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Deus e a Criação

Deus e a criação
Antes de se argumentar a favor da existência de Deus, é preciso primeiro definir o que é Deus. Nesse artigo será defendida a existência do Deus cristão, defendido por São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Santo Anselmo, e outros doutores e filósofos, tanto da Igreja, quanto fora dela.
Deus: onisciente, onipresente, onipotente, perfeito, infinito, atemporal e transcendente.
Deus

Se não existe um criador, então o universo se criou sozinho, logo o universo tem que ser finito, pois se fosse infinito o universo seria Deus, pois toda criação tem que ser finita, e se o universo fosse Deus, então Deus existiria. Mas se algo que é finito, pode se criar sozinho, por que Deus, que é infinito e perfeito não pode se criar sozinho?

O ateu pode argumentar: O universo se criou sozinho, e como você mesmo diz é finito. Por que Deus que também se criou sozinho é infinito? Ele tem que ser finito como o universo, e se ele é finito então ele não é Deus.

Mas Deus não é criado, Deus não se criou, pois se Ele tivesse se criado ele teria que ter um inicio, e Deus como ser infinito não tem inicio, pois se ele dependesse da criação ele não seria completo (o universo não é completo, pois é finito, isso diferencia Deus do universo). Ele só pode ser Deus se ele não depende de tal criação. Se ele não depende de tal criação então ele é perfeito e sempre existiu independentemente de tempo, espaço e criação, pois tais regras SÓ SE APLICAM a coisas imperfeitas e materiais, como o universo. O universo não pode ter se criado sozinho, pois ele não é infinito, característica que o diferencia de Deus, que o criou.
Tudo que passa a existir é finito, e a partir do momento que as coisas nascem (seja um humano, ou um objeto ou qualquer coisa) o tempo de tal coisa passa a ser contado, passa a ser rolado. O tempo foi criado no big bang a partir do momento que as coisas finitas passaram a existir (inclusive o tempo). Sendo Deus algo atemporal, esta lei não se aplica a Deus, pois se Deus dependesse do tempo para existir, Ele passaria a existir somente depois do big bang e não poderia ter criado o universo, e não seria Deus, pois para ser Deus Ele precisa ser completamente independente.

Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento do passado em que ele passou a existir, assim como todas as coisas finitas.

Pois bem, a pergunta: ‘’Quem criou Deus?’’ é totalmente irracional, pois antes do big bang não existia tempo, então algo que não foi criado, não pode ter tido um início ou uma origem, e não pode ter tido seu tempo rolado a partir de sua criação. Como uma coisa pode ter sido criada antes de existir o tempo? Pois é o tempo que define o início de todas as coisas criadas. Perguntar quem criou Deus é o mesmo que perguntar qual o cheiro do azul.
Perceba que a palavra ‘’criou’’ da pergunta acima, é um verbo e está no passado. Ora, se ela está no passado, então ela precisa do tempo para fazer sentido. Se antes do big bang não havia tempo então essa pergunta não faz o menor sentido.
Finito é tudo que passa a existir em algum momento do passado. Tudo que é finito tem que ser temporal, pois passou a existir em um momento, e todo momento precisa do tempo, e todo tempo precisa do ser criado. Deus não é criado por não existir ‘’momento’’ antes da criação, por não existir tempo, por não existir ser criado. O tempo passou a existir assim que o universo foi criado, e o universo é finito justamente por ter sido criado. Deus é atemporal exatamente por não ter sido criado. Se Deus fosse criado, logicamente ele não poderia ser atemporal, e logicamente não seria Deus, pois seria criado e temporal. Deus só teria um inicio se Ele tivesse passado a existir depois do big bang, junto com todas as coisas materiais e finitas.
O tempo é intrínseco a criação. Não é a criação que depende do tempo para existir, e sim o contrário. Por isso Deus não precisou criar o tempo para criar o universo. Bastou criou o universo para o tempo existir.
O passado é tal porque não é mais, o futuro é tal porque não é ainda; e se o presente fosse presente e não se transformasse continuamente em passado, não seria tempo, mas eternidade. E é exatamente neste estado imutável em que Deus existe.

Deus existe no agora perpétuo.

O ateu diz: Mas se Deus pode tudo, ele poderia criar algo finito e atemporal, pois ele pode tudo.
Mas Deus pode tudo, mas dentro de sua lógica perfeita, pois se assim fosse, ele poderia existir e não existir ao mesmo tempo, e isso são coisas impossíveis, pois Deus é perfeito, e se ele é perfeito ele tem que existir, pois nada que não exista é perfeito.

Ateu: então Deus depende de sua própria lógica perfeita e regras e só pode executar coisas que estão dentro de tais lógicas, logo se ele depende então ele não é perfeito:

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Deus não depende de tal lógica, Ele É A lógica, em ato. Do mesmo modo que Deus não possui a perfeição, ele É a perfeição. Do mesmo modo que Deus não possui o infinito, ele É o infinito. Logo ele depende apenas dele mesmo. E sim, tudo só pode ser executado dentro de tal lógica, pois não existe nada fora de tal lógica, pois se existisse Deus não seria perfeito. Deus não tem potência para se tornar mais perfeito, ou mais poderoso, nem menos perfeito e menos poderoso, pois ele É perfeito em grau absoluto; uma característica de qualquer coisa finita e imperfeita é ter potência para se tornar melhor ou pior; Deus sendo perfeito não pode ter potencial para se tornar melhor ou pior, maior ou menor, pois já se encontra em um grau absoluto. Não pode haver nada além de Deus, pois se existisse Deus teria uma borda ou uma margem. Em algum momento Deus acabaria, ou chagaria ao fim. E ai viria à pergunta: o que há depois de Deus? Se existe algo além de Deus então Ele não seria infinito e absoluto. Deus é perfeito em grau absoluto e infinito, logo não pode ser dividido, subtraído, somado ou multiplicado, pois todas essas grandezas matemáticas aplicadas a qualquer coisa infinita daria infinito. Por esse motivo é impossível existir duas ou mais coisas infinitas, ou absolutas.
Podemos medir qualquer extensão em nossa realidade, pois todas tem um fim um e inicio. Todas tem uma borda no qual acaba, por isso é possível medi-la. Mas como vou medir uma extensão que não tem medida? Medida é: uma quantidade fixa que serve para avaliar extensões ou quantidades mensuráveis.
Como vou medir uma quantidade imensurável? Qualquer grandeza de medida aplicada a uma extensão imensurável daria um resultado imensurável, não alterando em nada a natureza do ser exposto ao calculo da medida.
Deus não é infinito quantitativamente, mas sim qualitativamente, pois não pode ser considerado nem como o todo, e nem como uma parte do todo, por que o todo é feito de partes. Não existe um Deus constituído de infinitas partes, mas sim um único Deus com infinitude qualitativa e singular em grau absoluto e homogêneo.

Qualquer coisa infinita não pode caber em lugar algum.

Não é Deus que está em algum lugar, pois ‘’lugar’’ pressupõe uma área determinada de espaço. O espaço, assim como o tempo, passou a existir somente depois da criação das coisas finitas e materiais. Se Deus fosse passivo de ‘’estar em algum lugar’’ então deveria ter passado a existir somente depois da criação, e não poderia ter criado. Não é Deus que está lá, é o todo que está em Deus. Por isso Deus é onipresente.
Uma das vias de provar a existência de Deus é provando a existência do infinito.
O infinito tem que existir, pois engloba exatamente tudo existente. Dentro ou fora do universo. Deus é tal coisa infinita, o que o faz onipresente e transcendente.

Mas ai ateu diz: Mas não se sabe o que tem depois do universo. Depois do universo pode existir o nada,
simplesmente o nada, e não Deus, como você crente afirma.

Mas tal afirmação é contraditória, pois o nada é ausência de algo, logo tem que haver algo depois do universo. Se depois do universo existisse o nada, então o nada seria infinito, mas o nada não pode ser infinito, tem que ser finito, pois o nada depende do tudo para existir. O nada é um buraco, um vácuo.
Imagine uma folha de papel, e nessa folha tem um buraco no meio. O buraco não existe, o que existe é uma folha faltando uma de suas partes. Logo o buraco para existir depende da folha, pois sem folha não existe o buraco e nem poderia. Um buraco no chão depende do chão para existir, ou um buraco na parede depende da parede, logo todo buraco é finito, pois é dependente de algo, e tudo que depende é finito. Então afirmar, que o nada além do universo é o infinito, é ilógico.
Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o universo veio de um vácuo, ou de um buraco, mas tal afirmação é absurda, pois como o exemplo citado à cima, um buraco não pode criar a folha, mas só a folha pode criar o buraco, pois não é a folha que está no buraco, mas é o buraco que está na folha. Supor que o universo veio do nada é o mesmo que supor que o buraco criou a folha, ou que a folha está no buraco, ao invés do buraco estar na folha. Sendo assim, o universo deve estar em algum lugar, pois se estivesse no nada como os céticos afirmam, teríamos o problema da folha. Seria o tudo (universo) dependendo do nada. Absurdamente ilógico.
Até o nada vem de algum lugar.

Segunda afirmação: O infinito tem que ser todo poderoso e completo.

Explicação: O infinito para ser infinito (sem inicio e nem fim) tem que ser completo e totalmente poderoso, não lhe faltando nada e nem dependendo de nada, pois não existe ausência no infinito, pois se existisse, não seria infinito. A folha quando tem um buraco no meio lhe falta alguma coisa. Falta o pedaço de papel que foi retirado para o buraco se fazer. Mas a folha não é infinita, logo ela pode sofrer uma ausência de algo. Mas Deus não pode sofrer tal ausência, pois Ele é infinito. Se Deus (que é o infinito) não fosse completamente, e totalmente poderoso, teríamos um problema. Pois se uma coisa não é totalmente poderosa, completa e independente, então lhe falta algo pra ser. Se lhe falta algo pra ser, então tal coisa se torna finita. Se tornando finito, Deus deixa de ser Deus.
Pois bem, provando a existência do infinito, e que o infinito para ser infinito tem que ser totalmente poderoso e completo, se prova a existência de Deus.
Depois do universo, tem que haver alguma coisa, pois o nada não existe. E há que é Deus.
Todo buraco depende de algo para ser feito, e buraco é um nada, um vazio e um vácuo, logo não pode ser infinito, pois é dependente. Do mesmo modo que a escuridão depende da luz para existir, o mal depende do bem e o frio depende do calor.
O que depende é submisso.
Conclui-se também que Deus tem que ser totalmente e completamente bom, pois se existisse uma parcela de maldade em Deus, então Ele sofreria uma ausência, deixando de ser infinito, pois o mal nada mais é do que a ausência do bem. Logo, Deus como ser infinito e já totalmente preenchido de bondade (pois não sofre ausência), tem que ser completamente bom, e perfeito.

Autor: Antunes Fernandes P. de Andrade

Fonte:http://www.caosdinamico.com/2012/06/se-argumentar-afavor-da-existencia-de.html?m=1

A FESTA DE CORPUS CHRISTI, A FESTA DO AMOR

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A festa de Corpus Christi é comemorada toda quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, após a festa de Pentecostes, e é realizada há mais de 8 séculos pelos cristãos do mundo. A história nos conta que no ano de 1258, Jesus apareceu à Beata Juliana de Cornillon pedindo a ela a introdução da Festa de Corpus Domini (Corpo de Cristo) no calendário litúrgico da Igreja. Foi preciso que um milagre Eucarístico acontecesse na cidade de Bolsena na Itália para que a Igreja entendesse a validade das mensagens de Juliana e reconhecesse a seriedade do pedido de Jesus. Nesta ocasião cairam gotas de sangue sobre o altar através de uma hóstia consagrada* que tirou qualquer dúvida sobre a veracidade dos fatos. Após este episódio o Papa Urbano IV em 1264 emitiu um transcrito, onde prescreveu a celebração da festa de Corpus Christi no calendário litúrgico da Igreja. Vamos aprender agora um pouco mais sobre esse sacramento instituído por Jesus para o nosso amor.

A Eucarístia Um sacramento de Amor

No Novo Testamento, há quatros passagens que relatam a instituição da Eucaristia. São os de São Mateus (26, 26-28), São Marcos, (14, 22-24), São Lucas (22, 19-20) e São Paulo (1 Cor 11, 23-29). Quando o padre lê as palavras iniciais da Eucaristia, faz isso em nome de Jesus, como se o próprio Jesus estivesse presente. Ernesto N. ROMAN, em sua obra A Eucaristia para o povo, livro que aponta de maneira aprofundada as relações deste sacramento com a Igreja, faz a seguinte citação: ?Teóflio de Alexandria, no ano 400, dizia: ?Na missa Cristo nos prepara hoje a mesa, nos serve? (2001, p. 15). A partir deste momento, o pão e o vinho ofertados no altar, se transformam realmente em corpo e sangue de Jesus, e a isto se dá o nome de transusbtânciação. Quer dizer que a aparência do pão e do vinho continuam, mas saem sua substância, entrando a realidade divina de Cristo. Neste mistério de fé para o católico, Ernesto N. ROMAN discorre em sua obra já citada:

?Sabemos que cada coisa existe com sua substância. A substância não se vê. Mas é aquilo que faz com que um coisa seja aquilo que é. Assim, a substância do ferro é aquilo que faz com que o ferro seja ferro, e não madeira. As aparências do pão e do vinho, aquilo que é percebido com os sentidos, como cor, cheiro, sabor?permancem, somente que sustentados pelo corpo e sangue de Cristo após as transubstânciação. Portanto Cristo se encontra alí na figura de pão e de vinho. Também as espécies do pão e do vinho estão aí não mais para garantir a presença do pão e do vinho, mas sim a presença do Corpo e do Sangue de Cristo? (ROMAM, 2001, p. 14).

Chama-se a Eucaristia também de renovação do sacrifício da cruz, pois era comum entre os judeus o sacrifício de animais e cordeiros como forma de expiação de pecados. Na Eucaristia, Cristo se oferece como o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29), palavras essas recitadas pelo padre após a consagração das divinas formas reafirmando que Jesus veio ao mundo para levar à perfeição aquele primeiro sacrifício de cordeiros do povo judeu, como afirma a passagem do livro de Hebreus, no versículo 8 do capítulo 10, ?Não queres e não te agradas sacrifícios e ofertas, holocaustos pelo pecado?. Contudo aquele sacrifício na cruz fora cruento, devido ao derramamento de sangue, este agora é chamado pela Igreja como um sacrifício incruento, pois não há derramamento de sangue, mas não deixando de ser a mesma entrega. Maiores instruções sobre este assunto a própria Igreja o faz:

?Na Eucaristia, Cristo se dá este mesmo corpo que entregou por nós na cruz, o próprio sangue que derramou por muitos para remissão dos pecados (Mt 26,28). É portanto, um sacrifício porque re-presenta (torna presente) o Sacrifício da Cruz, porque dele é memorial e porque aplica seus frutos: Na última ceia, quiz deixar à sua Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível em que seria re-presentado (feito presente) o sacrifício cruento que ia realizar-se um vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício esse cuja memória haveria de se perpetuar até o fim dos séculos (1 Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à redenção dos pecados que cometemos cada dia? (CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 1995, p. 326,327).

Por isso estar diante do Santissímo Sacramento é estar diante do Corpo, Alma e divindade de Jesus Cristo, o mesmo de 2.000 anos atrás, e que deseja atualizar sempre o seu sacríficio da Cruz, para que os cristãos de todas as épocas e tempos tenham a honra e a grandiosidade de receber o mesmo Cristo Jesus que se deu a nós, um dia em Nazaré, e agora bem perto de nós.

Corpo de Cristo ? uma lição de amor

Outro termo da Eucaristia, do Corpo de Cristo, é Comunhão, na qual se ressalva outro aspecto importante desse sacramento, que é a união da comunidade reunida para uma refeição espiritual comum. Além de expressar a união de cada um de nós com o próprio Deus, que no momento da comunhão entra fisicamente e espiritualmente naquele que comunga, leva-nos ainda à uma plena intimidade mística. Renovando a entrega de Jesus a toda humanidade por meio da cruz, aspecto este muito significativo, essa comum-união descrita no livro de GÁLATAS (Cap.2, vers.20), é sem dúvida a maior expressão do catolicismo. Nesta festa do Corpo de Cristo a hóstia é elevada e levada solenemente em procissão pelas ruas. Essa expressão de amor tem durante todos os séculos da Igreja alimentado todas as gerações de fiéis católicos que acreditam na missa, como uma entrega renovada em cada celebração, do amor eterno de Deus ao seu povo.

Outro nome da Eucaristia dada pela Igreja é de Pio Pelicano, referência a figura do pelicano, uma ave que quando falta alimento para os filhotes, abre o peito com o bico para alimentá-los com o próprio sangue, morrendo se necessário. Esta expressão de renúncia pelo próximo é sublimada por Jesus e sacramentada na máxima: ?Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos? (Jo 15,13). Cada missa é portanto uma renúncia de Cristo por cada um de nós e uma grande lição de amor.

Todos nós sabemos que amar é dar a vida pelo próximo. É Jesus quem diz: ?eu sou o Bom Pastor: conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem? eu dou a vida pelas ovelhas? (Jo 10, 14-15); em 1989, na Armênia, aconteceu um devastador terremoto na ex-União Soviética, que nessa ocasião teve a soliedariedade do mundo inteiro e aonde se fizeram presentes também Madre Tereza de Calcutá e suas irmãs. Aconteceu que debaixo dos escombros de uma casa fora encontrada após 18 dias uma mãe com seu filho pequeno. Para espanto de todos estavam vivos, porque na última semana, a mãe da criança em cada dia cortara um dedo de suas mãos para que o filho sugasse seu sangue e permanecesse vivo. Quando madre Tereza aproximou-se para beijá-la, ela tocou seu crucifixo, e com um fio de voz disse: ?Foi Ele que me ensinou?.

De fato Cristo deu o seu sangue para que tivéssemos a vida: ?Quem comer da minha carne e beber do meu sangue terá a vida eterna? ( Jo 6, 54).

A missa atualiza o sacrifício da cruz, atualiza a nossa redenção e consequentemente a vida espiritual em nós. Isto quer dizer que em cada missa Cristo se oferece ao Pai por nós. Em cada missa Cristo renova o seu único sacrifício que Ele mesmo pediu aos apóstolos para que o fizessem em sua memória. Memória esta que não significa apenas uma simples lembrança. Na verdade o que traduzimos por memória vem do grego anamnese, e no entanto o termo utilizado pelos evangelistas é uma palavra grega que não é uma simples memória (mnemone), mas é o mesmo que tornar presente. Por isso a Santa missa é muito mais que uma reunião de oração, é o único e suficiente sacrifício de Jesus Cristo, oferecido a Deus Pai, na cruz, tornando-se presente no altar. Todas as vezes que deixamos de cumprir com a nossa mínima obrigação semanal de participar da missa fazemos como todos os apóstolos que deixaram a Jesus no seu momento mais importante.

* Este milagre se encontra ainda hoje intacto, e pode ser visto aos olhos humanos na catedral do Lírios na Itália.

Fonte:http://www.veritatis.com.br/article/5199

Segue abaixo um video sobre milagre Eucarístico na cidade de Bolsena em 1263 Itália, que deu inicio a festa de Corpus Christi.

Pentecostes

A crise de identidade nos dias atuais preocupa instituições e indivíduos. Ela atinge também a Igreja. Não é novidade, pois em sua longa história, heresias e cismas foram tentativas frustradas para a alteração de sua doutrina e estrutura hierárquica. Não fosse assim, o catolicismo ter-se-ia pulverizado em um sem número de grupos contraditórios. Mas a celebração de Pentecostes revela ao mundo a Redenção e o Reino já herdado, mas ainda não consumado.

Temos diante de nós, portanto, a certeza de que “a Páscoa de Cristo completou-se com a efusão do Espírito Santo, que Se manifestou, Se deu e Se comunicou como Pessoa divina: da sua plenitude (…). A partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo abre-se aos que n’Ele creem. Pela sua vinda, o Espírito Santo faz entrar no tempo da Igreja” (Catecismo da Igreja católica, nn. 731-732).

Nesta festa, em que comemoramos o princípio da trajetória do cristianismo, cabe uma pergunta: há identidade no que creio e pratico, podendo considerar-me, com autenticidade, um membro vivo da Comunidade eclesial?

O Salvador instituiu a obra; delineou-a em seus contornos básicos; confiou seu governo a determinadas pessoas. Assegurou sua continuidade, uma sucessão ininterrupta e uma assistência eficaz.

Eis o quadro ao qual não podemos fugir se quisermos conservar o nome de católico. Desde o tempo dos Apóstolos, durante todos os séculos, o povo cristão guardou nítida a consciência dessa verdade. Quando surgem pregoeiros que tentam abalar esses alicerces é mister fortificar as bases por uma visão lúcida. Aliás, a fé simples de nossa gente costuma opor-se a tais leviandades.

O depósito de nossa Fé, por sua extraordinária riqueza, é sempre fecundo. A inteligência, criada por Deus, desenvolve novos aspectos da doutrina. Nas Ciências humanas, cada um é, por sua capacidade, a medida de penetração nos segredos e interpretação dos fatos. Na Igreja, entretanto, todo o ensino está sob a ação do Paráclito. Assim, a autenticidade não é o resultado de uma constatação pessoal apenas, mas obedece a um critério objetivo, o Magistério. A pesquisa, a hipótese de trabalho, a conclusão, encontram-se inseridos em uma dimensão do Eterno. Essa condição é fator de tranquilidade. Por mais ilustre que seja o mestre, seu ensino só é válido quando em consonância com o Espírito Santo que dirige os fiéis em comunhão visível com a Hierarquia.

Embora em grau menor, a disciplina eclesiástica se inclui nesse mesmo raciocínio. E por se tratar de uma decorrência da doutrina aplicada ao transitório, sofre as alterações do tempo, da cultura e de outros elementos. Como somos uma comunidade, é imperioso que haja determinadas normas de ação. Infringi-las é apresentar a obra de Deus desfigurada. Indivíduos justapostos, que agem conforme sopram os ventos, jamais constituem um corpo.

Em um mundo que canoniza a liberdade em todos os aspectos, ser cristão torna-se difícil. Submeter-se a normas pode afigurar-se ridículo. Observar integralmente os preceitos da Igreja, os ensinamentos do Redentor, com suas implicações na vida particular e social, exige aquele heroísmo que é próprio do Evangelho. Proporcionar valores sublimes; acatar a palavra do Papa; reagir contra falsas acomodações do ensino às situações do mundo, em resumo, parecer retrógrado por servir à causa do Mestre, pede coragem. E não é fácil haver coerência com um Cristo verdadeiro que nada tem de festivo. Entretanto, somente assim se usa honestamente o título de cristão.

A opção feita no batismo e renovada em momentos importantes de nossa vida nos leva à plena integração à Fé e aceitação heroica, se necessário, isto é, até as últimas consequências.

Os Escritos Sagrados nos mostram o Senhor e os Apóstolos preocupados em conservar a unidade dos discípulos. Para isso, importa não apenas evitar o erro, mas também lutar contra as tendências contraditórias da própria condição humana. Somos livres e a natureza nos inclina a preferir os próprios interesses aos do próximo ou do bem comum.

A via dura e áspera da renúncia é essencial para superar uma crise, a quem honestamente se intitula católico. Ela nos faz abandonar certas doutrinas, que poderiam parecer mais vantajosas ao Povo de Deus, e não aceitar práticas que, no juízo individualista de alguns, são tidas como eficazes ao trabalho apostólico. Agir dessa maneira para obedecer ao Magistério é difícil, mas necessário.

O mundo que nos cerca nos induz à satisfação própria, à exaltação da independência intelectual, à autodeterminação. Somente um clima de amor a Deus, que transborde em nossa vida uma conversão profunda, inspiram esta renúncia e, como consequência, nos mantêm nesse espírito de unidade. Em outras palavras, ser cristão, hoje, implica atitudes que exigem radicalismo.

Pentecostes comemora o aniversário da Igreja, a sua proclamação definitiva. Daí porque recordar essas características que lhe são próprias. Nós cremos que o Espírito Santo é força, conforto. Ele é nossa esperança. Procuremo-LO, que Ele nos conservará fiéis a Jesus Cristo.

Fonte: http://www.arquidiocese.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=3486&sid=78

A Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2012

https://i0.wp.com/www.blogdocelio.com/wp-content/uploads/2012/02/Campanha-Fraternidade-Site.jpgSeguindo a tradição quaresmal de todos os anos escrever sobre o tema da Campanha da Fraternidade, proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil “para melhor vivermos este tempo de penitência” – o que nem sempre de fato acontece -, proponho-me a fazer uma breve reflexão a respeito da “Fraternidade e Saúde Pública”.

Com efeito, neste ano de 2012, é este o tema ao qual será dado enfoque especial: a saúde pública. Pergunta-se: Como seria possível viver bem este tempo da Quaresma e, ao mesmo tempo, propor-nos a olhar com especial atenção esta Campanha da Fraternidade? Antes de mais nada, aconselhamos que seja lida a mensagem do nosso Santo Padre ao Cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB, justamente por ocasião da CF 2012. Em poucas linhas, o Papa Bento XVI explica que, especialmente para nós, católicos, o lema da campanha – “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf. Eclo 38, 8) – “é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal”. Destaco:

“No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois ‘que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?’ (Mt 16, 26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: ‘Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo’ (Mt 4, 23).”

Convém, portanto, primeiramente, que lembremo-nos da “cura perfeita”: “o perdão dos pecados”. O tempo da Quaresma é especial para buscarmos o Sacramento da Penitência. Nele, através de um sincero arrependimento de nossas faltas, achegamo-nos ao tribunal da misericórdia do Altíssimo e imploramo-Lo a cura de nossa alma, a nossa saúde espiritual, cuja importância supera – é o Papa quem o diz – a saúde física.

Aqui, faz-se importante traçar algumas rápidas considerações a respeito do que infelizmente a Campanha da Fraternidade tem se tornado em muitas paróquias pelo Brasil afora. Ao invés de convidar os cristãos a um tempo de penitência e oração, em muitas igrejas este apelo litúrgico é substituído pela lembrança de temas que, da maneira como são abordados, não colaboram – nem de longe – para fazer nascer no coração dos fiéis o espírito de jejum, mortificação e ascese. Por isto a necessidade de ler esta última mensagem do Papa. Ela impede – ou pelo menos tenta evitar – que os teólogos da libertação façam da Campanha da Fraternidade apenas mais um “movimento de conscientização social” ou de “mobilização popular”; ao mesmo tempo, recorda aos pastores da Igreja que uma CF verdadeiramente católica não deve dar atenção especial às coisas deste mundo, perecíveis, mas sim àquilo que de fato importa: a glória de Deus, a salvação das almas, a conversão da Igreja.

Quanto ao tema deste ano – “Fraternidade e Saúde Pública” – consideremos o seguinte: a saúde pública de nosso país presta auxílio aos enfermos, e a Igreja, neste tempo de Quaresma, chama os fiéis a praticarem a esmola. O chamado parte do próprio Cristo no Evangelho da Quarta-Feira de Cinzas. Pois bem, aqui está: por que não unir a preocupação que a Igreja desde o princípio manifestou para com os doentes e moribundos a uma ação efetiva de caridade, virtude fora da qual definitivamente não é possível viver uma boa Quaresma?

“Saúde pública”! Esta expressão infelizmente nos remete aos últimos discursos dos defensores da legalização do aborto em nosso país… Sob o lema “Aborto é questão de saúde pública”, os detratores da vida humana fazem um estardalhaço, minimizam o valor da dignidade do ser humano – chegando a compará-lo a um mosquito -, banalizam a benção que é a criança na vida de uma família – merece nota esta feminista que, além de odiar crianças, declara que seria capaz de matar um bebê para que calasse a boca – e, por fim, chegam a manipular dados e estatísticas para defender suas ideias. Esta verdadeira guerra que os servos da “cultura de morte” fazem contra o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, só mostra como o tema “saúde pública” pode ser distorcido em favor de ideias tirânicas e homicidas.

Esta Quaresma é oportunidade para que travemos este difícil combate, que é, acima de tudo, espiritual. Por meio da esmola, do jejum, da oração – e também do apostolado pró-vida -, é possível, sim, entrar no deserto da preparação para a Páscoa de nosso Senhor e viver, com fruto, a Campanha da Fraternidade deste ano.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida nos dê vivenciarmos uma santa Quaresma; e, ao mesmo tempo, livre nossa nação da maldição do aborto.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

É proibido ajoelhar-se durante a consagração?

Assim está escrito: “para que, ao nome de Jesus, se dobre todo joelho dos seres celestes, dos terrestres e dos que vivem sob a terra, e, para glória de Deus, o Pai, toda língua confesse: Jesus é o Senhor.” (Fl 2,10) Ora, o momento da consagração eucarística é o mais solene, o mais importante da vida do cristão. Ele faz memória, ou seja, traz para o presente, o sacrifício de Jesus. A imolação do Cordeiro. A Nova Aliança. A remissão dos pecados. Nada há de mais importante na vida do cristão católico que a celebração da Santa Missa e, por conseguinte, a consagração. Portanto, ajoelhar-se nesse momento e adorar Aquele que é, deveria ser tão natural quanto respirar.

Por que, então, surge a tendência entre os liturgistas de que não é necessário mais ajoelhar-se no momento da consagração eucarística? Alguns alegam razões históricas, razões contrárias à Tradição e tentam, de diversas maneiras, justificar o que não tem justificativa. Eles têm razões, mas não tem razão. A liturgia é regida por leis e estas leis devem ser obedecidas, tudo o mais se torna irrelevante diante dessa realidade.

Assim, é preciso analisar se essa nova tendência provém de algum documento oficial ou se faz parte da protestantização da fé católica, com a comunhão em pé e na mão, diminuição dos símbolos sacros na Santa Missa (como o latim, o canto gregoriano etc.), tudo isso culminando na transformação do sacrifício incruento de Nosso Senhor Jesus Cristo numa simples partilha, deixando de crer na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia.

Não querer ajoelhar-se diante do Deus Vivo e presente na Eucaristia é sinal de que algo desordenado está tomando conta da Igreja. O cristão católico que conhece a sua religião e sabe a importância da adesão ao Magistério da Igreja, à fé dos Apóstolos e às Sagradas Escrituras jamais deixará de enxergar no pão e no vinho consagrados a presença real Daquele que está vivo no meio nós.

Fonte:http://padrepauloricardo.org/audio/6747/

O Banquete do Cordeiro (Parte 4)

A história do sacrifício capII

A frase da missa que venceu Scott foi “Cordeiro de Deus”, porque ele sabia que esse Cordeiro era o próprio Jesus Cristo.
Recitamos esse Cordeiro de Deus na missa, exatamente o mesmo número de vezes que vimos o sacerdote elevar  a hóstia e proclamar: “Eis o cordeiro de Deus…
O Cordeiro é Jesus!
Isso não é novidade; e é o tipo de fato que escondemos: afinal de contas Jesus é muitas coisas: é Senhor, Deus, Salvador, Messias, Rei, Sacerdote, Profeta …e Cordeiro!
O último título não é como os outros. Os sete 1ºs são títulos com os quais nos dirigimos tranquilamente a um Deus-Homem.
São títulos com dignidade, que sugerem sabedoria, poder e posição social.
Mas Cordeiro?
Scott nos pede para nos desfazermos de dois mil anos de sentido simbólico acumulado. Que finjamos por um momento que jamais entoamos o “Cordeiro de Deus!!

A respeito do cordeiro capII

Esse título parece quase cômico de tão inadequado.
Em geral, cordeiros não ocupam os primeiros lugares das listas de animais mais admirados.
Não são particularmente fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos.
E outros animais parecem mais merecedores.
Por exemplo: É fácil imaginarmos Jesus como o Leão de Judá (Ap5,5).
Os leões são majestosos, fortes e ágeis, ninguém mexe com o rei dos animais.
Mas o Leão de Judá desempenha papel efêmero no livro do apocalípse.
Ao mesmo tempo , o Cordeiro prevalece e a parece nada menos que vinte e oito vezes.
O Cordeiro governa e ocupa o trono de céu (Ap 22,3).
É o Cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo nos corações dos ímpios (Ap 6, 15-16).
Esta última imagem,  do Cordeiro feroz e assustador, é quase absurda demais para imaginarmos sem sorrir!
No entanto, para João, esse assunto do Cordeiro é sério!
Os títulos “Cordeiro” e “Cordeiro de Deus” aplicam-se a Jesus quase exclusivamente nos livros do novo testamento atribuídos a João: o quarto evangelho e o apocalípse.

Embora outros livros neotestamentários  (Ap8,32-35; IPd 1,19) digam que Jesus é “como” um cordeiro em certos aspectos, só João ousa “chamar” Jesus ” o Cordeiro” (Jo 1,36 e Ap todo).
Sabemos que o cordeiro é fundamental para a missa e também para o livro do Apocalípse.
E sabemos “quem ” o Cordeiro é.
Entretanto, se queremos experimentar a missa como o céu na terra, precisamos saber mais.
Precisamos saber o “que” o Cordeiro é e “por que” o chamamos “Cordeiro”.
Para descobrir, temos de voltar no tempo, quase até o início….
Pão Salutar capII
Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se com o sacrifício, que era uma das formas mais primitivas de adoração.
Já na 2ª geração descrita no Gn, encontramos na história de Caim e Abel, o 1º exemplo registrado de uma oferenda sacrifical: “Caim trouxe ao Senhor uma oferenda de frutos da terra; também Abel trouxe primícias dos seus animais e a gordura deles” (Gn 4,3-4).
No devido tempo, encontramos holocaustos semelhantes oferecidos:

  • Por Noé (Gn 8,20-21)
  • Abraão (Gn 15,8-10; 22,13)
  • Jacó (Gn 46,1)e outros.

No gênesis, os patriarcas estavam sempre construindo altares, e estes serviam primordialmente para sacrifícios.
Entre os sacrifícios do Gn. dois merecem nossa atenção:
– Melquizedec (Malki-Sédeq,Gn 14,18-20)
– e o de Abraão e Isaac (Gn 22).
Melquizedec surge como o 1º sacerdote mencionado na Bíblia e muitos cristãos (Hb 7,1-17) o consideram precursor de Jesus Cristo.
Melquisedec  era sacerdote e rei, combinação estranha no AT, mas que, mais tarde, foi aplicada a Jesus.
Ele é descrito como rei de Shalem, terra que depois seria “Jeru-salém”.  Que significa “Cidade da Paz”(Sl 76,2).
Um dia Jesus surgiria como rei da Jerusalém celeste e novamente como Melquizedec, “Príncipe da Paz”.
Em conclusão, o sacrifício de melquisedec foi extraordinário por “não envolver animal algum”.
Ele ofereceu “Pão e Vinho”, como Jesus fez na Última Ceia, quando institui a Eucaristia.
O sacrifício de Melquisedec terminou com uma benção sobre Abraão.

O alcance de Moriá cap II

O próprio Abraão revisitou Shalem, alguns anos mais tarde, quando Deus o chamou para fazer um sacrifício definitivo.
Em Gn 22, Deus diz a Abraão:” Toma o teu filho, o teu único, Isaac, que amas. Parte para terra de Moriá e lá oferecerás em holocausto sobre uma das montanhas que eu te indicar”(v2).
A tradição israelita, registrada em 2Cr 3,1, identifica Moriá com o local do futuro Templo de Jerusalém.
Para lá, Abraão viajou com Isaac, que carregou nos ombros a lenha para o sacrifício (Gn22,6).
Quando Isaac perguntou onde estava a vítima, Abraão respondeu: Deus providenciará Ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho.”(v8).
No fim, o anjo Deus impediu que a mão de Abraão sacrificasse seu filho e forneceu um carneiro para ser sacrificado.
Nessa história, Israel discerniu o juramento da aliança de Deus para fazer dos descendentes de Abraão uma nação poderosa: “juro-o por mim mesmo… Por não teres poupado seu filho.. comprometo-me. ..a  fazer proliferar tua descendência tanto quanto as estrelas do céu…é nela que se abençoarão todas as nações da terra”(Gn22,16-17).
Esse foi o reconhecimento de dívida que Deus deu a Abraão; também seria a apólice de seguro de vida de Israel.
No deserto do Sinai, quando o povo escolhido mereceu a morte por adorar o bezerro de ouro, Moisés invocou o juramento de Deus a Abraão, a fim de salvar o povo da cólera divina (Ex32,13-14).
Mais tarde os cristãos consideraram a narrativa de Abraão e Isaac uma profunda alegoria do sacrifício de Jesus na cruz.
As semelhanças eram muitas:
1º-Jesus, como Isaac, era o filho único querido de uma pai fiel.
2º-Tbem como Isaac, Jesus carregou morro acima a madeira para seu sacrifício, que foi consumado em uma colina de Jerusalém.
De fato, o local onde Jesus morreu, o calvário, era um dos morros da cadeia de Moriá.
Além disso, o primeiro versículo do NT identifica Jesus como Isaac, ao dizer que Ele é “filho de Abraão”(Mt1,1).
Para os leitores cristãos, até as palavras de Abraão se mostraram proféticas. Lembre-se de que não havia pontuação no original hebraico e pense em uma interpretação alternativa de Gn22,8:”Deus se dá a si mesmo, o Cordeiro , para o holocausto”.
O Cordeiro pronunciado era, Jesus Cristo, o próprio Deus” para que a benção de Abraão alcance os pagãos em Jesus Cristo”(Gll3,14 veja também Gn 22,16-18).

O Banquete do Cordeiro (Parte 3)

“Passaram -me para trás!! cap.I
No céu agora mesmo!!
Os padres da igreja mostraram que essa descoberta não era de Scott!!.
Pregaram a respeito há mais de mil anos.
Scott, no entanto , estava convencido de que merecia o crédito pela redescoberta da relação entre missa e o livro do apocalípse!
Então, para sua surpresa, descobre que o Concílio Vaticano II o tinha passado para trás!
Reflitam nestas palavras da Constituição sobre a Sagrada Liturgia:
Na liturgia terrena, antegozando, participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos.
Lá, Cristo está  sentado `a direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda milícia do exército celestial entoamos um hino de glória ao Senhor e , venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo.  Até que ele, nossa vida se manifeste, e nós apareçamos com Ele na glória.
Espere um pouco. Isso é céu. Não, isso é missa. Não, é o livro do apocalípse.
Espere um pouco: Isso é tudo o que está acima!
Scott, se acalma, para não ir rápido demais, para evitar os perigos aos quais os convertidos são susceptíveis!
Pois, ele estava rapidamente se convertendo `a  fé católica!!
Contudo , essa descoberta não era produto de uma imaginação superexcitada; era o ensinamento solene de uma “concílio da igreja católica”.
Com o tempo , Scott descobre que essa era também a conclusão inevitável dos estudiosos protestantes mais rigorosos e honestos.
Um deles, Leonard Thompson, escreveu que “até mesmo uma leitura superficial do livro de apocalípse mostra a presença da linguagem litúrgica disposta em forma de culto..”.
Basta as imagens da liturgia para tornar esse extraordinário livro compreensível.
As figuras litúrgicas são essenciais para sua mensagem, escreve Thompson, e revelam “algo mais que visões de ‘coisas que estão por vir'”.

Atrações futuras  cap.I

O livro do Apocalípse tratava de Alguém que estava por vir.
Tratava de Jesus Cristo e sua “segunda vinda”, a forma como, em geral, os cristãos traduziram a palavra grega parousia .
Depois de passar horas e horas naquela capela, Scott aprende que aquele Alguém era o mesmo Jesus Cristo que o sacerdote católico erguia na hóstia.
Se os cristãos primitivos estavam certos, ele sabia que, naquele exato momento, o céu tocava a terra.
“Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”
Ainda assim, restavam muitas perguntas sérias na mente e no coração de Scott: Quanto à natureza do sacrifício.
Quanto aos fundamentos bíblicos da missa.
Quanto a continuidade da tradição da tradição católica.
Quanto a muitos dos pequenos detalhes do culto litúrgico.
Essas perguntas definiram suas investigações nos meses que levaram a sua admissão na Igreja Católica.
Em certo sentido, elas continuam a definir seu trabalho de hoje.
“Porem agora ele não faz mais perguntas como acusador ou curioso, mas como filho que se aproxima do pai, pedindo o impossível, pedindo para segurar na palma da mão uma estrela luminosa e distante.”
Scott não crê que Nosso Pai nos recuse , a sabedoria que buscamos a respeito de sua missa.
Ela é afinal de contas, o acontecimento no qual ele confirma sua aliança conosco e nos faz seus filhos.
Este livro é mais ou menos o que Scott descobriu enquanto investigava as riquezas de ” nossa tradição católica”.
Nossa herança inclui toda a Bíblia, o testemunho ininterrúpto da missa, os constantes ensinamentos dos santos, a pesquisa dos estudiosos, os métodos de oração contemplativa e o cuidado dos papas e bispos.
Na missa , você e eu temos o céu na terra.
As provas são prodigiosas.
A experiência é uma revelação!

O Banquete do Cordeiro (Parte 2)

No céu agora mesmo! Cap.I

Ao estudar os escritos dos primeiros cristãos, Scott, encontra inúmeras referencias à “liturgia”, à “Eucaristia”, ao “sacrifício”.

Foi então a santa missa (logicamente incógnito, visto que era um ministro protestante, calvinista), como um exercício acadêmico.

Como calvinista, foi instruído para acreditar que a missa era o maior sacrilégio que alguém poderia cometer. Pois para eles a missa era um ritual com o propósito de ” sacrificar Jesus Cristo outra vez”.

Entretanto a medida que a missa prosseguia, alguma coisa o toca.

A Bíblia estava diante dele! Nas palavras da missa!!..Isaías, Salmo, Paulo…Não obstante , manteve sua posição de espectador, à parte, até que ouve o sacerdote pronunciar as palavras da consagração:” Isto é o meu corpo…Este é o cálice do meu sangue”.

Então sentiu todas as suas dúvidas se esvaírem. Quando viu o sacerdote elevar a hóstia, percebeu que uma prece subia do seu coração em um sussurro: Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”

Quando não foi maior sua emoção ao ouvir toda a igreja orar:”Cordeiro de Deus..Cordeiro de Deus…Cordeiro de Deus” e o sacerdote dizer: “Eis o Cordeiro de Deus..”, enquanto elevava a hóstia.

Em menos de 1 min.a frase “Cordeiro de Deus ressoou 4 vezes. Graças a longos anos de estudo bíblicos, percebeu imediatamente onde estava. Estava no livro do Apocalípse, no qual Jesus é chamado de Cordeiro nada menos que 28 vezes em 22 capítulos.

Estava na festa de núpcias que João descreve no final do último livro da Bíblia.

Estava diante do trono do céu, onde Jesus é saudado para sempre como o Cordeiro.

Entretanto, não estava preparado para isso – Ele estava na MISSA!

Fumaça Santa! cap.I

Scott volta a missa por 2 semanas, e a cada dia “descobria” mais passagens das Escrituras consumadas diante de seus olhos.

Contudo, naquela capela , nenhum livro lhe era tão visível quanto o da revelação de Jesus Cristo, o Apocalípse, que descreve a adoração dos anjos e santos de céu.

Como no livro, ele vê naquela capela, sacerdotes paramentados, um altar,uma assembléia que entoava:”Santo,Santo ,Santo”.Viu a fumaça do incenso, ouviu a invocação de anjos e santos…ele mesmo entoava os aleluias, porque se sentia cada vez mais atraído a essa adoração.

A cada dia se desconcertava mais , e não sabia se voltava para o livro ou para a ação no altar, que pareciam cada vez mais ser exatamente a mesma!

Mergulhou nos estudos do cristianismo antigo e descobriu que os 1ºs bispos, os Padres da igreja, tinham feito a mesma descoberta que ele fazia a cada manhã.

Eles consideravam o livro de Apocalípse a chave da liturgia e a liturgia a chave do livro do apocalípse.

Scott começa descobrir que o livro que ele mais achava desconcertante , agora elucidava as idéias mais fundamentais de sua fé:A idéia da aliança como elo sagrado da família de Deus.

Além disso, a ação que considerava a maior das blasfêmias – a missa – agora se revela o acontecimento que ratificou a aliança de Deus: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança”.

Scott estava aturdido, pois durante anos tentou compreender esse livro como uma esépécie de mensagem codificada a respeito do fim do mundo, a respeito do culto no céu distante, algo que os cristãos não poderiam experimentar aqui na terra!

Agora, queria gritar a todos dentro daquela capela durante a liturgia: “Ei, pessoal. Quero lhes mostrar onde vocês estão no livro do Apcalípse! Consultem o cap.4, vers.8.

Isso mesmo! AGORA mesmo vocês estão no céu!!!

Meus comentários: Esse livro é um livro muito bom até para os católicos que estão em converção ou mesmo que sempre foram criados dentro da Igreja, pois  ele nos esnsina o significado de muita coisas que estão na missa e passam despercebidos para gente e que tem um valor liturgico muito grande. Continuarei  a postar os capítulos do livro e esperem que gostem e adquiram o livro pois este livro é uma jóia preciosa para futuros catequistas ou bons evangelizadores!
Fiquem com Deus meus irmãos.

Salve Maria

01 – Marxismo Cultural e Revolução Cultural – Primeira Aula

Esta é uma série de palestras que busca compilar, de forma sistemática, o tema do Marxismo Cultural que se encontra difuso em diversos vídeos e palestras no site padrepauloricardo.org. O intuito é o de apresentar a revolução cultural dentro da Igreja ou, melhor dizendo, um estudo sistemático das raízes da Teologia da Libertação e de sua atuação dentro da Igreja Católica.

Como reflexão teológica, o objetivo é o de identificar o que está acontecendo com a teologia e a maneira como o pensamento revolucionário está influenciando a forma de pensar a teologia, Deus, a Igreja e o sacerdócio. Porém, para se chegar à teologia é importante conhecer as raízes desta revolução, que se encontram na filosofia.

O curso também irá abordar a razão pela qual a expressão teologia da libertação não é mais tema de discussão. Na realidade, ela já domina hegemonicamente o pensamento da própria Igreja. E é exatamente para desmascarar esse domínio velado que este curso é apresentado aos assinantes do site Christo Nihil Praeponere.

 

O banquete do Cordeiro (parte 1)

A Paz do Senhor meus queridos irmãos, estou lendo um livro que está me chamando muito a atenção, pois contém ensinamentos muito importantes para os católicos, o livro “O Banquete do Cordeiro – a Missa segundo um convertido”. Autor Scott Hans

Conforme eu tiver tempo irei compartilhar um pouco do que este livro nos ensina sobre a Santa Missa, como poucos sabem nosso manual de Liturgia é tirado quase todo do livro do apocalipse!! O que??? Aquele livro profético que muitos dizem que profetisa o fim do mundo e que a Igreja católica é a prostituta e blá blá blá… Isso mesmo infelizmente muita pessoas fazem mal uso deste livro que contem uma riqueza liturgica, passarei alguns pontos do livro que me chamaram muito a atenção.

Introdução

“De todas as coisas católicas, não há nada tão familiar quanto a missa. Com suas orações, seus hinos e seus gestos sempiternos, a missa é como um lar para nós. Contudo, em sua maioria, os católicos passam a vida sem ver além da superfície de preces memorizadas. Pouco vislumbra o forte drama sobrenatural de que participam todo domingo. O Papa João Paulo II chamou a missa de “céu na terra” e explicou que a “a liturgia que celebramos na terra é misteriosa participação na liturgia celeste”.”

É com essas palavras impactantes que Scott Hahn introduz o seu fabuloso livro “O Banquete do Cordeiro – a Missa segundo um convertido”.

“A Missa segundo um convertido”? Sim, Scott é um ex-protestante calvinista, estudioso do Apocalipse, do Apóstolo São João. Tendo ido a Santa Missa como um curioso (como ele mesmo testemunha no livro), enxergou no esplendor do Rito da Missa o que relata o Apocalipse. Palavras dele:

“Ora, onde na terra encontramos uma Igreja universal que adora de uma forma fiel à visão de João? Onde encontramos sacerdotes paramentados de pé diante de um altar? Onde encontramos homens consagrados ao celibato? Onde ouvimos os anjos serem invocados? Onde encontramos uma Igreja que guarda as relíquias dos santos dentro dos altares? Onde a arte exalta a mulher coroada de estrelas, com a lua debaixo dos pés, que esmaga a cabeça da serpente? Onde os fiéis suplicam a proteção do arcanjo são Miguel? Onde mais, a não ser na Igreja Católica, e mais especificamente, na Missa?”

O livro é encantador, profundo, totalmente MÍSTICO e ESPIRITUAL; e nele, o autor monta um paralelo entre o Santo Sacrifício da Missa e o livro do Apocalipse, amparado na doutrina segura dos Santos Padres e no próprio Sagrado Magistério da Igreja. Ele escreve:

“…talvez você responda que sua experiência semanal da missa é qualquer coisa, menos celestial. De fato, é uma hora desconfortável interrompida por choro de bebês, cantos monótonos entoados de forma dissonante, divagações, homilias sem pés nem cabeça e vizinhos vestidos como se fossem a um jogo de futebol, à praia ou a um piquenique. Mesmo assim, insisto que vamos realmene ao céu quando vamos à missa. (…) Trata-se de algo que é objetivamente verdade, algo tão real quanto o coração que bate dentro de você. A Missa – e quero dizer toda missa – é o céu na terra. (…) Muitos de nós queremos “obter mais” da missa. Bem, não podemos obter mais que o próprio céu.”

É um livro que pode mudar, para sempre, a nossa maneira de viver o Santo Sacrifício da Missa!

Como, de fato, mudou a deste indigno adorador do Santíssimo Corpo de Deus, que escreve esta matéria…

Vou continuar a postar os capítulos do livros que estou grifando.
Fiquem com Deus