Arquivo mensal: abril 2016

Dom Schneider: 10 elementos de Renovação da Liturgia

Dom Schneider: 10 elementos de Renovação da Liturgia

 Do OnePeterFive

 

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“Já aqui este mistério te faz a terra, céu. Abre, pois, as portas do céu e olha; ou antes, não do céu, mas do Céu dos céus, e então poderás ver a verdade de tudo quanto te foi dito. De facto, como num palácio real, a parte mais sumptuosa de todas não é dada nem pelos muros nem pelos tecto de ouro, mas pelo corpo do rei que se senta no trono; o mesmo vale para o corpo do Rei que está nos Céus. Pois bem, este corpo agora é-te possível vê-lo aqui, na terra. Eu mostro-te, de facto, não anjos, nem arcanjos, não céus e céus dos céus, mas o seu próprio Senhor”

– São João Crisóstomo, Homilia em I Coríntios, citado em Dominus Est, pelo bispo Athanasius Schneider, p. 34

 

 

Em 14 de fevereiro de 2015, Dom Athanasius Schneider de Astana, Cazaquistão, deu uma palestra em Washington, DC patrocinada pelo Instituto Paulus. Durante a palestra, ele propôs ações concretas – dez elementos essenciais – que devem ser implementadas para realizar a renovação litúrgica.

Como participante, fiquei impressionado mais uma vez pela preocupação de sua excelência para com a reverência e a devoção no culto católico. Por causa do valor profundo dos insights que ele apresentou, eu gostaria de oferecer-vos o meu próprio resumo de seus principais temas.

O bispo instruiu que, desde os tempos apostólicos, a Igreja procurou ter a Liturgia Sagrada, e que é somente através da ação do Espírito Santo que se pode verdadeiramente adorar Cristo. Gestos exteriores de adoração que expressam reverência interior são vitais dentro do contexto da liturgia. Estes incluem reverências, genuflexões, prostrações, e semelhantes. Sua excelência citou os escritos de São João Crisóstomo sobre a liturgia, particularmente enfocando o seguinte tema: A liturgia da Igreja é a participação, e deve ser modelada, em cima da liturgia celeste dos anjos.

A noção de liturgia celeste, e nossa participação nela no Santo Sacrifício da Missa, oferece alguma perspectiva para aqueles de nós que podem ser tentados a dar como certo o milagre incrível em nosso meio. A realidade é que cada igreja Católica é, em si, um lugar em que habitam os anjos, arcanjos, o reino de Deus, e o próprio Ser Celestial de Deus. Se tivéssemos alguma forma capaz de sermos transportados para a liturgia celeste, não ousaríamos falar mesmo com aqueles que conhecemos e amamos. Quando estamos dentro de uma Igreja, devemos, portanto, falar reservadamente, e depois só de coisas sagradas.

Na igreja primitiva, o altar e outros objetos sagrados foram velados por respeito para com o Mistério Sagrado em que eles desempenharam um papel. Não houve, ao contrário da crença popular em nosso tempo presente, uma celebração versus populum da Missa ou até mesmo uma prática generalizada da comunhão na mão. O padre e as pessoas olhavam juntos para Deus no Oriente litúrgico.

Quando celebramos a liturgia, é Deus quem deve estar no centro.

O Deus encarnado. Cristo. Ninguém mais.

Nem mesmo o padre que atua em seu lugar.

Empobrece a liturgia quando nós reduzimos os sinais e gestos de adoração. Qualquer renovação litúrgica deve, portanto, restaurar os sinais e trazer um caráter mais cristocêntrico e transcendente da liturgia terrestre que é mais uma reminiscência da liturgia angelical.

Dez Elementos de Renovação

Dom Schneider ofereceu estes 10 pontos de aplicação que ele vê como fundamentais para a renovação litúrgica:

 

O tabernáculo, onde Jesus Cristo, o Deus encarnado, está realmente presente sob as espécies do pão deve ser colocado no centro do santuário, porque em nenhum outro sinal nesta terra é Deus, o Emmanuel, portanto, realmente presente e tão perto do homem como no tabernáculo. O tabernáculo é o sinal que indica e que contém a Presença Real de Cristo e, portanto, deve estar mais perto do altar e constituir com ele o sinal central, indicando o Mistério Eucarístico. O Sacramento do Tabernáculo e do Sacrifício do Altar não devem, portanto, estar em oposição ou separados, mas ambos em lugar central e juntos no Santuário (Presbitério). Toda a atenção daqueles que entram numa igreja deve espontaneamente ser direcionada para o tabernáculo e para o altar.

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“O tabernáculo, (…) deve ser colocado no centro do santuário”

Durante a Liturgia Eucarística – pelo menos durante a oração eucarística – quando Cristo, o Cordeiro de Deus é imolado, o rosto do padre não deve ser visto pelos fiéis. Mesmo os serafins cobrem seus rostos (Isaías 6, 2) quando adorando a Deus. Em vez disso, o rosto do padre deve ser voltada para a cruz, o ícone do Deus crucificado.

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“Durante a Liturgia Eucarística o rosto do padre não deve ser visto pelos fiéis.”

Durante a liturgia, deve-se haver mais sinais de adoração – especificamente genuflexões – especialmente cada vez que o sacerdote toca a hóstia consagrada.

 

Os fiéis que se aproximam para receber o Cordeiro de Deus na Sagrada Comunhão deve saudá-lo e recebê-lo com um ato de adoração, de joelhos. Que momento na vida dos fiéis é mais sagrado do que este momento de encontro com o Senhor?

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“Os fiéis que se aproximam para receber o Cordeiro de Deus na Sagrada Comunhão deve saudá-lo e recebê-lo com um ato de adoração, de joelhos. “

 

Deve haver mais espaço para o silêncio durante a liturgia, especialmente durante os momentos que expressam mais plenamente o mistério da redenção. Especialmente quando o Sacrifício da Cruz torna-se presente durante a oração eucarística.

 

Deve haver mais sinais exteriores que expressem a dependência do sacerdote de Cristo, o Sumo Sacerdote, e mostrar mais claramente que as palavras que o sacerdote pronuncia (ie., “Dominus Vobiscum“) e as bênçãos que ele oferece aos fiéis dependem e fluem de Cristo, Sumo Sacerdote, não dele, a pessoa privada. Não “Saúdo-vos” ou “eu te abençoo”, mas “eu, o Senhor” faço essas coisas. Cristo. Esses sinais podem ser (como foi praticado por séculos) o beijo do altar antes de cumprimentar as pessoas para indicar que esse amor não flui do sacerdote, mas a partir do altar; e também diante de bênção, para beijar o altar, e depois abençoar as pessoas. (Isto foi praticado por milênio, e, infelizmente, no Novo Rito foi abolido). Além disso, curvando-se em direção à cruz do altar, para indicar que Cristo é mais importante do que o sacerdote. Muitas vezes na liturgia – no Rito Antigo – quando um sacerdote expressava o nome de Jesus, ele teria que voltar-se para a cruz e fazer uma reverência para mostrar que a atenção deve estar em Cristo, e não ele.

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“Deve haver mais sinais exteriores que expressem a dependência do sacerdote de Cristo”

 

Deve haver mais sinais que expressem o mistério insondável da redenção. Isto poderia ser alcançado através do véu dos objetos litúrgicos, porque o uso do véu é um ato da liturgia dos anjos. Velar o cálice, velar a patena com o véu umeral, o velamento do corporal, velar as mãos do bispo quando celebra-se uma solenidade, o uso de mesas de comunhão, também, para velar o altar. Também sinais – sinais da cruz pelo sacerdote e os fiéis. O sacerdote fazer sinais da cruz durante a oração eucarística e pelos fiéis durante outros momentos da liturgia; quando estamos benzendo-nos com a cruz é um sinal de bênção. Na antiga liturgia, três vezes durante a Gloria, o Credo, e o Sanctus, os fiéis faziam o sinal da cruz. Estas são expressões do mistério.

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“Deve haver mais sinais que expressem o mistério insondável da redenção. Isto poderia ser alcançado através do véu dos objetos litúrgicos,”

 

Deve haver um sinal constante que expressa o mistério também por meio da linguagem humana– isto é, o latim é uma língua sagrada exigida pelo Concílio Vaticano II na celebração de cada Santa Missa e em cada lugar uma parte da oração eucarística deveria sempre ser dito em latim.

 

Todos aqueles que exercem um papel ativo na liturgia, como leitores, ou aqueles que rezam a oração dos fiéis, devem estar sempre vestidos com paramentos litúrgicos; e somente os homens, sem as mulheres, porque este é um exercício no Santuário, próximo ao do sacerdócio. Mesmo ler o lecionário é direcionado à liturgia onde estamos a celebrar a Cristo. E, portanto, somente homens vestidos com vestes litúrgicas devem estar no santuário.

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“Todos aqueles que exercem um papel ativo na liturgia,(…) devem estar sempre vestidos com paramentos litúrgicos”

 

A música e as canções durante a liturgia devem mais verdadeiramente refletir o caráter sagrado e devem se parecer com o canto dos anjos, como oSanctus, a fim de serem realmente mais capazes de cantar a uma só voz com os anjos. Não só oSanctus, mas toda a Santa Missa. Seria necessário que o coração, a mente e a voz do sacerdote e dos fiéis sejam direcionada para o Senhor. E que este seria manifestada por sinais e gestos exteriores também.

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“A música e as canções durante a liturgia devem mais verdadeiramente refletir o caráter sagrado “

 

Há uma grande quantidade de matéria para se refletir sobre isso aqui. Cada um desses dez pontos parece, pelo menos para mim, indispensável em nossa busca de culto verdadeiramente reverente em nossas igrejas. Nenhum desses pontos é incompatível com qualquer liturgia antiga da Igreja ou, talvez mais importante, com a liturgia imaginada pelos Padres conciliares na Constituição Sacrosanctum Concilium.

 

Seria uma tremenda bênção se mais bispos usassem estes dez pontos como diretrizes essenciais para a liturgia em suas dioceses. Convido você a enviá-los à seu próprio bispo para sua consideração. Houve mais pérolas nas questões, que eu tenha optado por não transcrever devido ao comprimento.

 

Eu também tive a oportunidade de conhecer brevemente o bispo na conclusão do seu discurso. Quando eu agradeci a ele por sua liderança em um momento em que parece que muitos dos nossos pastores não estão anunciando com vozes claras os ensinamentos da Igreja, ele me disse: “É você quem deve fazer isso. Você, os fiéis, as vossas famílias. Você deve ser santo. Você deve ensinar a fé a seus filhos. Você deve inspirar os sacerdotes“. Sobre o tema das vocações, ele disse que devemos oferecer aos nossos filhos a Deus, se quisermos para que eles recebam uma vocação. Parece que com este conselho – emparelhado com as sugestões concretas que anteriormente oferecidos em seu artigo publicado no início deste ano – Ele está chamando-nos, os leigos, para começar uma revolução de santidade, se quisermos ver a reforma da Igreja.

 

Parece que seria melhor começar.

Fonte :http://www.movimentoliturgico.org/10-elementos-de-renovacao-da-liturgia/

Reencarnação – Argumentos católicos contra os fundamentos do espiritismo

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Por: Orlando Fedeli

A doutrina da reencarnação é comum a vários sistemas religiosos, todos de fundo gnóstico. Ela provém de um erro a respeito do problema do mal e da justiça divina. Modernamente, a doutrina da reencarnação se tornou muito difundida pelo espiritismo.

Os reencarnacionistas defendem a tese de que cada pessoa teria várias vidas, e se reencarnaria para pagar os pecados de uma vida anterior. Desse modo, cada vida nos seria concedida para expiar erros, que não conhecemos, de uma vida que teríamos tido. Cada reencarnação seria um castigo pelos males que praticamos em vidas anteriores. Não haveria inferno. O castigo do homem seria viver neste mundo material, e não tornar-se puro espírito. Para os reencarnacionistas, “o inferno é aqui”.

Eles recusam admitir que esta vida é única, e que, após a morte, somos julgados por Deus e premiados com o céu, ou punidos temporariamente no purgatório, ou condenados eternamente ao inferno. Exigem uma “nova oportunidade”, enquanto recusam mudar de vida agora. A eles poderia ser aplicado o que diz um autor a respeito do tempo e do adiamento dos deveres: “Por que prometes fazer, num futuro que não tens, aquilo que recusas fazer no tempo que tens?”. Assim também o que defende a teoria da reencarnação pretende melhorar nas futuras vidas – que imagina terá – o que se recusa a melhorar já, na vida que tem.

Para os hinduístas, a reencarnação poderia se dar pela transmigração do espírito até no corpo de um animal ou planta. Para os espíritas, a reencarnação se daria apenas em corpos humanos.

REFUTAÇÃO

Se a alma humana se reencarna para pagar os pecados cometidos numa vida anterior, deve-se considerar a vida como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo, ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo. Ninguém quer ficar em castigo longamente. Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito. Como foi esse pecado? Era então o homem parte da divindade? Como poderia ter havido pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo. O anjo é um ser de natureza diversa da humana. Que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez?Se a reencarnação fosse verdadeira, com o passar dos séculos haveria necessariamente uma diminuição dos seres humanos, pois que, à medida que se aperfeiçoassem, deixariam de se reencarnar. No limite, a humanidade estaria caminhando para a extinção. Ora, tal não acontece. Pelo contrário, a humanidade está crescendo em número. Logo, não existe a reencarnação.Respondem os espíritas que Deus estaria criando continuamente novos espíritos. Mas então, esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre se reencarnar. Jamais cria ele espíritos perfeitos?Se a reencarnação dos espíritos é um castigo para eles, o ter corpo seria um mal para o espírito humano. Ora, ter corpo é necessário para o homem, cuja alma só pode conhecer através do uso dos sentidos. Haveria então uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar-nos tristeza Morrer, pelo contrário, significaria uma libertação, e deveria causar-nos alegria. Ora, todo nascimento de uma criança é causa de alegria, enquanto a morte causa-nos tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.Vimos que se a reencarnação fosse verdadeira, todo nascimento seria causa de tristeza. Mas, se tal fosse certo, o casamento – causador de novos nascimentos e reencarnações – seria mau. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior. No fundo, os filhos nada teria a ver com seus pais, o que é um absurdo.A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, ou em situação social inferior ou nociva — como escrava, por exemplo, ou pária – nada se deveria fazer para ajudá-la, porque propiciar-lhe qualquer auxílio seria, de fato, burlar a justiça divina que determinou que ela nascesse em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.A reencarnação causaria uma tendência à imoralidade e não um incentivo à virtude. Com efeito, se sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Pelo contrário, se imaginamos que teremos milhares de vidas e reencarnações, então não nos veríamos impelidos à conversão imediata. Como um aluno que tivesse a possibilidade de fazer milhares de provas de recuperação, para ser promovido, pouco se importaria em perder uma prova – pois poderia facilmente recuperar essa perda em provas futuras – assim também, havendo milhares de reencarnações, o homem seria levado a desleixar seu aprimoramento moral, porque confiaria em recuperar-se no futuro. Diria alguém: “Esta vida atual, desta vez, quero aproveitá-la gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei” . Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, ao final de um processo de reencarnações infindas?Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: “Ide malditos para o fogo eterno”? (Mt. XXV, 41)Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo, porque ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese fundamental da Gnose.Em conseqüência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à idéia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo. Mas, se assim fosse, cairíamos num dilema:Ou as ofensas feitas a Deus pelo homem não teriam gravidade infinita;Ou o mérito do homem seria de si, infinito.

Que a ofensa do homem a Deus tenha gravidade infinita decorre da própria infinitude de Deus. Logo, dever-se-ia concluir que, se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.

Se o homem fosse divino por sua natureza, como se explicaria ser ele capaz de pecado? A doutrina da reencarnação leva, então, à conclusão de que o mal moral provém da própria natureza divina. O que significa a aceitação do dualismo maniqueu e gnóstico. A reencarnação leva necessariamente à aceitação do dualismo metafísico, que é tese gnóstica que repugna à razão e é contra a Fé.É essa tendência dualista e gnóstica que leva os espíritas, defensores da reencarnação, a considerarem que o mal é algo substancial e metafísico, e não apenas moral. O que, de novo, é tese da Gnose.Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, ele se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infindo.A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.

Por exemplo, São Paulo escreveu:

“O homem só morre uma vez” (Heb. IX, 27).

Também no Livro de Jó está escrito:

“Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono”(Jó, XIV,12).

Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31)

E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos.

Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos.

No Deuteronômio se lê: “Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os advinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou advinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada” (Deut. XVIII-10-12).

Fonte :Fedeli, Orlando – Reencarnação – Argumentos católicos contra os fundamentos do espiritismo
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=reencarnacao&lang=bra 
Online, 06/04/2016 às 06:12h