimos irmãos diante da situação dramática na qual se encontro o nosso mundo; tendo diante de nossos olhos o aumento da iniquidade, o avanço do mal, a destruição dos valores, a perca da fé e o esfriamento da caridade, somos impelidos a perguntar: Até quando isso continuará? O que podemos fazer para que tudo isso mude? Para que o mal seja superado e o amor volte a prevalecer? O que fazer para que Jesus seja mais conhecido, amado e adorado por todos?

Na verdade Deus já nos deu a resposta! Em meio a esta batalha espiritual O Senhor mesmo estabeleceu sua estratégia para esmagar a cabeça do inimigo, neutralizar a ação do mal e estender seu reinado nos corações. Ele nos deu uma mãe! O próprio Jesus consagrou a Igreja aos cuidados de sua mãe Santíssima (“Eis aí a tua mãe”, Jo 25,19), colocando-nos sob sua autoridade, fazendo de nós seus filhos na ordem da Graça, estendendo sua maternidade espiritual sobre todos os corações para que ela nos ensinasse a amar a Deus em verdade levando-nos a fazer tudo quanto Jesus mandou.

Em Fátima (1917) a Santíssima Virgem nos recordou a vontade de Deus e sua estratégia para vencer o inimigo em meio a esta guerra espiritual; Ela nos disse: “Meu filho quer estabelecer ao mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. Eis o remédio para os nossos tempos! Uma verdadeira devoção a Santíssima Virgem. Uma devoção que nos coloque em seu colo, ou melhor, na escola de seu Imaculado Coração, onde devemos aprender o verdadeiro amor a Deus, tornando-nos cristãos autênticos, santos, a altura dos tempos difíceis em que vivemos. O mundo precisa de santos… e Deus determinou que estes fossem formados na escola do Imaculado Coração de sua Mãe Santíssima.

A Total Consagração é um meio privilegiado para se entrar no coração da Santíssima Virgem, pois por este meio, nós aceitamos livremente a maternidade espiritual de Nossa Senhora sobre nós, assumindo a condição de filhos como Jesus determinou. Se os cristãos conhecessem e vivessem a Total consagração a Santíssima Virgem, aprenderiam com a Mãe do Céu a amar a Deus e ao próximo como Jesus ensinou.

Jesus quer que se estabeleça no mundo a devoção ao coração de sua Mãe Santíssima. Como fazer?

Em 2012, o “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem” escrito por São Luís Grignion de Montfort completará 300 anos, dando – nos uma singular oportunidade para difundir a devoção ali tão sublimemente ensinada. A concretização deste desejo do coração de Jesus expresso por Nossa Senhora em Fátima, tomará grande impulso, se conseguíssemos junto Santo Padre a graça de um ano Mariano de 2012 a 2013. Pois a exemplo do que aconteceu no ano sacerdotal, toda Igreja se voltaria para meditar na pessoa e na missão da Santíssima Virgem, tal como apresenta o padre de Montfort que por sua vez, poderia ser apresentado como exemplo de devoção a Santíssima Virgem, e por isso mesmo, de amor a Jesus Cristo.

Irmãos, peçamos ao Santo Padre a Graça de um Ano Mariano em 2012 para que venha ao mundo o esperado Triunfo do Imaculado Coração de Maria e consequentemente o reinado de Jesus em cada coração. Falemos com todos para que enviem cartas ao Santo Padre, o Papa, bem como para os cardeais; com os nossos bispos, padres, comunidades, associações e movimentos, pedindo a estes que façam o mesmo, ou seja, que envie ao Santo Padre e aos Cardeais um pedido para que em 2012 – 2013 sejam decretado Ano Mariano.

Segue em anexo um modelo de carta que foi enviada ao Santo Padre pedindo a Graça do Ano Mariano em 2012-2013.

Nos corações de Jesus e Maria,
Pe. Rodrigo Maria
Fraternidade Arca de Maria

Modelo de Carta que foi enviada ao Santo Padre

Recife, 21 de Setembro de 2010.

A Sua Santidade Papa Bento XVI

Beatissime Pater,
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Desejosos de contribuir com o retorno da humanidade a Cristo e com a restauração da Fé entre os batizados, queremos suplicar a Vossa Santidade a graça da proclamação de um Ano Mariano em 2012-2013 , quando o “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem” de São Luis Maria Grignion de Montfort completará 300 anos, bem como fará exatos 25 anos do último Ano Mariano que a Santa Igreja viveu (1987-1988), convocado pelo saudoso Papa João Paulo II.

A exemplo do que ocorreu no Ano Sacerdotal (2009-2010), quando toda Igreja meditou sobre a natureza e importância do sacerdócio cristão – havendo sido proposta a figura de são João Maria Vianney como modelo para os sacerdotes – um Ano Mariano que propusesse a Total Consagração a Jesus por Maria seria ocasião para renovação espiritual de todo povo e incremento de uma nova evangelização .

A Total Consagração ou Santa Escravidão de amor, como é ensinada pelo padre de Montfort é de uma perene atualidade pastoral uma vez que é radicada na renovação das promessas batismais, tornando-se assim meio privilegiado para recuperação da consciência de nosso batismo, bem como de nossa vocação a bem-aventurança eterna.

A proclamação de um Ano Mariano para toda a Igreja tornar-se-ia também uma resposta positiva ao desejo de Nosso Senhor expresso por sua Mãe Santíssima aos pastorinhos de Fátima em 1917, a qual disse : “Meu Filho quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”. De fato, a total consagração a Santíssima Virgem traduz muito bem aquela santa dependência que Jesus quis que tivéssemos para com sua Mãe Santíssima a fim de que na escola de seu Imaculado Coração aprendessemos a fazer bem tudo quanto Ele mandou.

Por ser completamente cristocêntrica a devoção à Santíssima Virgem como é proposta por São Luis de Montfort, encontrou no Papa João Paulo II um grande acolhimento, aprovação e recomendação, ao ponto de tornar-se sua dileta via espiritual, mostrando mais uma vez sua atualidade.

Santidade, tudo que os nossos dias precisam é de verdadeiros seguidores de Cristo, de homens e mulheres santas que vivam o seu batismo, que amem a Santa Igreja e a humanidade e que não tenham medo de crer e viver a fé. E não temos duvidas que estes devem ser formados na bendita escola do Imaculado Coração de Maria, pois foi Cristo quem por primeiro nos consagrou e nos confiou aos cuidados desta Mãe Santíssima a fim de que ela nos ensinasse a amar a Deus de verdade.

Padre Santo, estamos em continua oração por Vossa Santidade e por Sua missão.
Em espírito de filial submissão, de joelhos, pedimos Sua Bênção paternal.

Nos corações de Jesus e Maria,
Pe. Rodrigo Maria
Fraternidade Arca de Maria

As cartas em súplica ao Santo Padre também podem
ser enviadas para os seguintes endereços:

-Secretario do Papa – Mons. Geog Ganswein
Palazzo Apostolico Vaticano
00120 Città Del Vaticano.

– Apostolic Palace
Via del Pellegrino
Ciita del Vaticano
Vatican City State, 00120 Europe
phone: 0011.3906.698810.22

email: av@pccs.va
fax:011.3906.6988.53.73

As cartas devem ser escritas em nome próprio e/ou no nome da
comunidade ou grupo ao qual você pertença, pode ser a mesma
que enviamos ou uma outra.

Vamos ajudar o Pe.Paulo Ricardo para conseguir as assinaturas para termos um Ano Mariano em 2012.
Divulguem e postem em seus blogs.Fiquem com Deus

Fonte:  http://anomariano.com/,   http://padrepauloricardo.org/blog/carta-ao-papa-e-ano-mariano/

O que é Falácia Genética

Estava tentando responder todos os comentários antes de voltar para as outras mídias (Youtube e Formspring), mas vi que isso seria difícil e resolvi voltar com mais um vídeo.

Neste trecho retirado de um dos podcasts do Reasonable Faith, William Craig Lane explica o que é a falácia genética.

Volta e meia ela aparece em discussões. Inicia nas tentativas de explicar a religião como um fenômeno puramente natural. Do tipo: “Os homens queriam entender a natureza; então criaram o conceito de Deus; logo, Deus não existe” e passa até: “Você é cristão por causa da cultura/medo de algo”.

Claro que tal tipo de argumentação é falaciosa, como explicado no vídeo. Não quer dizer que o Cristianismo seja falso.

Se o adversário argumentar que a sua crença na religião é injustificada por ter uma base cultural, então é leitura mental (como ele sabe que é a base cultural?) e falácia da pressuposição (e possivelmente desconhecimento da apologética cristã – pode ser aplicado junto com a técnica “Não Há Evidências”); sem falar que também pode contar uma petição de princípio, pois exclui Deus como um agente com influência ordenadora para colocar as pessoas que livremente o iriam aceitá-lo em situações que elas são capazes disso, para concluir que, então, Ele não existe.

Se quiser mais detalhes das discussões acima, vá para meus artigos “Ateus são fortes, Teístas São Fracos [Crença em Deus por necessidade]” e “Se você tivesse nascido em outro país, teria outra crença/Religião é só algo cultural”. Boas leituras!

Fonte:Quebrando Encanto do Neo-Ateísmo ,Canal SnowBall Youtube

Precisamos de jovens com coragem para enfrentar as sandices neo-ateísmo.

Recentemente tenho acompanhado os videos de um jovem, que tem me chamado a atenção.Não só pela coragem mas também pela inteligencia!
Digo isso por que,sinto falta de jovens que tem coragem de defender sua crença,sua religião e ficam de cabeça baixa quando um neo-ateu fazem perguntas que¨aparentam¨ser inteligentes,mas muitas vezes não passam de falácias,que devem ser desmascaradas.
Por isso é muito importante estudar e ler bons livros,estar sempre por dentro do que se passa na midia e ter dicernimento para saber o que é certo e o que é errado,o que é verdade e o que é mentira,para não fazer papel de palhaço na mão de neo-ateus mal intencionados.
Vou postar o video do Junior que gostei muito.

Fonte:http://wn.com/quando_uma_crian%C3%A7a_prova_a_um_ateu_que_deus_existe

CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI VERBUM SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA

 

 

PROÉMIO

 
Intenção do Concílio

1. O sagrado Concilio, ouvindo religiosamente a Palavra de Deus proclamando-a com confiança, faz suas as palavras de S. João: «anunciamo-vos a vida eterna, que estava junto do Pai e nos apareceu: anunciamo-vos o que vimos e ouvimos, para que também vós vivais em comunhão connosco, e a nossa comunhão seja com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo. 1, 2-3). Por isso, segundo os Concílios Tridentino e Vaticano I, entende propor a genuína doutrina sobre a Revelação divina e a sua transmissão, para que o mundo inteiro, ouvindo, acredite na mensagem da salvação, acreditando espere, e esperando ame (1).

CAPÍTULO I

A REVELAÇÃO EM SI MESMA

 

Natureza e objecto da revelação

2. Aprouve a Deus. na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef. 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef. 2,18; 2 Ped. 1,4). Em virtude desta revelação, Deus invisível (cfr. Col. 1,15; 1 Tim. 1,17), na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos (cfr. Ex. 33, 11; Jo. 15,1415) e convive com eles (cfr. Bar. 3,38), para os convidar e admitir à comunhão com Ele. Esta «economia» da revelação realiza-se por meio de acções e palavras ìntimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido. Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultâneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação (2).

Preparação da revelação evangélica

3. Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo (cfr. Jo. 1,3), oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo na criação (cfr. Rom. 1, 1-20) e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais. Depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação (cfr. Gén. 3,15), e cuidou contìnuamente do género humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação (cfr. Rom. 2, 6-7). No devido tempo chamou Abraão, para fazer dele pai dum grande povo (cfr. Gén. 12,2), povo que, depois dos patriarcas, ele instruiu, por meio de Moisés e dos profetas, para que o reconhecessem como único Deus vivo e verdadeiro, pai providente e juiz justo, e para que esperassem o Salvador prometido; assim preparou Deus através dos tempos o caminho ao Evangelho

 

. Consumação e plenitude da revelação em Cristo

4. Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Heb. 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr. Jo. 1, 1-18). Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado «como homem para os homens» (3), «fala, portanto, as palavras de Deus» (Jo. 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai lhe mandou realizar (cfr. Jo. 5,36; 17,4). Por isso, Ele, vê-lo a Ele é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna.

Portanto, a economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e não se há-de esperar nenhuma outra revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo (cfr. 1 Tim. 6,14; Tit. 2,13).

Aceitação da revelação pela fé

5. A Deus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom. 16,26; cfr. Rom. 1,5; 2 Cor. 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo «a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade» (4) e prestando voluntário assentimento à Sua revelação. Para prestar esta adesão da fé, são necessários a prévia e concomitante ajuda da graça divina e os interiores auxílios do Espírito Santo, o qual move e converte a Deus o coração, abre os olhos do entendimento, e dá «a todos a suavidade em aceitar e crer a verdade» (5). Para que a compreensão da revelação seja sempre mais profunda, o mesmo Espírito Santo aperfeiçoa sem cessar a fé mediante os seus dons

 

Necessidade da revelação

6. Pela revelação divina quis Deus manifestar e comunicar-se a Si mesmo e os decretos eternos da Sua vontade a respeito da salvação dos homens, «para os fazer participar dos bens divinos, que superam absolutamente a capacidade da inteligência humana»(6).

O sagrado Concílio professa que Deus, princípio e fim de todas as coisas, se pode conhecer com certeza pela luz natural da razão a partir das criaturas» (cfr. Rom. 1,20); mas ensina também que deve atribuir-se à Sua revelação «poderem todos os homens conhecer com facilidade, firme certeza e sem mistura de erro aquilo que nas coisas divinas não é inacessível à razão humana, mesmo na presente condição do género humano».

CAPÍTULO II

A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA
Os apóstolos e seus sucessores, transmissores do Evangelho

7. Deus dispôs amorosamente que permanecesse integro e fosse transmitido a todas as gerações tudo quanto tinha revelado para salvação de todos os povos. Por isso, Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma (cfr. 2 Cor. 1,20; 3,16-4,6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, o Evangelho prometido antes pelos profetas e por Ele cumprido e promulgado pessoalmente (1), comunicando-lhes assim os dons divinos. Isto foi realizado com fidelidade, tanto pelos Apóstolos que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo, como por aqueles Apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação (2).

Porém, para que o Evangelho fosse perenemente conservado integro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os Bispos como seus sucessores, «entregando lhes o seu próprio ofício de magistério». Portanto, esta sagrada Tradição e a Sagrada Escritura dos dois Testamentos são como um espelho no qual a Igreja peregrina na terra contempla a Deus, de quem tudo recebe, até ser conduzida a vê-lo face a face tal qual Ele é (cfr. 1 Jo. 3,2).

A sagrada Tradição

8. E assim, a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão contínua, até à consumação dos tempos. Por isso, os Apóstolos, transmitindo o que eles mesmos receberam, advertem os fiéis a que observem as tradições que tinham aprendido quer por palavras quer por escrito (cfr. 2 Tess. 2,15), e a que lutem pela fé recebida dama vez para sempre (cfr. Jud. 3)(4). Ora, o que foi transmitido pelos Apóstolos, abrange tudo quanto contribui para a vida santa do Povo de Deus e para o aumento da sua fé; e assim a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita.

Esta tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo (5). Com efeito, progride a percepção tanto das coisas como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo dos crentes, que as meditam no seu coração (cfr. Lc. 2, 19. 51), quer mercê da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade. Isto é, a Igreja, no decurso dos séculos, tende contìnuamente para a plenitude da verdade divina, até que nela se realizem as palavras de Deus.

Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante. Mediante a mesma Tradição, conhece a Igreja o cânon inteiro dos livros sagrados, e a própria Sagrada Escritura entende-se nela mais profundamente e torna-se incessantemente operante; e assim, Deus, que outrora falou, dialoga sem interrupção com a esposa do seu amado Filho; e o Espírito Santo – por quem ressoa a voz do Evangelho na Igreja e, pela Igreja, no mundo – introduz os crentes na verdade plena e faz com que a palavra de Cristo neles habite em toda a sua riqueza (cfr. Col. 3,16).

Relação entre a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura

9. A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão ìntimamente unidas e compenetradas entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para que eles, com a luz do Espírito de verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência (6).

Relação de uma e outra com a Igreja e com o Magistério eclesiástico

10. A sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus, confiado à Igreja; aderindo a este, todo o Povo santo persevera unido aos seus pastores na doutrina dos Apóstolos e na comunhão, na fracção do pão e na oração (cfr. Act. 2,42 gr.), de tal modo que, na conservação, actuação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância dos pastores e dos fiéis (7).

Porém, o encargo de interpretar autênticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição (8), foi confiado só ao magistério vivo da Igreja (9), cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo. Este magistério não está acima da palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve piamente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo quanto propõe à fé como divinamente revelado.

É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja, segundo o sapientíssimo desígnio de Deus, de tal maneira se unem e se associam que um sem os outros não se mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a acção do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas.

CAPÍTULO III

A INSPIRAÇÃO DIVINA DA SAGRADA ESCRITURA
E A SUA INTERPRETAÇÃO

Natureza da inspiração e verdade da Sagrada Escritura

11. As coisas reveladas por Deus, contidas e manifestadas na Sagrada Escritura, foram escritas por inspiração do Espírito Santo. Com efeito, a santa mãe Igreja, segundo a fé apostólica, considera como santos e canónicos os livros inteiros do Antigo e do Novo Testamento com todas as suas partes, porque, escritos por inspiração do Espírito Santo (cfr. Jo. 20,31; 2 Tim. 3,16; 2 Ped. 1, 19-21; 3, 15-16), têm Deus por autor, e como tais foram confiados à própria Igreja (1). Todavia, para escrever os livros sagrados, Deus escolheu e serviu-se de homens na posse das suas faculdades e capacidades (2), para que, agindo Ele neles e por eles (3), pusessem por escrito, como verdadeiros autores, tudo aquilo e só aquilo que Ele queria (4).

E assim, como tudo quanto afirmam os autores inspirados ou hagiógrafos deve ser tido como afirmado pelo Espírito Santo, por isso mesmo se deve acreditar que os livros da Escritura ensinam com certeza, fielmente e sem erro a verdade que Deus, para nossa salvação, quis que fosse consignada nas sagradas Letras (5). Por isso, «toda a Escritura é divinamente inspirada e útil para ensinar, para corrigir, para instruir na justiça: para que o homem de Deus seja perfeito, experimentado em todas as obras boas» ( Tim. 3, 7-17 gr.).

Interpretação da Sagrada Escritura

12. Como, porém, Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana (6), o intérprete da Sagrada Escritura, para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os «géneros literários». Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo se os géneros literários então usados (7). Com efeito, para entender rectamente o que autor sagrado quis afirmar, deve atender-se convenientemente, quer aos modos nativos de sentir, dizer ou narrar em uso nos tempos do hagiógrafo, quer àqueles que costumavam empregar-se frequentemente nas relações entre os homens de então (8).

Mas, como a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita (9), não menos atenção se deve dar, na investigação do recto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura, tendo em conta a Tradição viva de toda a Igreja e a analogia da fé. Cabe aos exegetas trabalhar, de harmonia com estas regras, por entender e expor mais profundamente o sentido da Escritura, para que, mercê deste estudo de algum modo preparatório, amadureça o juízo da Igreja. Com efeito, tudo quanto diz respeito à interpretação da Escritura, está sujeito ao juízo último da Igreja, que tem o divino mandato e o ministério de guardar e interpretar a palavra de Deus (10).

Condescendência de Deus

13. Portanto, na Sagrada Escritura, salvas sempre a verdade e a santidade de Deus, manifesta-se a admirável «condescendência» da eterna sabedoria, «para conhecermos a inefável benignidade de Deus e com quanta acomodação Ele falou, tomando providência e cuidado da nossa natureza» (11). As palavras de Deus com efeito, expressas por línguas humanas, tornaram-se ìntimamente semelhantes à linguagem humana, como outrora o Verbo do eterno Pai se assemelhou aos homens tomando a carne da fraqueza humana. 

CAPÍTULO

IV 

O ANTIGO TESTAMENTO

A história da salvação consignada nos livros do Antigo Testamento

14. Deus amantíssimo, desejando e preparando com solicitude a salvação de todo o género humano, escolheu por especial providência um povo a quem confiar as suas promessas. Tendo estabelecido aliança com Abraão (cfr. Gén. 15,18), e com o povo de Israel por meio de Moisés (cfr. Ex. 24,8), revelou-se ao Povo escolhido como único Deus verdadeiro e vivo, em palavras e obras, de tal modo que Israel pudesse conhecer por experiência os planos de Deus sobre os homens, os compreendesse cada vez mais profunda e claramente, ouvindo o mesmo Deus falar por boca dos profetas, e os difundisse mais amplamente entre os homens (cfr. Salm. 21, 28-29; 95, 1-3; Is. 2, 1-4; Jer. 3,17). A «economia» da salvação de antemão anunciada, narrada e explicada pelos autores sagrados, encontra-se nos livros do Antigo Testamento como verdadeira palavra de Deus. Por isso, estes livros divinamente inspirados conservam um valor perene: «Tudo quanto está escrito, para nossa instrução está escrito, para que, por meio da paciência e consolação que nos vem da Escritura, tenhamos esperança» (Rom. 15,4).

Importância do Antigo Testamento para os cristãos

15. A «economia» do Antigo Testamento destinava-se sobretudo a preparar, a anunciar profèticamente (cfr. Lc. 24,44; Jo. 5,39; 1 Ped. 1,10) e a simbolizar com várias figuras (cfr. 1 Cor. 10,11) o advento de Cristo, redentor universal, e o do reino messiânico. Mas os livros do Antigo Testamento, segundo a condição do género humano antes do tempo da salvação estabelecida por Cristo, manifestam a todos o conhecimento de Deus e do homem, e o modo com que Deus justo e misericordioso trata os homens. Tais livros, apesar de conterem também coisas imperfeitas e transitórias, revelam, contudo, a verdadeira pedagogia divina (1). Por isso, os fieis devem receber com devoção estes livros que exprimem o vivo sentido de Deus, nos quais se encontram sublimes doutrinas a respeito de Deus, uma sabedoria salutar a respeito da vida humana, bem como admiráveis tesouros de preces, nos quais, finalmente, está latente o mistério da nossa salvação.

Unidade de ambos ao Testamentos

16. Foi por isso que Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sàbiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo (2). Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue (cfr. Lc. 22,20; 1 Cor. 11,25), os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica (3) adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento (cfr. Mt. 5,17; Lc. 24,27; Rom. 16, 25-26; 2 Cor. 3, 1416), que por sua vez iluminam e explicam.

CAPÍTULO V

O NOVO TESTAMENTO

 

Excelência do Novo Testamento

17. A palavra de Deus, que é virtude de Deus para a salvação de todos os crentes (cfr. Rom. 1,16), apresenta-se e manifesta o seu poder dum modo eminente nos escritos do Novo Testamento. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos (cfr. Gál. 4,4), o Verbo fez-se carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade (cfr. Jo. 1,14). Cristo estabeleceu o reino de Deus na terra, manifestou com obras e palavras o Pai e a Si mesmo, e levou a cabo a Sua obra com a Sua morte, ressurreição, e gloriosa ascensão, e com o envio do Espírito Santo. Sendo levantado da terra, atrai todos a si (cfr. Jo. 12,32 gr.), Ele que é o único que tem palavras de vida eterna (cfr. Jo. 6,68). Este mistério, porém, não foi descoberto a outras gerações como foi agora revelado aos seus santos Apóstolos e aos profetas no Espírito Santo (cfr. Ef. 3, 46 gr.) para que pregassem o Evangelho, e despertassem a fé em Jesus Cristo e Senhor, e congregassem a Igreja. Os escritos do Novo Testamento são um testemunho perene e divino de todas estas coisas.

Origem apostólica dos Evangelhos

18. Ninguém ignora que entre todas as Escrituras, mesmo do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador.

A Igreja defendeu e defende sempre e em toda a parte a origem apostólica dos quatro Evangelhos. Com efeito, aquelas coisas que os Apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram, foram depois, por inspiração do Espírito Santo, transmitidas por escrito por eles mesmos e por varões apostólicos como fundamento da fé, ou seja, o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João (1).

Carácter histórico dos Evangelhos

19. A santa mãe Igreja defendeu e defende firme e constantemente que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus. durante a sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu (cfr. Act. 1. 1-2). Na verdade, após a ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que eles, instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade (2) gozavam (3), as coisas que Ele tinha dito e feito. Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro Evangelhos, escolhendo algumas coisas entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das igrejas, conservando, finalmente, o carácter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas autênticas e verdadeiras acerca de Jesus (4). Com efeito, quer relatassem aquilo de que se lembravam e recordavam, quer se baseassem no testemunho daqueles «que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra», fizeram-no sempre com intenção de que conheçamos a «verdade» das coisas a respeito das quais fomos instruídos (cfr. Lc. 1, 2-4).

Os restantes escritos do Novo Testamento

20. O cânon do Novo Testamento contém igualmente além dos quatro Evangelhos, as Epístolas de S. Paulo e outros escritos apostólicos redigidos por inspiração do Espírito Santo, com os quais, segundo o plano da sabedoria divina, é confirmado o que diz respeito a Cristo Senhor, é explicada mais e mais a sua genuína doutrina, é pregada a virtude salvadora da obra divina de Cristo, são narrados os começos da Igreja e a sua admirável difusão, e é anunciada a sua consumação gloriosa.

Com efeito, o Senhor Jesus assistiu os seus Apóstolos como tinha prometido (cfr. Mt. 28,20) e enviou-lhes o Espírito consolador que os devia introduzir na plenitude da verdade (cfr. Jo. 16,13).

CAPÍTULO VI

A SAGRADA ESCRITURA NA VIDA DA IGREJA

A Igreja venera as Sagradas Escrituras

21. A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspiradas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imutàvelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem aplicar por excelência à Sagrada Escritura as palavras: «A palavra de Deus é viva e eficaz» (Hebr. 4,12), «capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados», (Act. 20,32; cfr. 1 Tess. 2,13).

Traduções da Sagrada Escritura

22. É preciso que os fiéis tenham acesso patente à Sagrada Escritura. Por esta razão, a Igreja logo desde os seus começos fez sua aquela tradução grega antiquíssima do Antigo Testamento chamada dos Setenta; e sempre tem em grande apreço as outras traduções, quer orientais quer latinas, sobretudo a chamada Vulgata. Mas, visto que a palavra de Deus deve estar sempre acessível a todos, a Igreja procura com solicitude maternal que se façam traduções aptas e fiéis nas várias línguas, sobretudo a partir dos textos originais dos livros sagrados. Se porém, segundo a oportunidade e com a aprovação da autoridade da Igreja, essas traduções se fizerem em colaboração com os irmãos separados, poderão ser usadas por todos os cristãos.

Investigação Bíblica

23. A esposa do Verbo encarnado, isto é, a Igreja, ensinada pelo Espírito Santo, esforça-se por conseguir uma inteligência cada vez mais profunda da Sagrada Escritura, para poder alimentar contìnuamente os seus filhos com os divinos ensinamentos; por isso, vai fomentando também convenientemente o estudo dos santos Padres do Oriente e do Ocidente, bem como das sagradas liturgias. É preciso, porém, que os exegetas católicos e os demais estudiosos da sagrada teologia, trabalhem em íntima colaboração de esforços, para que, sob a vigilância do sagrado magistério, lançando mão de meios aptos, estudem e expliquem as divinas Letras de modo que o maior número possível de ministros da palavra de Deus possa oferecer com fruto ao Povo de Deus o alimento das Escrituras, que ilumine o espírito, robusteça as vontades, e inflame os corações dos homens no amor de Deus (1). O sagrado Concilio encoraja os filhos da Igreja que cultivam as ciências bíblicas para que continuem a realizar com todo o empenho, segundo o sentir da Igreja, a empresa felizmente começada, renovando constantemente as suas forças (2).

Importância da Sagrada Escritura para a Teologia

24. A sagrada Teologia apoia-se, como em seu fundamento perene, na palavra de Deus escrita e na sagrada Tradição, e nela se consolida firmemente e sem cessar se rejuvenesce, investigando, à luz da fé, toda a verdade contida no mistério de Cristo. As Sagradas Escrituras contêm a palavra de Deus, e, pelo facto de serem inspiradas, são verdadeiramente a palavra de Deus; e por isso, o estudo destes sagrados livros deve ser como que a alma da sagrada teologia (3). Também o ministério da palavra, isto é, a pregação pastoral, a catequese, e toda a espécie de instrução cristã, na qual a homilia litúrgica deve ter um lugar principal, com proveito se alimenta e santamente se revigora com a palavra da Escritura.

Leitura da Sagrada Escritura

25. É necessário, por isso, que todos os clérigos e sobretudo os sacerdotes de Cristo e outros que, como os diáconos e os catequistas, se consagram legìtimamente ao ministério da palavra, mantenham um contacto íntimo com as Escrituras, mediante a leitura assídua e o estudo aturado, a fim de que nenhum deles se torne «pregador vão e superficial da palavra de Deus. por não a ouvir de dentro» (4), tendo, como têm, a obrigação de comunicar aos fiéis que lhes estão confiados as grandíssimas riquezas da palavra divina, sobretudo na sagrada Liturgia. Do mesmo modo, o sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os religiosos, a que aprendam «a sublime ciência de Jesus Cristo» (Fil. 3,8) com a leitura frequente das divinas Escrituras, porque «a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (5). Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando tão louvàvelmente por toda a parte, com a aprovação e estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração para que seja possível o diálogo entre Deus e o homem; porque «a Ele falamos, quando rezamos, a Ele ouvimos, quando lemos os divinos oráculos» (6).

Compete aos sagrados pastores «depositários da doutrina apostólica» (7), ensinar oportunamente os fiéis que lhes foram confiados no uso recto dos livros divinos, de modo particular do Novo Testamento, e sobretudo dos Evangelhos. E isto por meio de traduções dos textos sagrados, que devem ser acompanhadas das explicações necessárias e verdadeiramente suficientes, para que os filhos da Igreja se familiarizem dum modo seguro e. útil com a Sagrada Escritura, e se penetrem do seu espírito.

Além disso, façam-se edições da Sagrada Escritura, munidas das convenientes anotações, para uso também dos não cristãos, e adaptadas às suas condições; e tanto os pastores de almas como os cristãos de qualquer estado procuram difundi-las com zelo e prudência.

Influência e importância da renovação escriturística

 26. Deste modo, pois, com a leitura e estudo dos livros sagrados, «a palavra de Deus se difunda e resplandeça (2 Tess. 3,1), e o tesouro da revelação confiado à Igreja encha cada vez mais os corações dos homens. Assim como a vida da Igreja cresce com a assídua frequência do mistério eucarístico, assim também é lícito esperar um novo impulso de vida espiritual, se fizermos crescer a veneração pela palavra de Deus, que «permanece para sempre» (Is. 40,8; cfr. l Pedr. 1, 23-25).

Roma, 18 de Novembro de 1965

PAPA PAULO VI


Notas

1. Cfr. S. Agostinho, De catechizandis rudibus, c. IV, 8: PL 40, 316.

2. Cfr. Mt. 11,27; Jo. 1,14 e 17; 14,6; 17, 1-3; 2 Cor. 3,16 e 4,6; Ef. 1, 3-14.

3. Epist. ad Diognetum, c. VII, 4: Funk, Patres Apostolici, I, p. 403.

4. Conc. Vat. I, Const. dogmatica De fide catholica, Dei Filius, cap. 3: Denz. 1789 (3008).

5. Conc. Araus. II, can. 7: Denz, 180 (377); Conc. Vat. I, 1. c.: Denz. 1791 (3010).

6. Conc. Vat. I, Const. dogmatica De fide catholica, Dei Filius, cap. 2 Denz. 1786 (3005).

7. Ibid.: Denz. 1785 e 1786 (3004 e 3005).

Capítulo II

1. Cfr. Mt. 28, 19-20 e Mc. 16,15; Concilio Tridentino deer. De canonicis Scripturis: Denz. 783 (1501).

2. Cfr. Concílio Tridentino, I. c.; Concílio Vat I, sess. III, Const. dogmatica De fide catholica, Dei Filius, cap. 2. Denz. 1787 (3006).

3. S. Ireneu, Adv. Haer. III, 3, 1: PG 7, 848: Harvey, 2, p. 9.

4. Cfr. II Concílio Niceno, Denz. 303 (602); IV Concilio Constantinopolitano, sess. X, can. 1: Denz. 336 (650-652).

5. Cfr. Concílio Vat. I, Const. dogm. De fide catholica, Dei Filius, cap. 4: Denz. 1800 (3020).

6. Cfr. Concílio Tridentino, Decr. De canonicis scripturis: Denz. 783 (1501).

7. Cfr. Pio XII, Const. apost. Munificentissimus Deus, 1 nov. 1950: AAS 42 (1950) 756; eft. as palavras de S. Cipriano, Epist. 66,8: CSEL, 3,2, 733:

«A Igreja e o povo unido ao sacerdote e o rebanho unido ao seu pastor». 8. Cfr. Concilio Vat. I, Const. dogmatica De fide catholica, Dei Filius, cap. 3: Denz. 1792 (3011).

9. Cfr. Pio XII, Enciclica Humani generis, 12 ago. 1950: AAS 42 (1950) 568-569: Denz. 2314 (3886).

Capítulo III

1. Cfr. Conc. Vat. I, Const. dogm. de fide cath., Dei Filius, cap. 2: Denz. 1787 (3006). Denz. da Comissão Biblica, 18 jun. 1915: Denz. 2180 (3629) ; EB 420. Santo Officio, Epist.; 22 dez. 1923: EB 499.

2. Cfr. Pio XII, Encíclica Divino afflante Spiritu, 30 set. 1944: AAS 35 (1943) 314; EB 556.

3. Em o por o homem: cfr. Hebr. 1,1 e 4,7 (Em); 2 Sam. 23,2; Mt. 1,22 e passim (por); Conc. Vat. I: schema de doctr. cath., nota 9: Coll. Lac. VII, 522.

4. Leão XIII, Encíclica Providentissimus Deus, 18 nov. 1893: Denz. 1952 (3293) EB 125.

5. Cfr. S. Agostinho, De Gen. ad Litt. 2, 9, 20: PL 34, 270-271; CSEL 28, 1, 46-47 e Epist. 82, 3: PL 33, 277: CSEL 34, 2, p. 354.—S. Tomás, De Ver. q. 12, a. 2 c. —Conc. de Trento, decr. De canonicis Scripturis: Denz. 783 (1501) —Ledo XIII, Enc. Providentissimus: EB 121, 124, 126-127—Pio XII, Enc. Divino afflante Spiritu: EB 539.

6. S. Agostinho, De civ. Dei, XVII, 6, 2: PL 41, 537: CSEL XL 2, 228.

7. S. Agostinho, De doct. christ., III, 18, 26: PL 34, 75-76; CSEL 80, 95.

8. Pio XII, 1. c.: Denz. 2294 (3829-3830); EB 557-562.

9. Cfr. Bento XV, Enc. Spiritus Paraclitus, 15 set. 1920: EB 469.- S. Jerónimo, In Gal., 5, 19-21: PL 26, 417 A.

10. Cfr. Conc. Vat. I, Const. dogm. De fide catholica, Dei Filius, cap. 2: Denz. 1788 (3007).

11. S. João Crisóstomo, In Gen. 3,8 (hom. 17,1): PG 53, 134. «Acomodação

 

», em grego synkatábasis.Capítulo IV

1. Pio XI, Enc. Mit brennender Sorge, 14 mar. 1937: AAS 29 (1937) 151.

2. S. Agostinho, Quaest. in Hept. 2, 73: PL 34, 623.

3. S. Ireneu, Adv.: Haer. III, 21, 3: PG 7, 950: ( = 25, 1: Harvey 2, p. 115). S. Cirilo de Jerusalém, Caech. 4, 35: PG 33, 497, Teodoro de Mopsuesta, In Soph. 1, 4-6: PG 66, 452 D-453 A.

Capítulo V

1. Cfr. S, Ireneu, Adv. Haer. III, 11, 8: PG. 7, 885; ed. Sagnard, p. 194.

2. Cfr. Jo. 14,26; 16,13,

3. Cfr. Jo. 2,22; 12,16; eft. 14,26; 16, 12-13; 7,39.

4. Cfr. Instrução Sancta Mater Ecclesia, da Pontifícia Comisão Bíblica: AAS 56 (1964) 715.

Capítulo VI

1. Cfr. Pio XII, Enc. Divino afflante, 30. set. 1943: EB 551, 553, 567. — Pontifícia Comissão Bíblica, Instructio de S. Scriptura in Clericorum seminariis et Religiosorum Collegiis recte docenda, 13 maio 1950: AAS 42 (1950) 495-505.

2. Cfr. Pio XII, 1. c.: EB 569.

3. Cfr. Leão XIII, Enc. Providentissimus Deus: EB 114; Bento XV, Enc., Spiritus Paraclitus, 15. set. 1920: EB 483.

4. S. Agostinho, Serm. 179, 1: PL 38, 966.

5. S. Jerónimo, Comm. in Is. Prol.: PL 24, 17. — Cfr. Bento XV, Enc. Spiritus Paraclitus: EB 475-480; Pio XII, Enc. Divino afflante: EB 544.

6. S. Ambrósio, De officiis ministrorum I, 20, 88: PL 16, 50.

7. S. Ireneu, Adv. Haer. IV, 32, 1: PG 7, 1071; ( = 49, 2), Harvey, 2, p. 255.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:Vaticano

PARRESÍA (17/03/2011) – Campanha da Fraternidade “Fraternidade e Vida no Planeta”

Na luta pelo meio-ambiente somos colocados diante de uma escolha: cultuar a Natureza como uma divindade e promover o neo-paganismo ou colocar-nos diante do Criador numa atitude de humilde obediência ao seu desígnio e ser verdadeiros cristãos.
É com esta atitude de servo que o homem é chamado a dominar sobre a criação (Gen 1, 28). Ao se fazer homem, Deus concedeu uma maior dignidade ao ser humano. Por isto, o Papa Bento XVI nos recorda que existe uma ecologia do homem.

“Deve-se proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem, entendida no sentido justo. […] O homem pretende fazer-se sozinho e dispor sempre e exclusivamente sozinho o que lhe diz respeito. Mas desta forma vive contra a verdade, vive contra o Espírito criador” (Bento XVI, Discurso à Cúria Romana, 22/12/2008).

“A arrogância do homem que vive como se Deus não existisse, leva a explorar e deturpar a natureza, não a reconhecendo como uma obra da Palavra criadora. […] Acolher a Palavra de Deus atestada na Sagrada Escritura e na Tradição viva da Igreja gera um novo modo de ver as coisas, promovendo uma ecologia autêntica, que tem a sua raiz mais profunda na obediência da fé, e desenvolvendo una renovada sensibilidade teológica sobre a bondade de todas as coisas, criadas em Cristo” (Bento XVI, Verbum Domini, 108).

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Comentários meus:Graças a Deus que temos padres como Padre Paulo Ricardo para nos abrir os olhos,estou transcrevendo o Parresía do site do Padre Paulo com o intuito de que muitas outras pessoas possam ter acesso a essas AULAS que estão em sintonia com a Santa Igreja Católica Apostolica Romana.
Vamos divulgar o site http://padrepauloricardo.org/
 .

Técnica: Paradoxo de Epicuro/Problema do Mal – Parte II

3. Problema Probabilístico do Mal: 

O problema probabilístico (ou evidencial) do mal, ao contrário do problema lógico que trata da impossibilidade, muda para a questão da probabilidade de Deus existir. É improvável que Deus exista, se o Mal existe; e se é improvável, então não podemos racionalmente acreditar nEle.

Mas note que há muitas coisas que mesmo improváveis que é  possível acreditar racionalmente. Por exemplo: é bastante improvável que eu consiga dois “Royal Flush” consecutivos Poker. Mas eu levanto as cartas e vejo que tenho um Royal Flush. Eu levanto novamente na próxima rodada e percebo que tenho outro. Então se eu experienciar que tive essas cartas, eu posso racionalmente acreditar que essas foram as minhas mãos, mesmo com a probabilidade intrinseca sendo baixa. Da mesma forma, se fosse o caso do Problema Probabilístico funcionar, se eu experienciar Deus ou tiver um outro argumento para a existência de Deus (como a existência do próprio Mal, referenciado no primeiro artigo!) eu ainda poderia acreditar nEle sem me preocupar com o Problema Probabilístico.

Fazer essa concessão é uma forma bastante ruim de começar um argumento e o restante dele, ao meu ver, não consegue nenhum sucesso maior.

Vamos ao argumento: ele sentencia que existem eventos ruins. Vamos apenas chamá-los (individualmente) de “E”.

E pode ser:

  • (a) O problema da pobreza na África;
  • (b) O problema da existência de doenças;
  • (c) Ou qualquer outra coisa que seja dita como mal;

E dada a mente de Deus (com suas razões e motivos – vamos chamar isso de nosso conhecimento de “background”), seria pouco provável ele existir se E. Vamos organizar o raciocínio: Probabilidade de Deus existir dado a existência de um evento E de acordo com nosso conhecimento de backgroundB” = Pr D (E & B).

Mas observe que a variável determinante nesse cálculo é “B” (Pr D (E & B)). Pr D é o que estamos discutindo; E é apenas a declaração da existência de algo; então tudo se resume a justificar que B é baixo para Pr D também ser.

Mas como alguém pode logicamente justificar B? Como, dentro das nossas limitações epistemológicas de capacidade, espaço e tempo, nós podemos julgar e justificar que se não encontramos um motivo imediato, logo Deus não deve ter nenhum?

Para melhor ilustrar meu ponto, pense em um geração de macacos um pouco mais evoluídos (mas não muito). Ele é capaz de formular algumas sentenças na sua mente, reconhecer objetos e tem um valor semântico mental. Os seres humanos foram exterminados e um desses macacos – vamos dizer não um ordinário, mas o mais inteligente e habilidoso dentre esses – está explorando cidades em ruínas. Ele eventualmente acaba visitando um departamento de matemática, onde acha um livro de cálculo infinitesimal. Não é preciso dizer para dizer – dentro de sua limitação de capacidade – que ele está muito longe de compreender cálculo infinitesimal: “Eu não consigo entender nada do que está escrito aqui. E eu sou o mais inteligente de toda a minha espécie. Logo (ou provavelmente), isso não tem sentido”. O nosso amigo primata estaria correto? Não. Somente pelo fato de que sua capacidade mental não é a mesma de um Isaac Newton para compreender apropriadamente o cálculo, não segue não há (ou provavelmente não há) sentido. Ele deveria reconhecer sua limitação antes  de fazer julgamentos de probabilidade.

Vamos pensar em mais um exemplo. Suponha que você encontre seu vizinho e o filho dele no elevador. O garoto está chorando e diz que o pai o puniu por ele ter andado lá fora. Você pergunta o porquê. “Bom, eu tive minhas razões para isso”.

Não surpreendemente, você não consegue achar nenhuma razão para tal. E daí segue que NÃO há nenhuma razão? Como você pode saber os motivos, as razões e o contexto onde esse ato aconteceu? A menos que você tenha acesso a um scan mental daquele homem, então você não está em posição para fazer um julgamento justificado de B nesse caso, sendo que o pai não é sequer superior a você, mas está na mesma escala de capacidade (em média).

E nós estamos muito mais próximos, analogicamente, do primata para homem na relação homem-Deus do que para situações de dois seres humanos iguais. Se há um ser todo sábio e onisciente, ele está muito, muito longe da nossa capacidade para sabermos o quanto é necessário para efeitos que seriam desejáveis, quaisquer que eles sejam.

Victor Stenger comete esse erro no seu “God, The Failed Hypothesis”, ao responder que a idéia de que o mal pode ajudar a provocar algum desenvolvimento humano, dizendo: “Isso poderia ser alcançado com muito menos sofrimento do que o existente no mundo atual.” Mas como fazer esse julgamento se nós não temos as informações de input (entrada) output (saída – o resultado da existência do mal) para testar e saber se a quantidade iria mudar, continuar a mesma ou não? Nós adoramos ser céticos, menos quando é para presumir um argumento contra Deus, não é verdade?

Então, como não temos controle epistemológico da variável determinante, então NÃO podemos fazer qualquer julgamento de probabilidade.

E, assim, a versão probabilística – que depende unicamente da justificação apropriada de “B” – também apresenta sérios defeitos, tal qual a versão lógica – ou talvez defeitos até piores. Mesmo ateus como William Rowe admitem a fraqueza do argumento, como mencionado em um artigo: “Eu já penso que esse argumento é, na melhor das hipóteses, um argumento fraco.”1

Em resumo:

  • (1) O problema probabilistico (ou evidencial) do mal pode ser enunciado como: Pr D (E & B) é baixo.
  • (2) Para saber se é baixo, precisamos de uma justificativa apropriada e forte de que B, a variável determinante, é baixa.
  • (3) Não estamos em posição de justificar B apropriadamente;
  • (4) Portanto, o problema probabilístico falha;
  • (5) Mesmo se funcionasse, ainda seria racionalmente possível acreditar em Deus como é possível acreditar em outros eventos pouco prováveis;
  • (6) Logo, não há razões para pensar que ele funciona e há razões (como o reconhecimento da existência objetiva do próprio Mal) que ele é derrotável;

4. Conclusão:

Você pode se sentir de forma ruim ou ter problemas emocionais com o Paradoxo de Epicuro. Mas isso nem de longe o torna mais lógico ou racional. O que devemos nos perguntar sempre que observarmos um evento é: “É possível que para “E” a existência de Deus seja real?”. Nós vimos nesses dois artigos que há motivos para justificar que sim e que não há bons motivos para justificar que não.

Caso (quase) encerrado.

Notas:

1. “The Evidential Argument from Evil: A Second Look,” p. 270.

Fonte:Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo

Técnica: Paradoxo de Epicuro/Problema do Mal

(Agradecimentos para: Paulo Junio de Oliveira)

Um dos problemas clássicos oferecido pelos defensores do ateísmo é o Paradoxo de Epicuro. Basicamente, ele sustenta que há algum tipo de contradição entre a existência de Deus e a existência do Mal. Estou certo que todos os que estão aqui já devem ter uma idéia do que ele significa. Nesse artigo, farei uma análise da relação Deus e o Mal.

Eu costumo fazer posts mais diretos, mas como esse é um desafio filosófico real, não uma imbecilidade do tipo “Monstro do Espaguete Voador” (que, incrivelmente, alguns ainda levam a sério), vou me alongar um pouco. Tentarei ser o mais simples que puder, mas não mais simples do que isso.

Se você quiser, pode pular diretamente (não recomendo, mas…) para as seções 2) e 3) onde eu lido com o Paradoxo. Se estiver ainda com mais pressa, leia a introdução que faço dentro de 2) e 3) e depois o resumo final dos erros e já terá uma base para entender.

Agora vamos ao texto:

1. Duas Observações Preliminares

Antes de começar a argumentação, duas observações são importantes para melhor entendimento da argumentação:

  • O que são Mundos possíveis?

O conceito de Mundos Possíveis está relacionado à lógica modal. Basicamente, temos que fazer a distinção entre o possível e o necessário.

Uma afirmação possível é uma que contenha um enunciado cujo valor de verdade não seja contraditório. Ou seja, algo possível é algo que não é necessariamente falso: pode ser ou não ser. Pense da idéia de “É possível que…” que entenderá facilmente. José Serra não ganhou as eleições. Era possível, mas ele não ganhou. A idéia de José Serra ganhar a eleição de 2010 não se atualizou na realidade, mas não é necessariamente falsa. Podemos descrever um mundo hipotético desse jeito sem criar nenhuma contradição. Uma Terra quadrada também é possível. Não é verdade, mas é possível. Todos os coelhos serem vermelhos também é uma possibilidade, embora não seja verdade no mundo real.

Já uma afirmação necessária é uma que contenha um enunciado que não pode ser nem possivelmente falso (se verdadeiro) nem possivelmente verdadeiro (se for falso). Ou é, ou não é. Por exemplo: um triângulo DEVE ter NECESSARIAMENTE 180º graus internos (esqueça as palavras e pense apenas nos conceitos abstratos). Isso é necessariamente verdadeiro. Um homem casado (não uma pessoa específica, mas o conceito abstrato desse termo, novamente) deve necessariamente não ser solteiro; se for solteiro, não é casado. Uma afirmação contraditória do tipo “Esse homem casado é solteiro” é necessariamente falsa e não faz parte de nenhum mundo possível.

Então, um mundo possível é uma descrição da realidade que contenha enunciados, como:

  • Mundo Possível MP1: S0 & S1 & S2 & S3 & S4
  • Mundo Possível MP2: S0 & S1 & S2 & S5 & S6
  • Mundo Possível MP3: S0 & S1 & S2 & S7 & S8

Vamos verificar quais são essas afirmações. A primeira delas é S0:

  • S0: A proposição 2 +2 =4 é verdadeira.

A proposição S0 é necessariamente verdadeira (pois nunca é possivelmente falsa). Ela faz parte de TODOS os mundos possíveis. Não existe nenhum mundo possível onde 2 + 2 = 4 não seja verdade (vou pedir mais uma vez: não pense nos algarismos e nos sinais gráficos, mas no conceito).

Prosseguindo:

  • S1: Existe um país chamado P1.
  • S2: O País chamado P1 teve eleições no ano A1.

São duas afirmações possíveis, pois não são necessariamente falsas; o país P1 poderia ou não existir. Da mesma forma, poderia ou não ter feito eleições no ano A1.

Vamos considerar que S1 e S2 são possíveis e reais. De fato existem. S1 e S2 se desdobram em:

  • S3: O sujeito X1 venceu as eleições.
  • S4: O primeiro ano do governo de X1 foi marcado pelo fim dos concursos públicos.

Não há nada contraditório nas proposições S3 e S4. Elas poderiam muito bem ser verdades reais. Então o conjunto MP1 formado por {S0 & S1 & S2 & S3 & S4…} é um mundo possível.

Adiante, elas ainda poderiam se desdobrar em:

  • S5: O sujeito X1 venceu as eleições.
  • S6: O primeiro ano do governo de X1 foi marcado pelo aumento dos concursos públicos.

Também não há nada contraditório nas proposições S5 e S6. Então o conjunto MP2 formado por {S0 & S1 & S2 & S5 & S6…} também é um mundo possível. Pode ser que ele seja falso; mas ainda assim é um mundo possível.

Ou ainda:

  • S7: O sujeito X1 (concorrente direto de X2) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato;
  • S8: O sujeito X2 (concorrente direto de X1) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato;

Agora sim temos um problema; as proposições S7 e S8 não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Ou S7 é falso ou S8 é falso; não há como conciliar as duas afirmações, que são excludentes. Se um mundo possível é um mundo onde não há nenhuma contradição lógica entre duas proposições (seja ela interna para uma mesma afirmação ou entre si correlacionadas como no exemplo), então o mundo MP3 formado pelo conjunto {S0 & S1 & S2 & S7 & S8…} NÃO é um mundo possível.

Se quisermos estabelecer uma contradição, então temos que mostrar que em NENHUM mundo possível comporta duas proposições. A conclusão é obrigatória e não tem nenhuma escapatória lógica. Se houver uma outra saída, então não há mais a contradição lógica e temos um mundo possível novamente.

Passamos ao próximo esclarecimento.

  • De quem é o ônus da prova no Problema do Mal?

O ônus da prova no Problema do Mal é do ateu que o propõe, não do teísta. O Paradoxo de Epicuro é utilizado com o objetivo de mostrar que Deus não pode existir ou que é irracional acreditar que Deus exista dado o Paradoxo. O que um teísta tem que fazer é apenas mostrar que o Problema do Mal não implica na conclusão “Deus não existe”, mostrando algumas saídas. Não é preciso provar que tais coisas realmente sejam assim como descritas na sua saída, a princípio.

Lembre, por exemplo, do post que fiz sobre Cristina Rad. Ela fazia a acusação, por exemplo, dizendo: “Como é possível que alguém seja feliz no Céu se seu filho está no Inferno?”. Meu trabalho era apenas mostrar um caminho: “Bem, talvez as pessoas no Céu entendam os parâmetros de Deus e aprendam a conviver com isso”. Não é preciso ser verdade para  a impossibilidade do Céu ficar refutada. A mera saída já tornaria a hipótese possível e não contraditória.

O mesmo vale para o Problema do Mal.

2. Problema Lógico do Mal

Agora vamos ao Problema do Mal. Eu gostaria de falar sobre o desafio de um ateu dar uma definição objetiva para a existência do Mal sem usar uma base transcendental, mas, por questões de espaço, vou pular essa parte.

O Problema Lógico do Mal consiste em dizer que há uma contradição lógica entre Deus e o Mal; ou seja, não há nenhum mundo possível entre que aceita ao mesmo tempo (1) “Deus existe” e (2) “O mal existe”. Um é a negação de outro; o mal é uma prova necessária da inexistência de Deus. É uma contradição  simples e direta, nos moldes do que vimos acima. E, para desfazer uma contradição, basta achar uma terceira saída que seja logicamente possível.

Então, o que o ateu está querendo dizer, basicamente, é que qualquer teísta entra em um problema quando aceita essas duas proposições ao mesmo tempo:

  • 1. Deus existe;
  • 2. O mal existe;

Mas, pense um pouco. Perceba que não há nenhuma contradição explícita ou formal entre esses dois enunciados. Ele não é como:

  • S7: O sujeito X1 (concorrente direto de X2) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato;
  • S8: O sujeito X2 (concorrente direto de X1) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato;

Em S7 e S8, você lê e imediatamente percebe que as duas frases não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. A primeira é negação da segunda e a segunda é negação da primeira. A contradição é explicíta. Mas não está claro como o “1. Deus existe” e “2. O mal existe” poderiam ser análogas a isso.

Se não temos uma contradição explícita, então quer dizer que a nossa contradição, se existente, deve estar implícita. A correlação provavelmente estaria nos atributos de Deus – o fato de ele ser todo poderoso, todo bom e odiar o mal.

Então o silogismo melhor ficaria se expressado dessa maneira:

  • (3) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
  • (3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar;
  • (3.2) Se ele pode criar qualquer mundo que desejar, então ele iria preferir um mundo sem nenhum mal;
  • (4) Mas o mal existe;
  • (5) Logo, Deus não existe;

Para que o conjunto acima implique dedutivamente em uma contradição lógica, todas as premissas devem ser necessariamente verdadeiras.

Mas elas são? Se não forem, o problema lógico cai por terra.

Analisamos a seguir:

  • Proposição I: Se Deus existe, então ele pode criar qualquer mundo que desejar:

A idéia crucial para entender se Deus pode criar qualquer mundo que ele quiser é a idéia de mundos possíveis, explicada na introdução. Mundos possíveis se referem a uma descrição em proposições de um estado de coisas que poderia ou não ter sido. Pense nas seguintes proposições:

Lula foi presidente do Brasil.

7 + 5 = 12

Uma criança pintou um quadrado desenhado de vermelho.

Elas não só idéias possíveis, mas como foram idéias reais. São idéias que realmente são verdadeiras, além de possuirem a propriedade de não serem necessariamente falsas (i.e, possíveis). Esse é, claramente, um tipo de mundo que Deus pode criar ou atualizar.

Mas Deus pode atualizar qualquer mundo? Pense nas proposições a seguir:

O número natural 1 (um) foi presidente do Brasil.

7 + 5 = 99

Uma criança pintou um quadrado desenhado de círculo.

Se pensarmos nos termos abstratos e não no simbolo social (porque é claro que “99” poderia ser o nosso “12”, se assim fosse nossa cultura) veremos que esses são mundos que Deus não pode atualizar ou não pode criar.

O número 1 (um) é um objeto abstrato; ele não tem corpo e não entra em relações causais. Já que para ocupar o cargo de presidente do Brasil é preciso poder causal, então o número natural 1 jamais poderia mandar no nosso país. A idéia é logicamente contraditória.

A conta 7 + 5 também não pode dar outro resultado que não seja 12.  É impossível que juntando cinco peças com outras sete de algo terminemos com noventa e nove.

E uma criança não pode “pintar” algo de “círculo”; círculo não é uma cor. Essa frase não possui, da mesma forma, sentido, sendo contraditória do ponto de vista lógico.

Disso concluimos que, portanto, nem todos os mundos são capazes de serem criados; e Deus não pode atualizar qualquer mundo que ele desejar. Esses não são mundos possíveis, pois contém proposições que são logicamente contraditórias e então necessariamente falsas (i.e., impossíveis). Uma vez que Deus não pode fazer o logicamente impossível, pois o logicamente impossível não é sequer é “algo” no grupo de “tudo que pode ser feito”  para contar dentro de todo poder (para uma visão desse assunto, ver meu artigo sobre o Paradoxo da Pedra).

Da mesma forma, não é logicamente possível causar ou fazer alguém livremente realizar uma ação. Pois ou ele realiza livremente ou ele foi causado para tanto; são duas idéias opostas.

Agora chegamos na defesa baseada no Livre Arbítrio (atenção: defesa – o que possivelmente poderia ser e não teodicéia – demonstração do que seria de fato).

Se é possível que existam seres com livre-arbítrio, significa que em cada situação possível A, B ou C eles iriam livremente responder de uma maneira.

Imaginemos uma situação A onde um homem chamado Charles recebe um presente. Considerando que é possível que Charles, na situação A, tenha livre-arbítrio, sabemos pela lei do excluído do meio que ou ele iria aceitar o presente (ação r que levaria ao mundo Mr) ou ele não iria aceitar o presente (ação t; levaria ao mundo Mt).

Então numa dada situação A, teríamos duas daquilo que vamos chamar de “contrafactuais da liberdade”. E uma delas, acontecendo A, teria que ser verdade. Ou (r) vai ter valor de verdade:

  • (r) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para aceitar um presente (levando a um mundo Mr);

Ou (t) vai ter valor de verdade:

  • (t) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para não aceitar um presente (levando a um mundo Mt);

Em primeiro lugar, Deus não pode atualizar um mundo onde (r) e (t) sejam verdadeiros ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Se A, então uma delas têm valor de verdade e a outra é falsa. Esse é mais um mundo que Deus não pode atualizar.

Se (t) tem valor de verdade e Charles, estando na situação A, iria livremente recusar o presente, então Deus não pode fazer com que Mr seja verdadeiro. E se (r) era verdadeiro e Charles, estando na situação A, iria livremente aceitar o presente, então Deus não pode criar Mt, onde Charles livremente rejeita o presente. Depende de como Charles livremente responde em A.

Como só um dos dois pode ser verdade, há pelo mais um mundo que Deus não pode criar.

Mude essa situação para um ação de valor moral – o presente é, na verdade, uma propina do governo. Deus não pode causar Charles para fazer o certo se ele está em uma ação livre. Está na mãos de Charles escolher livremente fazer a coisa certa ou não. 

E assim então temos vários exemplos de mundos que Deus não pode criar (e sem que ele deixe de ser onipotente).

Então a primeira proposição não é necessariamente verdadeira; ou podemos ir além e dizer que ela é falsa.

O problema lógico do mal já perdeu uma de suas premissas.

Vamos considerar a segunda agora:

  • Proposição II: Podendo criar qualquer mundo que quiser, Deus escolheria um mundo sem nenhum mal:

Observe que a proposição II depende do antecedente que não é nada mais do que a proposição I. Mas já definimos que a proposição I não é necessariamente verdadeira, a dois já começa com uma falha fatal.

Em II, o que se postula é algo como um mundo em que Deus só permite vários escolhas entre boas opções. As pessoas não podem escolher o mal.

Mas, nesse caso, não haveria liberdade. Pense um pouco: imagine uma ditadura que faça eleições periódicas. Mas você só pode escolher entre vários generais do mesmo partido. Isso seria liberdade de escolha?  Não. O mesmo se aplica a Deus não permitir o mal.

E é possível que Deus permita e prefira a liberdade. Então a primeira opção cai por terra.

Talvez o ateu desista dessa versão e mude para a seguinte idéia: “Certo, se Deus não permitisse o mal, não haveria liberdade. Mas é possível que Deus crie um mundo onde as pessoas livremente escolhem apenas ações boas”.

Ele está certo. A princípio, um mundo onde as pessoas escolham apenas ações boas não é logicamente contraditório. Mas, no sentido contrário, é logicamente necessário que isso seja verdade? Ou isso pode ser possivelmente falso? Deus pode escolher um mundo sem nenhum mal, com as pessoas tendo a liberdade?

Talvez não. Imagine que para cada indivíduo criado há um conjunto completo de contrafactuais de liberdade como (t) e (r) mencionados acima. Em dadas situações ele sempre tomaria uma ação de liberdade descrita nos contrafactuais: em A, ele escolheria ou (t) ou (r). Em B, ou (t1) ou (r1). Em C, ou (t2) ou (r2). E assim por diante englobando todas as situações possíveis.

Sendo que uma delas sempre vai possuir um valor de verdade sobre o que a pessoa faria livremente em cada situação. Se A, então (t). Se B, então (t1). Se C, então (r3) e etc.

Agora a idéia chave é a “Depravação através de todos os mundos”. Se cada indivíduo tem suas contrapartidas de liberdade, que possuem valor de verdade em dada situação A, B ou C, então é possível que elas existam de um jeito que, não importando o conjunto de situações que Deus coloque o indivíduo, se ele estiver com liberdade moral significante, ele sempre faria livremente pelo menos uma coisa errada. Então o mal seria possivelmente uma condição necessária da existência da liberdade moral.

E por que Deus não muda esses contrafactuais de liberdade ruins? Porque se ele mudasse não seria contrafactuais de liberdade. Voltaríamos então para o primeiro caso dos generais da Ditadura Militar.

Sim, é possível que “Charles” nunca faça a coisa errada. Mas Deus não pode fazer isso sem a ajuda de Charles. No fim das contas, depende apenas de Charles não cometer coisas ruins. Deus não pode obrigá-lo a livremente fazer a coisa certa.

Novamente, isso não significa que ele não é onipotente de forma alguma. Como vimos, Deus ser onipotente não significa que ele possa fazer alguém livremente escolher algo. Se ele causa as pessoas para fazer algo, então não estamos falando mais de “livremente”. E a questão toda depende da liberdade. E é possível que a humanidade seja como “Charles”: sempre escolheria livremente pelo menos algo errado.

Então suponha que você esteja dentro da situação acima. Nesse estado de coisas, não só é possível  que o mal seja uma condição necessária de agentes livres pelos valores de verdade dos contrafactuais de liberdade, mas que também ele acabe servindo a algum propósito maior. Então, servindo a um outro propósito de acesso a um bem maior, também não podemos afirmar que necessariamente Deus escolheria um mundo sem nenhum mal.

Alguém pode perguntar agora: “Ok. Esse é o mal moral. Mas e quanto ao mal natural?” É ao menos logicamente possível que o mal natural seja aparentemente restrito ao natural, tendo sua origem também em um mal moral derivado de agentes livres (como pecados, ação de pessoas não humanas, etc). Não há nada de contraditório nessa idéia, então ela é possível. E sendo possível, a argumentação acima se aplica igualmente. (Acho que são possíveis outras argumentações para o mal natural, mas, por questões de economia, essa mais simples será adotada agora).

Então nem a proposição I nem a proposição II são necessariamente verdadeiras e não ajudam mais do que as outras versões do problema lógico ajudavam.

Então o último silogismo também não sobrevive a defesa do Livre Arbítrio. É logicamente possível que as proposições estejam erradas:

  • (3) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
  • (3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar;–> FALSO. Há pelo menos alguns mundos que Deus não pode criar, mesmo que não deixe de ser onipotente.
  • (3.2) Se ele pode criar qualquer mundo que desejar, então ele iria preferir um mundo sem nenhum mal; –> FALSO. Depende do antecedente, que demonstramos não ser verdadeiro; também depende da impossibilidade do mal servir a um bem maior, que é uma opção logicamente possível;
  • (4) Mas o mal existe;
  • (5) Logo, Deus não existe; –> Falso. Não segue necessariamente. Portanto, a existência de Deus é compatível no nível lógico com a existência do Mal.

Então HÁ uma terceira saída possível para o silogismo. Podemos facilmente revertê-lo em:

  • (6) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
  • (7) Mas o mal existe;
  • (7.1) Deus é todo poderoso, mas isso não significa que ele pode criar mundos impossíveis;
  • (7.2) Se Deus não pode criar qualquer tipo de mundo, então é possível que ele prefira, dentro os mundos possíveis, um mundo que possua o mal;
  • (8) Então logicamente possível que Deus tenha razões morais
    suficientes para permitir o mal;
  • (9) Logo, a existência de Deus é ao menos logicamente compatível com a existência do Mal;

É muito fácil desfazer do problema lógico do mal. O mero fato de ser possível uma terceira saída não torna a conclusão obrigatória.  E então não segue lógica e necessariamente a incompatibilidade entre Deus e o mal e o ateu não consegue fazer um caso contra o teísmo.

Na verdade, podemos até mesmo rever a existência do mal, transformando em um ARGUMENTO para a existência de Deus!

  • (1) Se Deus não existir, então o mal (entendido como algo objetivo, não como apenas um desagrado mental) não existe;
  • (2) Mas todos nós sabemos que o Mal de fato existe;
  • (3) Logo, Deus existe;

Essa é só uma versão do argumento moral. Não vou discuti-la em mais detalhes, mas vocês pegaram o ponto.

Recapitulando, então a derrota do problema lógico do mal é definida pelo fato de que:

  • (a) Não há contradição explícita entre Deus e a existência do Mal;
  • (b) A contradição implícita pode ser desfeita exemplificando uma terceira saída possível, ou seja, a contradição baseada em premissas implicitas não é lógica e necessariamente verdadeira;
  • (c) A adição de mais premissas deve ser obrigatoriamente de premissas necessariamente verdadeiras;
  • (d) As premissas adicionais não são necessariamente verdadeiras;
  • (e) Se não são logica e necessariamente verdadeiras, então o problema lógico do mal, por tabela, é falho;
  • (f) Na verdade, o reconhecimento da existência objetiva do Mal é evidência a favor da idéia que Deus existe, não contra;

Se a argumentação acima for aceita como possível, não há nenhuma contradição. E, de fato, muitos ateus já aceitaram que não há contradição lógica entre Deus e o Mal. É ao menos possível a coexistência dos dois. Então o argumento foi modificado: dada a quantidade de mal no mundo, é improvável que Deus exista ou irracional acreditar que ele exista. Isso nos leva ao problema Probabilístico ou Evidencialista do Mal e não mais ao lógico, que está abandonado.

[Acabou ficando maior do que eu esperava. Continua com a Versão Probabilística amanhã. Até mais!]

Fonte:Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo

Tributo a Madre Teresa

Tributo a Madre Teresa
1910-1997       

“Acredito que o mundo hoje está de ponta

cabeça e sofre muito porque existe tão pouco
amor no lar e na vida familiar. Não temos
tempo para nossas crianças, não temos
tempo para nos darmos uns aos outros, não
temos tempo para apreciarmos uns aos outros.”O amor começa em casa; o amor habita nos lares e é por isso que existe tanto sofrimento e tanta infelicidade no mundo… Todos, hoje em dia, parecem estar com tanta pressa, ansiosos por grandes desenvolvimentos e grandes riquezas e assim por diante, de modo que as crianças não têm tempo para os pais. Os pais têm pouco tempo para darem-se uns aos outros, e no próprio lar começa a destruição da paz do mundo.”

Sobre a Pobreza
“Eu vejo Deus em cada ser humano. Quando limpo as feridas do leproso, sinto que estou cuidando do próprio Senhor. Não é uma experiência maravilhosa?” — 1974 Entrevista.

Quando vejo o desperdício, sinto raiva dentro de mim. Eu não aprovo eu mesma sentir raiva. Mas é algo que não se pode evitar de se sentir após vermos a Etiópia.” — Washington 1984.

A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado.”
“A maior doença hoje não é a lepra ou a tuberculose, é, antes, o sentimento de não ser desejado.”
“No mundo existe mais fome de amor e de apreciação do que de pão.”
“Às vezes pensamos que a pobreza é apenas fome, nudez e desabrigo. A pobreza de não ser desejado, não ser amado e não ser cuidado é a maior pobreza. É preciso começar em nossos lares o remédio para esse tipo de pobreza.”


Sobre a Guerra
“Nunca estive numa guerra antes, mas já vi fome e morte. Pergunto a mim mesma, ‘O que ele sentem quando fazem isso?’ Eu não compreendo. Eles são filhos de Deus. Por que fazem isso? Não compreendo.”
— Beirut 1982, durante a guerra entre o exército Israelense e as guerrilhas Palestinas.

“Por favor, escolham o caminho da paz… Num curto período pode haver vencedores e perdedores nessa guerra que abominamos. Mas jamais poderá nem nunca será justificada a dor e perda de vidas que suas armas causarão.”
— Carta ao Presidente Americano George Bush e ao Presidente Iraquiano Saddam Hussein, Janeiro 1991.

Sobre o Aborto
O aborto “é o assassinato no ventre… Uma criança é um presente de Deus. Se não a quiser, dê-a para mim.”

“A maior destruição da paz é o aborto, pois se uma mãe pode matar sua própria criança, o que impede de eu matar a você e de você me matar? Não há nada que impeça.”

É uma pobreza decidir que uma criança deve morrer para que você possa viver como deseja.”

Sobre o Trabalho da sua Vida
“Nós mesmos sentimos que o que fazemos é uma gota no oceano. Mas o oceano seria menor se essa gota faltasse.”
“O milagre não é realizarmos esse trabalho, mas que sejamos felizes fazendo-o.”


“Outro dia sonhei que estava nos portões do Paraíso. E São Pedro disse, ‘Volte para a Terra. Não existem favelas aqui´.”
— Citação de sua conversa com o Príncipe Michael da Grécia em 1996.

Sobre o Amor
“Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las.”
• “Tento dar aos pobres de amor o que os ricos conseguem com o dinheiro. Não, eu não trocaria um leproso por mil pounds; contudo, de boa vontade o curarei pelo amor de Deus.”
• “Encontrei um paradoxo, que se você amar até doer, não poderá haver mais dor, somente amor.”
• “Não sei ao certo como é o Paraíso, mas sei que quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, Ele NÃO perguntará, Quantas coisas boas você fez em sua vida?, antes ele perguntará, Quanto AMOR você colocou naquilo que fez?”

• “Não ser desejado, não ser amado, não ser cuidado, ser esquecido por todos, isso acredito ser fome muito maior, uma pobreza muito maior do que a de uma pessoa que não tenha nada para comer.”
• “Não pense que o amor, para ser genuíno, tenha que ser extraordinário. O que é preciso é amarmos sem nos cansarmos de fazê-lo.”

• Cada vez que você sorri para alguém, é uma ação de amor, um presente a essa pessoa, uma coisa linda.
• O trabalho de Deus são laços que formam uma corrente de amor.

Sobre Servir a Deus


• “Tenha fé nas pequenas coisas, pois é nelas que a sua força reside.”
• “Cada um deles é Jesus disfarçado.”
• “Sou uma pequena caneta na mão de Deus que envia cartas de amor ao mundo.”


• “Não rezo pelo sucesso, peço pela fé.”
• “Sei que Deus não me dará nada que eu não possa lidar. Apenas gostaria que Ele não confiasse tanto em mim.”

“Muitas pessoas confundem nosso trabalho com vocação. Nossa vocação é o amor de Jesus.”
“Deus adorado, faça-me dar valor à
dignidade de minha mais alta vocação
e às suas responsabilidades. Jamais permita que eu a desgrace doando frieza, indelicadeza ou impaciência.”
“Deveria haver menos conversa; um encontro para pregação não é um lugar de encontro. Então o que você deseja fazer? Pegue uma vassoura e limpe a casa de alguém. Isso será suficiente.”

“Nesta vida, não podemos realizar grandes coisas. Podemos apenas fazer pequenas coisas com um
grande amor.”

“Palavras que não trazem a luz do Cristo aumentam as trevas.”
“Não nos sintamos satisfeitos apenas dando dinheiro. O dinheiro não é suficiente, o dinheiro pode ser obtido, mas eles precisam de seu coração para amá-los. Portanto, espalhe o seu amor por onde quer que vá.”
“Precisamos encontrar Deus, e não podemos fazê-lo com barulho e desassossego. Deus é amigo do silêncio. Veja como a natureza – árvores, flores, grama – crescem no silêncio; veja as estrelas, a lua e o sol, como se movem em silêncio… Precisamos de silêncio para sermos capazes de tocar almas.”

No final de nossas vidas
não seremos julgados
pelos muitos diplomas
que recebemos, por
quanto dinheiro fizemos ou por quantas grandes coisas realizamos. Seremos julgados pelo ‘Eu tive fome e você me deu de comer. Estava nu, e você me vestiu. Eu não tinha casa e você me abrigou’.” ’”

“Jesus é meu Deus. Jesus é meu marido. Jesus é minha Vida. Jesus é meu único Amor. Jesus é o meu Tudo!”


Se você ainda não recebeu Jesus em seu coração, pode fazê-lo agora repetindo esta pequena prece:

“Querido Jesus, Eu acredito que és o Filho de Deus, meu Salvador. Preciso que o Seu amor limpe meus erros e mal feitos. Preciso que a Sua luz afaste todas as trevas. Preciso que a Sua paz preencha e satisfaça meu coração. Eu agora abro a porta do meu coração e peço que, por favor, adentre minha vida e me dê o Seu presente de vida eterna. Amém!”


“Se desejamos que uma mensagem de amor seja ouvida, ela tem que ser enviada. Para mantermos uma lâmpada acesa, temos de colocar o óleo nela.”
Fique perto de Jesus
Ele te ama
Vamos orar
Deus te abençoe
M. Teresa.

Madre Tereza de Calcutá e sua opção pelos Pequenos


Madre Tereza de Calcutá e sua opção pelos Pequenos

A sua vida é um testemunho da dignidade e do privilégio do serviço humilde.

Ela escolheu ser não apenas a mais pequena, mas a serva dos mais pequeninos.

Papa João Paulo II,
sobre Madre Tereza de Calcutá

HOMILIA DO PAPA JOÃO PAULO II
DURANTE O SOLENE RITO DE BEATIFICAÇÃO
DE MADRE TERESA NO DIA MISSIONÁRIO MUNDIAL
Domingo, 19 de Outubro de 2003

1. “Quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se servo de todos” (Mc 10, 44). Estas palavras de Jesus aos discípulos, que ressoaram há pouco nesta Praça, indicam qual é o caminho que leva à “grandeza” evangélica. É o caminho que o próprio Cristo percorreu até à Cruz; um itinerário de amor e de serviço, que inverte qualquer lógica humana. Ser o servo de todos!
Madre Teresa de Calcutá, Fundadora dos Missionários e das Missionárias da Caridade, que hoje tenho a alegria de inscrever no Álbum dos Beatos, deixou-se guiar por esta lógica. Estou pessoalmente grato a esta mulher corajosa, que senti sempre ao meu lado. Ícone do Bom Samaritano, ela ia a toda a parte para servir Cristo nos mais pobres entre os pobres. Nem conflitos nem guerras conseguiam ser um impedimento para ela.
De vez em quando vinha falar-me das suas experiências ao serviço dos valores evangélicos. Recordo, por exemplo, as suas intervenções a favor da vida e contra o aborto, também quando lhe foi conferido o prémio Nobel pela paz (Oslo, 10 de Dezembro de 1979). Costumava dizer: “Se ouvirdes que alguma mulher não deseja ter o seu menino e pretende abortar, procurai convencê-la a trazer-mo. Eu amá-lo-ei, vendo nele o sinal do amor de Deus”.

2. Não é significativo que a sua beatificação se realize precisamente no dia em que a Igreja celebra o Dia Missionário Mundial? Com o testemunho da sua vida, Madre Teresa recorda a todos que a missão evangelizadora da Igreja passa através da caridade, alimentada na oração e na escuta da palavra de Deus. É emblemática deste estilo missionário a imagem que mostra a nova Beata que, com uma mão, segura uma criança e, com a outra, desfia o Rosário.
Contemplação e acção, evangelização e promoção humana: Madre Teresa proclama o Evangelho com a sua vida inteiramente doada aos pobres mas, ao mesmo tempo, envolvida pela oração.
3. “Quem quiser ser grande entre vós faça-se Vosso servo” (Mc 10, 43). É com particular emoção que hoje recordamos Madre Teresa, grande serva dos pobres, da Igreja e do Mundo inteiro. A sua vida é um testemunho da dignidade e do privilégio do serviço humilde. Ela escolheu ser não apenas a mais pequena, mas a serva dos mais pequeninos. Como mãe autêntica dos pobres, inclinou-se diante dos que sofriam várias formas de pobreza. A sua grandeza reside na sua capacidade de doar sem calcular o custo, de se doar “até doer”. A sua vida foi uma vivência radical e uma proclamação audaciosa do Evangelho.
O brado de Jesus na cruz, “Tenho sede” (Jo 19, 28), que exprime a profundidade do desejo que o homem tem de Deus, penetrou no coração de Madre Teresa e encontrou terreno fértil no seu coração. Satisfazer a sede que Jesus tem de amor e de almas, em união com Maria, Sua Mãe, tinha-se tornado a única finalidade da existência de Madre Teresa, e a força interior que a fazia superar-se a si mesma e “ir depressa” de uma parte a outra do mundo, a fim de se comprometer pela salvação e santificação dos mais pobres.

4. “Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40). Este trecho do Evangelho, tão fundamental para compreender o serviço de Madre Teresa aos pobres, estava na base da sua convicção, cheia de fé, que ao tocar os corpos enfraquecidos dos pobres tocava o corpo de Cristo. O seu serviço destinava-se ao próprio Jesus, escondido sob as vestes angustiantes dos mais pobres. Madre Teresa realça o significado mais profundo do serviço: um gesto de amor feito aos famintos, aos sequiosos, aos estrangeiros, a quem está nu, doente, preso (cf. Mt 25, 34-36), é feito ao próprio Jesus.
Ao reconhecê-l’O servia-O com grande devoção, exprimindo a delicadeza do seu amor esponsal. Assim, no dom total de si a Deus e ao próximo, Madre Teresa encontrou a sua satisfação mais nobre e viveu as qualidades mais elevadas da sua feminilidade. Desejava ser um “sinal do amor de Deus, da presença de Deus, da compaixão de Deus” e, desta forma, recordar a todos o valor e a dignidade de cada filho de Deus “criado para amar e para ser amado”. Era assim que Madre Teresa “levava as almas para Deus e Deus às almas”, aliviando a sede de Cristo, sobretudo das pessoas mais necessitadas, cuja visão de Deus tinha sido ofuscada pelo sofrimento e pela dor.

5. “Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45). Madre Teresa partilhou a paixão do Crucificado, de modo especial durante longos anos de “obscuridade interior”. Aquela foi a prova, por vezes lancinante, acolhida como um singular “dom e privilégio”.
Nos momentos mais difíceis ela recorria com mais tenacidade à oração diante do Santíssimo Sacramento. Esta difícil angústia espiritual levou-a a identificar-se cada vez mais com aqueles que servia todos os dias, experimentando o sofrimento e por vezes até a recusa. Gostava de repetir que a maior pobreza é não sermos desejados, não ter ninguém que se ocupe de nós.

6. “Dai-nos, Senhor, a Vossa graça, em Vós esperamos!”. Quantas vezes, como o Salmista, também Madre Teresa, nos momentos de desolação interior, repetiu ao seu Senhor: “Em Vós, meu Deus, em Vós espero!”.

Prestemos honra a esta pequena mulher apaixonada por Deus, humilde mensageira do Evangelho e infatigável benfeitora da nossa época. Aceitemos a sua mensagem e sigamos o seu exemplo.
Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, ajuda-nos a ser mansos e humildes de coração como esta intrépida mensageira do Amor. Ajuda-nos a servir com a alegria e com o sorriso todas as pessoas que encontramos. Ajuda-nos a ser missionários de Cristo, nossa paz e nossa esperança. Amém!

Poema da Paz

0 dia mais belo? Hoje
A coisa mais fácil? Equivocar-se
O obstáculo maior? 0 medo
0 erro maior? Abandonar-se
A raiz de todos os males? 0 egoísmo
A distração mais bela? 0 trabalho
A pior derrota? 0 desalento
Os melhores professores? As crianças
A primeira necessidade? Comunicar-se
0 que mais faz feliz? Ser útil aos demais
0 mistério maior? A morte
0 pior defeito? 0 mau humor
A coisa mais perigosa? A mentira
0 sentimento pior? 0 rancor
0 presente mais belo? 0 perdão,
0 mais imprescindível? 0 lar
A estrada mais rápida? 0 caminho correto
A sensação mais grata? A paz interior
0 resguardo mais eficaz? 0 sorriso
0 melhor remédio? 0 otimismo
A maior satisfação? 0 dever cumprido
A força mais potente do mundo? A fé
As pessoas mais necessárias? Os pais
A coisa mais bela de todas? 0 amor.

“Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos Aids, mas matar crianças inocentes não nos assusta”.

Fontes:http://blog.cancaonova.com/padreluizinho/2009/09/05/madre-tereza-de-calcuta-quando-o-amor-fala-mais-alto/

Fontes:http://opequenocaminho.blogspot.com/2010/10/madre-tereza-de-calcuta-e-sua-opcao.html