Arquivo mensal: agosto 2012

O Banquete do Cordeiro (Parte 5)

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Magnetismo animal cap II

No tempo da escravidão de Israel no Egito, está claro que o sacrifício ocupa uma parte essencial e fundamental da religião de Israel.
Os capatazes do faraó escarnecem dos frequentes sacrifícios dos israelitas, afirmando serem apenas uma desculpa para evitar o trabalho (Ex 5,17).
Mais tarde quando Moisés faz um apelo ao Faraó, sua exigencia principal é o direito dos israelitas oferecerem sacrifícios a Deus (Ex 10,25).
O que significam todas essas oferendas? O sacrifício animal significava muitas coisas para os antigos israelitas:
-Era o “reconhecimento da soberania”de Deus sobre a criação:”Ao Senhor, a terra e sua riquezas” (Sl 24,1).Assim o sacrifício louvava a Deus, de quem fluem todas as bênçãos.
-O sacrifício era um ato de “agradecimento”. A criação foi dada ao homem como dádiva.
-Às vezes, o sacrifício servia para “ratificar solenemente uma acordo ou juramento, uma aliança diante de Deus” (Gn 21,22-23).
-O sacrifício também era “ato de renúncia e tristeza pelos pecados”. O que oferecia o sacrifício reconhecia que seus pecados faziam-no merecer a morte;em lugar de sua vida, oferecia a do animal.


A contagem das ovelhas cap II

Mas, na história de Israel, o sacrifício principal foi a “Páscoa”, que apressou a fuga dos Israelitas do Egito.
Foi na Páscoa que Deus instuiu toda família israelita a tomar um ” animal sem defeito, sem ossos quebrados, degolá-lo e passar seu sangue na ombreira da porta”.
Os israelitas deveriam comer o cordeiro naquela noite.
Se o fizessem, seus primogênitos seriam poupados.
Se não o fizessem, seus primogênitos morreriam durante a noite, juntamente com todos os primogênitos de seus rebanhos (Ex 12,1-23).
O cordeiro sacrifical morreu como expiação, em lugar do primogênito da casa.
A Páscoa então, foi uma ato de redenção, um “resgate”.
Contudo, Deus não apenas resgatou os primogênitos de Israel;também os consagrou como um “reino de sacerdotes e uma nação santa”(Ex 19,6) – uma nação que Ele chamou seu “filho primogênito” (Ex 4,22).
O Senhor pediu, então, aos Israelitas para comemorarem a Páscoa todos os anos e até deu as palavras que deveriam usar para explicar o ritual às gerações futuras: “Quando vossos filhos vos perguntarem: ‘Que rito é esse que estais celebrando?’, direis:
‘É o sacrifício da Páscoa para o Senhor, que passou diante das casas dos filhos de Israel no Egito, quando golpeou o Egito e libertou nossas casas'”(Ex 12, 26-27).
Na terra prometida, os israelitas continuaram os sacrifícios cotidianos a Deus, agora guiados pelos muitos preceitos da Lei, enumerados em Levítico, Números e Deusteronômio (Lv 7-9;Nm 28; Dt 16).

Dentro e fora cap II

Era todo esse sacrifício apenas um ritual vazio? Não, embora, obviamente, o holocausto, por si só, não fosse suficiente. Deus exigia também um sacrifício “interior“.
O salmista declarou que “o sacrifício que Deus quer é um espírito contrito” (Sl51,19).
O profeta Oséias falou por Deus e disse:” Pois é o amor que me agrada, não o sacrifício;e o conhecimento de Deus, eu o prefiro aos holocaustos” (Os 6,6).
Contudo, a obrigação de oferecer sacrifícios foi mantida.
Sabemos que Jesus cumpria as leis judaicas referentes ao sacrifício.
Ele celebrava a Páscoa todos os anos em jerusalem e é de se presumir que comesse o cordeiro sacrificado, primeiro com a família e mais tarde com os apóstolos.
Afinal de contas, “isso não era facultativo”.Consumir o cordeiro era o único jeito de o judeu fiel “renovar a aliança com Deus “, e Jesus era um judeu fiel.
Mas a importância da Páscoa na vida de Jesus foi mais que ritual, foi “fundamental para sua missão”, um momento definitivo.
Jesus é o Cordeiro. Quando Jesus estava diante de Pilatos, João observa que “era o dia da preparação da Páscoa, por volta da sexta hora” (Jo 19,14). João sabia que era na sexta hora que os sacerdotes começavam a imolar os cordeiros pascais.Esse, então, é o momento do sacrifício do Cordeiro de Deus.
Em seguida, João relata que nenhum dos ossos de Jesus foi quebrado na cruz, “para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19,36). Que Escritura era essa? Êxodo 12, 46, que estipula que os ossos do Cordeiro da Páscoa não sejam quebrados. Vemos, então, que o Cordeiro de Deus, como o cordeiro da Páscoa, é oferenda condígna, realização perfeita.
Na mesma passagem, João relata que fixaram uma esponja embebida em vinagre na ponta de um ramo de hissopo e a serviram a Jesus (Jo 19,29;Ex12,22). Hissopo era o ramo preceituado pela lei para borrifar o sangue do cordeiro na Páscoa. Assim, essa ação simples marcou a realização da nova e perfeita redenção.
E Jesus disse: “Tudo está consumado”.
Por fim, ao falar das vestes de Jesus na hora da crucifixão, João usa os termos exatos para os paramentos que o sumo sacerdote usava qdo oferecia sacrifícios como cordeiro da Páscoa.

Ritos da vítima cap II

O que concluimos disso? João nos deixa claro que no novo e definitivo sacrifício da Páscoa, Jesus é sacerdote e também vítima. Isso se confirma nos relatos da Última Ceia contidos nos três outros evangelhos, onde Jesus usa claramente a linguagem sacerdotal de sacrifício e libação, até qdo descreve a si mesmo como a vítima.
“Isto é o meu corpo dado por vós…Esta taça é a nova Aliança em meu sangue derramado por vós” (Lc 22, 19-20).
O sacrifício de Jesus realizou o que todo o sangue de milhões de ovelhas e touros e bodes jamais conseguiu. “Pois é impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados” (Hb 10,4).
Nem o sangue de um quarto de milhão de cordeiros salvaria a nação de Israel, muito menos o mundo. Para expiar as ofensas contra um Deus que é bom, infinito e eterno, a humanidade precisava de um sacrifício perfeiro:um sacrifício tão bom, puro e infinito qto o próprio Deus. E esse era Jesus, o único que podia “abolir o pecado com seu próprio sacrifício” (Hb 9,26).
“Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36). Por que Jesus tinha de ser um cordeiro e não um garanhão, um tigre ou um touro? Por que o apocalípse retrata Jesus como “um cordeiro que parecia imolado”(Ap5,6)? Por que a missa precisa proclamá-lo como “Cordeiro de Deus”?. Porque só um cordeiro sacrifical se encaixa no padrão divino de nossa salvação.
Jesus era sacerdote além de vítima e como sacerdote fazia o que nenhum outro sumo sacerdote fazia, pois este entrava “todos os anos no santuário com sangue estranho”(Hb 9,25) e mesmo então,só ficava pouco tempo antes que sua indignidade o obrigasse a sair.
Mas Jesus entrou no Santo dos santos – o céu – de uma vez por todas, para oferecer-se como nosso sacrifício. Além disso, pela nova Páscoa de Jesus, nós também nos tornamos um reino de sacerdotes e a Igreja do primogênito (veja Ap 1,6; Hb 12,23 e compare com Ex4,22;19,6).
E com Ele entramos no santuário do céu toda vez que vamos a missa. Mas adiante, voltaremos a todas essas imagens, quando examinarmos esse santo dos santos no livro do Apocalipse, com seu altar e seu Templo, seu incenso e seu Cordeiro onipresente.

Scott Hahn e o Papa Bento XVI

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EXISTÊNCIA DE DEUS: O ARGUMENTO MORAL

EXISTÊNCIA DE DEUS: O ARGUMENTO MORAL

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O Argumento Moral

O Argumento Moral se resume basicamente na seguinte lógica: (1) Se valores morais objetivos existem, então Deus existe; (2) valores morais objetivos realmente existem; (3) portanto, Deus existe.

Vamos analisar a primeira premissa: Existem valores objetivos? Se a moralidade é relativa e não absoluta, este argumento é destruído! Só para entender o vocabulário utilizado, moralidade objetiva significa que a diferença entre o certo e o errado é muita clara entre a humanidade, enquanto a moralidade relativa significa que a moralidade depende, ou não é clara para os seres humanos. Abordamos até certa extensão deste assunto no artigo a respeito de verdade relativa versus verdade absoluta, mas aprofundaremos a questão mais um pouco.

Existem três tipos de moralidade relativa: Relativismo Cultural, Convencionalismo e Subjetivismo Ético.

O Relativismo Cultural defende que o que é certo em uma cultura pode ser errado em outra cultura, e por isso a moralidade não é objetiva. Por exemplo, o aborto é completamente proibido em países como o México, opcional em países como os Estados Unidos e liberalmente praticado em países como a China. O grande problema dessa afirmação é que a moralidade não é descritiva e sim prescritiva. Ela diz como deveria ser o mundo e não o que é o mundo hoje. Além disso, só porque a resposta das culturas é diferente para uma determinada pergunta, não quer dizer que não exista uma resposta correta para essa pergunta.

Quando esse assunto surge, muitos céticos gostam de ilustrar com a história do elefante e das três pessoas vendadas. Ao apalpar partes diferentes do elefante, elas divergem na definição do objeto. Ao apalpar a trompa do elefante, uma diz que é uma cobra. Ao apalpar a pata do animal, a outra diz que é o tronco de uma árvore. A última, ao apalpar as orelhas do elefante, diz que é uma grande folha. Com essa história, querem dizer que pessoas diferentes veem a realidade de forma diferente, dependendo de onde você está e qual a cultura que você tem. Mas, com isso, eles se esquecem de um detalhe: apesar de cada pessoa ter dito uma coisa, a verdade não deixava de ser que eles estavam apalpando um elefante! Percebe? Quando as pessoas discordam a respeito da moralidade, não significa que não exista moralidade objetiva!

O segundo tipo, chamado Convencionalismo, diz que a sociedade seria o agente que deveria decidir o que é certo ou errado. Ao contrário do Relativismo Cultural segundo o qual não existem respostas certas ou erradas, o Convencionalismo diz que existe certo ou errado, porém, cada sociedade deve decidir. Não precisamos ir muito longe para entender que o Convencionalismo não dá certo. Essa era a filosofia da Alemanha na época de Segunda Guerra Mundial. A lei dizia que os judeus eram sub-humanos e indignos de viver. Essa lei era “moral” porque, em um sistema Convencionalista, tudo o que é legal é moral, e o que é ilegal é imoral.

A forma mais propagada de moralidade relativa é o Subjetivismo Ético. Nessa filosofia, é o indivíduo que define o que é certo e errado para ele. A moralidade nada mais é do que preferência e opinião pessoal. Nesse caso, ninguém poderia dar qualquer opinião concreta sobre um fato ou uma ação de forma coerente. Não poderia ser dito que os ataques terroristas ou guerras realizadas nas últimas décadas foram ruins, e nem que os grandes pacificadores e altruístas foram bons. Um subjetivista ético teria que passar indiferentemente por uma situação de homicídio ou de estupro sem dizer nada, porque, para ele, isso pode ser errado, mas para outros pode não ser.Pode parecer exagero, mas sua casa pode ser roubada e sua filha morta, desde que o ladrão e o assassino acreditem que suas ações são corretas.

Agora vamos para o outro lado da moeda: a Moralidade Objetiva. A Moralidade Objetiva é uma prescrição de princípios morais aplicáveis em todas as situações, para todas as pessoas em todas as épocas. Uma das formas de observar sua existência é simplesmente por nossa intuição. É o que percebemos, por exemplo, quando vemos a frase “Crianças são torturadas como forma de entretenimento”. Qual a sua intuição primária ao ler essa frase? Isto é errado! E quando lê a frase: “Homem mata esposa e filha com trinta facadas”. Errado!

O inglês Richard Dawkins, o mais famoso ateu fundamentalista da atualidade, em seu livro River Out of Eden, diz que nosso universo não oferece “nenhum propósito, nenhum mal e nenhum bem. Nada senão uma cega e impiedosa indiferença. O DNA não se importa. O DNA simplesmente é. E nós dançamos conforme sua música.”[1] Mas seu livro Deus, um Delírioestá completamente permeado de um sentimento de profundo desgosto por atos “imorais”, assim demonstrado também por sua ativa participação em protestos contra abuso de crianças e pelo preconceito contra homossexuais. Mas, se o DNA não sabe e nem se importa, por que e como sabemos o que é certo e errado e por que nos importamos?

Ele então continua a argumentar que a moralidade evoluiu dos chimpanzés que têm uma noção de viver em família, de ajudar seus parceiros e trabalhar em grupo. O problema disso tudo é que, se foi realmente a evolução que nos levou a adquirir o senso de moralidade que temos hoje, a moralidade é subjetiva, ou seja, cada pessoa, família ou grupo pode construir seu próprio código de moralidade. Isso não seria, porém, a moralidade absoluta que observamos na humanidade.

A Moralidade Objetiva é a única forma coerente de moralidade e a única que pode ser vivida consistentemente.

Agora que estamos tranquilos com a primeira e a segunda premissas, temos que entender como chegamos diretamente à terceira. Por que precisamos necessariamente chegar prematuramente à ideia de que a Moralidade Objetiva prova a existência de Deus? Não podemos explicar essa moralidade simplesmente atribuindo-a à lógica e à evolução naturalista?Para isso, precisamos explicar de onde veio a moralidade.

Primeiro, vejamos esta citação de Kai Neilsen, um filósofo ateu dinamarquês: “Não fomos capazes de mostrar que a razão exige o ponto de vista moral, nem que todas as pessoas realmente racionais não deveriam ser individualistas egoístas ou não morais clássicos. A razão não decide aqui. O que pintei para você não é agradável. A reflexão sobre isso me deprime. […] A razão prática, pura, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não o levará à moralidade.”[2] Isso se explica facilmente porque na visão ateia evolucionista o ser humano é apenas um animal, e animais não têm qualquer obrigação moral.

Outra citação interessante é do australiano J. L. Mackie, um filósofo que tentou provar com unhas e dentes que a moralidade é relativa: “Se há valores objetivos, eles tornam a existência de um deus mais provável do que seria sem eles. Portanto, temos um argumento defensável a partir da moralidade para a existência de um deus.”[3]

Com isso em mente, vamos relembrar os fatos que temos por enquanto. Sabemos que a moralidade é: (1) Prescritiva, (2)um comando, (3) universal, (4)objetiva, (5) autoritativa.

Levando isso em consideração, em primeiro lugar, prescrições e comandos são feitos apenas entre seres pensantes, portanto, podemos saber que, seja de onde vem a moralidade, tem que vir de uma mente pensante. Em segundo lugar, a moralidade vem com um propósito e uma vontade, portanto, a fonte de moralidade também deve ter um propósito e uma vontade. Em terceiro lugar, a moralidade é universal e transcende os seres humanos, o tempo e o espaço, portanto, a fonte também deve ser transcendente. Em quarto lugar, já que a moralidade é autoritativa, deve ter vindo de uma autoridade e autoridade só pode ser mantida por uma pessoa, portanto, a fonte deve ser pessoal. E, finalmente, a fonte deve ter o poder e a habilidade para impor a sua vontade moral em nossa intuição. Como podemos chamar essa fonte de moralidade? Deus.

Nas palavras de Paul Copan, filósofo e Teólogo americano: “A razão pela qual o teísmo faz mais sentido aqui é que a personalidade e a moralidade estão necessariamente conectadas. Isto é, os valores morais estão enraizados na personalidade. Sem Deus (um Ser pessoal), nenhuma pessoa – e, portanto, nenhum valor moral – poderia existir.”[4]

É interessante notar que, de longe, o argumento mais usado por ateus é: “Como podemos acreditar em um Deus bom se existe tanta maldade no mundo?” A resposta completa a esse argumento será dada em outro momento, porém, existe uma importante questão que precisamos levantar motivados por essa afirmação. Com esse argumento, um ateu ou até mesmo um cristão sincero está afirmando claramente que existe o mal no mundo. Se alguém acredita que existe o mal, também está pressupondo que exista o bem. Mas se alguém diz que existem o bem e o mal, está implicitamente afirmando que existe uma lei moral que diferencia o bem do mal. E se existe uma lei moral, existe um doador da lei moral. Portanto, um argumento que era primariamente para ir contra a existência de Deus, na realidade, é um argumento a favor dEle!

O argumento moral nos mostra evidências claras de que existe um Deus pessoal e poderoso que colocou no seu e no meu coração a vontade de fazer o que é certo, e abre nossa realidade para a culpa quando fazemos o que é errado. A questão é se vamos reconhecer que Ele existe nos apoiando em todas as evidências que Ele nos dá para acreditar nisso.

Um soldado na Guerra do Vietnã, cansado da incessante pressão dos companheiros que lhe diziam que Deus não existia, escreveu uma poesia em meio aos ruídos da morte. Na noite anterior a uma terrível batalha, ele escreveu o seguinte:

“Eu nunca falei contigo, Deus Pai / Mas agora quero dizer, ‘Como vai?’

“Eles me disseram que Você não existia / E eu como um tolo acreditei com garantia.

“Ontem à noite, de um buraco o Seu céu contemplei / O que eles me disseram era uma mentira, agora eu sei.

“Se eu tivesse separado tempo para ver as coisas que Você fez / Eu saberia que eles não estavam nos chamando para fazer guerra.

“Me pergunto, Deus, se Você tomaria a minha mão / De alguma forma eu sinto que terá compaixão.

“Engraçado eu ter que vir para este lugar infernal / Antes de ter tempo para ver Sua face eternal.

“Acho que não há muito mais para dizer / Mas estou muito feliz, Deus, de hoje Lhe conhecer.

“Acredito que a meia-noite chegará certa / Mas eu não estou com medo sabendo que Você está por perto.

“O sinal soou, Deus, eu tenho que partir / Gosto muito de Você, e quero admitir.

“Saiba que essa será uma luta assustadora / Quem sabe eu vá para Sua casa na aurora.

“Apesar de nunca ter sido Seu amigo / Me pergunto se naquele grande dia / Você me esperaria para dar abrigo.

“Olhe, agora estou chorando, estou derramando lágrimas, Deus / Tenho que ir agora, Senhor, adeus.

“Estranho que agora que vim a você conhecer / Não tenho mais medo de morrer.”

Você pode até afirmar que Ele não existe, só não pode dizer que não recebeu evidências suficientes!

Fonte: Marina Garner Assis

Referências:

1. Richard Dawkins, River Out of Eden (New York: Basic Books, 1992), p. 133.
2. Kai Nielsen, “Why Should I Be Moral?”, American Philosophical Quarterly21 (1984), p. 90.
3. J. L. Mackie, The miracle of Theism. Oxford: Clarendon Press, 1982, p. 115-16.

Famosa blogueira atéia converte-se ao catolicismo

 

Fonte:http://sumateologica.wordpress.com/2012/07/31/famosa-blogueira-ateia-converte-se-ao-catolicismo/

Leah Libresco, blogueira americana atéia, anunciou em seu conhecido site a conversão ao catolicismo

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, segunda-feira, 30 de julho de 2012 (ZENIT.org) – É uma história maravilhosa de conversão nos nossos dias, aquela de Leah Libresco, a popular blogueira americana atéia responsável do “Patheos Atheist Portal”.

No passado 18 de Junho uma postagem desta jovem filósofa, formada em Yale e colaboradora do Huffington Post, definitivamente chocou muitos seguidores – especialmente ateus – do seu blog, chegando rapidamente a todas as partes do mundo.

“Esta é a minha última postagem” anunciava dramaticamente o título do artigo, onde a blogueira declarava ter finalmente encontrado a resposta para aquela sua “moral interna” que até agora o ateísmo não conseguia satisfazer: o cristianismo. A resposta que durante anos Leah refutava e rejeitava com “explicações que buscam colocar a moralidade no mundo natural.”

“Durante anos eu tentei argumentar a origem da lei moral universal que reconhecia presente em mim” explicou a blogueira; uma moralidade “objetiva como a matemática e as leis da física”. Nesta busca contínua de respostas, Leah se refugiou, por exemplo, na filosofia ou na psicologia evolutiva.

“Eu não pensava que a resposta estivesse ali” admite, mas ao mesmo tempo “não podia mais esconder que o cristianismo demonstrava melhor do que qualquer outra filosofia aquilo que reconhecia já como verdadeiro: uma moral dentro de mim que o meu ateísmo, porém, não conseguia explicar”.

Os primeiros “sinais” de conversão vieram no dia de Domingo de Ramos, quando a blogueira participa de um debate com os alunos de Yale para explicar de onde deriva a lei moral. Durante a explicação, foi interrompida por um jovem que“buscava fazer-me pensar – como ela mesma lembra – pedindo-me para não repetir a explicação dos outros, mas para dizer o que eu pensava sobre isso”.

“Não sei, não tenho uma idéia” é a resposta da Leah diante de uma pergunta simples, mas inquietante. “A sua melhor hipótese?”, continuou o jovem, “não tenho uma”, ela responde.

“Terá talvez alguma idéia”, continua ele; “não o sei… mas acho que a moral tenha se apaixonado por mim ou algo parecido” tenta falar a filósofa, mas o rapaz neste momento diz-lhe o que pensava.

Refletindo, a mulher diz: “Percebi que, como ele, eu acreditava que a moral fosse objetiva, um dado independente da vontade humana”. Leah descobre portanto que também ela crê “numa ordem, que implica alguém que o tenha pensado” e “na existência da Verdade, na origem divina da moral”.

“Intuí – explica ainda – que a lei moral como a verdade pudesse ser uma pessoa. E a religião católica me oferecia a estrada mais razoável e simples para ver se a minha intuição era verdadeira, porque diz que a Verdade é vivente, que se fez homem.”

Pedindo depois àquele jovem o que lhe sugeria fazer, a filósofa atéia convicta, começa a rezar com ele a Completa no Livro dos salmos e continua “a fazê-lo sempre, também sozinha”.

Anos e anos de teorias, provas, convicções, desmoronados diante da única Verdade: Deus. Publicada no portal, a história de Leah provocou reações diversas e milhões de comentários. Basta pensar no fato de que tenha sido postada no Facebook 18 mil vezes e que a sua página web tenha recebido, segundo o diretor do blog, Dan Welch, cerca de 150 mil acessos.

Muitos comentários são acusadores, pessoas atéias que se sentem “traídas” por aquela que era para eles uma líder. Muitos outros, ao contrário, são de católicos que, como muitos não-crentes, seguiam o blog. Alguns expressam as suas felicitações e dizem: “Estou tão feliz por você. Rezei tanto. A aventura está apenas começando.”

Entrevistada pela CNN, a Libresco no entanto, confessou de ter ainda muito a entender e estudar sobre aquilo que sustenta a Igreja sobre questões de moral, como por exemplo a questão da homossexualidade que a deixa ainda “confusa”. “Mas não é um problema” afirmou, em quanto que tudo do que ela se convenceu “é razoável”.

Depois da conversão, a mulher procurou também uma comunidade católica, “escandalizando os amigos” mais incrédulos. “Se me perguntam como estou hoje respondo que estou feliz – diz a blogueira – o melhor período que você pode viver é quando você se dá conta de que quase tudo o que você pensava que era verdadeiro, na verdade era falso”.

Ainda à CNN, a blogueira contou que se sentia “renascida uma segunda vez”: “É ótimo participar da Missa e saber que ali está Deus feito carne – declarou – um fato que explica tantas outras coisas inexplicáveis”.

Neste ponto, a questão que mais causa curiosidade é o que fará Leah do seu popular blog ateu? Uma pergunta que tem assombrado a mesma autora todos os dias depois daquela fatídica tarde em Yale.

“Parar de escrever? – Diz na sua postagem – continuar em um estilo cripto-católico esperando que ninguém perceba (como fiz no último período)?” Após um exame demorado, a solução foi outra: “A partir de amanhã, o blog será chamado “Patheos Catholic channel “e será usado para discutir com os ateus convictos, como fazia antes com os católicos.

O motivo? “Se a pessoa é honesta – explica – não tem medo de entrar em diálogo. Eu recebi uma resposta sobre o que buscava porque aceitei colocar-me em diálogo. O interessante de muitos ateus é que fazem críticas e pedem provas. Uma coisa utilíssima à Igreja, que não deve ter medo porque está do lado dos fatos e da razão”.

Incentivo, finalmente, conclui a postagem, quase uma despedida da Libresco aos seus muitos leitores ateus: “Quaisquer que sejam suas crenças religiosas parar e pensar naquilo que você crê é uma boa ideia e se assim compreende que há algo que te obriga a mudar de ideia, não tenha medo e lembre-se que a tua decisão pode somente melhorar a tua visão das coisas”.

[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]