O Banquete do Cordeiro (Parte 5)

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Magnetismo animal cap II

No tempo da escravidão de Israel no Egito, está claro que o sacrifício ocupa uma parte essencial e fundamental da religião de Israel.
Os capatazes do faraó escarnecem dos frequentes sacrifícios dos israelitas, afirmando serem apenas uma desculpa para evitar o trabalho (Ex 5,17).
Mais tarde quando Moisés faz um apelo ao Faraó, sua exigencia principal é o direito dos israelitas oferecerem sacrifícios a Deus (Ex 10,25).
O que significam todas essas oferendas? O sacrifício animal significava muitas coisas para os antigos israelitas:
-Era o “reconhecimento da soberania”de Deus sobre a criação:”Ao Senhor, a terra e sua riquezas” (Sl 24,1).Assim o sacrifício louvava a Deus, de quem fluem todas as bênçãos.
-O sacrifício era um ato de “agradecimento”. A criação foi dada ao homem como dádiva.
-Às vezes, o sacrifício servia para “ratificar solenemente uma acordo ou juramento, uma aliança diante de Deus” (Gn 21,22-23).
-O sacrifício também era “ato de renúncia e tristeza pelos pecados”. O que oferecia o sacrifício reconhecia que seus pecados faziam-no merecer a morte;em lugar de sua vida, oferecia a do animal.


A contagem das ovelhas cap II

Mas, na história de Israel, o sacrifício principal foi a “Páscoa”, que apressou a fuga dos Israelitas do Egito.
Foi na Páscoa que Deus instuiu toda família israelita a tomar um ” animal sem defeito, sem ossos quebrados, degolá-lo e passar seu sangue na ombreira da porta”.
Os israelitas deveriam comer o cordeiro naquela noite.
Se o fizessem, seus primogênitos seriam poupados.
Se não o fizessem, seus primogênitos morreriam durante a noite, juntamente com todos os primogênitos de seus rebanhos (Ex 12,1-23).
O cordeiro sacrifical morreu como expiação, em lugar do primogênito da casa.
A Páscoa então, foi uma ato de redenção, um “resgate”.
Contudo, Deus não apenas resgatou os primogênitos de Israel;também os consagrou como um “reino de sacerdotes e uma nação santa”(Ex 19,6) – uma nação que Ele chamou seu “filho primogênito” (Ex 4,22).
O Senhor pediu, então, aos Israelitas para comemorarem a Páscoa todos os anos e até deu as palavras que deveriam usar para explicar o ritual às gerações futuras: “Quando vossos filhos vos perguntarem: ‘Que rito é esse que estais celebrando?’, direis:
‘É o sacrifício da Páscoa para o Senhor, que passou diante das casas dos filhos de Israel no Egito, quando golpeou o Egito e libertou nossas casas'”(Ex 12, 26-27).
Na terra prometida, os israelitas continuaram os sacrifícios cotidianos a Deus, agora guiados pelos muitos preceitos da Lei, enumerados em Levítico, Números e Deusteronômio (Lv 7-9;Nm 28; Dt 16).

Dentro e fora cap II

Era todo esse sacrifício apenas um ritual vazio? Não, embora, obviamente, o holocausto, por si só, não fosse suficiente. Deus exigia também um sacrifício “interior“.
O salmista declarou que “o sacrifício que Deus quer é um espírito contrito” (Sl51,19).
O profeta Oséias falou por Deus e disse:” Pois é o amor que me agrada, não o sacrifício;e o conhecimento de Deus, eu o prefiro aos holocaustos” (Os 6,6).
Contudo, a obrigação de oferecer sacrifícios foi mantida.
Sabemos que Jesus cumpria as leis judaicas referentes ao sacrifício.
Ele celebrava a Páscoa todos os anos em jerusalem e é de se presumir que comesse o cordeiro sacrificado, primeiro com a família e mais tarde com os apóstolos.
Afinal de contas, “isso não era facultativo”.Consumir o cordeiro era o único jeito de o judeu fiel “renovar a aliança com Deus “, e Jesus era um judeu fiel.
Mas a importância da Páscoa na vida de Jesus foi mais que ritual, foi “fundamental para sua missão”, um momento definitivo.
Jesus é o Cordeiro. Quando Jesus estava diante de Pilatos, João observa que “era o dia da preparação da Páscoa, por volta da sexta hora” (Jo 19,14). João sabia que era na sexta hora que os sacerdotes começavam a imolar os cordeiros pascais.Esse, então, é o momento do sacrifício do Cordeiro de Deus.
Em seguida, João relata que nenhum dos ossos de Jesus foi quebrado na cruz, “para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19,36). Que Escritura era essa? Êxodo 12, 46, que estipula que os ossos do Cordeiro da Páscoa não sejam quebrados. Vemos, então, que o Cordeiro de Deus, como o cordeiro da Páscoa, é oferenda condígna, realização perfeita.
Na mesma passagem, João relata que fixaram uma esponja embebida em vinagre na ponta de um ramo de hissopo e a serviram a Jesus (Jo 19,29;Ex12,22). Hissopo era o ramo preceituado pela lei para borrifar o sangue do cordeiro na Páscoa. Assim, essa ação simples marcou a realização da nova e perfeita redenção.
E Jesus disse: “Tudo está consumado”.
Por fim, ao falar das vestes de Jesus na hora da crucifixão, João usa os termos exatos para os paramentos que o sumo sacerdote usava qdo oferecia sacrifícios como cordeiro da Páscoa.

Ritos da vítima cap II

O que concluimos disso? João nos deixa claro que no novo e definitivo sacrifício da Páscoa, Jesus é sacerdote e também vítima. Isso se confirma nos relatos da Última Ceia contidos nos três outros evangelhos, onde Jesus usa claramente a linguagem sacerdotal de sacrifício e libação, até qdo descreve a si mesmo como a vítima.
“Isto é o meu corpo dado por vós…Esta taça é a nova Aliança em meu sangue derramado por vós” (Lc 22, 19-20).
O sacrifício de Jesus realizou o que todo o sangue de milhões de ovelhas e touros e bodes jamais conseguiu. “Pois é impossível que o sangue de touros e bodes elimine os pecados” (Hb 10,4).
Nem o sangue de um quarto de milhão de cordeiros salvaria a nação de Israel, muito menos o mundo. Para expiar as ofensas contra um Deus que é bom, infinito e eterno, a humanidade precisava de um sacrifício perfeiro:um sacrifício tão bom, puro e infinito qto o próprio Deus. E esse era Jesus, o único que podia “abolir o pecado com seu próprio sacrifício” (Hb 9,26).
“Eis o Cordeiro de Deus” (Jo 1,36). Por que Jesus tinha de ser um cordeiro e não um garanhão, um tigre ou um touro? Por que o apocalípse retrata Jesus como “um cordeiro que parecia imolado”(Ap5,6)? Por que a missa precisa proclamá-lo como “Cordeiro de Deus”?. Porque só um cordeiro sacrifical se encaixa no padrão divino de nossa salvação.
Jesus era sacerdote além de vítima e como sacerdote fazia o que nenhum outro sumo sacerdote fazia, pois este entrava “todos os anos no santuário com sangue estranho”(Hb 9,25) e mesmo então,só ficava pouco tempo antes que sua indignidade o obrigasse a sair.
Mas Jesus entrou no Santo dos santos – o céu – de uma vez por todas, para oferecer-se como nosso sacrifício. Além disso, pela nova Páscoa de Jesus, nós também nos tornamos um reino de sacerdotes e a Igreja do primogênito (veja Ap 1,6; Hb 12,23 e compare com Ex4,22;19,6).
E com Ele entramos no santuário do céu toda vez que vamos a missa. Mas adiante, voltaremos a todas essas imagens, quando examinarmos esse santo dos santos no livro do Apocalipse, com seu altar e seu Templo, seu incenso e seu Cordeiro onipresente.

Scott Hahn e o Papa Bento XVI

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Publicado em 21 de agosto de 2012, em Catolicismo, Comunicados aos Cristãos, Liturgia, O Banquete do Corfeiro, Protestantismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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