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Por que é inadequado dizer que o padre celebra “de costas para o povo” na missa tridentina?

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Autor: Marcio Antonio Campos
Extraído de: http://www.veritatis.com.br/article/4047
Publicação original: Novembro de 2006

É quase automático: quando se fala na Missa celebrada no rito tridentino, anterior à reforma litúrgica de 1969, as duas primeiras idéias que vêm à cabeça da maioria das pessoas é “missa em latim” e “padre de costas para o povo” – normalmente essas idéias são seguidas de algum gesto ou expressão de repúdio, como se rezar em latim e vendo só as costas do padre fosse praticamente o inferno na terra.

Em seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”, o então cardeal Joseph Ratzinger dedicou um capítulo inteiro para explicar por que a expressão “de costas para o povo” é inadequada quando se fala da orientação do sacerdote no rito tridentino (lembrando que essa possibilidade se manteve no rito de Paulo VI, embora na maioria das vezes o padre celebre voltado para o povo). O texto é uma aula de história e de teologia, e por isso apresentamos um breve resumo, organizado em tópicos. A versão usada é a publicada em inglês pela editora Ignatius Press (The Spirit of the Liturgy, p. 74-84).

1. O cardeal começa dizendo que rezar voltado para o oriente tem sido a tradição cristã desde o começo do Cristianismo, mas o homem moderno perdeu um pouco o sentido dessa orientação (aliás, a própria palavra “orientação” vem de “oriente”). No mundo ocidental, o conceito de que Deus está em todo lugar levou a um questionamento da necessidade de se estar voltado a um determinado lugar ou direção. No fundo, os católicos acabaram adotando o “tanto faz” litúrgico, enquanto judeus e muçulmanos continuam virados para o ponto central da Revelação, o Deus que se revelou a nós.

2. Se é verdade que Deus está em todo lugar, também é verdade que Ele se fez carne e esse é um ponto fundamental da fé. Por isso, como cristãos, deveríamos nos voltar justamente ao Deus encarnado.

3. A confusão sobre para onde o padre devia se voltar começou quando alguns liturgistas “muderrrrninhos” resolveram se debruçar sobre a Basílica de São Pedro, que tinha uma característica diferente das outras igrejas. Por causa de razões topográficas, ela era (e continua sendo) voltada para o ocidente, e não para o oriente. Então, se o padre queria celebrar voltado para o oriente, ele precisava ficar de frente para o povo.

4. A partir dessa observação, os liturgistas avançadinhos do século 20 disseram que a coisa tinha era de ser feita desse jeito, que só com padre e povo virados um para o outro que se formaria a “comunidade celebrante” (e hoje sabemos pela Ecclesia de Eucharistia que esse conceito é errado), que teríamos “participação ativa”, que reproduziríamos o modelo da Última Ceia, enfim, que o autêntico sentido da liturgia católica só poderia ser obtido desse jeito, com a liturgia versus populum (padre e povo frente a frente).

5. Mesmo que o Concílio Vaticano II não tenha dito nada sobre celebração “versus populum” (e não disse mesmo), logo depois do Concílio começaram a se construir igrejas seguindo essa nova corrente litúrgica, o que deu a entender que isso tinha sido fruto do Concílio (mas não foi). A maior conseqüência disso, diz Ratzinger, não foi arquitetônica, mas sim espiritual: a essência da liturgia passou a ser de “refeição comunal”, em vez do sacrifício de Jesus.

6. no entanto, existem alguns aspectos que os liturgistas “muderrrrninhos” esqueceram ou quiseram esquecer:

a. Nunca houve no começo do Cristianismo missa em que as pessoas ficavam voltadas umas para as outras.
b. Mesmo na Última Ceia, e em outras refeições daquela época, o anfitrião não ficava de frente para os convidados. Eles ficavam todos de um lado da mesa enquanto o outro lado era deixado para o serviço. A característica “comunal” das refeições vinha justamente do fato de que estavam todos do mesmo lado da mesa!
c. Apesar da Eucaristia ter sido instituída durante uma refeição judaica de Páscoa, os cristãos sempre entenderam que a Eucaristia se referia à Cruz, mais do que à Ceia.
d. No caso da Basílica de São Pedro, e de outras igrejas voltadas ao ocidente, quando o padre rezava voltado para o oriente, não só ele fazia isso: toda a assembléia também se voltava para a mesma direção. Ou seja, era o povo que “dava as costas” para o padre, e até para o altar.
7. Justamente porque todos esses fatos caíram no esquecimento é que surgiram expressões como “celebrar virado para a parede” e “de costas para o povo”, e o versus Deum se tornou algo praticamente inaceitável para os liturgistas “muderrrrnos”.

8. Curiosamente, diz Ratzinger, uma conseqüência dessa nova maneira de celebrar foi uma clericalização: o padre (ou “presidente da celebração”, como gostam de dizer, para desgosto de muitos católicos) vira o ponto central e a referência da liturgia: tudo depende dele, temos de vê-lo, responder a ele, depender da sua criatividade. Só que, para compensar, os liturgistas “muderrrnos” resolveram entupir o presbitério de leigos para criar “participação ativa”. Em duas frases traduzidas literalmente do livro: “Cada vez mais Deus sai de cena”, e “Com o padre voltado para o povo, a comunidade virou um círculo fechado em si mesma”.

9. E aí o cardeal explica por que dizer “de costas para o povo” é uma expressão inadequada. Celebrar versus Deum não quer dizer que estamos voltados para a parede, ou que o padre dá as costas ao povo. Nem padre nem povo deviam ser tão importantes a esse ponto de ser referência de alguma coisa. Quando padre e povo estão voltados para a mesma direção, eles sabem que estão em uma procissão dirigindo-se para Deus, diz Ratzinger. Eles não ficam se fechando em um círculo, não ficam olhando um para o outro, mas sim se tornam o Povo de Deus peregrino que se dirige ao oriente, de onde vem a Luz.

10. No entanto, observa o cardeal, não é possível simplesmente clonar o passado. Cada época precisa descobrir a essência da liturgia (que não muda) de acordo com sua maneira. Por exemplo, a liturgia da Palavra, sim, tem a ver com falar e responder, e aí um cara-a-cara entre leitor e povo faz sentido. Mas na liturgia eucarística é essencial (essa palavra é do cardeal Ratzinger) uma orientação comum em direção ao oriente. Olhar o padre não interessa. O que interessa é olhar para Deus.

11. Das objeções a esses argumentos todos, talvez a mais importante seja de ordem prática: vamos ter que rearrumar as igrejas outra vez? Ratzinger admite que ficar mudando tudo de lugar não é bom, mas encontra alternativas. Onde não for possível que padre e povo se voltem para a mesma direção (eu particularmente acho que esses casos seriam exceções bem raras, já que quase sempre existe um bom espaço na frente do altar), seria possível criar um “Oriente interior”, da fé – por meio do crucifixo, que deveria estar bem no meio do altar e ser o foco das atenções do padre e do povo (pergunto, em quantas igrejas vemos isso hoje?).

12. Ah, mas hoje existem aqueles crucifixos de procissão, que ficam lá do lado do altar, alguém poderia dizer. Então Ratzinger responde, e com esta citação finalizo o artigo: “mover a cruz do altar para a lateral para dar ao povo uma visão do padre sem interferência é algo que eu classifico como um dos grandes absurdos das últimas décadas. A cruz atrapalha a missa? O padre é mais importante que o Senhor? Esse erro deve ser corrigido o quanto antes, e pode ser feito sem necessidade de reformas. O Senhor é o ponto de referência.”

Nota do editor (site “Veritatis Splendor”): A reforma litúrgica de Paulo VI não mudou a posição do sacerdote durante a Missa. Há, isso sim, uma permissão para celebrar o Santo Sacrifício versus populum, mantendo-se, entretanto, a posição versus Deum como normativa. Das próprias rubricas do Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que abonam essa prática: o padre deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” para algumas cerimônias e atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem. “Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja `voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996, Serviço de Animação Eucarística Mariana, Anápolis, com apresentação de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Diocesano de Anápolis, p. 110, nota 37; cf. ELLIOTT, Mons. Peter. Cerimonies of the Modern Roman Rite, 1995, Ignatius Press, San Francisco, p. 23) Publicada em 1993, no seu boletim Notitiae, uma nota da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos reafirma a licitude tanto da celebração versus populum quanto da versus Deum. Assim, mesmo no chamado “rito novo”, é perfeitamente possível a Missa “de costas”.

Fonte: http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/versus-Deum.html

A Santa Missa é uma festa?

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É comum escutarmos hoje que “a Santa Missa é uma festa”. Seria adequada tal definição?

Primeiramente, tenhamos em mente o que o Sagrado Magistério de nossa Santa Mãe Igreja nos ensina à respeito da Santa Missa: ela é a renovação do Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, pagou pelos nossos pecados na cruz. Tal Sacrifício se torna presente na Santa Missa no momento em que o pão e vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor (Catecismo da Igreja Católica, 1373-1381). O Santo Sacrifício da Missa é incruento (ou seja, sem sofrimento nem derramamento de sangue), ou seja, é o mesmo e único Sacrifício do Calvário, tornando-se verdadeiramente presente na Santa Missa para que possamos receber os seus frutos e nos alimentar da Carne e do Sangue de Nosso Senhor. Por isso nos ensina o Sagrado Magistério nos ensina que “o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício.” (Catecismo da Igreja Católica, 1367)

Conseqüentemente, a Santa Missa não absolutamente é uma festa no sentido popular do termo, pois a Santa Missa não é um encontro social para onde as pessoas se dirigem para comemorar algo, para confraternizarem, para comer e para dançar. A Santa Missa tem a finalidade de oferecer ao Pai o Único e Eterno Sacrifício de Nosso Senhor, e a nossa participação nele (no sentido de nos unirmos ao mistério que o sacerdote celebra no altar) nos propicia os frutos deste Sacrifício. Embora a Santa Missa tenha uma dimensão de banquete e ceia, é um banquete essencialmente sacrifical, que perde totalmente o sentido se não reconhecermos nele a dimensão de Sacrifício. Pois na Santa Missa não nos alimentamos de uma comida qualquer como em um banquete ou ceia comuns, mas sim da Carne e do Sangue de Nosso Senhor, escondidos sob a aparência do pão e do vinho.

Por outro lado, não seria errado se afirmássemos que a Santa Missa é uma festa em um sentido místico profundo, pois nela, no Santo Sacrifício de Nosso Senhor, acontece a nossa salvação. Por isso, na Santa Missa toda a Santa Igreja triunfante, padecente e militante – o que inclui a Virgem Santíssima, os santos anjos, os santos do purgatório e os santos da terra – se alegra e festejam a alegria da nossa salvação. Mas o fazem em profunda reverência, solenidade e adoração.

Olhemos para nosso povo, que vivendo em uma sociedade “descristianizada”, como declarou o saudoso Papa João Paulo II (Veritatis Splendor, 106), ignora o que seja realmente a Santa Missa. Mesmo, muitos que freqüentam a Santa Missa semanalmente ignoram este mistério, pois falta ao nosso povo noções básicas da catequese católica – o que por sua vez é conseqüência da má formação do clero; o Cardeal Ratzinger, hoje Papa bento XVI, não poupa palavras para dizer que “o que nós precisamos é de uma nova educação litúrgica, especialmente também os padres.” (“O Sal da Terra”, p.141) O problema aumenta por grande parte das celebrações da Santa Missa não manifestarem externamente a sua dignidade, ao desobedecer as normas litúrgicas e ignorar a solenidade que o Sagrado Magistério recomenda para que se viva na Santa Missa – e assim se combate o ato solene de receber Nosso Senhor diretamente na boca e de joelhos, se utiliza sem real necessidade os ministros extraordinário da comunhão eucarística, sacerdotes não utilizam a casula para celebrar sem um motivo justo para isso, e assim por diante.

Historicamente falando, os protestantes não crêem na Presença Real de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento e no Santo Sacrifício da Missa. Por isso, na tentativa de atender a ordem de Nosso Senhor (“fazei isto em memória de mim”), procuram realizar novamente última ceia apenas como “banquete”, comendo pão e bebendo vinho – e nem poderia ser diferente, pois os protestantes romperam com a sucessão apostólica, e portanto, não poderiam celebrar a Santa Missa nem se quisessem.

Mesmo caminho, posteriormente, tomaram os “católicos” ditos “progressistas”, que negam Presença Real de Nosso Senhor e o Santo Sacrifício da Missa, tendo eles como estratégia natural para disseminar suas crenças heréticas, afirmar que a Santa Missa é simplesmente “banquete”, “ceia” a “festa”, onde “se celebra a vida, a fraternidade e a partilha”, e assim obscurecer a sua essência, que é sacrifical.

O saudoso Papa João Paulo II, em sua última encíclica, escreveu à este respeito: “As vezes transparece um compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrifical, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesma. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que se fundamenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. (…) Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um Dom demasiadamente grande para suportar ambigüidades e reduções.” (EE 10)

Por isso mesmo, concluímos que referir-se a Santa Missa simplesmente como festa é perigoso em um meio onde o povo não é suficientemente catequizado e faz parte da estratégia dos adversários da Santa Igreja. Ao invés disso, voltemos a afirmar com clareza, juntamente com o sumo Pontífice Gloriosamente Reinante – o Papa Bento XVI – a verdadeira essência da Santa Missa: o Único e Eterno Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte:http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/missafesta.html

Coroinhas meninas e “acólitas”: o que pensar?

Autor: Francisco Dockhorn
Publicação: Setembro de 2009

Primeiro precisamos tirar essa pergunta do raciocínio “pode-não-pode”. É evidente que as normas litúrgicas promulgadas pela Santa Igreja precisam ser obedecidas, e que a obediência a Deus passa necessariamente pela obediência à Santa Igreja, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.) no número n. 2088-2089. Porém, a riqueza do tesouro que é a Sagrada Liturgia vai muito mais além do “pode-não-pode”, e se limitar somente a ele é uma visão litúrgica reducionista e legalista.

É preciso compreender que o ministério do acolitato está intimamente ligado com o Sacramento da Ordem (Diaconato ou Sacerdócio). E quando falamos nos acólitos, há os que são instituídos pela Santa Igreja, e os que, mesmo sem o ser instituídos, atuam na Liturgia como acólitos – o que é perfeitamente lícito, na falta dos instituídos (cânon 230,3). Dentre estes “não-instituídos”, estão os meninos que atuam nesta função, que se convencionou chamar de coroinhas.

Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu apenas homens para o Sacramento da Ordem. É preciso desmontar o Mito de que “a Igreja pode vir a ordenar mulheres”. Ora, o saudoso Papa João Paulo II definiu que a Santa Igreja não tem a faculdade de ordenar mulheres, quando em 1994, publicou a Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, que afirma explicitamente:

“Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.”

Posteriomente, em 1995, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé publicou:


Dúvida: “Se a doutrina segundo a qual a Igreja não tem faculdade deconferir a ordenação sacerdotal às mulheres, proposta como definitiva na Carta Apostólica “Ordinatio sacerdotalis”, deve ser considerada pertencente ao depósito da fé.”

Resposta: Afirmativa.”Esta doutrina exige um assentimento definitivo, já que, fundada naPalavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja desde o início, é proposta infalivelmente pelo magistério ordinário e universal (cf. Conc. Vaticano II, Const. dogm.Lumen gentium, 25, 2). Portanto, nas presentes circunstâncias, o SumoPontífice, no exercício de seu ministério próprio de confirmar os irmãos (cf. Lc 22, 32), propôs a mesma doutrina, com uma declaração formal, afirmando explicitamente o que deve ser mantido sempre, em todas as partes e por todos os fiéis, enquanto pertencente ao depósito da fé.”O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Resposta, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e ordenou sua publicação.

Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, aos 28 de outubro de 1995.+ JOSEPH Cardeal RATZINGER

Também afirma a “Nota doutrinal ilustrativa da fórmula conclusiva da Professio Fidei”, da mesma Congregação para a Doutrina da Fé, de 29 de Junho de 1998, no n.11:

“No que diz respeito ao ensinamento mais recente acerca da doutrina da ordenação de sacerdotal reservada exclusivamente aos homens, há que considerar um processo semelhante. O Sumo Pontífice, embora não quisesse chegar a uma definição dogmática, entendeu todavia reafirmar que tal doutrina deve aceitar-se de modo definitivo, enquanto,fundada sobre a Palavra de Deus escrita e constantemente conservada e aplicada na Tradição da Igreja, foi proposta INFALIVELMENTE pelo Magistério Ordinário e Universal.”

Este documento coloca este aspecto da doutrina referente à impossibilidade de ordenar mulheres dentro das verdades colocadas no parágrafo 2 do cânon 750. E o mesmo parágrafo fala à respeito destas verdades:

“Opõe-se, portanto, à doutrina da Igreja Católica quem rejeitar tais preposições consideradas definitivas.”

Machismo? Preconceito? Desvalorização da mulher? De forma alguma!

O Catecismo da Igreja Católica (n. 369) afirma:

“Homem e mulher são criados em idêntica dignidade, à imagem de Deus”.

Porém, tendo a mesma dignidade, homem e mulher tem diferenças de funções. Não reconhecer essas diferenças seria o mesmo que querer que o homem engravide, o que evidentemente, atentaria contra a natureza.

O Sacerdócio Ministerial é uma participação peculiar no Único e Eterno Sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, que ofereceu-se a si mesmo no altar da Cruz para pagar pelos nossos pecados; e se oferece a cada dia no Santa Sacrifício da Missa, que a Renovação do Sacrifício do Calvário; e Nela se faz verdadeiramente e substancialmente presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Nosso Senhor se encarnou como homem. Varão; e escolheu apenas homens para perpetuar o Seu sacerdócio na terra (Cat., n; 456-469; 599.615-; 1356-1401; 1546-1547).

Aliás, a Criatura mais Perfeita e mais Digna de Deus, a Sua própria e Santíssima Mãe, a Imaculada Virgem Maria, que excede no máximo grau em santidade e graça todas as demais criaturas, é uma mulher (Cat.; 487-507; 963-972). E jamais foi ordenada!

Feitos esses pressupostos doutrinais, voltemos a nossa questão inicial: o que pensar do fato das meninas que atuam como coroinhas ou “acólitas!?

A Sagrada Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos se pronunciou oficialmente sobre essa questão, em uma carta data de de 15 de março de 1994 (Protocolo 2482/93). O documento está transcrito na íntegra mais abaixo.

Mas em resumo, o documento:

– Não se opõe a que as meninas sirvam como coroinhas ou “acólitas”, se para isso houver justas razões pastorais e se isso for feito com autorização dos Bispos locais.

– Afirma que “sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos”, e relaciona isso à questão vocacional: “Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.”

– Afirma que nenhum Bispo tem a obrigação de autorizar coroinhas meninas em sua diocese – “a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.”

Pode-se concluir e pensar ainda:

1. Todo aquele que atua no ministério acólito, e for homem ou menino, em tese pode vir a receber o Sacramento da Ordem, no Diaconato (mesmo Diaconato Permanente) ou mesmo do Sacerdócio (salvo algum impedimento específico); isso já é motivo razoável para que se dê prioridade aos varões nesse serviço.

2. É preciso colocar na balança que, indiretamente, meninas ou mulheres atuarem como coroinhas ou “acolitas” tem o forte perigo de ser uma propaganda do mito do “sacerdócio feminino”: “Ah, que bonitinhas, poderiam ser padres”…“olha, a Igreja já permite que as meninas e mulheres sejam coroinhas, daqui a pouco pode permitir que sejam padres…” ou ainda, as próprias meninas (principalmente se forem mal orientadas) crescerem com o desejo de serem “sacerdotisas”.

O saudoso gigante Dom Estevão Bettencourt assim resume a questão (Revista “Pergunte e Responderemos”, Nº 457, Ano 2000, Pág. 285):

“A Santa Sé não se opõe a que meninas e senhoras sirvam ao altar na qualidade de acólitas (coroinhas). Todavia lembra que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar por parte dos meninos.”

Segue, abaixo, o referido documento, na íntegra.

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CONGREGAÇÃO DO CULTO DIVINO E DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

FUNÇÕES LITÚRGICAS

Comunicação da Congregação do Culto Divino a respeito das funções litúrgicas confiadas aos leigos, de acordo com a resposta do Pontifício Conselho para a interpretação dos Textos Legislativos.

Roma, 15 de março de 1994.
Protoc. 2482/93

A Sua Excelência Reverendíssima
Dom Luciano P. Mendes de Almeida S.J.
Presidente da CNBB

Excia. Reverendíssima,

Julgo ser meu dever comunicar aos Presidentes das Conferências Episcopais que será brevemente publicada em “Acta Apostolicae Sedis” uma interpretação autêntica do cân. 230 § 2 do Código de Direito Canônico.

Como é sabido, pelo referido cân. 230 § 2, estabelecia-se que:

“Laici ex temporanea deputatione in actionibus liturgicis munus lectoris implere possunt; item omnes laici muneribus commentatoris, cantoris alusve ad norman iuris fungi possunt”.[1]

Ultimamente foi perguntado ao Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos se as funções litúrgicas, que, segundo o estipulado no citado cânon, podem ser confiadas aos leigos, poderiam ser desempenhadas indistintamente por homens e mulheres e se, entre tais funções, poder-se-ia incluir também a de servir ao altar, em pé de igualdade com as outras funções indicadas pelo mesmo cânon.

Na reunião de 30 de Junho de 1992, os Padres do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos examinaram a seguinte dúvida, que lhes fora posta:

“Utrum inter munera liturgica quibus laici, sive viri sive mulieres, iuxta C. I. C. can 230 § 2, fungi possunt, adnumerari etiam possit servitium ad altare”.[2]

A resposta foi a seguinte: “Affirmative et iuxta instructiones a Sede Apostolica dandas”.[3]

Posteriormente o Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida em 11 de julho de 1992 ao Exmo. e Revmo. Mons. Vincenzo Fagiolo, Arcebispo emérito de Chieti-Vasto e Presidente do mencionado Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, confirmou tal decisão e ordenou que fosse promulgada. O que brevemente acontecerá.

Ao comunicar a essa Conferência Episcopal quanto fica dito, sinto o dever de precisar alguns aspectos do cân. 230 § 2 e da sua interpretação autêntica:

1) O Cân. 230 § 2 tem caráter permissível e não impositivo: “Laici (…) possunt”. Portanto, a autorização dada a este propósito por alguns Bispos não pode minimamente ser invocada como obrigatória para os outros Bispos.

De fato, compete a cada Bispo em sua diocese, ouvido o parecer da Conferência Episcopal, emitir um juízo prudente sobre como proceder para um regular incremento da vida litúrgica na própria diocese.

2) A Santa Sé respeita a decisão que alguns Bispos, por determinadas razões locais, adotaram, com base ao previsto no cân. 230 § 2, mas contemporaneamente a mesma Santa Sé recorda que sempre será muito oportuno seguir a nobre tradição do serviço ao altar pelos meninos. Isto, como se sabe, permitiu inclusive um consolador desenvolvimento das vocações sacerdotais. Portanto, sempre existirá a obrigação de continuar a sustentar tais grupos de coroinhas.

3) Se, em qualquer diocese, com base no cân. 230 § 2, o Bispo permitir que, por razões particulares, o serviço do altar seja prestado também por mulheres, isso deverá ser bem explicado aos fiéis, à luz da norma citada, e recordando que ela encontra já uma larga aplicação no fato de as mulheres desempenharem muitas vezes o serviço de leitor na liturgia e poderem ser chamadas também a distribuir a Sagrada Comunhão, como Ministros Extraordinários da Comunhão, e realizarem outras funções, como previsto no § 3 do mesmo cân. 230.

4) Deve, ainda, ficar claro que os referidos serviços litúrgicos dos leigos são cumpridos “ex temporanea deputatione” a critério do Bispo, sem que haja qualquer direito a desempenhá-los por parte dos leigos, homens ou mulheres que sejam.

Ao comunicar quando referido, esta Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos quis cumprir o mandato recebido do Sumo Pontífice de dar instruções para ilustrar o cân. 230 § 2 do C. I. C. e a interpretação autêntica desse cânon, que proximamente será publicada.

Assim, os Bispos poderão desempenhar melhor a sua missão de serem, na própria diocese, moderadores e promotores da vida litúrgica, no âmbito das normas vigentes na Igreja Universal.

Em profunda comunhão com todos os membros dessa Conferência, tenho o prazer de me professar.

Card. Javierre

Fonte: http://www.reinodavirgem.com.br/liturgia/coroinhas-acolitas.html

Aprendendo o Latim (Parte III)

Publicada por Cleiton Robson.
Não é fácil definir, com precisão, a pronúncia original do latim. Se assim fosse, não haveria tanta polêmica entre latinistas franceses, alemães, italianos e outros.

Nesta breve iniciação na língua latina, importam apenas alguns instrumentos práticos. Em geral, os bons dicionários latinos registram os vocábulos com pequenos sinais diacríticos para indicar se as vogais são breves (ˇ) ou longas (-). Mas o latim mesmo não tinha acentos gráficos. Trata-se, portanto, de simples recurso didático para facilitar a aprendizagem. Aqui nos limitaremos a grafar em negrito a vogal tônica das palavras proparoxítonas. A palavra que não tem vocal em negrito é paroxítona. Exemplos: honoris, pronuncia-se honóris; populus, pópulus, etc. No latim não há palavras oxítonas, com exceção, é claro, de monossílabos tônicos, por exemplo, algumas interjeições.

O grupo ti, seguido de vogal, soa como ci em português. Por exemplo: justitia (justicia). Só o segundo ti soa ci porque seguido da vogal a.

Outra importante observação: os ditongos ae, oe se pronunciam como é, mas não são necessariamente tônicos. Como não há palavras oxítonas em latim, rosae se pronuncia róse e não rosé.

Para evitar equívocos, convém pronunciar sempre o o e o e latinos como o e e e não u e i  como acontece no português. Por exemplo, se pronuncio civitate como civitati, o som i mudaria por completo a função da palavra, que deixaria de ser ablativo para se tornar dativo, como verá mais adiante.

Aqui o áudio da Oração “Santo Anjo do Senhor”:

Angeli Dei (baixar)

Angele Dei:
Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commíssum pietáte supérna, illúmina, custódi, rege et gubérna. Amen.

b) Pronúncia Clássica.

O latim só tinha letras maiúsculas, as minúsculas são utilizadas por primeira vez na Idade Média. A pronúncia é por sílabas, muito parecida ao português.

Todas as vogais podem ser longas ou curtas. A pronúncia das vogais cá descrita é muito aproximada e fundamentada na evolução do latim para o português (vogais longas tornam-se fechadas, breves tornam-se abertas).

A, letra chamada em latim A, quando longo mais ou menos como em levar, quando breve como em chazinho

B, BE, como em barco

C, CE, sempre como em carro (também em -CE-, -CI-). Arcaicamente, o C também podia ser um G (cfr. CAIVS e GAIVS)

D, DE, como em deixar

E, E, quando longo como em dedo, quando breve como em vetar

F, EF, como em fevereiro

G, GE, sempre o g português em gato (também em -GE-, -GI-; nos -GUE-, -GUI- o u é pronunciado, como semivogal)

H, HACCA, só os falantes muito cultos aspiravam o H (como o inglês hen) mesmo na época clássica, para a maioria era mudo na altura

I, I, quando longo como em ruído, quando breve como em enorme

J: esta letra não existia em latim clássico, foi criada na Idade Média para fazer diferença entre o i vogal e o i consonântico para o que muitos i latinos foram evoluíndo

K, KA, como o C latino; arcaicamente havia uma diferença entre C e K, mas perdeu-se e o K só ficou nalgumas palavras: KARTHAGO (mas também CARTHAGO), KALENDA… muitas delas emprestadas da língua grega;

L, EL, como em levar

M, EM, como em muito, não nasaliza as vogais anteriores a ele

N, EN, como em nome

O, O, quando longo como em toda, quando breve como em mormente

P, PE, como em português

Q, QV, sempre antes do u semivogal, -QV-. A diferença é clara em, p.ex. CVI e QVI: em CVI o u é vogal e tónico, “cú-i”, em QVI o u é semivogal e o i é o tónico, “kwí”

R, ER, possivelmente como em caro, ou talvez como em carro (rr não uvular, mas alveolar, o “clássico” europeu e como se pronúncia ainda nas zonas rurais de Portugal, em África ou na Galiza), talvez ambos dois segundo regras similares às do português

S, ES, possivelmente como em só

T, TE, como em tempo (t do padrão europeu)

V, V, nunca como o v português, sempre é vogal ou semivogal: quando vogal longo, como em miúdo, quando vogal breve como em surdo, quando semivogal como em mau. É semivogal quando diante de outra vogal, como em SOLVO ou QVARTVS. Na Idade Média, o V minúsculo grafava-se “u”, o “u” afinal foi utilizado só para o som vogal e “v” para o consonântico (como no português);

X, EX, “gs” ou “ks”, segundo a palavra (LEX-LEGIS, gs; DUX-DUCIS, ks)

Y, YPSILLON, como o u francês ou o ü/ue alemão, a letra é grega e não latina (este som não existe em latim), mas empregou-se para empréstimos do grego;

Z, ZETA, como o z alemão, aproximadamente “ts”, também para empréstimos do grego;

Há também estes dígrafos para empréstimos gregos:

CH, como o j espanhol ou o ch alemão; também aparece em palavras latinas, nelas é talvez um K levemente aspirado, é dizer, K+H, (PVLCHER, LACHRIMA) ou apenas um simples K

PH, aproximadamente como um P aspirado (PHILOSOPHIA)

RH, como o R ou RR (RHETOR, RHOMBVS)

TH, como em inglês thin ou o c/z espanhol da península

As letras para os empréstimos gregos tendiam a ser pronunciadas com os sons mais próximos do latim, assim o Y pronunciava-s I ou V, o Z como S, CH como K, TH como T, PH como F, etc.

As letras das consoantes podem ser duplas, BB, CC, DD, FF, GG, LL, MM, NN, LL, PP, RR, SS, TT, mesmo a vogal VV (MORTVVS)… a pronúncia é como duas letras separadas em sílabas diferentes, ILLE é “IL-LE” (ou um L mais longo), têm valor fonológico, p.ex. ANVS, “A-NVS”, “(mulher) velha”, não é, nem se pronúncia como ANNVS, “AN-NVS”, “ano”, SVMVS, “SV-MVS”, “nós somos”, não tem a ver com SVMMVS, “SVM-MVS”, “o mais alto”.

Arcaicamente, as vogais longas por vezes eram escritas como duplas, nos tempos da República com um acento grave (APEX), e no Império com algo parecido a um acento agudo. Mas nunca foi universal nem unanimemente aceite. Na Idade Média, sobretudo nos livros de aprendizagem, adoptou-se o costume de grafar as vogais longas com um tracinho acima (mácron), e as breves com um u pequeninho (bráquia).

Há ditongos e tritongos (muito raros), AE, AV, EI, EV, OE, OI, VI, e pronunciavam-se com os sons correspondentes, mas muito cedo foram evoluindo para outros sons, p.ex. AE passou a ser pronunciado como um E aberto, OE como E fechado, AV como o “ou” (ow) português, etc.

Há estes grupos consonânticos: BL, BR, CL, CR, DR, FL, FR, GL, GN, GR, PL, PR, SC, SCR, SGR, SP, SPL, ST, STR, TR, a pronúncia deles é a união dos sons, mas fazem parte duma única sílaba: DRV-SVS, GNA-TVS; qualquer outro caso as consonantes fazem parte de sílabas diferentes: AR-TIS, MOR-TEM, PROP-TER, OM-NI-A

Hoje o latim é escrito empregando letras maiúsculas e minúsculas segundo as regras universais, e utilizando a diferença na escrita do u vogal e consonântico, u/v, isto é, mortuus e não MORTVVS ou unum e não VNVM, mas cave (de CAVE) e não caue (em geral: v sempre entre vogais). O emprego do i/j fica à vontade mas dentro duma coerência (ou é utilizado o j, ou não é).

As sílabas em latim são abertas se terminam em vogal, fechadas se em consoante. Uma sílaba é breve se aberta e contém uma vogal breve: fu-ga, do-mi-na, ou quando vai diante doutra vogal (ainda que tiver uma vogal longa ou um ditongo): au-re-us, om-ni-a. A sílaba é longa se fechada ou contém uma vogal longa.

No latim não há palavras oxítonas, excepto as poucas que perdem uma vogal final: educ (edúc, de educe), illic (il-líc, de illice).

As palavras com duas sílabas são paroxítonas: unda (únda), rosa (rósa).

Se houver mais de duas sílabas: são paroxítonas se a penúltima sílaba é longa, amicus (amícus), frumentum (fruméntum). Também se a última sílaba é uma partícula enclítica, fratresque (fratrésque, mas frâtres), reginave (regináve, mas regína).

Em todos os demais casos são proparoxítonas: dominus (dóminus), agricola (agrícola).

Há palavras átonas, proclíticas (“colam” por diante) ou enclíticas (por trás). As enclíticas puxam para si o acento: Inter (átona) +homines (hómines) = interhomines (interhómines); ipse (ípse) + met (átona) = ipsemet (ipsémet). Mas se não era considerada composta (como em português “porém” ou “decerto”, p.ex.), não acontecia: itaque (ítaque, “então”), itaque (ita+que > itáque, “e assim”).

Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2010/05/aprendendo-o-latim-parte-iii.html

Pe. Michel Rosa é capa de jornal em Franca.

Reproduzimos a matéria capa deste domingo do Jornal Comércio da Franca (créditos: Missa Tridentina em Franca):

PERSONAGEM
Um padre de época ganha fama e admiradores na pequena Restinga

Autor(a): Marco Felippe Função: Repórter
Foto(s): Oliver Moretto/Comércio da Franca
Data: 05/06/2011

O padre Michel Rosa da Silva tem 31 anos, mas parece saído de uma novela de época. Os motivos são a longa batina preta que usa onde quer que vá na pequena Restinga de 6,5 mil habitantes e as missas rezadas em latim, como nos velhos tempos da Igreja Católica. Semelhante à utilizada por personagens de padres na TV, a batina chama a atenção em todos os lugares.

Mesmo sendo recém-chegado a Restinga (assumiu em fevereiro), ele já ganhou muitos admiradores e está mudando o processo de evangelização católica na cidade. No período da Quaresma, por exemplo, fez os fiéis rezarem o terço nas ruas às 5 horas da manhã.

Goiano de São Luís de Montes Belos, ele entrou para o seminário aos 13 anos, estudou dois anos na capital italiana, Roma, e se ordenou padre em 2005 na capital paulista. Em São Paulo, entre seus primeiros trabalhos como padre, foi responsável pela capela de São Jorge, na sede do Corinthians. E participou de uma cena que constrangeu muitos corintianos: em 2008, durante uma procissão, a imagem do santo caiu. O padre até tentou segurá-la, mas a imagem se partiu em vários pedaços.

O padre Michel foi ordenado com 25 anos e, além da capela de São Jorge, também passou pela igreja do Cristo Rei do Tatuapé e pela paróquia Santa Rosa de Lima no Parque São Lucas, todas na zona leste de São Paulo.

Ele veio para a Diocese de Franca atendendo a convite do bispo Dom Pedro Luiz Stringhini, com quem trabalhou em São Paulo. “Quando Dom Pedro veio para ser bispo em Franca me convidou para ser seu secretário, aceitei e aqui ele me engajou nos trabalhos pastorais.” Antes de assumir a Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Restinga, padre Michel atuou na Paróquia Santa Gianna e na Catedral Nossa Senhora da Conceição. “A paróquia de Restinga foi um presente de Natal. É uma experiência positiva, um novo desafio. Tem sido fácil a adaptação, pois onde tem trabalho não sobra tempo para desânimo.

AS MUDANÇAS
A secretária paroquial Renata Sabatelau diz que a chegada do padre Michel mudou a rotina da igreja e reacendeu o interesse da população pela religião. “Foi uma mudança muito grande. As pessoas estavam acostumadas com as irmãs de Sant’ana. Eram apenas duas missas na semana, agora só não temos missa na segunda-feira. E no domingo, em vez de uma, temos duas celebrações.”

Todo sábado, ainda é realizada às 17 horas a missa tridentina com os ritos em latim, que atrai fiéis de Ribeirão Preto, Mococa e até de Guaxupé (MG). “É uma celebração que tem rito próprio em que somente as leituras e a homília não são feitas em latim. Elas existem na diocese desde a época de Dom Caetano e foi o povo quem pediu.”

Padre Michel é o segundo padre a morar em Restinga, cidade fundada há 47 anos. Anteriormente, a igreja era administrada por freiras. “Recebemos de braços abertos e com muita alegria o padre Michel. É muito bom esse contato diário com um padre que ainda cultiva as raízes boas do catolicismo. Em sua apresentação entregamos a ele a chave da cidade, e ele vem demonstrando merecer esse carinho”, disse o prefeito de Restinga, Donizete Montagnini, o Zetão.

Segundo a dona de casa Renata Cristina dos Reis, o padre cativa pelas palavras e desperta a atenção por ser diferente. “O modo dele se vestir acaba sendo novidade, além disso a homília dele é muita bonita, profunda.”

O novo sacerdote de Restinga também canta e realiza trabalhos manuais na casa paroquial. “Faço o que posso e, por incrível que pareça, já me sinto parte da cidade. Quando saio sinto saudade, pois é aqui que me realizo como pessoa.”

Fonte: http://fratresinunum.com/2011/06/06/pe-michel-rosa-e-capa-de-jornal-em-franca/

“Será mesmo cristão o Catolicismo Romano?”

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos Mar/01, pag 119

Em Síntese: Eis mais um livro de origem protestante que visa a atacar a Igreja Católica de maneira sectária ou preconceituosa, com distorção da verdade. O artigo abaixo se detém sobre alguns tópicos das objeções levantadas e mostra a sua inconsistência.

Hugh P. Jeter escreveu um livro, que, entre muitos outros, procura impugnar a Igreja Católica, seu Credo e sua história. Intitula-se: “Será mesmo cristão o Catolicismo Romano?”. A Redação de PR recebe vários escritos de tal natureza por parte de pessoas que pedem uma resposta às objeções levantadas. A nossa Redação já tem escrito repetidamente sobre tais assuntos: como quer que seja, [a seguir] serão focalizados alguns aspectos dos mais representativos do livro de H. Jeter e de escritos congêneres. De modo geral pode-se dizer que tais obras se caracterizam por:

 

  • Alusões falsas ou preconceituosas à Igreja. Os autores armam um fantoche não católico e atiram nele, tencionando atacar a Igreja Católica.
  • Citação parcial da Bíblia, pondo em relevo apenas os textos que correspondem ao pensamento do autor e omitindo os demais.
  • Tom proselitista dissimulado sob o aspecto de querer bem ao irmão católico.

1. A Igreja

Da pág. 11 à pág. 24, H. Jeter trata da Igreja. Eis algumas de suas afirmações:

      • Lc 22,31s: “Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fimde que tua fé não desfaleça. Quando te converteres, confirma teus irmãos”.
      • Jo 21,15-17: “Jesus disse a Simão Pedro: ‘Simão, filho de João, tu me amas mais do que esses?’ Ele respondeu: ‘Sim, Senhor, tu sabes que te amo’. Jesus lhe disse: ‘Apascenta as minhas ovelhas’. Pela segunda vez lhe disse: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ ‘Sim, Senhor’, disse ele, ‘tu sabes que te amo’. Disse-lhe Jesus: ‘Apascenta as minhas ovelhas’. Pela terceira vez disse-lhe: ‘Simão, filho de João, tu me amas?’ Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara: ‘Tu me amas?’ e lhe disse: ‘Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo’. Jesus lhe disse: ‘Apascenta as minhas ovelhas’.”

Ao referir-se a Mt 16,13-18, Jeter escreve:

“Existe uma diferença entre petros (Pedro) e petra. Petros significa ‘um pedaço maciço de pedra’. Parece que o Senhor estava usando um jogo de palavras e dizia o seguinte: ‘Pedro, tu és uma pequena pedra, mas sobre esta pedra maciça eu construirei a minha Igreja'” (pág. 13).

A propósito, o autor parece esquecer que Jesus não falou em grego, mas em aramaico. Se em grego o trocadilho é falho, em aramaico ele é exato, pois versa sobre Kepha…Kepha. Jesus mudou o nome de Simão para Kepha em Jo 1,42, preparando assim, desde a vocação de Pedro, a promessa de primado que lhe faria em Mt 16,18. De resto, está averiguado que é mais fácil entender o texto do Evangelho traduzido do grego para o aramaico (língua de Jesus e dos primeiros pregadores) do que o texto grego canônico. Outro exemplo seria o uso de adelphoi em grego, palavra que traduz o aramaico ‘ah, cujo significa é mais amplo do que o grego adelphoi (irmãos).

O autor H. Jeter nos diz que o Novo Testamento só conhece um fundamento da Igreja: o Cristo Jesus, mencionado em 1Cor 3,11. Observemos contudo que o Senhor que disse ser a luz do mundo (cf. Jo 8,12; 9,15; 12,46), atribui o mesmo título aos seus discípulos (cf. Mt 5,14): por meio de Pedro, e mais fundo que Pedro, Cristo fica sendo a Rocha, o fundamento invisível da Igreja. É esse mesmo Jesus que “possui a chave de Davi, que abre de modo que ninguém fecha, que fecha de sorte que ninguém abre” (Ap 3,7). Em Cristo e em Pedro, portanto, residem análogos poderes (designados pelas mesmas metáforas); é de Cristo que eles dimanam para o Apóstolo, de sorte que este vem a ser o Vigário ou Representante de Jesus na terra.

O texto de Mt 16,13-19 é muito claro em favor do primado de Pedro. Jeter o impugna e não cita dois outros textos que corroboram o mesmo primado:

      O fato de que Pedro e seus sucessores foram fracos do ponto de vista moral indica bem que não é o homem quem rege a Igreja, mas é Cristo mediante os homens que Ele quer escolher e que são meros instrumentos do Senhor. Este governa a Igreja prolongando, de certo modo, o mistério da Encarnação, isto é, utilizando a precariedade humana como canal de graça e salvação.

 

    1. À pág. 15 escreve H.P.Jeter:

      “Se a Igreja Católica é infalível em doutrina, por que então através dos séculos tantas doutrinas têm sido mudadas e outras acrescentadas?

      Por que já não são ensinados os poderes temporais da Igreja como enumerados por Pio IX? Por que já não se pratica a Inquisição? Por que deixaram o ensino acerca do Limbo desde o Concílio Vaticano II? Por que foram acrescentadas mais algumas coisas às doutrinas e práticas já aprovadas: a transubstanciação (1215 dC), a confissão auricular (1215 dC), a do Purgatório (proclamada em 1438 dC), a infalibilidade papal (1870 dC), a imaculada conceição de Maria (1854 dC) e a ascensão de Maria (1850 dC)?”
      Em resposta, dir-se-ia:

      • O poder temporal da Igreja não é artigo de fé. Trata-se de um fator contingente, que contribui para o livre exercício da missão pastoral do Papa; não subordinado a um poder civil, pode ele mais desimpedidamente cumprir sua tarefa de Pastor Universal.
      • A Inquisição também nunca foi matéria de fé. Era tida como um dever de consciência dos cristãos medievais, que não podiam conceber uma sociedade pluralista como ela é hoje; nem os maiores Santos da Idade Média protestaram contra ela. Quanto à Inquisição de Espanha e Portugal, a partir do século XV, tornou-se mais e mais o joguete dos monarcas que assim desajavam unificar a população de seu país, à revelia mesmo das intervenções da Santa Sé.
      • A doutrina do Limbo nunca foi declarada artigo de fé. Tornou-se doutrina comum a partir de S. Anselmo de Cantuária (+1109). Hoje em dia a Teologia propõe outro modo de encarar a sorte das crianças que morrem sem Batismo.
      • A Transubstanciação é a conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, de acordo com as afirmações do próprio Jesus em Jo 6,51-58; Mt 26,26-28; Mc 14,23-24; Lc 22,19; 1Cor 11,23-25. A fidelidade à Bíblia, que os protestantes tanto professam, exigem que se entendam as palavras do Senhor em todo o seu realismo, como foram entendidas durante dezesseis séculos e até hoje são entendidas tanto por católicos como por orientais ortodoxos.
      • A Confissão Auricular é praxe fundamentada no próprio Evangelho, onde Jesus transmite aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados (cf. Jo 20,22s). Para poder exercer a faculdade de perdoar ou não perdoar em nome de Cristo, deve o ministro poder avaliar o estado de alma do penitente – o que só é viável se este manifesta o que lhe vai no íntimo.
      • A crença na existência do Purgatório, longe de ter sido aceita em 1438 (por que tal data?), remonta ao século II aC, como professa 2Mc 12,39-45. É de notar que Lutero não quis reconhecer como canônico este livro da Bíblia dos cristãos; eliminou-o do catálogo sagrado.
      • A Infalibilidade Papal é professada desde os primeiros séculos, não com a clareza de que goza em nossos dias, mas de maneira tal que os historiadores a identificam no decorrer dos séculos. […]
      • A Imaculada Conceição de Maria é deduzida do fato de que Maria, chamada a ser a Mãe de Deus feito homem, não pode ter estado alguma vez sujeita ao pecado. Tal verdade de fé não é explicitamente enunciada nos Evangelhos porque estes não foram escritos para relatar traços de Mariologia; Maria aí só aparece tão somente como a Mãe de Jesus, que é a figura central do texto sagrado. Todavia, a Tradição Oral professou tal artigo de fé.
      • A Assunção (não Ascenção) de Maria é conseqüência da vitória de Maria sobre o pecado: aquela que nunca esteve sob o domínio do pecado, não podia ficar nas garras da morte, que, como refere São Paulo (Rm 5,12-17), resulta do pecado dos primeiros pais.
    2. Às págs. 15 e seguinte, escreve H. P. Jeter:

      “Se a Igreja Católica é infalível, por que Mussolini, sendo católico, invadiu a Etiópia? Por que existiu a Inquisição em países como a Espanha e Portugal, que se dizem católicos? Por que espanhóis e portugueses não queriam permitir que suas colônias se emancipassem? Por que proibiram aos leigos a leitura da Bíblia e em outras épocas a recomendaram?”

      A resposta a tais questões não é difícil, como se depreenderá:

      • Mussolini não invadiu a Etiópia a mando da Igreja Católica. Embora seja filho da Igreja, um católico pode errar: o próprio Senhor Jesus predisse que no seu campo haveria trigo e joio; Ele não quer que se arranque o joio antes do fim dos tempos. O Papa ultimamente tem pedido perdão pelos pecados dos filhos da Igreja infiéis à sua Santa Mãe. Distingamos entre pessoa e pessoal da Igreja; a pessoa é a Igreja enquanto vivificada pelo Cristo ou como Esposa sem mancha nem ruga (Ef 5,27); o pessoal da Igreja são os filhos da Igreja, nem sempre dóceis aos ensinamentos de sua Mãe. […]
      • Sobre a Inquisição já foi dito algo neste artigo. É de notar que na península ibérica a Inquisição foi muito manipulada pelos monarcas, desejosos de eliminar de seus territórios judeus e muçulmanos. A Inquisição Espanhola, extinta no começo do século XIX, era dita “Inquisição Régia”.
      • Nenhum dos países colonizadores viu com prazer a descolonização de suas posses na África ou na Ásia. As razões para tanto eram complexas. Tal atitude não afeta a infalibilidade da Igreja.
      • Quanto à leitura da Bíblia, observe-se quanto vai dito no artigo de PR 451/1999, págs. 547-549: [Ouve-se, por vezes, dizer que a Igreja Católica proibiu a leitura da Bíblia. A resposta há de ser deduzida de um percurso da história. Ora, está averiguado que, nos primeiros séculos, muito se recomendava a leitura do texto sagrado. Na Idade Média e em épocas posteriores (especialmente no século XVI) surgiram hereges (cátaros, valdenses, wycliff, reformadores protestantes) que traduziam a Bíblia do latim para o vernáculo instilando no livro sagrado idéias contrárias à reta fé. Daí proibições, formuladas por Concílios, de se utilizar a Bíblia em língua vernácula, a não ser que o leitor recebesse especial autorização para fazê-lo. As restrições foram impostas não ao texto latino, mas às traduções vernáculas, em virtude de fatores contingentes; a Igreja, como Mãe e Mestra, sente o dever de zelar pela conservação incólume da fé a Ela entregue por Cristo e ameaçada pelas interpretações pessoais dos inovadores da pregação; eis por que lhe pareceu oportuno reservar o uso da Bíblia a pessoas de sólida formação cristã nos séculos em que as heresias pretendiam apoiar no texto sagrado as suas proposições perturbadoras. Ainda no século XIX a Igreja via nas traduções vernáculas da Bíblia (patrocinadas pelas Sociedades Bíblicas protestantes) o canal de concepções heréticas. Todavia, a partir do papa S. Pio X (+1903), deu-se uma volta às fontes, que incluiu a recomendação da leitura da Bíblia, por parte de todos os fiéis, em língua vernácula. No momento presente, dado que existem boas edições da Escritura nas línguas vivas, a Igreja fomenta o recurso assíduo à Palavra de Deus escrita e lida no concerto da Tradição da Igreja.]
      • A pergunta parece ignorar que há certas leis que devem ser periodicamente revistas e reformuladas, pois toda lei visa a promover o bem comum da sociedade nas sucessivas situações por que os homens passam. No tocante à língua da celebração eucarística, foi o vernáculo (latim) na antiguidade; o latim ficou sendo o idioma culto até o fim da Idade Média. No século XVI os reformadores protestantes pleitearam o uso do vernáculo, que naquelas circunstâncias foi rejeitado pela Igreja Católica, pois havia o risco de que o vernáculo se tornasse veículo de teses protestantes infiltradas sorrateiramente na Liturgia. Em nossos dias tal perigo já não existe; daí a permissão de se celebrar a Missa em vernáculo. Tais fatos não afetam artigos de fé ou de moral.

À pág. 16 pondera Hugh P. Jeter:

“Durante vários séculos, a missa foi celebrada em latim. Desde o Concílio do Vaticano II pode ser celebrada na linguagem do povo, embora saibamos que houve uma forte objeção a esta mudança. Se anteriormente era algo sacrílego, por que agora deve ser aceito?”

 

 

  1. À pág. 18 lê-se:

    “É bom salientar que o conceito evangélico de santo é o de alguém que vive de modo santo, enquanto que, no Catolicismo, os santos são unicamente aqueles que foram oficialmente beatificados e declarados santos pelo papa”

    • Realmente o autor de compraz em caricaturar para escarnecer. É claro que, também para os católicos, a santidade é um valor íntimo, sem o qual não há santos; a declaração pontifícia consiste apenas em proclamar esse valor íntimo, depois de cuidadosamente comprovado.
  2. Ainda à pág. 18 encontra-se o seguinte:

    “O título de ‘Igreja Católica Romana’ é em si mesmo uma contradição, pois ‘romana’ estabelece uma área geográfica, enquanto que ‘Católica’ significa ‘universal’.”

    • Deve-se responder que a Igreja é católica, ou seja, universal, mas ela tem um governo central situado em Roma – o que explica o predicado “romana”; este não limita a universalidade da Igreja, mas apenas indica qual é a “caixa postal” da Igreja. Da mesma forma, Jesus era e é o Salvador universal ou de todos os homens, mas é chamado “Nazareno” porque, vivendo na terra, precisava de ter um endereço ou um pouso.

2. A Bíblia Sagrada

Passamos a considerar outro capítulo do livro de Hugh P. Jeter. 2.1. O catálogo bíblico 

Às págs. 32 e seguinte, diz o autor:

“Há, de imediato, uma diferença entre a Bíblia católica e a versão protestante. A Bíblia católica inclui no Antigo Testamento os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Siraque, Baruque, e o primeiro e o segundo livros de Macabeus. Também há acréscimos aos livros de Ester e Daniel. Essa é a principal diferença entre as duas Bíblias.


Por que os cristãos evangélicos rejeitam esses livros chamados “apócrifos”? A seguir, expomos algumas razões:

  1. Os próprios livros não se dizem inspirados. No segundo livro de Macabeus 15:37-38, lemos: ‘Assim se passaram os acontecimentos relacionados com Nicanor. Como desde aquela época a cidade ficou em poder dos hebreus, eu também terminarei aqui mesmo meu relato. Se foi bem escrito em sua composição, isto é o que eu pretendia; se imperfeito e medíocre, fiz o máximo que me foi possível’.
  2. Os livros apócrifos nunca foram citados por Cristo ou pelos apóstolos, mas eles, sem dúvida, citaram muitas partes da Bíblia.
  3. O material não mostra nenhuma inspiração. Em 2Macabeus 12:43-45 lemos acerca de uma coleta que devia ser enviada a Jerusalém para que se oferecesse sacrifícios e oferendas pelo pecado e orações pelos mortos… algo que não figura em nenhuma parte das Escrituras.
  4. Todos os livros apócrifos foram acrescentados ao Antigo Testamento. Conforme expõe Romanos 3:2, foi ‘confiada a palavra de Deus ao povo judeu’. Portanto, todos deveríamos considerar de suma importância a rejeição desses livros quanto à sua inspiração.”

Eis o que a propósito se pode observar:

  1. O fato de que o autor sagrado confesse ter-se esforçado ou mesmo ter penado para escrever seu livro não significa que não usufruiu da inspiração bíblica. Esta não é um ditado mecânico, que dispense o homem de refletir, pesquisar e, em suma, fazer tudo o que deve realizar um bom escritor. A inspiração (que não é revelação) consiste em que Deus ilumine a mente do homem antigo para que, utilizando os dados de sua cultura arcaica, ponha por escrito uma mensagem que corresponde fielmente ao pensamento de Deus, mas não deixa de estar revestida da roupagem humana. Assim, o livro sagrado é, ao mesmo tempo, divino e humano. É através das vicissitudes de uma redação característicamente semita ou grega, portadora de todas as marcas do trabalho humano, que Deus quer falar aos homens. São Lucas o atesta no prólogo do seu Evangelho, quando afirma que, “após acurada investigação de tudo desde o princípio, resolveu escrever” (Lc 1,3).
  2. Assim como Jesus e os Apóstolos nunca citaram explicitamente os livros que os protestantes têm por apócrifos e os católicos consideram deuterocanônicos, assim também Jesus e os Apóstolos nunca citaram alguns livros que são unanimemente reconhecidos como canônicos; tal é o caso de Eclesiastes, Ester, Cântico, Esdras, Neemias, Abdias, Naum.

    Verificamos também que nos escritos do Novo Testamento há citações implícitas dos livros deuterocanônicos. Assim, por exemplo: Rm 1,19-32->Sb 3,1-9; Rm 13,1; 2,11->Sb 6,4.8; Mt 27,43->Sb 2,13.18; Tm 1,19->Eclo 4,34; Mt 11,29s->Eclo 51,23-30; Hb 11,34s->2Mac 6,18-7,42.

    Nos mais antigos escritos patrísticos são citados os deuterocanônicos como Escritura Sagrada: Clemente Romano (em cerca de 95), na epístola aos Coríntios, recorre a Jt, Sb, fragmentos de Dn, Tb e Eclo; o Pastor de Hermas, em 140, faz amplo uso do Eclo e do 2Mac (cf. Semelhanças 5,3.8; Mandamentos 1,1…); Hipólito (+235) comenta o livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos; cita como Escritura Sagrada Sb, Br e utiliza Tb e 1/2Mac.

  3. O fato de que em 2Mac 12,43-45 se lê algo que “não figura em nenhuma parte das Escrituras” nada significa. O raciocínio de Jeter equivale a uma petição de princípio: o autor quer dizer que 2Mac 12,43-45 não pode ser bíblico porque Jeter de antemão o exclui, eliminando as Escrituras Sagradas o 2º de Macabeus. De resto, não se pode excluir tal livro, datado do século II aC, por apresentar algo que não esteja em livros mais antigos, pois é notório que a Revelação progrediu no Antigo Testamento.
  4. O autor parece ignorar que a Bíblia Sagrada continha os sete livros deuterocanônicos ou “apócrifos” até Lutero. Foi Lutero que os eliminou e não foi o Concílio de Trento (1545-1563) que os acrescentou. […]

2.2. O uso da Bíblia entre os católicos

 

Às págs 25-32 Hugh P. Jeter se detém em alegar que durante séculos a Igreja restringiu ou proibiu o uso da Bíblia entre os fiéis católicos. […] [Quanto a esta questão, foi dado um breve resumo acima].

Muitos outros pontos do livro de Hugh P. Jeter poderiam ser considerados, evidenciando-se a sua inconsistência. Em geral, a literatura polêmica protestante se ressente de preconceitos que obcecam os respectivos autores e os levam a atribuir à Igreja Católica o que ela jamais disse ou fez. O amor à VERDADE há de ser característica do autêntico cristão.

 

De resto, o baixo nível das acusações se depreende de outras objeções propagadas em folhas volantes. Assim, por exemplo:

 

“A 500 anos atrás o Papa mandou ‘matar’ Galileu só porque ele disse que a terra é redonda. A 2.700 anos atrás a Bíblia já dizia que a terra é redonda (Isaías 40:22)”.

Estas frases contêm várias imprecisões, próprias de quem fala sem saber ao certo ao que diz:

 

  • Galileu faleceu em 1642, portanto há pouco mais de 350 anos; faleceu de morte natural. Foi controvertido porque defendia o heliocentrismo, em lugar do geocentrismo. O dêutero-Isaías (Is 40-55) profetizou durante o exílio (587-538 aC), ou seja, há 2.500 anos aproximadamente; ao falor do “ciclo da terra”, não se pode dizer que tinha em vista a esfericidade da terra.

Mais:

“Disse Deus: ‘Não é bom que o homem esteja só, dar-lhe-ei uma mulher’ (Gênesis 2,18). O papa Gregório 7º proibiu o casamento dos padres em 1074 dC”.

O autor deste texto esquece que São Paulo, após a entrada do Reino do Messias neste mundo, recomenda a vida una ou indivisa; cf. 1Cor 7,25-35. Aliás, estes versículos são geralmente silenciados pelos protestantes quando querem impugnar o celibato. Este foi, a princípio, espontaneamente abraçado pelo clero; só aos poucos foi-se tornando lei.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/protestantismo/1079-qsera-mesmo-cristao-o-catolicismo-romanoq

Sacerdote do Altíssimo / Parresía: “Covardia”

Sacerdote do Altíssimo

Fonte: http://padrepauloricardo.org/blog/sacerdote-do-altissimo/

Covardia

Fonte: http://padrepauloricardo.org/audio/24-parresia-covardia/

Recebimento da Sagrada Comunhão na mão

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Aprendendo o Latim (Parte II)

O latim, quando disciplina obrigatória dos currículos escolares, era língua destacada, de aprendizagem difícil e, em alguns casos, desesperadora. A razão disso é que nossa língua-mãe tem outras maneiras de construir suas orações. O latim é língua sintética, isto é, seus vocábulos e sua fraseologia são de extrema concisão. Com dois termos, pode formular uma oração que, nas línguas derivadas, teria meia dúzia de palavras. Veja esta inscrição nos antigos cemitérios: MORITURI MORTUIS que, traduzida para o português, teria a seguinte redação: “Aqueles que um dia hão de morrer (oferecem, dedicam aos mortos”.
A dificuldade na aprendizagem do latim é que não há condições de ensiná-lo como se ensinam as línguas modernas. Uma saída didática é utilizar-se dos cantos gregorianos. Por exemplo: para aprender o francês, o inglês, o espanhol, etc., você só precisa adquirir vocabulário, conjugar os verbos, ter noções de gênero e número e se exercitar na língua. No fundo, é um simples processo de memorização de regras e vocábulos. O latim, não. Você pode decorar todos os termos latinos, conjugar todos os verbos, saber de cor e salteado as cinco declinações e, apesar disso, não ser capaz de construir uma única oração, se não tiver sólidos conhecimentos de análise sintática. Este é o segredo da aprendizagem da língua latina. Se você não souber o que é sujeito, predicado, objeto direto ou indireto, complemento restritivo, adjunto adverbial, etc, o latim será língua cifrada para você.
Por isso, é lamentável que tenha sido retirado do currículo secundário, pois exercitar-se na língua latina é um método excelente de desenvolver o raciocínio, dar ordem às idéias, ter perfeito conhecimento das funções da palavra e aprender a redigir com clareza e correção.
Aqui o áudio da oração “Ave Maria“:
Em gregoriano:
Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum. Benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta María,  Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

a) O Alfabeto.
O alfabeto latino clássico consta das seguintes letras:
A B C D E F G H I L M N O P Q R S T Vàs quais se acrescentam os símbolos Æ e Œ para a representação dos ditongos AE e OE, respectivamente.

As letras K Y Z são usadas na grafia de palavras oriundas do Grego.

As letras J e U foram criadas tardiamente para se distinguir, na escrita, entre o I e o V vogal e semivogal.

O Latim propriamente dito não utiliza nenhum acento. Porém, em obras didáticas, costuma-se colocar um acento sobre as vogais para indicar sua duração. As vogais longas são representadas com o acento conhecido como MACRON: Ā Ē Ī Ō Ū; e as vogais breves são marcadas com a BRACHIA: Ă Ĕ Ĭ Ŏ Ŭ.