Arquivo diário: 7 de junho de 2011

Coroinhas meninas e “acólitas”: o que pensar?

Autor: Francisco Dockhorn
Publicação: Setembro de 2009

Primeiro precisamos tirar essa pergunta do raciocínio “pode-não-pode”. É evidente que as normas litúrgicas promulgadas pela Santa Igreja precisam ser obedecidas, e que a obediência a Deus passa necessariamente pela obediência à Santa Igreja, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.) no número n. 2088-2089. Porém, a riqueza do tesouro que é a Sagrada Liturgia vai muito mais além do “pode-não-pode”, e se limitar somente a ele é uma visão litúrgica reducionista e legalista.

É preciso compreender que o ministério do acolitato está intimamente ligado com o Sacramento da Ordem (Diaconato ou Sacerdócio). E quando falamos nos acólitos, há os que são instituídos pela Santa Igreja, e os que, mesmo sem o ser instituídos, atuam na Liturgia como acólitos – o que é perfeitamente lícito, na falta dos instituídos (cânon 230,3). Dentre estes “não-instituídos”, estão os meninos que atuam nesta função, que se convencionou chamar de coroinhas.

Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu apenas homens para o Sacramento da Ordem. É preciso desmontar o Mito de que “a Igreja pode vir a ordenar mulheres”. Ora, o saudoso Papa João Paulo II definiu que a Santa Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres, quando em 1994, publicou a Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, que afirma explicitamente:

“Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.”

Posteriomente, em 1995, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou:


Dúvida: “Se a doutrina segundo a qual a Igreja não tem faculdade deconferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica “Ordinatio sacerdotalis”, deve ser considerada pertencente ao depósito da fé.”

Resposta: Afirmativa.”Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada naPalavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm.Lumen gentium, 25, 2). Portanto, nas presentes circunstâncias, o SumoPontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé.”O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.

Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de outubro de 1995.+ JOSEPH Cardeal RATZINGER

Também afirma a “Nota doutrinal ilustrativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei”, da mesma Congregação para a Doutrina da Fé, de 29 de Junho de 1998, no n.11:

“No que diz respeito ao ensinamento mais recente acerca da doutrina da ordenação de sacerdotal reservada exclusivamente aos homens, há que considerar um processo semelhante. O Sumo Pontífice, embora não quisesse chegar a uma definição dogmática, entendeu todavia reafirmar que tal doutrina deve aceitar-se de modo definitivo, enquanto,fundada sobre a Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja, foi proposta INFALIVELMENTE pelo Magistério Ordinário e Universal.”

Este documento coloca este aspecto da doutrina referente à impossibilidade de ordenar mulheres dentro das verdades colocadas no parágrafo 2 do cânon 750. E o mesmo parágrafo fala à respeito destas verdades:

“Opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais preposições consideradas definitivas.”

Machismo? Preconceito? Desvalorização da mulher? De forma alguma!

O Catecismo da Igreja Católica (n. 369) afirma:

“Homem e mulher são criados em idêntica dignidade, à imagem de Deus”.

Porém, tendo a mesma dignidade, homem e mulher tem diferenças de funções. Não reconhecer essas diferenças seria o mesmo que querer que o homem engravide, o que evidentemente, atentaria contra a natureza.

O Sacerdócio Ministerial é uma participação peculiar no Único e Eterno Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, que ofereceu-se a si mesmo no altar da Cruz para pagar pelos nossos pecados; e se oferece a cada dia no Santa Sacrifício da Missa, que a Renovação do Sacrifício do Calvário; e Nela se faz verdadeiramente e substancialmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Nosso Senhor se encarnou como homem. Varão; e escolheu apenas homens para perpetuar o Seu sacerdócio na terra (Cat., n; 456-469; 599.615-; 1356-1401; 1546-1547).

Aliás, a Criatura mais Perfeita e mais Digna de Deus, a Sua própria e Santíssima Mãe, a Imaculada Virgem Maria, que excede no máximo grau em santidade e graça todas as demais criaturas, é uma mulher (Cat.; 487-507; 963-972). E jamais foi ordenada!

Feitos esses pressupostos doutrinais, voltemos a nossa questão inicial: o que pensar do fato das meninas que atuam como coroinhas ou “acólitas!?

A Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos se pronunciou oficialmente sobre essa questão, em uma carta data de de 15 de março de 1994 (Protocolo 2482/93). O documento está transcrito na íntegra mais abaixo.

Mas em resumo, o documento:

– Não se opõe a que as meninas sirvam como coroinhas ou “acólitas”, se para isso houver justas razões pastorais e se isso for feito com autorização dos Bispos locais.

– Afirma que “sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos”, e relaciona isso à questão vocacional: “Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.”

– Afirma que nenhum Bispo tem a obrigação de autorizar coroinhas meninas em sua diocese – “a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.”

Pode-se concluir e pensar ainda:

1. Todo aquele que atua no ministério acólito, e for homem ou menino, em tese pode vir a receber o Sacramento da Ordem, no Diaconato (mesmo Diaconato Permanente) ou mesmo do Sacerdócio (salvo algum impedimento específico); isso já é motivo razoável para que se dê prioridade aos varões nesse serviço.

2. É preciso colocar na balança que, indiretamente, meninas ou mulheres atuarem como coroinhas ou “acolitas” tem o forte perigo de ser uma propaganda do mito do “sacerdócio feminino”: “Ah, que bonitinhas, poderiam ser padres”…“olha, a Igreja já permite que as meninas e mulheres sejam coroinhas, daqui a pouco pode permitir que sejam padres…” ou ainda, as próprias meninas (principalmente se forem mal orientadas) crescerem com o desejo de serem “sacerdotisas”.

O saudoso gigante Dom Estevão Bettencourt assim resume a questão (Revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 457, Ano 2000, Pág. 285):

“A Santa Sé não se opõe a que meninas e senhoras sirvam ao altar na qualidade de acólitas (coroinhas). Todavia lembra que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar por parte dos meninos.”

Segue, abaixo, o referido documento, na íntegra.

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CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

FUNÇÕES LITÚRGICAS

Comunicação da Congregação do Culto Divino a respeito das funções litúrgicas confiadas aos leigos, de acordo com a resposta do Pontifício Conselho para a interpretação dos Textos Legislativos.

Roma, 15 de março de 1994.
Protoc. 2482/93

A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Luciano P. Mendes de Almeida S.J.
Presidente da CNBB

Excia. Reverendíssima,

Julgo ser meu dever comunicar aos Presidentes das Conferências Episcopais que será brevemente publicada em “Acta Apostolicae Sedis” uma interpretação autêntica do cân. 230 § 2 do Código de Direito Canônico.

Como é sabido, pelo referido cân. 230 § 2, estabelecia-se que:

“Laici ex temporanea deputatione in actionibus liturgicis munus lectoris implere possunt; item omnes laici muneribus commentatoris, cantoris alusve ad norman iuris fungi possunt”.[1]

Ultimamente foi perguntado ao Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos se as funções litúrgicas, que, segundo o estipulado no citado cânon, podem ser confiadas aos leigos, poderiam ser desempenhadas indistintamente por homens e mulheres e se, entre tais funções, poder-se-ia incluir também a de servir ao altar, em pé de igualdade com as outras funções indicadas pelo mesmo cânon.

Na reunião de 30 de Junho de 1992, os Padres do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos examinaram a seguinte dúvida, que lhes fora posta:

“Utrum inter munera liturgica quibus laici, sive viri sive mulieres, iuxta C. I. C. can 230 § 2, fungi possunt, adnumerari etiam possit servitium ad altare”.[2]

A resposta foi a seguinte: “Affirmative et iuxta instructiones a Sede Apostolica dandas”.[3]

Posteriormente o Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida em 11 de julho de 1992 ao Exmo. e Revmo. Mons. Vincenzo Fagiolo, Arcebispo emérito de Chieti-Vasto e Presidente do mencionado Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, confirmou tal decisão e ordenou que fosse promulgada. O que brevemente acontecerá.

Ao comunicar a essa Conferência Episcopal quanto fica dito, sinto o dever de precisar alguns aspectos do cân. 230 § 2 e da sua interpretação autêntica:

1) O Cân. 230 § 2 tem caráter permissível e não impositivo: “Laici (…) possunt”. Portanto, a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.

De fato, compete a cada Bispo em sua diocese, ouvido o parecer da Conferência Episcopal, emitir um juízo prudente sobre como proceder para um regular incremento da vida litúrgica na própria diocese.

2) A Santa Sé respeita a decisão que alguns Bispos, por determinadas razões locais, adotaram, com base ao previsto no cân. 230 § 2, mas contemporaneamente a mesma Santa Sé recorda que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos. Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.

3) Se, em qualquer diocese, com base no cân. 230 § 2, o Bispo permitir que, por razões particulares, o serviço do altar seja prestado também por mulheres, isso deverá ser bem explicado aos fiéis, à luz da norma citada, e recordando que ela encontra já uma larga aplicação no fato de as mulheres desempenharem muitas vezes o serviço de leitor na liturgia e poderem ser chamadas também a distribuir a Sagrada Comunhão, como Ministros Extraordinários da Comunhão, e realizarem outras funções, como previsto no § 3 do mesmo cân. 230.

4) Deve, ainda, ficar claro que os referidos serviços litúrgicos dos leigos são cumpridos “ex temporanea deputatione” a critério do Bispo, sem que haja qualquer direito a desempenhá-los por parte dos leigos, homens ou mulheres que sejam.

Ao comunicar quando referido, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos quis cumprir o mandato recebido do Sumo Pontífice de dar instruções para ilustrar o cân. 230 § 2 do C. I. C. e a interpretação autêntica desse cânon, que proximamente será publicada.

Assim, os Bispos poderão desempenhar melhor a sua missão de serem, na própria diocese, moderadores e promotores da vida litúrgica, no âmbito das normas vigentes na Igreja Universal.

Em profunda comunhão com todos os membros dessa Conferência, tenho o prazer de me professar.

Card. Javierre

Fonte: http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/coroinhas-acolitas.html

Aprendendo o Latim (Parte III)

Publicada por Cleiton Robson.
Não é fácil definir, com precisão, a pronúncia original do latim. Se assim fosse, não haveria tanta polêmica entre latinistas franceses, alemães, italianos e outros.

Nesta breve iniciação na língua latina, importam apenas alguns instrumentos práticos. Em geral, os bons dicionários latinos registram os vocábulos com pequenos sinais diacríticos para indicar se as vogais são breves (ˇ) ou longas (-). Mas o latim mesmo não tinha acentos gráficos. Trata-se, portanto, de simples recurso didático para facilitar a aprendizagem. Aqui nos limitaremos a grafar em negrito a vogal tônica das palavras proparoxítonas. A palavra que não tem vocal em negrito é paroxítona. Exemplos: honoris, pronuncia-se honóris; populus, pópulus, etc. No latim não há palavras oxítonas, com exceção, é claro, de monossílabos tônicos, por exemplo, algumas interjeições.

O grupo ti, seguido de vogal, soa como ci em português. Por exemplo: justitia (justicia). Só o segundo ti soa ci porque seguido da vogal a.

Outra importante observação: os ditongos ae, oe se pronunciam como é, mas não são necessariamente tônicos. Como não há palavras oxítonas em latim, rosae se pronuncia róse e não rosé.

Para evitar equívocos, convém pronunciar sempre o o e o e latinos como o e e e não u e i  como acontece no português. Por exemplo, se pronuncio civitate como civitati, o som i mudaria por completo a função da palavra, que deixaria de ser ablativo para se tornar dativo, como verá mais adiante.

Aqui o áudio da Oração “Santo Anjo do Senhor”:

Angeli Dei (baixar)

Angele Dei:
Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commíssum pietáte supérna, illúmina, custódi, rege et gubérna. Amen.

b) Pronúncia Clássica.

O latim só tinha letras maiúsculas, as minúsculas são utilizadas por primeira vez na Idade Média. A pronúncia é por sílabas, muito parecida ao português.

Todas as vogais podem ser longas ou curtas. A pronúncia das vogais cá descrita é muito aproximada e fundamentada na evolução do latim para o português (vogais longas tornam-se fechadas, breves tornam-se abertas).

A, letra chamada em latim A, quando longo mais ou menos como em levar, quando breve como em chazinho

B, BE, como em barco

C, CE, sempre como em carro (também em -CE-, -CI-). Arcaicamente, o C também podia ser um G (cfr. CAIVS e GAIVS)

D, DE, como em deixar

E, E, quando longo como em dedo, quando breve como em vetar

F, EF, como em fevereiro

G, GE, sempre o g português em gato (também em -GE-, -GI-; nos -GUE-, -GUI- o u é pronunciado, como semivogal)

H, HACCA, só os falantes muito cultos aspiravam o H (como o inglês hen) mesmo na época clássica, para a maioria era mudo na altura

I, I, quando longo como em ruído, quando breve como em enorme

J: esta letra não existia em latim clássico, foi criada na Idade Média para fazer diferença entre o i vogal e o i consonântico para o que muitos i latinos foram evoluíndo

K, KA, como o C latino; arcaicamente havia uma diferença entre C e K, mas perdeu-se e o K só ficou nalgumas palavras: KARTHAGO (mas também CARTHAGO), KALENDA… muitas delas emprestadas da língua grega;

L, EL, como em levar

M, EM, como em muito, não nasaliza as vogais anteriores a ele

N, EN, como em nome

O, O, quando longo como em toda, quando breve como em mormente

P, PE, como em português

Q, QV, sempre antes do u semivogal, -QV-. A diferença é clara em, p.ex. CVI e QVI: em CVI o u é vogal e tónico, “cú-i”, em QVI o u é semivogal e o i é o tónico, “kwí”

R, ER, possivelmente como em caro, ou talvez como em carro (rr não uvular, mas alveolar, o “clássico” europeu e como se pronúncia ainda nas zonas rurais de Portugal, em África ou na Galiza), talvez ambos dois segundo regras similares às do português

S, ES, possivelmente como em só

T, TE, como em tempo (t do padrão europeu)

V, V, nunca como o v português, sempre é vogal ou semivogal: quando vogal longo, como em miúdo, quando vogal breve como em surdo, quando semivogal como em mau. É semivogal quando diante de outra vogal, como em SOLVO ou QVARTVS. Na Idade Média, o V minúsculo grafava-se “u”, o “u” afinal foi utilizado só para o som vogal e “v” para o consonântico (como no português);

X, EX, “gs” ou “ks”, segundo a palavra (LEX-LEGIS, gs; DUX-DUCIS, ks)

Y, YPSILLON, como o u francês ou o ü/ue alemão, a letra é grega e não latina (este som não existe em latim), mas empregou-se para empréstimos do grego;

Z, ZETA, como o z alemão, aproximadamente “ts”, também para empréstimos do grego;

Há também estes dígrafos para empréstimos gregos:

CH, como o j espanhol ou o ch alemão; também aparece em palavras latinas, nelas é talvez um K levemente aspirado, é dizer, K+H, (PVLCHER, LACHRIMA) ou apenas um simples K

PH, aproximadamente como um P aspirado (PHILOSOPHIA)

RH, como o R ou RR (RHETOR, RHOMBVS)

TH, como em inglês thin ou o c/z espanhol da península

As letras para os empréstimos gregos tendiam a ser pronunciadas com os sons mais próximos do latim, assim o Y pronunciava-s I ou V, o Z como S, CH como K, TH como T, PH como F, etc.

As letras das consoantes podem ser duplas, BB, CC, DD, FF, GG, LL, MM, NN, LL, PP, RR, SS, TT, mesmo a vogal VV (MORTVVS)… a pronúncia é como duas letras separadas em sílabas diferentes, ILLE é “IL-LE” (ou um L mais longo), têm valor fonológico, p.ex. ANVS, “A-NVS”, “(mulher) velha”, não é, nem se pronúncia como ANNVS, “AN-NVS”, “ano”, SVMVS, “SV-MVS”, “nós somos”, não tem a ver com SVMMVS, “SVM-MVS”, “o mais alto”.

Arcaicamente, as vogais longas por vezes eram escritas como duplas, nos tempos da República com um acento grave (APEX), e no Império com algo parecido a um acento agudo. Mas nunca foi universal nem unanimemente aceite. Na Idade Média, sobretudo nos livros de aprendizagem, adoptou-se o costume de grafar as vogais longas com um tracinho acima (mácron), e as breves com um u pequeninho (bráquia).

Há ditongos e tritongos (muito raros), AE, AV, EI, EV, OE, OI, VI, e pronunciavam-se com os sons correspondentes, mas muito cedo foram evoluindo para outros sons, p.ex. AE passou a ser pronunciado como um E aberto, OE como E fechado, AV como o “ou” (ow) português, etc.

Há estes grupos consonânticos: BL, BR, CL, CR, DR, FL, FR, GL, GN, GR, PL, PR, SC, SCR, SGR, SP, SPL, ST, STR, TR, a pronúncia deles é a união dos sons, mas fazem parte duma única sílaba: DRV-SVS, GNA-TVS; qualquer outro caso as consonantes fazem parte de sílabas diferentes: AR-TIS, MOR-TEM, PROP-TER, OM-NI-A

Hoje o latim é escrito empregando letras maiúsculas e minúsculas segundo as regras universais, e utilizando a diferença na escrita do u vogal e consonântico, u/v, isto é, mortuus e não MORTVVS ou unum e não VNVM, mas cave (de CAVE) e não caue (em geral: v sempre entre vogais). O emprego do i/j fica à vontade mas dentro duma coerência (ou é utilizado o j, ou não é).

As sílabas em latim são abertas se terminam em vogal, fechadas se em consoante. Uma sílaba é breve se aberta e contém uma vogal breve: fu-ga, do-mi-na, ou quando vai diante doutra vogal (ainda que tiver uma vogal longa ou um ditongo): au-re-us, om-ni-a. A sílaba é longa se fechada ou contém uma vogal longa.

No latim não há palavras oxítonas, excepto as poucas que perdem uma vogal final: educ (edúc, de educe), illic (il-líc, de illice).

As palavras com duas sílabas são paroxítonas: unda (únda), rosa (rósa).

Se houver mais de duas sílabas: são paroxítonas se a penúltima sílaba é longa, amicus (amícus), frumentum (fruméntum). Também se a última sílaba é uma partícula enclítica, fratresque (fratrésque, mas frâtres), reginave (regináve, mas regína).

Em todos os demais casos são proparoxítonas: dominus (dóminus), agricola (agrícola).

Há palavras átonas, proclíticas (“colam” por diante) ou enclíticas (por trás). As enclíticas puxam para si o acento: Inter (átona) +homines (hómines) = interhomines (interhómines); ipse (ípse) + met (átona) = ipsemet (ipsémet). Mas se não era considerada composta (como em português “porém” ou “decerto”, p.ex.), não acontecia: itaque (ítaque, “então”), itaque (ita+que > itáque, “e assim”).

Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2010/05/aprendendo-o-latim-parte-iii.html

Pe. Michel Rosa é capa de jornal em Franca.

Reproduzimos a matéria capa deste domingo do Jornal Comércio da Franca (créditos: Missa Tridentina em Franca):

PERSONAGEM
Um padre de época ganha fama e admiradores na pequena Restinga

Autor(a): Marco Felippe Função: Repórter
Foto(s): Oliver Moretto/Comércio da Franca
Data: 05/06/2011

O padre Michel Rosa da Silva tem 31 anos, mas parece saído de uma novela de época. Os motivos são a longa batina preta que usa onde quer que vá na pequena Restinga de 6,5 mil habitantes e as missas rezadas em latim, como nos velhos tempos da Igreja Católica. Semelhante à utilizada por personagens de padres na TV, a batina chama a atenção em todos os lugares.

Mesmo sendo recém-chegado a Restinga (assumiu em fevereiro), ele já ganhou muitos admiradores e está mudando o processo de evangelização católica na cidade. No período da Quaresma, por exemplo, fez os fiéis rezarem o terço nas ruas às 5 horas da manhã.

Goiano de São Luís de Montes Belos, ele entrou para o seminário aos 13 anos, estudou dois anos na capital italiana, Roma, e se ordenou padre em 2005 na capital paulista. Em São Paulo, entre seus primeiros trabalhos como padre, foi responsável pela capela de São Jorge, na sede do Corinthians. E participou de uma cena que constrangeu muitos corintianos: em 2008, durante uma procissão, a imagem do santo caiu. O padre até tentou segurá-la, mas a imagem se partiu em vários pedaços.

O padre Michel foi ordenado com 25 anos e, além da capela de São Jorge, também passou pela igreja do Cristo Rei do Tatuapé e pela paróquia Santa Rosa de Lima no Parque São Lucas, todas na zona leste de São Paulo.

Ele veio para a Diocese de Franca atendendo a convite do bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, com quem trabalhou em São Paulo. “Quando Dom Pedro veio para ser bispo em Franca me convidou para ser seu secretário, aceitei e aqui ele me engajou nos trabalhos pastorais.” Antes de assumir a Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Restinga, padre Michel atuou na Paróquia Santa Gianna e na Catedral Nossa Senhora da Conceição. “A paróquia de Restinga foi um presente de Natal. É uma experiência positiva, um novo desafio. Tem sido fácil a adaptação, pois onde tem trabalho não sobra tempo para desânimo.

AS MUDANÇAS
A secretária paroquial Renata Sabatelau diz que a chegada do padre Michel mudou a rotina da igreja e reacendeu o interesse da população pela religião. “Foi uma mudança muito grande. As pessoas estavam acostumadas com as irmãs de Sant’ana. Eram apenas duas missas na semana, agora só não temos missa na segunda-feira. E no domingo, em vez de uma, temos duas celebrações.”

Todo sábado, ainda é realizada às 17 horas a missa tridentina com os ritos em latim, que atrai fiéis de Ribeirão Preto, Mococa e até de Guaxupé (MG). “É uma celebração que tem rito próprio em que somente as leituras e a homília não são feitas em latim. Elas existem na diocese desde a época de Dom Caetano e foi o povo quem pediu.”

Padre Michel é o segundo padre a morar em Restinga, cidade fundada há 47 anos. Anteriormente, a igreja era administrada por freiras. “Recebemos de braços abertos e com muita alegria o padre Michel. É muito bom esse contato diário com um padre que ainda cultiva as raízes boas do catolicismo. Em sua apresentação entregamos a ele a chave da cidade, e ele vem demonstrando merecer esse carinho”, disse o prefeito de Restinga, Donizete Montagnini, o Zetão.

Segundo a dona de casa Renata Cristina dos Reis, o padre cativa pelas palavras e desperta a atenção por ser diferente. “O modo dele se vestir acaba sendo novidade, além disso a homília dele é muita bonita, profunda.”

O novo sacerdote de Restinga também canta e realiza trabalhos manuais na casa paroquial. “Faço o que posso e, por incrível que pareça, já me sinto parte da cidade. Quando saio sinto saudade, pois é aqui que me realizo como pessoa.”

Fonte: http://fratresinunum.com/2011/06/06/pe-michel-rosa-e-capa-de-jornal-em-franca/