Aprendendo o Latim (Parte I)

Importância e valor histórico
Dizem que o latim é língua morta, só porque já não é falado como no tempo dos patrícios romanos, de Cícero, Virgílio, etc. Ora, com este argumento, poder-se-ia dizer que o português falado no tempo de Camões é língua morta, pois ninguém hoje fala o português de quinhentos anos atrás. Mas Portugal, Brasil e outros países lusófonos da África e da Ásia continuam falando, fundamentalmente, a mesma língua de Camões, de Manuel Bernardes e Pe. Antônio Vieira.
Neste sentido, o latim continua sendo falado na Itália, na Espanha, em Portugal, na França, na Romênia e nos demais países de cultura latina. E se considerarmos a preponderância latina na modelação da própria cultura ocidental, o latim está hoje presente em todo o mundo, graças à expansão comercial e cultural do inglês. Apesar de suas raízes e de seu espírito saxônico, setenta por cento do vocábulos da língua inglesa são de origem latina. O latim chegou à Inglaterra trazido primeiro pelas legiões romanas, depois pelos missionários de Roma e mais tarde pela invasão normanda. Até o século XVI, a corte e as universidades inglesas tinham ainda o latim como língua oficial.
Hoje, pode-se afirmar sem risco de exagero, que o latim está presente em todas as principais línguas do mundo. Mais da metade da população do mundo fala línguas derivadas do latim ou de línguas que sofreram influência da cultura latina. Os antigos navegadores e colonizadores europeus deixaram, por onde passaram, a marca da cultura ocidental que é fundamentalmente latina.
Por que, precisamente nos países de língua latina, o latim é tão esquecido e até considerado como algo inútil, exótico, sem serventia nem utilidade?
Precisamos nos conscientizar de que falamos o latim. O português é o latim falado, no século XX, em Portugal, no Brasil, nos países lusófonos da África e da Ásia. O conhecimento do latim original é, no mínimo, necessário para o fortalecimento de nossa cultura, para melhor compreensão de nossa gramática, para aumentar nossa capacidade de raciocínio (para o que tem excepcional serventia) e nos manter cada vez mais fiéis a nossas raízes históricas e culturais.
O conhecimento básico da língua latina nos ajuda a falar e escrever melhor. Quem possui razoáveis conhecimentos do latim sabe, com facilidade, por exemplo, quando uma palavra se escreve com “z” ou com “s”; domina a sintaxe, por isso sabe pontuar corretamente as orações; aprende com facilidade outras línguas irmãs, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno. O latim ajuda os juristas na compreensão dos princípios e das normas do Direito; os filósofos e teólogos a precisarem seus conceitos sem comprometimentos semânticos e ambiguidades; os cientistas a fixar os termos de suas descobertas e de suas definições; os filólogos a criar neologismos compatíveis com o espírito da língua, etc.
Fôssemos nós mais ciosos da riqueza de nossas origens, não estaríamos sofrendo hoje o vexame de receber termos latinos via idioma inglês e de os introduzir erroneamente no vernáculo. Querem um exemplo? O termo privacidade é uma excrescência linguística. A gramática e o espírito da língua portuguesa têm normas próprias para a formação e derivação de seus vocábulos. Jamais teríamos substituído privatividade por privacidade (de “privacy”), se tivéssemos mais conhecimento da nossa própria língua e mais amor às suas origens.
É isso que o Salvem a Liturgia também quer proporcionar aos seus leitores: uma formação básica acerca do latim!
A língua latina passou por uma longa evolução histórica, só vindo a alcançar seu apogeu cultural no século I antes de Cristo. Os estudiosos distribuem a evolução do latim em quatro etapas:
a) Latim pré-literário: até 250 a.C.
b) Latim arcaico: 250 a.C. a 106 a.C. Tradução da Odisséia por Lívio Andrônico (240 a.C.). Ortografia ainda não padronizada.
c) Latim clássico: 106 a.C. a 14 d.C. Ovídio, Cícero, Vergílio, Horácio, Tito Lívio, etc.
d) Latim pós-clássico: 14 d.C. até a Idade Média.
Santo Agostinho é considerado o último dos clássicos latinos. Na Idade Média, o latim era idioma corrente nas universidades, nas cortes, além de ser a língua oficial da Igreja – e isto, depois de utilizar por séculos o grego. Até o Concílio Vaticano II, toda a liturgia da Igreja Católica ocidental era em latim. A Igreja mantém como sua língua oficial, embora, depois do Vaticano II, tenha, em geral, caído em desuso. Até há três décadas, em Roma, nos institutos Gregorianum, Angelicum e outros, todas as atividades curriculares, escritas e orais, eram em latim. Não se admitia o uso de qualquer outro idioma, nem mesmo o italiano. Todos os documentos oficiais pontifícios (encíclicas, bulas, breves, decretos de nomeação de bispos, canonizações, etc) são registrados oficialmente em latim, em geral com grande apuro de estilo.

Foi na Idade Média que teve início a formação das chamadas línguas românticas ou neolatinas (o francês, o espanhol, o italiano, o português, o romeno, o provençal, o catalão e outras de menor importância) que resultaram da maneira de falar o latim em diferentes regiões da Europa.

Aqui, o áudio da primeira oração do Cristão: o Sinal da Cruz e também o Glória ao Pai, que você ouvir e também fazer download. A cada módulo do “Aprendendo o Latim“, você poderá ouvir e também guardar as orações do cristão.

Signum Crucis:
In nómine Patris + et Fílii + et Spíritus + Sancti. Amen.
Download

Gloria Patri
Glória Patri et Fílio et Spiritui Sancto.
Sicut erat in princípio et nunc et semper et in saecula saeculórum. Amen.
Download

Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2010/05/aprendendo-o-latim-parte-i.html

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Publicado em 27 de maio de 2011, em Aula de Latim, Catolicismo, Videos. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. PODEM-VER AULAS DE LATIM ( VISUALIZAÇOES ) ?

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