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História da Igreja (parte 2)

História da Igreja parte II

 UmaHistoriaQueNaoEContada

OS TEMPOS BÁRBAROS (400-1050)

Depois vieram os terríveis tempos bárbaros; quando então desabou a
civilização romana; prevaleceu durante os séculos V a XI. Foram seis
séculos em que se formaram os mais variados povos e civilizações, uma
verdadeira encruzilhada da História na qual a Igreja começou a desempenhar o papel de “guia moral e espiritual” (D. Rops) desse mosaico de povos bárbaros que ocuparam a Europa. Nenhuma Instituição ficou de pé, a não ser a Igreja Católica.

No Ocidente, as invasões das tribos germânicas causaram devastações
a partir do século IV; houve em consequência, o despovoamento de várias regiões. Em virtude da situação caótica assim instaurada a implantação do cristianismo foi mais lenta do que no Oriente. Ainda em fins do século VI, o Papa São Gregório I Magno 590-604 referia-se ao paganismo existente nas ilhas da Sardenha, da Córsega e em regiões distantes, O número de cristãos no Ocidente, por volta do ano de 600, era de 7 a 8 milhões numa população global de cerca de 10 milhões. Por esses números verificamos que o Cristianismo se impôs pela força de sua doutrina e capacitação dos seus filhos monges e bispos. (D. Rops)
Nem todos esses cristãos haviam recebido, porém., sólida catequese;
os povos germânicos se convertiam ao Evangelho coletivamente, seguindo o exemplo de seu chefe, como era a norma dos povos antigos. Havia muitos batizados ministrados sem a devida catequese; por isso, esses cristãos guardaram ainda muitas das suas práticas supersticiosas (magia, astrologia…) e não podiam dar um testemunho de vida fervoroso e coerente como as comunidades dos primeiros séculos ofereciam ao mundo pagão.
Não é difícil entender esta realidade; a catequese não se faz de maneira rápida.

A AÇÃO EVANGÉLICA DA IGREJA

A Igreja, através dos seus bispos e missionários, dedicou-se à ação
evangelizadora desses povos para converter em verdadeiros cristãos aqueles que haviam abraçado a fé superficialmente. A obra missionária foi grandemente favorecida pelo conteúdo da mensagem evangélica. Este era muito superior ao das crenças pagãs. O anúncio das verdades cristãs, corriqueiras para quem já nasceu em civilização cristã, era altamente significativo para os pagãos.
Assim, já nos tempos de Constantino e Juliano séc. IV) as instituições e as normas do Direito Civil foram sendo impregnadas de espírito cristão, sobretudo no que diz respeito à mulher à criança, à família, ao trabalho e até à guerra. Era algo novo para os bárbaros e os conquistava.
Além da função evangelizadora, os Bispos tiveram que assumir também tarefas de ordem temporal, pois o Ocidente se achava debaixo das, invasões bárbaras e os Imperadores, residentes em Bizâncio (Oriente),
pouco se importavam com as populações ocidentais. E bom recordar que em 313 o Imperador Constantino transferiu a sede do Império para
Bizâncio, cujo nome passou a ser Constantinopla, hoje Istambul, na
Turquia.
Em meio à desordem, os Bispos tiveram que administrar os bens materiais das suas comunidades, como também foram levados a proteger,
alimentar e abrigar as populações mais carentes. Em particular, destacou-se a figura do Papa São Leão Magno (440-461): era romano, de
caráter nobre e corajoso. Foi ao encontro de Atila, rei dos Hunos, nas
proximidades de Mântua em 452, persuadindo-o a não destruir Roma;
em 455, dirigiu-se ao rei dos vândalos, Genserico, que, atendendo ao
Papa, renunciou a depredar a cidade de Roma.

  Leão Magno Socorreu os romanos com os seus bens, fazendo o que não fazia o representante do Imperador residente em Ravena.
Outra figura de Bispo notável foi a de São Martinho de Tours (316.397) na Gália, França. Recebeu o Batismo aos dezoito anos de idade; tornou-se monge e, depois, foi feito Bispo. Introduziu o monaquismo na França e mandou ordenar como presbíteros os seus monges; em conseqüência, os monges na França se tornaram os mestres de espiritualidade e os responsáveis pela configuração da Igreja. Além disso, São Martinho se dedicou intensamente à evangelização das zonas rurais, onde o apego aos costumes próprios resistia à penetração do Evangelho: montado em um jumentinho e pobremente equipado, ia          S. Martinho de aldeia em aldeia chamando para Cristo todos os homens.
Outros grandes nomes de Bispos defensores das populações e da civilização podem ser citados: São Paulino de Nola (353-431),         S. Máximo de Turim (465), S. Agostinho de Hipona (430), S. Hilário de Poitiers (315-367), S. Pedro Crisólogo (450) de Ravena, e outros.
Pode-se dizer que foi a Igreja quem salvou a Civilização na tempestade das invasões bárbaras e assegurou a união dos habitantes do Império Romano. Na falta de um Governo forte no Ocidente, os Bispos tinham que assumir não somente a pregação do Evangelho, mas também a administração dos bens da sua Comunidade, o contato com os bárbaros, a
proteção e a alimentação das populações carentes. Daí já é possível começar a entender por que a Igreja liderou o Ocidente, por tanto tempo.

A Igreja Católica foi a única Instituição a permanecer de pé entre os
escombros do Império Romano; e ficou em seus ombros a responsabilidade de “defensora da cidade” no momento em que os povos bárbaros assaltavam a Europa. Foi uma hora difícil: a decadência do mundo antigo era clara e inevitável, mas a cultura e a civilização estavam ligadas a este mundo, e coube à Igreja o difícil e sábio papel de conservar o que era necessário salvar e construir a nova Civilização.
Os bárbaros, apesar de se sua brutalidade, representavam o futuro, e
a Igreja soube entender isso mesmo no meio do caos social que se seguiu às invasões. Ela então passou à ofensiva, numa obra missionária corajosa e perseverante como fizeram os primeiros Apóstolos. Começou então a conquistar para Cristo os povos célticos do Norte, irlandeses e bretões, e estabeleceu a base que lhe permitiu, reconquistar depois a Gália (França) e a Península Ibérica, para depois avançar até ao próprio centro do paganismo germânico, a Saxônia e os países nórdicos. (D. Rops)
Em 476 a cidade de Roma caiu nas mãos dos godos. O primeiro rei godo, Odoacro, foi assassinado, após deixar o trono, em 493. Sucedeu-lhe Teodorico, que tentou unificar os monarcas do Ocidente numa espécie
de confederação por ele governada; haveriam de aliar-se entre si francos, burgúndios, visigodos, vândalos, alamanos, turíngios… mas faltava, porém, a essa pretensa confederação uma cultura única: os súditos romanos e os guerreiros godos não tinham nem a mesma nacionalidade nem a mesma religião, formavam um mosaico de povos. Muitos bárbaros tinham  tornado cristãos arianos, seguidores da heresia de Ario; isto dificultou muito a sua evangelização.
Por outro lado, Clóvis, rei dos francos, converteu-se ao verdadeiro
cristianismo com seu povo, em 496, quando S. Remígio, bispo de Reims
o batizou. Conseguiu, pela mesma fé católica, unir entre si francos e
romanos. Todavia a dinastia que se seguiu, chamada de merovíngia, se
entregou ao declínio moral.
No Oriente, pelo contrário, Constantinopla, a antiga Bizâncio, isolou
se, e o domínio que os imperadores orientais (Basileus) quiseram exercer sobre a Igreja (o cesaropapismo), que cada vez mais chamavam para a si as questões de doutrina e de fé, deu origem a muitas discussões e disputas. Os desentendimentos enfraqueceram o cristianismo oriental, tornando-o presa fácil dos muçulmanos (maometanos), que surgiram a partir do século VII, e acabaram por conduzir a Igreja do Oriente ao rompi- mcnt() definitivo com a Igreja de Roma por ocasião do cisma de Cerulário, no século XI. Em 1054 a Igreja Ortodoxa se separou da Igreja Católica.
Um grande problema para a Igreja foram as heresias, que começaram
a surgir no seio da Igreja a partir do século III. Começou com o gnosticismo combatido por Santo Irineu de Lião (202), e continuou nos séculos IV a VIII. Surgiram as chamadas heresias cristológicas, sobre a Pessoa de Jesus Cristo e suas duas naturezas. A Igreja soube superar as heresias nos Concílios. Houve também um grande trabalho apostólico que chamará para Cristo toda a Europa oriental e a imensa nação da Rússia.
O Império romano do Oriente, por sua vez, se desinteressava por

Roma, além disso vivia a difícil disputa iconoclasta (heresia que mandava quebrar as imagens) que dividia ainda mais os latinos e gregos. Os imperadores de Constantinopla (bizantinos) favoreciam o iconoclasmo e desprezavam os ocidentais. isto gerou muitas discórdias.
O Papa Estêvão 11(752), então, houve por bem apelar para os francos, que se haviam tornado “a nação primogênita da Igreja”, porque
foram os primeiros bárbaros que foram batizados desde o rei Clóvis. O
administrador do palácio dos reis merovíngios era Pepino, o Breve, que
governava sem ser rei (o rei reinava, mas não governava). Houve, então,
um acordo entre Pepino e Estêvão II. O Papa reconheceu Pepino como
rei dos francos e Pepino reconheceu o Estado Pontifício confiado à administração autônoma do Bispo de Roma.

Surgia assim o Estado Pontifício, em 752, não como produto de conquistas bélicas nem de ganância por parte do Papa, mas como efeito de doações espontaneamente feitas pelos nobres cristãos da península itálica, que, ao entrarem para o mosteiro ou ao morrerem, doavam seus territórios ao Pontífice; constituiu-se desta maneira o “Patrimônio de São Pedro”, ampla extensão territorial (uma parte da Itália de hoje) que o Papa administrava sem outro titulo, mas apenas como Pastor da Igreja, muito respeitado e estimado pelos fiéis como mantenedor da ordem no tempo das invasões bárbaras e do descaso bizantino. O Papa, portanto, que era “de fato” o senhor temporal desse território, tornou-se o senhor “de direito” (de jure) das mesmas terras, quando Pepino reconheceu o Estado Pontifício. Este Estado durou até 1870 quando foi tomado da Igreja por Vítor Emanuel II na guerra de unificação da Itália. A Igreja perdeu poder temporal, mas ganhou muito poder espiritual.

A nova dinastia franca chegou ao seu ponto alto Com Carlos Magno(768-8 14), filho de Pepino, o breve. Em 800, foi coroado Imperador, na
noite de’ Natal, pelo Papa Leão III (795-816), instaurando assim o “Sagrado Império Romano da Nação Franca” — o que muito ofendeu os
bizantinos por verem um franco à frente do antigo império romano. Este
evento foi de grande importância, pois dava continuidade entre o império Romano antigo e o medieval. A Renascença de Carlos Magno (carolingia) trouxe um novo brilho de cultura, agora enriquecida pela visão cristã.
A hegemonia franca foi sucedida pela germânica, já que cm 962; com
Oto I se formou o “Sagrado Império Romano da Nação Germânica”.
Nesses séculos, o profano e o religioso se entrelaçavam. Pairava ante os olhos dos responsáveis o ideal da “Cidade de Deus”, já apresentado por S. Agostinho na sua obra “De Civitate Dei” (413-426).
Em 3 de julho de 987 se deu um fato importante: a coroação na
Catedral de Reims, na França, pelo arcebispo Adalberão, de Hugo, cognominado Capeto, “glorioso duque dos francos”, descendente de Carlos Magno. Na cerimônia da coroação real, houve o célebre “juramento real” em que o príncipe jura defender a Igreja e fazer reinar a justiça; a “eleição” pronunciada pelo arcebispo e a unção feita com o óleo bento da “santa ampola”, que segundo a lenda um anjo trouxe do céu no batismo de Clovis no ano 500. (D. Rops) .

Na Inglaterra, em 1017, o filho de Swein, Knut, foi reconhecido “rei
de todos os ingleses , era cristão fervoroso, multiplicou os mosteiros,
apoiou a reforma dos costumes e deu à legislação um caráter cristão. Fez uma peregrinação a Roma antes de morrer, para redenção da sua alma e salvação do seu povo, e aí, colocou o seu reino sob a obediência direta do Papa. Eduardo, o Confessor (1035-1066), seu sucessor, é santo. Assim também a Inglaterra fez parte da monarquia cristã da Idade Média.

Depois do reinado de Carlos Magno, a decadência se instaurou novamente no seio da Europa por causa da segunda invasão dos bárbaros: húngaros e vikings. Mas durante esses tempos de decadência moral, sempre se ergueram os movimentos de reforma, impulsionado pelo monaquismo de São Bento ou de Cluny, ou por figuras de grandes papas e bispos, como Gregório Magno, São João Crisóstomo, São Pedro Damião, São Francisco, S. Ângelo, S. Domingos e tantos outros santos.
Se ao longo, por exemplo, do difícil século X, deixaram de ser cristãos imensos territórios, da Mesopotánia à Espanha, por outro lado, por volta do ano 1000, graças a missionários como São Patrício, São Columbano, São Bonifácio, São Cirilo e São Metódio, o cristianismo se espalhou da Groenlândia ao Tibet.
Neste período muito difícil para a Igreja, ficou mais uma vez claro
que a Igreja não pode perecer, porque Cristo prometeu que “as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
Foi a Igreja que, nos seis séculos das invasões dos bárbaros, com S.Bento (séc. V) reconstruiu as elites dirigentes, preparou sem cessar o renascimento da civilização, enviou seus missionários ao núcleo das
massas bárbaras e convertendo os reis, preparou a fusão das raças de
onde nasceria a Europa. Foi a Igreja que nos seus conventos protegeu a
cultura e a arte; e foi ela que após Carlos Magno (f814), quando as
trevas de novo se abateram Contra a Igreja, impediu que a anarquia destruísse a Europa. (D. Rops)

 Fonte: Livro  ¨Uma História que não é contada¨ autor  Professor Felipe Aquino

Meus comentários

Obrigado leitores do blog, como havia prometido estou postando mais sobre a história da Igreja, acho que já deu para sentir o que nossa Santa Igreja fez para que nós tivéssemos tudo que nós temos hoje!
Sejamos gratos a Ela, Santa Igreja, esposa de Cristo! Continuem acompanhando o blog, colocarei as vidas dos Santos citadas nesse post.
Pax Domine,

História da Igreja parte 1

A IGREJA INDISPENSÁVEL

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Philip Jenkins, renomado professor de história e estudos religiosos da Pennsvlvania State Universiiy. Chamou ao             anti-catolicismo “o último preconceito aceitável nos Estados Unidos”. É difícil contestar esse juízo: nos nossos meios de comunicação e na nossa cultura popular, pouca coisa é inadmissível quando se trata de ridicularizar ou de satirizar a Igreja. Os meus alunos, quando tem alguma noção a respeito dela, só sabem mencionar a sua pretensa ¨corrupção¨.  Sobre a qual ouviram intermináveis histórias de duvidosa credibilidade dos seus professores do ensino médio. A questão é que, no ambiente cultural da atualidade. é fácil esquecer — ou não tomar conhecimento sequer – tudo aquilo que a nossa civilização deve à Igreja Católica. Muitos reconhecem que ela influenciou, sem dúvida, a música, a arte e a arquitetura, mas não vão além disso. Para o nosso estudante do ensino médio, a história do catolicismo pode ser- resumida em três palavras: ignorância, repressão e estagnação; ninguém fez o menor esforço por mostrar-lhe que a civilização ocidental deve à Igreja o sistema universitário, as ciências, os hospitais e a previdência, o direito internacional, inúmeros princípios básicos do sistema jurídico, etc. etc. O propósito deste livro é precisamente mostrar essas influências decisivas, mostrar que devemos muito mais à Igreja Católica do que a maior parte das pessoas — incluídos os católicos — costuma imaginar. Porque, para sermos exatos, foi ela que construiu a civilização ocidental. Como nem é preciso dizer, o Ocidente não deriva apenas do catolicismo; ninguém pode negar a importância da antiga Grécia e de Roma, ou das diversas tribos germånicas que sucederam ao Império Romano do Ocidente, como elementos formadores da nossa civilização. E a Igreja não só não repudiou nenhuma dessas tradições, como na realidade aprendeu e absorveu delas o melhor que tinham para oferecer. Nenhum católico sério pretende sustentar que os eclesiásticos tenham acertado em todas as decisões que tomaram. Cremos que a Igreja manterá a integridade da fé até o fim dos tempos, não que cada uma das ações de todos os papas e bispos que já houve esteja acima de qualquer censura. Pelo contrário, distinguimos claramente entre a santidade da Igreja. Enquanto instituição guiada pelo Espirito Santo, e a natureza inevitavelmente pecadora dos homens que a integram, Incluídos os que atuam em nome dela. Mas estudos recentes têm submetido a revisão uma série de episódios históricos tradicionalmente citados como evidências da iniquidade dos eclesiásticos e a conclusão a que chegam depõe em favor da Igreja. Hoje sabemos, por exemplo, que a Inquisição não foi nem de longe tão dura como se costumava retratá-la e que o número de pessoas levadas aos seus tribunais Foi muito menor – em várias ordens de magnitude!’ — do que se afirmava anteriormente. E isto não é nenhuma alegação nossa, mas conclusão claramente expressa nos melhores e mais recentes estudos. De qualquer modo, com exceção dos estudiosos da Europa medieval, a maioria das pessoas acredita que os mil anos anteriores à Renascença foram um período de ignoråncia e de repressão intelectual, em que não havia um debate vigoroso de idéias nem um intercâmbio intelectual criativo, e em que se exigia implacavelmente uma estrita submissão aos dogmas. Ainda hoje continua a haver autores que repetem essas afirmações. Numa das minhas pesquisas, deparei com um livro de Christopher Knight e Robert Lomas intitulado Second Messiah (“O segundo Messias”). cm que se traça um quadro da Idade Média que não poderia estar mais longe da realidade, mas que o público em geral “engole” sem hesitar, por força do preconceito e da ignorância reinantes. Podemos ler ali, por exemplo: “ O estabelecimento da era cristã romanizada marcou o começo da Idade das Trevas, esse período da história ocidental em que se apagaram todas as luzes do conhecimento e a superstição substituiu o saber. Esse período durou até que o poder da Igreja Católica foi minado pela Reforma”. E também: “ Desprezou-se tudo o que era bom e verdadeiro e ignoraram-se todos os ramos do conhecimento humano em nome de Jesus Cristo” . Hoje em dia, é difícil encontrar um único historiador capaz de ler semelhantes comentários sem rir, Essas afirmações contradizem frontalmente muitos anos de pesquisa séria, e no entanto os seus autores — que não são historiadores de profissão — repetem com inteira despreocupação esses velhos e gastos chavões. Deve ser frustrante lecionar história medieval! Por mais que se trabalhe e se publiquem evidencias em contrário, quase todo o mundo continua a acreditar firmemente que a Idade Média foi um período intelectual e culturalmente vazio e que a Igreja não legou ao Ocidente senão métodos de tortura e repressão. 0 que Knight e Lomas não mencionam é que, durante essa Idade das Trevas”, a Igreja desenvolveu o sistema universitário europeu, autêntico dom da civilização Ocidental ao mundo. Muitos historiadores se maravilham diante da ampla liberdade e autonomia com que se debatiam as questões naquelas universidades. E foi a exaltação da razão humana e das suas capacidades, o compromisso com um debate rigoroso e racional, a promoção da pesquisa intelectual e do intercâmbio entre os estudantes dessas universidades patrocinadas pela Igreja — foi isso que Forneceu as bases para a Revolução Científica.  Nos últimos cinquenta anos. Praticamente todos os historiadores da ciência — entre eles Alìstair C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki. Thomas Goldstcj e John L. Heilbron – chegaram à conclusåo de que a própria Revolução Científica se deveu à Igreja. E a contribuição católica para a ciência não se limitou às idéias — incluídas as teológicas — que tornaram possível o método científico; muitos dos principais inovadores científicos foram sacerdotes, como Nicolau Steno, um luterano converso que se tornou sacerdote católico e é considerado o pai da geologia, ou Athanasius Kircher, pai da egiptologia. ou ainda Rogério Boscovich, considerado freqüentemente o pai da teoria atômica moderna. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi ainda outro sacerdote, o pe. Giambattista Riccioli. E os jesuítas dominaram a tal ponto o estudo dos terremotos que a sismologia ficou conhecida como a “ ciencia jesuística” . E isso não é tudo. Poucos conhecem as contribuiçôes da Igreja no campo da astronomia, apesar de cerca de trinta e cinco crateras da Lua terem sido descobertas por cientistas e matemáticos jesuítas, dos quais receberam o nome. John L. Heilbron, da Universidade da Califórnia em Berkeley, comentou que durante mais de seis séculos — desde a recuperação dos antigos conhecimentos astronômicos durante a idade Média até o Iluminismo —, a Igreja Católica Romana deu mais ajuda financeira e suporte social ao estudo da astronomia do que qualquer outra instituição e provavelmente, mais do que todas as outras juntas’’. Mesmo assim, o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência continua a ser até hoje um dos temas mais completamente  silenciados pela historiografia moderna. Embora a importância da tradição monástica seja reconhecida em maior ou menor grau nos livros de História — todo o mundo sabe que, no rescaldo da queda de Ruina, os monges preservaram a herança literária do mundo antigo, para não dizer a própria capacidade de ler- e escrever —, o leitor descobrirá nesta obra que a sua contribuição foi, na realidade, muito maior. Praticamente não há ao longo da Idade Média nenhum empreendimento significativo para o progresso da civilização em que a intervenção dos monges não fosse decisiva. Os monges proporcionaram “a toda a Europa […] uma rede de indústrias-modelo, centros de criação de gado, centros de pesquisa, fervor espiritual, a arte de viver (…). a predisposição para a ação social, ou seja. […] uma civilização avançada, que emergiu das vagas caóticas da barbárie circundante. São Bento, o mais importante arquiteto do monacato ocidental, foi, sem dúvida alguma, o pai da Europa. E os beneditinos, seus filhos, foram os pais da civilização européia”. O desenvolvimento do conceito de Direito Internacional é normalmente atribuído aos pensadores e teóricos do direito dos séculos XVII e XVIII. Na realidade, porém, encontramos pela primeira vez esse conceito jurídico nas universidades espanholas do século XVI, e foi Francisco de Vitória, um sacerdote e teólogo católico e professor universitário, quem mereceu o título de pai do direito internacional. Em face dos maus-tratos infligidos pelos espanhóis aos indígenas do Novo Mundo. Vitória e outros filósofos e teólogos começaram a especular acerca dos direitos humanos fundamentais e de como deveriam ser as relações entre as nações. E foram esses pensadores que deram origem à idéia do direito internacional tal como hoje o concebemos.  Aliás, todo o direito ocidental é uma grande dádiva da Igreja. O direito canónico foi o primeiro sistema legal moderno a existir na Europa, demonstrando que era possível compilar um corpo de leis coerente a partir da barafunda de estatutos, tradições, costumes locais etc. que caracterizava tanto a Igreja como o Estado medievais. De acordo com Harold Berman. “a Igreja foi a primeira a ensinar ao homem ocidental o que é um sistema legal moderno. Foi a primeira a mostrar que costumes, estatutos, decisões judiciais e doutrinas conflitantes Podem ser conciliados por meio de análise e síntese”. A própria idéia de que o ser humano tem direitos bem definidos não se deve a John Locke e Thomas Jefferson – como muitos poderiam pensar —. mas ao direito canônico. E muitos outros princípios legais importantes do nosso direito também se devem à influência da Igreja, graças ao empenho milenar dos eclesiásticos em substituir as provas em juízo baseadas em superstições — como o ordálio -. que caracterizavam o ordenamento legal germânico, por procedimentos baseados na razão e em conceitos legais elaborados. De acordo com a história econômica tradicional, a economia moderna teria sido criada por Adam Smith e outros teóricos do século XVIII. Estudos mais recentes, no entanto, vêm enfatizando a importância do pensamento econômico dos últimos escolásticos, particularmente dos teólogos espanhóis dos séculos XV e XVI. Tem-se chegado até a designar esses pensadores — assim faz o grande economista do século XX Joseph Schumpeter — como os fundadores da moderna economia científica. A maior parte das pessoas tem uma vaga noção das obras assistenciais da Igreja Católica, mas muitas vezes não sabe como foi única a sua ação nesse campo. O mundo antigo fornece-nos alguns exemplos de liberalidade para com os pobres, mas tratava-se de uma liberalidade que procurava fama e reconhecimento para o doador, tendendo a ser indiscriminada e não dirigida especificamente àqueles que passavam necessidade. Os pobres eram com excessiva freqüência tratados com desprezo, e a simples idéia de ajudar os necessitados sem nenhuma expectativa de reciprocidade ou de ganho pessoal era alheia à mentalidade da época. Mesmo William Lecky, um historiador do século XIX sempre hostil à Igreja, chegou a admitir que a dedicaçâo aos pobres – tanto no seu espirito como nos seus objetivos — constituiu algo novo no mundo ocidental e representou um avanço surpreendente com relação aos padrões da antiguidade clássica. Em todas essas áreas, a Igreja imprimiu uma marca indelével no próprio coração da civilização européia. Um recente livro de história da Igreja Católica tem por título Triumph [“Triunfo”]: é um título extremamente apropriado para resumir o percurso de uma instituição que tem no seu haver tantos homens e mulheres heróicos e tantas realizações históricas. Até agora, encontramos relativamente poucas dessas informações nos livros de texto que a maioria dos estudantes tem de estudar no ensino médio) e superior. A Igreja Católica configurou a civilização em que vivemos e o nosso perfil humano de muitas maneiras além das que costumamos ter presentes. Por isso insistimos em que ela foi o construtor indispensável da civilização ocidental. Não só trabalhou para reverter aspectos moralmente repugnantes do mundo antigo – como o infanticídio e os combates de gladiadores —. Mas restaurou e promoveu a civilização depois da queda de Roma. Tudo começou pela educação dos bárbaros, e é neles que nos detemos ao iniciarmos este livro. Fonte: livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (Thomas E. Woods Jr.)

UM POUCO DE HISTÓRIA DA IGREJA

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Para se compreender o papel fundamental da Igreja Católica na construção da Civilização Ocidental é preciso ter uma visão da História da Igreja dos seus primórdios até o século XIV.

OS PRIMEIROS SÉCULOS (0-400)

A Igreja teve um crescimento rápido sob a ação do Espírito Santo desde o primeiro século. “Enfrentou durante quase três séculos a perseguição do Império Romano até a conversão de Constantino no ano 313.“
Neste ano, convertido ao cristianismo, ele assinou o Edito de Milão que proibiu a perseguição aos cristãos:

‘Deliberamos conceder aos cristãos e a quem quer que seja a liberdade de praticar a religião de sua preferência a fim de que Divindade que nos Céus reside venha a ser favorável e propícia para nós e para todos os súditos. Parece-nos ser medida boa, razoável, não recusar a nenhum de nossos súditos seja ele cristão ou adepto de qualquer outro culto, o direito de seguir a religião que melhor lhe convenha. Assim sendo a Divindade que cada um reverenciar a seu modo, livremente, poderá também estender a nós sua benevolência e seus habituais favores(…)`.” (Apud Souza, T.F., 2007). Nesta época já havia no mundo cerca de 6 milhões de Cristãos. Mais  tarde, o Imperador Teodósio, por volta de 390, pelo ‘Edito, de Tessalônica”, tornaria o cristianismo religião oficial do Império Romano. Como disse Daniel Rops, “a espada se Curvou diante da Cruz”. E isto aconteceu sem luta por parte dos cristãos. A força do Evangelho moveu os corações dos reis, imperadores, e mulheres romanas. Ao longo dos primeiros quatro séculos foi marcante a ação dos Apóstolos, principalmente dessas colunas da Igreja que foram São Pedro e São Paulo, o sangue dos mártires o perfil dos grandes santos e do primeiros escritores e artistas cristãos, o desenrolar do culto e da piedade, dentro de uma sociedade romana que foi desmoronando, como acontece no mundo de hoje, mas que, também como hoje, se abre finalmente a Jesus Cristo. Já no começo da vida da Igreja surgiram as terríveis heresias e sectarismos, que no entanto, conduziram à formação da teologia cristã e aos grandes Concílios da primeira era, de onde a Igreja saiu fortalecida na sua autoridade e unidade. A Igreja precisou realizar os Concílios de Nicéia I, em 325, para reprovar o arianismo, de Ário, que negava a divindade de Cristo; e cm 381 o Concílio de Constantinopla I, para condenar o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla1 que ensinava que o Espírito Santo não era Deus. Desses dois Concílios surgiu a formulação do Credo niceno-constantinopolitano que rezamos ainda hoje.

 

Notificado sobre duas novas páginas no blog a partir de 27/02/2013

UmaHistoriaQueNaoEContada
 
A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venho dizer aos leitores do blog Apologética no Japão que estou criando duas novas páginas, uma será a página da vida dos Santos e a outra sobre a História da Igreja.
Porque irei criar essas páginas? Quem acompanha esse blog a um tempo deve ter percebido que ele esta meio abandonado, mil desculpas pelo abandono do blog.
A boa noticia é que estou de volta e pretendo escrever muitos postes de agora em diante, neste tempo que estava afastado do blog li alguns livros que me motivaram muito estudar sobre a Santa Mãe Igreja, e por graça divina peguei um livro que faz muito sentido em minha vida, o livro que  se chama¨Uma História que não é contada¨do Professor Felipe Aquino, por que faz muito sentido? Simples foi através deste livro e a intercessão do Espírito Santo que voltei a Santa Mãe Igreja, e tenho um plano para este blog que é de re-ler o livro e postar um pouco do conteúdo do livro e mais informações sobre os fatos que ocorreram na História da Igreja na qual ela constrói nossa civilização ocidental que infelizmente pessoas de má fé deturpam a história e fazem calúnias da Santa Mãe Igreja.
E a página dos Santos é um complemento desse estudo que vou postar, a cada Santo citado na História que vou postar este santo vai ter um resumo de sua vida para que vocês possam ver apreciar e imitar essas pessoas que foram exemplo de santidade e amor a Deus.
Peço a todos muita oração para que Deus me de forças para levar esse sonho de levar a história da Igreja para as pessoas que não a conhecem e que estudando a história passem a ama-lá como eu a amo hoje, por que amando-á estarás amando também a Cristo!
Pax Domine

Vídeo sobre o Livro ¨Uma História que não é contada¨