O Banquete do Cordeiro (Parte 4)

A história do sacrifício capII

A frase da missa que venceu Scott foi “Cordeiro de Deus”, porque ele sabia que esse Cordeiro era o próprio Jesus Cristo.
Recitamos esse Cordeiro de Deus na missa, exatamente o mesmo número de vezes que vimos o sacerdote elevar  a hóstia e proclamar: “Eis o cordeiro de Deus…
O Cordeiro é Jesus!
Isso não é novidade; e é o tipo de fato que escondemos: afinal de contas Jesus é muitas coisas: é Senhor, Deus, Salvador, Messias, Rei, Sacerdote, Profeta …e Cordeiro!
O último título não é como os outros. Os sete 1ºs são títulos com os quais nos dirigimos tranquilamente a um Deus-Homem.
São títulos com dignidade, que sugerem sabedoria, poder e posição social.
Mas Cordeiro?
Scott nos pede para nos desfazermos de dois mil anos de sentido simbólico acumulado. Que finjamos por um momento que jamais entoamos o “Cordeiro de Deus!!

A respeito do cordeiro capII

Esse título parece quase cômico de tão inadequado.
Em geral, cordeiros não ocupam os primeiros lugares das listas de animais mais admirados.
Não são particularmente fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos.
E outros animais parecem mais merecedores.
Por exemplo: É fácil imaginarmos Jesus como o Leão de Judá (Ap5,5).
Os leões são majestosos, fortes e ágeis, ninguém mexe com o rei dos animais.
Mas o Leão de Judá desempenha papel efêmero no livro do apocalípse.
Ao mesmo tempo , o Cordeiro prevalece e a parece nada menos que vinte e oito vezes.
O Cordeiro governa e ocupa o trono de céu (Ap 22,3).
É o Cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo nos corações dos ímpios (Ap 6, 15-16).
Esta última imagem,  do Cordeiro feroz e assustador, é quase absurda demais para imaginarmos sem sorrir!
No entanto, para João, esse assunto do Cordeiro é sério!
Os títulos “Cordeiro” e “Cordeiro de Deus” aplicam-se a Jesus quase exclusivamente nos livros do novo testamento atribuídos a João: o quarto evangelho e o apocalípse.

Embora outros livros neotestamentários  (Ap8,32-35; IPd 1,19) digam que Jesus é “como” um cordeiro em certos aspectos, só João ousa “chamar” Jesus ” o Cordeiro” (Jo 1,36 e Ap todo).
Sabemos que o cordeiro é fundamental para a missa e também para o livro do Apocalípse.
E sabemos “quem ” o Cordeiro é.
Entretanto, se queremos experimentar a missa como o céu na terra, precisamos saber mais.
Precisamos saber o “que” o Cordeiro é e “por que” o chamamos “Cordeiro”.
Para descobrir, temos de voltar no tempo, quase até o início….
Pão Salutar capII
Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se com o sacrifício, que era uma das formas mais primitivas de adoração.
Já na 2ª geração descrita no Gn, encontramos na história de Caim e Abel, o 1º exemplo registrado de uma oferenda sacrifical: “Caim trouxe ao Senhor uma oferenda de frutos da terra; também Abel trouxe primícias dos seus animais e a gordura deles” (Gn 4,3-4).
No devido tempo, encontramos holocaustos semelhantes oferecidos:

  • Por Noé (Gn 8,20-21)
  • Abraão (Gn 15,8-10; 22,13)
  • Jacó (Gn 46,1)e outros.

No gênesis, os patriarcas estavam sempre construindo altares, e estes serviam primordialmente para sacrifícios.
Entre os sacrifícios do Gn. dois merecem nossa atenção:
– Melquizedec (Malki-Sédeq,Gn 14,18-20)
– e o de Abraão e Isaac (Gn 22).
Melquizedec surge como o 1º sacerdote mencionado na Bíblia e muitos cristãos (Hb 7,1-17) o consideram precursor de Jesus Cristo.
Melquisedec  era sacerdote e rei, combinação estranha no AT, mas que, mais tarde, foi aplicada a Jesus.
Ele é descrito como rei de Shalem, terra que depois seria “Jeru-salém”.  Que significa “Cidade da Paz”(Sl 76,2).
Um dia Jesus surgiria como rei da Jerusalém celeste e novamente como Melquizedec, “Príncipe da Paz”.
Em conclusão, o sacrifício de melquisedec foi extraordinário por “não envolver animal algum”.
Ele ofereceu “Pão e Vinho”, como Jesus fez na Última Ceia, quando institui a Eucaristia.
O sacrifício de Melquisedec terminou com uma benção sobre Abraão.

O alcance de Moriá cap II

O próprio Abraão revisitou Shalem, alguns anos mais tarde, quando Deus o chamou para fazer um sacrifício definitivo.
Em Gn 22, Deus diz a Abraão:” Toma o teu filho, o teu único, Isaac, que amas. Parte para terra de Moriá e lá oferecerás em holocausto sobre uma das montanhas que eu te indicar”(v2).
A tradição israelita, registrada em 2Cr 3,1, identifica Moriá com o local do futuro Templo de Jerusalém.
Para lá, Abraão viajou com Isaac, que carregou nos ombros a lenha para o sacrifício (Gn22,6).
Quando Isaac perguntou onde estava a vítima, Abraão respondeu: Deus providenciará Ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho.”(v8).
No fim, o anjo Deus impediu que a mão de Abraão sacrificasse seu filho e forneceu um carneiro para ser sacrificado.
Nessa história, Israel discerniu o juramento da aliança de Deus para fazer dos descendentes de Abraão uma nação poderosa: “juro-o por mim mesmo… Por não teres poupado seu filho.. comprometo-me. ..a  fazer proliferar tua descendência tanto quanto as estrelas do céu…é nela que se abençoarão todas as nações da terra”(Gn22,16-17).
Esse foi o reconhecimento de dívida que Deus deu a Abraão; também seria a apólice de seguro de vida de Israel.
No deserto do Sinai, quando o povo escolhido mereceu a morte por adorar o bezerro de ouro, Moisés invocou o juramento de Deus a Abraão, a fim de salvar o povo da cólera divina (Ex32,13-14).
Mais tarde os cristãos consideraram a narrativa de Abraão e Isaac uma profunda alegoria do sacrifício de Jesus na cruz.
As semelhanças eram muitas:
1º-Jesus, como Isaac, era o filho único querido de uma pai fiel.
2º-Tbem como Isaac, Jesus carregou morro acima a madeira para seu sacrifício, que foi consumado em uma colina de Jerusalém.
De fato, o local onde Jesus morreu, o calvário, era um dos morros da cadeia de Moriá.
Além disso, o primeiro versículo do NT identifica Jesus como Isaac, ao dizer que Ele é “filho de Abraão”(Mt1,1).
Para os leitores cristãos, até as palavras de Abraão se mostraram proféticas. Lembre-se de que não havia pontuação no original hebraico e pense em uma interpretação alternativa de Gn22,8:”Deus se dá a si mesmo, o Cordeiro , para o holocausto”.
O Cordeiro pronunciado era, Jesus Cristo, o próprio Deus” para que a benção de Abraão alcance os pagãos em Jesus Cristo”(Gll3,14 veja também Gn 22,16-18).

Publicado em 26 de janeiro de 2012, em Catolicismo, Comunicados aos Cristãos, Liturgia, O Banquete do Corfeiro, Protestantismo e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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