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Missa Tridentina na TV Canção Nova.

Olá irmãos e irmãs é com muita alegria que venho hoje falar de um acontecimento que me alegra muito, recentemente na TV Canção Nova está havendo  a celebração da Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano( A MISSA TRIDENTINA).
Que tenho que dizer que é um sonho meu, sempre pensei, porque a TV Canção Nova não celebra a Missa Tridentina… Deus ouviu minhas preces!! Venho repostar um texto do blog  Ecclesia Una que acompanho sempre.
Segue abaixo.

Comunidade Canção Nova acolhe Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano

16/07/2012 por Everth Queiroz Oliveira

Recentemente a comunidade Canção Nova vem sendo palco de uma verdadeira reforma litúrgica. Como exemplos, poderíamos citar a piedade e sacralidade com que as festas da Semana Santa foram celebradas; e também o zelo com que foi conduzida a solenidade de Corpus Christi. E isto tudo ainda este ano.

Pois bem, no dia de ontem (15), a comunidade de Cachoeira Paulista acolheu a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano – a Missa Tridentina! O Sacrifício foi celebrado pelo reverendíssimo padre Demétrio Gomes, da Arquidiocese de Niterói. Salvem a Liturgia! havia divulgado de antemão esta feliz notícia, avisando que, embora fosse este um grande passo, desta vez a celebração não seria transmitida na televisão. Os que tinham acesso à Internet ontem à noite, porém, tiveram a oportunidade de participar ao vivo deste belíssimo momento de oração. Isto porque o Santo Sacrifício foi transmitido pela Twitcam (e aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir ontem, podem assistir, hoje, ao vídeo gravado). Foram publicadas, também na Internet, fotos do evento (agradecimentos ao Rafael Cresci, que disponibilizou as imagens no Facebook), as quais compartilhamos abaixo.

Aprendendo o Latim (Parte VI)

Publicada por Cleiton Robson.
A Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, do Santo Padre Bento XVI, no nº 62 fala explicitamente quanto ao uso da língua latina (grifos nossos): “… A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as diretrizes do Concílio Vaticano II: excetuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia.
E isto para enfatizar o intento que o Salvem a Liturgia vem fazendo com esta série de postagens, em consonância com o Magistério e com o Santo Padre o Papa!
Aqui é bom entendermos o porquê de algumas palavras variarem em suas terminações. No latim, substantivos, adjetivos e pronomes não têm uma forma fixa como em português,que só varia em gênero e número, isto é, masculino e feminino, singular ou plural. O latim não tem artigos; as desinências indicam, simultaneamente, não só o gênero e o número da palavra, mas também a sua função sintática.
Os substantivos declináveis em latim figuram, nos dicionários, em dois casos, o nominativo e o genitivo. Por exemplo, tabula, ae; dominus, i; lex, legis; manus, us; dies, ei (ae genitivo da primeira declinação; i da segunda; is, da terceira; us, da quarta, e ei da quinta).
Conhecido o genitivo, dele se extrai o radical para formar os demais casos. O radical é obtido destacando-se a desinência do genitivo. Exemplo: Dominus, Domini. Radical: Dominus menos us = Domin.
Os termos em us fazem o vocativo em e. Ex.: Benedictus (Bento), Benedicte (Ó, Bento). Mas, Deus (Deus), agnus (cordeiro) e chorus (coro) têm o vocativo igual ao nominativo, isto é, us. Ex.: Agnus Dei, miserere nostri (Cordeiro de Deus, tem piedade de nós).
Os casos em latim são seis e regem a terminação que a palavra vai receber. Na maioria das vezes:
O nominativo indica o sujeito da oração e normalmente é traduzido por “o algo” / “algo”.
O genitivo indica o adjunto adnominal restrivo, passa a idéia de posse e normalmente é traduzido por “de algo”.
O dativo indica o objeto indireto e normalmente é traduzido por “a algo”.
O acusativo indica o objeto direto e normalmente é traduzido por “o algo”.
O ablativo indica um adjunto adverbial e normalmente é traduzido por “para algo”.
Assim, quando foi anunciado o novo Papa, em 19 de Abril de 2005, o Cardeal protodiácono Jorge Medina Estévez, proclamou:
Annuntio vobis gaudium magnum;
habemus Papam:
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Josephum
Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Ratzinger
qui sibi nomen imposuit Benedictum (i) decimi sexti
.
Anuncio-vos uma grande alegria;
Temos um Papa:
O eminentíssimo e reverendíssimo Senhor,
Senhor Joseph
Cardeal da Santa Romana Igreja Ratzinger,
que se impôs o nome de Bento dezesseis.

Ao anunciar o nome do papa recém-eleito, é dito o nome de nascimento do novo papa ou o primeiro nome em latim, caso acusativo (ex. Angelum Iosephum, Ioannem Baptistam, Albinum, Carolum, Iosephum), o sobrenome do novo pontífice é anunciado na língua original (por exemplo, Roncalli, Montini, Luciani, Wojtya, Ratzinger). O nome pontifício do novo papa é normalmente pronunciado em latim, no caso genitivo (ex. Ioannis vicesimi Tertii, Ioannis Pauli primi, e etc), embora também possa ser utilizado o caso acusativo em latim (como foi o caso em 1963, quando o nome papal de Paulo VI foi anunciado como Paulum Sextum e do atual papa Benedictum).

Áudio da Salve Rainha, com o link para download:
Escutar ou baixar AQUI
Salve, Regina, mater misericordiae; vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus, exsules filii Evae. At te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria. Amen.

Aprendendo o Latim (Parte V)

Publicada por Cleiton Robson.
Pedro disse a verdade ao Pai.
Nesta frase, a expressão “ao pai” completa ainda mais o sentido do predicado. Disse a verdade a quem? Este outro objeto do verbo será a ele unido por meio de uma preposição, a. No primeiro caso – objeto direto – havia apenas o artigo – a verdade. Agora temos a+o pai, isto é, uma preposição a foi juntada ao artigo o. Então se diz que a ação do verbo passou ao outro elemento da frase por meio de uma preposição, isto é, não diretamente, mas indiretamente, por isso chama-se objeto indireto.
Pedro disse com franqueza a verdade ao pai.
A oração foi enriquecida com mais um detalhe que indica a maneira, o modo, o estado de espírito com que Pedro disse a verdade ao pai. O elemento da oração que indica alguma circunstância é chamado de adjunto adverbial. No caso, é um adjunto adverbial de modo, isto é, expressa a maneira, o modo como Pedro disse a verdade. Mas há também os adjuntos circunstanciais de tempo, lugar, intensidade, etc.
Pedro disse com franqueza a verdade do fato ao pai.
Um elemento novo  – de fato – enriqueceu ainda mais a oração. Não se trata de uma verdade qualquer, mas da verdade de um determinado fato. Houve uma restrição na generalidade do termo verdade. Por isso se diz que do fato é complemento nominal restritivo, porque complementou o sentido do nome – verdade – restringindo-lhe o âmbito.
Pedro disse ao pai, com franqueza, a verdade do fato lastimável.
Como você vê, a oração está crescendo com novos elementos. cada elemento excerce uma função diferente. Na ordenação de uma oração, os termos se unem uns aos outros para formar um sentido geral. Por isso é que se diz sintaxe (do grego, ordem conjunta), ordem na qual os termos se unem uns com os outros [syn (com)+taxe (ordem]. Agora, mais um termo foi acrescentado para qualificar o nome fato. O fato poderia ser agradável, feliz, mas aqui é lastimável. Esta função de um adjetivo (lastimável) que qualifica um substantivo (fato), chama-se em análise sintática, adjunto adnominal, isto é, um termo que se coloca junto (ad) a um nome para o  modificar, qualificar ou determinar.
Resumindo, os objetos, diretos e indiretos, só complementam verbos; adjuntos e complementos nominais, só nomes, e os adjuntos adverbiais referem-se a circunstâncias.

Aqui a oração do Pai Nosso, e em seguida, em gregoriano:

download AQUI

Pater noster, qui es in caelis: sanctificetur nomen tuum; adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo. Amen.

d) A pronúncia Restaurada.


Há, finalmente, a pronúncia restaurada, que busca falar o latim como teria sido pronunciado pelos autores da época clássica, como Cícero e César, aliás, kíkero e káesar.
A pronúncia restaurada é adotada, para mútua compreensão, nos encontros europeus e internacionais.
Vejamos suas principais características:
• Nos ditongos ae e oe, ambas as vogais são pronunciadas. No que diz respeito ao primeiro, continuo a preferir a pronúncia mais fácil, e, como no latim eclesiástico. Aliás, na história do latim, esse ditongo cedo desapareceu, substituído por e. Varrão já observara que o povo dizia Mesium, e não Maesium: “rustici Mesium dicunt, non Maesium”.
• As consoantes “c” e “g” são sempre guturais, mesmo antes das vogais “e” e “i”. Leia-se, portanto, kíkero, em vez de cícero; késar, em vez cezar; agnus, em vez de anhus.
• O “h” é pronunciado com leve aspiração.
• O “j” tem som de “i”.
• O “r” é sempre brando.
• O “s” é invariavelmente pronunciado como em “sim”.
• A sílaba ti, precedendo vogal, lê-se tal como escrita, donde: grátia, e não, grácia; skientia, e não, ciência.
• O “v”, consoante precedendo vogal, tem som de “v”, embora haja quem lhe atribua o som de u, que aliás resulta horrível, como em “uiuo”, em vez de “vivo”.
• O “x” soa como “cs”.
• O “y”, como o “u” da língua francesa.
• O “z”, como “ds”.

Aprendendo o Latim (Parte IV)

Publicada por Cleiton Robson.
É a análise sintática que identifica as funções de cada termo de uma oração. No latim, substantivos, adjetivos e pronomes têm seis flexões no singular e seis no plural para indicar essas funções. São os chamados casos. Por exemplo, uma mesma palavra assume, no singular e no plural, diversas flexões, de acordo com sua função na oração. Seja a palavra frater, irmão. De acordo com sua função na oração e seu número, pode figurar como frater, fratris, fratri, fratre, fratrem, fratres, fratrum, fratribus. Em português você diria o irmão, do irmão, ao irmão, com o irmão, o irmão, os irmãos, dos irmãos, aos irmãos, com os irmãos, etc. Complicado, não é? Não, se você tiver bons conhecimentos de análise sintática!
Toda oração tem necessariamente sujeito e predicado. Se a oração for mais longa, pode ter obejto ou objetos diretos, objeto ou objetos indiretos, adjuntos adnominais, complementos nominais, adjuntos adverbiais, etc.
Pedro caminha.
Os dois termos isolados não fazem uma oração. Eu sei apenas quem é Pedro e sei que caminhar significa mover-se com as duas pernas. Mas, se uno os dois termos, sei que é Pedro que faz a ação de caminhar. Logo, Pedro é o sujeito da oração, que faz a ação indicada pelo predicado caminha, o verbo.
Nesta ação de caminhar, só Pedro é envolvido, isto é, a ação de Pedro fica nele. Mas, há casos em que a ação indicada pelo verbo transita, isto é, passa do sujeito para terceiros. Diz-se, nesse caso, que o verbo é transitivo. A ação do sujeito atinge, direta ou indiretamente, um terceiro. O termo que representa esse terceiro chama-se objeto (direto ou indireto).
Pedro disse a verdade.
Nesta oração, a ação verbal passa do sujeito para um terceiro elemento. Se eu disser apenas Pedro disse, sem dúvida há uma oração: sujeito e predicado. Mas é incompleta, porque logicamente até uma criança perguntaria: disse o quê? A resposta direta ao verbo, sem preposição, é o objeto direto. No caso, a verdade é objeto direto do verbo dizer.

Aqui o áudio da oração “Regina Caeli“, própria do Tempo Pascal, com seu responsório e oração:

Regina Caeli

Regína caeli, laetáre, allelúia. Quia quem meruísti portáre, allelúia. Resurréxit, sicut dixit, allelúia. Ora pro nobis Deum, allelúia.

V. Gaude et laetáre, Virgo Maria, allelúia.
R. Quia surréxit Dóminus vere, allelúia.

Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filli tui Dómini nostri Iesu Christi mundum laetificare dignatus es, praesta, quaesumus, ut per eius Genitricem Virginem Mariam perpetuae capiamus gáudia vitae.
Per Christum Dominum nostrum. Amen.

c) Pronúncia eclesiástica ou italiana.


Durante a Idade Média o latim era pronunciado segundo as regras fonéticas da língua mãe do falante. Assim, na Galiza e Portugal era falado ao jeito “português”, em Castela doutro diferente (“à espanhola”), nos países de língua catalã e occitana de mais outro, na Lombardia, na Itália, na França, na Escandinávia, nos países germânicos e eslavos, etc., cada um segundo o seu próprio sistema fonético, empregando fonemas alheios ao latim original. A Igreja tentou seriamente unificar, pelo menos no seu seio, todas as pronúncias para lograr uma língua litúrgica unificada, com bem pouco sucesso. A escolha fonética, ficando lá o Vaticano, foi a da pronúncia italiana do latim, que tem as regras desta língua e que só agora está conseguindo êxito fora do Vaticano.
Pronúncia das vogais:
Os ditongos ae e oe são sempre pronunciados como a vogal e aberta
Pronúncia das consoantes:
Pronúncia do C:
Como o ch dos dialetos do norte português (ou do galego), antes de i e de e
Como o tch da palavra tchau
Pronúncia do G:
Como dj
Exemplo: Regina (rainha) lê-se /redjina/
Pronúncia do R:
Como o r da palavra caro.

Aprendendo o Latim (Parte III)

Publicada por Cleiton Robson.
Não é fácil definir, com precisão, a pronúncia original do latim. Se assim fosse, não haveria tanta polêmica entre latinistas franceses, alemães, italianos e outros.

Nesta breve iniciação na língua latina, importam apenas alguns instrumentos práticos. Em geral, os bons dicionários latinos registram os vocábulos com pequenos sinais diacríticos para indicar se as vogais são breves (ˇ) ou longas (-). Mas o latim mesmo não tinha acentos gráficos. Trata-se, portanto, de simples recurso didático para facilitar a aprendizagem. Aqui nos limitaremos a grafar em negrito a vogal tônica das palavras proparoxítonas. A palavra que não tem vocal em negrito é paroxítona. Exemplos: honoris, pronuncia-se honóris; populus, pópulus, etc. No latim não há palavras oxítonas, com exceção, é claro, de monossílabos tônicos, por exemplo, algumas interjeições.

O grupo ti, seguido de vogal, soa como ci em português. Por exemplo: justitia (justicia). Só o segundo ti soa ci porque seguido da vogal a.

Outra importante observação: os ditongos ae, oe se pronunciam como é, mas não são necessariamente tônicos. Como não há palavras oxítonas em latim, rosae se pronuncia róse e não rosé.

Para evitar equívocos, convém pronunciar sempre o o e o e latinos como o e e e não u e i  como acontece no português. Por exemplo, se pronuncio civitate como civitati, o som i mudaria por completo a função da palavra, que deixaria de ser ablativo para se tornar dativo, como verá mais adiante.

Aqui o áudio da Oração “Santo Anjo do Senhor”:

Angeli Dei (baixar)

Angele Dei:
Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commíssum pietáte supérna, illúmina, custódi, rege et gubérna. Amen.

b) Pronúncia Clássica.

O latim só tinha letras maiúsculas, as minúsculas são utilizadas por primeira vez na Idade Média. A pronúncia é por sílabas, muito parecida ao português.

Todas as vogais podem ser longas ou curtas. A pronúncia das vogais cá descrita é muito aproximada e fundamentada na evolução do latim para o português (vogais longas tornam-se fechadas, breves tornam-se abertas).

A, letra chamada em latim A, quando longo mais ou menos como em levar, quando breve como em chazinho

B, BE, como em barco

C, CE, sempre como em carro (também em -CE-, -CI-). Arcaicamente, o C também podia ser um G (cfr. CAIVS e GAIVS)

D, DE, como em deixar

E, E, quando longo como em dedo, quando breve como em vetar

F, EF, como em fevereiro

G, GE, sempre o g português em gato (também em -GE-, -GI-; nos -GUE-, -GUI- o u é pronunciado, como semivogal)

H, HACCA, só os falantes muito cultos aspiravam o H (como o inglês hen) mesmo na época clássica, para a maioria era mudo na altura

I, I, quando longo como em ruído, quando breve como em enorme

J: esta letra não existia em latim clássico, foi criada na Idade Média para fazer diferença entre o i vogal e o i consonântico para o que muitos i latinos foram evoluíndo

K, KA, como o C latino; arcaicamente havia uma diferença entre C e K, mas perdeu-se e o K só ficou nalgumas palavras: KARTHAGO (mas também CARTHAGO), KALENDA… muitas delas emprestadas da língua grega;

L, EL, como em levar

M, EM, como em muito, não nasaliza as vogais anteriores a ele

N, EN, como em nome

O, O, quando longo como em toda, quando breve como em mormente

P, PE, como em português

Q, QV, sempre antes do u semivogal, -QV-. A diferença é clara em, p.ex. CVI e QVI: em CVI o u é vogal e tónico, “cú-i”, em QVI o u é semivogal e o i é o tónico, “kwí”

R, ER, possivelmente como em caro, ou talvez como em carro (rr não uvular, mas alveolar, o “clássico” europeu e como se pronúncia ainda nas zonas rurais de Portugal, em África ou na Galiza), talvez ambos dois segundo regras similares às do português

S, ES, possivelmente como em só

T, TE, como em tempo (t do padrão europeu)

V, V, nunca como o v português, sempre é vogal ou semivogal: quando vogal longo, como em miúdo, quando vogal breve como em surdo, quando semivogal como em mau. É semivogal quando diante de outra vogal, como em SOLVO ou QVARTVS. Na Idade Média, o V minúsculo grafava-se “u”, o “u” afinal foi utilizado só para o som vogal e “v” para o consonântico (como no português);

X, EX, “gs” ou “ks”, segundo a palavra (LEX-LEGIS, gs; DUX-DUCIS, ks)

Y, YPSILLON, como o u francês ou o ü/ue alemão, a letra é grega e não latina (este som não existe em latim), mas empregou-se para empréstimos do grego;

Z, ZETA, como o z alemão, aproximadamente “ts”, também para empréstimos do grego;

Há também estes dígrafos para empréstimos gregos:

CH, como o j espanhol ou o ch alemão; também aparece em palavras latinas, nelas é talvez um K levemente aspirado, é dizer, K+H, (PVLCHER, LACHRIMA) ou apenas um simples K

PH, aproximadamente como um P aspirado (PHILOSOPHIA)

RH, como o R ou RR (RHETOR, RHOMBVS)

TH, como em inglês thin ou o c/z espanhol da península

As letras para os empréstimos gregos tendiam a ser pronunciadas com os sons mais próximos do latim, assim o Y pronunciava-s I ou V, o Z como S, CH como K, TH como T, PH como F, etc.

As letras das consoantes podem ser duplas, BB, CC, DD, FF, GG, LL, MM, NN, LL, PP, RR, SS, TT, mesmo a vogal VV (MORTVVS)… a pronúncia é como duas letras separadas em sílabas diferentes, ILLE é “IL-LE” (ou um L mais longo), têm valor fonológico, p.ex. ANVS, “A-NVS”, “(mulher) velha”, não é, nem se pronúncia como ANNVS, “AN-NVS”, “ano”, SVMVS, “SV-MVS”, “nós somos”, não tem a ver com SVMMVS, “SVM-MVS”, “o mais alto”.

Arcaicamente, as vogais longas por vezes eram escritas como duplas, nos tempos da República com um acento grave (APEX), e no Império com algo parecido a um acento agudo. Mas nunca foi universal nem unanimemente aceite. Na Idade Média, sobretudo nos livros de aprendizagem, adoptou-se o costume de grafar as vogais longas com um tracinho acima (mácron), e as breves com um u pequeninho (bráquia).

Há ditongos e tritongos (muito raros), AE, AV, EI, EV, OE, OI, VI, e pronunciavam-se com os sons correspondentes, mas muito cedo foram evoluindo para outros sons, p.ex. AE passou a ser pronunciado como um E aberto, OE como E fechado, AV como o “ou” (ow) português, etc.

Há estes grupos consonânticos: BL, BR, CL, CR, DR, FL, FR, GL, GN, GR, PL, PR, SC, SCR, SGR, SP, SPL, ST, STR, TR, a pronúncia deles é a união dos sons, mas fazem parte duma única sílaba: DRV-SVS, GNA-TVS; qualquer outro caso as consonantes fazem parte de sílabas diferentes: AR-TIS, MOR-TEM, PROP-TER, OM-NI-A

Hoje o latim é escrito empregando letras maiúsculas e minúsculas segundo as regras universais, e utilizando a diferença na escrita do u vogal e consonântico, u/v, isto é, mortuus e não MORTVVS ou unum e não VNVM, mas cave (de CAVE) e não caue (em geral: v sempre entre vogais). O emprego do i/j fica à vontade mas dentro duma coerência (ou é utilizado o j, ou não é).

As sílabas em latim são abertas se terminam em vogal, fechadas se em consoante. Uma sílaba é breve se aberta e contém uma vogal breve: fu-ga, do-mi-na, ou quando vai diante doutra vogal (ainda que tiver uma vogal longa ou um ditongo): au-re-us, om-ni-a. A sílaba é longa se fechada ou contém uma vogal longa.

No latim não há palavras oxítonas, excepto as poucas que perdem uma vogal final: educ (edúc, de educe), illic (il-líc, de illice).

As palavras com duas sílabas são paroxítonas: unda (únda), rosa (rósa).

Se houver mais de duas sílabas: são paroxítonas se a penúltima sílaba é longa, amicus (amícus), frumentum (fruméntum). Também se a última sílaba é uma partícula enclítica, fratresque (fratrésque, mas frâtres), reginave (regináve, mas regína).

Em todos os demais casos são proparoxítonas: dominus (dóminus), agricola (agrícola).

Há palavras átonas, proclíticas (“colam” por diante) ou enclíticas (por trás). As enclíticas puxam para si o acento: Inter (átona) +homines (hómines) = interhomines (interhómines); ipse (ípse) + met (átona) = ipsemet (ipsémet). Mas se não era considerada composta (como em português “porém” ou “decerto”, p.ex.), não acontecia: itaque (ítaque, “então”), itaque (ita+que > itáque, “e assim”).

Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2010/05/aprendendo-o-latim-parte-iii.html

Aprendendo o Latim (Parte II)

O latim, quando disciplina obrigatória dos currículos escolares, era língua destacada, de aprendizagem difícil e, em alguns casos, desesperadora. A razão disso é que nossa língua-mãe tem outras maneiras de construir suas orações. O latim é língua sintética, isto é, seus vocábulos e sua fraseologia são de extrema concisão. Com dois termos, pode formular uma oração que, nas línguas derivadas, teria meia dúzia de palavras. Veja esta inscrição nos antigos cemitérios: MORITURI MORTUIS que, traduzida para o português, teria a seguinte redação: “Aqueles que um dia hão de morrer (oferecem, dedicam aos mortos”.
A dificuldade na aprendizagem do latim é que não há condições de ensiná-lo como se ensinam as línguas modernas. Uma saída didática é utilizar-se dos cantos gregorianos. Por exemplo: para aprender o francês, o inglês, o espanhol, etc., você só precisa adquirir vocabulário, conjugar os verbos, ter noções de gênero e número e se exercitar na língua. No fundo, é um simples processo de memorização de regras e vocábulos. O latim, não. Você pode decorar todos os termos latinos, conjugar todos os verbos, saber de cor e salteado as cinco declinações e, apesar disso, não ser capaz de construir uma única oração, se não tiver sólidos conhecimentos de análise sintática. Este é o segredo da aprendizagem da língua latina. Se você não souber o que é sujeito, predicado, objeto direto ou indireto, complemento restritivo, adjunto adverbial, etc, o latim será língua cifrada para você.
Por isso, é lamentável que tenha sido retirado do currículo secundário, pois exercitar-se na língua latina é um método excelente de desenvolver o raciocínio, dar ordem às idéias, ter perfeito conhecimento das funções da palavra e aprender a redigir com clareza e correção.
Aqui o áudio da oração “Ave Maria“:
Em gregoriano:
Ave, María, grátia plena, Dóminus tecum. Benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus.
Sancta María,  Mater Dei, ora pro nobis peccatóribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

a) O Alfabeto.
O alfabeto latino clássico consta das seguintes letras:
A B C D E F G H I L M N O P Q R S T Vàs quais se acrescentam os símbolos Æ e Œ para a representação dos ditongos AE e OE, respectivamente.

As letras K Y Z são usadas na grafia de palavras oriundas do Grego.

As letras J e U foram criadas tardiamente para se distinguir, na escrita, entre o I e o V vogal e semivogal.

O Latim propriamente dito não utiliza nenhum acento. Porém, em obras didáticas, costuma-se colocar um acento sobre as vogais para indicar sua duração. As vogais longas são representadas com o acento conhecido como MACRON: Ā Ē Ī Ō Ū; e as vogais breves são marcadas com a BRACHIA: Ă Ĕ Ĭ Ŏ Ŭ.

Aprendendo o Latim (Parte I)

Importância e valor histórico
Dizem que o latim é língua morta, só porque já não é falado como no tempo dos patrícios romanos, de Cícero, Virgílio, etc. Ora, com este argumento, poder-se-ia dizer que o português falado no tempo de Camões é língua morta, pois ninguém hoje fala o português de quinhentos anos atrás. Mas Portugal, Brasil e outros países lusófonos da África e da Ásia continuam falando, fundamentalmente, a mesma língua de Camões, de Manuel Bernardes e Pe. Antônio Vieira.
Neste sentido, o latim continua sendo falado na Itália, na Espanha, em Portugal, na França, na Romênia e nos demais países de cultura latina. E se considerarmos a preponderância latina na modelação da própria cultura ocidental, o latim está hoje presente em todo o mundo, graças à expansão comercial e cultural do inglês. Apesar de suas raízes e de seu espírito saxônico, setenta por cento do vocábulos da língua inglesa são de origem latina. O latim chegou à Inglaterra trazido primeiro pelas legiões romanas, depois pelos missionários de Roma e mais tarde pela invasão normanda. Até o século XVI, a corte e as universidades inglesas tinham ainda o latim como língua oficial.
Hoje, pode-se afirmar sem risco de exagero, que o latim está presente em todas as principais línguas do mundo. Mais da metade da população do mundo fala línguas derivadas do latim ou de línguas que sofreram influência da cultura latina. Os antigos navegadores e colonizadores europeus deixaram, por onde passaram, a marca da cultura ocidental que é fundamentalmente latina.
Por que, precisamente nos países de língua latina, o latim é tão esquecido e até considerado como algo inútil, exótico, sem serventia nem utilidade?
Precisamos nos conscientizar de que falamos o latim. O português é o latim falado, no século XX, em Portugal, no Brasil, nos países lusófonos da África e da Ásia. O conhecimento do latim original é, no mínimo, necessário para o fortalecimento de nossa cultura, para melhor compreensão de nossa gramática, para aumentar nossa capacidade de raciocínio (para o que tem excepcional serventia) e nos manter cada vez mais fiéis a nossas raízes históricas e culturais.
O conhecimento básico da língua latina nos ajuda a falar e escrever melhor. Quem possui razoáveis conhecimentos do latim sabe, com facilidade, por exemplo, quando uma palavra se escreve com “z” ou com “s”; domina a sintaxe, por isso sabe pontuar corretamente as orações; aprende com facilidade outras línguas irmãs, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno. O latim ajuda os juristas na compreensão dos princípios e das normas do Direito; os filósofos e teólogos a precisarem seus conceitos sem comprometimentos semânticos e ambiguidades; os cientistas a fixar os termos de suas descobertas e de suas definições; os filólogos a criar neologismos compatíveis com o espírito da língua, etc.
Fôssemos nós mais ciosos da riqueza de nossas origens, não estaríamos sofrendo hoje o vexame de receber termos latinos via idioma inglês e de os introduzir erroneamente no vernáculo. Querem um exemplo? O termo privacidade é uma excrescência linguística. A gramática e o espírito da língua portuguesa têm normas próprias para a formação e derivação de seus vocábulos. Jamais teríamos substituído privatividade por privacidade (de “privacy”), se tivéssemos mais conhecimento da nossa própria língua e mais amor às suas origens.
É isso que o Salvem a Liturgia também quer proporcionar aos seus leitores: uma formação básica acerca do latim!
A língua latina passou por uma longa evolução histórica, só vindo a alcançar seu apogeu cultural no século I antes de Cristo. Os estudiosos distribuem a evolução do latim em quatro etapas:
a) Latim pré-literário: até 250 a.C.
b) Latim arcaico: 250 a.C. a 106 a.C. Tradução da Odisséia por Lívio Andrônico (240 a.C.). Ortografia ainda não padronizada.
c) Latim clássico: 106 a.C. a 14 d.C. Ovídio, Cícero, Vergílio, Horácio, Tito Lívio, etc.
d) Latim pós-clássico: 14 d.C. até a Idade Média.
Santo Agostinho é considerado o último dos clássicos latinos. Na Idade Média, o latim era idioma corrente nas universidades, nas cortes, além de ser a língua oficial da Igreja – e isto, depois de utilizar por séculos o grego. Até o Concílio Vaticano II, toda a liturgia da Igreja Católica ocidental era em latim. A Igreja mantém como sua língua oficial, embora, depois do Vaticano II, tenha, em geral, caído em desuso. Até há três décadas, em Roma, nos institutos Gregorianum, Angelicum e outros, todas as atividades curriculares, escritas e orais, eram em latim. Não se admitia o uso de qualquer outro idioma, nem mesmo o italiano. Todos os documentos oficiais pontifícios (encíclicas, bulas, breves, decretos de nomeação de bispos, canonizações, etc) são registrados oficialmente em latim, em geral com grande apuro de estilo.

Foi na Idade Média que teve início a formação das chamadas línguas românticas ou neolatinas (o francês, o espanhol, o italiano, o português, o romeno, o provençal, o catalão e outras de menor importância) que resultaram da maneira de falar o latim em diferentes regiões da Europa.

Aqui, o áudio da primeira oração do Cristão: o Sinal da Cruz e também o Glória ao Pai, que você ouvir e também fazer download. A cada módulo do “Aprendendo o Latim“, você poderá ouvir e também guardar as orações do cristão.

Signum Crucis:
In nómine Patris + et Fílii + et Spíritus + Sancti. Amen.
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Gloria Patri
Glória Patri et Fílio et Spiritui Sancto.
Sicut erat in princípio et nunc et semper et in saecula saeculórum. Amen.
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Fonte: http://www.salvemaliturgia.com/2010/05/aprendendo-o-latim-parte-i.html