A perda da dignidade de Stephen Hawking: “Paraíso é para quem tem medo do escuro”

Stephen Hawking, físico inglês, voltou a destilar seu veneno e sua ignorância em assuntos que não entende.

Explico: Hawking agora resolveu alegar,  em entrevista ao The Guardian, que o paraíso é somente um escapismo para pessoas com medo do escuro.

Reproduzo a notícia abaixo:

Um dos mais renomados físicos do mundo, Stephen Hawking causou polêmica em uma entrevista publicada no jornal britânico “Guardian” ao dizer que não existe paraíso após a morte. Hawking, que tem a maior parte de seu corpo paralisado pela esclerose lateral amiotrófica, já havia afirmado no passado que não acredita na existência de Deus.

“Acredito que o cérebro é um computador que para de funcionar quando todos os seus componentes falham. Não existe nenhum paraíso ou vida após a morte para computadores quebrados; isso é um conto de fadas para pesssoas com medo do escuro”, disse o cientista.

(…) Em 2010, o físico recebeu críticas de líderes religiosos ao afirmar que não existia a necessidade de um criador para explicar a existência do Universo. Na entrevista desta semana ao Guardian, ele disse que o “universo é governado pela ciência”. Como “conselho”, disse que a humanidade deve “procurar o maior valor para nossas ações”.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/em-entrevista-fisico-stephen-hawking-diz-que-nao-existe-paraiso.html

O fato é que Hawking (depois do aviso para nos protegermos de alienigienas, e declarações de pura propaganda como “A Ciência vai vencer a religião, pois a ciência funciona” e “A Filosofia está morta”) já deve estar ficando fora da casinha.

Essa sua besteira de “O Paraíso é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro” entra na mesma lista de pérolas.

A existência do paraíso é baseada em um argumento LÓGICO.

Se eu aceito o Argumento Moral ou o Argumento Ontológico, então eu tenho uma base para afirmar não só que Deus existe, mas também que ele é o próprio locus de toda moral. Ou seja, a própria natureza de Deus é a fonte dos valores morais na realidade.

E, naturalmente, um dos valores morais é a justiça. Deus é naturalmente justo. Sendo naturalmente justo, iria corrigir as injustiças que existem no mundo depois da ida de cada um. E isso é o que normalmente se entende por “Paraíso” e “Inferno”: justiça aplicada aos bons e aos maus.

Bertrand Russel expôs esse argumento (como se fosse válido por si só) na sua palestra “Por que não sou Cristão”:

Há uma outra forma muito curiosa de argumento moral, que é a seguinte: dizem que a existência de Deus é necessária a fim de que haja justiça no mundo. Na parte do universo que conhecemos há grande injustiça e, não raro, os bons sofrem e os maus prosperam, e a gente mal sabe qual dessas coisas é mais molesta; mas, para que haja justiça no universo como um todo, temos de supor a existência de uma vida futura para reparar a vida aqui na Terra. Assim, dizem que deve haver um Deus, e que deve haver céu e inferno, a fim de que, no fim, possa haver justiça

Concordo que o argumento analisado em si mesmo não se sustenta. Mas como continuação do Argumento Moral, é um argumento bastante coerente.

Agora vejamos o absurdo do argumento reproduzido na notícia:

  • (1) Acredito que o cérebro é um computador;
  • (2) Não há paraísos para computadores quebrados;
  • (3) O céu é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro;

Só o fato de ele utilizar o Argumento da Incredulidade Pessoal na primeira premissa já seria o suficiente para mandá-lo de volta para casa no primeiro semestre de Filosofia. A pífia tentativa da técnica Ateus são fortes, Teístas São Fracos [Crença por necessidade] na terceria premissa também mostra sua “qualidade intelectual” no assunto.

Isso não impediu que um forista do Orkut, anti-religioso até a medula, comemorasse pateticamente a notícia, é claro:

Não gostou? Prefere as palavras do papa ou dos desconhecidos que escreveram a bíblia? Se quiser pode reclamar com o autor do pensamento, o magnífico cientista Stephen Hawking.

Detalhe: desde quando o “magnífico cientista” tem autoridade para falar no assunto? Essa é a falácia ad verecundiam/magister dixit.
Em questões como a existência do Paraíso, Hawking é tão especialista quanto Einstein era em Economia. Seria o mesmo que chamar o Papa para analisar a Física Quântica ou o Dalai Lama para opinar sobre o fluxo do dinheiro na minha conta bancária.
As opiniões dessas pessoas simplesmente não tem valor argumentativo nessas áreas.
Comemorar a opinião de Hawking é comportamento de cheerleader, não de um debatedor com honestidade intelectual.

Diante de declarações absurdas como essa, líderes religiosos estão perdendo tempo em dar revides histórico, similarmente ao que sugeriu Luciano Ayan no caso Bolsonaro. Seria a hora de um líder religioso, de evidência internacional, ir à imprensa e dizer:

Minha crença no Paraíso é só um conto de fadas para pessoas com medo no escuro? Pois eu desafio Stephen Hawking a vir aqui e VALIDAR sua alegação, sob monitoramente de câmeras e diante de uma bancada de filósofos e céticos. Se Hawking não conseguir, sua fala deverá ser tratada como aquilo a que ficará prova: pura difamação.

Não há mais como defender Hawking.

E o que justamente falta, diante disso, é uma resposta a altura que o coloque em seu devido lugar.

Fonte:Quebrando o Encanto do Neo-Ateísmo

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Publicado em 23 de maio de 2011, em Neo ateísmo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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