Arquivo mensal: fevereiro 2013

História da Igreja parte 1

A IGREJA INDISPENSÁVEL

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Philip Jenkins, renomado professor de história e estudos religiosos da Pennsvlvania State Universiiy. Chamou ao             anti-catolicismo “o último preconceito aceitável nos Estados Unidos”. É difícil contestar esse juízo: nos nossos meios de comunicação e na nossa cultura popular, pouca coisa é inadmissível quando se trata de ridicularizar ou de satirizar a Igreja. Os meus alunos, quando tem alguma noção a respeito dela, só sabem mencionar a sua pretensa ¨corrupção¨.  Sobre a qual ouviram intermináveis histórias de duvidosa credibilidade dos seus professores do ensino médio. A questão é que, no ambiente cultural da atualidade. é fácil esquecer — ou não tomar conhecimento sequer – tudo aquilo que a nossa civilização deve à Igreja Católica. Muitos reconhecem que ela influenciou, sem dúvida, a música, a arte e a arquitetura, mas não vão além disso. Para o nosso estudante do ensino médio, a história do catolicismo pode ser- resumida em três palavras: ignorância, repressão e estagnação; ninguém fez o menor esforço por mostrar-lhe que a civilização ocidental deve à Igreja o sistema universitário, as ciências, os hospitais e a previdência, o direito internacional, inúmeros princípios básicos do sistema jurídico, etc. etc. O propósito deste livro é precisamente mostrar essas influências decisivas, mostrar que devemos muito mais à Igreja Católica do que a maior parte das pessoas — incluídos os católicos — costuma imaginar. Porque, para sermos exatos, foi ela que construiu a civilização ocidental. Como nem é preciso dizer, o Ocidente não deriva apenas do catolicismo; ninguém pode negar a importância da antiga Grécia e de Roma, ou das diversas tribos germånicas que sucederam ao Império Romano do Ocidente, como elementos formadores da nossa civilização. E a Igreja não só não repudiou nenhuma dessas tradições, como na realidade aprendeu e absorveu delas o melhor que tinham para oferecer. Nenhum católico sério pretende sustentar que os eclesiásticos tenham acertado em todas as decisões que tomaram. Cremos que a Igreja manterá a integridade da fé até o fim dos tempos, não que cada uma das ações de todos os papas e bispos que já houve esteja acima de qualquer censura. Pelo contrário, distinguimos claramente entre a santidade da Igreja. Enquanto instituição guiada pelo Espirito Santo, e a natureza inevitavelmente pecadora dos homens que a integram, Incluídos os que atuam em nome dela. Mas estudos recentes têm submetido a revisão uma série de episódios históricos tradicionalmente citados como evidências da iniquidade dos eclesiásticos e a conclusão a que chegam depõe em favor da Igreja. Hoje sabemos, por exemplo, que a Inquisição não foi nem de longe tão dura como se costumava retratá-la e que o número de pessoas levadas aos seus tribunais Foi muito menor – em várias ordens de magnitude!’ — do que se afirmava anteriormente. E isto não é nenhuma alegação nossa, mas conclusão claramente expressa nos melhores e mais recentes estudos. De qualquer modo, com exceção dos estudiosos da Europa medieval, a maioria das pessoas acredita que os mil anos anteriores à Renascença foram um período de ignoråncia e de repressão intelectual, em que não havia um debate vigoroso de idéias nem um intercâmbio intelectual criativo, e em que se exigia implacavelmente uma estrita submissão aos dogmas. Ainda hoje continua a haver autores que repetem essas afirmações. Numa das minhas pesquisas, deparei com um livro de Christopher Knight e Robert Lomas intitulado Second Messiah (“O segundo Messias”). cm que se traça um quadro da Idade Média que não poderia estar mais longe da realidade, mas que o público em geral “engole” sem hesitar, por força do preconceito e da ignorância reinantes. Podemos ler ali, por exemplo: “ O estabelecimento da era cristã romanizada marcou o começo da Idade das Trevas, esse período da história ocidental em que se apagaram todas as luzes do conhecimento e a superstição substituiu o saber. Esse período durou até que o poder da Igreja Católica foi minado pela Reforma”. E também: “ Desprezou-se tudo o que era bom e verdadeiro e ignoraram-se todos os ramos do conhecimento humano em nome de Jesus Cristo” . Hoje em dia, é difícil encontrar um único historiador capaz de ler semelhantes comentários sem rir, Essas afirmações contradizem frontalmente muitos anos de pesquisa séria, e no entanto os seus autores — que não são historiadores de profissão — repetem com inteira despreocupação esses velhos e gastos chavões. Deve ser frustrante lecionar história medieval! Por mais que se trabalhe e se publiquem evidencias em contrário, quase todo o mundo continua a acreditar firmemente que a Idade Média foi um período intelectual e culturalmente vazio e que a Igreja não legou ao Ocidente senão métodos de tortura e repressão. 0 que Knight e Lomas não mencionam é que, durante essa Idade das Trevas”, a Igreja desenvolveu o sistema universitário europeu, autêntico dom da civilização Ocidental ao mundo. Muitos historiadores se maravilham diante da ampla liberdade e autonomia com que se debatiam as questões naquelas universidades. E foi a exaltação da razão humana e das suas capacidades, o compromisso com um debate rigoroso e racional, a promoção da pesquisa intelectual e do intercâmbio entre os estudantes dessas universidades patrocinadas pela Igreja — foi isso que Forneceu as bases para a Revolução Científica.  Nos últimos cinquenta anos. Praticamente todos os historiadores da ciência — entre eles Alìstair C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki. Thomas Goldstcj e John L. Heilbron – chegaram à conclusåo de que a própria Revolução Científica se deveu à Igreja. E a contribuição católica para a ciência não se limitou às idéias — incluídas as teológicas — que tornaram possível o método científico; muitos dos principais inovadores científicos foram sacerdotes, como Nicolau Steno, um luterano converso que se tornou sacerdote católico e é considerado o pai da geologia, ou Athanasius Kircher, pai da egiptologia. ou ainda Rogério Boscovich, considerado freqüentemente o pai da teoria atômica moderna. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi ainda outro sacerdote, o pe. Giambattista Riccioli. E os jesuítas dominaram a tal ponto o estudo dos terremotos que a sismologia ficou conhecida como a “ ciencia jesuística” . E isso não é tudo. Poucos conhecem as contribuiçôes da Igreja no campo da astronomia, apesar de cerca de trinta e cinco crateras da Lua terem sido descobertas por cientistas e matemáticos jesuítas, dos quais receberam o nome. John L. Heilbron, da Universidade da Califórnia em Berkeley, comentou que durante mais de seis séculos — desde a recuperação dos antigos conhecimentos astronômicos durante a idade Média até o Iluminismo —, a Igreja Católica Romana deu mais ajuda financeira e suporte social ao estudo da astronomia do que qualquer outra instituição e provavelmente, mais do que todas as outras juntas’’. Mesmo assim, o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência continua a ser até hoje um dos temas mais completamente  silenciados pela historiografia moderna. Embora a importância da tradição monástica seja reconhecida em maior ou menor grau nos livros de História — todo o mundo sabe que, no rescaldo da queda de Ruina, os monges preservaram a herança literária do mundo antigo, para não dizer a própria capacidade de ler- e escrever —, o leitor descobrirá nesta obra que a sua contribuição foi, na realidade, muito maior. Praticamente não há ao longo da Idade Média nenhum empreendimento significativo para o progresso da civilização em que a intervenção dos monges não fosse decisiva. Os monges proporcionaram “a toda a Europa […] uma rede de indústrias-modelo, centros de criação de gado, centros de pesquisa, fervor espiritual, a arte de viver (…). a predisposição para a ação social, ou seja. […] uma civilização avançada, que emergiu das vagas caóticas da barbárie circundante. São Bento, o mais importante arquiteto do monacato ocidental, foi, sem dúvida alguma, o pai da Europa. E os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia”. O desenvolvimento do conceito de Direito Internacional é normalmente atribuído aos pensadores e teóricos do direito dos séculos XVII e XVIII. Na realidade, porém, encontramos pela primeira vez esse conceito jurídico nas universidades espanholas do século XVI, e foi Francisco de Vitória, um sacerdote e teólogo católico e professor universitário, quem mereceu o título de pai do direito internacional. Em face dos maus-tratos infligidos pelos espanhóis aos indígenas do Novo Mundo. Vitória e outros filósofos e teólogos começaram a especular acerca dos direitos humanos fundamentais e de como deveriam ser as relações entre as nações. E foram esses pensadores que deram origem à idéia do direito internacional tal como hoje o concebemos.  Aliás, todo o direito ocidental é uma grande dádiva da Igreja. O direito canónico foi o primeiro sistema legal moderno a existir na Europa, demonstrando que era possível compilar um corpo de leis coerente a partir da barafunda de estatutos, tradições, costumes locais etc. que caracterizava tanto a Igreja como o Estado medievais. De acordo com Harold Berman. “a Igreja foi a primeira a ensinar ao homem ocidental o que é um sistema legal moderno. Foi a primeira a mostrar que costumes, estatutos, decisões judiciais e doutrinas conflitantes Podem ser conciliados por meio de análise e síntese”. A própria idéia de que o ser humano tem direitos bem definidos não se deve a John Locke e Thomas Jefferson – como muitos poderiam pensar —. mas ao direito canônico. E muitos outros princípios legais importantes do nosso direito também se devem à influência da Igreja, graças ao empenho milenar dos eclesiásticos em substituir as provas em juízo baseadas em superstições — como o ordálio -. que caracterizavam o ordenamento legal germânico, por procedimentos baseados na razão e em conceitos legais elaborados. De acordo com a história econômica tradicional, a economia moderna teria sido criada por Adam Smith e outros teóricos do século XVIII. Estudos mais recentes, no entanto, vêm enfatizando a importância do pensamento econômico dos últimos escolásticos, particularmente dos teólogos espanhóis dos séculos XV e XVI. Tem-se chegado até a designar esses pensadores — assim faz o grande economista do século XX Joseph Schumpeter — como os fundadores da moderna economia científica. A maior parte das pessoas tem uma vaga noção das obras assistenciais da Igreja Católica, mas muitas vezes não sabe como foi única a sua ação nesse campo. O mundo antigo fornece-nos alguns exemplos de liberalidade para com os pobres, mas tratava-se de uma liberalidade que procurava fama e reconhecimento para o doador, tendendo a ser indiscriminada e não dirigida especificamente àqueles que passavam necessidade. Os pobres eram com excessiva freqüência tratados com desprezo, e a simples idéia de ajudar os necessitados sem nenhuma expectativa de reciprocidade ou de ganho pessoal era alheia à mentalidade da época. Mesmo William Lecky, um historiador do século XIX sempre hostil à Igreja, chegou a admitir que a dedicaçâo aos pobres – tanto no seu espirito como nos seus objetivos — constituiu algo novo no mundo ocidental e representou um avanço surpreendente com relação aos padrões da antiguidade clássica. Em todas essas áreas, a Igreja imprimiu uma marca indelével no próprio coração da civilização européia. Um recente livro de história da Igreja Católica tem por título Triumph [“Triunfo”]: é um título extremamente apropriado para resumir o percurso de uma instituição que tem no seu haver tantos homens e mulheres heróicos e tantas realizações históricas. Até agora, encontramos relativamente poucas dessas informações nos livros de texto que a maioria dos estudantes tem de estudar no ensino médio) e superior. A Igreja Católica configurou a civilização em que vivemos e o nosso perfil humano de muitas maneiras além das que costumamos ter presentes. Por isso insistimos em que ela foi o construtor indispensável da civilização ocidental. Não só trabalhou para reverter aspectos moralmente repugnantes do mundo antigo – como o infanticídio e os combates de gladiadores —. Mas restaurou e promoveu a civilização depois da queda de Roma. Tudo começou pela educação dos bárbaros, e é neles que nos detemos ao iniciarmos este livro. Fonte: livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (Thomas E. Woods Jr.)

UM POUCO DE HISTÓRIA DA IGREJA

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Para se compreender o papel fundamental da Igreja Católica na construção da Civilização Ocidental é preciso ter uma visão da História da Igreja dos seus primórdios até o século XIV.

OS PRIMEIROS SÉCULOS (0-400)

A Igreja teve um crescimento rápido sob a ação do Espírito Santo desde o primeiro século. “Enfrentou durante quase três séculos a perseguição do Império Romano até a conversão de Constantino no ano 313.“
Neste ano, convertido ao cristianismo, ele assinou o Edito de Milão que proibiu a perseguição aos cristãos:

‘Deliberamos conceder aos cristãos e a quem quer que seja a liberdade de praticar a religião de sua preferência a fim de que Divindade que nos Céus reside venha a ser favorável e propícia para nós e para todos os súditos. Parece-nos ser medida boa, razoável, não recusar a nenhum de nossos súditos seja ele cristão ou adepto de qualquer outro culto, o direito de seguir a religião que melhor lhe convenha. Assim sendo a Divindade que cada um reverenciar a seu modo, livremente, poderá também estender a nós sua benevolência e seus habituais favores(…)`.” (Apud Souza, T.F., 2007). Nesta época já havia no mundo cerca de 6 milhões de Cristãos. Mais  tarde, o Imperador Teodósio, por volta de 390, pelo ‘Edito, de Tessalônica”, tornaria o cristianismo religião oficial do Império Romano. Como disse Daniel Rops, “a espada se Curvou diante da Cruz”. E isto aconteceu sem luta por parte dos cristãos. A força do Evangelho moveu os corações dos reis, imperadores, e mulheres romanas. Ao longo dos primeiros quatro séculos foi marcante a ação dos Apóstolos, principalmente dessas colunas da Igreja que foram São Pedro e São Paulo, o sangue dos mártires o perfil dos grandes santos e do primeiros escritores e artistas cristãos, o desenrolar do culto e da piedade, dentro de uma sociedade romana que foi desmoronando, como acontece no mundo de hoje, mas que, também como hoje, se abre finalmente a Jesus Cristo. Já no começo da vida da Igreja surgiram as terríveis heresias e sectarismos, que no entanto, conduziram à formação da teologia cristã e aos grandes Concílios da primeira era, de onde a Igreja saiu fortalecida na sua autoridade e unidade. A Igreja precisou realizar os Concílios de Nicéia I, em 325, para reprovar o arianismo, de Ário, que negava a divindade de Cristo; e cm 381 o Concílio de Constantinopla I, para condenar o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla1 que ensinava que o Espírito Santo não era Deus. Desses dois Concílios surgiu a formulação do Credo niceno-constantinopolitano que rezamos ainda hoje.

 

Notificado sobre duas novas páginas no blog a partir de 27/02/2013

UmaHistoriaQueNaoEContada
 
A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venho dizer aos leitores do blog Apologética no Japão que estou criando duas novas páginas, uma será a página da vida dos Santos e a outra sobre a História da Igreja.
Porque irei criar essas páginas? Quem acompanha esse blog a um tempo deve ter percebido que ele esta meio abandonado, mil desculpas pelo abandono do blog.
A boa noticia é que estou de volta e pretendo escrever muitos postes de agora em diante, neste tempo que estava afastado do blog li alguns livros que me motivaram muito estudar sobre a Santa Mãe Igreja, e por graça divina peguei um livro que faz muito sentido em minha vida, o livro que  se chama¨Uma História que não é contada¨do Professor Felipe Aquino, por que faz muito sentido? Simples foi através deste livro e a intercessão do Espírito Santo que voltei a Santa Mãe Igreja, e tenho um plano para este blog que é de re-ler o livro e postar um pouco do conteúdo do livro e mais informações sobre os fatos que ocorreram na História da Igreja na qual ela constrói nossa civilização ocidental que infelizmente pessoas de má fé deturpam a história e fazem calúnias da Santa Mãe Igreja.
E a página dos Santos é um complemento desse estudo que vou postar, a cada Santo citado na História que vou postar este santo vai ter um resumo de sua vida para que vocês possam ver apreciar e imitar essas pessoas que foram exemplo de santidade e amor a Deus.
Peço a todos muita oração para que Deus me de forças para levar esse sonho de levar a história da Igreja para as pessoas que não a conhecem e que estudando a história passem a ama-lá como eu a amo hoje, por que amando-á estarás amando também a Cristo!
Pax Domine

Vídeo sobre o Livro ¨Uma História que não é contada¨

Santo Tomás de Aquino

Ninguém se aproximou da teologia ou da filosofia tomista sem ter haurido nesta fonte a mais excelente doutrina. O nome de Santo Tomás de Aquino é um marco para todos aqueles que
buscam a verdade. Entretanto, nos pormenores de sua vida e em sua extraordinária personalidade descobrimos mais do que um teólogo: um grande santo.

SAO TOMÁS DE AQUINO

A busca da verdade é tão antiga quanto o próprio homem, e não há um só entre os seres racionais que não deseje possuí-la. Por outro lado, a privação desse excelente bem acaba dando à coletividade humana uma face desfigurada, que se explica pela adesão a falsas doutrinas ou a meias verdades. Nossa sociedade ocidental é um exemplo dessa profunda carência que não encontra nos avanços da técnica nem na fugacidade dos vícios uma resposta satisfatória.

Um menino que buscava o Absoluto

Sao Tomas de Aquino_7.JPG  Mas, afinal, o que é a verdade? Esta era uma das perguntas que o pequeno Tomás fazia em seus tenros cinco anos de idade. Segundo um costume da época, sua educação foi confiada aos beneditinos de Monte Cassino, onde ele passou a morar. Vendo um monge cruzar com gravidade e recolhimento os claustros e corredores, puxava sem hesitar a manga de seu hábito e lhe perguntava: “Quem é Deus?” Descontente com a resposta que, embora verdadeira, não satisfazia inteiramente seu desejo de saber, esperava passar outro filho de São Bento e indagava também a ele: “Irmão Mauro, pode me explicar quem é
Deus?” Mas… que decepção! De ninguém conseguia a explicação desejada. Como as palavras dos monges eram inferiores à idéia de Deus que aquele menino trazia no fundo da alma!

Foi nesse ambiente de oração e serenidade que transcorreu feliz a infância de Santo Tomás de Aquino. Nascido por volta de 1225, era o filho caçula dos condes de Aquino, Landolfo e Teodora. Entrevendo para o pequeno um futuro brilhante, seus pais lhe proporcionaram uma robusta formação. Mal podiam imaginar que ele seria um dos maiores teólogos da Santa Igreja Católica e a rocha fundamental do edifício da filosofia cristã, o ponto de convergência no qual se reuniriam todos os tesouros da teologia até então acumulados e do qual partiriam as luzes para as futuras explicitações.

 

A vocação posta à prova

Muito jovem ainda, Santo Tomás partiu para Nápoles a fim de estudar gramática, dialética, retórica e filosofia. As matérias mais árduas, que custam até aos espíritos robustos, não passavam de um simples joguete para ele. Entretanto, nesse período de sua vida não avançou menos em santidade do que em ciência. Seu entretenimento era rezar nas diversas igrejas e fazer o bem aos pobres.

Ainda em Nápoles Deus lhe manifestou sua vocação. Seus pais desejavam vê-lo beneditino, abade em Monte Cassino ou Arcebispo de Nápoles, entretanto, o Senhor lhe traçara um caminho bem diverso. Era na Ordem dos Pregadores, recém fundada por São Domingos, que a graça haveria de tocar-lhe a alma. Santo Tomás descobriu nos dominicanos o carisma com o qual se identificou por completo. Após longas conversas com Frei João de São Julião, não duvidou em aderir à Ordem e fez-se dominicano aos catorze anos de idade.

Costuma a Providência Divina solidificar no cadinho do sofrimento as almas às quais confere um chamado excepcional, e Santo Tomás não escapou à regra. Quando sua mãe soube de seu ingresso nos dominicanos, tomou-se de fúria e quis tirá-lo à força. Fugindo para Paris, com o objetivo de escapar da tirania materna, o santo doutor foi dominado por seus irmãos que o buscavam com todo empenho. Após terem-no espancado brutalmente, procuraram despojá-lo de seu hábito religioso. “É uma coisa abominável – dirá depois Santo Tomás – querer repreender os Céus por um dom que de lá recebemos”.

Assim capturado, levaram-no à mãe, a qual tentou fazê-lo abandonar seu propósito. Na incapacidade de convencê-lo, encarregou suas duas filhas de dissuadir a qualquer preço o irmão “rebelde”. Com palavras sedutoras, elas lhe mostraram as mil vantagens que o mundo lhe oferecia, até mesmo a de uma promissora carreira eclesiástica, desde que renunciasse à Ordem Dominicana. O resultado desta entrevista é assombroso: uma delas decidiu fazer-se religiosa e partiu para o convento de Santa Maria de Cápua, onde viveu santamente e foi abadessa. Eis a força da convicção e o poder de persuasão deste homem de Deus!

 

Confronto decisivo

Farta de vãos esforços, a família tomou uma medida drástica: prendeuo na torre do castelo de Roccasecca, com o intuito de mantê-lo encarcerado enquanto não desistisse de sua vocação. Em completa solidão, o santo passou ali quase dois anos, os quais foram aproveitados para um aprofundamento nas vias da contemplação e do estudo. Os frades dominicanos o acompanhavam espiritualmente através de orações e enviavam com sagacidade livros e novos hábitos que lhe chegavam às mãos por intermédio de suas irmãs.

Sao Tomas de Aquino_3.JPG Como passava o tempo sem o jovem detido esmorecer, seus irmãos – instigados por Satanás – montaram um plano execrável: enviaram à torre uma moça de maus  costumes para fazê-lo cair em pecado. Contudo, Santo Tomás há muito se solidificara na prática de todas as virtudes, e não se deixaria arrastar. Vendo aquela perversa mulher aproximar-se, pegou na lareira um tição em chamas e com ele se defendeu da infame tentadora que fugiu apavorada para salvar a própria pele.

Insigne vitória contra o inimigo da salvação! Reconhecendo nesse episódio a intervenção divina, Santo Tomás traçou com o mesmo tição em brasa uma cruz na parede, ajoelhou-se e renovou sua promessa de castidade. Comprazidos por tal gesto de fidelidade, o Senhor e sua Mãe lhe mandaram um sono durante o qual dois anjos o cingiram com um cordão celestial, dizendo: “Viemos da parte de Deus conferir- te o dom da virgindade perpétua, que a partir de agora será irrevogável”.

Nunca mais Santo Tomás sofreu qualquer tentação de concupiscência ou de orgulho. O titulo de Doutor Angélico não lhe foi dado apenas por ter transmitido a mais alta doutrina, mas também por ter em tudo se assemelhado aos espíritos puríssimos que contemplam a face de Deus.

 

O aluno supera o mestre

Agora com o assentimento dos seus, Santo Tomás partiu para consolidar sua formação intelectual em Paris e Colônia. Falava-se muito da pregação que fazia nesta última cidade o bispo Santo Alberto Magno, o mais conceituado mestre da Ordem dos Pregadores. Santo Tomás rezou, pedindo para conhecê-lo e receber dele as maravilhas da fé, e, para sua alegria, foi atendido. O que Santo Alberto não podia imaginar era que aquele frade despretensioso, de poucas palavras e presença discreta, tivesse tamanha envergadura espiritual.

Certo dia, caiu nas mãos do mestre um trecho escrito por seu aluno. Admirado pela profundidade do conteúdo, pediu a Santo Tomás para expor à toda a classe aquela temática. O resultado foi uma explanação em tudo surpreendente, na qual os demais alunos comprovaram quão temerário era o juízo pejorativo que faziam de seu companheiro: ele logrou explicitar com mais riqueza, expressividade e clareza que o próprio Santo Alberto.

Daí em diante, a vida do Doutor Angélico foi uma seqüência de sublimes serviços prestados à sagrada teologia e à filosofia. Aos 22 anos de idade interpretou com genialidade a obra de Aristóteles; aos 25, juntamente com São Boaventura, obteve o doutorado na Universidade de Paris. Estes dois arquétipos doutrinários nutriam grande admiração recíproca, a ponto de disputarem afetuosamente, no dia de receberem o título máximo, quem seria nomeado primeiro, cada qual desejando ao outro
a primazia.

 

Obra portentosa

Tão vasta é a obra tomista que a simples enumeração de seus escritos ocupa várias páginas. Formam um total de quase sessenta grandes obras – ent

re comentários, sumas, questões e opúsculos – das quais não está excluída nenhuma das principais preocupações do espírito humano.

Sua prodigiosa faculdade de memória lhe permitia reter todas as leituras que fizera, entre elas a Bíblia, as obras dos filósofos antigos e dos Padres da Igreja. Todas as oitenta mil citações contidas em seus escritos brotaram espontaneamente de sua capacidade retentora. Nunca precisou ler duas vezes o mesmo trecho. Ao lhe ser perguntado qual era o maior favor sobrenatural que recebera, depois da graça santificante, respondeu: “Creio que o de ter entendido tudo quanto li”.

Em suas obras vemos uma incrível acuidade de espírito, um raro dom de formulação e uma superior capacidade de expressão. Costumava resolver quatro ou cinco problemas ao mesmo tempo, ditando para diversos escreventes respostas definitivas às questões mais obscuras. Não sucumbiu ao peso de seus conhecimentos, mas, pelo contrário, os harmonizou num conjunto incomparável que tem na Suma Teológica a mais brilhante manifestação.

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Sabedoria e oração

Falar das qualidades naturais do Doutor Angélico sem considerar a supremacia da graça que resplandecia em sua alma seria uma deturpação. Frei Reginaldo, seu fiel secretário, disse tê-lo visto passar mais tempo aos pés do crucifixo do que em meio aos livros.

A fim de obter luzes para solucionar intrincados problemas, o santo doutor fazia freqüentes jejuns e penitências, e não raras vezes o Senhor o atendeu com revelações celestiais. Em certa ocasião, enquanto rezava fervorosamente, pedindo luzes para explicar uma passagem de Isaías, apareceram-lhe São Pedro e São Paulo e esclareceram todas as dúvidas.

Recorria também a Jesus Sacramentado. Às vezes colocava a cabeça no sacrário e rezava longamente. Assegurou depois ter aprendido mais desta forma do que em todos os estudos que fizera. Por seu entranhado amor à Eucaristia, compôs o Pange Lingua e o Lauda Sion para a festa de Corpus Christi: obras-primas jamais superadas.

Um dia, estando imerso em adoração a Jesus Crucificado, o Senhor dirigiu- Se a ele com estas palavras:

– Escreveste bem sobre Mim, Tomás. Que recompensa queres?

Nada mais que a Vós, Senhor – respondeu ele.

 

A recompensa demasiadamente grande

S TOMAS DE AQUINO.jpgEm 1274 Santo Tomás partiu para Lion a fim de participar do Concílio Ecumênico convocado pelo Papa Gregório X, mas no caminho adoeceu gravemente. Como não havia nenhuma casa dominicana próxima, foi levado para a abadia cisterciense de Fossanova, onde faleceu a 7 de março, antes de completar cinqüenta anos de idade. Suas relíquias foram transportadas para Toulouse em 28 de janeiro de 1369, data em que a Igreja Universal celebra sua memória.

Ao receber por derradeira vez a Sagrada Eucaristia, disse ele:

“Eu Vos recebo, preço do resgate de minha alma e Viático de minha peregrinação, por cujo amor estudei, vigiei, trabalhei, preguei e ensinei. Tenho escrito tanto, e tão freqüentemente tenho discutido sobre os mistérios da vossa Lei, ó meu Deus; sabeis que nada desejei ensinar que não tivesse aprendido de Vós. Se o que escrevi é verdade, aceitai-o como uma homenagem à vossa infinita majestade; se falso, perdoai a minha ignorância. Consagro tudo o que fiz e o submeto ao infalível julgamento da vossa Santa Igreja Romana, na obediência à qual estou prestes a partir desta vida.”

Belo testamento de elevada santidade! A Igreja não tardou em glorificá- lo, elevando-o à honra dos altares em 1323. Na cerimônia de canonização, o Papa João XXII afirmou: “Tomás sozinho iluminou a Igreja mais do que todos os outros doutores. Tantos são os milagres que fez, quantas as questões que resolveu”. No Concílio de Trento, as três obras de referência postas sobre a mesa da assembléia foram: a Bíblia, os Atos Pontificais e a Suma Teológica. É difícil exprimir o que a Igreja deve a este seu filho ímpar.

Da fé extraordinariamente vigorosa do Doutor Angélico brotava a convicção profunda de que a Verdade em essência não é senão o próprio Deus, e a partir do momento em que ela fosse proclamada em sua integridade, seria irrecusável e triunfante.  Eis o grande mérito de sua doutrina imortal: ela continua ecoando ao longo dos séculos, pois nada pode abalar a supremacia de Cristo.

Em Santo Tomás a Igreja contempla a realização plena da oração feita pelo Divino Mestre nos derradeiros momentos que passou nesta terra: “Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade” (Jo 17, 17-19). (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2008, n. 73, p. 32 à 35)

SAO TOMAS DE AQUINO

Fonte:http://www.arautos.org/especial/22984/Sao-Tomas-de-Aquino.html

Hiroshima, o Milagre do Rosário

Entre os Milagres de Nossa Senhora, existe um, realizado através do Rosário que mereceu atenção e o reconhecimento das autoridades científicas, VEJAMOS:

Em 1945, os Americanos lançaram a bomba atômica sobre duas cidades Japonesas, Nagasaki e Hiroshima .

Nesta última, num raio de um quilômetro e meio do centro da explosão, ficou tudo arrasado e todos os habitantes morreram carbonizados. A casa paroquial com oito moradores Jesuítas, que distava apenas 800 metros da explosão, ficou de pé e os seus moradores ficaram ilesos. O Pe. Hubert Shiffer era um deles e tinha então 30 anos. Depois viveu mais 33 e juntamente com os moradores não sofreram as conseqüências da radioatividade.

Ele contou a sua experiência no Congresso Eucarístico da Filadélfia (EUA) em 1976. Neste mesmo ano, todos os membros daquela comunidade continuavam vivendo em ótimo estado de saúde sem sofrer as conseqüências da explosão.

O Pe. Shiffer foi examinado e interrogado por mais de 200 cientistas que não puderam explicar como, no meio de milhares de mortos, ele e seus companheiros tinham podido sobreviver. O Pe. Shiffer afirmou que centenas de cientistas e pesquisadores por vários anos continuaram a investigar por que a casa paroquial não foi atingida quando tudo ao redor ficou arrasado.
E o Padre explicou, dizendo: ?Naquela casa se rezava todos os dias, em comum, o Santo Rosário. Por isso, foi protegido por Nossa Senhora?.

ADENDO:

http://catolicostradicionais.blogspot.com/2009/08/o-rosario-e-horishima.html

Nagasaki

Durante o século XVI, missionários católicos e comerciantes vindos de Portugal chegaram e se instalaram em Hirado e Nagasaki, que se tornou um grande centro de comércio exterior. Depois de terem recebido passe livre no período de Oda Nobunaga, os missionários foram forçados a se retirarem aos poucos, na Era Edo, até que o cristianismo foi banido pelo Sakoku, a política de isolamento nacional. Nessa época, o comércio exterior japonês era restrito a chineses e holandeses instalados em Dejima, em Nagasaki; entretanto, grupos de cristãos japoneses continuaram exercendo sua fé escondidos. Esses cristãos eram provados a todo momento, sendo forçados a pisar em cima de desenhos (Fumi-e) com imagens da Virgem Maria e de santos para provar que não eram cristãos. Com o banimento de todos os missionários católicos, comerciantes de países católicos também foram forçados a deixar o país. Com eles, seus filhos, metade japoneses metade europeus, também foram forçados a deixar o Japão. A maioria foi mandada para Jakarta e ainda são lembrados pelos moradores locais como as pessoas que escreveram cartas pungentes que foram contrabandeadas pelo mar até sua terra natal. Hoje, Nagasaki tem uma grande Chinatown e igrejas católicas.

Nagasaki: o martírio de uma comunidade cristã

São Francisco Xavier, já em 1550, escrevendo aos seus irmãos em Goa, afirmava:

“As pessoas que encontramos no extremo oriente são os melhores jamais encontrados. Não creio que encontraremos um outro povo igual aos japoneses”. Em 1580, os católicos já contavam com 200 mil fiéis e a comunidade de Nagasaki cresceu a ponto de balancear o poder dos próprios budistas. Mas, em 1597, 26 cristãos, 20 japoneses e 6 missionários foram crucificados em Nagasaki, num local hoje conhecido como “Colina Santa”. O perseguidor,Toyotomi Hideyoshi (1536-1598),queimou vivos os cristãos, inclusive crianças e anciãos, na frente de milhares de pessoas. Naquela noite, a “Colina Santa” ficou iluminada por tochas humanas.

Mas os sobreviventes continuaram confessando sua fé, transmitindo-a de uma geração para outra, batizando seus filhos e rezando escondidos nas casas, nas grutas e nos bosques. Ainda hoje, os católicos japoneses são uma pequena minoria.

No entanto, a mídia destacou sua presença na assistência às vítimas do terremoto de Kobe, em 1995, como também a visita do papa ao Japão e o grande afluxo dos japoneses às celebrações do grande Jubileu de 2000, em Roma, centro do catolicismo.

A importância e a influência católica no Japão vai além dos dados numéricos. Renomadas são as universidades, escolas, hospitais e outras instituições sociais fundadas pelos missionários católicos e protestantes que retornaram ao Japão a partir de 1870.

Catedral Urakami em Nagasaki (reconstruída).
Catedral Urakami em Nagasaki (reconstruída).
1263198816743Catedral Urakami em Nagasaki quando caiu a bomba atômica.1263198816741

Torre da igreja que caiu perto de uma rua do lado da Catedral Urakami.

Peças litúrgicas destruídas pelo calor da bomba atômica.

Peças litúrgicas destruídas pelo calor da bomba atômica.

Crer na caridade suscita caridade

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Apresentamos a seguir a mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a Quaresma de 2013.

Crer na caridade suscita caridade

«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo4, 16)

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (…) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades – à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está “concluído” e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor – «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) – , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (…) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única – que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n’Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf.Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012

BENEDICTUS PP. XVI

© Copyright 2012 – Libreria Editrice Vaticana

Fonte:

Maria Santíssima; A serva fiel de Deus.

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Maria Santíssima; A serva fiel de Deus.

A igreja católica desde os tempos de outrora venera a virgem Maria, e lhe dá o devido respeito e lhe presta homenagens, pois ela foi a maior mulher e educadora que já existiu.
Maria foi uma grande mulher, mas não foi grande porque ela quis ou porque assim se fez, mas ela foi grande porque Deus á fez grande quando a escolheu para ser MÃE de JESUS. Maria foi grande também porque foi obediente e porque confiou em Deus. Ela também foi modelo de mulher forte, amorosa e intercessora, Maria intercedeu em Cana da Galiléia naquela festa de casamento dizendo a Jesus: “Eles não têm mais vinho” (Jo 2, 1-12). Foi o próprio Jesus que deu a sua mãe como mãe da Igreja e da humanidade naquele momento doloroso da cruz: “MULHER EIS AI TEU FILHO, FILHO EIS AI TUA MÃE.” (Jo 19, 25-27). A igreja tem Maria também como Rainha, pois, seu filho é o Rei celeste. Maria é bendita entre todas as mulheres, foi assim que sua parenta Isabel a saudou quando recebeu a visita dela em sua casa: “QUANDO MARIA ENTROU NA CASA DE ZACARIAS, E SAUDOU ISABEL. QUANDO ISABEL OUVIU A SAUDAÇÃO DE MARIA A CRINÇA AGITOU NO VENTRE, ISABEL FICOU CHEIA DO ESPÍRITO SANTO E GRITOU: VOCE É BENDITA ENTRE TODAS AS MULHERES E BENDITO É O FRUTO DO TEU VENTRE.” (Lc 1, 39-45). Nós pedimos o auxilio e a intercessão dela porque ela é mãe de Jesus, e o filho sempre atende e escuta o pedido de sua mãe, assim como Jesus atendeu ao pedido de sua mãe nas bodas de Cana, Maria já sabia o que Jesus ia fazer e disse: “FAÇAM TUDO O QUE ELE LHE DISSER”.
(Jo 2,5).

Maria é a mulher do silêncio, a mulher da paz inquieta, mulher forte que ama todos os seus filhos e filhas, amemos e veneremos Maria Santíssima a serva fiel de Deus pai.

SALVE REGINA MATER MISERICORDIE

Fonte: http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.jp/2009/03/maria-santissima-serva-fiel-de-deus.html?m=1

Padre Lombardi ilustrou aos jornalistas o contexto da renúncia de Bento XVI e da eleição do seu sucessor

2013-02-11 Rádio Vaticana
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e nosso diretor teve, ao meio do dia, um encontro com os jornalistas, para contextualizar a decisão do Papa e o que se lhe segue. Eis a parte central da sua intervenção.
Entre as razões da renúncia do Papa, como se nota pelas suas palavras, estão as circunstâncias do mundo de hoje que, em relação ao passado, são particularmente difíceis, pela rapidez e quantidade dos eventos e dos problemas que surgem, e portanto digamos, a necessidade de um vigor talvez mais forte do que no passado. Vigor que o Papa afirma ter diminuído em si nos últimos meses.
E’ significativa a frase: “Bem consciente deste acto, com total liberdade, declaro de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor de São Pedro”. Esta é a declaração, digamos formal, sob o ponto de vista jurídico importante. O Código de Direito Canónico, no cânon 332, parágrafo 2°, lê-se: “No caso em que o Romano Pontífice renuncie ao seu cargo, é necessário, para a validade da renúncia, que ela seja feita livremente e que seja devidamente manifestada. Não é necessário, pelo contrário, que alguém a aceite”.
Os dois pontos fundamentais são, portanto, a liberdade e a devida manifestação.Liberdade e manifestação pública, como exactamente é o consistório público, para o qual o Papa expressou a sua vontade.
Bento XVI permanece planamente nas suas funções e no seu serviço até 28 de Fevereiro às 20 horas. A partir de então, inicia a situação de sede vacante, regulada, sob o ponto de vista jurídico e canónico, pelos textos que se referem à sede vacante no Código de Direito Canónico e na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, sobre a vacância da Sé Apostólica, de João Paulo II.
A declaração do Papa é coerente com aquilo que o Papa tinha declarado no livro-entrevista “Luz do Mundo”, de Peter Seewald, onde estão duas perguntas bem específicas que se referem à hipótese da renúncia.
Seewal havia perguntado numa primeira interrogação sobre situações difíceis se estas pesavam sobre o corrente pontificado e se o Papa tinha pensado de demitir-se. A resposta tinha sido: “Quando o perigo é grande não se pode fugir, eis porque este certamente não é o momento de se demitir” (a referência era à questão dos abusos, e assim por diante)”, é precisamente em momentos como este que é preciso resistir e superar a difícil situação. Este é o meu pensamento. Pode-se renunciar num momento de serenidade, ou simplesmente quando já não se pode mais, mas não se pode fugir no momento de perigo e dizer “que se ocupe disso um outro”.
Portanto, aqui o Papa tinha dito que as dificuldades não eram para ele motivo de demissão, antes pelo contrário razão para não renunciar.
A segunda pergunta de Seewal: “Portanto, é imaginável uma situação na qual Sua Santidade considera oportuno que o Papa se demita?”. A resposta do Papa foi: “Sim, quando um Papa chega à clara consciência de não ser mais capaz física, mental e espiritualmente para realizar o encargo que lhe foi confiado, então ele tem o direito, e em algumas circunstâncias até o dever de renunciar”.
Uma das primeiras perguntas poderia ser: e depois o Papa onde vai?Quando iniciar a sede vacante, ele se transfere, num primeiro momento, a Castel Gandolfo e, quando tiverem terminado os trabalhos agora em andamento na sede onde havia um mosteiro de monjas de clausura, ele se transferirá para o Vaticano, lá onde estava o mosteiro Mater Ecclesiae.
Alí o Papa se dedicará substancialmente à oração e à reflexão
O Papa não participará no conclave porque terá já deixado o seu cargo, em seguida entrarão as diversas autoridades segundo a normativa da sede vacante, sem os ritos característicos e outras cerimónias que acompanham a sede vacante.
Podemos prever que no mês de Março, antes da Páscoa, deveríamos ter o novo Papa.

 

Fonte: http://www.news.va/pt/news/padre-lombardi-ilustrou-aos-jornalistas-o-contexto

Bento XVI anuncia a decisão de deixar o cargo. Sede vacante a partir de 28 de fevereiro. Eleição do novo Papa em março

Eis as palavras com que Bento XVI anunciou a sua decisão:
Caríssimos Irmãos,
convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.
Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.
Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

 

Fonte:http://www.news.va/pt/news/bento-xvi-anuncia-a-decisao-de-deixar-o-cargo-sede