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Técnica: Fé é, por definição, crer contra ou sem evidências

Esse truque é clássico. Certamente, na época em que eu debatia, ele era um dos mais frequentes em termos de aplicação (como sempre, faço a ressalva: você não precisa acreditar nessa informação. Mas dou uma dica: estude e DEBATA. O crescimento e a experiência que você ganha com o debate direto é impressionante). A estrutura do truque é simples: o neo-ateu dirá que você, por ser cristão, tem fé (o que é verdade). Em seguida, definirá a fé como a “crença contra as evidências” ou ainda “crença sem evidências”. Como o vocábulo ‘fé’ significa isso e, você tem fé, então sua crença é contra as evidências ou, no mínimo, ausente delas. Aí ele sairá cantando vitória e jogando para a torcida a sua “superioridade” contra o “crente” que “aceita acreditar sem evidências”.

Que a malandragem desse truque passa de quaisquer limites aceitáveis, não há dúvidas. Mas isso não é motivo para ficarmos calados e sim MAIS UM motivo para refutá-lo incisivamente.

A técnica se baseia no truque erístico da homonímia sutil. Isso ocorre quando duas pessoas, em um mesmo debate, utilizam um certo vocábulo e, aparentemente, estão falando da mesma coisa, quando na verdade a definição por trás do signo utilizado por ambos (nesse caso, ‘fé’) é completamente diferente. Vamos a um exemplo: eu chego num debate e afirmo “Eu acredito em Deus”. Ao ouvir isso, o neo-ateu dificilmente pensará que eu acredito no Puro Ato, no ‘esse ipsum subsistens’ (para utilizar a fórmula clássica), o ser perfeito sem nenhuma composição de ato ou potência, matéria e forma, essência e existência, mas sim em algum tipo de monstro super-humano e super-complexo que, de alguma forma, teve a sorte de (supostamente) ser o primeiro ser e iniciar seus caprichos quando deu na telha (isso se ele não acreditar que Deus está localizado em alguma parte do espaço). Nós dois estaremos fazendo uso do termo ‘Deus’ no debate, mas as nossas concepções sobre o que é Deus são praticamente opostas. A partir daí, ele utilizará a concepção (falsa) dele para me atacar de forma sistemática.

E o mesmo se dá no caso da fé. O neo-ateu tem a crença de que “fé” é “acreditar contra as evidências” (e essa crença possivelmente foi imposta a ele por meio de toneladas de propaganda em vídeos do youtube, imagens, livros de Dawkins, etc). Quando ele te perguntar se você tem fé e você responder “sim”, não importa o que você tinha em mente ao responder; ele se guiará pelo framework conceptual dele e começará a te atacar e ridicularizar imediatamente.

Para neutralizar essa técnica, lembre-se disso: ele JAMAIS pode proceder e DEFINIR o que significa o termo quando você é perguntado se acredita naquilo. Quem tem que fazer isso é VOCÊ. “Eu acredito nisso, mas isso significa TAL e TAL coisa para mim”. Assim, basta deixar CLARO, desde o início, o que significa “fé”, não deixando espaços para a difamação subsequente.

“Mas, Snow, então o que significa fé?” Isso é o que eu explicarei agora, na segunda parte do artigo (a primeira introduz o estratagema e ensina como neutralizar o truque, conforme exposto acima).

No dia a dia, “fé” significa simplesmente a confiança que temos em alguém ou algo. Por exemplo, imagine que o blogueiro Luciano Ayan fosse convidado para um debate contra uma figurinha carimbada da esquerda e um dos seus leitores, nos comentários, escrevesse: “Eu tenho fé que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista”. Se convertermos essa frase para “Eu confio que o Luciano fará um bom trabalho refutando o esquerdista” NÃO há perda de significado. (Não sou filólogo, mas já li inclusive que a formação da palavra “confiança” se deu, na origem, exatamente pela a união dos termos “com” e “fides” [fé, em latim], o que explica a igualdade de sentido).

Esse pode ser um dos significados usados para definir a fé. Como eu disse em outro artigo, o contato da pessoa com o Cristianismo normalmente se desenvolve através de tentativas “DIRETAS” de relação com Deus. A partir daí, surge a fé na religião, que é a CONFIANÇA que Deus se relaciona com ela por aqueles meios. Se a pessoa nunca teve um pedido atendido ou nunca teve uma experiência religiosa, por exemplo, então é plausível pensar que a fé dela não vai ser alta. E o inverso também é verdadeiro.

Mais tradicionalmente, há uma definição teológica para a fé. Segundo Parente, Piolanti e Garofalo, no Dicionário de Teologia Dogmática, fé é “a adesão do intelecto, sobre a influência da graça de Deus, a uma verdade revelada por Deus, não por sua evidência intrínseca mas na base da autoridade que a revelou”.

Uma leitura superficial pode dar a impressão de que os neo-ateus estavam corretos, pois, afinal, a adesão do intelecto não se dá na base “da evidência intrínseca”. Mas uma observação detalhada demonstra que a história NÃO é bem assim.

O conhecimento pode ser descrito como a união do intelecto com o objeto inteligível (talvez essa definição necessite de algumas correções, mas isso não é o de interesse no momento). Uma verdade só nos é inteligível na medida em que ela se torna evidente para nós;  essa evidência pode vir de várias formas, como de forma imediata ou mediata. Entre as coisas imediatamente conhecidas, estão, por exemplo, a lei da não contradição e verdades matemáticas simples (como 1+1=2). Em relação a outras verdades, nós não a conhecemos de forma direta, mas ATRAVÉS de uma outra verdade que conhecemos. Por exemplo: eu não sou cientista e não tenho vergonha de dizer que não entendo profundamente a estrutura molecular das bactérias. Mas suponha que eu vá a uma conferência de cientistas certificados na matéria e verifique que o consenso, entre eles, é de que a estrutura molecular das bactérias é composta pelos elementos “XYZ”. Eu sei que a referida comunidade científica é confiável e sei que eles me informam esse último dado; logo, meu intelecto adere à verdade revelada por eles.

E como se deu essa adesão do meu intelecto? Não na base da evidência intrínseca do fato (que eles conhecem, mas eu, um leigo, não), mas na base da autoridade (a comunidade científica) que a revelou. Como a autoridade é humana e falível, esse conhecimento também é falível. Mesmo assim, ele não deixa de ser racional. Crer em algo não pela evidência intrínseca, mas pela evidência indireta que justifica essa crença é algo ABSOLUTAMENTE natural. Rejeitar tal forma de adesão do intelecto a uma verdade é, em resumo, rejeitar todo empreendimento científico.

No aspecto teológico, a fé é vista de forma semelhante. A fé envolve crer em alguma coisa da qual não podemos ter o conhecimento direto, mas que sabemos que devemos acreditar pois Deus, que é onisciente e infalível, nos revelou. Ela é baseada nas evidências (ao contrário do que o neo-ateu diria) na medida em que o fato de que Deus revelou tal e tal verdade, na visão tradicional, tanto pode quanto É justificado racionalmente de forma independente.

É por esse mesmo motivo que, tradicionalmente, existe a diferença entre os “artigos de fé” e os “preâmbulos da fé”. Os artigos são os objetos específicos que, em tese, só podemos conhecer através da Revelação de Deus. Os Preâmbulos da Fé são constituídos do conhecimento natural que JUSTIFICA a adesão do intelecto aos artigos de fé. É por isso que, ao comentar a existência de Deus, São Tomás de Aquino, na Suma Teológica (Parte I, Questão 2, Resposta à Objeção 1) diz que “A existência de Deus e outras verdades a Seu respeito que podem ser conhecidas pela razão natural não são artigos de fé, mas preâmbulos aos artigos, pois a fé pressupõe o conhecimento natural, assim como a graça pressupõe a natureza e a perfeição supõe algo que pode ser aperfeiçoado.” Como diz Edward Feser, “Em resumo, a razão nos diz que Deus existe e que ele revelou tais-e-tais verdades; fé é, então, uma questão de acreditar naquilo que a razão demonstrou que Deus revelou. Nesse sentido, a fé não só não está em conflito com a razão como ela está baseada nela”.

Observe que eu não inventei nada. Eu somente expus a visão que, pela minha pesquisa, é considerada a mais tradicional no seio do Cristianismo. Se algum neo-ateu vier e falar que “Ah, mas o pastor João da minha Igreja que começou na semana passada disse que fé é acreditar sem razões e ele é cristaum por isso voce nao pode dar essa definicao no seu artigo seu mentirosos!!!!!” ele vai estar COMPLETAMENTE fora do ponto. É óbvio que uma pessoa menos sofisticada pode ter aquele entendimento da fé, mas se estamos falando da versão mais sofisticada do Cristianismo, temos que ir ATÉ os cristãos mais sofisticados para ver o que eles dizem (caso contrário, fica configurada a técnica Seleção Interessada de Representantes da Religião).

Em resumo:

  • (1) O truque consiste em ele usar a PRÓPRIA definição de fé para dizer naquilo que VOCÊ acredita (e se é você que acredita, então é você que sabe qual a definição utilizada que constitui o objeto de sua crença);
  • (2) Portanto, para refutá-lo, deixe claro DESDE O INÍCIO o que significa “fé” no sentido que você adere;
  • (3) No sentido mais simples (do dia-a-dia), “fé” é o mesmo que “confiança” em algo ou alguém, e é, possivelmente, gerada pela relação direta que a pessoa desenvolve (ou pensa desenvolver) com Deus através de práticas cristãs que lhe dão a sensação de o Cristianismo é digno de confiança e, portanto, verdadeiro;
  • (4) No sentido mais sofisticado, a fé é definida como “a adesão do intelecto, sob a influência da graça de Deus, a uma verdade não pela evidência intrínseca, mas na base da autoridade que a revelou”. A adesão é gerada por evidências indiretas, o que não faz a fé ser a “crença sem evidências”, pois ela está baseado nos PREÂMBULOS, que a justificam anteriormente;

Enfim, a desonestidade intelectual é a de sempre. E em relação a esse truque específico, você já tem a base para refutá-lo.

Fonte:http://teismo.net/quebrandoneoateismo/2012/02/21/tcnica-f-por-definio-crer-contra-ou-sem-evidncias/

Quem são os “irmãos” de Jesus?

Introdução

Os cristãos protestantes costumam ensinar que Maria, Mãe de Jesus, teve outros filhos além de Nosso Senhor. Que o Verdadeiro Espírito Santo nos permita mostrar aos nossos irmãos separados a verdade sobre os “irmãos” do Senhor.

Jesus, o primogênito

No Evangelho de São Lucas lemos: “Maria deu à Luz o seu filho primogênito” (Lc 2,7). Aqui os protestantes enxergam indícios de que o Senhor foi somente o primeiro filho de Maria. Ora, a palavra “primogênito” só significa primeiro filho, podendo ele ser filho único ou não.

A própria Escritura Sagrada dá testemunho disto, vejamos:

O Senhor disse a Moisés: “Faze o recenseamento de todos os primogênitos varões entre os israelitas, da idade de um mês para cima, e faze o levantamento dos seus nomes.” (Num 3,40) (grifos meus).

Se para que seja primogênito é preciso que haja outros irmãos, como pode haver primogênitos “da idade de um mês para cima”?

Um outro exemplo está no livro do Êxodo: “e morrerá todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do faraó, que deveria assentar-se no seu trono, até o primogênito do escravo que faz girar a mó, assim como todo primogênito dos animais.” (Ex. 11,5).

E a promessa de Deus se cumpre, onde lemos: “Pelo meio da noite, o Senhor feriu todos os primogênitos no Egito, desde o primogênito do faraó, que devia assentar-se no trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. O faraó levantou-se durante a noite, assim como todos os seus servos e todos os egípcios e fez-se um grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto” (Ex. 12,29-30).

A própria tradição ensina que o Faraó só tinha um único filho. Desta forma, a palavra “primogênito” em Lc 2,7 não prova que o Senhor teve outros irmãos.

José “conheceu” Maria?

No Evangelho de São Mateus lemos: “José não conheceu Maria [não teve relações com ela] até que ela desse à luz um filho.” (Mt 1,25).

Neste trecho os protestantes entendem que depois do parto, José “conheceu” Maria.

Quem entende o mínimo de exegese bíblia e cultura judaica, saberá que o Evangelho de Mateus é coberto de “aramaísmos”, isto é, expressões típicas da língua aramaica e hebraica, que quando traduzidas para outra língua não possuem o mesmo significado.

A expressão “até que”, “até” ou “enquanto” na linguagem bíblica, diz respeito somente ao passado. Para que isso fique mais claro vejamos outros exemplos na própria Escritura:

Ainda em Mateus, encontramos a promessa do Senhor à Igreja: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28,20) (grifo meu). Será que o versículo quer dizer que após a consumação dos séculos, Jesus não estará mais com a Sua Igreja?

Micol, filha de Saul, não teve filhos até ao dia de sua morte” (2 Sam 6,23) (grifo meu). O escritor sagrado quer dizer que depois de sua morte, Micol teve filhos?

Falando Deus a Jacó do alto da escada que este vira em sonhos, disse-lhe: “Não te abandonarei, enquanto não se cumprir tudo o que disse” (Gn 28,15) (grifo meu). Depois que se cumprir o que o Senhor disse, Ele então deveria abandonar Jacó?

Em Gênesis lemos: “[Noé] Soltou o corvo que foi e não voltou até que as águas secassem sobre a terra” (Gn 8,7) (grifos meus). Aqui não significa que o corvo voltou após as águas secarem, o que se quer é dar ênfase ao fato de que ele não voltou, mostrando que as águas finalmente secaram.

Desta forma, em Mt 1,15, não significa que depois do parto José deveria “conhecer” Maria. O Evangelista quer mostrar aqui o milagre da encarnação do Verbo, que aconteceu por obra do Espírito Santo, sem a intervenção do homem (cf. Is 7,14).

A palavra “irmãos” na Escritura Sagrada

Nossos irmãos protestantes alegam que em diversos lugares, o Evangelho fala dos “irmãos” de Jesus, como por exemplo: “estando Jesus a falar, disse-lhe alguém: eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos querem ver-te” (Mt 12, 46-47; Mc 3,31-32; Lc 8,19-20).

É importante dizer que nas Sagradas Letras, as palavras “irmão”, “irmã”, “irmãos” e “irmãs” podem denotar qualquer grau de parentesco. Isto porque, as línguas hebraica e aramaica não possuem palavras que traduzem o nosso “primo” ou “prima”, e serve-se da palavra “irmão” ou “irmã”. A palavra hebraica “ha“, e a aramaica “aha“, são empregadas para designar irmãos e irmã do mesmo pai, e não da mesma mãe (Gn 37, 16; 42,15; 43,5; 12,8-14; 39-15), sobrinhos, primos irmãos (1 Par 23,21), primos segundos (Lv 10,4) e até parentes em geral (Jó 19,13-14; 42,11). Existem muitos exemplos na Sagrada Escritura.

Observamos no Gênesis que “Taré gerou Abraão, Naor e Harã; e Harã gerou a Ló” (Gn 11,27). E Ló então era sobrinho de Abraão. Contudo no mesmo Gênesis, mais adiante Abraão chama a Ló de irmão (Gn 13,8).

Ainda em Gn 14,12, o Evangelho nos relata a prisão de Ló; e no versículo 14 observamos: “Ouvindo, pois Abraão que seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascido em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dã“.

Jacó se declara irmão de Labão, quando na verdade era filho de Rebeca, irmã de Labão (Gn 29,12-15).

Assim a qualificação de alguém pela palavra “irmão” ou “irmã” em relação ao Senhor, não significa necessariamente que fossem irmãos de fato. A única certeza que se pode ter neste caso é que eram parentes do Senhor.

A quem os Evangelhos chamam de “irmãos” do Senhor?

Os Evangelhos qualificam algumas pessoas como “irmãos” do Senhor. A primeira referência que encontramos está em São Mateus, onde lemos:

Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” (Mt 13,55).

Uma passagem correspondente encontramos em São Marcos:

Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito” (Mc 6,3).

1. A importância da expressão “uiós Marias“.

Interessante notar que São Marcos usa a expressão grega “uiós Marias“, em português “o filho de Maria“. Considerando Mateus e Lucas, observe o leitor que apenas o “o filho do carpinteiro” é chamado de “o filho de Maria” e não “um dos filhos de Maria“. Isso pode não fazer muita diferença em português, mas em grego é muito significativo.

Primeiramente pelo fato da mulher ser a última das criaturas no mundo antigo, normalmente a filiação de alguém sempre referenciava o pai. Por exemplo: “o filho de Jonas”, “o filho de Alfeu”, etc. Mas São Marcos ao falar da filiação de Cristo, não aponta para José, mas para Santa Maria, utilizando uma expressão que normalmente só era usada para designar filhos únicos.

É claro que esta ocorrência incomum no Evangelho de Marcos não é sem propósito. O Evangelista que mostrar que Cristo era o único filho de Santa Maria.

2. A Carta de São Paulo aos Gálatas

Segundo nossos irmãos protestantes, os supostos irmãos de sangue de Jesus seriam: Tiago, José, Simão e Judas. É o que o eles afirmam lendo Mt 13,55 e Mc 6,3, confiando que estão sendo guiados pelo Espírito Santo. Dizem ainda que São Paulo confirma isto, pois na carta aos Gálatas ele escreve: “Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas [Pedro], e fiquei com ele quinze dias. E dos outros apóstolos [que estão em Jerusalém] não vi a nenhum, senão a Tiago, irmão do Senhor? (Gl 1,18-19).

Segundo a referência paulina acima, este Tiago, “irmão do Senhor“, é de fato um Apóstolo.

Segundo as listas de Mateus, Marcos e Lucas, existiram dois apóstolos de nome Tiago. Vejamos:

Eis os nomes dos doze apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor” (Mt 10, 2-4) (grifos meus).

Escolheu estes doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele escolheu também André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador;  e Judas Iscariotes, que o entregou” (Mc 3,16-19) (grifos meus).

Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze dentre eles que chamou de apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelador; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor” (Lc 6,13-16) (grifos meus).

Conforme podemos observar, um Tiago era filho de Zebedeu e o outro filho de Alfeu. Agora eu pergunto aos meus irmãos protestantes: o que tem Zebedeu e Alfeu com Santa Maria, Mãe de Jesus”

Ora, é ponto pacífico entre todos os cristãos que Santa Maria só foi casada com São José, e que não se casou depois. Portanto, este Tiago, o qual São Paulo se refere em sua carta aos Gálatas não era irmão de sangue do Senhor Jesus; logo, as palavras do Apóstolo não dão suporte à tese protestante.

3. Distinguindo os Tiagos

Primeiro é preciso fazer uma distinção entre os dois “Tiagos” que foram apóstolos. O Tiago, filho de Alfeu (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15) era também chamado de “o menor”, veja:

E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de José, e Salomé” (Mc 15,40) (grifos meus).

Este Tiago que era irmão de José, não é filho de Zebedeu conforme vemos em São Mateus:

Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” (Mt 27,55-56) (grifos meus).

Como vemos acima, a Mãe de Tiago e José não é a mãe dos filhos de Zebedeu. Desta forma, o Tiago chamado “o menor” em Mc 15,40 era o filho de Alfeu. Com efeito, tanto São Marcos quanto São Lucas identificam este Tiago como irmão de José.

Podemos então distinguir os dois “Tiagos” assim: Tiago, o Maior, é filho de Zebedeu e Tiago, o Menor, é filho de Alfeu.

4. Os irmãos dos Tiagos

Na lista dos apóstolos de São Lucas, Judas era irmão do Tiago filho de Alfeu (cf. Lc 6,16), o que corrobora com o livro de Ato, onde encontramos:

Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago” (At 1,13) (grifos meus).

Segundo São Mateus e São Marcos este Judas era também chamado Tadeu (cf. Mt 10,3; Mc 3,18).

Até aqui os filhos de Zebedeu são Tiago (o Maior) e João (cf. Mc 3,16; Mt 10,2). Os filhos de Alfeu são Tiago (o Menor), Judas Tadeu e José (cf. Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13).

5. Quem é o Tiago referido na carta aos Gálatas?

São Paulo chama um dos “Tiagos” de “irmão do Senhor” (cf. Gl 1,19). Vimos ele ou é um dos filhos de Zebedeu ou Alfeu, e não de José, portanto, não é irmão de sangue do Senhor Jesus.

Quem é este Tiago a quem o Santo Apóstolo se refere? O Maior (filho de Zebedeu e irmão de João) ou o Menor (filho de Alfeu e irmão de Judas)?

Em Atos lemos que o Tiago, irmão de João foi morto após perseguição de Herodes:

Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João” (At 12,1-2) (grifos meus).

Isto aconteceu depois que São Paulo esteve em Jerusalém para ver os Apóstolos, pois o seu relato em Gl 1,18-19 é o mesmo evento narrado por São Lucas em Atos 9:

Chegando a Jerusalém, [Paulo] tentava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não querendo crer que se tivesse tornado discípulo. Então Barnabé, levando-o consigo, apresentou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo vira o Senhor no caminho, e que lhe havia falado, e como em Damasco pregara, com desassombro, o nome de Jesus. Daí por diante permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o nome do Senhor” (At 9, 26-28).

Assim, quando São Paulo esteve em Jerusalém para conhecer os apóstolos, os dois “Tiagos” estavam vivos, mas se prestarmos atenção na seqüência entre os capítulos 1 e 2 da carta aos Gálatas, veremos que o Tiago referido em Gl 2,9 parece ser o mesmo de Gl 1,19. O capítulo 2 da carta aos Gálatas se refere ao Concílio de Jerusalém, narrado em At 15, quando o Tiago, filho de Zebedeu já havia sido morto (cf. At 12,1-2).

Com efeito, Rufino (“Comentário ao Credo dos Apóstolos“, 37) e Eusébio de Cesaréia (“História Eclesiástica“, II,23), ambos historiadores da Igreja Antiga, registraram a Tradição Apostólica que identifica Tiago, autor da Epístola de Tiago, como irmão do Senhor. É sabido que o autor da Epístola a Tiago, é o Tiago filho de Alfeu, irmão de Judas Tadeu (cf. Jd 1,1), o autor da Epístola de Judas.

6. Identificando os “irmãos” de Jesus

Vimos que São Paulo dá testemunho da Tradição Apostólica de identificar Tiago, filho de Alfeu, como irmão do Senhor Jesus. Lembremos que este Tiago tem com irmãos Judas Tadeu e José.

Ora, exatamente os nomes Tiago, Judas e José que encabeçam a lista dos “irmãos” de Jesus na lista dos Evangelistas, lembremos:

Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria, o irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Não vivem aqui entre nós também suas irmãs? E ficaram perplexos a seu respeito” (Mc 6,3) (grifos meus).

Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?” (Mt 13,55) (grifos meus).

7. Identificando a mãe dos “irmãos” de Jesus

Para ficar ainda mais claro que Tiago, José e Judas são primos de Jesus, vamos identificar mãe deles.

Os evangelistas relataram que além da Mãe de Jesus, outras mulheres estavam próximas ao calvário. Vejamos:

Havia ali [no Calvário] também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” (Mt 27,55-56) (grifos meus).

Segundo São Mateus eram elas: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José e a mãe dos filhos de Zebedeu. Com efeito, Tiago e José que também são irmãos de Judas Tadeu tem por mãe uma Maria que não é a mãe do Senhor. Os filhos de Zebedeu são Tiago Maior e São João, cuja mãe também estava na cena da crucificação.

E também estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas estavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago o menor e de José, e Salomé” (Mc 15,40).

São Marcos eram elas: Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José que também são irmãos de Judas e Salomé. Em concordância com São Mateus, Salomé só pode ser a mãe dos filhos de Zebedeu, isto é, a mãe de Tiago Maior e São João. Novamente a Maria mãe de Tiago, Judas e José não é a Maria mãe de Jesus. Esta Maria tinha por marido Alfeu.

Estavam junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria [esposa] de Cleofas, e Maria de Mágdala” (Jo 19,25).

São João identifica Maria esposa de Cleofas como tia de Jesus, isto é, irmã de Santa Maria. Ora, sabemos que Tiago Maior e São João não são primos de Jesus, caso contrário seriam chamados “irmãos do Senhor”; assim, Salomé não é a Maria esposa de Cleofas.

Esta Maria, esposa de Cleofas, é a mãe de Tiago, José e Judas. Portanto, estes “irmãos” de Jesus, são na verdade seus primos, filhos de Maria, tia de Jesus.

Como na antiguidade os homens normalmente eram conhecidos por dois nomes, alguns acreditam que Cleofas é o outro nome de Alfeu. Outros sustentam a tese de que Cleofas é o marido de um segundo casamento de Maria, tia de Jesus. Com efeito, somente Tiago é referido como filho de Alfeu (ver item 2 deste artigo), enquanto se diz apenas que Judas e José são seus irmãos.

Sendo Alfeu e Cleofas, a mesma pessoa ou não, isso não oferece qualquer problema, pois de fato Tiago, Judas e José, são filhos de Maria, tia de Jesus; não importando se Tiago Menor é filho de Alfeu e Judas e José filhos de Cleofas.

8. Quem é Simão?

Em Mt 13,55 e Mc 6,3 encontramos o nome de Simão junto com os de Tiago, José e Judas.

Quando São Mateus e São Marcos elencam os apóstolos, sempre colocam o nome dos irmãos em seqüência. Ex: Pedro e André, Tiago Maior e João, etc.

Nestas mesmas listas, próximo aos nomes dos irmãos Tiago Menor e Judas Tadeu, os evangelistas citam um Simão: “Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu […]” (Mt 10,3-4) e “[…] Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelador” (Mc 3,18).

Com efeito, Eusébio de Cesaréia em sua “História Eclesiástica” registra que este Simão era primo do Senhor e filho de Cleofas:

Após o martírio de Tiago [menor] e a destruição de Jerusalém, ocorrida logo depois, conta-se que os sobreviventes dos Apóstolos e discípulos do Senhor vindos de todas as partes se congregaram e com os consangüíneos do Senhor ‘havia um grande número deles ainda vivos’ reuniram-se em conselho para verificar quem julgariam digno de suceder a Tiago. Todos unanimemente consideraram idôneo para ocupar a sede desta Igreja Simeão, filho de Cléofas, de quem se faz memória no livro do Evangelho (Lc 24,18; Jô 19,25). Diz-se que era primo do Salvador. Efetivamente, Hegesipo [historiador antigo] declara que Cléofas era irmão de José” (HE III,11).

Conclusão

Os “irmãos” de Jesus são seus primos, filhos da irmã da Mãe do Senhor, cujo nome é também Maria; são eles Tiago, José, Judas Tadeu e Simão. Este é o testemunho da Sagrada Escritura e da Memória dos primeiros cristãos.

Fonte:http://www.veritatis.com.br/apologetica/109-maria-santissima/547-quem-sao-os-irmaos-de-jesus

O Banquete do Cordeiro (Parte 4)

A história do sacrifício capII

A frase da missa que venceu Scott foi “Cordeiro de Deus”, porque ele sabia que esse Cordeiro era o próprio Jesus Cristo.
Recitamos esse Cordeiro de Deus na missa, exatamente o mesmo número de vezes que vimos o sacerdote elevar  a hóstia e proclamar: “Eis o cordeiro de Deus…
O Cordeiro é Jesus!
Isso não é novidade; e é o tipo de fato que escondemos: afinal de contas Jesus é muitas coisas: é Senhor, Deus, Salvador, Messias, Rei, Sacerdote, Profeta …e Cordeiro!
O último título não é como os outros. Os sete 1ºs são títulos com os quais nos dirigimos tranquilamente a um Deus-Homem.
São títulos com dignidade, que sugerem sabedoria, poder e posição social.
Mas Cordeiro?
Scott nos pede para nos desfazermos de dois mil anos de sentido simbólico acumulado. Que finjamos por um momento que jamais entoamos o “Cordeiro de Deus!!

A respeito do cordeiro capII

Esse título parece quase cômico de tão inadequado.
Em geral, cordeiros não ocupam os primeiros lugares das listas de animais mais admirados.
Não são particularmente fortes, nem espertos, sagazes ou graciosos.
E outros animais parecem mais merecedores.
Por exemplo: É fácil imaginarmos Jesus como o Leão de Judá (Ap5,5).
Os leões são majestosos, fortes e ágeis, ninguém mexe com o rei dos animais.
Mas o Leão de Judá desempenha papel efêmero no livro do apocalípse.
Ao mesmo tempo , o Cordeiro prevalece e a parece nada menos que vinte e oito vezes.
O Cordeiro governa e ocupa o trono de céu (Ap 22,3).
É o Cordeiro quem lidera um exército de centenas de milhares de homens e anjos, e acende o medo nos corações dos ímpios (Ap 6, 15-16).
Esta última imagem,  do Cordeiro feroz e assustador, é quase absurda demais para imaginarmos sem sorrir!
No entanto, para João, esse assunto do Cordeiro é sério!
Os títulos “Cordeiro” e “Cordeiro de Deus” aplicam-se a Jesus quase exclusivamente nos livros do novo testamento atribuídos a João: o quarto evangelho e o apocalípse.

Embora outros livros neotestamentários  (Ap8,32-35; IPd 1,19) digam que Jesus é “como” um cordeiro em certos aspectos, só João ousa “chamar” Jesus ” o Cordeiro” (Jo 1,36 e Ap todo).
Sabemos que o cordeiro é fundamental para a missa e também para o livro do Apocalípse.
E sabemos “quem ” o Cordeiro é.
Entretanto, se queremos experimentar a missa como o céu na terra, precisamos saber mais.
Precisamos saber o “que” o Cordeiro é e “por que” o chamamos “Cordeiro”.
Para descobrir, temos de voltar no tempo, quase até o início….
Pão Salutar capII
Para o antigo Israel, o cordeiro identificava-se com o sacrifício, que era uma das formas mais primitivas de adoração.
Já na 2ª geração descrita no Gn, encontramos na história de Caim e Abel, o 1º exemplo registrado de uma oferenda sacrifical: “Caim trouxe ao Senhor uma oferenda de frutos da terra; também Abel trouxe primícias dos seus animais e a gordura deles” (Gn 4,3-4).
No devido tempo, encontramos holocaustos semelhantes oferecidos:

  • Por Noé (Gn 8,20-21)
  • Abraão (Gn 15,8-10; 22,13)
  • Jacó (Gn 46,1)e outros.

No gênesis, os patriarcas estavam sempre construindo altares, e estes serviam primordialmente para sacrifícios.
Entre os sacrifícios do Gn. dois merecem nossa atenção:
– Melquizedec (Malki-Sédeq,Gn 14,18-20)
– e o de Abraão e Isaac (Gn 22).
Melquizedec surge como o 1º sacerdote mencionado na Bíblia e muitos cristãos (Hb 7,1-17) o consideram precursor de Jesus Cristo.
Melquisedec  era sacerdote e rei, combinação estranha no AT, mas que, mais tarde, foi aplicada a Jesus.
Ele é descrito como rei de Shalem, terra que depois seria “Jeru-salém”.  Que significa “Cidade da Paz”(Sl 76,2).
Um dia Jesus surgiria como rei da Jerusalém celeste e novamente como Melquizedec, “Príncipe da Paz”.
Em conclusão, o sacrifício de melquisedec foi extraordinário por “não envolver animal algum”.
Ele ofereceu “Pão e Vinho”, como Jesus fez na Última Ceia, quando institui a Eucaristia.
O sacrifício de Melquisedec terminou com uma benção sobre Abraão.

O alcance de Moriá cap II

O próprio Abraão revisitou Shalem, alguns anos mais tarde, quando Deus o chamou para fazer um sacrifício definitivo.
Em Gn 22, Deus diz a Abraão:” Toma o teu filho, o teu único, Isaac, que amas. Parte para terra de Moriá e lá oferecerás em holocausto sobre uma das montanhas que eu te indicar”(v2).
A tradição israelita, registrada em 2Cr 3,1, identifica Moriá com o local do futuro Templo de Jerusalém.
Para lá, Abraão viajou com Isaac, que carregou nos ombros a lenha para o sacrifício (Gn22,6).
Quando Isaac perguntou onde estava a vítima, Abraão respondeu: Deus providenciará Ele mesmo uma ovelha para o holocausto, meu filho.”(v8).
No fim, o anjo Deus impediu que a mão de Abraão sacrificasse seu filho e forneceu um carneiro para ser sacrificado.
Nessa história, Israel discerniu o juramento da aliança de Deus para fazer dos descendentes de Abraão uma nação poderosa: “juro-o por mim mesmo… Por não teres poupado seu filho.. comprometo-me. ..a  fazer proliferar tua descendência tanto quanto as estrelas do céu…é nela que se abençoarão todas as nações da terra”(Gn22,16-17).
Esse foi o reconhecimento de dívida que Deus deu a Abraão; também seria a apólice de seguro de vida de Israel.
No deserto do Sinai, quando o povo escolhido mereceu a morte por adorar o bezerro de ouro, Moisés invocou o juramento de Deus a Abraão, a fim de salvar o povo da cólera divina (Ex32,13-14).
Mais tarde os cristãos consideraram a narrativa de Abraão e Isaac uma profunda alegoria do sacrifício de Jesus na cruz.
As semelhanças eram muitas:
1º-Jesus, como Isaac, era o filho único querido de uma pai fiel.
2º-Tbem como Isaac, Jesus carregou morro acima a madeira para seu sacrifício, que foi consumado em uma colina de Jerusalém.
De fato, o local onde Jesus morreu, o calvário, era um dos morros da cadeia de Moriá.
Além disso, o primeiro versículo do NT identifica Jesus como Isaac, ao dizer que Ele é “filho de Abraão”(Mt1,1).
Para os leitores cristãos, até as palavras de Abraão se mostraram proféticas. Lembre-se de que não havia pontuação no original hebraico e pense em uma interpretação alternativa de Gn22,8:”Deus se dá a si mesmo, o Cordeiro , para o holocausto”.
O Cordeiro pronunciado era, Jesus Cristo, o próprio Deus” para que a benção de Abraão alcance os pagãos em Jesus Cristo”(Gll3,14 veja também Gn 22,16-18).

O Banquete do Cordeiro (Parte 3)

“Passaram -me para trás!! cap.I
No céu agora mesmo!!
Os padres da igreja mostraram que essa descoberta não era de Scott!!.
Pregaram a respeito há mais de mil anos.
Scott, no entanto , estava convencido de que merecia o crédito pela redescoberta da relação entre missa e o livro do apocalípse!
Então, para sua surpresa, descobre que o Concílio Vaticano II o tinha passado para trás!
Reflitam nestas palavras da Constituição sobre a Sagrada Liturgia:
Na liturgia terrena, antegozando, participamos da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, peregrinos, nos encaminhamos.
Lá, Cristo está  sentado `a direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda milícia do exército celestial entoamos um hino de glória ao Senhor e , venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo.  Até que ele, nossa vida se manifeste, e nós apareçamos com Ele na glória.
Espere um pouco. Isso é céu. Não, isso é missa. Não, é o livro do apocalípse.
Espere um pouco: Isso é tudo o que está acima!
Scott, se acalma, para não ir rápido demais, para evitar os perigos aos quais os convertidos são susceptíveis!
Pois, ele estava rapidamente se convertendo `a  fé católica!!
Contudo , essa descoberta não era produto de uma imaginação superexcitada; era o ensinamento solene de uma “concílio da igreja católica”.
Com o tempo , Scott descobre que essa era também a conclusão inevitável dos estudiosos protestantes mais rigorosos e honestos.
Um deles, Leonard Thompson, escreveu que “até mesmo uma leitura superficial do livro de apocalípse mostra a presença da linguagem litúrgica disposta em forma de culto..”.
Basta as imagens da liturgia para tornar esse extraordinário livro compreensível.
As figuras litúrgicas são essenciais para sua mensagem, escreve Thompson, e revelam “algo mais que visões de ‘coisas que estão por vir'”.

Atrações futuras  cap.I

O livro do Apocalípse tratava de Alguém que estava por vir.
Tratava de Jesus Cristo e sua “segunda vinda”, a forma como, em geral, os cristãos traduziram a palavra grega parousia .
Depois de passar horas e horas naquela capela, Scott aprende que aquele Alguém era o mesmo Jesus Cristo que o sacerdote católico erguia na hóstia.
Se os cristãos primitivos estavam certos, ele sabia que, naquele exato momento, o céu tocava a terra.
“Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”
Ainda assim, restavam muitas perguntas sérias na mente e no coração de Scott: Quanto à natureza do sacrifício.
Quanto aos fundamentos bíblicos da missa.
Quanto a continuidade da tradição da tradição católica.
Quanto a muitos dos pequenos detalhes do culto litúrgico.
Essas perguntas definiram suas investigações nos meses que levaram a sua admissão na Igreja Católica.
Em certo sentido, elas continuam a definir seu trabalho de hoje.
“Porem agora ele não faz mais perguntas como acusador ou curioso, mas como filho que se aproxima do pai, pedindo o impossível, pedindo para segurar na palma da mão uma estrela luminosa e distante.”
Scott não crê que Nosso Pai nos recuse , a sabedoria que buscamos a respeito de sua missa.
Ela é afinal de contas, o acontecimento no qual ele confirma sua aliança conosco e nos faz seus filhos.
Este livro é mais ou menos o que Scott descobriu enquanto investigava as riquezas de ” nossa tradição católica”.
Nossa herança inclui toda a Bíblia, o testemunho ininterrúpto da missa, os constantes ensinamentos dos santos, a pesquisa dos estudiosos, os métodos de oração contemplativa e o cuidado dos papas e bispos.
Na missa , você e eu temos o céu na terra.
As provas são prodigiosas.
A experiência é uma revelação!

O Banquete do Cordeiro (Parte 2)

No céu agora mesmo! Cap.I

Ao estudar os escritos dos primeiros cristãos, Scott, encontra inúmeras referencias à “liturgia”, à “Eucaristia”, ao “sacrifício”.

Foi então a santa missa (logicamente incógnito, visto que era um ministro protestante, calvinista), como um exercício acadêmico.

Como calvinista, foi instruído para acreditar que a missa era o maior sacrilégio que alguém poderia cometer. Pois para eles a missa era um ritual com o propósito de ” sacrificar Jesus Cristo outra vez”.

Entretanto a medida que a missa prosseguia, alguma coisa o toca.

A Bíblia estava diante dele! Nas palavras da missa!!..Isaías, Salmo, Paulo…Não obstante , manteve sua posição de espectador, à parte, até que ouve o sacerdote pronunciar as palavras da consagração:” Isto é o meu corpo…Este é o cálice do meu sangue”.

Então sentiu todas as suas dúvidas se esvaírem. Quando viu o sacerdote elevar a hóstia, percebeu que uma prece subia do seu coração em um sussurro: Meu Senhor e meu Deus. Sois realmente vós!”

Quando não foi maior sua emoção ao ouvir toda a igreja orar:”Cordeiro de Deus..Cordeiro de Deus…Cordeiro de Deus” e o sacerdote dizer: “Eis o Cordeiro de Deus..”, enquanto elevava a hóstia.

Em menos de 1 min.a frase “Cordeiro de Deus ressoou 4 vezes. Graças a longos anos de estudo bíblicos, percebeu imediatamente onde estava. Estava no livro do Apocalípse, no qual Jesus é chamado de Cordeiro nada menos que 28 vezes em 22 capítulos.

Estava na festa de núpcias que João descreve no final do último livro da Bíblia.

Estava diante do trono do céu, onde Jesus é saudado para sempre como o Cordeiro.

Entretanto, não estava preparado para isso – Ele estava na MISSA!

Fumaça Santa! cap.I

Scott volta a missa por 2 semanas, e a cada dia “descobria” mais passagens das Escrituras consumadas diante de seus olhos.

Contudo, naquela capela , nenhum livro lhe era tão visível quanto o da revelação de Jesus Cristo, o Apocalípse, que descreve a adoração dos anjos e santos de céu.

Como no livro, ele vê naquela capela, sacerdotes paramentados, um altar,uma assembléia que entoava:”Santo,Santo ,Santo”.Viu a fumaça do incenso, ouviu a invocação de anjos e santos…ele mesmo entoava os aleluias, porque se sentia cada vez mais atraído a essa adoração.

A cada dia se desconcertava mais , e não sabia se voltava para o livro ou para a ação no altar, que pareciam cada vez mais ser exatamente a mesma!

Mergulhou nos estudos do cristianismo antigo e descobriu que os 1ºs bispos, os Padres da igreja, tinham feito a mesma descoberta que ele fazia a cada manhã.

Eles consideravam o livro de Apocalípse a chave da liturgia e a liturgia a chave do livro do apocalípse.

Scott começa descobrir que o livro que ele mais achava desconcertante , agora elucidava as idéias mais fundamentais de sua fé:A idéia da aliança como elo sagrado da família de Deus.

Além disso, a ação que considerava a maior das blasfêmias – a missa – agora se revela o acontecimento que ratificou a aliança de Deus: “Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança”.

Scott estava aturdido, pois durante anos tentou compreender esse livro como uma esépécie de mensagem codificada a respeito do fim do mundo, a respeito do culto no céu distante, algo que os cristãos não poderiam experimentar aqui na terra!

Agora, queria gritar a todos dentro daquela capela durante a liturgia: “Ei, pessoal. Quero lhes mostrar onde vocês estão no livro do Apcalípse! Consultem o cap.4, vers.8.

Isso mesmo! AGORA mesmo vocês estão no céu!!!

Meus comentários: Esse livro é um livro muito bom até para os católicos que estão em converção ou mesmo que sempre foram criados dentro da Igreja, pois  ele nos esnsina o significado de muita coisas que estão na missa e passam despercebidos para gente e que tem um valor liturgico muito grande. Continuarei  a postar os capítulos do livro e esperem que gostem e adquiram o livro pois este livro é uma jóia preciosa para futuros catequistas ou bons evangelizadores!
Fiquem com Deus meus irmãos.

Salve Maria

Aprendendo o Latim (Parte V)

Publicada por Cleiton Robson.
Pedro disse a verdade ao Pai.
Nesta frase, a expressão “ao pai” completa ainda mais o sentido do predicado. Disse a verdade a quem? Este outro objeto do verbo será a ele unido por meio de uma preposição, a. No primeiro caso – objeto direto – havia apenas o artigo – a verdade. Agora temos a+o pai, isto é, uma preposição a foi juntada ao artigo o. Então se diz que a ação do verbo passou ao outro elemento da frase por meio de uma preposição, isto é, não diretamente, mas indiretamente, por isso chama-se objeto indireto.
Pedro disse com franqueza a verdade ao pai.
A oração foi enriquecida com mais um detalhe que indica a maneira, o modo, o estado de espírito com que Pedro disse a verdade ao pai. O elemento da oração que indica alguma circunstância é chamado de adjunto adverbial. No caso, é um adjunto adverbial de modo, isto é, expressa a maneira, o modo como Pedro disse a verdade. Mas há também os adjuntos circunstanciais de tempo, lugar, intensidade, etc.
Pedro disse com franqueza a verdade do fato ao pai.
Um elemento novo  – de fato – enriqueceu ainda mais a oração. Não se trata de uma verdade qualquer, mas da verdade de um determinado fato. Houve uma restrição na generalidade do termo verdade. Por isso se diz que do fato é complemento nominal restritivo, porque complementou o sentido do nome – verdade – restringindo-lhe o âmbito.
Pedro disse ao pai, com franqueza, a verdade do fato lastimável.
Como você vê, a oração está crescendo com novos elementos. cada elemento excerce uma função diferente. Na ordenação de uma oração, os termos se unem uns aos outros para formar um sentido geral. Por isso é que se diz sintaxe (do grego, ordem conjunta), ordem na qual os termos se unem uns com os outros [syn (com)+taxe (ordem]. Agora, mais um termo foi acrescentado para qualificar o nome fato. O fato poderia ser agradável, feliz, mas aqui é lastimável. Esta função de um adjetivo (lastimável) que qualifica um substantivo (fato), chama-se em análise sintática, adjunto adnominal, isto é, um termo que se coloca junto (ad) a um nome para o  modificar, qualificar ou determinar.
Resumindo, os objetos, diretos e indiretos, só complementam verbos; adjuntos e complementos nominais, só nomes, e os adjuntos adverbiais referem-se a circunstâncias.

Aqui a oração do Pai Nosso, e em seguida, em gregoriano:

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Pater noster, qui es in caelis: sanctificetur nomen tuum; adveniat regnum tuum; fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum cotidianum da nobis hodie; et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos inducas in tentationem; sed libera nos a malo. Amen.

d) A pronúncia Restaurada.


Há, finalmente, a pronúncia restaurada, que busca falar o latim como teria sido pronunciado pelos autores da época clássica, como Cícero e César, aliás, kíkero e káesar.
A pronúncia restaurada é adotada, para mútua compreensão, nos encontros europeus e internacionais.
Vejamos suas principais características:
• Nos ditongos ae e oe, ambas as vogais são pronunciadas. No que diz respeito ao primeiro, continuo a preferir a pronúncia mais fácil, e, como no latim eclesiástico. Aliás, na história do latim, esse ditongo cedo desapareceu, substituído por e. Varrão já observara que o povo dizia Mesium, e não Maesium: “rustici Mesium dicunt, non Maesium”.
• As consoantes “c” e “g” são sempre guturais, mesmo antes das vogais “e” e “i”. Leia-se, portanto, kíkero, em vez de cícero; késar, em vez cezar; agnus, em vez de anhus.
• O “h” é pronunciado com leve aspiração.
• O “j” tem som de “i”.
• O “r” é sempre brando.
• O “s” é invariavelmente pronunciado como em “sim”.
• A sílaba ti, precedendo vogal, lê-se tal como escrita, donde: grátia, e não, grácia; skientia, e não, ciência.
• O “v”, consoante precedendo vogal, tem som de “v”, embora haja quem lhe atribua o som de u, que aliás resulta horrível, como em “uiuo”, em vez de “vivo”.
• O “x” soa como “cs”.
• O “y”, como o “u” da língua francesa.
• O “z”, como “ds”.

Criação a partir do nada: idéia coerente?

Algo pode ser criado a partir do nada? Parece que não. Esse argumento foi oferecido por Shrek (sim, Shrek) em um debate no site Teismo.net e também, em uma versão semelhante, pelo ateu anarquista Sebastian Faure. Segundo pessoas como eles, se bem os entendi, a idéia de criação “ex nihilo” é irracional e incoerente. Logo, Deus não pode ter criado nem a matéria nem coisa alguma.

Antes de tudo, existem dois sentidos bastante diferentes que “criação a partir do nada” pode ter. O primeiro é algo que surge a partir do nada absoluto – outra é de uma quantidade que não existia e foi “adicionada” por alguém ou algo no mundo. No primeiro caso, temos um surgimento a partir do “não-ser”. No segundo caso, uma substância causa uma outra substância inteiramente nova à existência. Aceitar o primeiro caso seria negar o Princípio da Razão Suficiente e de forma alguma eu estou preparado para sustentar essa afirmação. Mas o segundo caso é passível de defesa.

A idéia que está por trás do poder causal de um ser que é onipotente é a possibilidade lógica. [1] Aqui, a possibilidade de qual falo não é a mesma que utilizamos para dizer que seres humanos não podem nadar o Atlântico em 5 minutos, por exemplo, ou que porcos não podem gerar asas para si (possibilidade física). Ao afirmar que algo é possível logicamente, isso é significa que a negação dessa idéia não é (e nem decorre de) nenhuma verdade necessária da lógica. Por exemplo:

  • (1) ‘A’ não é vermelho;

(1) é possível. Não  é necessário que algo seja vermelho. Assim, é possível que algo não o seja. Por outro lado, não é possível que:

  • (2) ‘A’ não é idêntico consigo mesmo;

Afirmar (2) seria negar a Lei da Identidade – uma lei cuja nenhuma mais correta pode ser concebida. Logo, (2) não é possível.

E a criação ex nihilo, então, é possível? Eu diria que sim. É facilmente concebível – do ponto de vista lógico – que um dia eu acorde e me encontre com o poder de causar coisas que não existiam para a existência sem que elas sejam meras transformações de materiais já existentes. Eu poderia ser um pintor que, cada vez que meu pote de vermelho ou de azul acabasse, simplesmente fechasse os olhos e pensasse: “Que o pote de tinta fique cheio novamente”. Um microsegundo depois de um terminar meu pensamento, eu abro os olhos e vejo que a tinta está cheia de novo. Eu poderia também fechar os olhos e pensar: “Na próxima vez que abrir os olhos, terei um sexto dedo”. Ao abrir os olhos, veria que o dedo está lá. Vários testes poderiam ser feitos (como selar meu atelier, garantindo que nada entrou nem saiu durante a execução do ato e medir a quantidade de massa e energia antes e depois do teste) para garantir que esse material é inteiramente novo e não é uma mera transformação do que já existia dentro do meu estúdio. Não há nenhuma contradição lógica ao contarmos uma história como essa. Logo, ainda que os seres humanos não tenham o poder de causar algo ex nihilo, essa é uma ação perfeitamente concebível. E se é possível do ponto de vista lógico, então um ser onipotente poderia fazê-la.

De qualquer forma, esse argumento não seria necessariamente um problema para a crença em Deus, mas somente para uma doutrina de criação ex nihilo. Mas nem sequer como uma objeção a essa doutrina ele funciona. Dessa forma, concluo que o argumento da impossibilidade dessa ação está refutado.

Notas:

Veja meu artigo sobre o “Paradoxo da Pedra

DEUS O CRIADOR, WILLIAM LANE CRAIG Entrevistado por Robert Lawrence Kuhn

Recentemente me deparei com essa preciosa série de vídeos onde Craig, entrevistado pelo Dr. Robert Lawrence Kuhn, explora questões sobre a natureza de Deus e Sua relação com o mundo. Nesse vídeo, eles discutem o papel de Deus como Criador e Sustentador do Universo.


Fonte:Deus em Debate