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Reencarnação – Argumentos católicos contra os fundamentos do espiritismo

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Por: Orlando Fedeli

A doutrina da reencarnação é comum a vários sistemas religiosos, todos de fundo gnóstico. Ela provém de um erro a respeito do problema do mal e da justiça divina. Modernamente, a doutrina da reencarnação se tornou muito difundida pelo espiritismo.

Os reencarnacionistas defendem a tese de que cada pessoa teria várias vidas, e se reencarnaria para pagar os pecados de uma vida anterior. Desse modo, cada vida nos seria concedida para expiar erros, que não conhecemos, de uma vida que teríamos tido. Cada reencarnação seria um castigo pelos males que praticamos em vidas anteriores. Não haveria inferno. O castigo do homem seria viver neste mundo material, e não tornar-se puro espírito. Para os reencarnacionistas, “o inferno é aqui”.

Eles recusam admitir que esta vida é única, e que, após a morte, somos julgados por Deus e premiados com o céu, ou punidos temporariamente no purgatório, ou condenados eternamente ao inferno. Exigem uma “nova oportunidade”, enquanto recusam mudar de vida agora. A eles poderia ser aplicado o que diz um autor a respeito do tempo e do adiamento dos deveres: “Por que prometes fazer, num futuro que não tens, aquilo que recusas fazer no tempo que tens?”. Assim também o que defende a teoria da reencarnação pretende melhorar nas futuras vidas – que imagina terá – o que se recusa a melhorar já, na vida que tem.

Para os hinduístas, a reencarnação poderia se dar pela transmigração do espírito até no corpo de um animal ou planta. Para os espíritas, a reencarnação se daria apenas em corpos humanos.

REFUTAÇÃO

Se a alma humana se reencarna para pagar os pecados cometidos numa vida anterior, deve-se considerar a vida como uma punição, e não um bem em si. Ora, se a vida fosse um castigo, ansiaríamos por deixá-la, visto que todo homem quer que seu castigo acabe logo. Ninguém quer ficar em castigo longamente. Entretanto, ninguém deseja, em sã consciência, deixar de viver. Logo, a vida não é um castigo. Pelo contrário, a vida humana é o maior bem natural que possuímos.Se a alma se reencarna para pagar os pecados de uma vida anterior, dever-se-ia perguntar quando se iniciou esta série de reencarnações. Onde estava o homem quando pecou pela primeira vez? Tinha ele então corpo? Ou era puro espírito? Se tinha corpo, então já estava sendo castigado. Onde pecara antes? Só poderia ter pecado quando ainda era puro espírito. Como foi esse pecado? Era então o homem parte da divindade? Como poderia ter havido pecado em Deus? Se não era parte da divindade, o que era então o homem antes de ter corpo? Era anjo? Mas o anjo não é uma alma humana sem corpo. O anjo é um ser de natureza diversa da humana. Que era o espírito humano quando teria pecado essa primeira vez?Se a reencarnação fosse verdadeira, com o passar dos séculos haveria necessariamente uma diminuição dos seres humanos, pois que, à medida que se aperfeiçoassem, deixariam de se reencarnar. No limite, a humanidade estaria caminhando para a extinção. Ora, tal não acontece. Pelo contrário, a humanidade está crescendo em número. Logo, não existe a reencarnação.Respondem os espíritas que Deus estaria criando continuamente novos espíritos. Mas então, esse Deus criaria sempre novos espíritos em pecado, que precisariam sempre se reencarnar. Jamais cria ele espíritos perfeitos?Se a reencarnação dos espíritos é um castigo para eles, o ter corpo seria um mal para o espírito humano. Ora, ter corpo é necessário para o homem, cuja alma só pode conhecer através do uso dos sentidos. Haveria então uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar-nos tristeza Morrer, pelo contrário, significaria uma libertação, e deveria causar-nos alegria. Ora, todo nascimento de uma criança é causa de alegria, enquanto a morte causa-nos tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.Vimos que se a reencarnação fosse verdadeira, todo nascimento seria causa de tristeza. Mas, se tal fosse certo, o casamento – causador de novos nascimentos e reencarnações – seria mau. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior. No fundo, os filhos nada teria a ver com seus pais, o que é um absurdo.A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, ou em situação social inferior ou nociva — como escrava, por exemplo, ou pária – nada se deveria fazer para ajudá-la, porque propiciar-lhe qualquer auxílio seria, de fato, burlar a justiça divina que determinou que ela nascesse em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.A reencarnação causaria uma tendência à imoralidade e não um incentivo à virtude. Com efeito, se sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Pelo contrário, se imaginamos que teremos milhares de vidas e reencarnações, então não nos veríamos impelidos à conversão imediata. Como um aluno que tivesse a possibilidade de fazer milhares de provas de recuperação, para ser promovido, pouco se importaria em perder uma prova – pois poderia facilmente recuperar essa perda em provas futuras – assim também, havendo milhares de reencarnações, o homem seria levado a desleixar seu aprimoramento moral, porque confiaria em recuperar-se no futuro. Diria alguém: “Esta vida atual, desta vez, quero aproveitá-la gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei” . Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, ao final de um processo de reencarnações infindas?Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: “Ide malditos para o fogo eterno”? (Mt. XXV, 41)Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo, porque ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Essa é uma tese fundamental da Gnose.Em conseqüência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à idéia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo. Mas, se assim fosse, cairíamos num dilema:Ou as ofensas feitas a Deus pelo homem não teriam gravidade infinita;Ou o mérito do homem seria de si, infinito.

Que a ofensa do homem a Deus tenha gravidade infinita decorre da própria infinitude de Deus. Logo, dever-se-ia concluir que, se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.

Se o homem fosse divino por sua natureza, como se explicaria ser ele capaz de pecado? A doutrina da reencarnação leva, então, à conclusão de que o mal moral provém da própria natureza divina. O que significa a aceitação do dualismo maniqueu e gnóstico. A reencarnação leva necessariamente à aceitação do dualismo metafísico, que é tese gnóstica que repugna à razão e é contra a Fé.É essa tendência dualista e gnóstica que leva os espíritas, defensores da reencarnação, a considerarem que o mal é algo substancial e metafísico, e não apenas moral. O que, de novo, é tese da Gnose.Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, ele se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infindo.A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.

Por exemplo, São Paulo escreveu:

“O homem só morre uma vez” (Heb. IX, 27).

Também no Livro de Jó está escrito:

“Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono”(Jó, XIV,12).

Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31)

E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos.

Em adendo a tudo isto, embora sem que seja argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos.

No Deuteronômio se lê: “Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os advinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou advinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada” (Deut. XVIII-10-12).

Fonte :Fedeli, Orlando – Reencarnação – Argumentos católicos contra os fundamentos do espiritismo
MONTFORT Associação Cultural
http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=reencarnacao&lang=bra 
Online, 06/04/2016 às 06:12h

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O que um leigo não pode fazer na missa?

Questão teórica: o que pode, o que não pode e porquê.

 Sacrossanctum Concilium

28. Nas celebrações litúrgicas, seja quem for, ministro ou fiel, exercendo o seu ofício, faça tudo e só aquilo que pela natureza da coisa ou pelas normas litúrgicas lhe compete. 

29. Os que servem ao altar, leitores, comentaristas e componentes do grupo coral exercem também um verdadeiro ministério litúrgico. Desempenhem, portanto, sua função com a piedade sincera e a ordem que convêm a tão grande ministério e que, com razão, o povo de Deus exige deles. Por isso, é necessário que, de acordo com as condições de cada qual, sejam cuidadosamente imbuídos do espírito litúrgico e preparados para executar as suas partes, perfeita e ordenadamente. 

Em nome de uma mal interpretada participação na liturgia, muito se confundiu os papéis. Já vi e vivi coisas de arrepiar. Algumas do tipo: no dia do aniversário de consagração religiosa de uma freira ela tomou a cadeira presidencial e o sacerdote sentou-se no primeiro banco da Igreja. A freira “celebrou a missa” até o ofertório quando então o sacerdote tomou seu lugar junto ao altar para a liturgia Eucarística. Por mais querida que a freira seja, por mais “democrático” que o padre seja, ambos erraram fragorosamente. O lugar da freira e do leigo não é presidindo a assembléia litúrgica. Este lugar cabe ao sacerdote que o faz In Persona Christi Capitis por força do sacramento da Ordem. Não é algo ou uma prerrogativa que o sacerdote concede a si ou da qual possa dispor sem mais. É um sacramento que ele recebe da Igreja para exercê-lo em nome da mesma Igreja. Não é um cargo para que outras pessoas posam ocupá-lo. É um verdadeiro e próprio ministério que na liturgia tem lugar e ofício próprios.

Quando um fiel tenta celebrar a missa (apenas tenta porque quem de fato e de direito a preside é o sacerdote) ele incorre nalguns erros graves:

1º) A ação litúrgica nunca é particular, mas, ação da Igreja e deve ser feita consoante à mesma (Cân. 837);

2º) Cânon 1384: quem exerce ilegitimamente uma função sacerdotal ou outro ministério sagrado pode ser punido com justa pena;

3º) Nunca é lícito simular sacramento por três razões:

     – trata-se sempre de uma mentira grave, pois o objeto que induz a erro é algo importante: um sacramento;

         – constitui certo desprezo para com as coisas sagradas (isto é, um sacrilégio), já que implica uma certa brincadeira com os sacramentos instituídos por Cristo;

      – pode constituir uma falta contra a justiça ou contra a caridade, ao negar-se ao sujeito os meios necessários ou convenientes para a sua vida espiritual. (HORTAL, Jesús.Igreja e Direito: Os sacramentos da Igreja na sua dimensão canônico-pastoral. pág. 35)

O leigo não pode presidir a assembléia. Este é um ofício do Sacerdote. “A celebração da missa é ação do povo de Deus hierarquicamente organizado” (IGMR, n. 16). A mesma Instrução Geral do Missal Romano diz que o Sacerdote tem funções próprias, presidenciais.

Instrução Geral do Missal Romano

30. Entre as partes da Missa que pertencem ao sacerdote, está em primeiro lugar a Oração eucarística, ponto culminante de toda a celebração. Vêm a seguir as orações: a oração colecta, a oração sobre as oblatas e a oração depois da comunhão. O sacerdote, que preside à assembleia fazendo as vezes de Cristo, dirige estas orações a Deus em nome de todo o povo santo e de todos os presentes . Por isso se chamam “orações presidenciais”.

31. Compete igualmente ao sacerdote, enquanto presidente da assembleia reunida, fazer certas admonições previstas no próprio rito. 

32. O carácter «presidencial» destas intervenções exige que elas sejam proferidas em voz alta e clara e escutadas por todos com atenção . Por isso, enquanto o sacerdote as profere, não se hão-de ouvir nenhumas outras orações ou cânticos, nem o toque do órgão ou de outros instrumentos musicais. Pertence ainda ao sacerdote presidente anunciar a palavra de Deus e dar a bênção final. Pode ainda introduzir os fiéis, com brevíssimas palavras: na Missa do dia, após a saudação inicial e antes do rito penitencial; na liturgia da palavra, antes das leituras; na Oração eucarística, antes do Prefácio, mas nunca dentro da própria Oração; finalmente, antes da despedida, ao terminar toda a ação sagrada.

Além das orações presidenciais, ficou claro no texto acima que as BREVES intervenções devem ser do Presidente e não do leigo. Aqui já se descartam os comentários kilométricos que se faz nas missas, explicando o rito ao invés de introduzir a assembléia ao Mistério.

35. As aclamações e as respostas dos fiéis às saudações do sacerdote e às orações constituem aquele grau de participação ativa por parte da assembleia dos fiéis, que se exige em todas as formas de celebração da Missa, para que se exprima claramente e se estimule a ação de toda a comunidade .
36. Há ainda outras partes da celebração, que pertencem igualmente a toda a assembleia convocada e muito contribuem para manifestar e favorecer a participação ativa dos fiéis: são principalmente o ato penitencial, a profissão de fé, a oração universal e a oração dominical.

Claro está que a participação ativa e frutuosa do leigo, da assembléia, não se dá quando estes usurpam o ministério do sacerdote nem quando o sacerdote exerce uma função que não é sua. Não é função do sacerdote tocar o violão ou fazer as respostas. Cada sujeito litúrgico tem sua função determinada na ação litúrgica e como tal o papel do leigo é insubstituível.

Qual o lugar do leigo então?

Em primeiro lugar há que se tirar a compreensão de uma falsa competição por lugar na Igreja. Na Igreja, o ministério é sempre sinal do serviço. Certa feita estava eu numa reunião pastoral e algumas freiras e leigos faziam uma abordagem do sacerdócio como cargo, “algo a que se apegar ciosamente”. Esta visão errada está entremeada nalguns setores da Igreja para os quais o lugar do leigo é substituir o sacerdote exatamente com uma falsa compreensão do sacerdócio.

A participação ativa e frutuosa que pede o Concílio é aquelaadequatio da mente à coisa, ou seja, do coração e da mente ao mistério Pascal de Cristo celebrado na liturgia. Não se resume a funções. Caso reduzisse esta participação a funções, a liturgia sofreria um empobrecimento irreparável. Um cadeirante, um idoso, um analfabeto, uma criança, uma pessoa de outra nacionalidade e outra língua tem, de fato, pouco “espaço” para fazer coisas na liturgia. Nem por isso participam com menos intensidade do Mistério.  A maioria dos leigos dentro de um templo não faz nenhuma função vistosa na liturgia. Eles permanecem em seus bancos e nem por isso participam menos ou com menor intensidade, com menos santidade ou com menor proveito espiritual da liturgia. Este mito de que “participação” litúrgica é sinônimo de “fazer coisas para todo mundo ver” precisa cair afim de que a verdadeira participação ativa e frutuosa seja promovida.

O leigo não pode fazer as orações presidenciais.
O leigo não pode simular sacramento (celebrar no lugar do padre).
O leigo não pode distribuir a sagrada comunhão, a menos que seja delegado de modo extraordinário para auxiliar o sacerdote a cujo ministério está ordenada esta função.
O leigo não pode apresentar o cálice durante a doxologia (Por Cristo, com Cristo em Cristo..).
O leigo não pode apresentar âmbulas ou hóstias durante a doxologia.
O leigo não pode proclamar o evangelho na missa.
O leigo não pode fazer a homilia.
O leigo não pode rezar o embolismo nem a oração da paz junto com o Padre (Livrai-nos de todos os males… Senhor Jesus Cristo dissestes aos vossos Apóstolos…).
O leigo não pode rezar nenhuma parte da oração Eucarística que é reservada ao sacerdote. A mesma começa no diálogo inicial “O Senhor esteja Convosco. Ele está no meio de nós” e prossegue até o Amém da doxologia (Por Cristo, com Cristo em Cristo…).
O lugar do leigo é na assembléia e não no presbitério. A menos que tal leigo seja o acólito que auxilia o sacerdote junto ao altar.
Os Ministros Extraordinários da Comunhão não são acólitos.
Os acólitos possuem funções próprias. A função do MESC é somente de auxiliar o sacerdote na distribuição da comunhão e, eventualmente, preparar alfaias e vasos sagrados para a missa caso não haja sacristão na Igreja.

Espero ter podido contribuir para uma melhor participação ativa e de fato frutuosa na celebração eucarística.

Fonte: Blog do Padre Luís Fernando

Jornada Mundial da Juventude 2013 Rio de Janeiro

Papa Francisco no Brasil: cerimônia de boas-vindas

 

A Intercessão dos Santos

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Desde os tempos apostólicos a Igreja ensina que os que morreram na amizade do Senhor, não só podem como estão orando pela salvação daqueles que ainda se encontram na terra. Tal conceito é conhecido como a intercessão dos santos.

A Doutrina

Sobre a doutrina da intercessão dos santos, o Catecismo da Igreja Católica ensina:

“Pelo fato que os do céu estão mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a toda a Igreja na santidade… Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na terra… Sua solicitude fraterna ajuda, pois, muito a nossa debilidade.” (CIC 956)

Por tanto para a Igreja Católica, os santos intercedem por nós junto ao Pai, não pelos seus méritos, mas pelos méritos de Cristo Nosso Senhor, o único Mediador entre Deus e os homens.

Objeções

Os adeptos do fundamentalismo bíblico normalmente apresentam uma série de objeções à doutrina da intercessão dos santos. Neste artigo iremos confrontar as principais:

1a. objeção: Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.

Esta é a principal objeção à doutrina da intercessão dos Santos. Os adeptos desta objeção fundamentam sua posição em 1 Tim 2,5 onde lemos: “Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus”. Para eles, a Sagrada Escritura não deixa dúvidas de que só Jesus pode interceder pelos homens junto a Deus.

Se isto é verdade, por que São Paulo ensinaria que nós cristãos devemos dirigir orações a Deus em favor de outras pessoas? Vejam 1Tim 2,1: “Acima de tudo, recomendo que se façam súplicas, pedidos e intercessões, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranqüila, com toda a piedade e honestidade.”

No exposto acima não está São Paulo nos pedindo para que sejamos intercessores (mediadores) junto a Deus por todas as pessoas da terra? Estaria então o Santo apóstolo se contradizendo? É claro que não. A questão é que a natureza da mediação tratada no versículo 1 é diferente da do versículo 5.

A mediação tratada em 1Tm 2,5 refere-se à Nova e Eterna Aliança. No AT a mediação entre Deus e os homens se dava através da prática da Lei. No NT, é Cristo que nos reconcilia com Deus, através de seu sacrifício na cruz. É neste sentido que Ele é nosso único mediador, pois foi somente através Dele que recuperamos para sempre a amizade com Deus, como bem foi exposto por São Paulo: “Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos.”(Rom 5,19)

Por tanto, a exclusividade da medição de Cristo refere-se à justificação dos homens. A mediação da intercessão dos santos é de outra natureza, referindo-se à providência de Deus em favor do nosso semelhante. Desta forma, o texto de 1Tm 2,5 dentro de seu contexto não oferece qualquer obstáculo à doutrina da intercessão dos santos.

2a. objeção: os santos não podem interceder por que após a morte não há consciência

Os defensores desta objeção usam como fundamento as palavras do Eclesiastes: “Com efeito, os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem mais nada; para eles não há mais recompensa, porque sua lembrança está esquecida” (Ecl. 9,5) e ainda “Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria” (Ecl. 9,10).

Já que a Bíblia é um conjunto coeso de livros, não podemos aceitar a doutrina da ?dormição? ou ?inconsciência? dos mortos simplesmente pelo fato de que há versículos claros na Sagrada Escritura que mostram que os mortos não estão nem “dormindo” e nem “inconscientes” (cf. Is 14, 9-10; 1Pd 3,19; Mt 17,3; Ap 5,8; Ap 7,10; Ap 6,10); o que faria alguém pensar que há contradições na Bíblia.

A questão é que os versículos citados do Eclesiastes não fazem referência a um estado mental dos mortos, mas sim ao infortúnio espiritual em que se encontram por causa do lugar onde estão. Os mortos os quais os textos se referem são aqueles que morreram na inimizade de Deus, e não a qualquer pessoa que morreu. Vejamos os versículos abaixo:

Ignora ele que ali há sombras e que os convidados [da senhora Loucura] jazem nas profundezas da região dos mortos” (Prov 9,18)

O sábio escala o caminho da vida, para evitar a descida à morada dos mortos” (Prov 15,24)

Os versículos acima mostram que a região dos mortos é um lugar de desgraça, onde são encaminhados os inimigos de Deus. Isto é ainda mais evidente em Prov 15,24. O sábio é aquele que guarda a ciência de Deus, este quando morrer não vai para a “morada dos mortos?. As expressões ?morada dos mortos? ou ?região dos mortos? fazem alusão a um lugar de desgraça, onde os inimigos de Deus estão privados da Sua Graça.

Voltando aos versículos do Eclesiastes, o escritor sagrado ao escrever que para os mortos ?não há mais recompensa?, ?não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria?, refere-se unicamente ao infortúnio que existe ?na região dos mortos, para onde? eles vão. Eles quem? Os que estão mortos para Deus.

Por tanto, dentro de seu contexto, os versículos do Eclesiastes também não oferecem qualquer imposição à doutrina da intercessão dos santos.

3a. objeção: os santos não podem ouvir as orações dos que estão na terra porque não são oniscientes e nem onipresentes

São Paulo nos ensina que a Igreja é o corpo de Cristo . Desta forma, os que estão unidos a Cristo através de seu ingresso na Igreja, são membros do Seu corpo. Isso quer dizer que tantos nós que estamos na terra, quanto os que já morreram na amizade do Senhor, todos somos membros do Corpo Místico de Cristo, onde Ele é a cabeça. Vejam:

Ø       São Paulo ensina que a Igreja é corpo de Cristo: “Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1,24)

Ø       São Paulo ensina que somos membros do corpo de Cristo e por isto os cristãos estamos ligados uns aos outros: “assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro” (Rom 12,5)

Ø       São Paulo ensina que Cristo é a cabeça do seu corpo que é a Igreja: “Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja” (Col 1,18)

Isso quer dizer que nós e os santos (que estão na presença de Deus) estamos ligados, pois somos membros de um mesmo corpo, o corpo de Cristo, que é a Igreja.

Assim como minha mão direita não pode se comunicar com a esquerda sem que esse comando tenha sido coordenado pela minha cabeça (caso contrário seria um movimento involuntário), da mesma forma, no Corpo de Cristo os membros não podem se comunicar sem que essa comunicação aconteça através da cabeça que é Cristo. Desta forma, quando nós pedimos para que os santos intercedam por nós junto a Deus (comunicação de um membro com o outro no corpo de Cristo), isso acontece através de Cristo. Assim como a nossa cabeça pode coordenar movimentos simultâneos entre os vários membros de nosso corpo, Cristo que é a cabeça da Igreja e é onisciente e onipresente possibilita a comunicação entre os membros do Seu corpo.

Por tanto, a falta de onipresença e onisciência dos santos não apresenta qualquer impedimento para que eles conheçam ou recebam nossos pedidos e então possam interceder por nós junto a Deus.

4aobjeção: nós não podemos dirigir nossa orações aos santos pois isto caracteriza evocação dos mortos que é severamente proibida na Bíblia.

Esta objeção baseia-se principalmente nos versículos abaixo:

Não se ache no meio de ti quem pratique a adivinhação, o sortilégio, a magia, o espiritismo, a evocação dos mortos: porque todo homem que fizer tais coisas constitui uma abominação para o Senhor” (Dt 18, 9-14) (grifos nossos).

Se uma pessoa recorrer aos espíritos, adivinhos, para andar atrás deles, voltarei minha face contra essa pessoa e a exterminarei do meio do meu povo. (…) Qualquer mulher ou homem que evocar espíritos, será punido de morte” (Lev 20, 6 – 27). (grifos nossos).

Conforme vimos, Deus abomina a evocação dos mortos. No entanto, há uma diferença tremenda entre evocar os mortos e dirigir nossos pedidos de orações aos santos.

A evocação dos mortos é caracterizada pelo pedido de que o espírito do defunto se apresente e então se comunique com os vivos como se ainda estivesse na terra. Esta prática é condenada por Deus, pois em vez de confiarmos na Providência Divina quanto ao futuro e às coisas que necessitamos, deseja-se confiar nas instruções dos espíritos. Conforme a Sagrada Escritura dá testemunho em I Samuel 28.

Na intercessão dos santos, não estamos pedindo que o santo se apresente para ?bater um papo? a fim obter qualquer tipo de informação, mas sim, dirigimos a eles nossos pedidos de oração, como se estivéssemos enviando uma carta solicitando algo (o que é bem diferente de evocar mortos). Na intercessão dos santos continuamos confiando na Providência Divina, pois os santos são apenas mediadores, logo, quem atende aos nossos pedidos é Deus.

Desta forma, as proibições divinas quanto à prática de espiritismo não se aplicam à doutrina da intercessão dos santos.

5a. objeção: não há sequer uma única referência bíblica em relação à intercessão dos santos

Há diversos versículos bíblicos que mostram que os santos oram na presença de Deus. Vejamos:

Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.  E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?  Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos” (Ap 6,9-11).

No trecho acima, os santos estão clamando a Deus por Justiça. Alguém poderia dizer: ?mas eles estão intercedendo por eles mesmos e não pelos que ficaram na terra?. Ora, e o que impede que o façam pelos que estão na terra? São Paulo mesmo não recomenda que oremos pelos outros? (cf. 1Tm 2,1). Por alguma razão estariam os santos incapazes de continuarem orando pelos que estão na terra? Ora, alguém que esteja no seu juízo perfeito, há de convir que, o fato dos santos estarem na presença de Deus, não é motivo impeditivo para que intercedam pelos outros, muito pelo contrário, não há melhor lugar e momento para fazê-lo. Veja ainda:

Os quatro viventes e os vinte e quatro anciões se prostraram diante do Cordeiro. Tinha cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfumes, que são as orações dos santos” (Ap 5,8). “A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.? (Ap 8,4).

Nos versículos acima os santos oram para Deus. Por que estariam orando, já que estão salvos e gozando da presença do Senhor? Oram em nosso favor, para que os que estão na terra também possam um dia estar com eles na presença do Senhor.

No livro do profeta Jeremias lemos:

Disse-me, então, o Senhor: Mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, meu coração não se voltaria para esse povo. Expulsai-o para longe de minha presença! Que se afaste de mim!? (Jr 15,1).

No tempo do profeta, ambos Moisés e Samuel estavam mortos. Que sentido teria este versículo caso não fosse possível que os dois intercedessem por Israel?

O Testemunho dos primeiros cristãos

Vejamos agora o que professava os cristãos no tempo em que não havia divisão na Cristandade, em relação à doutrina da intercessão dos santos:

O Pontífice [o Papa] não é o único a se unir aos orantes. Os anjos e as almas dos juntos também se unem a eles na oração” (Orígenes, 185-254 d.C. Da Oração).

Se um de nós partir primeiro deste mundo, não cessem as nossa orações pelos irmãos” (Cipriano de Cartago, 200-258 d.C. Epístola 57)

Aos que fizeram tudo o que tiveram ao seu alcance para permanecer fiéis, não lhes faltará, nem a guarda dos anjos nem a proteção dos santos“. (Santo Hilário de Poitiers, 310-367 d.C).

Comemoramos os que adormeceram no Senhor antes de nós: patriarcas, profetas, Apóstolos e mártires, para que Deus, por suas intercessões e orações, se digne receber as nossas.” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

Em seguida (na Oração Eucarística), mencionamos os que já partiram: primeiro os patricarcas, profetas, apóstolos e mártires, para que Deus, em virtude de suas preces e intercessões, receba nossa oração” (São Cirilo de Jerusalém, 315-386 d.C. Catequeses Mistagógicas).

Se os Apóstolos e mártires, enquanto estavam em sua carne mortal, e ainda necessitados de cuidar de si, ainda podiam orar pelos outros, muito mais agora que já receberam a coroa de suas vitórias e triunfos. Moisés, um só homem, alcançou de Deus o perdão para 600 mil homens armados; e Estevão, para seus perseguidores. Serão menos poderosos agora que reinam com Cristo? São Paulo diz que com suas orações salvara a vida de 276 homens, que seguiam com ele no navio [naufrágio na ilha de Malta]. E depois de sua morte, cessará sua boca e não pronunciará uma só palavra em favor daqueles que no mundo, por seu intermédio, creram no Evangelho?” (São Jerônimo, 340-420 d.C, Adv. Vigil. 6).

Portanto, como bem sabem os fiéis, a disciplina eclesiástica prescreve que, quando se mencionam os mártires nesse lugar durante a celebração eucarística, não se reza por eles, mas pelos outros defuntos que também aí se comemoram. Não é conveniente orar por um mátir, pois somos nós que devemos encomendar suas orações” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 159,1)

Não deixemos parecer para nós pouca coisa; que sejamos membros do mesmo corpo que elas (Santa Perpétua e Santa Felicidade) (…) Nós nos maravilhamos com elas, elas sentem compaixão de nós. Nós nos alegramos por elas, elas oram por nós (…) Contudo, nós todos servimos um só Senhor, seguimos um só Mestre, atendemos um só Rei. Estamos unidos a uma Cabeça; nos dirigimos a uma Jerusalém; seguimos após um amor, envolvendo uma unidade” (Santo Agostinho, 391-430 d.C. Sermão 280,6)

Por vezes, é a intercessão dos santos que alcança o perdão das nossas faltas [1Jo 5,16; Tg 5,14-15] ou ainda a  misericórdia e a fé” (São João Cassiano. 360-435 d.C. conferência 20).

Conclusão

Como pudemos ver, a doutrina da intercessão do santos, não é invenção do catolicismo (como pensam alguns), mas sim, uma legítima doutrina cristã, embasa tanto nas Sagradas Escrituras, quanto na Tradição Apostólica. Os primeiros cristãos jamais tiverem dúvidas quanto a ela (note que este tema jamais foi centro de disputas conciliares). Esta doutrina confirma o Amor de Deus para conosco e Seu plano de que sejamos uns para outros instrumentos deste Amor.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/apologetica/imagens-santos/555-a-intercessao-dos-santos

HabemusPapam. Papa Francisco I

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℣. Oremus pro Pontifice nostro.
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

℣. Tu es Petrus,

℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Oremus.

Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum Franciscum,  quem pastorem Ecclesiae tuae praeesse voluisti, propitius respice: da ei, quaesumus, verbo et exemplo, quibus praeest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam.
Per Christum, Dominum nostrum.
℟. Amen.
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“Sempre foi preocupação dos Sumos Pontífices até o tempo presente, que a Igreja de Cristo ofereça um culto digno à Divina Majestade ‘para louvor e glória de seu nome’ e ‘para nosso bem e o de toda sua Santa Igreja’.”

“Amados Irmãos, com ânimo grato e confiante, entrego ao vosso coração de Pastores estas páginas e as normas do Motu Proprio. Tenhamos sempre presente as palavras dirigidas pelo Apóstolo Paulo aos anciãos de Éfeso:

«Tomai cuidado convosco e com todo o rebanho, do qual o Espírito Santo vos constituiu vigilantes para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o sangue do seu próprio Filho» (Atos 20, 28).”

Motu Proprio Summorum Pontificum

Papa Bento XVI

2007 A.D.

Santa Missa “Pro eligendo Pontifice”

Ex-feminista Amparo Medina revela o plano da ONU e Fundação Rockefeller para redução populacional mundial

Devastadora conferência de uma ex-funcionária da ONU chamada Amparo Medina.

Ao ter trabalhado na ONU durante os anos em que os esse terrível vírus chamado “Política de Gênero” instalou a paranóia nas mentes femeninas (e masculinas) para conseguir separá-los.
Ex-feminista, Amparo revela com clareza como um grupo de ex-companheiras foram compradas pela Fundação Rockefeller e a ONU para eliminar, precisamente, a feminilidade da vida social e política sob o pretexto de extender a “igualdade”. Fala sobre o movimento gay e sobre as pílulas abortivas.
Sua paixão, unida a seu conhecimento, é um autêntico bálsamo para que a América Latina evite passar pela tragédia que vivem os europeus com esta guerra prá-fabricada.

Fonte: Rafapal

 

História da Igreja (parte 2)

História da Igreja parte II

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OS TEMPOS BÁRBAROS (400-1050)

Depois vieram os terríveis tempos bárbaros; quando então desabou a
civilização romana; prevaleceu durante os séculos V a XI. Foram seis
séculos em que se formaram os mais variados povos e civilizações, uma
verdadeira encruzilhada da História na qual a Igreja começou a desempenhar o papel de “guia moral e espiritual” (D. Rops) desse mosaico de povos bárbaros que ocuparam a Europa. Nenhuma Instituição ficou de pé, a não ser a Igreja Católica.

No Ocidente, as invasões das tribos germânicas causaram devastações
a partir do século IV; houve em consequência, o despovoamento de várias regiões. Em virtude da situação caótica assim instaurada a implantação do cristianismo foi mais lenta do que no Oriente. Ainda em fins do século VI, o Papa São Gregório I Magno 590-604 referia-se ao paganismo existente nas ilhas da Sardenha, da Córsega e em regiões distantes, O número de cristãos no Ocidente, por volta do ano de 600, era de 7 a 8 milhões numa população global de cerca de 10 milhões. Por esses números verificamos que o Cristianismo se impôs pela força de sua doutrina e capacitação dos seus filhos monges e bispos. (D. Rops)
Nem todos esses cristãos haviam recebido, porém., sólida catequese;
os povos germânicos se convertiam ao Evangelho coletivamente, seguindo o exemplo de seu chefe, como era a norma dos povos antigos. Havia muitos batizados ministrados sem a devida catequese; por isso, esses cristãos guardaram ainda muitas das suas práticas supersticiosas (magia, astrologia…) e não podiam dar um testemunho de vida fervoroso e coerente como as comunidades dos primeiros séculos ofereciam ao mundo pagão.
Não é difícil entender esta realidade; a catequese não se faz de maneira rápida.

A AÇÃO EVANGÉLICA DA IGREJA

A Igreja, através dos seus bispos e missionários, dedicou-se à ação
evangelizadora desses povos para converter em verdadeiros cristãos aqueles que haviam abraçado a fé superficialmente. A obra missionária foi grandemente favorecida pelo conteúdo da mensagem evangélica. Este era muito superior ao das crenças pagãs. O anúncio das verdades cristãs, corriqueiras para quem já nasceu em civilização cristã, era altamente significativo para os pagãos.
Assim, já nos tempos de Constantino e Juliano séc. IV) as instituições e as normas do Direito Civil foram sendo impregnadas de espírito cristão, sobretudo no que diz respeito à mulher à criança, à família, ao trabalho e até à guerra. Era algo novo para os bárbaros e os conquistava.
Além da função evangelizadora, os Bispos tiveram que assumir também tarefas de ordem temporal, pois o Ocidente se achava debaixo das, invasões bárbaras e os Imperadores, residentes em Bizâncio (Oriente),
pouco se importavam com as populações ocidentais. E bom recordar que em 313 o Imperador Constantino transferiu a sede do Império para
Bizâncio, cujo nome passou a ser Constantinopla, hoje Istambul, na
Turquia.
Em meio à desordem, os Bispos tiveram que administrar os bens materiais das suas comunidades, como também foram levados a proteger,
alimentar e abrigar as populações mais carentes. Em particular, destacou-se a figura do Papa São Leão Magno (440-461): era romano, de
caráter nobre e corajoso. Foi ao encontro de Atila, rei dos Hunos, nas
proximidades de Mântua em 452, persuadindo-o a não destruir Roma;
em 455, dirigiu-se ao rei dos vândalos, Genserico, que, atendendo ao
Papa, renunciou a depredar a cidade de Roma.

  Leão Magno Socorreu os romanos com os seus bens, fazendo o que não fazia o representante do Imperador residente em Ravena.
Outra figura de Bispo notável foi a de São Martinho de Tours (316.397) na Gália, França. Recebeu o Batismo aos dezoito anos de idade; tornou-se monge e, depois, foi feito Bispo. Introduziu o monaquismo na França e mandou ordenar como presbíteros os seus monges; em conseqüência, os monges na França se tornaram os mestres de espiritualidade e os responsáveis pela configuração da Igreja. Além disso, São Martinho se dedicou intensamente à evangelização das zonas rurais, onde o apego aos costumes próprios resistia à penetração do Evangelho: montado em um jumentinho e pobremente equipado, ia          S. Martinho de aldeia em aldeia chamando para Cristo todos os homens.
Outros grandes nomes de Bispos defensores das populações e da civilização podem ser citados: São Paulino de Nola (353-431),         S. Máximo de Turim (465), S. Agostinho de Hipona (430), S. Hilário de Poitiers (315-367), S. Pedro Crisólogo (450) de Ravena, e outros.
Pode-se dizer que foi a Igreja quem salvou a Civilização na tempestade das invasões bárbaras e assegurou a união dos habitantes do Império Romano. Na falta de um Governo forte no Ocidente, os Bispos tinham que assumir não somente a pregação do Evangelho, mas também a administração dos bens da sua Comunidade, o contato com os bárbaros, a
proteção e a alimentação das populações carentes. Daí já é possível começar a entender por que a Igreja liderou o Ocidente, por tanto tempo.

A Igreja Católica foi a única Instituição a permanecer de pé entre os
escombros do Império Romano; e ficou em seus ombros a responsabilidade de “defensora da cidade” no momento em que os povos bárbaros assaltavam a Europa. Foi uma hora difícil: a decadência do mundo antigo era clara e inevitável, mas a cultura e a civilização estavam ligadas a este mundo, e coube à Igreja o difícil e sábio papel de conservar o que era necessário salvar e construir a nova Civilização.
Os bárbaros, apesar de se sua brutalidade, representavam o futuro, e
a Igreja soube entender isso mesmo no meio do caos social que se seguiu às invasões. Ela então passou à ofensiva, numa obra missionária corajosa e perseverante como fizeram os primeiros Apóstolos. Começou então a conquistar para Cristo os povos célticos do Norte, irlandeses e bretões, e estabeleceu a base que lhe permitiu, reconquistar depois a Gália (França) e a Península Ibérica, para depois avançar até ao próprio centro do paganismo germânico, a Saxônia e os países nórdicos. (D. Rops)
Em 476 a cidade de Roma caiu nas mãos dos godos. O primeiro rei godo, Odoacro, foi assassinado, após deixar o trono, em 493. Sucedeu-lhe Teodorico, que tentou unificar os monarcas do Ocidente numa espécie
de confederação por ele governada; haveriam de aliar-se entre si francos, burgúndios, visigodos, vândalos, alamanos, turíngios… mas faltava, porém, a essa pretensa confederação uma cultura única: os súditos romanos e os guerreiros godos não tinham nem a mesma nacionalidade nem a mesma religião, formavam um mosaico de povos. Muitos bárbaros tinham  tornado cristãos arianos, seguidores da heresia de Ario; isto dificultou muito a sua evangelização.
Por outro lado, Clóvis, rei dos francos, converteu-se ao verdadeiro
cristianismo com seu povo, em 496, quando S. Remígio, bispo de Reims
o batizou. Conseguiu, pela mesma fé católica, unir entre si francos e
romanos. Todavia a dinastia que se seguiu, chamada de merovíngia, se
entregou ao declínio moral.
No Oriente, pelo contrário, Constantinopla, a antiga Bizâncio, isolou
se, e o domínio que os imperadores orientais (Basileus) quiseram exercer sobre a Igreja (o cesaropapismo), que cada vez mais chamavam para a si as questões de doutrina e de fé, deu origem a muitas discussões e disputas. Os desentendimentos enfraqueceram o cristianismo oriental, tornando-o presa fácil dos muçulmanos (maometanos), que surgiram a partir do século VII, e acabaram por conduzir a Igreja do Oriente ao rompi- mcnt() definitivo com a Igreja de Roma por ocasião do cisma de Cerulário, no século XI. Em 1054 a Igreja Ortodoxa se separou da Igreja Católica.
Um grande problema para a Igreja foram as heresias, que começaram
a surgir no seio da Igreja a partir do século III. Começou com o gnosticismo combatido por Santo Irineu de Lião (202), e continuou nos séculos IV a VIII. Surgiram as chamadas heresias cristológicas, sobre a Pessoa de Jesus Cristo e suas duas naturezas. A Igreja soube superar as heresias nos Concílios. Houve também um grande trabalho apostólico que chamará para Cristo toda a Europa oriental e a imensa nação da Rússia.
O Império romano do Oriente, por sua vez, se desinteressava por

Roma, além disso vivia a difícil disputa iconoclasta (heresia que mandava quebrar as imagens) que dividia ainda mais os latinos e gregos. Os imperadores de Constantinopla (bizantinos) favoreciam o iconoclasmo e desprezavam os ocidentais. isto gerou muitas discórdias.
O Papa Estêvão 11(752), então, houve por bem apelar para os francos, que se haviam tornado “a nação primogênita da Igreja”, porque
foram os primeiros bárbaros que foram batizados desde o rei Clóvis. O
administrador do palácio dos reis merovíngios era Pepino, o Breve, que
governava sem ser rei (o rei reinava, mas não governava). Houve, então,
um acordo entre Pepino e Estêvão II. O Papa reconheceu Pepino como
rei dos francos e Pepino reconheceu o Estado Pontifício confiado à administração autônoma do Bispo de Roma.

Surgia assim o Estado Pontifício, em 752, não como produto de conquistas bélicas nem de ganância por parte do Papa, mas como efeito de doações espontaneamente feitas pelos nobres cristãos da península itálica, que, ao entrarem para o mosteiro ou ao morrerem, doavam seus territórios ao Pontífice; constituiu-se desta maneira o “Patrimônio de São Pedro”, ampla extensão territorial (uma parte da Itália de hoje) que o Papa administrava sem outro titulo, mas apenas como Pastor da Igreja, muito respeitado e estimado pelos fiéis como mantenedor da ordem no tempo das invasões bárbaras e do descaso bizantino. O Papa, portanto, que era “de fato” o senhor temporal desse território, tornou-se o senhor “de direito” (de jure) das mesmas terras, quando Pepino reconheceu o Estado Pontifício. Este Estado durou até 1870 quando foi tomado da Igreja por Vítor Emanuel II na guerra de unificação da Itália. A Igreja perdeu poder temporal, mas ganhou muito poder espiritual.

A nova dinastia franca chegou ao seu ponto alto Com Carlos Magno(768-8 14), filho de Pepino, o breve. Em 800, foi coroado Imperador, na
noite de’ Natal, pelo Papa Leão III (795-816), instaurando assim o “Sagrado Império Romano da Nação Franca” — o que muito ofendeu os
bizantinos por verem um franco à frente do antigo império romano. Este
evento foi de grande importância, pois dava continuidade entre o império Romano antigo e o medieval. A Renascença de Carlos Magno (carolingia) trouxe um novo brilho de cultura, agora enriquecida pela visão cristã.
A hegemonia franca foi sucedida pela germânica, já que cm 962; com
Oto I se formou o “Sagrado Império Romano da Nação Germânica”.
Nesses séculos, o profano e o religioso se entrelaçavam. Pairava ante os olhos dos responsáveis o ideal da “Cidade de Deus”, já apresentado por S. Agostinho na sua obra “De Civitate Dei” (413-426).
Em 3 de julho de 987 se deu um fato importante: a coroação na
Catedral de Reims, na França, pelo arcebispo Adalberão, de Hugo, cognominado Capeto, “glorioso duque dos francos”, descendente de Carlos Magno. Na cerimônia da coroação real, houve o célebre “juramento real” em que o príncipe jura defender a Igreja e fazer reinar a justiça; a “eleição” pronunciada pelo arcebispo e a unção feita com o óleo bento da “santa ampola”, que segundo a lenda um anjo trouxe do céu no batismo de Clovis no ano 500. (D. Rops) .

Na Inglaterra, em 1017, o filho de Swein, Knut, foi reconhecido “rei
de todos os ingleses , era cristão fervoroso, multiplicou os mosteiros,
apoiou a reforma dos costumes e deu à legislação um caráter cristão. Fez uma peregrinação a Roma antes de morrer, para redenção da sua alma e salvação do seu povo, e aí, colocou o seu reino sob a obediência direta do Papa. Eduardo, o Confessor (1035-1066), seu sucessor, é santo. Assim também a Inglaterra fez parte da monarquia cristã da Idade Média.

Depois do reinado de Carlos Magno, a decadência se instaurou novamente no seio da Europa por causa da segunda invasão dos bárbaros: húngaros e vikings. Mas durante esses tempos de decadência moral, sempre se ergueram os movimentos de reforma, impulsionado pelo monaquismo de São Bento ou de Cluny, ou por figuras de grandes papas e bispos, como Gregório Magno, São João Crisóstomo, São Pedro Damião, São Francisco, S. Ângelo, S. Domingos e tantos outros santos.
Se ao longo, por exemplo, do difícil século X, deixaram de ser cristãos imensos territórios, da Mesopotánia à Espanha, por outro lado, por volta do ano 1000, graças a missionários como São Patrício, São Columbano, São Bonifácio, São Cirilo e São Metódio, o cristianismo se espalhou da Groenlândia ao Tibet.
Neste período muito difícil para a Igreja, ficou mais uma vez claro
que a Igreja não pode perecer, porque Cristo prometeu que “as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
Foi a Igreja que, nos seis séculos das invasões dos bárbaros, com S.Bento (séc. V) reconstruiu as elites dirigentes, preparou sem cessar o renascimento da civilização, enviou seus missionários ao núcleo das
massas bárbaras e convertendo os reis, preparou a fusão das raças de
onde nasceria a Europa. Foi a Igreja que nos seus conventos protegeu a
cultura e a arte; e foi ela que após Carlos Magno (f814), quando as
trevas de novo se abateram Contra a Igreja, impediu que a anarquia destruísse a Europa. (D. Rops)

 Fonte: Livro  ¨Uma História que não é contada¨ autor  Professor Felipe Aquino

Meus comentários

Obrigado leitores do blog, como havia prometido estou postando mais sobre a história da Igreja, acho que já deu para sentir o que nossa Santa Igreja fez para que nós tivéssemos tudo que nós temos hoje!
Sejamos gratos a Ela, Santa Igreja, esposa de Cristo! Continuem acompanhando o blog, colocarei as vidas dos Santos citadas nesse post.
Pax Domine,

História da Igreja parte 1

A IGREJA INDISPENSÁVEL

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Philip Jenkins, renomado professor de história e estudos religiosos da Pennsvlvania State Universiiy. Chamou ao             anti-catolicismo “o último preconceito aceitável nos Estados Unidos”. É difícil contestar esse juízo: nos nossos meios de comunicação e na nossa cultura popular, pouca coisa é inadmissível quando se trata de ridicularizar ou de satirizar a Igreja. Os meus alunos, quando tem alguma noção a respeito dela, só sabem mencionar a sua pretensa ¨corrupção¨.  Sobre a qual ouviram intermináveis histórias de duvidosa credibilidade dos seus professores do ensino médio. A questão é que, no ambiente cultural da atualidade. é fácil esquecer — ou não tomar conhecimento sequer – tudo aquilo que a nossa civilização deve à Igreja Católica. Muitos reconhecem que ela influenciou, sem dúvida, a música, a arte e a arquitetura, mas não vão além disso. Para o nosso estudante do ensino médio, a história do catolicismo pode ser- resumida em três palavras: ignorância, repressão e estagnação; ninguém fez o menor esforço por mostrar-lhe que a civilização ocidental deve à Igreja o sistema universitário, as ciências, os hospitais e a previdência, o direito internacional, inúmeros princípios básicos do sistema jurídico, etc. etc. O propósito deste livro é precisamente mostrar essas influências decisivas, mostrar que devemos muito mais à Igreja Católica do que a maior parte das pessoas — incluídos os católicos — costuma imaginar. Porque, para sermos exatos, foi ela que construiu a civilização ocidental. Como nem é preciso dizer, o Ocidente não deriva apenas do catolicismo; ninguém pode negar a importância da antiga Grécia e de Roma, ou das diversas tribos germånicas que sucederam ao Império Romano do Ocidente, como elementos formadores da nossa civilização. E a Igreja não só não repudiou nenhuma dessas tradições, como na realidade aprendeu e absorveu delas o melhor que tinham para oferecer. Nenhum católico sério pretende sustentar que os eclesiásticos tenham acertado em todas as decisões que tomaram. Cremos que a Igreja manterá a integridade da fé até o fim dos tempos, não que cada uma das ações de todos os papas e bispos que já houve esteja acima de qualquer censura. Pelo contrário, distinguimos claramente entre a santidade da Igreja. Enquanto instituição guiada pelo Espirito Santo, e a natureza inevitavelmente pecadora dos homens que a integram, Incluídos os que atuam em nome dela. Mas estudos recentes têm submetido a revisão uma série de episódios históricos tradicionalmente citados como evidências da iniquidade dos eclesiásticos e a conclusão a que chegam depõe em favor da Igreja. Hoje sabemos, por exemplo, que a Inquisição não foi nem de longe tão dura como se costumava retratá-la e que o número de pessoas levadas aos seus tribunais Foi muito menor – em várias ordens de magnitude!’ — do que se afirmava anteriormente. E isto não é nenhuma alegação nossa, mas conclusão claramente expressa nos melhores e mais recentes estudos. De qualquer modo, com exceção dos estudiosos da Europa medieval, a maioria das pessoas acredita que os mil anos anteriores à Renascença foram um período de ignoråncia e de repressão intelectual, em que não havia um debate vigoroso de idéias nem um intercâmbio intelectual criativo, e em que se exigia implacavelmente uma estrita submissão aos dogmas. Ainda hoje continua a haver autores que repetem essas afirmações. Numa das minhas pesquisas, deparei com um livro de Christopher Knight e Robert Lomas intitulado Second Messiah (“O segundo Messias”). cm que se traça um quadro da Idade Média que não poderia estar mais longe da realidade, mas que o público em geral “engole” sem hesitar, por força do preconceito e da ignorância reinantes. Podemos ler ali, por exemplo: “ O estabelecimento da era cristã romanizada marcou o começo da Idade das Trevas, esse período da história ocidental em que se apagaram todas as luzes do conhecimento e a superstição substituiu o saber. Esse período durou até que o poder da Igreja Católica foi minado pela Reforma”. E também: “ Desprezou-se tudo o que era bom e verdadeiro e ignoraram-se todos os ramos do conhecimento humano em nome de Jesus Cristo” . Hoje em dia, é difícil encontrar um único historiador capaz de ler semelhantes comentários sem rir, Essas afirmações contradizem frontalmente muitos anos de pesquisa séria, e no entanto os seus autores — que não são historiadores de profissão — repetem com inteira despreocupação esses velhos e gastos chavões. Deve ser frustrante lecionar história medieval! Por mais que se trabalhe e se publiquem evidencias em contrário, quase todo o mundo continua a acreditar firmemente que a Idade Média foi um período intelectual e culturalmente vazio e que a Igreja não legou ao Ocidente senão métodos de tortura e repressão. 0 que Knight e Lomas não mencionam é que, durante essa Idade das Trevas”, a Igreja desenvolveu o sistema universitário europeu, autêntico dom da civilização Ocidental ao mundo. Muitos historiadores se maravilham diante da ampla liberdade e autonomia com que se debatiam as questões naquelas universidades. E foi a exaltação da razão humana e das suas capacidades, o compromisso com um debate rigoroso e racional, a promoção da pesquisa intelectual e do intercâmbio entre os estudantes dessas universidades patrocinadas pela Igreja — foi isso que Forneceu as bases para a Revolução Científica.  Nos últimos cinquenta anos. Praticamente todos os historiadores da ciência — entre eles Alìstair C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki. Thomas Goldstcj e John L. Heilbron – chegaram à conclusåo de que a própria Revolução Científica se deveu à Igreja. E a contribuição católica para a ciência não se limitou às idéias — incluídas as teológicas — que tornaram possível o método científico; muitos dos principais inovadores científicos foram sacerdotes, como Nicolau Steno, um luterano converso que se tornou sacerdote católico e é considerado o pai da geologia, ou Athanasius Kircher, pai da egiptologia. ou ainda Rogério Boscovich, considerado freqüentemente o pai da teoria atômica moderna. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi ainda outro sacerdote, o pe. Giambattista Riccioli. E os jesuítas dominaram a tal ponto o estudo dos terremotos que a sismologia ficou conhecida como a “ ciencia jesuística” . E isso não é tudo. Poucos conhecem as contribuiçôes da Igreja no campo da astronomia, apesar de cerca de trinta e cinco crateras da Lua terem sido descobertas por cientistas e matemáticos jesuítas, dos quais receberam o nome. John L. Heilbron, da Universidade da Califórnia em Berkeley, comentou que durante mais de seis séculos — desde a recuperação dos antigos conhecimentos astronômicos durante a idade Média até o Iluminismo —, a Igreja Católica Romana deu mais ajuda financeira e suporte social ao estudo da astronomia do que qualquer outra instituição e provavelmente, mais do que todas as outras juntas’’. Mesmo assim, o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência continua a ser até hoje um dos temas mais completamente  silenciados pela historiografia moderna. Embora a importância da tradição monástica seja reconhecida em maior ou menor grau nos livros de História — todo o mundo sabe que, no rescaldo da queda de Ruina, os monges preservaram a herança literária do mundo antigo, para não dizer a própria capacidade de ler- e escrever —, o leitor descobrirá nesta obra que a sua contribuição foi, na realidade, muito maior. Praticamente não há ao longo da Idade Média nenhum empreendimento significativo para o progresso da civilização em que a intervenção dos monges não fosse decisiva. Os monges proporcionaram “a toda a Europa […] uma rede de indústrias-modelo, centros de criação de gado, centros de pesquisa, fervor espiritual, a arte de viver (…). a predisposição para a ação social, ou seja. […] uma civilização avançada, que emergiu das vagas caóticas da barbárie circundante. São Bento, o mais importante arquiteto do monacato ocidental, foi, sem dúvida alguma, o pai da Europa. E os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia”. O desenvolvimento do conceito de Direito Internacional é normalmente atribuído aos pensadores e teóricos do direito dos séculos XVII e XVIII. Na realidade, porém, encontramos pela primeira vez esse conceito jurídico nas universidades espanholas do século XVI, e foi Francisco de Vitória, um sacerdote e teólogo católico e professor universitário, quem mereceu o título de pai do direito internacional. Em face dos maus-tratos infligidos pelos espanhóis aos indígenas do Novo Mundo. Vitória e outros filósofos e teólogos começaram a especular acerca dos direitos humanos fundamentais e de como deveriam ser as relações entre as nações. E foram esses pensadores que deram origem à idéia do direito internacional tal como hoje o concebemos.  Aliás, todo o direito ocidental é uma grande dádiva da Igreja. O direito canónico foi o primeiro sistema legal moderno a existir na Europa, demonstrando que era possível compilar um corpo de leis coerente a partir da barafunda de estatutos, tradições, costumes locais etc. que caracterizava tanto a Igreja como o Estado medievais. De acordo com Harold Berman. “a Igreja foi a primeira a ensinar ao homem ocidental o que é um sistema legal moderno. Foi a primeira a mostrar que costumes, estatutos, decisões judiciais e doutrinas conflitantes Podem ser conciliados por meio de análise e síntese”. A própria idéia de que o ser humano tem direitos bem definidos não se deve a John Locke e Thomas Jefferson – como muitos poderiam pensar —. mas ao direito canônico. E muitos outros princípios legais importantes do nosso direito também se devem à influência da Igreja, graças ao empenho milenar dos eclesiásticos em substituir as provas em juízo baseadas em superstições — como o ordálio -. que caracterizavam o ordenamento legal germânico, por procedimentos baseados na razão e em conceitos legais elaborados. De acordo com a história econômica tradicional, a economia moderna teria sido criada por Adam Smith e outros teóricos do século XVIII. Estudos mais recentes, no entanto, vêm enfatizando a importância do pensamento econômico dos últimos escolásticos, particularmente dos teólogos espanhóis dos séculos XV e XVI. Tem-se chegado até a designar esses pensadores — assim faz o grande economista do século XX Joseph Schumpeter — como os fundadores da moderna economia científica. A maior parte das pessoas tem uma vaga noção das obras assistenciais da Igreja Católica, mas muitas vezes não sabe como foi única a sua ação nesse campo. O mundo antigo fornece-nos alguns exemplos de liberalidade para com os pobres, mas tratava-se de uma liberalidade que procurava fama e reconhecimento para o doador, tendendo a ser indiscriminada e não dirigida especificamente àqueles que passavam necessidade. Os pobres eram com excessiva freqüência tratados com desprezo, e a simples idéia de ajudar os necessitados sem nenhuma expectativa de reciprocidade ou de ganho pessoal era alheia à mentalidade da época. Mesmo William Lecky, um historiador do século XIX sempre hostil à Igreja, chegou a admitir que a dedicaçâo aos pobres – tanto no seu espirito como nos seus objetivos — constituiu algo novo no mundo ocidental e representou um avanço surpreendente com relação aos padrões da antiguidade clássica. Em todas essas áreas, a Igreja imprimiu uma marca indelével no próprio coração da civilização européia. Um recente livro de história da Igreja Católica tem por título Triumph [“Triunfo”]: é um título extremamente apropriado para resumir o percurso de uma instituição que tem no seu haver tantos homens e mulheres heróicos e tantas realizações históricas. Até agora, encontramos relativamente poucas dessas informações nos livros de texto que a maioria dos estudantes tem de estudar no ensino médio) e superior. A Igreja Católica configurou a civilização em que vivemos e o nosso perfil humano de muitas maneiras além das que costumamos ter presentes. Por isso insistimos em que ela foi o construtor indispensável da civilização ocidental. Não só trabalhou para reverter aspectos moralmente repugnantes do mundo antigo – como o infanticídio e os combates de gladiadores —. Mas restaurou e promoveu a civilização depois da queda de Roma. Tudo começou pela educação dos bárbaros, e é neles que nos detemos ao iniciarmos este livro. Fonte: livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (Thomas E. Woods Jr.)

UM POUCO DE HISTÓRIA DA IGREJA

UmaHistoriaQueNaoEContada

Para se compreender o papel fundamental da Igreja Católica na construção da Civilização Ocidental é preciso ter uma visão da História da Igreja dos seus primórdios até o século XIV.

OS PRIMEIROS SÉCULOS (0-400)

A Igreja teve um crescimento rápido sob a ação do Espírito Santo desde o primeiro século. “Enfrentou durante quase três séculos a perseguição do Império Romano até a conversão de Constantino no ano 313.“
Neste ano, convertido ao cristianismo, ele assinou o Edito de Milão que proibiu a perseguição aos cristãos:

‘Deliberamos conceder aos cristãos e a quem quer que seja a liberdade de praticar a religião de sua preferência a fim de que Divindade que nos Céus reside venha a ser favorável e propícia para nós e para todos os súditos. Parece-nos ser medida boa, razoável, não recusar a nenhum de nossos súditos seja ele cristão ou adepto de qualquer outro culto, o direito de seguir a religião que melhor lhe convenha. Assim sendo a Divindade que cada um reverenciar a seu modo, livremente, poderá também estender a nós sua benevolência e seus habituais favores(…)`.” (Apud Souza, T.F., 2007). Nesta época já havia no mundo cerca de 6 milhões de Cristãos. Mais  tarde, o Imperador Teodósio, por volta de 390, pelo ‘Edito, de Tessalônica”, tornaria o cristianismo religião oficial do Império Romano. Como disse Daniel Rops, “a espada se Curvou diante da Cruz”. E isto aconteceu sem luta por parte dos cristãos. A força do Evangelho moveu os corações dos reis, imperadores, e mulheres romanas. Ao longo dos primeiros quatro séculos foi marcante a ação dos Apóstolos, principalmente dessas colunas da Igreja que foram São Pedro e São Paulo, o sangue dos mártires o perfil dos grandes santos e do primeiros escritores e artistas cristãos, o desenrolar do culto e da piedade, dentro de uma sociedade romana que foi desmoronando, como acontece no mundo de hoje, mas que, também como hoje, se abre finalmente a Jesus Cristo. Já no começo da vida da Igreja surgiram as terríveis heresias e sectarismos, que no entanto, conduziram à formação da teologia cristã e aos grandes Concílios da primeira era, de onde a Igreja saiu fortalecida na sua autoridade e unidade. A Igreja precisou realizar os Concílios de Nicéia I, em 325, para reprovar o arianismo, de Ário, que negava a divindade de Cristo; e cm 381 o Concílio de Constantinopla I, para condenar o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla1 que ensinava que o Espírito Santo não era Deus. Desses dois Concílios surgiu a formulação do Credo niceno-constantinopolitano que rezamos ainda hoje.

 

Notificado sobre duas novas páginas no blog a partir de 27/02/2013

UmaHistoriaQueNaoEContada
 
A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venho dizer aos leitores do blog Apologética no Japão que estou criando duas novas páginas, uma será a página da vida dos Santos e a outra sobre a História da Igreja.
Porque irei criar essas páginas? Quem acompanha esse blog a um tempo deve ter percebido que ele esta meio abandonado, mil desculpas pelo abandono do blog.
A boa noticia é que estou de volta e pretendo escrever muitos postes de agora em diante, neste tempo que estava afastado do blog li alguns livros que me motivaram muito estudar sobre a Santa Mãe Igreja, e por graça divina peguei um livro que faz muito sentido em minha vida, o livro que  se chama¨Uma História que não é contada¨do Professor Felipe Aquino, por que faz muito sentido? Simples foi através deste livro e a intercessão do Espírito Santo que voltei a Santa Mãe Igreja, e tenho um plano para este blog que é de re-ler o livro e postar um pouco do conteúdo do livro e mais informações sobre os fatos que ocorreram na História da Igreja na qual ela constrói nossa civilização ocidental que infelizmente pessoas de má fé deturpam a história e fazem calúnias da Santa Mãe Igreja.
E a página dos Santos é um complemento desse estudo que vou postar, a cada Santo citado na História que vou postar este santo vai ter um resumo de sua vida para que vocês possam ver apreciar e imitar essas pessoas que foram exemplo de santidade e amor a Deus.
Peço a todos muita oração para que Deus me de forças para levar esse sonho de levar a história da Igreja para as pessoas que não a conhecem e que estudando a história passem a ama-lá como eu a amo hoje, por que amando-á estarás amando também a Cristo!
Pax Domine

Vídeo sobre o Livro ¨Uma História que não é contada¨

Santo Tomás de Aquino

Ninguém se aproximou da teologia ou da filosofia tomista sem ter haurido nesta fonte a mais excelente doutrina. O nome de Santo Tomás de Aquino é um marco para todos aqueles que
buscam a verdade. Entretanto, nos pormenores de sua vida e em sua extraordinária personalidade descobrimos mais do que um teólogo: um grande santo.

SAO TOMÁS DE AQUINO

A busca da verdade é tão antiga quanto o próprio homem, e não há um só entre os seres racionais que não deseje possuí-la. Por outro lado, a privação desse excelente bem acaba dando à coletividade humana uma face desfigurada, que se explica pela adesão a falsas doutrinas ou a meias verdades. Nossa sociedade ocidental é um exemplo dessa profunda carência que não encontra nos avanços da técnica nem na fugacidade dos vícios uma resposta satisfatória.

Um menino que buscava o Absoluto

Sao Tomas de Aquino_7.JPG  Mas, afinal, o que é a verdade? Esta era uma das perguntas que o pequeno Tomás fazia em seus tenros cinco anos de idade. Segundo um costume da época, sua educação foi confiada aos beneditinos de Monte Cassino, onde ele passou a morar. Vendo um monge cruzar com gravidade e recolhimento os claustros e corredores, puxava sem hesitar a manga de seu hábito e lhe perguntava: “Quem é Deus?” Descontente com a resposta que, embora verdadeira, não satisfazia inteiramente seu desejo de saber, esperava passar outro filho de São Bento e indagava também a ele: “Irmão Mauro, pode me explicar quem é
Deus?” Mas… que decepção! De ninguém conseguia a explicação desejada. Como as palavras dos monges eram inferiores à idéia de Deus que aquele menino trazia no fundo da alma!

Foi nesse ambiente de oração e serenidade que transcorreu feliz a infância de Santo Tomás de Aquino. Nascido por volta de 1225, era o filho caçula dos condes de Aquino, Landolfo e Teodora. Entrevendo para o pequeno um futuro brilhante, seus pais lhe proporcionaram uma robusta formação. Mal podiam imaginar que ele seria um dos maiores teólogos da Santa Igreja Católica e a rocha fundamental do edifício da filosofia cristã, o ponto de convergência no qual se reuniriam todos os tesouros da teologia até então acumulados e do qual partiriam as luzes para as futuras explicitações.

 

A vocação posta à prova

Muito jovem ainda, Santo Tomás partiu para Nápoles a fim de estudar gramática, dialética, retórica e filosofia. As matérias mais árduas, que custam até aos espíritos robustos, não passavam de um simples joguete para ele. Entretanto, nesse período de sua vida não avançou menos em santidade do que em ciência. Seu entretenimento era rezar nas diversas igrejas e fazer o bem aos pobres.

Ainda em Nápoles Deus lhe manifestou sua vocação. Seus pais desejavam vê-lo beneditino, abade em Monte Cassino ou Arcebispo de Nápoles, entretanto, o Senhor lhe traçara um caminho bem diverso. Era na Ordem dos Pregadores, recém fundada por São Domingos, que a graça haveria de tocar-lhe a alma. Santo Tomás descobriu nos dominicanos o carisma com o qual se identificou por completo. Após longas conversas com Frei João de São Julião, não duvidou em aderir à Ordem e fez-se dominicano aos catorze anos de idade.

Costuma a Providência Divina solidificar no cadinho do sofrimento as almas às quais confere um chamado excepcional, e Santo Tomás não escapou à regra. Quando sua mãe soube de seu ingresso nos dominicanos, tomou-se de fúria e quis tirá-lo à força. Fugindo para Paris, com o objetivo de escapar da tirania materna, o santo doutor foi dominado por seus irmãos que o buscavam com todo empenho. Após terem-no espancado brutalmente, procuraram despojá-lo de seu hábito religioso. “É uma coisa abominável – dirá depois Santo Tomás – querer repreender os Céus por um dom que de lá recebemos”.

Assim capturado, levaram-no à mãe, a qual tentou fazê-lo abandonar seu propósito. Na incapacidade de convencê-lo, encarregou suas duas filhas de dissuadir a qualquer preço o irmão “rebelde”. Com palavras sedutoras, elas lhe mostraram as mil vantagens que o mundo lhe oferecia, até mesmo a de uma promissora carreira eclesiástica, desde que renunciasse à Ordem Dominicana. O resultado desta entrevista é assombroso: uma delas decidiu fazer-se religiosa e partiu para o convento de Santa Maria de Cápua, onde viveu santamente e foi abadessa. Eis a força da convicção e o poder de persuasão deste homem de Deus!

 

Confronto decisivo

Farta de vãos esforços, a família tomou uma medida drástica: prendeuo na torre do castelo de Roccasecca, com o intuito de mantê-lo encarcerado enquanto não desistisse de sua vocação. Em completa solidão, o santo passou ali quase dois anos, os quais foram aproveitados para um aprofundamento nas vias da contemplação e do estudo. Os frades dominicanos o acompanhavam espiritualmente através de orações e enviavam com sagacidade livros e novos hábitos que lhe chegavam às mãos por intermédio de suas irmãs.

Sao Tomas de Aquino_3.JPG Como passava o tempo sem o jovem detido esmorecer, seus irmãos – instigados por Satanás – montaram um plano execrável: enviaram à torre uma moça de maus  costumes para fazê-lo cair em pecado. Contudo, Santo Tomás há muito se solidificara na prática de todas as virtudes, e não se deixaria arrastar. Vendo aquela perversa mulher aproximar-se, pegou na lareira um tição em chamas e com ele se defendeu da infame tentadora que fugiu apavorada para salvar a própria pele.

Insigne vitória contra o inimigo da salvação! Reconhecendo nesse episódio a intervenção divina, Santo Tomás traçou com o mesmo tição em brasa uma cruz na parede, ajoelhou-se e renovou sua promessa de castidade. Comprazidos por tal gesto de fidelidade, o Senhor e sua Mãe lhe mandaram um sono durante o qual dois anjos o cingiram com um cordão celestial, dizendo: “Viemos da parte de Deus conferir- te o dom da virgindade perpétua, que a partir de agora será irrevogável”.

Nunca mais Santo Tomás sofreu qualquer tentação de concupiscência ou de orgulho. O titulo de Doutor Angélico não lhe foi dado apenas por ter transmitido a mais alta doutrina, mas também por ter em tudo se assemelhado aos espíritos puríssimos que contemplam a face de Deus.

 

O aluno supera o mestre

Agora com o assentimento dos seus, Santo Tomás partiu para consolidar sua formação intelectual em Paris e Colônia. Falava-se muito da pregação que fazia nesta última cidade o bispo Santo Alberto Magno, o mais conceituado mestre da Ordem dos Pregadores. Santo Tomás rezou, pedindo para conhecê-lo e receber dele as maravilhas da fé, e, para sua alegria, foi atendido. O que Santo Alberto não podia imaginar era que aquele frade despretensioso, de poucas palavras e presença discreta, tivesse tamanha envergadura espiritual.

Certo dia, caiu nas mãos do mestre um trecho escrito por seu aluno. Admirado pela profundidade do conteúdo, pediu a Santo Tomás para expor à toda a classe aquela temática. O resultado foi uma explanação em tudo surpreendente, na qual os demais alunos comprovaram quão temerário era o juízo pejorativo que faziam de seu companheiro: ele logrou explicitar com mais riqueza, expressividade e clareza que o próprio Santo Alberto.

Daí em diante, a vida do Doutor Angélico foi uma seqüência de sublimes serviços prestados à sagrada teologia e à filosofia. Aos 22 anos de idade interpretou com genialidade a obra de Aristóteles; aos 25, juntamente com São Boaventura, obteve o doutorado na Universidade de Paris. Estes dois arquétipos doutrinários nutriam grande admiração recíproca, a ponto de disputarem afetuosamente, no dia de receberem o título máximo, quem seria nomeado primeiro, cada qual desejando ao outro
a primazia.

 

Obra portentosa

Tão vasta é a obra tomista que a simples enumeração de seus escritos ocupa várias páginas. Formam um total de quase sessenta grandes obras – ent

re comentários, sumas, questões e opúsculos – das quais não está excluída nenhuma das principais preocupações do espírito humano.

Sua prodigiosa faculdade de memória lhe permitia reter todas as leituras que fizera, entre elas a Bíblia, as obras dos filósofos antigos e dos Padres da Igreja. Todas as oitenta mil citações contidas em seus escritos brotaram espontaneamente de sua capacidade retentora. Nunca precisou ler duas vezes o mesmo trecho. Ao lhe ser perguntado qual era o maior favor sobrenatural que recebera, depois da graça santificante, respondeu: “Creio que o de ter entendido tudo quanto li”.

Em suas obras vemos uma incrível acuidade de espírito, um raro dom de formulação e uma superior capacidade de expressão. Costumava resolver quatro ou cinco problemas ao mesmo tempo, ditando para diversos escreventes respostas definitivas às questões mais obscuras. Não sucumbiu ao peso de seus conhecimentos, mas, pelo contrário, os harmonizou num conjunto incomparável que tem na Suma Teológica a mais brilhante manifestação.

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Sabedoria e oração

Falar das qualidades naturais do Doutor Angélico sem considerar a supremacia da graça que resplandecia em sua alma seria uma deturpação. Frei Reginaldo, seu fiel secretário, disse tê-lo visto passar mais tempo aos pés do crucifixo do que em meio aos livros.

A fim de obter luzes para solucionar intrincados problemas, o santo doutor fazia freqüentes jejuns e penitências, e não raras vezes o Senhor o atendeu com revelações celestiais. Em certa ocasião, enquanto rezava fervorosamente, pedindo luzes para explicar uma passagem de Isaías, apareceram-lhe São Pedro e São Paulo e esclareceram todas as dúvidas.

Recorria também a Jesus Sacramentado. Às vezes colocava a cabeça no sacrário e rezava longamente. Assegurou depois ter aprendido mais desta forma do que em todos os estudos que fizera. Por seu entranhado amor à Eucaristia, compôs o Pange Lingua e o Lauda Sion para a festa de Corpus Christi: obras-primas jamais superadas.

Um dia, estando imerso em adoração a Jesus Crucificado, o Senhor dirigiu- Se a ele com estas palavras:

– Escreveste bem sobre Mim, Tomás. Que recompensa queres?

Nada mais que a Vós, Senhor – respondeu ele.

 

A recompensa demasiadamente grande

S TOMAS DE AQUINO.jpgEm 1274 Santo Tomás partiu para Lion a fim de participar do Concílio Ecumênico convocado pelo Papa Gregório X, mas no caminho adoeceu gravemente. Como não havia nenhuma casa dominicana próxima, foi levado para a abadia cisterciense de Fossanova, onde faleceu a 7 de março, antes de completar cinqüenta anos de idade. Suas relíquias foram transportadas para Toulouse em 28 de janeiro de 1369, data em que a Igreja Universal celebra sua memória.

Ao receber por derradeira vez a Sagrada Eucaristia, disse ele:

“Eu Vos recebo, preço do resgate de minha alma e Viático de minha peregrinação, por cujo amor estudei, vigiei, trabalhei, preguei e ensinei. Tenho escrito tanto, e tão freqüentemente tenho discutido sobre os mistérios da vossa Lei, ó meu Deus; sabeis que nada desejei ensinar que não tivesse aprendido de Vós. Se o que escrevi é verdade, aceitai-o como uma homenagem à vossa infinita majestade; se falso, perdoai a minha ignorância. Consagro tudo o que fiz e o submeto ao infalível julgamento da vossa Santa Igreja Romana, na obediência à qual estou prestes a partir desta vida.”

Belo testamento de elevada santidade! A Igreja não tardou em glorificá- lo, elevando-o à honra dos altares em 1323. Na cerimônia de canonização, o Papa João XXII afirmou: “Tomás sozinho iluminou a Igreja mais do que todos os outros doutores. Tantos são os milagres que fez, quantas as questões que resolveu”. No Concílio de Trento, as três obras de referência postas sobre a mesa da assembléia foram: a Bíblia, os Atos Pontificais e a Suma Teológica. É difícil exprimir o que a Igreja deve a este seu filho ímpar.

Da fé extraordinariamente vigorosa do Doutor Angélico brotava a convicção profunda de que a Verdade em essência não é senão o próprio Deus, e a partir do momento em que ela fosse proclamada em sua integridade, seria irrecusável e triunfante.  Eis o grande mérito de sua doutrina imortal: ela continua ecoando ao longo dos séculos, pois nada pode abalar a supremacia de Cristo.

Em Santo Tomás a Igreja contempla a realização plena da oração feita pelo Divino Mestre nos derradeiros momentos que passou nesta terra: “Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. Por eles Eu santifico-Me a Mim mesmo, para que também sejam santificados na verdade” (Jo 17, 17-19). (Revista Arautos do Evangelho, Janeiro/2008, n. 73, p. 32 à 35)

SAO TOMAS DE AQUINO

Fonte:http://www.arautos.org/especial/22984/Sao-Tomas-de-Aquino.html