Arquivo mensal: junho 2012

A RIQUEZA DA IGREJA

20120629-125840.jpg

A Igreja Católica é rica…

“O VATICANO NÃO É RICO”
Prof. Felipe Aquino

A riqueza do Vaticano não pode ser analisada em termos absolutos, mas comparada com os outros Estados; nesse sentido é o menor orçamento entre as nações. Entrevista com John L. Allen Jr, vaticanista, é o correspondente da NCR.
Alguns dados retirados da entrevista: O orçamento anual do Vaticano é de US$ 300 milhões; 50% deste orçamento vem de doações; a avaliação das propriedades do Vaticano deveria se aproximar dos US$ 500 milhões; nos Estados Unidos, a Universidade de Notre Dame – tem um orçamento operativo de mais de US$ 1 bilhão – isto é, pode financiar o Vaticano três vezes.
A reportagem é de Andrew Chernin, publicado na revista “Qué pasa” e no sítio “Religión Digital”, 31-10-2009.
A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Como a Igreja e a Santa Sé se financiam?
O orçamento anual do Vaticano é de US$ 300 milhões. Basicamente, eles têm três fontes de renda: a primeira são as doações de igrejas locais e conferências de bispos em todo o mundo. As paróquias são obrigadas a entregar dinheiro às dioceses, e as dioceses são obrigadas a entregar dinheiro para o Vaticano.
Qual é a segunda?
Os investimentos. Em 1929, a nova República italiana pagou ao Vaticano uma enorme quantia por todas as propriedades que ela lhe havia confiscado. Essa quantidade, que hoje seriam de várias centenas de milhões de dólares, foi investida em uma carta de investimentos de bônus e ações que ainda existe e que, a cada ano, entrega renda ao Vaticano. Resta a última. O Vaticano é dono de cerca de 700 propriedades, principalmente em Roma, mas também em toda a Itália. Muitas delas são arrendadas a companhias e a pessoas, como lojas ou departamentos. Então, a cada ano, há dinheiro que chega por esse caminho.
Isso é suficiente?
Todo ano, em geral, eles andam muito apertados com esse orçamento, e não se sabe se ganharão o suficiente para pagar os gastos do Vaticano. Falo das doações.
São muito fundamentais?
Cobrem 50% do orçamento anual. As outras duas contribuem com 25% cada.
Em quanto estão avaliadas as propriedades?
O Vaticano diz que seu patrimônio, que inclui bens raízes, chega a US$ 770 milhões. O grosso dessa cifra são as propriedades. Então, no total, a avaliação deveria se aproximar dos US$ 500 milhões.
Eles estão com números vermelhos ou azuis?
Desde o final da década de 70 até o começo dos 90, eles estavam com números vermelhos quase todos os anos. Depois, chegou um cardeal norte-americano de Detroit encarregado da operação financeira, que era conhecido por ser alguém habilidoso com o dinheiro. Ele corrigiu o déficit, e eles obtiveram números azuis por vários anos. A partir daí, veio uma crise financeira, e voltaram a ter números vermelhos, mesmo que o déficit não tenha sido muito grande. Em geral, a Igreja não obtém excedentes significativos. Então não se poderia dizer que a Igreja é rica. Eu colocaria desta forma: o orçamento operativo da Igreja é de US$ 300 milhões.
Nos Estados Unidos, a Universidade de Notre Dame – que é a maior universidade católica do país – tem um orçamento operativo de mais de US$ 1 bilhão. Isto é, pode financiar o Vaticano três vezes. O patrimônio do Vaticano – quase US$ 800 milhões – é semelhante ao que é entregue às organizações sem fins lucrativos dos Estados Unidos como doação. Meu ponto é que, se medirmos pelos padrões das organizações sem fins lucrativos, o Vaticano não é particularmente rico.
O que acontece é que, diferentemente das organizações sem fins lucrativos – em que o item que absorve mais capital é o pagamento de salários –, no Vaticano, a maioria dos “empregados” são sacerdotes ou freiras que ou não recebem salário ou paga-se-lhes o mínimo. Essa é a forma pela qual o Vaticano pode manter as coisas andando com um orçamento que, no mundo das organizações sem fins lucrativos, seria considerado bastante modesto.
Qual é o departamento encarregado das finanças da Santa Sede?
A Prefeitura dos Assuntos Econômicos.
Como ela funciona?
Um cardeal – Sergio Sebastiani – é o presidente emérito. Ele tem uma junta de consultores. Além disso, existe um conselho de cardeais que assessora a Prefeitura na administração financeira. Esse conselho, por sua vez, tem uma junta de consultores que são profissionais financeiros, especialistas em investimentos etc.
Que perfil tem a pessoa que chega a esse cargo?
O Papa o nomeia. Quase sempre é um bispo italiano veterano que tem reputação de saber lidar com o dinheiro. Informalmente, se subentende que deve ser italiano porque há muita interação com o sistema bancário desse país.
Como você descreveria a atual gestão?
São imensamente conservadores. Fazem investimentos de muito baixo risco. Sei que, muitas vezes, foi frustrante para os cardeais que proveem especialmente dos Estados Unidos e da Europa, porque a Santa Sé demora em adotar algumas das práticas básicas para a administração e investimentos que são usadas em outras partes do mundo. Eles publicam um balanço financeiro anual. Mas não é divulgado. Não há uma auditoria independente das finanças. Ao longo dos anos, muitos cardeais queixaram-se privadamente comigo de que obteriam melhores retornos de investimento se pudessem atrair pessoas externas que tomassem decisões responsáveis, mas ligeiramente mais audazes. O problema passa pela modernização, então. É preciso entender que isso é o Vaticano. O problema de fundo, acredito, é que se trata de uma instituição cuja aproximação ao dinheiro é pré-moderna.
Em que sentido pré-moderna?
Anterior às práticas modernas de contabilidade. Que não se sente cômoda com estratégias de investimento do século XXI. Estamos falando de uma aproximação ao dinheiro que se formou na Alta Idade Média. No entanto, estão lidando com católicos de todo o mundo, que têm sim altas expectativas enquanto a transparência, gestão e responsabilidade

A RIQUEZA DA IGREJA
Nenhuma instituição fez e faz tanta caridade como a Igreja
Felipe Aquino / felipeaquino@cancaonova.com

Muito se fala sobre a riqueza da Igreja, o ouro do Vaticano, entre outros. A Igreja, incumbida por Jesus de levar a salvação a todos os homens, precisa de um “corpo material”, sem o qual não pode cumprir sua missão. O Vaticano possui cerca de 180 núncios apostólicos espalhados pelo mundo.
No último Concílio, o do Vaticano II, Papa João XXIII reuniu cerca de 2.600 bispos de todas as nações, no Vaticano, durante 3 anos… Que chefe de Estado faz isso?
Em 1870, na guerra de unificação da Itália, a Igreja perdeu seu território pontifício de 40 mil quilômetros quadrados; ficando apenas com o pequeno espaço de hoje: 0, 44 km², em 1929, pelo Tratado do Latrão.
Os objetos contidos no Museu do Vaticano foram doados aos Santos Padres por cristãos e pertencem ao patrimônio da humanidade. De acordo com esse tratado [de Latrão], a Igreja não pode vender ou doar qualquer bem que esteja no Museu Vaticano. Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”.
Qualquer chefe de Estado, de qualquer pequeno país, tem à sua disposição, no mínimo, um avião. Nem isso, o Papa tem. Além disso, o Vaticano tem um órgão encarregado da caridade do Sumo Pontífice, o Cor Unum.
No final de cada ano, é publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, inclusive o Brasil, especialmente para vencer as flagelações da seca, fome, terremotos, entre outros. São doações que o Santo Padre faz com o chamado “óbulo de São Pedro”, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo.
A Igreja Católica, nestes dois mil anos, sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo.
Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passaram sua vida fazendo caridade…
Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, Dom Bosco, São Camilo de Lellis, Madre Teresa de Calcutá… a lista é enorme!
Hoje, 25% de todas as entidades que assistem os aidéticos são da Igreja. Nenhuma instituição fez e faz tanta caridade como a Igreja.
Ela é muito rica, sim, espiritualmente. Na verdade, ela é rica desde sua origem, porque seu Criador é o próprio Deus; é d’Ele que vem toda a riqueza dela. Ela é o próprio Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12, 27).
Ela é rica também porque é a Igreja dos santos, dos mártires, dos profetas, dos apóstolos, das virgens e viúvas santas, dos padres, dos pontífices, dos confessores, e de uma multidão de fiéis que, no silêncio da fé, oferecem suas vidas a Deus. Essa é a verdadeira riqueza da Igreja.

POR QUE A RIQUEZA DO VATICANO?
Se o Papa é o representante de Cristo na terra, porque não O segue em sua pobreza, humildade e simplicidade?
Por D. Estevão Bettencourt

A respeito da “riqueza do Vaticano” propagam-se ditos notoriamente exagerados. Procuremos perceber qual o seu fundamento e qual a razão de ser do poder temporal do Papa, representante de Jesus Cristo sobre a terra.

Quem considera a história, verifica que a soberania territorial dos Papas não se deve a uma pretensa ambição dos Pontífices, nem é o resultado de plano premeditado, mas constitui a afirmação espontânea da fé do povo cristão.

1. A origem da ascendência temporal dos Papas se acha nos primórdios da história da Igreja.

Em 330 o Imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano para Bizâncio no Oriente, o que representa um verdadeiro desvio no curso da história: Roma no Ocidente ficou entregue a administração de um conselho municipal, que tinha o nome de Senado, e de funcionários encarregados de julgar as causas judiciárias e cobrar os impostos. Bizâncio mais e mais se esquecia de Roma, descuidando-se do seu reabastecimento e da conservação de seus monumentos; as incursões dos bárbaros na península tornavam as condições de vida da população cada vez mais precárias e dolorosas. Eis, porém, que, em meio à anarquia, uma figura ia ganhando espontânea veneração: a do bispo de Roma, considerado pela população cristã como o pai comum, no qual todos depositavam confiança. Correspondendo a este afeto filial, os Pontífices Romanos foram-se tornando os tutores do bem público não somente no plano espiritual, mas também no temporal e social: em 452, por exemplo, o Papa São Leão Magno dirigiu-se ao encontro de Átila e do exército huno, que se aprestavam para devastar Roma e a Itália meridional, conseguindo detê-los em Mântua.

Nos séc. VI / VII acontecia não raro que príncipes e nobres, ao entrar no mosteiro ou ao morrer, doavam seus bens ao Papa, em testemunho de piedade filial; foi-se assim formando o chamado “Patrimônio de São Pedro” na península itálica e nas ilhas adjacentes. Esses latifúndios, de extensão cada vez maior, permitiam ao Pontífice Romano uma posição de certa independência frente ao Imperador bizantino e colocavam sob a sua jurisdição, religiosa e civil, grande número se beneficiavam. Enquanto o Papa se tornava cada vez mais o amparo das populações infelizes do Ocidente, os Imperadores bizantinos e seus exarcas (representantes estabelecidos em Ravena) se mostravam impotentes ou indiferentes diante das calamidades que as afetavam.

No séc. VIII os acontecimentos se precipitaram.

O Papado se viu premido entre duas potências hostis: no Oriente, os bizantinos favoreciam as heresias (a respeito de Cristo e do culto das imagens), os Imperadores subtraiam terras à jurisdição eclesiástica dos Papas; no norte da Itália, os lombardos, pagãos ou arianos (heréticos), ameaçavam constantemente saquear Roma e os territórios meridionais, constituindo um perigo não somente civil, mas também religioso. Nessas circunstâncias, os Pontífices Romanos se lembraram de recorrer ao auxílio de um dos novos povos do cenário europeu: os francos, que, desde o batismo de seu rei Clóvis em 496, constituíam uma nação cristã de crescente valor cultural; em 732 seu mordomo, Carlos Martelo, tinha conjurado o perigo muçulmano, vencendo os árabes em Poitiers. Os francos conservavam fidelidade à reta fé e possuíam energias novas, enquanto Bizâncio já significava um mundo velho, vítima tanto das sutilezas de seu ingênio (“bizantinismo” na parte, na filosofia, na teologia…) como dos exércitos estrangeiros (principalmente dos persas); o verdadeiro esteio da cristandade já não estava no Oriente (onde as sutis discussões teológicas debilitavam a fé), mas no Oriente, em particular no reino dos francos, onde a fé era empreendedora. Porque então não apelariam os Papas para estes filhos da Santa Igreja, a fim de impor uma ordem de coisas cristã aos povos cristãos?

Foi o que Estevão II resolveu fazer, dirigindo ao mordomo franco um pedido de auxílio diante das ameaças dos lombardos. Pepino o Breve atendeu-o em 756, movido por amos à fé e aos interesses da Igreja: em duas exibições venceu os lombardos e confirmou o Papa na posse do Patrimônio de São Pedro. Estava assim fundado, por magnificência da piedade cristã (dos nobres da Itália e dos francos) o Estado Pontifício independente de Bizâncio. Em compensação, Pepino foi sagrado rei dos francos pelo Papa Estêvão II, e seu filho Carlos Magno recebeu do Pontífice Leão III, em 800, a coroa de Imperador do Império Romano, restaurado no Ocidente com o título de império sacro ou cristão.

Esses fatos tem sido calorosamente comentados pelos historiadores. Pergunta-se se não houve nisso tudo usurpação de direitos, jogo de interesses políticos dos Papas e dos francos.

Após uma reflexão serena, responder-se-á que não. Os acontecimentos mencionados não foram senão a “oficialização” de uma situação que de fato já existia: o Papa já exercia as funções de soberano no Patrimônio de São Pedro, sem possuir o título respectivo; os mordomos francos, do seu lado, já governavam o reino (sob a dinastia dos reis merovíngios ditos “fainéantes”, indolentes), embora não trouxessem as insígnias de monarcas; Pepino o Breve e Estevão II, Carlos Magno e Leão III só fizeram tornar a situação definida e patente aos olhos do mundo. A restauração do Império Romano no Ocidente não pode ser tida como violência cometida contra Bizâncio, nem foi um gesto surpreendente e brusco, mas o remate orgânico de um processo histórico iniciado em 330 e lentamente amadurecido no decorrer de mais de quatrocentos anos (até 756, ou melhor, até 800).

2. O Estado Pontifício, fundado em 756, perdurou ininterruptamente até 1870, quando cedeu ao movimento de unificação da península itálica.

Registraram-se, no decorrer desses muitos séculos, obras grandiosas, que a soberania temporal dos Papas possibilitou mas verificaram-se outrossim certos abusos, gestos de prepotência política e de luxo mundano, principalmente no período da Renascença. A Santa Igreja, guiada pelo Espírito Santo, é a primeira a reconhecer e condenar tais desvios; ela não se identifica irrrestritamente com nenhum de seus membros, mas, na qualidade de Esposa de Cristo, transcende a todos, até mesmo os mais altamente colocados (pois cada um traz até certo ponto o lastro do pecado); também não se surpreende ao verificar os abusos de seus filhos estão bem na linha da parábola evangélica do joio e do trigo…

Em 1870, tendo caído o poder temporal dos Papas, foram amplamente debatidas as vantagens e os inconvenientes da conservação do Estado Pontifício (tratava-se da “Questão Romana”). Apesar de toda a pressão adversária, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV e Pio XI julgaram não poder abrir mão dos seus antigos direitos; conscientemente, pois, tomaram essa posição. E qual o motivo que levava os Pontífices a proceder desse modo?

Pio XI o explicou com a máxima clareza por ocasião do tratado do Latrão ou da restauração do Estado Pontifício, aos 11 de fevereiro de 1929:

“Podemos dizer que não há uma linha, uma expressão do tratado (do Latrão) que não tenham sido, ao menos durante uns trinta meses, objeto particular de nossos estudos, de nossas meditações e, mais ainda, de nossas orações, orações que pedimos outrossim a grande número de almas santas e mais amadas por Deus.

Quanto a Nós, sabíamos de ante-mão que não conseguiríamos contentar a todos coisa que geralmente nem o próprio Deus consegue…

… Alguns talvez achem exíguo demais o território temporal. Podemos responder, sem entrar em pormenores e precisões pouco oportunas, que é realmente pouco, muito pouco; foi deliberadamente que pedimos o menos possível nessa matéria depois de ter refletido meditado e orado bastante. E isso, por vários motivos, que nos parecem válidos e sérios.

Antes do mais, quisemos mostrar que somos sempre o Pai que trata com seus filhos; em outros termos: quisemos manifestar nossa intenção de não tornar as coisas mais complicadas e, sim, mais simples e mais fáceis.

Além disto, queríamos acalmar e dissipar toda espécie de inquietação; queríamos tornar totalmente injusta absolutamente infundada, qualquer recriminação levantada ou a ser levantada em nome de … iríamos dizer: uma superstição de integridade territorial do país (Itália).

Em terceiro lugar, quisemos demonstrar de modo perentório que espécie nenhuma de ambição terrestre inspira o Vigário de Jesus Cristo, mas unicamente a consciência de que não é possível não pedir, pois uma certa soberania territorial é a condição universalmente reconhecida como indispensável a todo autêntico poder de jurisdição.

Por conseguinte, um mínimo de território que baste para o exercício da jurisdição, o território sem o qual esta não poderia subsistir… Parece-nos, em suma, ver as coisas tais como elas se realizavam na pessoa de São Francisco: este tinha apenas o corpo estritamente necessário para poder deter a alma unida a si. O mesmo se deu com outros santos: seu corpo estava reduzido ao estrito necessário para servir à alma, para continuar a vida humana e, com a vida, sua atividade benfazeja. Tornar-se-á claro a todos, esperamo-lo, que o Sumo Pontífice não possui como território material senão o que lhe é indispensável para o exercício de um poder espiritual confiado a homens em proveito de homens. Não hesitamos em dizer que Nos comprazemos neste estado de coisas; comprazemo-Nos por ver o domínio material reduzido a limites tão restritos que… os homens o devem considerar como que espiritualizado pela missão espiritual imensa, sublime e realmente divina que ele é destinado a sustentar e favorecer” (trecho da alocução publicada pelo “Osservatore Romano” de 13 de fevereiro de 1929).

3. As palavras acima definem bem a mente da Igreja a respeito do poder temporal de que não quis abrir mão durante os sessenta anos em que dele esteve despojada.

Em última análise, vê-se que o Papa considera a sua soberania territorial como o corpo imprescindível ao exercício das atividades de uma alma ou como condição indispensável para o cumprimento de sua missão religiosa; assim como a alma neste mundo não age normalmente sem corpo, assim a tarefa espiritual da Igreja seria impedida, caso lhe faltasse tal suporte temporal.

A comparação ilustra fielmente a verdade. Tenha-se em vista que a Igreja, por definição, exerce autoridade não apenas sobre os corpos e o comportamento exterior dos homens, mas também sobre o setor mais íntimo e importante dos indivíduos: sobre as almas e exerce-a independentemente de fronteiras nacionais, abrangendo centenas de milhões de fiéis do mundo inteiro: onde quer que esteja comprometido o espírito do homem, mesmo nos planos aparentemente mais indiferentes à religião, como o esporte, o cinema, a medicina, o comércio, a Igreja tem que estar aí presente, a fim de orientar a conduta das almas que assim entram em contato com o mundo material.

Tal autoridade é realmente colossal. Em conseqüência, os filhos da Igreja e os homens que compreendem o que essa autoridade significa, não podem deixar de desejar que tanto poder não sofra influência de alguma força estranha, não se torne joguete nas mãos de soberanos políticos, mais ou menos arbitrários. Por isto, cedo ou tarde havia de aflorar à consciência dos cristãos a idéia de que o governo e o Chefe Supremo da Igreja devem ser independentes de qualquer soberano político nacional, devem enfim ser tão livres quanto qualquer governo deste mundo. Em caso contrário, estaria frustrada a sua missão.

Esta última conclusão, a história se encarregou de comprovar. Com efeito, não faltaram no decurso dos séculos tentativas das autoridades civis que visavam submeter o Soberano Pontífice à jurisdição do monarca de tal ou tal país (que ótimo jogo não seria utilizar a autoridade moral dos Papas em favor de interesses nacionais!). Quando o conseguiram, a tarefa religiosa da Igreja se viu enormemente prejudicada. Foi o que se deu, por exemplo, durante o chamado “Exílio de Avinhão”: de 1309 a 1376, os monarcas franceses obtiveram que os Papas residissem em Avinhão (França), onde, carecendo de soberania temporal, ficaram sujeitos à influência do governo civil.
Nesse período, os Pontífices foram perdendo parte da sua autoridade perante a opinião pública internacional; os cristãos de fé (o rei Carlos IV da Alemanha, o poeta Petrarca, Santa Brígida, nobre viúva sueca, Santa Catarina de Sena) se alarmavam, percebendo que, se a situação se prolongasse por muito tempo, o Papado deixaria de ter o prestígio sobrenatural e católico (universal) que deve ter. Basta recordar que o Pontífice João XXII (1316-1334) entrou em conflito com o rei Luís IV da Baviera, animado de pretensões cesaropapistas; excomungado pelo Papa, o monarca respondeu que João XXII servia aos interesses dos Valois de França; por isto não hesitou em criar um antipapa (Nicolau V), alegando que a França tinha “seu” Papa.

Tais idéias e fatos evidenciam quão necessária à missão religiosa da Igreja é a soberania política (por muito limitada que seja) da que os Pontífices tem tradicionalmente usufruído e que ainda recentemente reivindicaram (diga-se mesmo sem temor de exagero: o interesse comum dos fiéis jamais permitiria abrissem mão de tal direito).

4. Mas que dizer do cerimonial de que o Papa se cerca?

Note-se logo que o fato de ser o Pontífice soberano de um pequeno território acarreta certo aparato em torno de sua pessoa. Tal cerimonial, porém é concebido como homenagem deferida não à pessoa do Pontífice como tal, mas à autoridade que a pessoa representa. Aos olhos da fé, não há dúvida, o Chefe visível da Igreja significa algo de muito grande (é o Vigário de Jesus Cristo); quem o compreende, não pode deixar de querer exprimir essa consciência por gestos de apreço. Muitas das demonstrações de reverência em uso na corte pontifícia devem ter surgido do espontâneo afeto dos cristãos; os católicos as entendem como profissão de fé no Cristo e na Igreja. Por este motivo mesmo, pode-se dizer que os Papas, nem a título de humildade, tem o direito de se lhes furtar de todo. O próprio Jesus, que habitualmente não tinha onde repousar a cabeça (cf. Lc 9,58), não recusou as homenagens que O aclamavam quando entrou em Jerusalém, poucos dias antes de morrer: permitiu que tecessem de vestes e ramos a via pela qual passava, montado em um jumentinho; permitiu que, com cantos nos lábios, os hebreus O aclamassem Rei e Filho de Davi, professando seu entusiasmo pelo Messias (cf. Mt 21, 1-11).

O cerimonial de que foi alvo Jesus, como o cerimonial pontifício, não impede simplicidade interior e desapego de espírito. Se houve Papas que deram importância pessoal e excessiva a esse aparato, constituem casos contingentes, que não derrogam à legitimidade do princípio geral.

5. Quanto às propaladas “riquezas” do Vaticano, é preciso dizer que os rumores a seu respeito ultrapassam de muito a realidade.

A Cidade do Vaticano é, do ponto de vista territorial, a mínima do mundo. Quando após 1870 se discutia a “Questão Romana”, diziam muitos que, em caso de restauração da soberania temporal, um Estado do tamanho da República de São Marinho (60,57 kms²) seria suficiente para os Pontífices; ora o Estado Pontifício ressurgiu com 0,44 kms² apenas – o que no século passado parecia incrível! Esse Estado constitui a simples carcassa de uma alma e tem por exclusiva função possibilitar o exercício das atividades da respectiva alma ou da Igreja.

As obras de arte que se encontram no Vaticano, são, em grande parte, a expressão da fé de pintores e arquitetos cristãos, que quiseram glorificar a Deus mediante o seu talento. Os Papas – alguns com prodigalidade talvez excessiva – os incentivaram, porque a Igreja só pode favorecer as artes que contribuam para a exaltação do Criador (veja-se a resposta n.º 9 deste fascículo).

Os objetos contidos nos Museus do Vaticano foram, em grande parte, doados aos Pontífices por cristãos sinceros (reis, cruzados, viajantes, exploradores, etc.), em testemunho de fé. Pertencem ao patrimônio do gênero humano; os Papas não vêem motivo para não os conservar para o bem da cultura universal. O famoso telefone de ouro do Vaticano (se é que ainda existe) foi doado por uma firma comercial…

Não há razão, pois, para que o mundo se detenha cobiçosamente sobre as apregoadas riquezas materiais do Vaticano. Volte, antes, a sua atenção para os imensos tesouros espirituais que daquele recanto territorial emanam para o gênero humano. Queiram-no ou não os homens, é ainda do Vaticano que se faz ouvir a palavra da Verdade e da Vida em meio às teorias mórbidas e à confusão ideológica de nossos tempos.

Fonte: presbiteros.com.br

AS RIQUEZAS DO VATICANO
Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 302 – Ano 1987 – p. 332.

A propósito das famosas riquezas do Vaticano, o jornal O GLOBO, em sua edição de 16/4/1987, p. 16, publicou as seguintes notícias muito esclarecedoras:

Patrimônio do Vaticano é de US$ 561 milhões

CIDADE DO VATICANO – Em entrevista ao jornal especializado em assuntos econômicos `II Sole 24 Ore`, o Cardeal Giuseppe Caprio, Prefeito para assuntos Econômicos do Vaticano (cargo equivalente ao de Ministro do Tesouro), revelou que o patrimônio total da Santa Sé, incluídos os imóveis e investimentos em ações, é de 561 milhões de dólares.

Ele esclareceu, no entanto, que mais da metade desse capital não só não produz renda, como dá prejuízos, tal como ocorre com as escolas e hospitais mantidos pela Santa Sé em Roma. Assim sendo, acrescentou, o patrimônio produtivo não ultrapassa os 269 milhões de dólares.

A entrevista foi dada a propósito do envio, no mês passado, de uma carta do conselho cardinalício encarregado de estudar os problemas financeiros do Vaticano, aos três mil bispos católicos de todo o mundo. Estes foram instados a sensibilizar os cerca de 800 milhões de católicos do planeta para a necessidade urgente de destinarem maiores quantias ao Óbolo de São Pedro, a coleta feita anualmente a 29 de junho, destinada especificamente à Santa Sé.

Dom Giuseppe Caprio classificou de fantasias as constantes afirmações sobre supostas riquezas do Vaticano, dizendo que, além desses exageros, os cálculos são feitos sobre uma base falsa, pois neles estão incluídos os tesouros artísticos. As pessoas que dizem isso – explicou – não levam em conta o fato de que tais tesouros são inalienáveis, e além do mais improdutivos, obrigando o Vaticano a gastar altas somas com sua guarda e conservação.

Grandes tesouros estão à vista de todos / Inalienáveis bens da Humanidade

Os maiores tesouros artísticos do Vaticano não estão escondidos, com muitas pessoas supõem, mas à vista de todos, na própria Basílica de São Pedro, como a `Pietá`, ou na Capela Sistina, onde estão os famosos afrescos, criações, nos dois casos, de Michelangelo. Outras peças de valor impossível de ser sequer estimado são a ` Transfiguração`, de Rafael, ou o `São Jerônimo`, de Leonardo da Vinci.

Embora o patrimônio artístico e arqueológico dos museus do Vaticano possa ser comparado ao do Museu Britânico, ao do Metropolitan, de Nova York, e ao do Ermitage, de Leningrado, esse acervo, por disposição da própria Santa Sé, que o considera patrimônio de toda a humanidade, é inalienável.

Outros grandes tesouros, que igualmente jamais passarão para outras mãos, só podem ser vistos, contudo, por poucos religiosos e por um número ainda menor de leigos escolhidos. São documentos, pergaminhos, miniaturas, Bulas papais e outros testemunhos de toda a história do Cristianismo até nossos dias. Compreensivelmente, eles estão encerrados a seis metros abaixo do solo, em um aposento de 700 metros quadrados, especialmente construído com espessas paredes de cimento armado revestido de chumbo, à prova de ataques atômicos. Em outro `bunker` com as mesmas características, igualmente no subsolo, estão encerradas relíquias como manuscritos de São Pedro, Bíblias milenares escritas a pena por monges, uma edição da `Divina Comédia` com ilustrações originais de Botticelli, as atas do Concílio de Trento e centenas de preciosidades do mesmo nível`.

Até aqui a notícia de jornal. Clara como é, possa contribuir para dissipar falsas concepções, freqüentemente expressas às cegas, numa dolorosa repetição de `chavões`!

A propósito faz-se oportuno lembrar alguns dados já referidos em PR 292/1986, p. 401:

1) As finanças do Vaticano estão passando por momentos difíceis, pois a Igreja tem desenvolvido e multiplicado seus serviços após o Concílio do Vaticano II, a ponto de sentir sério problema econômico. Assim pensemos na ajuda que a Santa Sé envia a todos os países de missão na África, na Ásia, na América; pensemos também nas muitas Comissões que se criaram em Roma nos últimos tempos para atender ao diálogo com os cristãos separados, com as religiões não cristãs, com os ateus, com os homens de cultura…; existem Comissões de Justiça e Paz, para o Apostolado dos Leigos, o Pontifício Conselho Cor Unum… Estas Comissões são internacionais, de modo que acarretam despesas de viagens, publicações, pesquisas, etc. Isto explica o aumento de gastos, sem que haja receita regular correspondente.

2) O patrimônio territorial que a Igreja possui (Cidade do Vaticano com museus, pinacotecas, basílicas…) resulta de doações que foram sendo feitas à Santa Sé desde o século IV. Na Idade Antiga e na Idade Média muitos cristãos, ao morrer ou ao entrar no Mosteiro, doavam suas terras ao bispo de Roma (= o Papa). Em conseqüência, foi-se formando em torno da cidade de Roma o chamado `Patrimônio de São Pedro`; o Papa, sem ser Chefe de Estado, garantia a boa ordem e a paz em favor dos habitantes daquelas terras, enquanto em outras regiões havia desordens e guerras causadas pelas invasões dos bárbaros (vândalos, godos, lombardos…). Finalmente em 756 Pepino o Breve da França reconheceu oficialmente o Estado Pontifício, que se formara a partir do amor dos fiéis ao Papa, em conseqüência da tutela amiga que o Pontífice exercia em prol das populações vizinhas. Foi assim que surgiu o Estado Pontifício. Em 1870 este caiu, quando a Itália (que era um conjunto de pequenos Estados independentes) foi unificada. Em 1929 foi restaurado o Estado Pontifício como o menor de todos os Estados existentes (+ 0,44km²); os Papas não renunciaram a este minúsculo território porque lhes garante autonomia para exercer a sua missão pastoral, que atinge os fiéis do mundo inteiro. Que poderia fazer o Papa se estivesse sujeito ao controle de comunicações telefônicas, telegráficas e outras por parte do Governo da Itália? Por conseguinte, o Estado Pontifício hoje é uma herança legítima do passado, reduzido ao mínimo e destinado a servir à missão da Igreja.

O que está nos museus do Vaticano (quadros de Michelangelo, Rafael, Leonardo da Vinci, monumentos do Egito…) resulta do incentivo que os Papas sempre deram às artes, ou provém de doações. São um bem comum de toda a humanidade.

3) O cerimonial que cerca por vezes o Santo Padre, é legado de épocas distantes; teve sua plena razão de ser outrora, quando os costumes o exigiam; hoje em dia está sendo mais e mais simplificado; vemos o Papa tomando crianças nos braços, visitando hospitais, prisões, favelas, etc. – A Igreja, porém, julga que, para o culto divino (celebração da Santa Missa, por exemplo), se deve sempre utilizar o que haja de melhor; não se trata de usar alfaias ricas, mas objetos dignos e capazes de exprimir eloqüentemente a fé e o amor dos cristãos a Deus.

4) Aqui no Brasil há dioceses que possuem terras, resultantes de doações feitas aos Bispos na época colonial; essas propriedades ajudam a exercer a missão da Igreja, que exige publicações, meios de comunicação social, escolas, templos, etc. Mas também (são a maioria) há dioceses muito pobres, que precisam de recursos de outras dioceses e organizações para poder desenvolver a sua atividade pastoral. Sabemos como é difícil a vida de um Bispo ou de um sacerdote em muitas regiões do Brasil e da América Latina.

A IGREJA É RICA?!
http://inmulieribus.blogspot.com/2011/12/igreja-e-rica.html

No Facebook podemos ver imagens do Papa em seu trono ao lado de uma criança faminta… trata-se de uma provocação bem antiga, em que se questiona porque o Vaticano não deveria se desfazer de suas “riquezas” e alimentar os pobres.

A Igreja dispõe de um território, que é o Vaticano, e possui bens. Para administrar um e outros, necessita de recursos. A organização e a administração da Igreja não poderiam atingir sua finalidade se não dispusessem de edifícios, de pessoal administrativo e de recursos econômicos.

Como escreveu D. Estêvão Bettencourt:

“(…)na medida em que existe e trabalha neste mundo, a Igreja utiliza os recursos materiais indispensáveis para o exercício da sua missão. Ela não o pode fazer simploriamente, pois isto equivaleria a atirar-se conscientemente na bancarrota; mas tem que se valer das normas de economistas e peritos fidedignos. Quem compreende isto, não se surpreende por saber que a Santa Sé tem seu organograma administrativo. Este é relativamente modesto, se comparado com o de outras instituições” (AS RIQUEZAS DA IGREJA, D. Estêvão Bettencourt. Escola Mater Ecclesiae).

A Santa Sé é um Estado, e, como tal, tem uma política econômica. Pela sua natureza peculiar, no entanto, essa política está limitada pelos princípios éticos e morais do catolicismo.

Toda essa aparente riqueza, no entanto, é insuficiente em relação às despesas do exercício de suas finalidades, ou seja, o serviço pastoral.

“Todavia para fazer frente às exigências de trabalho pastoral sempre mais complexo, o muito ainda é pouco. As dioceses lutam constantemente com insuficiência de recursos para realizar suas grandes tarefas” (Op. Cit).

Portanto, para que as obras sociais e missionárias não sejam paralisadas, a Igreja, além de procurar administrar de forma eficaz os seus recursos, depende da colaboração dos fiéis, através dos dízimos e das ofertas.

Quanto ao dízimo, a Igreja estipulou o seguinte mandamento: “Atender às necessidades materiais da Igreja, cada qual segundo as próprias possibilidades”. Não custa lembrar que o dízimo não é necessariamente a décima parte da renda de alguém, e nem tem como finalidade atrair graças de Deus, sejam materiais ou espirituais, mas antes colaborar com a missão apostólica da Igreja e com o sustento da paróquia da qual participamos.

As mesmas pessoas que compartilham essas imagens no Facebook deveriam também divulgar o sem número de obras de caridade levadas a cabo pela Igreja Católica…mas isso não é “cool”, não dá IBOPE, não é?

Recomendo também o texto: http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/1019-onde-estao-as-riquezas-do-vaticano

* O PAPA SENTA EM UM ”TRONO DE OURO”?
A imagem forjada ACIMA para enganar tolos, foi hospedada neste link abaixo, e mostra uma foto do Papa no trono, colada maldosamente ao lado de outra foto onde uma criança come migalhas do chão:

A Verdade:
1- O Papa jamais poderia vender aquele trono, pois não lhe pertence, é patrimônio tombado da humanidade. O Papa fez voto de pobreza, o deslocado versículo bíblico usado alí não se lhe aplica.
2- O trono em que senta o Papa nunca foi de “ouro”. O trono é de madeira com cobertura de bronze dourado. Só os tolos pensam que tudo que reluz é ouro.
Gian Lorenzo Bernini , o maior escultor do século XVII e também um extraordinário arquiteto, em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d’Este, duque de Modena.
Fonte: http://www.arqnet.pt/portal/biografias/bernini.html

Os embusteiros que visaram o falso testemunho juntando estas fotos, fariam melhor se pegassem a criança que come migalhas do chão e a levassem a Igreja Católica, a maior Obra Caritativa do Mundo, confira:
http://cotidianoespiritual.blogspot.com/2011/10/igreja-catolica-maior-obra-caritativa.html

Doações do Papa aos países pobres:
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/profilo_po/doni_po.html

Missões de caridades da Igreja:
http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/corunum/corunum_po/attivita_po/missioni_po.html

“O PAPA NÃO PODERIA TROCAR “OS TESOUROS DO VATICANO” POR COMIDA PARA A ÁFRICA?”
Muito se fala sobre a riqueza da Igreja, o ouro do Vaticano, entre outros.
A Igreja, incumbida por Jesus de levar a salvação a todos os homens, precisa de um “corpo material”, sem o qual não pode cumprir sua missão. O Vaticano possui cerca de 180 núncios apostólicos espalhados pelo mundo. No último Concílio, o do Vaticano II, Papa João XXIII reuniu cerca de 2.600 bispos de todas as nações, no Vaticano, durante 3 anos… Que chefe de Estado faz isso?
Em 1870, na guerra de unificação da Itália, a Igreja perdeu seu território pontifício de 40 mil quilômetros quadrados; ficando apenas com o pequeno espaço de hoje: 0,44 km², em 1929, pelo Tratado do Latrão. Os objetos contidos no Museu do Vaticano foram doados aos Santos Padres por cristãos e pertencem ao patrimônio da humanidade. De acordo com esse tratado [de Latrão], a Igreja não pode vender ou doar qualquer bem que esteja no Museu Vaticano. Não há motivo, portanto, para se falar, maldosamente, da “riqueza do Vaticano”.
Qualquer chefe de Estado, de qualquer pequeno país, tem à sua disposição, no mínimo, um avião. Nem isso, o Papa tem. Além disso, o Vaticano tem um órgão encarregado da caridade do Sumo Pontífice, o Cor Unum. No final de cada ano, é publicada no jornal do Vaticano, o L’Osservatore Romano, a longa lista de doações que o Papa faz a todas as nações do mundo, inclusive o Brasil, especialmente para vencer as flagelações da seca, fome, terremotos, entre outros.
São doações que o Santo Padre faz com o chamado “óbulo de São Pedro”, arrecadado dos fiéis católicos do mundo todo. A Igreja Católica, nestes dois mil anos, sempre fez e fomentou a caridade. Muitos hospitais, sanatórios, leprosários, asilos, albergues, etc., são e foram mantidos pela Igreja em todo o mundo. Quantos santos e santas, freiras e sacerdotes, leigos e leigas, passaram sua vida fazendo caridade… Basta lembrar aqui alguns nomes: São Vicente de Paulo, Dom Bosco, São Camilo de Lellis, Madre Teresa de Calcutá… a lista é enorme!
Hoje, 25% de todas as entidades que assistem os aidéticos são da Igreja. Nenhuma instituição fez e faz tanta caridade como a Igreja. Ela é muito rica, sim, espiritualmente. Na verdade, ela é rica desde sua origem, porque seu Criador é o próprio Deus; é d’Ele que vem toda a riqueza dela. Ela é o próprio Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12,27).
Ela é rica também porque é a Igreja dos santos, dos mártires, dos profetas, dos apóstolos, das virgens e viúvas santas, dos padres, dos pontífices, dos confessores, e de uma multidão de fiéis que, no silêncio da fé, oferecem suas vidas a Deus. Essa é a verdadeira riqueza da Igreja.
Prof. Felipe Aquino

«TROCAR TESOUROS DO VATICANO POR COMIDA PARA A ÁFRICA. TOPA?».
Com esta mensagem um internauta abriu um espaço no Facebook.
Em poucos dias, até esta sexta-feira pela manhã, 32.146 membros haviam aderido.
O cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício Cor Unum, esclarece que, independentemente do aspecto provocador ou ideológico da proposta, o Papa não poderia aplicá-la, pois o direito internacional o impede.
«Porque é uma vergonha ver as riquezas do Vaticano e depois o noticiário».
Na realidade, esclarece, a Igreja «tem a tarefa de conservar as obras de arte em nome do Estado Italiano. Não pode vendê-las».
Explica que, quando nos anos 60 um benfeitor alemão fez uma doação para restaurar o Colégio Teutônico, que se encontra dentro do Vaticano, a direção dessa residência, como gesto de agradecimento, deu-lhe uma estátua simples, que não tinha um valor comparável a outras que se encontram nos Museus Vaticanos, que se encontrava dentro do colégio. Essa pessoa teve muitíssimos problemas com o Estado italiano, pois foi acusado de subtrair bens que a Itália deve custodiar, explicou o cardeal.
«Em todas as nações há medidas para a defesa das obras de arte, porque o Estado deve mantê-las», declara, recordando que os bens da Santa Sé também fazem parte da história cultural da Itália. O cardeal recorda, por outro lado, que sem a obra da Igreja Católica, o sistema de saúde e educativo de algumas regiões da África não existiria.
«Presidentes africanos reconhecem quando vêm encontrar com o Papa», explica o cardeal Cordes. Sem a Igreja na África, uma parte dos portadores do HIV ficaria abandonada, pois a Igreja, com sua rede de hospitais, é a instituição que acolhe o maior número de pessoas com este vírus.

SÃO LOURENÇO
10 de Agosto

No ano 257, o imperador romano Valeriano ordenou uma perseguição contra os cristãos. No início, parecia mais branda do que a imposta por Décio. Ela tinha mais uma conotação repressora, porque proibia as reuniões dos cristãos, fechava os acessos às catacumbas, exilava os bispos e exigia respeito aos ritos pagãos. Mas não obrigava a renegar a fé publicamente. Entretanto, no ano seguinte, Valeriano ordenou que os bispos e padres fossem todos mortos.

Lourenço, na ocasião, era o arcediácono, do papa Xisto II, isto é, o primeiro dos sete diáconos a serviço da Igreja de Roma. Dados de sua vida, anterior a esse período, nunca foram encontrados. Porém devia ter uma boa formação acadêmica, pois seu cargo era de muita responsabilidade e importância. Depois do papa, era Lourenço o responsável pela Igreja. Iss quer dizer que ele era o assistente do papa nas celebrações e na distribuição da eucaristia. Mas, além disso, era o único administrador dos bens da Igreja, cuidando das construções dos cemitérios, igrejas e da manutenção das obras assistenciais destinadas ao amparo dos pobres, órfãos, viúvas e doentes.

A partir do decreto de Valeriano, os bispos começaram a ser executados e um dos primeiros foi Cipriano de Cartago, que morreu em 258. Logo em seguida foi a vez de o papa Xisto II ser executado, junto com os outros seis diáconos.

Conta a tradição que Lourenço conseguiu conversar com o papa Xisto II um pouco antes dele morrer. O papa ter-lhe-ia pedido para que distribuísse aos pobres todos os seus pertences e os da Igreja também, pois temia que caíssem nas mãos dos pagãos. Lourenço foi preso e levado à presença do governador romano, Cornélio Secularos, justamente para entregar todos os bens que a Igreja possuía. Lourenço pediu um prazo de três dias, pois, como confessou, a riqueza era grande e tinha de fazer o balanço completo. Obteve o consentimento.

Assim, rapidamente distribuiu tudo aos pobres e, quanto aos livros e objetos sagrados, cuidou para que ficassem bem escondidos. Em seguida, reuniu um grupo de cegos, órfãos, mendigos, doentes e colocou-os na frente de Cornélio, dizendo: “Pronto, aqui estão os tesouros da Igreja”. Irado, o governador mandou que o amarrassem sobre uma grelha, para ser assado vivo, e lentamente. O suplício cruel não demoveu Lourenço de sua fé. Segundo uma narrativa de santo Ambrósio, Lourenço teria ainda encontrado disposição e muita coragem para dizer ao seu carrasco: “Vira-me, que já estou bem assado deste lado”.

Lourenço morreu no dia 10 de agosto de 258, rezando pela cidade de Roma. A população mostrou-se muito grata a são Lourenço, que, pelo seu feito, é chamado de “príncipe dos mártires”. Os romanos ergueram, ao longo do tempo, tantas igrejas em sua homenagem que nem mesmo são Pedro e são Paulo, os padroeiros de Roma, possuem igual devoção.

Fonte: http://paroquiadapiedade.com.br/2012/02/18/a-igreja-catolica-e-rica/

Deus e a Criação

Deus e a criação
Antes de se argumentar a favor da existência de Deus, é preciso primeiro definir o que é Deus. Nesse artigo será defendida a existência do Deus cristão, defendido por São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Santo Anselmo, e outros doutores e filósofos, tanto da Igreja, quanto fora dela.
Deus: onisciente, onipresente, onipotente, perfeito, infinito, atemporal e transcendente.
Deus

Se não existe um criador, então o universo se criou sozinho, logo o universo tem que ser finito, pois se fosse infinito o universo seria Deus, pois toda criação tem que ser finita, e se o universo fosse Deus, então Deus existiria. Mas se algo que é finito, pode se criar sozinho, por que Deus, que é infinito e perfeito não pode se criar sozinho?

O ateu pode argumentar: O universo se criou sozinho, e como você mesmo diz é finito. Por que Deus que também se criou sozinho é infinito? Ele tem que ser finito como o universo, e se ele é finito então ele não é Deus.

Mas Deus não é criado, Deus não se criou, pois se Ele tivesse se criado ele teria que ter um inicio, e Deus como ser infinito não tem inicio, pois se ele dependesse da criação ele não seria completo (o universo não é completo, pois é finito, isso diferencia Deus do universo). Ele só pode ser Deus se ele não depende de tal criação. Se ele não depende de tal criação então ele é perfeito e sempre existiu independentemente de tempo, espaço e criação, pois tais regras SÓ SE APLICAM a coisas imperfeitas e materiais, como o universo. O universo não pode ter se criado sozinho, pois ele não é infinito, característica que o diferencia de Deus, que o criou.
Tudo que passa a existir é finito, e a partir do momento que as coisas nascem (seja um humano, ou um objeto ou qualquer coisa) o tempo de tal coisa passa a ser contado, passa a ser rolado. O tempo foi criado no big bang a partir do momento que as coisas finitas passaram a existir (inclusive o tempo). Sendo Deus algo atemporal, esta lei não se aplica a Deus, pois se Deus dependesse do tempo para existir, Ele passaria a existir somente depois do big bang e não poderia ter criado o universo, e não seria Deus, pois para ser Deus Ele precisa ser completamente independente.

Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento do passado em que ele passou a existir, assim como todas as coisas finitas.

Pois bem, a pergunta: ‘’Quem criou Deus?’’ é totalmente irracional, pois antes do big bang não existia tempo, então algo que não foi criado, não pode ter tido um início ou uma origem, e não pode ter tido seu tempo rolado a partir de sua criação. Como uma coisa pode ter sido criada antes de existir o tempo? Pois é o tempo que define o início de todas as coisas criadas. Perguntar quem criou Deus é o mesmo que perguntar qual o cheiro do azul.
Perceba que a palavra ‘’criou’’ da pergunta acima, é um verbo e está no passado. Ora, se ela está no passado, então ela precisa do tempo para fazer sentido. Se antes do big bang não havia tempo então essa pergunta não faz o menor sentido.
Finito é tudo que passa a existir em algum momento do passado. Tudo que é finito tem que ser temporal, pois passou a existir em um momento, e todo momento precisa do tempo, e todo tempo precisa do ser criado. Deus não é criado por não existir ‘’momento’’ antes da criação, por não existir tempo, por não existir ser criado. O tempo passou a existir assim que o universo foi criado, e o universo é finito justamente por ter sido criado. Deus é atemporal exatamente por não ter sido criado. Se Deus fosse criado, logicamente ele não poderia ser atemporal, e logicamente não seria Deus, pois seria criado e temporal. Deus só teria um inicio se Ele tivesse passado a existir depois do big bang, junto com todas as coisas materiais e finitas.
O tempo é intrínseco a criação. Não é a criação que depende do tempo para existir, e sim o contrário. Por isso Deus não precisou criar o tempo para criar o universo. Bastou criou o universo para o tempo existir.
O passado é tal porque não é mais, o futuro é tal porque não é ainda; e se o presente fosse presente e não se transformasse continuamente em passado, não seria tempo, mas eternidade. E é exatamente neste estado imutável em que Deus existe.

Deus existe no agora perpétuo.

O ateu diz: Mas se Deus pode tudo, ele poderia criar algo finito e atemporal, pois ele pode tudo.
Mas Deus pode tudo, mas dentro de sua lógica perfeita, pois se assim fosse, ele poderia existir e não existir ao mesmo tempo, e isso são coisas impossíveis, pois Deus é perfeito, e se ele é perfeito ele tem que existir, pois nada que não exista é perfeito.

Ateu: então Deus depende de sua própria lógica perfeita e regras e só pode executar coisas que estão dentro de tais lógicas, logo se ele depende então ele não é perfeito:

20120611-170918.jpg

Deus não depende de tal lógica, Ele É A lógica, em ato. Do mesmo modo que Deus não possui a perfeição, ele É a perfeição. Do mesmo modo que Deus não possui o infinito, ele É o infinito. Logo ele depende apenas dele mesmo. E sim, tudo só pode ser executado dentro de tal lógica, pois não existe nada fora de tal lógica, pois se existisse Deus não seria perfeito. Deus não tem potência para se tornar mais perfeito, ou mais poderoso, nem menos perfeito e menos poderoso, pois ele É perfeito em grau absoluto; uma característica de qualquer coisa finita e imperfeita é ter potência para se tornar melhor ou pior; Deus sendo perfeito não pode ter potencial para se tornar melhor ou pior, maior ou menor, pois já se encontra em um grau absoluto. Não pode haver nada além de Deus, pois se existisse Deus teria uma borda ou uma margem. Em algum momento Deus acabaria, ou chagaria ao fim. E ai viria à pergunta: o que há depois de Deus? Se existe algo além de Deus então Ele não seria infinito e absoluto. Deus é perfeito em grau absoluto e infinito, logo não pode ser dividido, subtraído, somado ou multiplicado, pois todas essas grandezas matemáticas aplicadas a qualquer coisa infinita daria infinito. Por esse motivo é impossível existir duas ou mais coisas infinitas, ou absolutas.
Podemos medir qualquer extensão em nossa realidade, pois todas tem um fim um e inicio. Todas tem uma borda no qual acaba, por isso é possível medi-la. Mas como vou medir uma extensão que não tem medida? Medida é: uma quantidade fixa que serve para avaliar extensões ou quantidades mensuráveis.
Como vou medir uma quantidade imensurável? Qualquer grandeza de medida aplicada a uma extensão imensurável daria um resultado imensurável, não alterando em nada a natureza do ser exposto ao calculo da medida.
Deus não é infinito quantitativamente, mas sim qualitativamente, pois não pode ser considerado nem como o todo, e nem como uma parte do todo, por que o todo é feito de partes. Não existe um Deus constituído de infinitas partes, mas sim um único Deus com infinitude qualitativa e singular em grau absoluto e homogêneo.

Qualquer coisa infinita não pode caber em lugar algum.

Não é Deus que está em algum lugar, pois ‘’lugar’’ pressupõe uma área determinada de espaço. O espaço, assim como o tempo, passou a existir somente depois da criação das coisas finitas e materiais. Se Deus fosse passivo de ‘’estar em algum lugar’’ então deveria ter passado a existir somente depois da criação, e não poderia ter criado. Não é Deus que está lá, é o todo que está em Deus. Por isso Deus é onipresente.
Uma das vias de provar a existência de Deus é provando a existência do infinito.
O infinito tem que existir, pois engloba exatamente tudo existente. Dentro ou fora do universo. Deus é tal coisa infinita, o que o faz onipresente e transcendente.

Mas ai ateu diz: Mas não se sabe o que tem depois do universo. Depois do universo pode existir o nada,
simplesmente o nada, e não Deus, como você crente afirma.

Mas tal afirmação é contraditória, pois o nada é ausência de algo, logo tem que haver algo depois do universo. Se depois do universo existisse o nada, então o nada seria infinito, mas o nada não pode ser infinito, tem que ser finito, pois o nada depende do tudo para existir. O nada é um buraco, um vácuo.
Imagine uma folha de papel, e nessa folha tem um buraco no meio. O buraco não existe, o que existe é uma folha faltando uma de suas partes. Logo o buraco para existir depende da folha, pois sem folha não existe o buraco e nem poderia. Um buraco no chão depende do chão para existir, ou um buraco na parede depende da parede, logo todo buraco é finito, pois é dependente de algo, e tudo que depende é finito. Então afirmar, que o nada além do universo é o infinito, é ilógico.
Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o universo veio de um vácuo, ou de um buraco, mas tal afirmação é absurda, pois como o exemplo citado à cima, um buraco não pode criar a folha, mas só a folha pode criar o buraco, pois não é a folha que está no buraco, mas é o buraco que está na folha. Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o buraco criou a folha, ou que a folha está no buraco, ao invés do buraco estar na folha. Sendo assim, o universo deve estar em algum lugar, pois se estivesse no nada como os céticos afirmam, teríamos o problema da folha. Seria o tudo (universo) dependendo do nada. Absurdamente ilógico.
Até o nada vem de algum lugar.

Segunda afirmação: O infinito tem que ser todo poderoso e completo.

Explicação: O infinito para ser infinito (sem inicio e nem fim) tem que ser completo e totalmente poderoso, não lhe faltando nada e nem dependendo de nada, pois não existe ausência no infinito, pois se existisse, não seria infinito. A folha quando tem um buraco no meio lhe falta alguma coisa. Falta o pedaço de papel que foi retirado para o buraco se fazer. Mas a folha não é infinita, logo ela pode sofrer uma ausência de algo. Mas Deus não pode sofrer tal ausência, pois Ele é infinito. Se Deus (que é o infinito) não fosse completamente, e totalmente poderoso, teríamos um problema. Pois se uma coisa não é totalmente poderosa, completa e independente, então lhe falta algo pra ser. Se lhe falta algo pra ser, então tal coisa se torna finita. Se tornando finito, Deus deixa de ser Deus.
Pois bem, provando a existência do infinito, e que o infinito para ser infinito tem que ser totalmente poderoso e completo, se prova a existência de Deus.
Depois do universo, tem que haver alguma coisa, pois o nada não existe. E há que é Deus.
Todo buraco depende de algo para ser feito, e buraco é um nada, um vazio e um vácuo, logo não pode ser infinito, pois é dependente. Do mesmo modo que a escuridão depende da luz para existir, o mal depende do bem e o frio depende do calor.
O que depende é submisso.
Conclui-se também que Deus tem que ser totalmente e completamente bom, pois se existisse uma parcela de maldade em Deus, então Ele sofreria uma ausência, deixando de ser infinito, pois o mal nada mais é do que a ausência do bem. Logo, Deus como ser infinito e já totalmente preenchido de bondade (pois não sofre ausência), tem que ser completamente bom, e perfeito.

Autor: Antunes Fernandes P. de Andrade

Fonte:http://www.caosdinamico.com/2012/06/se-argumentar-afavor-da-existencia-de.html?m=1

A FESTA DE CORPUS CHRISTI, A FESTA DO AMOR

20120607-104306.jpg

A festa de Corpus Christi é comemorada toda quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, após a festa de Pentecostes, e é realizada há mais de 8 séculos pelos cristãos do mundo. A história nos conta que no ano de 1258, Jesus apareceu à Beata Juliana de Cornillon pedindo a ela a introdução da Festa de Corpus Domini (Corpo de Cristo) no calendário litúrgico da Igreja. Foi preciso que um milagre Eucarístico acontecesse na cidade de Bolsena na Itália para que a Igreja entendesse a validade das mensagens de Juliana e reconhecesse a seriedade do pedido de Jesus. Nesta ocasião cairam gotas de sangue sobre o altar através de uma hóstia consagrada* que tirou qualquer dúvida sobre a veracidade dos fatos. Após este episódio o Papa Urbano IV em 1264 emitiu um transcrito, onde prescreveu a celebração da festa de Corpus Christi no calendário litúrgico da Igreja. Vamos aprender agora um pouco mais sobre esse sacramento instituído por Jesus para o nosso amor.

A Eucarístia Um sacramento de Amor

No Novo Testamento, há quatros passagens que relatam a instituição da Eucaristia. São os de São Mateus (26, 26-28), São Marcos, (14, 22-24), São Lucas (22, 19-20) e São Paulo (1 Cor 11, 23-29). Quando o padre lê as palavras iniciais da Eucaristia, faz isso em nome de Jesus, como se o próprio Jesus estivesse presente. Ernesto N. ROMAN, em sua obra A Eucaristia para o povo, livro que aponta de maneira aprofundada as relações deste sacramento com a Igreja, faz a seguinte citação: ?Teóflio de Alexandria, no ano 400, dizia: ?Na missa Cristo nos prepara hoje a mesa, nos serve? (2001, p. 15). A partir deste momento, o pão e o vinho ofertados no altar, se transformam realmente em corpo e sangue de Jesus, e a isto se dá o nome de transusbtânciação. Quer dizer que a aparência do pão e do vinho continuam, mas saem sua substância, entrando a realidade divina de Cristo. Neste mistério de fé para o católico, Ernesto N. ROMAN discorre em sua obra já citada:

?Sabemos que cada coisa existe com sua substância. A substância não se vê. Mas é aquilo que faz com que um coisa seja aquilo que é. Assim, a substância do ferro é aquilo que faz com que o ferro seja ferro, e não madeira. As aparências do pão e do vinho, aquilo que é percebido com os sentidos, como cor, cheiro, sabor?permancem, somente que sustentados pelo corpo e sangue de Cristo após as transubstânciação. Portanto Cristo se encontra alí na figura de pão e de vinho. Também as espécies do pão e do vinho estão aí não mais para garantir a presença do pão e do vinho, mas sim a presença do Corpo e do Sangue de Cristo? (ROMAM, 2001, p. 14).

Chama-se a Eucaristia também de renovação do sacrifício da cruz, pois era comum entre os judeus o sacrifício de animais e cordeiros como forma de expiação de pecados. Na Eucaristia, Cristo se oferece como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29), palavras essas recitadas pelo padre após a consagração das divinas formas reafirmando que Jesus veio ao mundo para levar à perfeição aquele primeiro sacrifício de cordeiros do povo judeu, como afirma a passagem do livro de Hebreus, no versículo 8 do capítulo 10, ?Não queres e não te agradas sacrifícios e ofertas, holocaustos pelo pecado?. Contudo aquele sacrifício na cruz fora cruento, devido ao derramamento de sangue, este agora é chamado pela Igreja como um sacrifício incruento, pois não há derramamento de sangue, mas não deixando de ser a mesma entrega. Maiores instruções sobre este assunto a própria Igreja o faz:

?Na Eucaristia, Cristo se dá este mesmo corpo que entregou por nós na cruz, o próprio sangue que derramou por muitos para remissão dos pecados (Mt 26,28). É portanto, um sacrifício porque re-presenta (torna presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos: Na última ceia, quiz deixar à sua Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível em que seria re-presentado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se um vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício esse cuja memória haveria de se perpetuar até o fim dos séculos (1 Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à redenção dos pecados que cometemos cada dia? (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 1995, p. 326,327).

Por isso estar diante do Santissímo Sacramento é estar diante do Corpo, Alma e divindade de Jesus Cristo, o mesmo de 2.000 anos atrás, e que deseja atualizar sempre o seu sacríficio da Cruz, para que os cristãos de todas as épocas e tempos tenham a honra e a grandiosidade de receber o mesmo Cristo Jesus que se deu a nós, um dia em Nazaré, e agora bem perto de nós.

Corpo de Cristo ? uma lição de amor

Outro termo da Eucaristia, do Corpo de Cristo, é Comunhão, na qual se ressalva outro aspecto importante desse sacramento, que é a união da comunidade reunida para uma refeição espiritual comum. Além de expressar a união de cada um de nós com o próprio Deus, que no momento da comunhão entra fisicamente e espiritualmente naquele que comunga, leva-nos ainda à uma plena intimidade mística. Renovando a entrega de Jesus a toda humanidade por meio da cruz, aspecto este muito significativo, essa comum-união descrita no livro de GÁLATAS (Cap.2, vers.20), é sem dúvida a maior expressão do catolicismo. Nesta festa do Corpo de Cristo a hóstia é elevada e levada solenemente em procissão pelas ruas. Essa expressão de amor tem durante todos os séculos da Igreja alimentado todas as gerações de fiéis católicos que acreditam na missa, como uma entrega renovada em cada celebração, do amor eterno de Deus ao seu povo.

Outro nome da Eucaristia dada pela Igreja é de Pio Pelicano, referência a figura do pelicano, uma ave que quando falta alimento para os filhotes, abre o peito com o bico para alimentá-los com o próprio sangue, morrendo se necessário. Esta expressão de renúncia pelo próximo é sublimada por Jesus e sacramentada na máxima: ?Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos? (Jo 15,13). Cada missa é portanto uma renúncia de Cristo por cada um de nós e uma grande lição de amor.

Todos nós sabemos que amar é dar a vida pelo próximo. É Jesus quem diz: ?eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem? eu dou a vida pelas ovelhas? (Jo 10, 14-15); em 1989, na Armênia, aconteceu um devastador terremoto na ex-União Soviética, que nessa ocasião teve a soliedariedade do mundo inteiro e aonde se fizeram presentes também Madre Tereza de Calcutá e suas irmãs. Aconteceu que debaixo dos escombros de uma casa fora encontrada após 18 dias uma mãe com seu filho pequeno. Para espanto de todos estavam vivos, porque na última semana, a mãe da criança em cada dia cortara um dedo de suas mãos para que o filho sugasse seu sangue e permanecesse vivo. Quando madre Tereza aproximou-se para beijá-la, ela tocou seu crucifixo, e com um fio de voz disse: ?Foi Ele que me ensinou?.

De fato Cristo deu o seu sangue para que tivéssemos a vida: ?Quem comer da minha carne e beber do meu sangue terá a vida eterna? ( Jo 6, 54).

A missa atualiza o sacrifício da cruz, atualiza a nossa redenção e consequentemente a vida espiritual em nós. Isto quer dizer que em cada missa Cristo se oferece ao Pai por nós. Em cada missa Cristo renova o seu único sacrifício que Ele mesmo pediu aos apóstolos para que o fizessem em sua memória. Memória esta que não significa apenas uma simples lembrança. Na verdade o que traduzimos por memória vem do grego anamnese, e no entanto o termo utilizado pelos evangelistas é uma palavra grega que não é uma simples memória (mnemone), mas é o mesmo que tornar presente. Por isso a Santa missa é muito mais que uma reunião de oração, é o único e suficiente sacrifício de Jesus Cristo, oferecido a Deus Pai, na cruz, tornando-se presente no altar. Todas as vezes que deixamos de cumprir com a nossa mínima obrigação semanal de participar da missa fazemos como todos os apóstolos que deixaram a Jesus no seu momento mais importante.

* Este milagre se encontra ainda hoje intacto, e pode ser visto aos olhos humanos na catedral do Lírios na Itália.

Fonte:http://www.veritatis.com.br/article/5199

Segue abaixo um video sobre milagre Eucarístico na cidade de Bolsena em 1263 Itália, que deu inicio a festa de Corpus Christi.

Pentecostes

A crise de identidade nos dias atuais preocupa instituições e indivíduos. Ela atinge também a Igreja. Não é novidade, pois em sua longa história, heresias e cismas foram tentativas frustradas para a alteração de sua doutrina e estrutura hierárquica. Não fosse assim, o catolicismo ter-se-ia pulverizado em um sem número de grupos contraditórios. Mas a celebração de Pentecostes revela ao mundo a Redenção e o Reino já herdado, mas ainda não consumado.

Temos diante de nós, portanto, a certeza de que “a Páscoa de Cristo completou-se com a efusão do Espírito Santo, que Se manifestou, Se deu e Se comunicou como Pessoa divina: da sua plenitude (…). A partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo abre-se aos que n’Ele creem. Pela sua vinda, o Espírito Santo faz entrar no tempo da Igreja” (Catecismo da Igreja católica, nn. 731-732).

Nesta festa, em que comemoramos o princípio da trajetória do cristianismo, cabe uma pergunta: há identidade no que creio e pratico, podendo considerar-me, com autenticidade, um membro vivo da Comunidade eclesial?

O Salvador instituiu a obra; delineou-a em seus contornos básicos; confiou seu governo a determinadas pessoas. Assegurou sua continuidade, uma sucessão ininterrupta e uma assistência eficaz.

Eis o quadro ao qual não podemos fugir se quisermos conservar o nome de católico. Desde o tempo dos Apóstolos, durante todos os séculos, o povo cristão guardou nítida a consciência dessa verdade. Quando surgem pregoeiros que tentam abalar esses alicerces é mister fortificar as bases por uma visão lúcida. Aliás, a fé simples de nossa gente costuma opor-se a tais leviandades.

O depósito de nossa Fé, por sua extraordinária riqueza, é sempre fecundo. A inteligência, criada por Deus, desenvolve novos aspectos da doutrina. Nas Ciências humanas, cada um é, por sua capacidade, a medida de penetração nos segredos e interpretação dos fatos. Na Igreja, entretanto, todo o ensino está sob a ação do Paráclito. Assim, a autenticidade não é o resultado de uma constatação pessoal apenas, mas obedece a um critério objetivo, o Magistério. A pesquisa, a hipótese de trabalho, a conclusão, encontram-se inseridos em uma dimensão do Eterno. Essa condição é fator de tranquilidade. Por mais ilustre que seja o mestre, seu ensino só é válido quando em consonância com o Espírito Santo que dirige os fiéis em comunhão visível com a Hierarquia.

Embora em grau menor, a disciplina eclesiástica se inclui nesse mesmo raciocínio. E por se tratar de uma decorrência da doutrina aplicada ao transitório, sofre as alterações do tempo, da cultura e de outros elementos. Como somos uma comunidade, é imperioso que haja determinadas normas de ação. Infringi-las é apresentar a obra de Deus desfigurada. Indivíduos justapostos, que agem conforme sopram os ventos, jamais constituem um corpo.

Em um mundo que canoniza a liberdade em todos os aspectos, ser cristão torna-se difícil. Submeter-se a normas pode afigurar-se ridículo. Observar integralmente os preceitos da Igreja, os ensinamentos do Redentor, com suas implicações na vida particular e social, exige aquele heroísmo que é próprio do Evangelho. Proporcionar valores sublimes; acatar a palavra do Papa; reagir contra falsas acomodações do ensino às situações do mundo, em resumo, parecer retrógrado por servir à causa do Mestre, pede coragem. E não é fácil haver coerência com um Cristo verdadeiro que nada tem de festivo. Entretanto, somente assim se usa honestamente o título de cristão.

A opção feita no batismo e renovada em momentos importantes de nossa vida nos leva à plena integração à Fé e aceitação heroica, se necessário, isto é, até as últimas consequências.

Os Escritos Sagrados nos mostram o Senhor e os Apóstolos preocupados em conservar a unidade dos discípulos. Para isso, importa não apenas evitar o erro, mas também lutar contra as tendências contraditórias da própria condição humana. Somos livres e a natureza nos inclina a preferir os próprios interesses aos do próximo ou do bem comum.

A via dura e áspera da renúncia é essencial para superar uma crise, a quem honestamente se intitula católico. Ela nos faz abandonar certas doutrinas, que poderiam parecer mais vantajosas ao Povo de Deus, e não aceitar práticas que, no juízo individualista de alguns, são tidas como eficazes ao trabalho apostólico. Agir dessa maneira para obedecer ao Magistério é difícil, mas necessário.

O mundo que nos cerca nos induz à satisfação própria, à exaltação da independência intelectual, à autodeterminação. Somente um clima de amor a Deus, que transborde em nossa vida uma conversão profunda, inspiram esta renúncia e, como consequência, nos mantêm nesse espírito de unidade. Em outras palavras, ser cristão, hoje, implica atitudes que exigem radicalismo.

Pentecostes comemora o aniversário da Igreja, a sua proclamação definitiva. Daí porque recordar essas características que lhe são próprias. Nós cremos que o Espírito Santo é força, conforto. Ele é nossa esperança. Procuremo-LO, que Ele nos conservará fiéis a Jesus Cristo.

Fonte: http://www.arquidiocese.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=3486&sid=78