Arquivo da categoria: Filosofia

Ex-feminista Amparo Medina revela o plano da ONU e Fundação Rockefeller para redução populacional mundial

Devastadora conferência de uma ex-funcionária da ONU chamada Amparo Medina.

Ao ter trabalhado na ONU durante os anos em que os esse terrível vírus chamado “Política de Gênero” instalou a paranóia nas mentes femeninas (e masculinas) para conseguir separá-los.
Ex-feminista, Amparo revela com clareza como um grupo de ex-companheiras foram compradas pela Fundação Rockefeller e a ONU para eliminar, precisamente, a feminilidade da vida social e política sob o pretexto de extender a “igualdade”. Fala sobre o movimento gay e sobre as pílulas abortivas.
Sua paixão, unida a seu conhecimento, é um autêntico bálsamo para que a América Latina evite passar pela tragédia que vivem os europeus com esta guerra prá-fabricada.

Fonte: Rafapal

 

EXISTÊNCIA DE DEUS: O ARGUMENTO MORAL

EXISTÊNCIA DE DEUS: O ARGUMENTO MORAL

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O Argumento Moral

O Argumento Moral se resume basicamente na seguinte lógica: (1) Se valores morais objetivos existem, então Deus existe; (2) valores morais objetivos realmente existem; (3) portanto, Deus existe.

Vamos analisar a primeira premissa: Existem valores objetivos? Se a moralidade é relativa e não absoluta, este argumento é destruído! Só para entender o vocabulário utilizado, moralidade objetiva significa que a diferença entre o certo e o errado é muita clara entre a humanidade, enquanto a moralidade relativa significa que a moralidade depende, ou não é clara para os seres humanos. Abordamos até certa extensão deste assunto no artigo a respeito de verdade relativa versus verdade absoluta, mas aprofundaremos a questão mais um pouco.

Existem três tipos de moralidade relativa: Relativismo Cultural, Convencionalismo e Subjetivismo Ético.

O Relativismo Cultural defende que o que é certo em uma cultura pode ser errado em outra cultura, e por isso a moralidade não é objetiva. Por exemplo, o aborto é completamente proibido em países como o México, opcional em países como os Estados Unidos e liberalmente praticado em países como a China. O grande problema dessa afirmação é que a moralidade não é descritiva e sim prescritiva. Ela diz como deveria ser o mundo e não o que é o mundo hoje. Além disso, só porque a resposta das culturas é diferente para uma determinada pergunta, não quer dizer que não exista uma resposta correta para essa pergunta.

Quando esse assunto surge, muitos céticos gostam de ilustrar com a história do elefante e das três pessoas vendadas. Ao apalpar partes diferentes do elefante, elas divergem na definição do objeto. Ao apalpar a trompa do elefante, uma diz que é uma cobra. Ao apalpar a pata do animal, a outra diz que é o tronco de uma árvore. A última, ao apalpar as orelhas do elefante, diz que é uma grande folha. Com essa história, querem dizer que pessoas diferentes veem a realidade de forma diferente, dependendo de onde você está e qual a cultura que você tem. Mas, com isso, eles se esquecem de um detalhe: apesar de cada pessoa ter dito uma coisa, a verdade não deixava de ser que eles estavam apalpando um elefante! Percebe? Quando as pessoas discordam a respeito da moralidade, não significa que não exista moralidade objetiva!

O segundo tipo, chamado Convencionalismo, diz que a sociedade seria o agente que deveria decidir o que é certo ou errado. Ao contrário do Relativismo Cultural segundo o qual não existem respostas certas ou erradas, o Convencionalismo diz que existe certo ou errado, porém, cada sociedade deve decidir. Não precisamos ir muito longe para entender que o Convencionalismo não dá certo. Essa era a filosofia da Alemanha na época de Segunda Guerra Mundial. A lei dizia que os judeus eram sub-humanos e indignos de viver. Essa lei era “moral” porque, em um sistema Convencionalista, tudo o que é legal é moral, e o que é ilegal é imoral.

A forma mais propagada de moralidade relativa é o Subjetivismo Ético. Nessa filosofia, é o indivíduo que define o que é certo e errado para ele. A moralidade nada mais é do que preferência e opinião pessoal. Nesse caso, ninguém poderia dar qualquer opinião concreta sobre um fato ou uma ação de forma coerente. Não poderia ser dito que os ataques terroristas ou guerras realizadas nas últimas décadas foram ruins, e nem que os grandes pacificadores e altruístas foram bons. Um subjetivista ético teria que passar indiferentemente por uma situação de homicídio ou de estupro sem dizer nada, porque, para ele, isso pode ser errado, mas para outros pode não ser.Pode parecer exagero, mas sua casa pode ser roubada e sua filha morta, desde que o ladrão e o assassino acreditem que suas ações são corretas.

Agora vamos para o outro lado da moeda: a Moralidade Objetiva. A Moralidade Objetiva é uma prescrição de princípios morais aplicáveis em todas as situações, para todas as pessoas em todas as épocas. Uma das formas de observar sua existência é simplesmente por nossa intuição. É o que percebemos, por exemplo, quando vemos a frase “Crianças são torturadas como forma de entretenimento”. Qual a sua intuição primária ao ler essa frase? Isto é errado! E quando lê a frase: “Homem mata esposa e filha com trinta facadas”. Errado!

O inglês Richard Dawkins, o mais famoso ateu fundamentalista da atualidade, em seu livro River Out of Eden, diz que nosso universo não oferece “nenhum propósito, nenhum mal e nenhum bem. Nada senão uma cega e impiedosa indiferença. O DNA não se importa. O DNA simplesmente é. E nós dançamos conforme sua música.”[1] Mas seu livro Deus, um Delírioestá completamente permeado de um sentimento de profundo desgosto por atos “imorais”, assim demonstrado também por sua ativa participação em protestos contra abuso de crianças e pelo preconceito contra homossexuais. Mas, se o DNA não sabe e nem se importa, por que e como sabemos o que é certo e errado e por que nos importamos?

Ele então continua a argumentar que a moralidade evoluiu dos chimpanzés que têm uma noção de viver em família, de ajudar seus parceiros e trabalhar em grupo. O problema disso tudo é que, se foi realmente a evolução que nos levou a adquirir o senso de moralidade que temos hoje, a moralidade é subjetiva, ou seja, cada pessoa, família ou grupo pode construir seu próprio código de moralidade. Isso não seria, porém, a moralidade absoluta que observamos na humanidade.

A Moralidade Objetiva é a única forma coerente de moralidade e a única que pode ser vivida consistentemente.

Agora que estamos tranquilos com a primeira e a segunda premissas, temos que entender como chegamos diretamente à terceira. Por que precisamos necessariamente chegar prematuramente à ideia de que a Moralidade Objetiva prova a existência de Deus? Não podemos explicar essa moralidade simplesmente atribuindo-a à lógica e à evolução naturalista?Para isso, precisamos explicar de onde veio a moralidade.

Primeiro, vejamos esta citação de Kai Neilsen, um filósofo ateu dinamarquês: “Não fomos capazes de mostrar que a razão exige o ponto de vista moral, nem que todas as pessoas realmente racionais não deveriam ser individualistas egoístas ou não morais clássicos. A razão não decide aqui. O que pintei para você não é agradável. A reflexão sobre isso me deprime. […] A razão prática, pura, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não o levará à moralidade.”[2] Isso se explica facilmente porque na visão ateia evolucionista o ser humano é apenas um animal, e animais não têm qualquer obrigação moral.

Outra citação interessante é do australiano J. L. Mackie, um filósofo que tentou provar com unhas e dentes que a moralidade é relativa: “Se há valores objetivos, eles tornam a existência de um deus mais provável do que seria sem eles. Portanto, temos um argumento defensável a partir da moralidade para a existência de um deus.”[3]

Com isso em mente, vamos relembrar os fatos que temos por enquanto. Sabemos que a moralidade é: (1) Prescritiva, (2)um comando, (3) universal, (4)objetiva, (5) autoritativa.

Levando isso em consideração, em primeiro lugar, prescrições e comandos são feitos apenas entre seres pensantes, portanto, podemos saber que, seja de onde vem a moralidade, tem que vir de uma mente pensante. Em segundo lugar, a moralidade vem com um propósito e uma vontade, portanto, a fonte de moralidade também deve ter um propósito e uma vontade. Em terceiro lugar, a moralidade é universal e transcende os seres humanos, o tempo e o espaço, portanto, a fonte também deve ser transcendente. Em quarto lugar, já que a moralidade é autoritativa, deve ter vindo de uma autoridade e autoridade só pode ser mantida por uma pessoa, portanto, a fonte deve ser pessoal. E, finalmente, a fonte deve ter o poder e a habilidade para impor a sua vontade moral em nossa intuição. Como podemos chamar essa fonte de moralidade? Deus.

Nas palavras de Paul Copan, filósofo e Teólogo americano: “A razão pela qual o teísmo faz mais sentido aqui é que a personalidade e a moralidade estão necessariamente conectadas. Isto é, os valores morais estão enraizados na personalidade. Sem Deus (um Ser pessoal), nenhuma pessoa – e, portanto, nenhum valor moral – poderia existir.”[4]

É interessante notar que, de longe, o argumento mais usado por ateus é: “Como podemos acreditar em um Deus bom se existe tanta maldade no mundo?” A resposta completa a esse argumento será dada em outro momento, porém, existe uma importante questão que precisamos levantar motivados por essa afirmação. Com esse argumento, um ateu ou até mesmo um cristão sincero está afirmando claramente que existe o mal no mundo. Se alguém acredita que existe o mal, também está pressupondo que exista o bem. Mas se alguém diz que existem o bem e o mal, está implicitamente afirmando que existe uma lei moral que diferencia o bem do mal. E se existe uma lei moral, existe um doador da lei moral. Portanto, um argumento que era primariamente para ir contra a existência de Deus, na realidade, é um argumento a favor dEle!

O argumento moral nos mostra evidências claras de que existe um Deus pessoal e poderoso que colocou no seu e no meu coração a vontade de fazer o que é certo, e abre nossa realidade para a culpa quando fazemos o que é errado. A questão é se vamos reconhecer que Ele existe nos apoiando em todas as evidências que Ele nos dá para acreditar nisso.

Um soldado na Guerra do Vietnã, cansado da incessante pressão dos companheiros que lhe diziam que Deus não existia, escreveu uma poesia em meio aos ruídos da morte. Na noite anterior a uma terrível batalha, ele escreveu o seguinte:

“Eu nunca falei contigo, Deus Pai / Mas agora quero dizer, ‘Como vai?’

“Eles me disseram que Você não existia / E eu como um tolo acreditei com garantia.

“Ontem à noite, de um buraco o Seu céu contemplei / O que eles me disseram era uma mentira, agora eu sei.

“Se eu tivesse separado tempo para ver as coisas que Você fez / Eu saberia que eles não estavam nos chamando para fazer guerra.

“Me pergunto, Deus, se Você tomaria a minha mão / De alguma forma eu sinto que terá compaixão.

“Engraçado eu ter que vir para este lugar infernal / Antes de ter tempo para ver Sua face eternal.

“Acho que não há muito mais para dizer / Mas estou muito feliz, Deus, de hoje Lhe conhecer.

“Acredito que a meia-noite chegará certa / Mas eu não estou com medo sabendo que Você está por perto.

“O sinal soou, Deus, eu tenho que partir / Gosto muito de Você, e quero admitir.

“Saiba que essa será uma luta assustadora / Quem sabe eu vá para Sua casa na aurora.

“Apesar de nunca ter sido Seu amigo / Me pergunto se naquele grande dia / Você me esperaria para dar abrigo.

“Olhe, agora estou chorando, estou derramando lágrimas, Deus / Tenho que ir agora, Senhor, adeus.

“Estranho que agora que vim a você conhecer / Não tenho mais medo de morrer.”

Você pode até afirmar que Ele não existe, só não pode dizer que não recebeu evidências suficientes!

Fonte: Marina Garner Assis

Referências:

1. Richard Dawkins, River Out of Eden (New York: Basic Books, 1992), p. 133.
2. Kai Nielsen, “Why Should I Be Moral?”, American Philosophical Quarterly21 (1984), p. 90.
3. J. L. Mackie, The miracle of Theism. Oxford: Clarendon Press, 1982, p. 115-16.

Famosa blogueira atéia converte-se ao catolicismo

 

Fonte:http://sumateologica.wordpress.com/2012/07/31/famosa-blogueira-ateia-converte-se-ao-catolicismo/

Leah Libresco, blogueira americana atéia, anunciou em seu conhecido site a conversão ao catolicismo

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, segunda-feira, 30 de julho de 2012 (ZENIT.org) – É uma história maravilhosa de conversão nos nossos dias, aquela de Leah Libresco, a popular blogueira americana atéia responsável do “Patheos Atheist Portal”.

No passado 18 de Junho uma postagem desta jovem filósofa, formada em Yale e colaboradora do Huffington Post, definitivamente chocou muitos seguidores – especialmente ateus – do seu blog, chegando rapidamente a todas as partes do mundo.

“Esta é a minha última postagem” anunciava dramaticamente o título do artigo, onde a blogueira declarava ter finalmente encontrado a resposta para aquela sua “moral interna” que até agora o ateísmo não conseguia satisfazer: o cristianismo. A resposta que durante anos Leah refutava e rejeitava com “explicações que buscam colocar a moralidade no mundo natural.”

“Durante anos eu tentei argumentar a origem da lei moral universal que reconhecia presente em mim” explicou a blogueira; uma moralidade “objetiva como a matemática e as leis da física”. Nesta busca contínua de respostas, Leah se refugiou, por exemplo, na filosofia ou na psicologia evolutiva.

“Eu não pensava que a resposta estivesse ali” admite, mas ao mesmo tempo “não podia mais esconder que o cristianismo demonstrava melhor do que qualquer outra filosofia aquilo que reconhecia já como verdadeiro: uma moral dentro de mim que o meu ateísmo, porém, não conseguia explicar”.

Os primeiros “sinais” de conversão vieram no dia de Domingo de Ramos, quando a blogueira participa de um debate com os alunos de Yale para explicar de onde deriva a lei moral. Durante a explicação, foi interrompida por um jovem que“buscava fazer-me pensar – como ela mesma lembra – pedindo-me para não repetir a explicação dos outros, mas para dizer o que eu pensava sobre isso”.

“Não sei, não tenho uma idéia” é a resposta da Leah diante de uma pergunta simples, mas inquietante. “A sua melhor hipótese?”, continuou o jovem, “não tenho uma”, ela responde.

“Terá talvez alguma idéia”, continua ele; “não o sei… mas acho que a moral tenha se apaixonado por mim ou algo parecido” tenta falar a filósofa, mas o rapaz neste momento diz-lhe o que pensava.

Refletindo, a mulher diz: “Percebi que, como ele, eu acreditava que a moral fosse objetiva, um dado independente da vontade humana”. Leah descobre portanto que também ela crê “numa ordem, que implica alguém que o tenha pensado” e “na existência da Verdade, na origem divina da moral”.

“Intuí – explica ainda – que a lei moral como a verdade pudesse ser uma pessoa. E a religião católica me oferecia a estrada mais razoável e simples para ver se a minha intuição era verdadeira, porque diz que a Verdade é vivente, que se fez homem.”

Pedindo depois àquele jovem o que lhe sugeria fazer, a filósofa atéia convicta, começa a rezar com ele a Completa no Livro dos salmos e continua “a fazê-lo sempre, também sozinha”.

Anos e anos de teorias, provas, convicções, desmoronados diante da única Verdade: Deus. Publicada no portal, a história de Leah provocou reações diversas e milhões de comentários. Basta pensar no fato de que tenha sido postada no Facebook 18 mil vezes e que a sua página web tenha recebido, segundo o diretor do blog, Dan Welch, cerca de 150 mil acessos.

Muitos comentários são acusadores, pessoas atéias que se sentem “traídas” por aquela que era para eles uma líder. Muitos outros, ao contrário, são de católicos que, como muitos não-crentes, seguiam o blog. Alguns expressam as suas felicitações e dizem: “Estou tão feliz por você. Rezei tanto. A aventura está apenas começando.”

Entrevistada pela CNN, a Libresco no entanto, confessou de ter ainda muito a entender e estudar sobre aquilo que sustenta a Igreja sobre questões de moral, como por exemplo a questão da homossexualidade que a deixa ainda “confusa”. “Mas não é um problema” afirmou, em quanto que tudo do que ela se convenceu “é razoável”.

Depois da conversão, a mulher procurou também uma comunidade católica, “escandalizando os amigos” mais incrédulos. “Se me perguntam como estou hoje respondo que estou feliz – diz a blogueira – o melhor período que você pode viver é quando você se dá conta de que quase tudo o que você pensava que era verdadeiro, na verdade era falso”.

Ainda à CNN, a blogueira contou que se sentia “renascida uma segunda vez”: “É ótimo participar da Missa e saber que ali está Deus feito carne – declarou – um fato que explica tantas outras coisas inexplicáveis”.

Neste ponto, a questão que mais causa curiosidade é o que fará Leah do seu popular blog ateu? Uma pergunta que tem assombrado a mesma autora todos os dias depois daquela fatídica tarde em Yale.

“Parar de escrever? – Diz na sua postagem – continuar em um estilo cripto-católico esperando que ninguém perceba (como fiz no último período)?” Após um exame demorado, a solução foi outra: “A partir de amanhã, o blog será chamado “Patheos Catholic channel “e será usado para discutir com os ateus convictos, como fazia antes com os católicos.

O motivo? “Se a pessoa é honesta – explica – não tem medo de entrar em diálogo. Eu recebi uma resposta sobre o que buscava porque aceitei colocar-me em diálogo. O interessante de muitos ateus é que fazem críticas e pedem provas. Uma coisa utilíssima à Igreja, que não deve ter medo porque está do lado dos fatos e da razão”.

Incentivo, finalmente, conclui a postagem, quase uma despedida da Libresco aos seus muitos leitores ateus: “Quaisquer que sejam suas crenças religiosas parar e pensar naquilo que você crê é uma boa ideia e se assim compreende que há algo que te obriga a mudar de ideia, não tenha medo e lembre-se que a tua decisão pode somente melhorar a tua visão das coisas”.

[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]

Dom Eugênio, uma escola de fidelidade

“Eu estou muito bem. Meu Pai é bom! Ele pode tudo. Ele sabe tudo.” (Dom Eugênio Sales)

 

Papa João Paulo II, Dom Eugênio Sales e Pe. Paulo Ricardo

Fidelidade. Talvez não haja outra palavra para descrever melhor o que Dom Eugênio significou em minha vida.Fidelidade a Deus, à Igreja, ao Papa, às amizades, aos compromissos assumidos, à fé professada, aos princípios morais, à liturgia, à disciplina canônica, aos horários, à orientação dos médicos… A lista seria grande demais para elencar. Uma fidelidade que todos viam, que saltava aos olhos, que gritava sobre os tetos…

Mas o que talvez nem todos conhecessem era a alma desta fidelidade: o querer agradar a Deus em tudo e por tudo. Sim, mesmo que isto desagradasse aos homens; mesmo que isto desagradasse aos seus projetos pessoais e justas aspirações. Quem conviveu com Dom Eugênio pôde presenciar, no dia a dia, estas pequenas ou grandes violências que o Cardeal Sales fazia sobre si mesmo, para não desagradar a Deus.

Sua vida toda foi marcada por este drama interior que só os seus íntimos tiveram o privilégio de testemunhar. Uma dócil fidelidade à vontade de Deus, mesmo quando esta vontade se revestia da aparente irracionalidade da cruz.

Nos últimos anos de vida, Dom Eugênio viveu um verdadeiro calvário – seja por razões pessoais, familiares ou eclesiais. A todos que perguntavam se ele estava bem, se estava sofrendo ou se precisava de ajuda, Dom Eugênio respondia com frequência: “Eu estou muito bem. Meu Pai é bom! Ele pode tudo. Ele sabe tudo”. Confiança de um filho que deseja agradar ao Pai, mesmo quando não o compreende.

Na noite de ontem, Dom Eugênio, viveu a sua última Páscoa. Enquanto ele se apresenta diante de Deus, nós, seus filhos espirituais, temos o dever de sufragar sua alma e pedir ao Senhor que lhe conceda o descanso eterno. Mas, como quem conheceu de perto Dom Eugênio, sinto forte a tentação de dizer que, na verdade, as nossas orações serão usadas por Deus para outra finalidade. É bem possível que ele não as necessite e que esteja desde já ouvindo o convite do Pai bondoso, no qual tanto confiou: “Eia, servo bom e fiel, entra para a alegria do teu Senhor!” (Mt 25, 21).

Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior

 

 

Fonte:http://padrepauloricardo.org/blog/dom-eugenio-uma-escola-de-fidelidade

Deus e a Criação

Deus e a criação
Antes de se argumentar a favor da existência de Deus, é preciso primeiro definir o que é Deus. Nesse artigo será defendida a existência do Deus cristão, defendido por São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Santo Anselmo, e outros doutores e filósofos, tanto da Igreja, quanto fora dela.
Deus: onisciente, onipresente, onipotente, perfeito, infinito, atemporal e transcendente.
Deus

Se não existe um criador, então o universo se criou sozinho, logo o universo tem que ser finito, pois se fosse infinito o universo seria Deus, pois toda criação tem que ser finita, e se o universo fosse Deus, então Deus existiria. Mas se algo que é finito, pode se criar sozinho, por que Deus, que é infinito e perfeito não pode se criar sozinho?

O ateu pode argumentar: O universo se criou sozinho, e como você mesmo diz é finito. Por que Deus que também se criou sozinho é infinito? Ele tem que ser finito como o universo, e se ele é finito então ele não é Deus.

Mas Deus não é criado, Deus não se criou, pois se Ele tivesse se criado ele teria que ter um inicio, e Deus como ser infinito não tem inicio, pois se ele dependesse da criação ele não seria completo (o universo não é completo, pois é finito, isso diferencia Deus do universo). Ele só pode ser Deus se ele não depende de tal criação. Se ele não depende de tal criação então ele é perfeito e sempre existiu independentemente de tempo, espaço e criação, pois tais regras SÓ SE APLICAM a coisas imperfeitas e materiais, como o universo. O universo não pode ter se criado sozinho, pois ele não é infinito, característica que o diferencia de Deus, que o criou.
Tudo que passa a existir é finito, e a partir do momento que as coisas nascem (seja um humano, ou um objeto ou qualquer coisa) o tempo de tal coisa passa a ser contado, passa a ser rolado. O tempo foi criado no big bang a partir do momento que as coisas finitas passaram a existir (inclusive o tempo). Sendo Deus algo atemporal, esta lei não se aplica a Deus, pois se Deus dependesse do tempo para existir, Ele passaria a existir somente depois do big bang e não poderia ter criado o universo, e não seria Deus, pois para ser Deus Ele precisa ser completamente independente.

Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento do passado em que ele passou a existir, assim como todas as coisas finitas.

Pois bem, a pergunta: ‘’Quem criou Deus?’’ é totalmente irracional, pois antes do big bang não existia tempo, então algo que não foi criado, não pode ter tido um início ou uma origem, e não pode ter tido seu tempo rolado a partir de sua criação. Como uma coisa pode ter sido criada antes de existir o tempo? Pois é o tempo que define o início de todas as coisas criadas. Perguntar quem criou Deus é o mesmo que perguntar qual o cheiro do azul.
Perceba que a palavra ‘’criou’’ da pergunta acima, é um verbo e está no passado. Ora, se ela está no passado, então ela precisa do tempo para fazer sentido. Se antes do big bang não havia tempo então essa pergunta não faz o menor sentido.
Finito é tudo que passa a existir em algum momento do passado. Tudo que é finito tem que ser temporal, pois passou a existir em um momento, e todo momento precisa do tempo, e todo tempo precisa do ser criado. Deus não é criado por não existir ‘’momento’’ antes da criação, por não existir tempo, por não existir ser criado. O tempo passou a existir assim que o universo foi criado, e o universo é finito justamente por ter sido criado. Deus é atemporal exatamente por não ter sido criado. Se Deus fosse criado, logicamente ele não poderia ser atemporal, e logicamente não seria Deus, pois seria criado e temporal. Deus só teria um inicio se Ele tivesse passado a existir depois do big bang, junto com todas as coisas materiais e finitas.
O tempo é intrínseco a criação. Não é a criação que depende do tempo para existir, e sim o contrário. Por isso Deus não precisou criar o tempo para criar o universo. Bastou criou o universo para o tempo existir.
O passado é tal porque não é mais, o futuro é tal porque não é ainda; e se o presente fosse presente e não se transformasse continuamente em passado, não seria tempo, mas eternidade. E é exatamente neste estado imutável em que Deus existe.

Deus existe no agora perpétuo.

O ateu diz: Mas se Deus pode tudo, ele poderia criar algo finito e atemporal, pois ele pode tudo.
Mas Deus pode tudo, mas dentro de sua lógica perfeita, pois se assim fosse, ele poderia existir e não existir ao mesmo tempo, e isso são coisas impossíveis, pois Deus é perfeito, e se ele é perfeito ele tem que existir, pois nada que não exista é perfeito.

Ateu: então Deus depende de sua própria lógica perfeita e regras e só pode executar coisas que estão dentro de tais lógicas, logo se ele depende então ele não é perfeito:

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Deus não depende de tal lógica, Ele É A lógica, em ato. Do mesmo modo que Deus não possui a perfeição, ele É a perfeição. Do mesmo modo que Deus não possui o infinito, ele É o infinito. Logo ele depende apenas dele mesmo. E sim, tudo só pode ser executado dentro de tal lógica, pois não existe nada fora de tal lógica, pois se existisse Deus não seria perfeito. Deus não tem potência para se tornar mais perfeito, ou mais poderoso, nem menos perfeito e menos poderoso, pois ele É perfeito em grau absoluto; uma característica de qualquer coisa finita e imperfeita é ter potência para se tornar melhor ou pior; Deus sendo perfeito não pode ter potencial para se tornar melhor ou pior, maior ou menor, pois já se encontra em um grau absoluto. Não pode haver nada além de Deus, pois se existisse Deus teria uma borda ou uma margem. Em algum momento Deus acabaria, ou chagaria ao fim. E ai viria à pergunta: o que há depois de Deus? Se existe algo além de Deus então Ele não seria infinito e absoluto. Deus é perfeito em grau absoluto e infinito, logo não pode ser dividido, subtraído, somado ou multiplicado, pois todas essas grandezas matemáticas aplicadas a qualquer coisa infinita daria infinito. Por esse motivo é impossível existir duas ou mais coisas infinitas, ou absolutas.
Podemos medir qualquer extensão em nossa realidade, pois todas tem um fim um e inicio. Todas tem uma borda no qual acaba, por isso é possível medi-la. Mas como vou medir uma extensão que não tem medida? Medida é: uma quantidade fixa que serve para avaliar extensões ou quantidades mensuráveis.
Como vou medir uma quantidade imensurável? Qualquer grandeza de medida aplicada a uma extensão imensurável daria um resultado imensurável, não alterando em nada a natureza do ser exposto ao calculo da medida.
Deus não é infinito quantitativamente, mas sim qualitativamente, pois não pode ser considerado nem como o todo, e nem como uma parte do todo, por que o todo é feito de partes. Não existe um Deus constituído de infinitas partes, mas sim um único Deus com infinitude qualitativa e singular em grau absoluto e homogêneo.

Qualquer coisa infinita não pode caber em lugar algum.

Não é Deus que está em algum lugar, pois ‘’lugar’’ pressupõe uma área determinada de espaço. O espaço, assim como o tempo, passou a existir somente depois da criação das coisas finitas e materiais. Se Deus fosse passivo de ‘’estar em algum lugar’’ então deveria ter passado a existir somente depois da criação, e não poderia ter criado. Não é Deus que está lá, é o todo que está em Deus. Por isso Deus é onipresente.
Uma das vias de provar a existência de Deus é provando a existência do infinito.
O infinito tem que existir, pois engloba exatamente tudo existente. Dentro ou fora do universo. Deus é tal coisa infinita, o que o faz onipresente e transcendente.

Mas ai ateu diz: Mas não se sabe o que tem depois do universo. Depois do universo pode existir o nada,
simplesmente o nada, e não Deus, como você crente afirma.

Mas tal afirmação é contraditória, pois o nada é ausência de algo, logo tem que haver algo depois do universo. Se depois do universo existisse o nada, então o nada seria infinito, mas o nada não pode ser infinito, tem que ser finito, pois o nada depende do tudo para existir. O nada é um buraco, um vácuo.
Imagine uma folha de papel, e nessa folha tem um buraco no meio. O buraco não existe, o que existe é uma folha faltando uma de suas partes. Logo o buraco para existir depende da folha, pois sem folha não existe o buraco e nem poderia. Um buraco no chão depende do chão para existir, ou um buraco na parede depende da parede, logo todo buraco é finito, pois é dependente de algo, e tudo que depende é finito. Então afirmar, que o nada além do universo é o infinito, é ilógico.
Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o universo veio de um vácuo, ou de um buraco, mas tal afirmação é absurda, pois como o exemplo citado à cima, um buraco não pode criar a folha, mas só a folha pode criar o buraco, pois não é a folha que está no buraco, mas é o buraco que está na folha. Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o buraco criou a folha, ou que a folha está no buraco, ao invés do buraco estar na folha. Sendo assim, o universo deve estar em algum lugar, pois se estivesse no nada como os céticos afirmam, teríamos o problema da folha. Seria o tudo (universo) dependendo do nada. Absurdamente ilógico.
Até o nada vem de algum lugar.

Segunda afirmação: O infinito tem que ser todo poderoso e completo.

Explicação: O infinito para ser infinito (sem inicio e nem fim) tem que ser completo e totalmente poderoso, não lhe faltando nada e nem dependendo de nada, pois não existe ausência no infinito, pois se existisse, não seria infinito. A folha quando tem um buraco no meio lhe falta alguma coisa. Falta o pedaço de papel que foi retirado para o buraco se fazer. Mas a folha não é infinita, logo ela pode sofrer uma ausência de algo. Mas Deus não pode sofrer tal ausência, pois Ele é infinito. Se Deus (que é o infinito) não fosse completamente, e totalmente poderoso, teríamos um problema. Pois se uma coisa não é totalmente poderosa, completa e independente, então lhe falta algo pra ser. Se lhe falta algo pra ser, então tal coisa se torna finita. Se tornando finito, Deus deixa de ser Deus.
Pois bem, provando a existência do infinito, e que o infinito para ser infinito tem que ser totalmente poderoso e completo, se prova a existência de Deus.
Depois do universo, tem que haver alguma coisa, pois o nada não existe. E há que é Deus.
Todo buraco depende de algo para ser feito, e buraco é um nada, um vazio e um vácuo, logo não pode ser infinito, pois é dependente. Do mesmo modo que a escuridão depende da luz para existir, o mal depende do bem e o frio depende do calor.
O que depende é submisso.
Conclui-se também que Deus tem que ser totalmente e completamente bom, pois se existisse uma parcela de maldade em Deus, então Ele sofreria uma ausência, deixando de ser infinito, pois o mal nada mais é do que a ausência do bem. Logo, Deus como ser infinito e já totalmente preenchido de bondade (pois não sofre ausência), tem que ser completamente bom, e perfeito.

Autor: Antunes Fernandes P. de Andrade

Fonte:http://www.caosdinamico.com/2012/06/se-argumentar-afavor-da-existencia-de.html?m=1

O problema do mal

William Lane Craig

Examines whether God is timeless or everlasting throughout infinite time.

Originalmente publicado como: “The Problem of Evil”. Texto disponível na íntegra em: http://www.reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&id=5350 . Traduzido por Marcos Vasconcelos. Revisado por Djair Dias Filho.

O problema do mal é, com certeza, o maior obstáculo à crença na existência de Deus. Quando reflito a respeito tanto da extensão quanto da profundidade do sofrimento no mundo, quer se deva à falta de humanidade do homem contra o homem, quer se deva aos desastres naturais, devo confessar que acho difícil acreditar na existência de Deus. Sem dúvida muitos de vocês sentem a mesma coisa. Talvez todos devêssemos nos tornar ateus.

Mas esse é um passo imenso a ser dado. Como podemos ter certeza de que Deus não existe? Talvez haja alguma razão para que Deus permita todo o mal que há no mundo. Talvez o mal se encaixe de alguma maneira na estrutura maior das coisas, as quais só conseguimos discernir vagamente, se muito. Como podemos saber?

Como cristão teísta, tenho a convicção de que o problema do mal, por terrível que seja, no fim das contas não se constitui em uma prova contrária à existência de Deus. Antes, de fato, considero que o teísmo cristão seja a melhor última esperança do homem para resolver o problema do mal.

A fim de explicar porque penso assim, será proveitoso traçar algumas distinções para preservarem a clareza do nosso pensamento. Primeiro, devemos distinguir entre o problema intelectual do mal e o problema emocional do mal. O problema intelectual do mal refere-se a como dar uma explicação racional sobre a possibilidade de Deus e o mal coexistirem. O problema emocional do mal diz respeito a como desfazer o desagrado emocional das pessoas quanto a um Deus que permita o sofrimento.

Agora, vamos examinar primeiramente o problema intelectual do mal. Há duas versões desse problema: primeira, o problema lógico do mal; segunda, o problema probabilístico do mal.

De acordo com o problema lógico do mal, é logicamente impossível que Deus e o mal coexistam. Se Deus existe, o mal não pode existir. Se o mal existe, Deus não pode existir. Visto que o mal existe, deduz-se que Deus não existe.

O problema desse argumento é que não há razão para pensar que Deus e o mal sejam logicamente incompatíveis. Não há contradição explícita entre eles. Se o ateu pretende que haja alguma contradição implícita entre Deus e o mal, ele deve, então, assumir algumas premissas ocultas que tragam à superfície essa contradição implícita. O problema, entretanto, é que nenhum filósofo jamais foi capaz de identificar essas premissas. Logo, o problema lógico do mal não consegue provar nenhuma inconsistência entre Deus e o mal.

Mas mais do que isso: podemos provar de fato que Deus e o mal são logicamente consistentes. Veja, o ateu pressupõe que Deus não pode ter razões moralmente suficientes para permitir o mal no mundo. Todavia, essa suposição não é necessariamente verdadeira. Uma vez que seja possível que Deus tenha razões moralmente suficientes para permitir o mal, conclui-se que Deus e o mal são logicamente consistentes. E, não há dúvida, isso parece de fato logicamente possível. Assim, tenho a grata satisfação de poder informar que há, entre os filósofos contemporâneos, a concordância de que o problema lógico do mal foi desfeito. A coexistência de Deus e o mal é logicamente possível.

Ainda não escapamos da floresta. Agora, porém, enfrentamos o problema probabilístico do mal. Segundo essa versão do problema, a coexistência de Deus e o mal é logicamente possível, não obstante seja altamente improvável. A extensão e a profundidade do mal no mundo são tão grandes que é improvável que Deus poderia ter razões moralmente suficientes para permiti-lo. Logo, dada a existência do mal no mundo, é improvável que Deus exista.

Ora, esse argumento é muito mais forte, e, por isso, quero concentrar nossa atenção nele. Para responder a essa versão do problema do mal, quero estabelecer três pontos:

1. Não estamos em posição favorável para calcular a probabilidade de Deus ter ou não razões morais suficientes para o mal que ocorre. Como pessoas finitas, estamos limitados por tempo, espaço, inteligência e capacidade perceptiva. Mas o Deus soberano e transcendente vê o final desde o começo e ordena a história de modo providencial para que os propósitos divinos sejam plenamente alcançados mediante as livres decisões humanas. Para alcançar seus objetivos, é possível que Deus ature certos males ao longo do caminho. Males que, na nossa conjuntura limitada, parecem-nos despropositados podem ser vistos como justamente permitidos na conjuntura infinitamente maior de Deus. Tomando por empréstimo a ilustração de um campo científico em desenvolvimento, a Teoria do Caos, os cientistas têm descoberto que certos sistemas macroscópicos — por exemplo, sistemas climáticos ou populações de insetos — são extraordinariamente sensíveis às mínimas perturbações. Uma borboleta tremulando as asas num galho qualquer na África Ocidental poderia desencadear forças capazes de, no final, produzir um furacão sobre o Oceano Atlântico. A princípio, é impossível a alguém, observando essa borboleta batendo as asas num galho, predizer tal consequência. O assassinato brutal de alguém inocente ou a morte de uma criança por leucemia poderia produzir uma espécie de efeito propagador através da história, de tal modo que a razão moral suficiente de Deus para permitir esses acontecimentos só poderia vir à tona séculos mais tarde e talvez em outro lugar. Quando se pondera acerca da providência de Deus sobre toda a história, penso que seja possível ver quão impossível é para observadores limitados especular quanto à probabilidade de que Deus poderia ter uma razão moral suficiente para permitir determinado mal. Não estamos em posição favorável para calcular tais probabilidades.

2. A fé cristã requer doutrinas que aumentam a probabilidade da coexistência de Deus e o mal. Se assim for, essas doutrinas reduzem qualquer improbabilidade da existência de Deus decorrente da existência do mal. Quais são algumas dessas doutrinas? Permitam-me mencionar quatro:

a. O propósito principal da vida não é a felicidade, mas o conhecimento de Deus. Uma das razões por que o problema do mal parece tão enigmático é nossa tendência a pensar que, se Deus existe, o seu objetivo para a vida humana é a felicidade neste mundo. O papel de Deus é proporcionar ambiente confortável para seus seres humanos de estimação. Mas na visão cristã isso é falso. Não somos os animais de estimação de Deus, e o fim principal do homem não é a felicidade neste mundo, mas o conhecimento de Deus; esse conhecimento finalmente tornará verdadeira e eterna a plenitude humana. Na vida, acontecem muitos males que podem ser absolutamente inúteis quanto à meta de produzir a felicidade humana no mundo, mas não podem ser injustificados quanto a produzir o conhecimento de Deus. O sofrimento de seres humanos inocentes proporciona a oportunidade para dependência e confiança mais profundas em Deus, seja da parte de quem sofre ou daqueles que o circundam. Obviamente, se o propósito de Deus é ou não alcançado por meio do nosso sofrimento dependerá da nossa reação. Reagimos com rancor e amargura contra Deus ou nos voltamos a ele em fé, buscando força para suportar?

b. O estado da humanidade é de rebelião contra Deus e seu propósito. Em vez de se submeterem à vontade de Deus, as pessoas se rebelam contra ele e seguem seus próprios caminhos, tornando-se por isso alienadas de Deus, moralmente culpadas diante dele, tateando em trevas espirituais, indo atrás de falsos deuses criados por si mesmas. Os terríveis males humanos que há no mundo são o testemunho da corrupção do homem, nesse estado de alienação espiritual de Deus. O cristão não se surpreende com a maldade humana no mundo; antes, ele a tem como certeza. A Bíblia diz que Deus entregou a humanidade aos pecados que ela própria tem escolhido; ele não interfere a fim de pará-la, mas deixa que a depravação corra seu curso. Isso serve somente para destacar ainda mais a responsabilidade moral da humanidade perante Deus, bem como nossa perversidade e nossa necessidade de perdão e purificação moral.

c. O conhecimento de Deus deságua na vida eterna. Na visão cristã, esta vida não é tudo o que existe. Jesus prometeu a vida eterna a todo aquele que põe a sua confiança nele, como seu Salvador e Senhor. Na vida além, Deus recompensará com uma vida eterna de gozo indizível aqueles que suportaram o sofrimento de maneira firme e confiante. O apóstolo Paulo, que escreveu a maior parte do Novo Testamento, viveu uma vida de sofrimentos incríveis. Todavia, ele escreveu: “não desanimamos […] Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2Co 4.16-18). É como se Paulo imaginasse uma balança comum na qual, em um dos pratos, colocam-se todos os sofrimentos desta vida, e, no outro, coloca-se a glória que Deus concederá a seus filhos no céu. O peso de glória é tão grande que está literalmente fora de comparação com o sofrimento. Além disso, quanto mais permanecermos na eternidade tanto mais os sofrimentos desta vida se encolherão até se tornarem um momento infinitesimal. É por isso que Paulo pôde chamá-los de “leve e momentânea tribulação” — eles foram simplesmente aniquilados pelo oceano de eternidade e gozo divinos que Deus derrama liberalmente sobre os que confiam nele.

d. O conhecimento de Deus é um bem imensurável. Conhecer a Deus, a fonte de bondade e amor infinitos, é bem incomparável, é a plenitude da existência humana. Os sofrimentos desta vida não podem sequer ser comparados a ele. Assim, a pessoa que conhece a Deus, não importa o quanto sofra, não importa quão dolorosa seja a sua dor, ainda pode dizer “Deus é bom para mim”, simplesmente pelo fato de que ela conhece a Deus, um bem incomparável.

Essas quatro doutrinas cristãs reduzem grandemente qualquer improbabilidade que o mal pareceria lançar contra a existência de Deus.

3. Relativamente ao escopo total das evidências, a existência de Deus é provável. As probabilidades dependem relativamente das informações preliminares consideradas. Por exemplo, imaginemos que Joe estude na Universidade de Colorado. Agora, suponhamos que fomos informados de que 95% dos estudantes da Universidade de Colorado esquiam. Relativamente a essa informação, é altamente provável que Joe esquie. Mas imaginemos então que também sabemos que Joe tem membros amputados e 95% dos amputados da Universidade de Colorado não esquiam. De repente, a probabilidade de Joe ser esquiador diminuiu drasticamente!

Semelhantemente, se tudo o que se considera como informação preliminar for o mal que há no mundo, quase não surpreende que a existência de Deus pareça improvável relativamente a isso. Mas essa não é a questão real. A questão real é se a existência de Deus é improvável relativamente à evidência total disponível. Tenho a convicção de que, quando se considera a evidência total, então, a existência de Deus é bastante provável.

Permitam-me mencionar três evidências:

1. Deus proporciona a melhor explicação por que o universo existe em vez de nada. Já se perguntou alguma vez por que algo, em vez de nada, existe? Qual a origem de tudo? Tipicamente, os ateus afirmam que o universo é eterno e incausado. Porém, as descobertas da astronomia e da astrofísica ao longo dos últimos oitenta anos mostram que isso é improvável. Conforme o modelo de universo do big bang, toda matéria e energia — na verdade, até mesmo o espaço físico e o tempo — vieram a existir em algum momento cerca de 13,5 bilhões de anos atrás. Antes desse momento, o universo simplesmente não existia. Portanto, o modelo do big bang requer a criação do universo a partir do nada.

Ora, isso tende a ser muito embaraçoso para o ateu. O filósofo ateu Quentin Smith escreveu:

A reposta de ateus e agnósticos a essas novidades tem sido comparativamente fraca — na realidade, quase invisível. Um silêncio incômodo parece ser a regra, quando se levanta a questão entre incrédulos […] Não é difícil achar a razão para o constrangimento dos não-teístas. É o que sugere Anthony Kenny com a sua declaração: “Quem propõe a teoria [do big bang], ao menos se for ateu, tem de acreditar que a matéria do universo veio do nada e por nada”.

Essa dificuldade não afronta jamais o cristão teísta, uma vez que a teoria do big bang somente confirma o que ele sempre acreditou: no princípio, Deus criou o universo. Agora, pergunto-lhes: o que é mais plausível: que o cristão teísta esteja certo ou que o universo passou a existir incausado a partir do nada?

2. Deus proporciona a melhor explicação para a ordem complexa que existe no universo. Durante os últimos 40 anos, os cientistas têm descoberto que a existência de vida inteligente depende do complexo e delicado equilíbrio das condições iniciais dadas no próprio big bang. Sabemos agora que universos desfavoráveis à vida são vastamente mais prováveis do que qualquer universo favorável à vida, como o nosso. Quanto são mais prováveis?

A resposta é que as possibilidades para que o universo seja favorável à vida são tão infinitesimais quanto incompreensíveis e incalculáveis. Por exemplo, uma única mudança na força da gravidade ou na força nuclear fraca em apenas uma parte em 10100 impediria a existência de um universo favorável à vida. A dita constante cosmológica “lambda” que regula a expansão inflacionária do universo e é responsável pela recém-descoberta a aceleração da expansão do universo está ajustada precisamente em cerca de uma parte em 10120. Roger Penrose, físico da Universidade de Oxford, calcula que a probabilidade de a condição de entropia especialmente baixa do nosso universo, da qual depende nossa vida, ter subido totalmente por acaso é no mínimo tão pequena quanto cerca de uma parte em 1010(123). Penrose comenta: “Não me lembro jamais de ter visto na física algo cuja precisão conhecida se aproxime, mesmo remotamente, do número de uma parte em 1010(123)”. Há múltiplas quantidades e constantes que devem ser ajustadas com tal precisão para que o universo seja favorável à vida. E não basta que cada quantidade individual tenha de ser ajustada perfeitamente; as proporções entre elas também têm de ser ajustadas com precisão. Assim, improbabilidade multiplica improbabilidade que multiplica improbabilidade até que nossa mente esteja enrolada em números incompreensíveis.

Não existe nenhuma razão física para que essas constantes e quantidades sejam os valores que são. O físico Paul Davies, ex-agnóstico, comenta: “No curso do meu trabalho científico, passei a acreditar cada vez mais fortemente que o universo físico é formado com uma engenhosidade tão extraordinária que não posso aceitá-lo meramente como fato bruto”. Semelhantemente, Fred Hoyle observa: “A interpretação dos fatos pelo senso comum sugere que um superintelecto tem aprontado travessuras com a física”. Robert Jastrow, ex-dirigente do Instituto Goddard para Pesquisas Espaciais, da NASA, chama isso de a mais forte evidência que a ciência já produziu a favor da existência de Deus.

A visão que os teístas cristãos sempre defenderam — que existe um projetista inteligente do universo — parece fazer muito mais sentido do que a visão ateísta de que o universo, quando apareceu de modo incausado a partir do nada, foi ajustado pelo acaso com uma precisão incompreensível, para ser favorável à existência de vida inteligente.

3. Valores morais objetivos no mundo. Se Deus não existe, não existem valores morais objetivos. Há muitos teístas e ateus que concordam igualmente nessa questão. Por exemplo, o filósofo da ciência Michael Ruse explica:

A moralidade não é menos uma adaptação biológica do que mãos, pés e dentes. Considerada como um conjunto de alegações racionalmente justificáveis sobre coisas objetivas, a ética é ilusória. Acho louvável que, ao dizerem “Ama o teu próximo como a ti mesmo”, as pessoas achem que estão se referindo acima e além de si mesmas. No entanto, tal referência é, de fato, desprovida de fundamento. A moralidade é somente um auxílio à sobrevivência e à reprodução […] e qualquer significado mais profundo é ilusório.

Friedrich Nietzsche, o célebre ateu do século XIX que proclamou a morte de Deus, entendia que a morte de Deus significava a destruição de todo sentido e valor da vida.

Acho que Friedrich Nietzsche estava certo.

Aqui é preciso ser muito cuidadoso. Neste ponto, a questão não é: “Temos de acreditar em Deus para viver vidas morais?”. Não estou afirmando que temos. A questão também não é: “Somos capazes de reconhecer valores morais objetivos sem acreditar em Deus?”. Penso que podemos.

Antes, ao contrário, a questão é: “Se Deus não existe, existem realmente valores morais objetivos?”. Assim como Ruse, não vejo nenhuma razão para pensar que, na falta de Deus, a moralidade gregária que evoluiu com o Homo sapiens seja objetiva. No fim das contas, se não há Deus, o que há de tão especial nos seres humanos? Eles não passam de subprodutos acidentais da natureza, que evoluiu até relativamente pouco tempo numa partícula infinitesimal de poeira perdida em algum lugar num universo hostil e irracional, condenados a perecer individual e coletivamente num intervalo de tempo relativamente curto. Do ponto de vista ateu, certas ações, digamos, como o estupro, podem não ser biológica nem socialmente vantajosas e, portanto, no curso do desenvolvimento humano tornaram-se tabu; isso, no entanto, não serve absolutamente em nada para provar que o estupro seja realmente errado. Do ponto de vista ateu, não há nada realmente errado ao estuprar alguém. Assim, sem Deus, não há nada absolutamente certo ou errado que se imponha à nossa consciência.

O problema é que valores objetivos realmente existem, e lá no íntimo profundo todos nós sabemos disso. Há tanta razão para negar a realidade objetiva de valores morais quanto para negar a realidade objetiva do mundo físico. Ações como estupro, crueldade e abuso infantil não são apenas comportamento social inaceitável: são abominações morais. Algumas coisas são realmente erradas.

Assim, de modo paradoxal, o mal serve de fato para estabelecer a existência de Deus. Pois, se valores objetivos não podem existir sem Deus e valores objetivos realmente existem — como evidenciado pela realidade do mal —, conclui-se inevitavelmente que Deus existe. Portanto, embora em certo sentido o mal ponha em dúvida a existência de Deus, em sentido mais fundamental ele demonstra a existência de Deus, visto que o mal não poderia existir sem Deus.

Esses argumentos são apenas parte das evidências de que Deus existe. O proeminente filósofo Alvin Plantinga apresentou aproximadamente duas dúzias de argumentos para a existência de Deus. A força cumulativa desses argumentos torna provável a existência de Deus.

Resumindo, se minhas três teses estiverem certas, o mal não torna improvável a existência do Deus dos cristãos. Antes, ao contrário, considerando-se o escopo total das evidências, a existência de Deus é provável. Assim, o problema intelectual do mal não consegue arruinar a existência de Deus.

Mas isso nos leva ao problema emocional do mal. Penso que a maioria das pessoas que rejeita Deus pela existência do mal no mundo não o faz realmente por dificuldades intelectuais; antes, é um problema emocional. Elas somente não gostam de um Deus que permite que elas e outros sofram e, portanto, não querem nada com ele. Elas adotam simplesmente um ateísmo de rejeição. Teria a fé cristã algo a dizer a tais pessoas?

Com certeza, tem! Pois ela nos diz que Deus não é um Criador distante nem um ser impessoal, mas um Pai amoroso que partilha conosco de nossos sofrimentos e feridas. O Prof. Plantinga escreveu:

Do modo como os cristãos veem as coisas, Deus não fica de lado sem fazer nada, observando friamente o sofrimento de suas criaturas. Ele participa e partilha de nossos sofrimentos. Ele suporta a angústia de ver seu Filho, a segunda pessoa da Trindade, enviado para a morte amarga, cruel e vergonhosa da cruz. Cristo estava pronto para suportar as agonias do próprio inferno […] para vencer o pecado, a morte e os males que afligem nosso mundo, e para conceder-nos uma vida mais gloriosa do que podemos imaginar. Ele estava pronto para sofrer em nosso lugar, para aceitar padecer aquilo que não somos capazes de imaginar.

Veja, Jesus suportou um sofrimento que ultrapassa qualquer compreensão: ele suportou o castigo pelos pecados do mundo inteiro. Nenhum de nós é capaz de compreender tal sofrimento. Embora fosse inocente, ele recebeu voluntariamente sobre si o castigo que nós merecíamos. E por quê? Porque ele nos ama. Como podemos rejeitar aquele que tudo deu por nós?

Quando compreendemos seu sacrifício e amor por nós, isso posiciona o problema do mal em perspectiva inteiramente diferente. Pois agora vemos claramente que o problema do mal é o problema no nosso mal. Cheios de pecado e moralmente culpados diante de Deus, a questão que enfrentamos não é como Deus pode se justificar diante de nós, mas como nós podemos ser justificados diante dele.

Assim, paradoxalmente, ainda que o problema do mal seja a maior objeção para a existência de Deus, no final das contas Deus é a única solução para o problema do mal. Se Deus não existe, estamos perdidos e sem esperança numa vida cheia de sofrimento gratuito e sem redenção. Deus é a resposta final para o problema do mal, porque ele nos redime do mal e nos traz para a alegria eterna e o bem imensurável da comunhão consigo mesmo.

Read more: http://www.reasonablefaith.org/portuguese/o-problema-do-mal#ixzz1wAvs80G8

“180” Movie Holocausto e Aborto

Olá irmãos acabo de assistir este video e me alegrei a ponto de pedir para que todos os que assistirem este video repassem e divulguem de alguma maneira para seus parentes, amigos, conhecidos, em suas redes sociais etc, o video mostra uma visão muito coerente sobre o paralelo do Holocausto de Auschwitz e o aborto e como os jovens deste video tem uma convicção moral dentro de seus corações mas estão sendo enganados pela mídia e pela política que diz que o aborto é um direito de escolha de uma mulher.

Assistam o video e comente no post, se esse video mudou sua maneira de ver o aborto ou se não mudou em nada e porque não mudou.
Fiquem com Deus e espero seu comentário.

“Complete a frase para mim: ‘Não há problema em matar um bebê no útero quando…’”.

Com algumas perguntas simples, e apelando para a lógica mais elementar acerca do valor da vida de um bebê, um repórter esclarece jovens acerca da insanidade que é o aborto, e de quantos bebês já morreram nos Estados Unidos desde a legalização dessa prática assassina. Ele evoca a história da Alemanha, que por se deixar levar de forma irracional pelos slogans nazistas, fez o mundo mergulhar na maior guerra da história, com quase 60 milhões de mortos.

A relevância, a verdade e a justiça inerentes à doutrina cristã também são ressaltadas de forma incisiva no documentário.

Salve Maria

“É possível acreditar em Deus usando a razão”, afirma William Lane Craig

“É possível acreditar em Deus usando a razão”, afirma William Lane Craig

O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia
William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos"William Lane Craig: “Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos” (Divulgação)

“Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. ‘Isso Funciona? Não importa se é verdade, quero saber se funciona'”

William Lane Craig

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

“Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério”, disse. “Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável”, continuou. “Normalmente as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo”. Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. “Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso”, escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros —  entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Perfil

Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé Cristã; Em Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.

Por que deveríamos acreditar em Deus? Porque os argumentos e evidências que apontam para a Sua existência são mais plausíveis do que aqueles que apontam para a negação. Vários argumentos dão força à ideia de que Deus existe. Ele é a melhor explicação para a existência de tudo a partir de um momento no passado finito, e também a para o ajuste preciso do universo, levando ao surgimento de vida inteligente. Deus também é a melhor explicação para a existência de deveres e valores morais objetivos no mundo. Com isso, quero dizer valores e deveres que existem independentemente da opinião humana.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes? Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.

Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus? Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião? A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’? Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente? Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta? As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural? A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus? Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução? Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo? A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade? As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade? Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos? Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

Fonte:http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-possivel-acreditar-em-deus-usando-a-razao-afirma-william-lane-craig

Técnica: Deus é um velho de barba

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Voltando a ler as técnicas neo-ateístas no blog do SnowBall , e li um que ainda não havia lido e achei muito interessante pelo fato de apresentar como a mentalidade ateísta vê Deus ¨como um velho barbudo¨  mas porém está mentalidade não está só na mente de ateus mas sim de muitos leigos, como é uma visão metafórica de Deus não à nada de mal desde que não façamos disso uma verdade absoluta. Então achei interessante postar esse texto para que os Cristãos também entendem claramente a visão real de Deus e não caiam nesses truques baratos do militantes seculares (neo-ateus).
Vamos ao post:

Nessa técnica, o neo-ateu continuará com a inversão psicótica, dizendo, basicamente, que o oponente acredita em algo como um velhinho vestido de branco, sentando em uma nuvem, manipulando o Universo. Como a ideia é ridícula, segue que Deus não existe.

Vejamos a aplicação que um neo-ateu dá a essa técnica em um caso prático:

Se for pra acreditar num ser com poderes mágicos, que deduzem ser um velhinho vestido de branco, porque estar escrito em um livro de varias paginas de forma pomposa, então Gandalf e o meu Deus

Aqui temos um combo de técnicas: a primeira é a definição de Deus como um velhinho humano. A segunda é a mesma técnica utilizada ao dizer que “Quadrinhos provam o Super-Homem” ou “Harry Potter prova a mágica”. Sobre essa, já falei aqui Outros truques (resumo) – Parte I [Bíblia x Harry Potter] e não vou me alongar nela nesse post, para evitar repetição.

Sobre a nova técnica, ela consiste em dar características materiais para Deus (como velho e vestido) e FINGIR que essa é a visão que o oponente (um teísta tradicional) acredita. Essa fraude intelectual é uma aplicação direta da falácia do espantalho e é facilmente refutável.

A definição de Deus é de um ser IMATERIAL. Se Deus é imaterial, não pode ter características materiais como ser velho. Além disso, a Filosofia também pode demonstrar a imaterialidade de Deus.  Com os vários argumentos para a existência de Deus podem nos garantir inferências sobre a natureza dEle.

No Argumento Cosmológico, por exemplo, fala-se de uma causa primeira para o Universo. Se o Universo representa toda classe material existente, então algo que o causou deve ser imaterial. Motivo: se a causa fosse material, então o que entendemos por Universo (realidade material e física) já existiria, caindo em contradição ao falar de “causa para o Universo’. Existir uma matéria anterior ao surgimento da matéria é, obviamente, uma contradição lógica. Portanto, se há uma causa primeira, que é o que os religiosos entendem por Deus, ela deve ser imaterial.

Também sabemos que uma das características de Deus também é ser onipotente. Mas onipotência implica em imaterialidade, como eu argumentei no seguinte post: Deus – características (Final). Vejamos o que eu disse por lá:

Mas se o ser onipotente é material, então ele é materialmente limitado em sua constituição. Vamos pensar, por exemplo, que esse ser é um ser do formato de uma bola de 1cm³. Logo, esse ser não seria capaz de estar presente em locais que excedam sua limitação material. Mas estar presente é um tipo de potência – e o mesmo serve para qualquer outro tipo de limitação material. Logo, um ser onipotente é um ser que não é limitado materialmente na sua composição; isto é, é imaterial. Um ser imaterial é um ser cuja composição não é limitada de nenhuma forma material; e também é um ser onipotente e onisciente sabe tudo sobre qualquer coisa e é capaz de tomar toda ação possível em qualquer lugar, simultaneamente. Então ele está exercendo seu poder e sabedoria sobre todos os lugares, sem nenhum tipo de limitação em presença. Disso, tiramos que ele é, na verdade, um ser imaterial onipresente.

Então, pela filosofia, sabemos que Deus é imaterial. Logo, os predicados materiais que o neo-ateu tentou aplicar a ele estão excluídos automaticamente.

Talvez ele contra-argumente dizendo: “Ok, Deus, como causa primeira e como ser onipotente, deve ser imaterial. E barba e idade são características materiais que um ser material não pode ter. Mas isso é Filosofia. Na Bíblia, Deus é descrito como um corpo”. Para provar, ele pode citar o Ancião dos Dias referido no livro de Daniel:

Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres.

Estando eu a considerar os chifres, eis que, entre eles subiu outro chifre pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de homem, e uma boca que falava grandes coisas.

Eu continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e um ancião de dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e o cabelo da sua cabeça como a pura lã; e seu trono era de chamas de fogo, e as suas rodas de fogo ardente.

Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e milhões de milhões assistiam diante dele; assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.

Isso demonstra que Deus é material? Obviamente não. Todo o livro de Daniel é claramente simbólico (o quarto animal, dez chifres, olhos, rio de fogo, etc) e as imagens aí descritas não são feitas para serem tomadas literalmente, mas lidas por interpretação. E é até fácil entender o simbolismo em relação ao “Rei Ancião”. A descrição de “ancião” é um simbolismo para a eternidade divina, enquanto o trono reflete a soberania de Deus. A própria Bíblia confirma, em Óseias, que os profetas devem ser entendidos em termos de metáforas: “Falarei aos profetas e multiplicarei as visões, e pelos profetas falarei em parábolas”.

Mas a Bíblia está certa ao utilizar comparações corporais para falar de Deus? Aí vamos a Tomás de Aquino (que já dava chineladas nos neo-ateus 700 anos antes de eles existirem, diga-se de passagem). Diz ele na Suma Teológica:

RESPONDO: Convém a Escritura Sagrada nos transmitir verdades divinas e espirituais mediante a comparação com imagens corporais. Deus provê tudo de acordo com a capacidade da natureza de cada um. Ora, é natural ao homem elevar-se do sensível ao inteligível, pois todo nosso conhecimento se origina a partir dos sentidos. É, então, conveniente que na Escritura Sagrada as realidades espirituais nos sejam transmitidas por meio de metáforas corporais. (…) Além disso, sendo a Escritura proposta à todos, (…) é lhe conveniente apresentar as realidades espirituais mediante as imagens corporais, a fim de que as pessoas simples a compreendam; elas que não estão aptas a aprender por si mesmas as realidades inteligíveis”.

Ou seja, ela não só está certa, como até deve utilizar esse tipo de metáfora, pois isso facilita a assimilação de quem Deus é de uma forma geral. Não há problemas com esse tipo de comparação.

Algum desonesto (e eles estão na rede em profusão) poderá dizer que isso é só uma adaptação aos tempos modernos e que Deus nunca foi visto como um ser imaterial, sendo somente agora que estamos adaptando por algum motivo qualquer.

Essa informação é, obviamente, falsa. A Bíblia JÁ concordava com a descrição. Em João 4, 21, se lê que “Deus é um espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”. E em São Paulo vemos “Só a Deus, rei dos séculos e invisível” (1 Tm 1, 17) e “As coisas invisíveis de Deus tornam-se visíveis por meio das coisas criadas” (Rm 1, 20). Se o neo-ateu quiser utilizar o entendimento de Deus como uma pessoa material baseado na Bíblia (que, para um adulto, é digno de retardo mental), o problema é dele, pois esse é um país livre. Mas isso não significa que ele terá fundamentos intelectuais honestos para isso.

Enfim, parar refutá-lo, lembre disso:

  • (1) A definição de Deus é de um ser além de toda matéria. Como “Barba” e “Velho” são aspectos materiais de um ser, Deus não pode ser material;
  • (2) A definição de Deus como imaterial é a posição teológica padrão, advinda tanto da filosofia como da interpretação correta da Bíblia (no caso dos cristãos);
  • (3) Quando a Bíblia utiliza qualidades corporais para falar de Deus, isso é para facilitar a assimilação de um simbolismo, coisa que é feita em todo tipo de literatura (e excluir só a Bíblia de ser passível desse tipo de análise seria picaretagem);

Com esses pontos em mãos, o erro ficará neutralizado.

Fonte:http://teismo.net/quebrandoneoateismo/2011/05/27/tcnica-deus-um-velho-de-barba/

Técnica: Fé é, por definição, crer contra ou sem evidências

Esse truque é clássico. Certamente, na época em que eu debatia, ele era um dos mais frequentes em termos de aplicação (como sempre, faço a ressalva: você não precisa acreditar nessa informação. Mas dou uma dica: estude e DEBATA. O crescimento e a experiência que você ganha com o debate direto é impressionante). A estrutura do truque é simples: o neo-ateu dirá que você, por ser cristão, tem fé (o que é verdade). Em seguida, definirá a fé como a “crença contra as evidências” ou ainda “crença sem evidências”. Como o vocábulo ‘fé’ significa isso e, você tem fé, então sua crença é contra as evidências ou, no mínimo, ausente delas. Aí ele sairá cantando vitória e jogando para a torcida a sua “superioridade” contra o “crente” que “aceita acreditar sem evidências”.

Que a malandragem desse truque passa de quaisquer limites aceitáveis, não há dúvidas. Mas isso não é motivo para ficarmos calados e sim MAIS UM motivo para refutá-lo incisivamente.

A técnica se baseia no truque erístico da homonímia sutil. Isso ocorre quando duas pessoas, em um mesmo debate, utilizam um certo vocábulo e, aparentemente, estão falando da mesma coisa, quando na verdade a definição por trás do signo utilizado por ambos (nesse caso, ‘fé’) é completamente diferente. Vamos a um exemplo: eu chego num debate e afirmo “Eu acredito em Deus”. Ao ouvir isso, o neo-ateu dificilmente pensará que eu acredito no Puro Ato, no ‘esse ipsum subsistens’ (para utilizar a fórmula clássica), o ser perfeito sem nenhuma composição de ato ou potência, matéria e forma, essência e existência, mas sim em algum tipo de monstro super-humano e super-complexo que, de alguma forma, teve a sorte de (supostamente) ser o primeiro ser e iniciar seus caprichos quando deu na telha (isso se ele não acreditar que Deus está localizado em alguma parte do espaço). Nós dois estaremos fazendo uso do termo ‘Deus’ no debate, mas as nossas concepções sobre o que é Deus são praticamente opostas. A partir daí, ele utilizará a concepção (falsa) dele para me atacar de forma sistemática.

E o mesmo se dá no caso da fé. O neo-ateu tem a crença de que “fé” é “acreditar contra as evidências” (e essa crença possivelmente foi imposta a ele por meio de toneladas de propaganda em vídeos do youtube, imagens, livros de Dawkins, etc). Quando ele te perguntar se você tem fé e você responder “sim”, não importa o que você tinha em mente ao responder; ele se guiará pelo framework conceptual dele e começará a te atacar e ridicularizar imediatamente.

Para neutralizar essa técnica, lembre-se disso: ele JAMAIS pode proceder e DEFINIR o que significa o termo quando você é perguntado se acredita naquilo. Quem tem que fazer isso é VOCÊ. “Eu acredito nisso, mas isso significa TAL e TAL coisa para mim”. Assim, basta deixar CLARO, desde o início, o que significa “fé”, não deixando espaços para a difamação subsequente.

“Mas, Snow, então o que significa fé?” Isso é o que eu explicarei agora, na segunda parte do artigo (a primeira introduz o estratagema e ensina como neutralizar o truque, conforme exposto acima).

No dia a dia, “fé” significa simplesmente a confiança que temos em alguém ou algo. Por exemplo, imagine que o blogueiro Luciano Ayan fosse convidado para um debate contra uma figurinha carimbada da esquerda e um dos seus leitores, nos comentários, escrevesse: “Eu tenho fé que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista”. Se convertermos essa frase para “Eu confio que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista” NÃO há perda de significado. (Não sou filólogo, mas já li inclusive que a formação da palavra “confiança” se deu, na origem, exatamente pela a união dos termos “com” e “fides” [fé, em latim], o que explica a igualdade de sentido).

Esse pode ser um dos significados usados para definir a fé. Como eu disse em outro artigo, o contato da pessoa com o Cristianismo normalmente se desenvolve através de tentativas “DIRETAS” de relação com Deus. A partir daí, surge a fé na religião, que é a CONFIANÇA que Deus se relaciona com ela por aqueles meios. Se a pessoa nunca teve um pedido atendido ou nunca teve uma experiência religiosa, por exemplo, então é plausível pensar que a fé dela não vai ser alta. E o inverso também é verdadeiro.

Mais tradicionalmente, há uma definição teológica para a fé. Segundo Parente, Piolanti e Garofalo, no Dicionário de Teologia Dogmática, fé é “a adesão do intelecto, sobre a influência da graça de Deus, a uma verdade revelada por Deus, não por sua evidência intrínseca mas na base da autoridade que a revelou”.

Uma leitura superficial pode dar a impressão de que os neo-ateus estavam corretos, pois, afinal, a adesão do intelecto não se dá na base “da evidência intrínseca”. Mas uma observação detalhada demonstra que a história NÃO é bem assim.

O conhecimento pode ser descrito como a união do intelecto com o objeto inteligível (talvez essa definição necessite de algumas correções, mas isso não é o de interesse no momento). Uma verdade só nos é inteligível na medida em que ela se torna evidente para nós;  essa evidência pode vir de várias formas, como de forma imediata ou mediata. Entre as coisas imediatamente conhecidas, estão, por exemplo, a lei da não contradição e verdades matemáticas simples (como 1+1=2). Em relação a outras verdades, nós não a conhecemos de forma direta, mas ATRAVÉS de uma outra verdade que conhecemos. Por exemplo: eu não sou cientista e não tenho vergonha de dizer que não entendo profundamente a estrutura molecular das bactérias. Mas suponha que eu vá a uma conferência de cientistas certificados na matéria e verifique que o consenso, entre eles, é de que a estrutura molecular das bactérias é composta pelos elementos “XYZ”. Eu sei que a referida comunidade científica é confiável e sei que eles me informam esse último dado; logo, meu intelecto adere à verdade revelada por eles.

E como se deu essa adesão do meu intelecto? Não na base da evidência intrínseca do fato (que eles conhecem, mas eu, um leigo, não), mas na base da autoridade (a comunidade científica) que a revelou. Como a autoridade é humana e falível, esse conhecimento também é falível. Mesmo assim, ele não deixa de ser racional. Crer em algo não pela evidência intrínseca, mas pela evidência indireta que justifica essa crença é algo ABSOLUTAMENTE natural. Rejeitar tal forma de adesão do intelecto a uma verdade é, em resumo, rejeitar todo empreendimento científico.

No aspecto teológico, a fé é vista de forma semelhante. A fé envolve crer em alguma coisa da qual não podemos ter o conhecimento direto, mas que sabemos que devemos acreditar pois Deus, que é onisciente e infalível, nos revelou. Ela é baseada nas evidências (ao contrário do que o neo-ateu diria) na medida em que o fato de que Deus revelou tal e tal verdade, na visão tradicional, tanto pode quanto É justificado racionalmente de forma independente.

É por esse mesmo motivo que, tradicionalmente, existe a diferença entre os “artigos de fé” e os “preâmbulos da fé”. Os artigos são os objetos específicos que, em tese, só podemos conhecer através da Revelação de Deus. Os Preâmbulos da Fé são constituídos do conhecimento natural que JUSTIFICA a adesão do intelecto aos artigos de fé. É por isso que, ao comentar a existência de Deus, São Tomás de Aquino, na Suma Teológica (Parte I, Questão 2, Resposta à Objeção 1) diz que “A existência de Deus e outras verdades a Seu respeito que podem ser conhecidas pela razão natural não são artigos de fé, mas preâmbulos aos artigos, pois a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição supõe algo que pode ser aperfeiçoado.” Como diz Edward Feser, “Em resumo, a razão nos diz que Deus existe e que ele revelou tais-e-tais verdades; fé é, então, uma questão de acreditar naquilo que a razão demonstrou que Deus revelou. Nesse sentido, a fé não só não está em conflito com a razão como ela está baseada nela”.

Observe que eu não inventei nada. Eu somente expus a visão que, pela minha pesquisa, é considerada a mais tradicional no seio do Cristianismo. Se algum neo-ateu vier e falar que “Ah, mas o pastor João da minha Igreja que começou na semana passada disse que fé é acreditar sem razões e ele é cristaum por isso voce nao pode dar essa definicao no seu artigo seu mentirosos!!!!!” ele vai estar COMPLETAMENTE fora do ponto. É óbvio que uma pessoa menos sofisticada pode ter aquele entendimento da fé, mas se estamos falando da versão mais sofisticada do Cristianismo, temos que ir ATÉ os cristãos mais sofisticados para ver o que eles dizem (caso contrário, fica configurada a técnica Seleção Interessada de Representantes da Religião).

Em resumo:

  • (1) O truque consiste em ele usar a PRÓPRIA definição de fé para dizer naquilo que VOCÊ acredita (e se é você que acredita, então é você que sabe qual a definição utilizada que constitui o objeto de sua crença);
  • (2) Portanto, para refutá-lo, deixe claro DESDE O INÍCIO o que significa “fé” no sentido que você adere;
  • (3) No sentido mais simples (do dia-a-dia), “fé” é o mesmo que “confiança” em algo ou alguém, e é, possivelmente, gerada pela relação direta que a pessoa desenvolve (ou pensa desenvolver) com Deus através de práticas cristãs que lhe dão a sensação de o Cristianismo é digno de confiança e, portanto, verdadeiro;
  • (4) No sentido mais sofisticado, a fé é definida como “a adesão do intelecto, sob a influência da graça de Deus, a uma verdade não pela evidência intrínseca, mas na base da autoridade que a revelou”. A adesão é gerada por evidências indiretas, o que não faz a fé ser a “crença sem evidências”, pois ela está baseado nos PREÂMBULOS, que a justificam anteriormente;

Enfim, a desonestidade intelectual é a de sempre. E em relação a esse truque específico, você já tem a base para refutá-lo.

Fonte:http://teismo.net/quebrandoneoateismo/2012/02/21/tcnica-f-por-definio-crer-contra-ou-sem-evidncias/