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Técnica: Fé é, por definição, crer contra ou sem evidências

Esse truque é clássico. Certamente, na época em que eu debatia, ele era um dos mais frequentes em termos de aplicação (como sempre, faço a ressalva: você não precisa acreditar nessa informação. Mas dou uma dica: estude e DEBATA. O crescimento e a experiência que você ganha com o debate direto é impressionante). A estrutura do truque é simples: o neo-ateu dirá que você, por ser cristão, tem fé (o que é verdade). Em seguida, definirá a fé como a “crença contra as evidências” ou ainda “crença sem evidências”. Como o vocábulo ‘fé’ significa isso e, você tem fé, então sua crença é contra as evidências ou, no mínimo, ausente delas. Aí ele sairá cantando vitória e jogando para a torcida a sua “superioridade” contra o “crente” que “aceita acreditar sem evidências”.

Que a malandragem desse truque passa de quaisquer limites aceitáveis, não há dúvidas. Mas isso não é motivo para ficarmos calados e sim MAIS UM motivo para refutá-lo incisivamente.

A técnica se baseia no truque erístico da homonímia sutil. Isso ocorre quando duas pessoas, em um mesmo debate, utilizam um certo vocábulo e, aparentemente, estão falando da mesma coisa, quando na verdade a definição por trás do signo utilizado por ambos (nesse caso, ‘fé’) é completamente diferente. Vamos a um exemplo: eu chego num debate e afirmo “Eu acredito em Deus”. Ao ouvir isso, o neo-ateu dificilmente pensará que eu acredito no Puro Ato, no ‘esse ipsum subsistens’ (para utilizar a fórmula clássica), o ser perfeito sem nenhuma composição de ato ou potência, matéria e forma, essência e existência, mas sim em algum tipo de monstro super-humano e super-complexo que, de alguma forma, teve a sorte de (supostamente) ser o primeiro ser e iniciar seus caprichos quando deu na telha (isso se ele não acreditar que Deus está localizado em alguma parte do espaço). Nós dois estaremos fazendo uso do termo ‘Deus’ no debate, mas as nossas concepções sobre o que é Deus são praticamente opostas. A partir daí, ele utilizará a concepção (falsa) dele para me atacar de forma sistemática.

E o mesmo se dá no caso da fé. O neo-ateu tem a crença de que “fé” é “acreditar contra as evidências” (e essa crença possivelmente foi imposta a ele por meio de toneladas de propaganda em vídeos do youtube, imagens, livros de Dawkins, etc). Quando ele te perguntar se você tem fé e você responder “sim”, não importa o que você tinha em mente ao responder; ele se guiará pelo framework conceptual dele e começará a te atacar e ridicularizar imediatamente.

Para neutralizar essa técnica, lembre-se disso: ele JAMAIS pode proceder e DEFINIR o que significa o termo quando você é perguntado se acredita naquilo. Quem tem que fazer isso é VOCÊ. “Eu acredito nisso, mas isso significa TAL e TAL coisa para mim”. Assim, basta deixar CLARO, desde o início, o que significa “fé”, não deixando espaços para a difamação subsequente.

“Mas, Snow, então o que significa fé?” Isso é o que eu explicarei agora, na segunda parte do artigo (a primeira introduz o estratagema e ensina como neutralizar o truque, conforme exposto acima).

No dia a dia, “fé” significa simplesmente a confiança que temos em alguém ou algo. Por exemplo, imagine que o blogueiro Luciano Ayan fosse convidado para um debate contra uma figurinha carimbada da esquerda e um dos seus leitores, nos comentários, escrevesse: “Eu tenho fé que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista”. Se convertermos essa frase para “Eu confio que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista” NÃO há perda de significado. (Não sou filólogo, mas já li inclusive que a formação da palavra “confiança” se deu, na origem, exatamente pela a união dos termos “com” e “fides” [fé, em latim], o que explica a igualdade de sentido).

Esse pode ser um dos significados usados para definir a fé. Como eu disse em outro artigo, o contato da pessoa com o Cristianismo normalmente se desenvolve através de tentativas “DIRETAS” de relação com Deus. A partir daí, surge a fé na religião, que é a CONFIANÇA que Deus se relaciona com ela por aqueles meios. Se a pessoa nunca teve um pedido atendido ou nunca teve uma experiência religiosa, por exemplo, então é plausível pensar que a fé dela não vai ser alta. E o inverso também é verdadeiro.

Mais tradicionalmente, há uma definição teológica para a fé. Segundo Parente, Piolanti e Garofalo, no Dicionário de Teologia Dogmática, fé é “a adesão do intelecto, sobre a influência da graça de Deus, a uma verdade revelada por Deus, não por sua evidência intrínseca mas na base da autoridade que a revelou”.

Uma leitura superficial pode dar a impressão de que os neo-ateus estavam corretos, pois, afinal, a adesão do intelecto não se dá na base “da evidência intrínseca”. Mas uma observação detalhada demonstra que a história NÃO é bem assim.

O conhecimento pode ser descrito como a união do intelecto com o objeto inteligível (talvez essa definição necessite de algumas correções, mas isso não é o de interesse no momento). Uma verdade só nos é inteligível na medida em que ela se torna evidente para nós;  essa evidência pode vir de várias formas, como de forma imediata ou mediata. Entre as coisas imediatamente conhecidas, estão, por exemplo, a lei da não contradição e verdades matemáticas simples (como 1+1=2). Em relação a outras verdades, nós não a conhecemos de forma direta, mas ATRAVÉS de uma outra verdade que conhecemos. Por exemplo: eu não sou cientista e não tenho vergonha de dizer que não entendo profundamente a estrutura molecular das bactérias. Mas suponha que eu vá a uma conferência de cientistas certificados na matéria e verifique que o consenso, entre eles, é de que a estrutura molecular das bactérias é composta pelos elementos “XYZ”. Eu sei que a referida comunidade científica é confiável e sei que eles me informam esse último dado; logo, meu intelecto adere à verdade revelada por eles.

E como se deu essa adesão do meu intelecto? Não na base da evidência intrínseca do fato (que eles conhecem, mas eu, um leigo, não), mas na base da autoridade (a comunidade científica) que a revelou. Como a autoridade é humana e falível, esse conhecimento também é falível. Mesmo assim, ele não deixa de ser racional. Crer em algo não pela evidência intrínseca, mas pela evidência indireta que justifica essa crença é algo ABSOLUTAMENTE natural. Rejeitar tal forma de adesão do intelecto a uma verdade é, em resumo, rejeitar todo empreendimento científico.

No aspecto teológico, a fé é vista de forma semelhante. A fé envolve crer em alguma coisa da qual não podemos ter o conhecimento direto, mas que sabemos que devemos acreditar pois Deus, que é onisciente e infalível, nos revelou. Ela é baseada nas evidências (ao contrário do que o neo-ateu diria) na medida em que o fato de que Deus revelou tal e tal verdade, na visão tradicional, tanto pode quanto É justificado racionalmente de forma independente.

É por esse mesmo motivo que, tradicionalmente, existe a diferença entre os “artigos de fé” e os “preâmbulos da fé”. Os artigos são os objetos específicos que, em tese, só podemos conhecer através da Revelação de Deus. Os Preâmbulos da Fé são constituídos do conhecimento natural que JUSTIFICA a adesão do intelecto aos artigos de fé. É por isso que, ao comentar a existência de Deus, São Tomás de Aquino, na Suma Teológica (Parte I, Questão 2, Resposta à Objeção 1) diz que “A existência de Deus e outras verdades a Seu respeito que podem ser conhecidas pela razão natural não são artigos de fé, mas preâmbulos aos artigos, pois a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição supõe algo que pode ser aperfeiçoado.” Como diz Edward Feser, “Em resumo, a razão nos diz que Deus existe e que ele revelou tais-e-tais verdades; fé é, então, uma questão de acreditar naquilo que a razão demonstrou que Deus revelou. Nesse sentido, a fé não só não está em conflito com a razão como ela está baseada nela”.

Observe que eu não inventei nada. Eu somente expus a visão que, pela minha pesquisa, é considerada a mais tradicional no seio do Cristianismo. Se algum neo-ateu vier e falar que “Ah, mas o pastor João da minha Igreja que começou na semana passada disse que fé é acreditar sem razões e ele é cristaum por isso voce nao pode dar essa definicao no seu artigo seu mentirosos!!!!!” ele vai estar COMPLETAMENTE fora do ponto. É óbvio que uma pessoa menos sofisticada pode ter aquele entendimento da fé, mas se estamos falando da versão mais sofisticada do Cristianismo, temos que ir ATÉ os cristãos mais sofisticados para ver o que eles dizem (caso contrário, fica configurada a técnica Seleção Interessada de Representantes da Religião).

Em resumo:

  • (1) O truque consiste em ele usar a PRÓPRIA definição de fé para dizer naquilo que VOCÊ acredita (e se é você que acredita, então é você que sabe qual a definição utilizada que constitui o objeto de sua crença);
  • (2) Portanto, para refutá-lo, deixe claro DESDE O INÍCIO o que significa “fé” no sentido que você adere;
  • (3) No sentido mais simples (do dia-a-dia), “fé” é o mesmo que “confiança” em algo ou alguém, e é, possivelmente, gerada pela relação direta que a pessoa desenvolve (ou pensa desenvolver) com Deus através de práticas cristãs que lhe dão a sensação de o Cristianismo é digno de confiança e, portanto, verdadeiro;
  • (4) No sentido mais sofisticado, a fé é definida como “a adesão do intelecto, sob a influência da graça de Deus, a uma verdade não pela evidência intrínseca, mas na base da autoridade que a revelou”. A adesão é gerada por evidências indiretas, o que não faz a fé ser a “crença sem evidências”, pois ela está baseado nos PREÂMBULOS, que a justificam anteriormente;

Enfim, a desonestidade intelectual é a de sempre. E em relação a esse truque específico, você já tem a base para refutá-lo.

Fonte:http://teismo.net/quebrandoneoateismo/2012/02/21/tcnica-f-por-definio-crer-contra-ou-sem-evidncias/

02 – Marxismo Cultural e Revolução Cultural – Segunda Aula

Como visto na aula anterior, Marx já havia identificado uma problemática cultural na alienação do proletariado, ao dizer que a religião é o ópio do povo. Isso foi analisado de forma mais sistemática por Antonio Gramsci, que vivenciou toda a crise teórica do comunismo após a I Guerra. Esta crise do marxismo gerou 2 filhos: o fascismo e o marxismo cultural, cada um deles com uma proposta bastante clara para chegar aos seus objetivos de dominação.

Fonte:http://padrepauloricardo.org/

Veja como pensa um jovem revolucionario ( video)

II Timóteo
Capítulo 4

1 Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: 2 prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. 3 Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. 4 Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. 5 Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério.

que esta pensamento relativista seja exorcizado de nossa vidas

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.rainhadosapostolos.com/2012/01/veja-como-pensa-um-jovem-revolucionario.html#

Fonte primária: www.ipco.org.br

Podemos ser bons sem Deus?

Fonte: http://feracional.net/2011/02/24/podemos-ser-bons-sem-deus/

Técnica: Todos nascem ateus

Nessa técnica, o neo-ateu tentará jogar tudo pra platéia e argumentar que todos os teístas são vítimas da influência “maléfica” da sociedade – afinal, “todos nascem ateus” e não haveria motivos externos a pressões da sociedade que levariam ao teísmo. Observe que, de cara, já observamos alguma pinta de falácia genética; embora, mesmo assim, sejamos capazes de analisar mais profundamente essa hipótese.
A aplicação prática dessa idéia segue mais ou menos essa linha:
NEO-ATEU: Todos nascem ateus. O único motivo pelo qual passamos a acreditar em Deus é por pressão da sociedade.
REFUTADOR: Será? É o que vamos ver…
Primeiro, devemos nos perguntar: o que é ateísmo? Para responder à essa questão, vamos voltar até Aristóteles e começar a investigação.
Segundo Aristóteles (conforme citado por Alvin Plantinga em Warranted Christian Belief, 2000), o homem é um animal racional. Mas o que especificamente ele queria dizer com isso? Aqui, o termo “racional” aponta ou expressa uma propriedade que distingue os seres humanos de outros animais. Como Aristóteles dizia, essa propriedade é a possessão da ratio – o poder da razão. A idéia é que seres humanos, diferentemente de, pelo menos, a maioria dos animais, tem conceitos e é capaz de julgar crenças; nós conseguimos raciocinar, refletir e pensar sobre as coisas, mesmo sobre coisas muito distantes em tempo e espaço; em suma, seres humanos são conhecedores. Isso é o que é ser um criatura racional; e isso é o que Aristóteles viu de diferença sobre os seres humanos.
A questão que imediatamente surge daí é: um bebê é um conhecedor? É um animal racional?
A resposta é claramente NÃO. Se o ateísmo for considerado uma posição racional sobre um conjunto de crenças, então irracionais recém-nascidos NÃO podem ser considerados ateus. Um bebê é tão ateu quanto um gato, um cachorro, uma porta, uma mesa e meu teclado que foi usado para escrever esse post – ele é ateu simplesmente porque é incapaz de ser conhecedor de qualquer conceito de Deus. Esses seres são, por definição, neutros, uma vez que são incapazes até de manifestar e julgar. Se um ateísmo não é baseado em um conhecimento de uma hipótese e o consequente julgamento dela como forte ou fraca pelo poder da ratio, significa que ele não tem valor algum. É, nesse caso, sinônimo de burrice apenas.
Se ateísmo e teísmo tem qualquer coisa a ver com racionalidade, o melhor a fazer aqui é julgar irracionais como NEUTROS nessa questão.
Talvez o neo-ateu talvez tente sair dessa com um “Ok, ok; o ateísmo deles é irracional – ou até mesmo são neutros, como você diz. O fato é que crescendo e raciocinando eles não acreditariam em Deus nem iriam para alguma religião se não fosse a influência da sociedade.”
Aqui, o neo-ateu se complica AINDA mais. Ele vai ter que provar que NECESSARIAMENTE todas as pessoas não acreditariam em algum conceito divino sem receber influências constrangedoras externas. Podemos sugerir algumas evidências em contrário: por exemplo, pessoas já sugeriram que nós somos “brain-wired” para a crença em Deus – como Lewis Wolpert, aqui e aqui (é certo que ele é um debatedor infame; mas como ele estava comentando a sua àrea – a biologia – e não dando palpites filosóficos baseados na idéia de que Deus é um velhinho barbudo, pode ser que ele tenha mais credibilidade para fornecer essa informação.) Nesse caso, o ateísmo é que seria resultado de influência cultural e não o teísmo.
Se for uma tendência natural do ser humano procurar se relacionar com o transcendente (e responder perguntas sobre a realidade como “por que existe tudo ao invés do nada?”, “qual o sentido da vida?”, “qual o conceito de certo e errado?” e por aí vai – que podem ser encontradas em alguma noção de Deus ou na escolha de alguma religião que responda satisfatoriamente essa questão), então o neo-ateu errou de novo na sua segunda idéia.
O debate continuaria assim:
NEO-ATEU: Todos nascem ateus. O único motivo pelo qual passamos a acreditar em Deus é por pressão da sociedade.
REFUTADOR: Espere um pouco: você definir ateísmo como uma postura racional em frente a um conjunto de crenças específicas e cognoscíveis, não é mesmo?
NEO-ATEU: Claro. Penso, logo sou ateu.
REFUTADOR: Então um bebê NÃO é ateu, pois ele é IRRACIONAL e incapaz de adotar uma postura, até mesmo de descrença, pois sequer conhece o conjunto de crenças específicas. O único motivo pelo qual ele é ateu é porque não tem neurônios suficientes para saber se isso é o certo ou errado. O melhor – de longe – é defini-lo como NEUTRO nessa polêmica. Esse seu chute foi parar direto na arquibancada.
NEO-ATEU: Ok. Mas quando ele passasse a raciocinar, ele seria ateu. O único motivo pelo qual ele não é ateu é porque obrigam ele a acreditar em Deus.
REFUTADOR: Você teria que demonstrar que TODOS os eventos que possivelmente levem à crença em Deus se dão por constrangimento social. Se houver alguma hipótese possível em contrário, você falhou. Por exemplo: se existir a possibilidade de nossa programação cerebral tenha sido moldada para a crença em Deus, significa que é o ateísmo é que resulta de influências culturais, não o teísmo. Você tem como provar que essa hipótese é falsa?
NEO-ATEU: Hã… Do que estávamos falando mesmo?
Em resumo, a refutação segue essa linha:
Se o ateísmo é uma posição racional sobre um conjunto de crenças, então o recém-nascido NÃO é ateu, pois ele é IRRACIONAL;
Se o ateísmo conta também com a irracionalidade, então não há “mérito” algum nessa informação, pois o ateísmo da criança é decorrente de sua FALTA de CAPACIDADE mental;
A partir daí a pergunta que deve ser feita é: ao começar a raciocinar, mesmo em um ambiente não-teísta, ela necessariamente iria ser descrente em/negar a existência de Deus? Se a resposta for não e alguma hipótese do tipo (a) seres humanos naturalmente estão inclinados a acreditar ou se relacionar com Deus/procurar uma religião for plausível, então a tese “somente passam a acreditar em Deus por “influência externa” também é derrubada;
Por fim, tudo isso não faz nem cócegas na veracidade do Cristianismo ou do teísmo – é, no máximo, uma discussão curiosa sobre a tendência do seres humanos a crença em Deus;
Conclusão

Essa é mais uma técnica sem qualquer valor de verdade – sua utilidade é puramente um jogo psicológico, que coloca contra a parede teístas como se fossem “manipulados pelo mundo”, enquanto ateus são realistas, ao molde da velha falácia Ateus são fortes, Teístas são Fracos. Para os que querem um debate sadio, esse estratagema não contribui em nada logicamente.