Deus e a Criação

Deus e a criação
Antes de se argumentar a favor da existência de Deus, é preciso primeiro definir o que é Deus. Nesse artigo será defendida a existência do Deus cristão, defendido por São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Santo Anselmo, e outros doutores e filósofos, tanto da Igreja, quanto fora dela.
Deus: onisciente, onipresente, onipotente, perfeito, infinito, atemporal e transcendente.
Deus

Se não existe um criador, então o universo se criou sozinho, logo o universo tem que ser finito, pois se fosse infinito o universo seria Deus, pois toda criação tem que ser finita, e se o universo fosse Deus, então Deus existiria. Mas se algo que é finito, pode se criar sozinho, por que Deus, que é infinito e perfeito não pode se criar sozinho?

O ateu pode argumentar: O universo se criou sozinho, e como você mesmo diz é finito. Por que Deus que também se criou sozinho é infinito? Ele tem que ser finito como o universo, e se ele é finito então ele não é Deus.

Mas Deus não é criado, Deus não se criou, pois se Ele tivesse se criado ele teria que ter um inicio, e Deus como ser infinito não tem inicio, pois se ele dependesse da criação ele não seria completo (o universo não é completo, pois é finito, isso diferencia Deus do universo). Ele só pode ser Deus se ele não depende de tal criação. Se ele não depende de tal criação então ele é perfeito e sempre existiu independentemente de tempo, espaço e criação, pois tais regras SÓ SE APLICAM a coisas imperfeitas e materiais, como o universo. O universo não pode ter se criado sozinho, pois ele não é infinito, característica que o diferencia de Deus, que o criou.
Tudo que passa a existir é finito, e a partir do momento que as coisas nascem (seja um humano, ou um objeto ou qualquer coisa) o tempo de tal coisa passa a ser contado, passa a ser rolado. O tempo foi criado no big bang a partir do momento que as coisas finitas passaram a existir (inclusive o tempo). Sendo Deus algo atemporal, esta lei não se aplica a Deus, pois se Deus dependesse do tempo para existir, Ele passaria a existir somente depois do big bang e não poderia ter criado o universo, e não seria Deus, pois para ser Deus Ele precisa ser completamente independente.

Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento do passado em que ele passou a existir, assim como todas as coisas finitas.

Pois bem, a pergunta: ‘’Quem criou Deus?’’ é totalmente irracional, pois antes do big bang não existia tempo, então algo que não foi criado, não pode ter tido um início ou uma origem, e não pode ter tido seu tempo rolado a partir de sua criação. Como uma coisa pode ter sido criada antes de existir o tempo? Pois é o tempo que define o início de todas as coisas criadas. Perguntar quem criou Deus é o mesmo que perguntar qual o cheiro do azul.
Perceba que a palavra ‘’criou’’ da pergunta acima, é um verbo e está no passado. Ora, se ela está no passado, então ela precisa do tempo para fazer sentido. Se antes do big bang não havia tempo então essa pergunta não faz o menor sentido.
Finito é tudo que passa a existir em algum momento do passado. Tudo que é finito tem que ser temporal, pois passou a existir em um momento, e todo momento precisa do tempo, e todo tempo precisa do ser criado. Deus não é criado por não existir ‘’momento’’ antes da criação, por não existir tempo, por não existir ser criado. O tempo passou a existir assim que o universo foi criado, e o universo é finito justamente por ter sido criado. Deus é atemporal exatamente por não ter sido criado. Se Deus fosse criado, logicamente ele não poderia ser atemporal, e logicamente não seria Deus, pois seria criado e temporal. Deus só teria um inicio se Ele tivesse passado a existir depois do big bang, junto com todas as coisas materiais e finitas.
O tempo é intrínseco a criação. Não é a criação que depende do tempo para existir, e sim o contrário. Por isso Deus não precisou criar o tempo para criar o universo. Bastou criou o universo para o tempo existir.
O passado é tal porque não é mais, o futuro é tal porque não é ainda; e se o presente fosse presente e não se transformasse continuamente em passado, não seria tempo, mas eternidade. E é exatamente neste estado imutável em que Deus existe.

Deus existe no agora perpétuo.

O ateu diz: Mas se Deus pode tudo, ele poderia criar algo finito e atemporal, pois ele pode tudo.
Mas Deus pode tudo, mas dentro de sua lógica perfeita, pois se assim fosse, ele poderia existir e não existir ao mesmo tempo, e isso são coisas impossíveis, pois Deus é perfeito, e se ele é perfeito ele tem que existir, pois nada que não exista é perfeito.

Ateu: então Deus depende de sua própria lógica perfeita e regras e só pode executar coisas que estão dentro de tais lógicas, logo se ele depende então ele não é perfeito:

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Deus não depende de tal lógica, Ele É A lógica, em ato. Do mesmo modo que Deus não possui a perfeição, ele É a perfeição. Do mesmo modo que Deus não possui o infinito, ele É o infinito. Logo ele depende apenas dele mesmo. E sim, tudo só pode ser executado dentro de tal lógica, pois não existe nada fora de tal lógica, pois se existisse Deus não seria perfeito. Deus não tem potência para se tornar mais perfeito, ou mais poderoso, nem menos perfeito e menos poderoso, pois ele É perfeito em grau absoluto; uma característica de qualquer coisa finita e imperfeita é ter potência para se tornar melhor ou pior; Deus sendo perfeito não pode ter potencial para se tornar melhor ou pior, maior ou menor, pois já se encontra em um grau absoluto. Não pode haver nada além de Deus, pois se existisse Deus teria uma borda ou uma margem. Em algum momento Deus acabaria, ou chagaria ao fim. E ai viria à pergunta: o que há depois de Deus? Se existe algo além de Deus então Ele não seria infinito e absoluto. Deus é perfeito em grau absoluto e infinito, logo não pode ser dividido, subtraído, somado ou multiplicado, pois todas essas grandezas matemáticas aplicadas a qualquer coisa infinita daria infinito. Por esse motivo é impossível existir duas ou mais coisas infinitas, ou absolutas.
Podemos medir qualquer extensão em nossa realidade, pois todas tem um fim um e inicio. Todas tem uma borda no qual acaba, por isso é possível medi-la. Mas como vou medir uma extensão que não tem medida? Medida é: uma quantidade fixa que serve para avaliar extensões ou quantidades mensuráveis.
Como vou medir uma quantidade imensurável? Qualquer grandeza de medida aplicada a uma extensão imensurável daria um resultado imensurável, não alterando em nada a natureza do ser exposto ao calculo da medida.
Deus não é infinito quantitativamente, mas sim qualitativamente, pois não pode ser considerado nem como o todo, e nem como uma parte do todo, por que o todo é feito de partes. Não existe um Deus constituído de infinitas partes, mas sim um único Deus com infinitude qualitativa e singular em grau absoluto e homogêneo.

Qualquer coisa infinita não pode caber em lugar algum.

Não é Deus que está em algum lugar, pois ‘’lugar’’ pressupõe uma área determinada de espaço. O espaço, assim como o tempo, passou a existir somente depois da criação das coisas finitas e materiais. Se Deus fosse passivo de ‘’estar em algum lugar’’ então deveria ter passado a existir somente depois da criação, e não poderia ter criado. Não é Deus que está lá, é o todo que está em Deus. Por isso Deus é onipresente.
Uma das vias de provar a existência de Deus é provando a existência do infinito.
O infinito tem que existir, pois engloba exatamente tudo existente. Dentro ou fora do universo. Deus é tal coisa infinita, o que o faz onipresente e transcendente.

Mas ai ateu diz: Mas não se sabe o que tem depois do universo. Depois do universo pode existir o nada,
simplesmente o nada, e não Deus, como você crente afirma.

Mas tal afirmação é contraditória, pois o nada é ausência de algo, logo tem que haver algo depois do universo. Se depois do universo existisse o nada, então o nada seria infinito, mas o nada não pode ser infinito, tem que ser finito, pois o nada depende do tudo para existir. O nada é um buraco, um vácuo.
Imagine uma folha de papel, e nessa folha tem um buraco no meio. O buraco não existe, o que existe é uma folha faltando uma de suas partes. Logo o buraco para existir depende da folha, pois sem folha não existe o buraco e nem poderia. Um buraco no chão depende do chão para existir, ou um buraco na parede depende da parede, logo todo buraco é finito, pois é dependente de algo, e tudo que depende é finito. Então afirmar, que o nada além do universo é o infinito, é ilógico.
Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o universo veio de um vácuo, ou de um buraco, mas tal afirmação é absurda, pois como o exemplo citado à cima, um buraco não pode criar a folha, mas só a folha pode criar o buraco, pois não é a folha que está no buraco, mas é o buraco que está na folha. Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o buraco criou a folha, ou que a folha está no buraco, ao invés do buraco estar na folha. Sendo assim, o universo deve estar em algum lugar, pois se estivesse no nada como os céticos afirmam, teríamos o problema da folha. Seria o tudo (universo) dependendo do nada. Absurdamente ilógico.
Até o nada vem de algum lugar.

Segunda afirmação: O infinito tem que ser todo poderoso e completo.

Explicação: O infinito para ser infinito (sem inicio e nem fim) tem que ser completo e totalmente poderoso, não lhe faltando nada e nem dependendo de nada, pois não existe ausência no infinito, pois se existisse, não seria infinito. A folha quando tem um buraco no meio lhe falta alguma coisa. Falta o pedaço de papel que foi retirado para o buraco se fazer. Mas a folha não é infinita, logo ela pode sofrer uma ausência de algo. Mas Deus não pode sofrer tal ausência, pois Ele é infinito. Se Deus (que é o infinito) não fosse completamente, e totalmente poderoso, teríamos um problema. Pois se uma coisa não é totalmente poderosa, completa e independente, então lhe falta algo pra ser. Se lhe falta algo pra ser, então tal coisa se torna finita. Se tornando finito, Deus deixa de ser Deus.
Pois bem, provando a existência do infinito, e que o infinito para ser infinito tem que ser totalmente poderoso e completo, se prova a existência de Deus.
Depois do universo, tem que haver alguma coisa, pois o nada não existe. E há que é Deus.
Todo buraco depende de algo para ser feito, e buraco é um nada, um vazio e um vácuo, logo não pode ser infinito, pois é dependente. Do mesmo modo que a escuridão depende da luz para existir, o mal depende do bem e o frio depende do calor.
O que depende é submisso.
Conclui-se também que Deus tem que ser totalmente e completamente bom, pois se existisse uma parcela de maldade em Deus, então Ele sofreria uma ausência, deixando de ser infinito, pois o mal nada mais é do que a ausência do bem. Logo, Deus como ser infinito e já totalmente preenchido de bondade (pois não sofre ausência), tem que ser completamente bom, e perfeito.

Autor: Antunes Fernandes P. de Andrade

Fonte:http://www.caosdinamico.com/2012/06/se-argumentar-afavor-da-existencia-de.html?m=1

Publicado em 11 de junho de 2012, em Catolicismo, Comunicados aos Cristãos, Filosofia, Liturgia, Neo ateísmo. Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Maria José Garcia

    Muito lindo, nunca li algo tão maravilhoso, parabens, nós precisamos deste tipo de orientação, é um esclarecimento muito bom, obrigada.

  2. Tudo Bom?
    O grande problema do teístas é que entram em contradição quando dizem que tudo que existe foi criado, tem um criador.
    Seguindo essa lógica, quem criou o criador?
    Basear que simplesmente ele já existia e que jamais o entenderemos por completo é uma grande desculpa.

    Não me entenda mal. Mas eu olhei seu site. Já pensei muito como você.
    Provavelmente você é branco, de classe média/ média alta e teve uma vida mais ou menos tranquila.

    Estou apenas supondo.
    Eu sou assim.
    Para mim então sempre foi fácil acreditar em um Deus e defender a direita. Digamos que é um curso natural de auto preservação.

    Mas para seguir defendendo um caminho, é preciso fechar os olhos para quaisquer evidências do contrário, ou até mesmo minimizar, afinal, tudo é explicável pela logica divina.

    Veja também que como seres humanos, odiamos estar errados. Justamente por isso andamos em grupos que pensam da mesma forma que nós. E no conjunto temos as forçar renovadas, retroalimentando um grande círculo que jamais pode estar errado.

    Existem(ou já existiram) cerca de 2170 deidades.
    Provavelmente você segue aquela que foi lhe passada pelo seus pais, pois todas as crianças nascem ateístas.

    O que nos leva a pegar uma deidade e descartar as 2169 restantes? Você provavelmente é um ateu para todos os outros deuses.

    Sobre política, religião, sabemos extremamente pouco.
    Ví seu trabalho fantástico de se manter antenado a tudo, e acho que é isso mesmo que devemos fazer.

    Gostaria de terminar dizendo que respeito imensamente quem acredita em um deus.
    Não comentei aqui para criticar o sua crença, apenas para demonstrar que todos, e isso incluiu a mim mesmo, podemos estar errados sobre qualquer assunto, e que deveríamos nos permitir mudar de opinião quando convém. Não é estupidez, é inteligência.

    Fique livre para me contatar,

    Até mais,

    • Paulo: O grande problema do teístas é que entram em contradição quando dizem que tudo que existe foi criado, tem um criador.
      Seguindo essa lógica, quem criou o criador?
      Basear que simplesmente ele já existia e que jamais o entenderemos por completo é uma grande desculpa.

      Pardal: Aqui lhe apresentarei a 1 via de Santo Tomás de Aquino
      Iª Via – Prova do movimento

      É a prova mais clara.

      É inegável que há coisas que mudam. Nossos sentidos nos mostram que a planta cresce, que o céu fica nublado, que a folha passa a ser escrita, que nós envelhecemos, que mudamos de lugar, etc.

      Há mudanças substanciais. Ex.: madeira que vira carvão. Há mudanças acidentais. Ex: parede branca que é pintada de verde. Há mudanças quantitativas. Ex: a água de um pires diminuindo por evaporação. Há mudanças locais. Ex: Pedro vai ao Rio.

      Nas coisas que mudam, podemos distinguir:

      a) As qualidades ou perfeições já existentes nelas.

      b) as qualidades ou perfeições que podem vir a existir, que podem ser recebidas por um sujeito.

      As perfeições existentes são ditas existentes em Ato.

      As perfeições que podem vir a existir num sujeito são existentes em Potência passiva. Assim, uma parede branca tem brancura em Ato, mas tem cor vermelha em Potência.

      Mudança ou movimento é pois a passagem de potência de uma perfeição qualquer (x) para a posse daquela perfeição em Ato.

      M = PX —->> AX

      Nada pode passar, sozinho, de potência para uma perfeição, para o Ato daquela mesma perfeição. Para mudar, ele precisa da ajuda de outro ser que tenha aquela qualidade em Ato.

      Assim, a panela pode ser aquecida. Mas não se aquece sozinha. Para aquecer-se, ela precisa receber o calor de outro ser – o fogo – que tenha calor em Ato.

      Outro exemplo: A parede branca em Ato, vermelha em potência, só ficará vermelha em Ato caso receba o vermelho de outro ser – a tinta – que seja vermelho em Ato.

      Noutras palavras, tudo o que muda é movido por outro. É movido aquilo que estava em potência para uma perfeição. Em troca, para mover, para ser motor, é preciso ter a qualidade em ato. O fogo (quente em ato) move, muda a panela (quente em potência) para quente em ato.

      Ora, é impossível que uma coisa esteja, ao mesmo tempo, em potência e em ato para a mesma qualidade.

      Ex.: Se a panela está fria em ato, ela tem potência para ser aquecida. Se a panela está quente em ato ela não tem potência para ser aquecida.

      É portanto impossível que uma coisa seja motor e móvel, ao mesmo tempo, para a mesma perfeição. É impossível, pois, que uma coisa mude a si mesma.

      Tudo o que muda é mudado por outro.

      Tudo o que se move é movido por outro.

      Se o ente 1 passou de Potência de x para Ato x, é porque o ente 1 recebeu a perfeição x de outro ente 2 que tinha a qualidade x em Ato.

      Entretanto, o ente 2 só pode ter a qualidade x em Ato se antes possuía a capacidade – a potência de ter a perfeição x.

      Logo, o ente 2 passou, ele também, de potência de x para Ato x. Se o ente 2 só passou de PX para AX, é porque ele também foi movido por um outro ente, anterior a ele, que possuía a perfeição x em Ato.

      Por sua vez, também o ente 3 só pode ter a qualidade x em Ato, porque antes teve Potência de x e só passou de PX para AX pela ajuda de outro ente 4 que tinha a qualidade x em Ato. E assim por diante.

      PX —> AX PX (5) —> AX PX (4) —> AX PX (3) —> AX PX (2) —> AX (1)

      Esta seqüência de mudanças ou é definida ou indefinida. Se a seqüência fosse indefinida, não teria havido um primeiro ser que deu início às mudanças.

      Noutras palavras, em qualquer seqüência de movimentos, em cada ser, a potência precede o ato. Mas, para que se produza o movimento nesse ser, é preciso que haja outro com qualidade em ato.

      Se a seqüência de movimentos fosse infinita, sempre a potência precederia o ato, e jamais haveria um ato anterior à potência. É necessário que o movimento parta de um ser em ato. Se este ser tivesse potência, não se daria movimento algum. O movimento tem que partir de um ser que seja apenas ato.

      Portanto, a seqüência não pode ser infinita.

      Ademais, está se falando de uma série de movimentos nas coisas que existem no universo.

      Ora, esses movimentos se dão no espaço e no tempo. Tempo-espaço são mensuráveis. Portanto, não são movimentos que se dão no infinito.

      A seqüência de movimentos em tempo e espaço finitos tem que ser finita.

      E que o universo seja finito se compreende, por ser ele material. Sendo a matéria mensurável, o universo tem que ser finito.

      Que o universo é finito no tempo se comprova pela teoria do Big Bang e pela lei da entropia. O universo principiou e terá fim. Ele não é infinito no tempo.

      Logo, a seqüência de movimentos não pode ser infinita, pois se dá num universo finito.

      Ao estudarmos as cinco provas de S. Tomás sobre a existência de Deus, devemos ter sempre em mente que ele examina o que se dá nas “coisas criadas”, para, através delas, compreender que existe um Deus que as criou e que lhes deu as qualidades visíveis, reflexos de suas qualidades invisíveis e em grau infinito.

      Este primeiro motor não pode ser movido, porque não há nada antes do primeiro. Portanto, esse 1º ente não podia ter potência passiva nenhuma, porque se tivesse alguma ele seria movido por um anterior. Logo, o 1º motor só tem ATO. Ele é apenas ATO, isto é, tem todas as perfeições.

      Este ser é Deus.

      Deus então é ATO puro, isto é, ATO sem nenhuma potência passiva. Este ser que é ato puro não pode usar o verbo ser no futuro ou no passado. Deus não pode dizer “eu serei bondoso”, porque isto implicaria que não seria atualmente bom, que Ele teria potência de vir a ser bondoso.

      Deus também não pode dizer “eu fui”, porque isto implicaria que Ele teria mudado, isto é, passado de potência para Ato. Deus só pode usar o verbo ser no presente. Por isso, quando Moisés perguntou a Deus qual era o seu nome, Deus lhe respondeu “Eu sou aquele que é” (aquele que não muda, que é ato puro).

      Também Jesus Cristo ao discutir com os fariseus lhes disse: “Antes que Abraão fosse, eu sou” (Jo. VIII, 58). E os judeus pegaram pedras para matá-lo porque dizendo eu sou Ele se dizia Deus.

      Na ocasião em que foi preso, Cristo perguntou: “a quem buscais ?”, e, ao dizerem “a Jesus de Nazaré”, ele lhes respondeu:

      “Eu sou”. E a essas palavras os esbirros caíram no chão, porque era Deus se definindo.

      Do mesmo modo, quando Caifás esconjurou que Cristo dissesse se era o Filho de Deus, Ele lhe respondeu: “Eu sou”. E Caifás entendeu bem que Ele se disse Deus, porque imediatamente rasgou as vestes dizendo que Cristo blasfemara afirmando-se Deus.

      Deus é, portanto, ATO puro. É o ser que não muda. Ele é aquele que é. Por isso, a verdade não muda. O dogma não muda. A moral não evolui. O bem é sempre o mesmo.A beleza não muda.

      Paulo: Não me entenda mal. Mas eu olhei seu site. Já pensei muito como você.
      Provavelmente você é branco, de classe média/ média alta e teve uma vida mais ou menos tranquila.

      Estou apenas supondo.
      Eu sou assim.
      Para mim então sempre foi fácil acreditar em um Deus e defender a direita. Digamos que é um curso natural de auto preservação.

      Pardal: Sua suposição não tem nada a ver comigo. E é muito falha em varios os sentidos.
      Explico: não é porque uma pessoa tem uma taxa de vida boa que ela não se preucupa com as outras.
      Segundo: a crença em Deus exige muito mais do que a negação do Mesmo. Infelizmente nos dias de hoje poucos buscam com mais intencidade e profundidade a Deus.
      Você cita que para você sempre foi fácil acreditar em Deus e defender a direita. Mas não vejo nenhum motivo para apoiar a esquerda e deixar de crer em Deus.

      Paulo: Mas para seguir defendendo um caminho, é preciso fechar os olhos para quaisquer evidências do contrário, ou até mesmo minimizar, afinal, tudo é explicável pela logica divina.

      Pardal: gostaria de saber com mais detalhes o que é lógica divina para você, e passarei o que é logica divina para mim. Ai veremos se estamos falando da mesma lógica.

      Paulo: Veja também que como seres humanos, odiamos estar errados. Justamente por isso andamos em grupos que pensam da mesma forma que nós. E no conjunto temos as forçar renovadas, retroalimentando um grande círculo que jamais pode estar errado.

      Existem(ou já existiram) cerca de 2170 deidades.
      Provavelmente você segue aquela que foi lhe passada pelo seus pais, pois todas as crianças nascem ateístas.
      Pardal: Caro Paulo sugiro que leia este post para que fique claro essa afirmação falha.
      Todos nascem ateus.
      https://apologeticanojapao.wordpress.com/2010/10/14/tecnica-todos-nascem%C2%A0ateus/

      Paulo: O que nos leva a pegar uma deidade e descartar as 2169 restantes? Você provavelmente é um ateu para todos os outros deuses.

      Pardal: meu caro acho que você esta transbordando de argumentos falhos dos ateus e pior que são argumentos tão fracos que não esperava que tivessem pessoas que levam isso a sério. Mas deixarei um video para você compreender melhor.

      Paulo: Sobre política, religião, sabemos extremamente pouco.
      Ví seu trabalho fantástico de se manter antenado a tudo, e acho que é isso mesmo que devemos fazer.

      Gostaria de terminar dizendo que respeito imensamente quem acredita em um deus.
      Não comentei aqui para criticar o sua crença, apenas para demonstrar que todos, e isso incluiu a mim mesmo, podemos estar errados sobre qualquer assunto, e que deveríamos nos permitir mudar de opinião quando convém. Não é estupidez, é inteligência.

      Pardal: Obrigado por visitar o blog e se quiser conversar mais estarei sempre a disposição.
      Mudar de opinião quando estamos errados não quando convém!

      Abraços

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